Sindicalista Paulo Poian, do PT, lançará oficialmente sua pré-candidatura nesta sexta-feira Em Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Estado, a Câmara de Vereadores é ocupada apenas pessoas do sexo masculino e, em sua maioria, conservadores. Dentro desse cenário, candidaturas do campo progressista se articulam para tentar furar a bolha nas eleições municipais de outubro deste ano e conquistar pelo menos uma cadeira. Um deles é o sindicalista Paulo Poian (PT), que lançará oficialmente sua pré-candidatura a vereador na próxima sexta-feira (17), às 18h30, em um bar esportivo localizado no bairro independência. Ligado ao coletivo União das Esquerdas Sul Capixaba (Uesc), Poian chegou, inclusive, a apresentar seu nome para a disputa majoritária dentro do Partido dos Trabalhadores (PT), mas prevaleceu a indicação do ex-prefeito Carlos Casteglione. Paulo Poian, no centro, junto de Fabiano Contarato e Helder Salomão. Foto: Redes Sociais Paulo Poian faz parte da corrente interna do PT “Resistência Socialista”. Em 2022, ele atuou na campanha de Helder Salomão, líder da corrente no Estado, para deputado federal – em Cachoeiro, Salomão obteve 1,6 mil votos. Dessa forma, Poian aposta no investimento do grupo do deputado e em seu retrospecto como sindicalista como trunfos para tentar se eleger. Dentro do PT, também deverão se candidatar a professora Jéssica Grillo, ligada à União Cachoeirense de Mulheres (UCM) e ao movimento negro; Geovane Roberto, com militância ligada aos povos de terreiro e à causa LGBQIAPN+; Elizangela Altoé, do Centro de Defesa dos Direitos Humanos (CDDH) Pedro Reis; Neia do Sindilimpe, que faz parte da diretoria do Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza; o motorista Jean Carlos Milhorato; o agricultor Edmar Pena; e a empregada doméstica Neia Passos. No Partido Comunista do Brasil (PCdoB), que compõe a Federação Brasil da Esperança junto com o PT, os nomes apontados como pré-candidatos a vereador, até o momento, são o de Maria Aparecida Costa Tomaz, Marcus Gaspar e Michel – até hoje, apenas um filiado do partido, Almir Forte, conseguiu se eleger na cidade. Do Partido Verde (PV), que também está na Federação Brasil da Esperança, Romário Correa, o Romário do PV, é o pré-candidato a vereador já confirmado. Ele já foi secretário municipal e concorreu na disputa majoritária em 2016. O diretório do PV também conta com outras figuras que já apareceram em outras eleições, como ex-vereador Higner Mansur e o ex-secretário de Meio Ambiente Gustavo Coelho, que é da família que detém a histórica Fábrica de Pios. No Partido Socialismo e Liberdade (Psol), a principal aposta como pré-candidata vereadora é a ativista trans Agatha Benks, assessora da deputada estadual Camila Valadão (Psol) e também ligada ao coletivo Uesc. A Rede Sustentabilidade, partido com o qual o Psol forma uma federação, é bastante ligada ao Sindicato dos Servidores Municipais (Sindimunicipal). O empresário Wesley Correa tem tentado se colocar como um possível vice na chapa de Carlos Casteglione, mas também poderá aparecer disputando uma cadeira na Câmara de Vereadores. Já o Partido Socialista Brasileiro (PSB) é a sigla do atual prefeito, Victor Coelho. Entre os pré-candidatos a vereador do partido, estão dois ex-secretários. Roselane de Araújo ficou poucos meses como secretária de Desenvolvimento Social. Em janeiro, substituiu Márcia Bezerra (PRD), exonerada após divergências com os planos eleitorais do prefeito Victor Coelho (PSB). Ela também se candidatou a vereadora na eleição de 2020 e conseguiu ficar como suplente. Carlinhos Miranda, por sua vez, já ocupou uma cadeira na Câmara de Vereadores, entre 2017 e 2020, quando ainda estava no Partido Democrático Trabalhista (PDT). Após não conseguir se reeleger, passou a assumir cargos na administração municipal. Até os últimos dias, ele era secretário de Agricultura. Atual legislatura Da atual legislatura, o professor de história Diogo Lube é o único vereador identificado com o campo progressista. Se elegeu pela primeira vez em 2016, pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), e se reelegeu em 2020 por um partido do “Centrão”, o Progressista (PP). Em seu segundo mandato, tem ocupado a liderança de governo do prefeito Victor Coelho na Câmara, apesar de já ter manifestado vontade de deixar a função. Neste ano, de volta ao PDT, deverá tentar uma nova reeleição. Júnior Corrêa (do Novo, que anunciou afastamento da política) e Léo Camargo (do PL, pré-candidato a prefeito) deverão ser os únicos vereadores a não tentar a reeleição. A