A vida no chão do mundo é o principal ingrediente do folclore Desde a utilização da tragédia como elemento facilitador da catarse, remontando à Grécia antiga, até a significação dos mitos, lendas e histórias relevantes nas tradições orais, a busca da expressão, abstrata e significativa, do mundo, é transmitida de uma geração a outra no natural movimento educativo humano. O que as camadas mais “privilegiadas” da população têm a oportunidade de acesso por meio do teatro, do cinema, dos grandes espetáculos, etc. as camadas mais populares acessam por meio do folclore e das manifestações culturais. Nas manifestações folclóricas, os brincantes expressam tristeza, saudade, remorso, resistência, gratidão ou revolta em relação a suas histórias, em tom de alegria. É claro que em nosso mundo de devir, nem sempre tais situações são apropriadas à atualidade e, não faltam olhares atentos e (preciso dizer) pouco compenetrados, para rechaçarem o folclore por expressar situações já superadas pelo desenvolvimento sócio intelectual humano. Se atentarmos para os fundamentos das brincadeiras, perceberemos que nesse espaço de expressão alojam-se todas as emoções relativas a momentos do cotidiano passado das pessoas, com eventos e fatos, que em algum momento, permearam suas realidades e deram forma às brincadeiras. Na história do Brasil, o sincretismo religioso pode servir de exemplo vivo de adaptação resistente, tanto do povo escravizado, para seu exercício religioso, quanto do colonizador para manutenção do “status superior” no domínio da instituição religiosa. Aqui no Espírito Santo, percebo que nas cantigas do Congo, soa apavorante a “(…) saudade da fazenda o sinhô”. Uma vez que quem tem senhor é quem é escravizado, ter saudade desse tempo é quase uma agressão, mas não espanta se buscarmos o nexo no momento de construção da toada. Talvez o negro sem-terra e aglomerado nas favelas, feitas novas senzalas e passando grandes necessidades, tenha tido mesmo saudade do cativeiro. Como se sabe, é sempre bom estar atento de que as grandes verdades, muitas vezes, são ditas em tom de brincadeiras, e também que a busca da verdade na história oficial, é geralmente feita por meio dos documentos produzidos nos tribunais e fóruns, que revelam uma história contada pelo ângulo do dominador, já nas artes, principalmente as populares, a história é bem outra. Fomentar a preservação de grupos e dar visibilidade ao folclore é de grande importância para a desconstrução de verdades convenientemente construídas, preservação de memórias, identidades, resistência e luta do povo simples e humilde, que é ainda mais humilhado com o apagamento de sua história. Everaldo Barreto é professor de Filosofia
Júnior Corrêa faz mistério sobre participação nas eleições em Cachoeiro
Vereador afirma que participará do pleito, mas não confirma se será vice na chapa de Theodorico Ferraço O vereador Júnior Corrêa (Novo) parece ter entrado no cenário eleitoral deste ano em Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Estado, disposto a “causar”. Três meses após anunciar que desistiria não apenas de uma pré-candidatura a prefeito, mas de qualquer pretensão política para “voltar ao primeiro amor” e se tornar padre, aqui está ele de novo: anunciou reconsiderar a participação em um projeto nas eleições municipais deste ano – mas não confirmou se será vice na chapa de Theodorico Ferraço (PP), possibilidade sinalizada durante reunião de apoiadores nessa segunda-feira (27). Em entrevista coletiva realizada na manhã desta terça-feira (28) em sua casa, no bairro Aeroporto, Corrêa deu sua versão sobre as suas mudanças de ideia mais recentes. Disse que estava “falando sério” quando anunciou a vontade de se tornar padre. Entretanto, continua participando das articulações políticas junto ao Novo, sigla que adotou após os conflitos no Partido Liberal (PL), transmitindo sua “experiência” para pré-candidatos a vereador. Zezé da Cofril e seu filho, o vereador Júnior Corrêa. Foto: Reprodução “O partido Novo virou para mim e falou assim: ‘Juninho, você, por acaso, reavaliaria a questão de poder retornar à política não como candidato a prefeito, mas retornar contribuindo com algum projeto?’ Eu falei: ‘olha, se for para contribuir com um projeto que pense no futuro da cidade, que pense no melhor de Cachoeiro, que esteja alinhado com os interesses dos cachoeirenses, eu poderia reavaliar, sim’”, relatou Corrêa. Entretanto, isso não quer dizer que o seu “retorno” se dará, necessariamente, integrando uma chapa, liderando ou como vice. Sua participação “mais efetiva” pode ser apenas com apoio a algum candidato indicado pelo seu grupo – neste momento, Novo, Progressistas (PP) e Movimento Democrático Brasileiro (MDB) trabalham com o nome de Theodorico Ferraço como pré-candidato, deputado estadual de 86 anos que já foi prefeito em quatro mandatos. “Até a convenção, muita coisa pode acontecer”, acrescentou. Quanto à vocação religiosa, como fica? “Eu continuo tendo o meu chamado. O chamado não é de uma hora para a outra”, argumentou Júnior, dizendo que ainda está muito envolvido na política e não poderia seguir um novo caminho com o “coração dividido”. O vereador de extrema direita ressaltou ainda que não está fazendo nada “pensando em Juninho, mas pensando em Cachoeiro”, relatando que, desde que fez o anúncio da desistência da política, muitas pessoas nas ruas passaram a questioná-lo sobre a possibilidade de voltar atrás. Indagado a respeito de o seu grupo estar apenas testando o mercado eleitoral, Júnior