Derrotados na Assembleia, bolsonaristas divulgam vídeo com armas em punho e avisos de “meter bala no MST” Redes Sociais Um dia após a derrota no plenário da Assembleia Legislativa que arquivou o projeto que criminaliza as ocupações e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), os bolsonaristas iniciaram uma investida que vai além do jogo político e não pode ser ignorada. Na esteira da visita de lideranças nacionais da extrema direita ao Estado, para o lançamento da pré-candidatura do coronel Alexandre Ramalho (PL) à Prefeitura de Vila Velha, nesta quinta-feira (27), resolveram gravar um vídeo ao ar livre, com armas de variados modelos em punho, em que repetem, como costumam fazer, xingamentos aos “invasores de terra”, mas também fazem avisos: “invadiu terra, tem que meter bala, é bandido”, com a ênfase reiterada: “é na bala!”. As “estrelas” do bolsonarismo que vieram incensar Ramalho e falam no vídeo são os deputados federais Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) e Sargento Fahur (PSD-PR). Eles aparecem ao lado do deputado estadual Callegari (PL) e do deputado federal Gilvan da Federal (PL). Duas outras pessoas – uma delas Dinho Souza, pastor da Igreja Povo da Cruz, da Serra – completam o cenário e o enredo, iniciado ainda no Aeroporto de Vitória, quando os parlamentares e apoiadores exaltavam a presença da “bancada da bala”. A Fahur e Callegari – este como uma camisa de “não matarás”, com a imagem de um feto – coube a ameaça de “meter bala”, enquanto Gilvan defendeu “o agro e a propriedade privada” e Eduardo Bolsonaro ficou com a outra parte da estratégia a partir de agora: atingir os deputados estaduais que votaram pela manutenção do veto do governador Renato Casagrande (PSB). “Nunca foi tão fácil votar, esses caras terão encontro marcado com o eleitor daqui a pouquinho”, lançou o filho do ex-presidente da República. O “take” fecha com o coro de “força e honra”, lema bolsonarista, para completar o show…de horror! MaisNo texto que acompanha o vídeo, Callegari acrescenta: “quero deixar anotado que a luta contra esses terroristas não terminou e a base da direita vai continuar no combate contra esses marginais que se utilizam das políticas sociais para se beneficiar e invadir propriedades privadas. Fora Movimento Sem Terra”. Outros alvosSobre os colegas de plenário que votaram em defesa do veto, ele diz que “facilitaram a vida de vagabundo”. A posição repercute nas redes sociais de movimentos de direita, que abriram uma campanha e divulgam as fotos de 14 parlamentares, chamando-os de “inimigos do agro” e a favor de “invasores de terras”. Outros alvos IIAs fotos incluem os três que mantiveram a posição e votaram a favor do veto; os quatro que recuaram da primeira votação, que aprovou o projeto de Lucas Polese (PL); e os sete ausentes à sessão dessa quarta. Outros alvos IIISão eles, por ordem e bloco: Camila Valadão (Psol), Iriny Lopes (PT) e João Coser (PT); Mazinho dos Anjos (PSDB), Tyago Hoffmann (PSB), Dary Pagung (PSB) e Denninho Silva (União); e Vandinho Leite (PSDB), Bispo Alves (Republicanos), Alexandre Xambinho (Podemos), Allan Ferreira (Podemos), Fabricio Gandini (PSD), Janete de Sá (PSB) e Raquel Lessa (PP). Veremos as cenas da próxima semana… Mesa de articulaçãoNa disputa majoritária da Capital, o empresário Du Kawasaki, que acaba se de colocar no jogo pelo Avante, se reuniu nessa quarta (26) com outro nome, a vice-prefeita, Capitão Estéfane, e o presidente estadual do Podemos, deputado federal Gilson Daniel. Saíram emitindo sinais de parceria nas redes sociais. Segue…Capitã Estéfane, como se sabe, é a única pré-candidatura do campo de centro de Casagrande que “sobrou” no cenário, considerando que os demais partidos – grupo dos seis – se reuniram em torno do ex-prefeito tucano Luiz Paulo Vellozo Lucas. Estão nesse bloco, além do PSDB/Cidadania e do PSB, o MDB, União Brasil e PSD. Fora do jogoEm Colatina (noroeste do Estado), como já indicado nas últimas semanas, o PT não disputará a prefeitura. O ex-deputado Genivaldo Lievore, que só apareceu, mesmo, no início das articulações, caminhará junto com o prefeito, Guerino Balestrassi (MDB). Frente mais amplaCom a entrada do PT, que é federado com o PV e PCdoB, Balestrassi aumenta sua rede de aliança, que já contava com cinco partidos: o PSB, de Casagrande, o Podemos, o PDT, o PP e o PRD. Nas redes“(…) esse teatro a gente já conhece, são quatro anos fazendo perguntas ao prefeito, e ele não respondendo. Sempre se apegando a uma coisinha ou outra que a gente fala, para fazer um grande discurso, um drama…hoje ele até chorou (…). Uma tristeza que a cidade Vitória tenha escolhido esse caminho. A nossa esperança é que esta seja a penúltima prestação de contas dele (…)”. Karla Coser, vereadora pelo PT, sobre a presença obrigatória de Lorenzo Pazolini (Republicanos) na Câmara nesta quinta-feira. FALE COM A COLUNA: medeirosmanaira@gmail.com Debandada e recuos Campanha de bolsonaristas contra veto de Casagrande só conseguiu cinco votos de partidos alinhados ao governo https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/debandada-e-recuos
Mauricio Abdalla: ‘Fé cristã é profundamente política’
No programa Política ES, filósofo e professor da Ufes analisa governo Lula e dificuldade de retomada do trabalho de base Professor de Filosofia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e coordenador pedagógico da Escola de Fé e Política, Maurício Abdalla fala ao programa Política ES sobre a relação histórica entre política e religião e como ela se manifesta até os dias de hoje. Ele critica os chamados “charlatões da fé” e o avanço da extrema direita e analisa as dificuldades do governo Lula diante da atual conjuntura política. Abdalla ainda avalia a perda de força dos movimentos progressistas e aponta desafios para o trabalho de base nos territórios a partir da educação popular. —- * Inscreva-se no canal do Século Diário no YouTube e ative o sininho para acompanhar as novidades. ** Se quiser ouvir este e outros programas em podcast, siga os canais do Século Diário no Spotify e Google Podcasts.