lista de parlamentares cachoeirenses inclui: Alexandre de Itaoca (PSB); Brás Zagotto, Paulinho Careca e Paulo Grola (Podemos); Delandi Macedo, Vandinho da Padaria, Léo Cabeça e Ely Escarpini (PSDB); Arildo Boleba, Sando Irmão, Diogo Lube e Rodrigo Sandi (PDT); Chupeta e Ary Corrêa (Republicanos); Mestre Gelinho (PL). Secretários de Cachoeiro deixam cargos para disputar eleições Roselane de Araújo, Carlinhos Miranda e Ramon Silveira são pré-candidatos a vereador https://www.seculodiario.com.br/politica/secretarios-de-cachoeiro-deixam-cargos-para-disputar-eleicoes Candidaturas ligadas a coletivo de esquerda se movimentam no sul do Estado Cláudia, Agatha e Rosangela integram bloco dos pleitos em Itapemirim, Marataízes, Cachoeiro e Guaçuí https://www.seculodiario.com.br/politica/candidaturas-ligadas-a-coletivo-de-esquerda-se-movimentam-no-sul-do-estado Esquerda de Cachoeiro mobiliza pré-candidaturas à Câmara de Vereadores Atual legislatura não tem mulheres e é majoritariamente conservadora; ativista trans e professora estão no cenário https://www.seculodiario.com.br/politica/esquerda-de-cachoeiro-mobiliza-pre-candidaturas-a-camara-de-vereadores
Comissão aprova PL que proíbe população de rua em praças e vias públicas
André Moreira apresentou um projeto como alternativa ao de Luiz Emanuel, mas foi rejeitado O Projeto de Lei (PL) 57/2023, de autoria do vereador Luiz Emanuel Zouain (Republicanos), foi aprovado na Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos, Cidadania e Acessibilidade, na manhã desta segunda-feira (13). Na mesma reunião, o PL 290/2023, de André Moreira (Psol), foi rejeitado. Ambas propostas têm como foco as pessoas em situação de rua. A votação foi acompanhada de debates protagonizados por André e pelos vereadores Davi Esmael (Republicanos) e Karla Coser (PT). Foram favoráveis ao projeto de Luiz Emanuel os vereadores Aloísio Varejão (PSB), André Brandino (Pode) e Davi Esmael. Karla e André foram contrários. Este vereador foi o único a votar favorável ao projeto de sua autoria. O de Luiz Emanuel “dispõe sobre o uso adequado das praças e vias públicas de Vitória e garante segurança nesses locais”, deixando claro, em seu primeiro artigo, que “é vedada a ocupação, por qualquer pessoa para fins de moradia e quaisquer atividades habituais, providas de assistência social, nos logradouros públicos situados no município de Vitória”. O de André foi apresentado como alternativa ao de Luiz Emanuel, pois seu proponente acredita que o PL 57/2023 não aponta alternativas para resolver o problema das pessoas em situação de rua na Capital. Aloísio Varejão apresentou uma relatoria favorável à proposta de Luiz Emanuel, mas Karla Coser se mostrou contrária. Assim como André, ela acredita que a matéria não traz soluções para o problema. “Vamos fazer o que com as pessoas em situação de rua? Vamos expulsá-las das praças? Dizer que não podem sentar, dormir? Onde eles vão parar?”, questionou. Na avaliação da vereadora, “o projeto criminaliza ainda mais as pessoas que estão nos limites da dignidade humana”. Quanto ao projeto proposto por André Moreira, Karla Coser afirma ser “uma replicação de princípios que têm em decretos da presidência da República”. Assim, aponta, também não aponta soluções. Ela destacou que cabe à Prefeitura de Vitória encaminhar decretos com foco nas políticas para pessoas em situação de rua diante da “limitação de competência do legislativo”. Karla questionou, ainda, qual seria o tratamento dado à população em situação de rua pela Guarda Municipal caso o projetoL de fato vire lei. “Qual será o posicionamento da Guarda? Dizer levantem-se todos e caminhem para a porta de um abrigo que não vai conseguir contemplar todos vocês?”, indagou. No que diz respeito ao projeto de Luiz Emanuel, André salientou que a legislação de postura urbana determina a proteção das praças e ambientes públicos de uso comum. Já o seu projeto, informou, conta com 54 artigos que tratam de políticas como educação, emprego, moradia e assistência social. A proposta “institui a Política Municipal para a População em Situação de Rua do Município de Vitória e dá outras providências”. Ele também defendeu políticas habitacionais com a utilização de imóveis desocupados. Quanto à fala de Karla Coser em relação ao seu projeto, o vereador afirma haver “um equívoco na avaliação”. “Cada ente tem autonomia, não pode ser obrigado por outros entes a adotar posições ou políticas públicas”, disse André, acrescentando que sua proposta vai além dos princípios do decreto presidencial sobre políticas para pessoas