negou e disse que “quem está falando de vice são vocês [jornalistas], estou me colocando para contribuir para um projeto”. Outras questões importantes ficaram em aberto mesmo após o encerramento da coletiva. Theodorico Ferraço afirmou que o seu vice seria anunciado até esta quarta-feira (29), e será uma pessoa “jovem”. Haverá outro anúncio para confirmar Júnior Corrêa nesta quarta? Não sendo ele, quem será? Ferraço será mesmo candidato, tendo em vista esse mistério todo? Como alguém que faz “uma reunião para marcar outra reunião”, Júnior Corrêa e seus apoiadores deixaram tudo para depois. Na transmissão ao vivo feita pelo perfil do partido Novo no Instagram, entre inúmeros comentários elogiosos, houve também espaço para críticas. “Que papelão, Juninho! Estou decepcionada com a sua postura”, escreveu Mayla Picoli (União), ativista conservadora de Cachoeiro e pré-candidata a vereadora. Um sinal de que o outrora favorito a ganhar a disputa pela Prefeitura de Cachoeiro corre o risco de se transformar, aos olhos do público, em apenas mais um político sem palavra. Articulações Durante a coletiva, Júnior Corrêa não descartou a possibilidade de apoiar outros pré-candidatos, revelando que “tomou um café” recentemente com Diego Libardi (Republicanos) e o deputado estadual Dr. Bruno Resende (União), seu apoiador junto com o também deputado Allan Ferreira (Podemos). Libardi foi lançado por Ferraço nas eleições de 2020, ficando em segundo lugar, mas, depois do processo eleitoral, os dois romperam. Corrêa também foi questionado sobre uma suposta tentativa de aproximação entre o atual prefeito, Victor Coelho (PSB), e o Novo. O vereador deixou bem claro que sempre fez oposição a Coelho e que, em reuniões com o Novo, o prefeito teria colocado como o “único nome bom” para a disputa majoritária a sua secretária de Obras e Manutenção e Serviços, Lorena Vasques, fechando as portas para uma eventual articulação. Cachoeiro também tem como pré-candidatos a prefeito o vereador de extrema direita Léo Camargo (PL), que entrou na disputa justamente após a desistência de Corrêa, e Carlos Casteglione (PT), que comandou o Executivo cachoeirense de 2009 a 2016. Theodorico Ferraço se aproxima de lançar chapa para eleições em Cachoeiro ‘Vice deve sair nas próximas horas’, anuncia o deputado; Júnior Corrêa é o mais cotado https://www.seculodiario.com.br/politica/theodorico-ferraco-se-aproxima-de-lancar-chapa-para-eleicoes-em-cachoeiro Partido Novo ganha força em Cachoeiro com empresários e Júnior Corrêa – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/politica/partido-novo-ganha-forca-em-cachoeiro-com-empresarios-e-junior-correa Júnior Corrêa anuncia afastamento e desiste da Prefeitura de Cachoeiro Vereador, que teve atrito com Magno Malta no PL, afirma que vai deixar a vida pública para se tornar padre https://www.seculodiario.com.br/politica/junior-correa-anuncia-afastamento-e-desiste-de-candidatura-a-prefeito-de-cachoeiro
Moradores de Nova América pedem conclusão de obras de macrodrenagem
Situação tem agravado as enchentes no bairro. Moradores convocam protesto para esta sexta Moradores do bairro Nova América, em Vila Velha, convocam para um protesto no bairro na manhã desta sexta-feira (31), um dia após o feriado de Corpus Christ, para reivindicar a conclusão das obras de macrodrenagem realizadas pela Secretaria de Estado de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano (Sedurb). A obra, que dura mais de um ano, segundos os moradores, tem piorado os problemas de alagamento na comunidade. A professora Giana Martins relata que a ideia é fechar ruas, inclusive por meio da queima de pneus. Alguns moradores preparam a confecção de cartazes. A obra abarca vários bairros, como Rio Marinho, Cobilândia e Sotelândia, mas em Nova América, segundo Giana, ela está paralisada. Além disso, nas outras localidades foram colocadas manilhas grossas, com tamanho necessário para o escoamento da água, enquanto que em Nova América as manilhas colocadas não têm o mesmo porte. Foto Leitor A obra também causou danos nas calçadas e quebra das tampas de bueiro. Os moradores querem não só chamar atenção do Governo do Estado, mas também da Telar, empresa responsável, e da Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan), uma vez que outra reivindicação é o desentupimento de bueiros. Mais uma queixa, como relata a moradora Orides Maria de Araújo Dettoni, é em relação ao muro feito ao lado do Rio Marinho, que, além de não ser agradável visualmente, impede que a água da chuva ecoa para o rio. O resultado disso, afirma, é o acentuamento de um problema que já existia, que é o das enchentes. Agora, destaca Orides, mesmo com índice pequeno de chuva, as ruas alagam. Ela relata que já perdeu diversos móveis em enchentes e acredita que isso será cada vez mais comum. O entupimento dos bueiros também ajuda a piorar a situação, pois, por causa disso, mesmo sem chuva há alagamento quando a maré enche, formando uma crosta de lama nas ruas quando a água baixa, o que faz com que o chão fique escorregadio. Foto Leitor “Nós estamos abandonados. Essa situação é uma falta de respeito com os moradores, com a gente. Se duas pessoas chorarem juntas, alaga a rua”, diz Orides, que aponta, ainda, a insegurança causada pelo muro construído ao lado do Rio Marinho, já que impossibilita a visão do que está acontecendo do outro ado da rua. Assim, não é possível perceber se há alguma movimentação suspeita de alguém que pode vir a adentrar a outra via e cometer algum delito.