Recontagem de votos no STF poderá alterar composição da Assembleia
Processo voltará ao plenário e já movimenta o mercado político; quatro deputados ficariam em risco de perder a cadeira A maioria formada pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em processo que cassa o mandato de sete deputados federais eleitos em 2022, com base em regras para a distribuição das sobras eleitorais consideradas inconstitucionais, poderá resultar na perda de mandatos de deputados estaduais, alterando a atual composição da Assembleia legislativa. A possibilidade já movimenta o mercado político do Estado, que faz prognósticos. Estariam com os mandatos em risco Zé Preto (eleito pelo PL e hoje no PP), beneficiado com uma sobra eleitoral de 40,4 mil votos; Allan Ferreira (Podemos), 888 votos de sobra; Dary Pagung (PSB), de 14,5 mil: e Fabrício Gandini (eleito pelo Cidadania e hoje no PSD), com 2,8 mil votos de sobra. Por outro lado, ganhariam mandatos os ex-deputados Carlos Von (DC) e Gilsinho Lopes (SD), o vereador de Vitória Davi Esmael (ex-PSD e atual Republicanos) e o ex-vereador da Serra Fábio Duarte (Rede). Já Bispo Alves (Republicanos), Callegari (PL), Theodorico Ferraço (PP) e José Esmeraldo (PDT) permaneceriam com suas cadeiras, beneficiados pela sobra. Caso seja confirmado que a medida irá retroceder às eleições de 2022, advogados apontam que bastará um partido ou ex-candidato acionar a Justiça para pedir a recontagem de votos, colocando em risco os atuais mandatos. O caso aguarda desfecho, já que o ministro André Mendonça pediu destaque, transferindo a votação, iniciada na modalidade virtual, para o plenário do STF, sendo retomada do zero. A decisão passará a ter efeito vinculante para todo o Brasil. A expectativa de mudanças considera os votos já manifestados no processo pelos ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Kassio Nunes Marques, Flávio Dino, Dias Toffoli e Cristiano Zanin. Todos eles consideraram que, ao manter os mandatos de parlamentares eleitos com base em uma regra considerada inconstitucional, o tribunal prejudicaria candidatos que deveriam estar no cargo. Sete deputados federais eleitos em 2022 estão ameaçados de perder os cargos: Sílvia Waiãpi (PL-AP), Sonize Barbosa (PL-AP), Professora Goreth (PDT-AP), Dr. Pupio (MDB-AP), Gilvan Máximo (Republicanos-DF), Lebrão (União Brasil-RO) e Lázaro Botelho (PP-TO). O Supremo já havia decidido, em fevereiro, que todos os candidatos e partidos podem concorrer às sobras eleitorais. Os ministros derrubaram cláusulas, aprovadas em 2021 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que condicionaram a distribuição das sobras ao desempenho dos partidos e exigiam um porcentual mínimo de votação nos candidatos. A decisão do Supremo da invalidade das cláusulas já foi tomada, e vale para todo o Brasil. O que se discute agora, é apenas se retroagirá às eleições de 2022, o que possibilitaria a recontagem dos votos, com a consequente modificação da composição atual da Câmara Federal e assembleias legislativas. Espírito Santo Segundo cálculos de sobras eleitorais que circulam nos meios políticos, no caso de a decisão do plenário vir a ser aplicada nos estados, esse seria o quadro referente aos deputados eleitos em 2022, cujo coeficiente eleitoral foi de 69,2 mil votos. Psol/Rede – 102,7 mil votos – Sobra 33,5 mil Camila Valadão Republicanos – 246,8 mil votos – sobra 39,1 mil Sergio Meneguelli Hudson Leal Alcântaro Bispo Alves** Partido Liberal (PL )- 248,2 mil votos – sobra 40,4 mil Capitão Assunção Lucas Polese Danilo Bahiense Calegari ** Zé Preto * Podemos – 139,3 mil votos – sobra 888 Marcelo Santos Lucas Scaramussa Allan Ferreira* Federação PT/PV/PCdoB – 158,1 mil votos – sobra 19,6 mil João Coser Iriny Lopes Partido Socialista Brasileiro (PSB) – 153 mil votos – Sobra 14,5 mil Tyago Hoffmann Janete de Sá Dary Pagung* União Brasil – 141,4 mil votos – sobra 2,9 mil Dr. Bruno Resende Denninho Silva Federação PSDB/Cidadania – 141,8 mil votos – sobra 2,8 mil Vandinho Leite Mazinho dos Anjos Fabricio Gandini* Partido Progressista (PP) – 131,9 mil votos – sobra 62,7 mil Raquel Lessa THeodorico Ferraço** Patriota – 79, 4 mil votos – sobra 16,7 mil Pablo Muribeca Partido Democrático Trabalhista (PDT) – 104,3 mil votos – sobra 35,1 mil Adilson Espindula José Esmeraldo** PSC (fundiu com o DEM e virou União) – 69,4 mil votos – sobra 181 Alexandre Xambinho Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) – 89,7 mil votos – sobra 20,5 mil Cel. Weliton Maiores sobras Progressistas – 62,7 mil votos Theodorico Ferraço ** PSD – 47,2 mil votos Davi Esmael *** Solidariedade – 44 mil votos Gilsinho Lopes *** PL – 40,4 mil votos Calegari ** Republicanos – 39,1 mil votos Bispo Alves** PDT – 35,1 mil votos José Esmeraldo ** Psol/Rede – 33,5 mil votos Fabio Duarte *** DC – 25, 3 mil votos Carlos Von *** Legendas: * Perdem o mandato/ ** Permanecem pelas sobras/ *** novos deputados