Estudantes protestam contra troca de diretor de escola em Marataízes
Conselho de Escola também declarou suspensão do ato praticado pela Secretaria de Estado da Educação Foto Leitor Estudantes da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Domingos José Martins, localizada em Alto Lagoa Funda, em Marataízes, no litoral sul do Espírito Santo, decidiram se manifestar contra a troca do diretor da unidade pela Secretaria de Estado da Educação (Sedu). Mais de 40 alunos foram para a frente da escola com faixas, cartazes e um trio elétrico na manhã desta terça-feira (28), e o movimento teve continuidade após uma pausa para almoço. Uma reunião sobre o tema foi agendada na Câmara de Vereadores. No site institucional da Sedu, já está publicado o processo seletivo para a escolha de um novo profissional para gerir a unidade. Apesar disso, o Conselho de Escola votou por declarar a suspensão do ato praticado pela Sedu, em reunião realizada nessa segunda-feira (27). A comunidade escolar também ficou sabendo nessa segunda da exoneração do diretor da unidade, Alexandro Ferreira de Souza. A notícia pegou a todos de surpresa, tendo em vista que Alexandro é uma pessoa querida entre eles. A justificativa que teria sido dada pela Sedu é de que o gestor não atendeu às expectativas “na velocidade esperada”. “Ele vem fazendo muito pela escola, todo mundo tem visto isso. Porque a escola ficou muito esquecida nos últimos anos, estava caindo aos pedaços quando o Alex chegou, e ele fez de tudo para transformar. Então, os alunos estão inconformados, os funcionários também, e a gente quer respostas”, afirma Ana Clara Petri, aluna do terceiro ano e presidente do Comitê de Líderes da escola, que reúne os líderes de turma. De acordo com Ana Clara, após a chegada do novo diretor, em janeiro de 2023, foi feita a troca da fiação elétrica, paredes foram pintadas, o jardim foi refeito, e câmeras foram instaladas. Também foi construída uma nova sala para o Atendimento Educacional Especializado (AEE), com instalações adaptadas para pessoas com deficiência. “Ele começou a reerguer tudo praticamente do zero. Fora todo o apoio que nos deu. Ele preza pelo desempenho dos alunos, por um bom ambiente escolar. O Alex foi a primeira pessoa que, nos últimos anos, nos fez acreditar que podemos ter um futuro brilhante”, relata Ana Clara. Apesar do protesto em frente à escola, as aulas seguiram normalmente, e Ana Clara ressalta que não houve pressão para que alunos aderissem ao movimento. O próprio Alexandro Ferreira de Souza esteve presente na escola nesta terça-feira, para tratar de demandas pendentes. Foto Leitor Pressão Profissionais da educação que atuam no Estado, que preferem não se identificar, apontam que tem aumentado cada vez mais a pressão por parte da Sedu para que educadores atinjam metas preestabelecidas. Nesse sentido, a troca de diretor na escola de Marataízes não é um caso isolado. No sul do Estado, esse processo se aprofundou a partir de dezembro de 2023, quando Fernanda Ferreira Villela Vieira assumiu a chefia da Superintendência Regional de Educação de Cachoeiro de Itapemirim. Tornou-se comum em reuniões os profissionais ouvirem frases como “só vai ficar quem aguentar a pressão”, “ou muda ou se muda” e “tem que virar a chave”, de acordo com relatos. “Esse é um processo que vinha acontecendo. Com a entrada da nova superintendente, só se agravou. O órgão central, que é a Sedu, vem buscando resultado. A base central é meta, preenchimento de papel, é todo um processo que tira a autonomia das escolas e de quem exerce o papel principal nas escolas”, comenta uma educadora de outro município da região. Século Diário solicitou um posicionamento da Secretaria de Estado da Educação a respeito da troca do diretor EEEFM Domingos José Martins, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. Já Alexandro Ferreira de Souza preferiu não se manifestar.
Plano Nacional para Conservação das Tartarugas Marinhas é renovado até 2028
Capturas incidentais, poluição e crise climática estão entre as sete principais ameaças às espécies Tartaruga-cabeçuda. Foto: Fundação Projeto Tamar Um dos animais mais carismáticos dos oceanos, as tartarugas marinhas tiveram seu Plano de Ação Nacional (PAN) renovado, com sete objetivos específicos a serem atingidos no quinquênio até 2028. Entre as principais ameaças, estão a captura incidental em redes de pesca, a poluição dos mares e a crise climática. Apesar das cinco espécies que ocorrem no Brasil terem melhorado seu status na Lista Vermelha, de espécies ameaçadas de extinção, quatro delas continuam em risco de desaparecem e uma delas está sob a condição de “quase ameaçada”. A espécie em situação mais preocupante continua sendo a tartaruga-de-couro ou tartaruga-gigante (Dermochelys coriacea), classificada como “Criticamente em Perigo”, que tem no litoral norte do Espírito Santo seu principal sítio reprodutivo no país. “A Dermochelys tem apresentado uma recuperação lenta da sua população e com muita oscilação, nos pontos onde as desovas historicamente já se concentram, como Espírito Santo e Bahia. E uma nova população está começando a se demonstrar no delta do Parnaíba [no litoral do Piauí e Maranhão], numa época distinta, entre junho e julho, coincidindo com o período reprodutivo do Caribe”, relata o oceanógrafo Joca Thomé, coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Tartarugas Marinhas e da Biodiversidade Marinha do Leste (Centro Tamar) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Tartaruga-de-couro. Foto: Fundação Projeto Tamar As demais quatro espécies que ocorrem no Brasil também conseguiram recuperar bem sua população, se comparada com os anos 1980, quando o Projeto Tamar começou a atuar, a ponto de terem melhorado sua classificação na lista vermelha, passando, cada uma, para um nível menos grave de ameaça. A Cabeçuda (Caretta caretta), espécie mais frequente nas praias capixabas, onde ela tem seu segundo maior sítio reprodutivo no país, e a Oliva (Lepidochelys olivacea) estão classificadas hoje como “Vulneráveis”. A tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricatta) agora está como “Em Perigo”. E a tartaruga-verde (Chelonia mydas), como “Quase Ameaçada”, situação que ainda demanda ações de conservação até que a espécie possa sair da lista vermelha. A recuperação expressiva da população da tartaruga-verde se deve principalmente às ilhas oceânicas localizadas entre o Brasil e a África, como Ascensão, Cabo Verde e Santa Helena, onde as desovas aumentaram sobremaneira, como constam nos registros das entidades que protegem as tartarugas marinhas nesses países. “As Chelonia que desovam em Rocas, Noronha e Trindade [ilhas oceânicas brasileiras], estão estáveis”, compara Joca Thomé. É para a costa do Brasil, no entanto, que muitos dos filhotes nascidos no caminho para a África vêm se alimentar. “Observamos um índice crescente de juvenis na nossa costa e a análise genética mostra que a maioria deles vem dessas outras ilhas, que não brasileiras. Já os juvenis de Trindade quase não vêm para a costa brasileira”. Tartaruga-verde. Foto: Fundação Projeto Tamar Pesca artesanal Sobre as principais ameaças que pairam sobre as tartarugas marinhas, a captura incidental em redes de pesca tem motivado várias iniciativas bem-sucedidas de parceria entre os pescadores e os pesquisadores do Tamar e outras instituições envolvidas na conservação desses répteis aquáticos. Duas delas foram implementadas de forma pioneira no Espírito Santo e tendem a ser copiadas por outros estados. “O Espírito Santo é o único estado que conseguiu limitar a pesca do camarão à sua própria frota. Barcos de fora não podem pescar aqui”, afirma o coordenador do Centro Tamar/ICMBio. Outra experiência é a da mudança do período do defeso do camarão, sendo estabelecido um defeso único, que coincide com o período reprodutivo das tartarugas marinhas. “Antes era dividido, 45 dias em novembro e depois em março de novo. Não era bom para ninguém. Agora, a proibição da pesca ocorre em um período compatível com a proteção das tartarugas e permite um tempo maior de pausa para o camarão se reproduzir, para os pescadores fazerem reformas em seus barcos. Estamos tentando repetir esse modelo em Sergipe. Lá, são mil fêmeas mortas nos primeiros quinze dias de janeiro, no intervalo entre os dois períodos de defeso”. Uma tecnologia que também tem ajudado na proteção das espécies é o anzol circular nos espinheis da pesca industrial, lançado em 2017, quando do início do segundo ciclo do PAN para Conservação das Tartarugas Marinhas. Outras técnicas incluem o TED, que é mecanismo que cria um alçapão para a tartaruga marinha sair da rede de arrasto, quando é capturada, e a pesca exclusivamente diurna. “Estudos indicam que as capturas incidentais de tartarugas marinhas em redes de pesca ocorrem principalmente à noite”, explica. Joca Thomé pondera que uma maior proteção da pesca artesanal também pode beneficiar as tartarugas marinhas, já que a pesca industrial predatória, que se espalha muitas vezes de forma indiscriminada e ilegal, acaba encurralando os pescadores artesanais em regiões muito próximas da costa, onde ocorre a maior parte das capturas incidentais de juvenis. Garantidos os Territórios Pesqueiros dessas populações tradicionais existentes ao longo de toda a costa brasileira, inclusive com forte presença cultural e econômica no Espírito Santo, os barcos artesanais teriam uma área maior de trabalho, reservando naturalmente as áreas onde as tartarugas se concentram em busca de alimentação. “É preciso garantir os territórios pesqueiros da pesca artesanal”, afirma. Tartaruga-oliva. Foto: Fundação Projeto Tamar Poluição, crise climática e gestão costeira A poluição do mar traz prejuízos enorme às tartarugas marinhas, seja pela ingestão de plásticos e outros lixos, seja pela contaminação química. A lama de rejeitos de mineração que vazou da barragem de Fundão até o litoral capixaba, em decorrência do crime da Samarco/Vale-BHP no Rio Doce em 2015, por exemplo, já mostra seus efeitos sobre elas. “Houve perda genética, devido à contaminação pela Samarco”, informa Joca Thomé. Sobre os efeitos da crise climática nas tartarugas marinhas, o coordenador conta que os estudos e monitoramento continuam sendo feitos. O aumento da temperatura média incide diretamente sobre a proporção entre fêmeas e machos, já que em areias com temperatura acima de 30ºC, nascem filhotes fêmeas e, abaixo disso, machos. A elevação dos oceanos também reduz as áreas de desova. Há ainda mudança nas espécies marinhas
Theodorico Ferraço se aproxima de lançar chapa para eleições em Cachoeiro