Pazolini presta contas em clima eleitoral e deixa perguntas sem respostas
Sessão na Câmara contou com a presença de secretários e uma claque formada por atentos batedores de palmas Não fosse a intervenção da vereadora Karla Coser (PT) e dos vereadores Vinícius Simões (Cidadania) e André Moreira (Psol), a sessão de prestação de contas do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) na Câmara de Vitória, nesta quinta-feira (27), teria sido apenas mais um ato ruidoso de pré-campanha eleitoral. Com a presença de secretários e uma claque formada por atentos batedores de palmas, nos momentos certos, para o ainda não oficializado pré-candidato à reeleição. O prefeito desfilou realizações e investimentos, existentes somente no “powerpoint” dele, segundo a opinião de Karla, e deixou sem respostas muitos questionamentos, que vão desde o cenário de abandono do Centro da cidade, como mostrou Vinícius, das pessoas em situação de rua, e ao não cumprimento de metas, apontado pelo vereador do Psol, André Moreira. Na abertura da sessão, o prefeito agradeceu a parceria do Legislativo com a cidade na condução dos trabalhos. “Apresentamos um legado de construção coletiva dialogada. Resgatamos o orgulho de ser capixaba”, exaltou, ao lado do presidente da Câmara, Leandro Piquet (PP), cujas mesuras ao prefeito condiziam muito bem com suas articulações para ter o nome indicado para ser vice na chapa de reeleição. Foram investidos, segundo Pazolini, de 2021 a 2024, R$ 2,2 bilhões de recursos próprios em Vitória. “Esta talvez seja a maior capacidade de investimento com recursos próprios de uma Capital do Brasil”, declarou na longa apresentação, que estourou o tempo de sua fala, levando-o a utilizar o tempo de Piquet, cedido com extremada boa vontade. Em relação à educação, disse o prefeito, foram aplicados R$ 200 milhões, no mesmo período. Como resultado, acrescentou, “Vitória ganhou o primeiro lugar em alfabetização de crianças do 2º ano do ensino fundamental no Sudeste. Além disso, são 38 escolas em reforma ou em construção. E são 30 escolas em tempo integral. Também estão sendo entregues duas escolas, zerando o déficit de vagas em Jardim Camburi”. Em relação à saúde pública, Pazolini destacou que foram vacinados mais de duas milhões de pessoas; as unidades de saúde tiveram seus horários de funcionamento ampliados para das 7 às 19h; foram investidos R$ 1,5 milhão em exames e consultas especializadas; e 900 profissionais de saúde foram nomeados. Nas áreas de segurança pública, assistência social e urbanismo, foram apresentados dados indicando crescimento e melhoria no atendimento à população. Na Assistência social, ressaltou sob aplausos e reduzidas contestações, que foram distribuídas 28 mil cestas básicas; mais de mil pessoas recebidas nos abrigos temporários; e mais de sete mil famílias atendidas no Vix + Cidadania. Abrindo a fala dos vereadores, Davi Esmael (Republicanos) questionou o prefeito sobre a política pública para o morador em situação de rua. Pazolini disse que “disponibilizou o abrigo para acolhê-los, que tem sido feita a identificação de criminosos que possam estar nas ruas, e que se oferece escolas e abrigo para os demais”. A vereadora Karla Coser destacou que a violência doméstica aumentou e citou que a publicização dos dados sobre o tema não tem sido feita, e nem realizadas políticas públicas voltadas para a mulher. Ela também perguntou sobre o protocolo de defesa contra emergências climáticas. Para o vereador Vinicius Simões, o abandono no Centro vem crescendo e os direitos dos professores como licença-prêmio e de estudos têm sido negados. Pazolini argumentou que, “numa pesquisa nacional, o Centro de Vitória havia recebido a melhor avaliação imobiliária”, e que será assinada a ordem de serviço do Hotel Majestic e da Vila Rubim. Também disse que valorizou os servidores efetivos, com aumento salarial de 32%. O vereador André Moreira questionou as metas não cumpridas no governo. O prefeito alegou que a pandemia agravou a situação dos necessitados e que os números refletem esse período.