‘Vice deve sair nas próximas horas’, anuncia o deputado; Júnior Corrêa é o mais cotado Leonardo Sá/Ales O deputado estadual Theodorico Ferraço (PP) entrou de vez na disputa pela Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Estado, nas eleições municipais de outubro deste ano. “Contrariando os que diziam que ele não viria”, como diz um de seus apoiadores, Ferraço tentará, aos 86 anos, um retorno ao cargo que já ocupou em quatro mandatos. O vice de sua chapa deverá ser indicado muito em breve: ao que tudo indica, será o vereador Júnior Corrêa (Novo), em uma nova reviravolta. Nesta segunda-feira (27), Ferraço reuniu apoiadores e jornalistas para um almoço em um restaurante localizado no bairro Maria Ortiz, em Cachoeiro. Júnior estava ao seu lado, e anunciou que haverá uma coletiva de imprensa em sua casa nesta terça-feira (28), a partir das 9h. Fazendo mistério, o vereador afirmou que o encontro servirá para fazer anúncios importantes e colocar um “ponto final – ou uma vírgula” – nas especulações a seu respeito. Júnior Corrêa e o seu pai, Zezé da Cofril, que compõe o diretório municipal do Progressistas (PP) junto de Ferraço, foram embora mais cedo. Logo após, em uma breve conversa com os jornalistas presentes, Theodorico deu mais pistas: disse que “o vice-prefeito deve sair nas próximas horas” e “tem que ser um jovem, não pode ser alguém de idade como eu”. Disse também que é preciso anunciar logo, para não alimentar “falsas expectativas” em outras pessoas, dando como prazo final a quarta-feira (29). Quando Júnior Corrêa anunciou que deixaria a política para tentar se ordenar como padre católico, o jogo eleitoral em Cachoeiro mudou completamente – saía de cena o candidato que, até então, era considerado o favorito na disputa. Um dos maiores apoiadores de Júnior, Ferraço tornou-se novamente especulado para a disputa. Muita gente imaginou ser mais um blefe do deputado, como ele fez em outros anos, tendo em vista a sua já avançada idade. Agora, ninguém mais tem dúvida de que a sua entrada na arena eleitoral é para valer. Contribuíram para isso as tradicionais pesquisas de opinião internas, que teriam indicado a elevada popularidade de que o ex-prefeito ainda goza junto à população. Ferraço e Júnior Corrêa também parecem ser os nomes capazes de aglutinar o setor empresarial e as principais forças da direita no município. Lucas Schuina Outras figuras especuladas, como a esposa de Ferraço, a ex-deputada e ex-prefeita de Itapemirim Norma Ayub, e o empresário Tales Pena Machado (ambos do PP), logo recusaram convites para concorrer. O anúncio da pré-candidatura de Diego Libardi (Republicanos), ex-aliado do deputado, pressionou ainda mais por uma definição no bloco ferracista, e Theodorico viu-se sob o risco de perder aliados como o Novo, caso não tomasse logo uma decisão. “Não tenho o direito de recusar dizendo que é sacrifício. Tem que ser por amor. E amor eu tenho de sobra por Cachoeiro”, afirmou Theodorico Ferraço, já fazendo planos para um eventual quinto mandato à frente do Poder Executivo da maior cidade do sul do Estado. Ainda assim, Ferraço nunca desistiu de fazer Júnior Corrêa mudar de ideia sobre a sua desistência da política. E, ao que tudo indica, o conflito com Magno Malta dentro do Partido Liberal teve um peso maior na decisão do vereador de desistir da disputa majoritária do que ele gostaria de admitir. Cenário eleitoral O deputado estadual Allan Ferreira (Podemos) está tendo que lidar com a “puxada de tapete” do presidente estadual do Podemos, o deputado federal Gilson Daniel. Ferreira anunciou, junto com o também deputado estadual Dr. Bruno Resende (União), apoio ao pré-candidato a prefeito Diego Libardi, mas Daniel não quer o Podemos no palanque contrário ao do governador Renato Casagrande (PSB). A tendência é que Allan mantenha a palavra e peça para deixar a sigla. A direita em Cachoeiro também conta com a pré-candidatura a prefeito de Léo Camargo (PL), que teve um evento oficial de lançamento na semana passada. Camargo foi o terceiro vereador mais votado em 2020, e assumiu no Partido Liberal o lugar de candidato deixado vago por Júnior Corrêa. Mais ao centro, no campo do atual prefeito, Victor Coelho (PSB), a pré-candidata a prefeita é a secretária municipal das pastas de Obras e Manutenção e Serviços, Lorena Vasques (PSB), que deverá se desincompatibilizar do cargo no próximo mês de junho e lançar-se oficialmente na disputa. Na esquerda, o pré-candidato a prefeito colocado é Carlos Casteglione (PT), que chefiou o Executivo cachoeirense de 2009 a 2016. Casteglione conta com o apoio da Federação Brasil da Esperança (Partido dos Trabalhadores, PT; Partido Verde, PV; Partido Comunista do Brasil, PCdoB) e da federação formada por Partido Socialismo e Liberdade (Psol) e Rede Sustentabilidade. Direita em Cachoeiro se articula para manter cadeiras na Câmara de Vereadores Léo Camargo e Júnior Corrêa não deverão estar na próxima legislatura, abrindo espaço para novos nomes https://www.seculodiario.com.br/politica/direita-em-cachoeiro-se-articula-para-manter-cadeiras-na-camara-de-vereadores Theodorico Ferraço publica carta e reafirma pré-candidatura em Cachoeiro Deputado estadual e ex-prefeito em quatro mandatos representa o bloco formado por PP, MDB e Novo https://www.seculodiario.com.br/politica/theodorico-ferraco-publica-carta-e-reafirma-pre-candidatura-em-cachoeiro ‘Que Cachoeiro não tenha apenas um prefeito, mas três cadeiras’ Diego Libardi é confirmado na disputa à prefeitura do município sul-capixaba com apoio de deputados https://www.seculodiario.com.br/politica/que-cachoeiro-nao-tenha-apenas-um-prefeito-mas-tres-cadeiras
Espaços demarcados
Palanques de Célia Tavares e Babá, que enfrentam concorrências do PV, recebem reforço da Nacional do PT Leonardo Sá/Redes Sociais Célia Tavares, em Cariacica, e João Batista Babá, em Vila Velha, receberam um reforço da Nacional do PT nesta segunda-feira (27), com a homologação de seus palanques majoritários na reunião semanal do Grupo de Trabalho Eleitoral Nacional (GTE), em Brasília. A medida faz frente aos movimentos liderados pelo Partido Verde, que integra a Federação Brasil da Esperança junto ainda com o PCdoB. Nos dois municípios, o PV lançou, respectivamente, as pré-candidaturas do ex-vereador Heliomar Novais e a da economista e ex-secretária municipal Sandra Frasson, embolando as articulações. No primeiro caso, a cartada envolve um aliado do adversário, o prefeito Euclério Sampaio (MDB). Trata-se do agora ex-vereador César Lucas, presidente do diretório municipal do PV. Já em Vila Velha, onde Arnaldinho Borgo (Podemos) também tentará a reeleição e o tabuleiro marca a predominância de nomes da direita, a questão sinaliza mais como estratégia para garantir lugar na mesa interna de negociação. Com Célia, professora e ex-secretária de Cariacica, e Babá, ex-vereador, o PT fecha suas candidaturas nas principais cidades da região metropolitana. Soma-se ao bloco o deputado e ex-prefeito João Coser, em Vitória, projeto prioritário da Nacional e o primeiro a passar pelo GTE, e o ex-deputado Roberto Carlos, na Serra, que recebeu o aval há uma semana. Próximo passo: alianças! Em 2020, vale lembrar, o PT disputou na maioria dos municípios em “carreira solo”. Nadica de nadaEm alguns estados a situação já andou, com consolidação de apoios. Nesse bolo, quatro capitais: Curitiba, São Paulo, Salvador e Rio Branco. Por aqui, nada ainda, em canto nenhum! Mais um blocoAs duas pré-candidaturas do PT foram aprovadas nesta segunda junto com outras 18. A análise é obrigatória para municípios com mais de 100 mil habitantes. Ao todo, o partido contabiliza, até agora, 131 palanques majoritários. InteriorNo Estado, como já citado aqui em Século Diário, passaram também os projetos de Carlos Casteglione, em Cachoeiro de Itapemirim (região sul), e Zé Carlos Elias, em Linhares (norte). Todos aprovados por unanimidade nos diretórios municipais. À exceção de… Caminho turbulento…João Batista Babá! Ele recebeu apoio de dois terços do diretório, em processo marcado, de fato, por muitos debates, divisões, cartas públicas e divergências. ‘Tá’, mas não ’tá’Em Linhares, nunca é demais reiterar, que a situação não é simples para o PT, apesar da homologação. Zé Carlos Elias ainda é considerado ficha suja e depende de autorização judicial para tentar retornar à prefeitura. O barulho está feito, resta saber até quando rende. Projeto pessoalO prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), segue fazendo da sede da administração municipal seu palco eleitoral, para contemplar áreas de interesse. Pouco mais de dois meses de outro evento semelhante, ele voltou a homenagear pastores na noite desta segunda. Confete à vontade, holofotes também! Projeto pessoal IIDesta vez, a festa foi exclusiva para os pastores da Igreja Maratana, quem mais tem recebido investidas e afagos do prefeito nessa área, desde o ano passado. Em março, o público era parecido, porém mais pulverizado: “pastores e líderes religiosos”. Outros grupos já passaram por lá, com o mesmo objetivo. Tudo liberado! No páreoOs advogados capixabas Luiz Henrique Alochio e Alexandre Nogueira compõem a lista sêxtupla definida pela Conselho Pleno da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) nesta segunda, para ocupar uma cadeira no Tribunal Federal Regional da 2ª Região (TRF2), que tem jurisdição sobre o Estado e o Rio de Janeiro. No páreo IIAlochio empatou na primeira posição, com 27 votos, enquanto Alexandre alcançou 25. A lista será encaminhada ao TRF2, que vai reduzir a concorrência para três. A decisão final será do presidente Lula. Os outros nomes, todos do Rio, são: Bruno Barata (27 votos), Sheila Mayra Lustoza (26 votos), Cláudia Corrêa (24 votos) e Rafael Alves (24 votos). Nas redes“(…) nosso parceiro pastor Sidney acaba de lançar sua pré-candidatura para prefeito de Ecoporanga. Cidade que precisa e merece maior destaque em nosso Estado”. Felipe Rigoni, presidente estadual do União Brasil. FALE COM A COLUNA: medeirosmanaira@gmail.com Obstáculos internos PT de Cariacica avança com palanque de Célia Tavares em oposição a Euclério, mas os ruídos persistem https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/obstaculos-internos
Cinco novos vereadores tomam posse em Cariacica nesta terça-feira
Até agora sem representação feminina, a Câmara passará a ter Ilma Chrizostomo e Zeti Araújo A Câmara de Cariacica terá cinco novos vereadores a partir desta terça-feira (28). Com a recontagem dos votos das eleições 2020, tomarão posse Zeti Araújo (PSB); Marcos Manoel de Lyrio, o Palhinha (PCdoB); Rogério Nunes (sem partido); Ronildo Andrade (União) e Ilma Chrizostomo Siqueira (MDB). A diplomação foi imediata e a cerimônia de posse será em sessão realizada às 15h. Perdem seus cargos César Lucas (PV), Marcelo Zonta (Cidadania), Mauro Durval (Cidadania), Juarez do Salão (PMN) e Juquinha (PMN). A recontagem dos votos foi determinada pelo desembargador Dair José Bregunce de Oliveira, do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE/ES). A decisão foi resultado da denúncia de fraude no sistema de cotas para mulheres. Inclusive, a Casa de Leis, até agora totalmente masculina, passará a contar com duas mulheres: Ilma Chrizostomo Siqueira e Zeti Araújo. Divulgação Ambas afirmam que muitos acreditavam que o processo sobre a fraude não surtiria resultados. “Mesmo que não desse certo, acredito que serviria de conscientização para os partidos e para as mulheres que se permitem ser usadas por esses partidos”, diz Zeti. Ilma relata que sabia que “mais cedo ou mais tarde, isso ia acontecer”. “A gente estudou o processo, acompanhou, as provas eram