Servidores estaduais planejam protesto em Vitória e paralisações no interior
Assembleia do Sindipúblicos avaliou que acordo do governo foi descumprido e é preciso intensificar movimento Sindipúblicos Os servidores do Poder Executivo do Espírito Santo estão em estado de greve desde o último dia 16 de maio. Agora, o movimento será intensificado. Em assembleia do Sindicato dos Servidores do Estado (Sindipúblicos) nessa quarta-feira (26), organizada em formato híbrido (presencial e online), deliberou-se pela realização de um ato de protesto no próximo dia 10 de julho, em Vitória, que deverá ser acompanhado de paralisações no trabalho em municípios do interior. Na avaliação dos servidores, o governo estadual não cumpriu com o compromisso de dar uma resposta formal à pauta protocolada em maio. As reivindicações também foram reforçadas em reunião com o secretário de Estado da Casa Civil, Junior Abreu, realizada no último dia 17. “Na reunião, o secretário se colocou à disposição para que a negociação ocorra na Casa Civil, e não na Seger [Secretaria de Estado da Gestão e Recursos Humanos]. Porém, nós apresentamos uma pauta e não tivemos ainda uma proposta concreta. Segundo a Casa Civil, estão esperando para fechar a resposta com o governador, mas, por conflito de agenda, ainda não houve essa possibilidade”, relata a diretora de Assuntos Jurídicos do Sindipúblicos, Renata Setúbal. “Nós já estávamos com a assembleia geral marcada [nessa quarta-feira, 26], e então elegemos uma comissão de mobilização e deliberamos a realização de um ato para o dia 10 de julho”, complementa Renata, informando também que ainda não há um local definido para a realização do ato. A pauta dos trabalhadores contempla recomposição escalonada das perdas salariais, que chegam a 14,3%; reestruturação das carreiras extintas em vacância; auxílio-alimentação digno; revisão de planos de cargos e salários dos funcionários da ativa; e redução das disparidades salariais entre os níveis de escolaridades. O reajuste de 4,5%, aprovado no início de maio por unanimidade e em regime de urgência, é considerado insuficiente diante das perdas salariais. A aprovação se deu sob protesto dos servidores, que demandavam diálogo e a suspensão da tramitação, além de uma reunião com Renato Casagrande (PSB) para tratar do tema, conforme deliberação da assembleia geral unificada do dia anterior à votação. Ainda assim, o presidente do Legislativo, Marcelo Santos (Podemos), aliado do governador, colocou a proposta em pauta. O deputado Capitão Assumção (PL) chegou a apresentar emenda ao projeto, com o objetivo de fixar o índice em 14,38%, mas foi recusada pelo relator, Mazinho dos Anjos (PSDB), pelo fato de o Legislativo não ter competência para criar despesas para o Executivo. João Coser (PT) também fez uma indicação ao governo para que o valor fosse revisto, que não foi acatada. O projeto foi aprovado por unanimidade. Para as entidades representativas dos trabalhadores, há condições de oferecer um valor mais alto, tendo em vista que o Estado está em boas condições financeiras. Além disso, foi aprovado, no fim do ano passado, um reajuste bem maior para o governador e vice-governador (12%, somando 2024 e 2025); secretários (22%) e chefes de autarquias (quase 70%). Outras pautas dos servidores do Poder Executivo incluem: pagamento dos precatórios da trimestralidade; reestruturação das carreiras técnicas do Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases), sem a unificação de cargos aprovada recentemente; e revogação da modificação da Lei do Teletrabalho e da lei do novo licenciamento ambiental. Secretário da Casa Civil inicia diálogo com servidores públicos estaduais – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/direitos/secretaria-da-casa-civil-inicia-dialogo-com-servidores-publicos-estaduais Servidoras querem denúncias de assédio acolhidas na Secretaria das Mulheres Pautas foram discutidas em reunião com a secretária estadual Jacqueline Moraes https://www.seculodiario.com.br/direitos/servidoras-querem-denuncias-de-assedio-acolhidas-na-secretaria-das-mulheres Servidores aprovam estado de greve e apresentam reivindicações ao governo Funcionalismo capixaba realizou assembleia unificada nesta quinta-feira; categoria terá negociação com o Estado https://www.seculodiario.com.br/direitos/servidores-aprovam-estado-de-greve-e-apresentam-reivindicacoes-ao-governo
Nome do Psol denuncia ataques e retira pré-candidatura em Marataízes
Guilherme Nascimento, que é produtor cultural, também alega compromissos profissionais Redes Sociais O educador e produtor cultural Guilherme Nascimento (Psol) confirmou, nessa quarta-feira (26), a retirada de sua pré-candidatura a prefeito de Marataízes, município do litoral sul do Estado. Nascimento anunciou sua desistência no último dia 10, mas ainda havia possibilidades remotas de voltar atrás. Em comunicado à imprensa, ele citou como motivos ataques e ofensas recebidos pelas redes sociais e também compromissos com a Casa Roxa, seu espaço cultural. “Eu tive que bloquear diversas contas nas redes sociais por causa dos ataques. Uma mulher chegou a ligar dizendo que acabaria com minha empresa e minha pré-candidatura, porque eu só tinha ‘artistas vagabundos e gente do reggae, que não era de Deus’. Outra pessoa veio até minha casa ameaçando que sua irmã, uma pessoa influente, estava investigando minha vida. Nunca vi essas pessoas, provavelmente foram pagas para me intimidar”, conta Guilherme. Ele também menciona ter recebido mensagens e comentários que dizem: “Você deveria sair da cidade”; “Essa pré-candidatura é uma vergonha”; “Pré-candidatura do aborto e das drogas”; “Apoiador do Hamas e do MST”; além de ofensas de caráter LGBTfóbico. Indagado se fez um Boletim de Ocorrência na polícia, o político do Partido Socialismo e Liberdade (Psol) afirmou que ainda está avaliando a possibilidade. Apesar disso, Guilherme Nascimento deixou claro que os compromissos profissionais também tiveram um peso significativo na decisão. “O segundo semestre de 2024 está repleto de atividades culturais na Casa Roxa, coincidindo com o período eleitoral”, ressalta. Guilherme também foi candidato a prefeito de Cachoeiro de Itapemirim em 2020 pelo mesmo Partido Socialismo e Liberdade, quando obteve 277 votos e ficou na última colocação. Ele anunciou sua pré-candidatura a prefeito de Marataízes em fevereiro deste ano. Desde então, vinha fazendo postagens nas redes sociais com propostas para a cidade. Porém, mais do que se colocar no jogo eleitoral, seu principal objetivo era dar visibilidade e fortalecer o recém-criado diretório do Psol no município. Marataízes tem três pré-candidatos a prefeito para as eleições municipais de outubro deste ano. Representando o grupo do atual prefeito, Tininho Machado (PSB), está o vereador Luiz Almeida (Republicanos), o Luiz Capinzal, tendo como vice a ex-secretária municipal Cris da Saúde (PSB). Também está na disputa o ex-prefeito Toninho Bitencourt (Podemos), que tem como cotado para compor sua chapa o presidente da Câmara de Vereadores, Willian Duarte (MDB). O atual vice-prefeito, Jaiminho Machado (PL), é outro que se coloca na disputa majoritária, representando o campo bolsonarista.
Escolas do Estado não têm gestão democrática, apontam dados do PNE
Sindiupes aponta formação de “currais eleitorais” e critica exemplo negativo do governo às prefeituras Dados do Plano Nacional de Educação (PNE) apontam que a gestão democrática nas escolas não é uma prática comum no Espírito Santo. O documento “10 Anos do Plano Nacional de Educação – Análise Final da Execução das Metas da Lei 13005/2014”, elaborado pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação, informa que apenas 8% dos diretores de escolas públicas capixabas acessaram o cargo/função por meio de processo seletivo qualificado e eleição com participação da comunidade escolar. A porcentagem deixa o Espírito Santo abaixo da média nacional, de 11%, que já é muito reduzida. No período de 10 anos, já que o PNE começou a vigorar em 2014, o Estado avançou nesse quesito somente em 1,2%. Os índices fazem parte da meta 19 do plano, que é “assegurar condições, no prazo de dois anos, para a efetivação da gestão democrática da educação, associada a critérios técnicos de mérito e desempenho e à consulta pública à comunidade escolar, no âmbito das escolas públicas, prevendo recursos e apoio técnico da União para tanto”. O diretor de Comunicação do Sindicato dos Trabalhadores da Educação Pública no Espírito Santo (Sindiupes), Paulo Loureiro, informa que nas unidades estaduais não há consulta à comunidade escolar, ou seja, estudantes, responsáveis, associação de moradores, professores e demais profissionais da educação para a escolha do diretor. O que acontece é que o Conselho de Escola indica três nomes e o secretário estadual de Educação escolhe um, mas conforme afirma, sem critérios claros. Paulo aponta que, em muitos casos, há influência de deputados estaduais na indicação dos nomes, formando currais eleitorais dos parlamentares. Nos municípios, não é diferente. A maioria deles, segundo o dirigente sindical, não tem eleição para diretor, formando-se, assim, os currais eleitorais de vereadores. Paulo acredita que se houvesse consulta à comunidade nas estaduais, se elevaria o número de municípios que fariam o mesmo, por ter o exemplo do que acontece na rede estadual de ensino. A gestão democrática, informa, é mais presente na Grande Vitória do que no interior, onde a grande maioria dos municípios não consulta a comunidade. Contudo, mesmo na Região Metropolitana houve retrocesso. Em Cariacica e Vila Velha, não faz mais parte do cotidiano escolar. Neste último, as eleições cessaram na gestão do então prefeito Max Filho (PSDB). Em 2021, o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), sancionou a Lei Complementar nº 110/2021, que alterou o processo de nomeação dos diretores escolares, deixando brechas para que a escolha seja feita pelo chefe do Executivo. Um dos artigos da lei informa que a nomeação dos diretores não teria mais vinculação aos candidatos apresentados e indicados pela comunidade escolar por meio do processo de escolha. O prefeito, portanto, pode escolher qualquer nome para ocupar a função. Outra questão apontada como problemática pelos profissionais da educação na ocasião da sanção é o fato de não constar na lei um limite para o processo de recondução dos diretores escolhidos no que se refere ao número de novas gestões, ou seja, o diretor pode ser reconduzido quantas vezes quiser. Por mais que em Vitória não tenha sido aprovada uma lei como a de Cariacica, a gestão democrática não vem funcionando plenamente. A administração do prefeito, Lorenzo Pazolini (Republicanos), é marcada por exonerações de diretores democraticamente eleitos pela comunidade escolar, como ocorreu em julho do ano passado com Aerodilse Fernandes da Silva Xavier, que atuava na Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Paulo Reglus Neves Freire, em Inhanguetá, e Alessandra Passos Pereira, da EMEF Prezideu Amorim, no bairro Bonfim. Com a exoneração de Alessandra, o Conselho de Escola, após a articulação de um grupo de professores, indicou o nome do docente Amaury Freire de Lima Júnior. Juliana Roshner, no entanto, não acatou a indicação. Antes disso, em fevereiro de 2023, pais de alunos do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Luiza Pereira Muniz Corrêa, no bairro Mário Cypreste, reagiram à exoneração da diretora Fátima Luzia Sezana. Eles afirmaram que não foram avisados da decisão, que apontaram como irregular, e que ao questionarem a Seme, as respostas foram “desencontradas”. Professores questionam lei que altera escolha de diretores em Cariacica – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/educacao/professores-questionam-lei-que-altera-escolha-de-diretores-de-escola-em-cariacica Gestão de Lorenzo Pazolini adia eleições para diretores de escola Comev enviou ofício para Juliana Roshner, que não respondeu. Comunidade volta a cobrar diálogo https://www.seculodiario.com.br/educacao/gestao-de-lorenzo-pazolini-adia-eleicoes-para-diretores-de-escola Pad-Vix aponta perseguição política em exoneração de diretoras Diretor da entidade, Aguinaldo de Souza, também foi transferido, sem justificativa e diálogo com a comunidade escolar https://www.seculodiario.com.br/educacao/pad-vix-aponta-perseguicao-politica-em-exoneracao-de-diretoras