contundentes”, destaca. A decisão que mudará a composição na Câmara foi unânime no TRE/ES, em julgamento no dia 13 de maio. A fraude na cota de gênero foi cometida pelas chapas do Cidadania, PV e PMN. O pedido de recontagem ocorreu porque, logo após as eleições, foi verificado que várias mulheres que haviam sido candidatas tiveram votação zero e não fizeram campanha, nem prestação de contas. De acordo com o advogado de Ilma, Gelianderson Chrizostomo Siqueira, houve até caso de mãe e filha concorrendo à Câmara, com a filha declarando apoio abertamente para a mãe, além de candidatas que declararam apoio a outros, inclusive, com gravação de vídeos nas redes sociais. A diplomação imediata e a posse já na próxima quarta-feira contrariam a expectativa de Gelianderson, que acreditava que os novos vereadores seriam empossados após o feriado de Corpus Christ. Para a previsão, ele tomou como base o fato de a Justiça Eleitoral ser mais célere e a experiência de outros municípios, como Vila Velha, que também passou pelo mesmo processo em fevereiro último. Portanto, a celeridade do processo foi ainda maior do que ele imaginava. TRE determina recontagem dos votos das eleições à Câmara de Cariacica Cinco vereadores eleitos em 2020 perderão o mandato. Entre os substitutos, devem entrar duas mulheres https://www.seculodiario.com.br/politica/tre-determina-recontagem-dos-votos-das-eleicoes-para-a-camara-de-cariacica Novos vereadores de Cariacica devem tomar posse no início de junho Recontagem de votos será na segunda-feira. Próximos passos são diplomação e posse https://www.seculodiario.com.br/justica/novos-vereadores-de-cariacica-devem-tomar-posse-no-inicio-de-junho
‘Queremos garantia de que o dinheiro da repactuação vai chegar até os atingidos’
Pescadores e outras categorias de atingidos se mobilizam para apresentar pautas na Assembleia Leonardo Sá A repactuação está próxima de uma conclusão? O possível acordo final vai contemplar os princípios estabelecidos nos relatórios finais da Comissão Externa da Câmara dos Deputados, que enfatizam o direito a voz e voto dos atingidos na decisão sobre a aplicação dos recursos? Perguntas como essas têm povoado com mais intensidade as mentes e as redes sociais das mais diversas categorias de atingidos pelo crime da Samarco/Vale-BHP contra o Rio Doce, em 2015, à medida que cresce uma percepção de avanço das negociações no âmbito da Repactuação, entre as mineradoras criminosas e os governo federal, capixaba e mineiro. Estas, por sua vez, aparentemente aceleradas em decorrência de decisões judiciais recentes favoráveis aos atingidos que foram prejudicados pelo Novel – sistema simplificado de indenizações da Fundação Renova, reconhecidamente com cláusulas ilegais de quitação geral de danos – e pelo não cumprimento da Deliberação 58/2017 do Comitê Interfederativo (CIF), que obriga a inclusão de todas as comunidades atingidas nos programas de compensação e reparação de danos da Renova, desde a Praia de Carapebus, na Serra, até Conceição da Barra. O avanço das ações internacionais, em Londres e na Holanda, também pode ser considerado um fator de pressão às mineradoras, para qie cedam e fechem logo um acordo, diante das negativas recentes dos governos. “Se a Vale falar que não vai descontar o que ela já gastou e oferecer cento e tantos bilhões [de reais], eles [os governos] vão querer aceitar. Mas e o atingido, como fica? Cada um [presidente da República e governadores] vai pegar o dinheiro e fazer o que quiser? Como é que ficam as comunidades, os que foram atingidos, mesmo?”, questiona o presidente do Sindicato dos Pescadores e Marisqueiros do Espírito Santo (Sindpesmes), João Carlos Gome da Fonseca, o Lambisgoia. A entidade foi uma das convidadas a participar de uma audiência pública da Comissão Parlamentar Interestadual de Estudos para o Desenvolvimento Sustentável da Bacia Hidrográfica do Rio Doce (Cipe Rio Doce), puxada pelo gabinete da deputada estadual Janete de Sá (PSB), atual presidente do colegiado, ainda sem data definida. O crime persiste O sindicato, afirma Lambisgoia, a princípio não se sentiu motivado a aceitar o convite, com receio de que seja apenas um evento para simular uma escuta dos atingidos, mas por fim preferiu enxergá-lo como uma oportunidade de dar voz real às vítimas, para reafirmar os direitos que precisam ser atendidos e promover uma maior união entre todas as categorias de atingidos no Espírito Santo e Minas Gerais. “O que nós temos que lutar hoje é pelos mesmos direitos para todos”, afirma. Especificamente na sua categoria, o tom da mobilização é direto: “Pescador não solta a mão de pescador”. A partir daí, uma grande mobilização tem se formado entre os atingidos, com vistas a uma participação qualificada no debate. “Estamos nos organizando para compor uma mesa de atingidos na audiência pública, onde todos vão ter direito de falar”, afirma. Além da Deliberação 58 e do Novel, há outras antigas pautas que continuam urgentes, com a grave contaminação da água, do pescado e outros alimentos ao longo de toda a bacia do Rio Doce e de todo o litoral capixaba, como bem confirmou o último relatório da Aecom do Brasil, perita judicial oficial do caso. “O crime persiste, como vai ficar a vida dos atingidos? O turismo em Linhares, que ninguém vai lá mais comer o peixe. Em todos os territórios, o crime continua trazendo sofrimento para as pessoas”, argumenta, acrescentando que atingidos têm coletado água de suas torneiras para mostrar a má qualidade com que ela chega até as casas. ‘Renova não define quem é pescador’ Em relação à classe