Gedson Merizio poderá ser vice de Zé Preto nas eleições em Guarapari
Os dois pré-candidatos a prefeito apoiam o governo estadual e tem dialogado para formar uma aliança Redes Sociais O deputado estadual Zé Preto (PP) lançará oficialmente sua pré-candidatura a prefeito de Guarapari, na região metropolitana do Estado, em evento no auditório do Sesc do município nesta quinta-feira (27), a partir das 19h. Não deverá ocorrer a apresentação de seu pré-candidato a vice-prefeito mas já existe uma pessoa bem encaminhada para compor a chapa: Gedson Merizio (Podemos). Merizio deixou seu cargo como subsecretário de Inteligência e Inovação da Secretaria de Estado do Turismo (Setur) no início deste mês de junho, justamente para se concentrar em sua pré-candidatura a prefeito. Ex-vereador, ele concorreu à prefeitura em 2020 pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), ficando em terceiro lugar, com 10,4 mil votos. Em 2022, já pelo Podemos, disputou uma cadeira como deputado federal e foi escolhido por 8,7 mil eleitores. Não foi eleito, mas, do total de seus votos, 7,7 mil saíram de Guarapari, o maior volume recebido por um candidato à Câmara Federal no município. Sua articulação atual com Zé Preto está em sintonia com os planos do governador Renato Casagrande (PSB). “Estamos conversando sim, porque somos todos da base do governo, então é mais do que natural nós estarmos conversando. As conversas acontecem já há um bom tempo, e estão muito bem encaminhadas”, afirma Gedson Merizio, que faz uma ressalva. “Na política, a gente sabe que nós dormimos de um jeito e amanhecemos de outro, as coisas mudam completamente. Então, esse é o cuidado. Definição, de fato, só nas convenções. Mas estamos com projeto consolidado. Entre eu e Zé, as coisas estão caminhando muito bem”, completa. Zé Preto foi eleito em 2022 com 15,9 mil votos, sendo 12,2 mil somente na cidade que lhe serve de reduto, e também já havia cumprido dois mandatos como vereador. Na época, estava no Partido Liberal (PL), mas o seu apoio ao governador gerou embates internos dentro da sigla. Com as portas fechadas no PL, ele migrou para o Progressistas (PP) no início do ano após pedido na Justiça. Com a aliança entre Merizio e Zé Preto, a tendência é que Ted Conti (PSB), outro pré-candidato a prefeito de Guarapari que apoia Casagrande, se retire da disputa. Mais conhecido por sua carreira no telejornalismo, Conti foi o terceiro deputado federal mais votado do Partido Socialista Brasileiro (PSB) em 2018, com 42,5 mil votos, ficando na suplência. Ele assumiu a cadeira com a ida de Paulo Foletto para a Secretaria de Estado da Agricultura. Nas eleições de 2022, já fora da Câmara, devido ao retorno de Foletto ao cargo, ele obteve 11,2 mil votos e não conseguiu se eleger. Do total que conseguiu nas urnas, 2,3 mil votos saíram de Guarapari. Conti deixou este mês o cargo de subsecretário de Articulação de Políticas Intersetoriais da Secretaria de Estado de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social (Setades) e, apesar de ter indicado que estaria com Merizio nas eleições deste ano, ainda não desistiu da pré-candidatura. “Só vamos definir sobre retirada ou não nas convenções. Nosso acordo, como base do governo, é que cada um faz sua campanha até as convenções. Precisamos fazer uma rodada de conversa, mas com pesquisa na mão”, assegura Ted Conti. Cenário eleitoral O atual prefeito de Guarapari, Edson Magalhães (PSDB), que não poderá concorrer à reeleição, anunciou em março uma chapa completa para representar a sua administração na disputa majoritária: os ex-secretários municipais Emanuel Vieira (União), da pasta de Obras, como pré-candidato a prefeito, e Tamili Mardegam (PSDB), da Secretaria de Educação, como vice. A chapa surgiu de um acordo entre Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), União Brasil e Partido Democrático Trabalhista (PDT). Sem Zé Preto, o PL indicou o também deputado estadual Danilo Bahiense como pré-candidato a prefeito de Guarapari. A aposta em Bahiense se dá de acordo com a estratégia do Partido Liberal, liderado no Estado pelo senador Magno Malta, de ter o maior número possível de candidaturas da sigla na disputa majoritária nos municípios capixabas. Na “Frente Guarapari que Queremos”, que reúne partidos progressistas, são apontados como pré-candidatos: José Amaral (Psol), investigador da Policial Civil e professor de História; Oylas Pereira (PT), ex-vereador, policial civil aposentado e liderança comunitária; Zazá (PV), ex-presidente da Associação de Moradores do Bairro Santa Mônica e vereador eleito em 2016 e 2020 – foi cassado em 2023 por desrespeito à cota de gênero por parte de seu então partido, o Podemos – e o próprio Ted Conti. Da Câmara de Vereadores, duas figuras têm se apresentado como pré-candidatos para a disputa majoritária deste ano: Rodrigo Borges (Republicanos), opositor de Edson Magalhães, e Wendel Lima (MDB), presidente da Casa. Gedson Merizio e Ted Conti prometem união nas eleições em Guarapari Pré-candidatos a prefeito pelo Podemos e PSB, os dois são subsecretários no governo Casagrande https://www.seculodiario.com.br/politica/gedson-merizio-e-ted-conti-prometem-uniao-nas-eleicoes-em-guarapari Frente progressista tem quatro pré-candidatos a prefeito em Guarapari Um dos nomes é o ex-deputado federal Ted Conti, além de quadros do PT, PV e Psol https://www.seculodiario.com.br/politica/frente-progressista-tem-quatro-pre-candidatos-a-prefeito-em-guarapari
Debandada e recuos
Campanha de bolsonaristas contra veto de Casagrande só conseguiu cinco votos de partidos alinhados ao governo Lucas S.Costa/Ales Por dois meses, deputados estaduais de direita e bolsonaristas do Estado se concentraram em divulgar vídeos e cobranças para garantir a derrubada do veto do governador Renato Casagrande (PSB) ao projeto que criminaliza as ocupações de terras e retira direitos de famílias do campo e da cidade, investida propagada por esses grupos políticos em todo o País contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A meta era garantir que o resultado do placar esmagador em plenário para a aprovação da matéria, 22 x 3, fosse mantido ou, na pior das hipóteses, garantisse os 16 votos necessários para a derrubada. Foi por pouco – 14 -, mas a campanha não teve êxito. Dos parlamentares filiados a partidos alinhados ao governo estadual, apenas cinco se posicionaram na contramão do veto: Zé Preto (PP), Adilson Espindula (PSD), Dr. Bruno Resende (União), José Esmeraldo (PDT) e Lucas Scaramussa (Podemos). Outros quatro que ficaram nessa “sinuca de bico” recuaram e mudaram a posição em plenário, destacando agora a inconstitucionalidade – Mazinho dos Anjos (PSDB), Tyago Hoffmann e Dary Pagung, do PSB, e Denninho Silva (União). E teve gente que simplesmente faltou à sessão (sete ao todo), assim como também estava presente e nem votou – Theodorico Ferraço (PP). O bloco principal que tentou a derrubada do veto acabou concentrado no que já era óbvio, nas bancadas completas do PL e Republicanos (à exceção de Bispo Alves). A ausência mais notada, sem dúvida, foi a de Vandinho Leite (PSDB), autor de um projeto correlato na Casa e anexo à proposta votada em abril. Por essa, provavelmente, ninguém esperava… Pularam foraOs demais ausentes, além de Bispo Alves e Vandinho, foram Alexandre Xambinho e Allan Ferreira, do Podemos, Fabricio Gandini (PSD), Janete de Sá (PSB) e Raquel Lessa (PP). Pularam fora IIVandinho e Alexandre Xambinho publicaram nas redes sociais seus paradeiros: o primeiro apareceu em eventos com o governo em Santa Teresa (região serrana) e João Neiva, o outro em inauguração, também do governo, do restauro da Igreja dos Reis Magos, em Nova Almeida, Serra. Janete de Sá postou foto no Maranhão e Raquel Lessa em São Domingos do Norte. Grupo dos 9Já os votos pela derrubada foram de Callegari, Capitão Assumção, Danilo Bahiense e Lucas Polese, do PL; Alcântaro Filho, Hudsol Leal, Sergio Meneguelli e Pablo Muribeca, do Republicanos; e Coronel Weliton (PRD). TrioNo bloco dos que votaram pela manutenção do veto, sete deputados, mantiveram sua posição anterior os únicos que tinham se manifestado contra o projeto, Camila Valadão (Psol) e Iriny Lopes e João Coser, do PT. Fora de alcanceO presidente da Assembleia, Marcelo Santos (de saída do Podemos), se manteve “na boa” e se absteve, já que não é obrigado a votar. Mistério…Por falar em Coser, permanece no ar a incógnita do anúncio furado de denúncias “bombásticas” contra o prefeito de Vitória e seu adversário eleitoral, Lorenzo Pazolini (Republicanos). Afinal, o que aconteceu nos bastidores para a desistência, depois de tanto barulho? Mistério II…O argumento de que a denúncia deixou de ser feita por conta da realização na Assembleia de uma sessão solene no mesmo dia e horário, nessa terça-feira (25), não convenceu. Mais um dia se passou, e nada também! Por ora, zero sinais de uma nova data. Cadê, Coser?! O povo quer saber… Olha, olha…Quem se lembra da diferença gritante de tratamento de Pazolini aos blocos do Centro de Vitória, que chegou a atuar para proibir, e do Kustelão, de Jardim Camburi, com toda estrutura garantida no Carnaval? Pois bem, tem mais: o prefeito sancionou nesta quarta, com pompa e circunstância, a lei que inclui o bloco no calendário oficial de eventos culturais na cidade. Nada contra o Kustelão, pelo contrário, mas não dá para passar batido! Nas redes“Hoje tivemos uma grande vitória no Plenário! O veto do governador ao Projeto de Lei 166/2023 foi mantido! Esse PL previa criminalizar pessoas que estão em áreas de ocupação, mas conseguimos garantir que isso não aconteça em nosso Estado! Sem dúvida, esse foi um dos temas mais difíceis que a Assembleia já enfrentou, mas permaneceu a decência e a defesa das garantias constitucionais!”. Camila Valadão, do Psol. FALE COM A COLUNA: medeirosmanaira@gmail.com
Governo Milei – parte 2