pesqueira, um vídeo circula nas redes sociais e deve ser apresentado na audiência pública, explicando quais categorias existem oficialmente no Estado e porque as classificações da Renova não são legítimas. “É um vídeo para as autoridades entenderem. A Renova inventa muita coisa: pescador de fato, pescador informal, pescador de subsistência, pescador disso, daquilo…a gente não entende. Porque para a Marinha e o governo federal, existe é o pescador artesanal e o pescador profissional. E é fácil saber quem é o quê. É só chegar na Capitania dos Portos e na Secretaria de Pesca, a Seap, e está tudo lá, a carteirinha, RGP, do pescador profissional, os registros todos. A Renova não pode ficar inventando, não pode definir quem é ou não pescador e que tipo de pescador cada um é”, explica o presidente do Sindpesmes. Outra explicação importante, acrescenta, é sobre a mobilidade intrínseca da profissão, que faz com que todos os pescadores sejam atingidos, porque trabalham ao longo de todo o litoral. “Essa embarcação que eu estou aqui, precisa de um mestre e dois tripulantes. Se eu preciso de um tripulante e não encontro em Vitória, posso encontrar em outro lugar, em Itaipava, Piúma, Linhares, Conceição da Barra. Eu só tenho que ver a documentação dele, para poder embarcar. O pescador que trabalha em Vitória é o mesmo que trabalha em Itaipava, Piúma, Linhares, Conceição da Barra…pescador não tem casa, vai onde para ele está melhor”, pontua, no vídeo. “Todo mundo usa aquele Rio Doce, não tem como negar. Os camaroeiros de Vitória foram reconhecidos, mas não os pescadores, foram as embarcações. E a gente luta até hoje para serem reconhecidos. Mas a Renova me inventa o pescador formal, subsistência, informal, a gente não entende nada no final das contas. Isso é o parâmetro que a gente quer que chegue nas autoridades”, complementa. Garantias O momento, ressalta Lambisgoia, é de buscar garantias concretas. “A gente tem medo da Repactuação não reconhecer os direitos da gente e o dinheiro não chegar até o atingido. Temos que ter garantia com documento assinado, onde todos concordam, não só as autoridades. Porque os maiores sofredores somos nós, atingidos”. Juiz determina o fim das ilegalidades do Novel impostas pela Renova à pesca Sentença também confirma inclusão dos atingidos do litoral norte nos programas de indenização https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/juiz-determina-o-fim-das-ilegalidades-do-novel-impostas-pela-renova-a-pesca ‘Pesca tem que ser proibida em toda a costa do ES e Rio Doce’
PT, PV e PCdoB encaminham apoio à reeleição de Dr. Coutinho em Aracruz
Federação Brasil da Esperança conta com dois vereadores no município do litoral norte do Estado Vinicius Gardiman/PMA A Federação Brasil da Esperança, formada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Verde (PV) e Partido Comunista do Brasil (PCdoB), deverá apoiar a tentativa de reeleição do prefeito Dr. Coutinho (PP) em Aracruz, no litoral norte do Estado. O bloco partidário conta com dois vereadores, Vilson Jaguareté (PT) e Rhayrane Pedroni (PCdoB), que também buscarão novos mandatos nas eleições municipais de outubro deste ano. As conversas ainda estão sendo concluídas com os filiados da federação, mas a decisão já é dada como certa. Segundo informações dos bastidores locais, a avaliação por parte das siglas é de que Dr. Coutinho faz um bom mandato, e não há lideranças dentro desse bloco partidário capazes de sustentar uma candidatura própria este ano. Além disso, os demais pré-candidatos a prefeito que estão no mercado eleitoral de Aracruz são todos considerados de extrema direita. Um dos nomes apontados é o do delegado Leandro Sperandio, que chegou a se filiar ao Partido Liberal (PL) e participar de uma marcha bolsonarista em Brasília, mas depois acabou migrando para o Republicanos, do deputado estadual Alcântaro Filho. Com a saída do delegado, o PL indicou como pré-candidato a prefeito em Aracruz o pastor Marcelo Souza, presidente do diretório municipal da sigla. A empresária Luciene Cavallieri também foi convidada para entrar na disputa majoritária pelo Partido Liberal, mas recusou o convite devido a compromissos corporativos. Outro pré-candidato a prefeito de Aracruz é o agricultor Tico Selvatici, que, na última quarta-feira (23), assumiu a presidência do diretório municipal do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), sigla que lançou o Major Wallace Vieira em 2020, o terceiro colocado. Já o prefeito Dr. Coutinho, conhecido médico em Aracruz, está em sua primeira experiência em cargo público. Em 2020, quando estava filiado ao Cidadania, venceu o então vereador Alcântaro Filho por uma diferença de apenas 162 votos, e o então prefeito, Jones Cavaglieri (SD), que ficou em quarto lugar. Em 2022, Alcântaro elegeu-se deputado estadual, e era cotado novamente para a disputa majoritária neste ano, mas anunciou apoio a Leandro Sperandio. Nas eleições de 2020, o PCdoB já havia apoiado Dr. Coutinho. Já o PT lançou um candidato próprio, Adilson Simão, que ficou em sexto lugar, e o PV estava na coligação de Evilasio Costa (PDT), o quinto colocado. Outras siglas que deverão apoiar Dr. Coutinho este ano são Movimento Democrático Brasileiro (MDB), Partido Democrático Trabalhista (PDT) e Partido Socialista Brasileiro (PSB). Inclusão de Aracruz na Grande Vitória não avançou na Assembleia Com o recesso parlamentar, debate sobre o projeto de lei da deputada Iriny Lopes ficou para 2024 https://www.seculodiario.com.br/cidades/inclusao-de-aracruz-na-grande-vitoria-nao-avancou-este-ano-na-assembleia