Anarcocapitalismo que radicaliza a ideia de supressão do Estado Javier Milei assumiu o governo da Argentina e logo decidiu por decreto a prorrogação do orçamento de 2023 para o ano de 2024, o que significou que foram aprovados os mesmos itens do ano anterior para este ano, mesmo com uma inflação entre um ano e outro ficando próxima de 300%. O resultado foi uma economia de recursos, contudo, deixando muitos setores sem financiamento, como as universidades públicas. A Universidade de Buenos Aires (UBA), por exemplo, em abril deste ano declarou emergência orçamentária, sob risco de parar de funcionar no segundo semestre de 2024, o que levou a um acordo de aumento das transferências de fundos do Estado, e isso em meio aos protestos universitários na Praça de Maio, em frente à Casa Rosada, no dia 23 de abril, em defesa da educação pública. Um dos golpes mais duros do governo Milei, contudo, foi sobre os aposentados. O fato era que já havia muitos anos que as aposentadorias na Argentina perdiam valor em relação à inflação, e o ajuste de Milei agravou esta perda de poder aquisitivo. O presidente justificou que entre os aposentados há poucos que estão na margem da pobreza. Junto com esta liquidação do nível de renda das aposentadorias, também se somam os assalariados, com a queda do poder de compra do salário mínimo. A recusa do governo em dar aumentos salariais acima da inflação foi para conter a espiral inflacionária, segundo o mesmo, e a isso se somou à desregulamentação de vários setores da economia em que havia controle de preços, provocando uma queda do consumo, com a consequente queda de 3,2 milhões de argentinos para o nível da pobreza neste primeiro trimestre de 2024. Milei ressaltou, contudo, que a partir de março, com a queda da inflação, o poder de compra dos salários e das aposentadorias aumentou, uma tendência que seria mantida à medida que os preços continuassem a cair. Javier Milei, como libertário e anarcocapitalista, é um crítico do socialismo, que ele chama de coletivismo, e que deve ser combatido, pois a Argentina, segundo ele, padeceu cerca de um século deste mal, através da atuação dessa ideologia na educação, na cultura e na mídia do país. O coletivismo na Argentina, na versão de Milei, representaria um problema moral, ao invés de ser um problema político ou econômico. Portanto, a tese crítica de Milei contra o socialismo tem raízes na sua origem liberal e no aprofundamento de um anarcocapitalismo que radicaliza a ideia de supressão do Estado e expansão da liberdade econômica. Neste combate do que Milei chama de coletivismo na Argentina, seu governo reverteu várias das políticas sociais implementadas pelo kirchnerismo, que eram ligadas a uma ideia progressista e desenvolvimentista. No plano dos costumes, o feminismo sofreu um revés ao perder o Ministério das Mulheres, Gêneros e Diversidade, que foi eliminada por Milei, transformando este ministério numa subsecretaria de Proteção contra a Violência de Gênero. Por sua vez, embora Milei seja contra o aborto, ainda não está na agenda do governo revogar a lei aprovada em 2020. O governo Milei, por outro lado, proibiu o uso de linguagem inclusiva e referências à perspectiva de gênero em documentos oficiais, além de fechar o Instituto Nacional contra Discriminação, Xenofobia e Racismo (Inadi). Milei também empreende, em seu governo, uma batalha contra a imprensa, que ele julga ter uma parte de jornalistas, na Argentina, que vivem de calúnias e mentiras, acusando alguns de receberem subornos. Os ataques de Milei à imprensa crítica de seu governo já geraram alertas de agências de imprensa como o Fórum de Jornalismo Argentino (Fopea), a Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas (Adepa) e a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP). O presidente da Argentina, nessa sua relação conflituosa com a imprensa de oposição, iniciou o que chamou de “processo de reorganização”, na intenção de “melhorar a produção, realização e difusão dos conteúdos que são gerados”, o que significou, no fim de maio, na suspensão de portais e redes sociais de todos os meios de comunicação públicos. Milei disse que pretende privatizar todo o sistema de imprensa estatal, incluindo a Televisão Pública, que foi fundada em 1951, e a Rádio Nacional, que tem a sua transmissão ativa há quase 87 anos. Com a aprovação de sua Lei de Bases, que é um novo conjunto de propostas legislativas, que deu lugar a Lei Ônibus, que tinha fracassado, o caminho estaria aberto para Milei colocar em prática estas ambições. No dia 13/6, o governo Milei obteve sua primeira vitória legislativa, com a aprovação da chamada Lei de Bases pelo Senado. Esse pacote legislativo retorna agora para a Câmara dos Deputados, depois de ter saído de lá em abril para o Senado, para a aprovação final. Os senadores fizeram algumas mudanças, e na Câmara será feita a discussão se aprovam o texto original ou o texto alterado pelo Senado. Além do texto ter sido aprovado com alterações pelo Senado, a decisão foi realizada somente com o voto de minerva da vice-presidente da Argentina, Victoria Villarruel, depois de um empate em 36 votos. Somada a essa dificuldade, do lado de fora do Parlamento, nas ruas, se deram protestos em que manifestantes atiraram pedras, garrafas e coquetéis molotov, sendo que dezenas de pessoas ficaram feridas em confrontos com a polícia.(continua) Gustavo Bastos, filósofo e escritor.Blog: http://poesiaeconhecimento.blogspot.com