em situação de rua. O vereador Davi Esmael defendeu o PL de Luiz Emanuel argumentando que “direito de ir e vir é diferente de estar, permanecer”. Continuou dizendo que “não é digno morar em nossas praças, estar em nossas praças permanentemente”. De acordo com Davi Esmael, “[pessoas em situação de rua] para a cidade não é bom, para os demais moradores não é bom”. O vereador refutou a ideia de André Moreira de destinação de imóveis desocupados para política habitacional, com o argumento de que isso é “fomentar invasões à propriedade privada” e que não se deve “tirar das pessoas aquilo que ela construiu”. ‘Solução encontrada para alimentação da população de rua não atende à demanda’ Pessoas que eram assistidas pela Tenda do Bem estão sendo orientadas pela PMV a ir ao Centro Pop https://www.seculodiario.com.br/direitos/solucao-encontrada-para-alimentacao-da-populacao-de-rua-nao-atende-a-demanda ‘Prefeitura de Vitória não garante nada à população de rua e ainda expropria’ Pastoral do Povo de Rua critica retirada de móveis de pessoas em situação de rua na Curva da Jurema https://www.seculodiario.com.br/direitos/a-prefeitura-de-vitoria-nao-garante-nada-a-populacao-de-rua-e-ainda-expropria
Toxidade nas relações
Combater a cultura do domínio e da superioridade no dia a dia Como afirma Hannah Arendt, a educação existe porque chegam crianças no mundo que precisam recebê-la com segurança. Essa educação se inicia na família, tem a contribuição da comunidade – como dizem os africanos, é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança – e se complementa na escola, mas não para por aí. Na verdade, a educação dura enquanto dura a vida, “o novo sempre vem” e é preciso educação para lidar com ele. Novidades materiais, comportamentais, estruturais, tecnológicas, políticas, econômicas, etc. acontecem a todo momento. Para absolver ou conviver com elas, é preciso aprender. Esse aprender, na maioria das vezes, exige abertura da compreensão, capacidade de romper com o que estava colocado como verdade e adaptar-se. Quando nos referimos aos avanços materiais e estruturais, o aprendizado e a adaptação são mais simples e buscados por todos, ninguém quer ficar para trás, mas quando se trata de comportamento, é bem mais complicado. A humanidade já viveu o absurdo da padronização do comportamento individual durante a idade média, quando a consequência desastrosa da existência e imposição de uma “verdade absoluta” resultou no iluminismo, substituindo Deus pela razão, e no existencialismo, com a prevalência do indivíduo. Contudo, o novo também sofre muita resistência do conservadorismo, por isso mesmo, a razão e o individualismo precisam estar sempre se defendendo. A liberdade de ser do indivíduo incomoda muito, principalmente porque exige um novo aprendizado, uma percepção diferente daquilo que achávamos já conhecido, dominado. Na maioria das vezes, exige também a destruição de conceitos enraizados na formação cultural de um coletivo, e aí a dificuldade aumenta muito. A dualidade entre o já estabelecido e o novo transparece em todos os setores da sociedade e precisa ser tratada na educação, com naturalidade e responsabilidade para que a transição aconteça. Hoje,questões como identidade de gênero, configurações familiares, desigualdade social e clima estão no olho do furacão. São “novidades” que desafiam nossa capacidade de encarar o novo e enfrentar o conservadorismo, embutido em nossas formações. Parece simples? Não, não é simples, exige, como já disse, abertura para o novo e mudanças radicais (nas raízes) da nossa cultura, sob a égide do respeito. Vamos aos exemplos: Começando pelas desigualdades sociais e a crise climática, penso que é preciso romper com séculos de exploração dos mais fortes, desnaturalizar a farsa da meritocracia e buscar os reais motivos do enriquecimento das elites, suas posses e transferência a herdeiros e o uso que faz das “suas” terras, para encontrar as causas fundantes. Quanto às questões da liberdade individual, explícitas na identidade de gênero e novas configurações familiares, penso que o grande instrumento de conscientização seja a linguagem. É preciso encarar o desafio de inclusão no verbo, popularizando assim a possibilidade de existência do “outro, outra e também a pessoa que não se define por gênero” em sua afirmação pessoal. Além da dificuldade de considerar apenas dois gêneros, esse mundo dual, historicamente, fez prevalecer o masculino para nomear todo o resto, como nos vocábulos: o homem – representando toda a humanidade – todos, o mundo, o deus pai, além dos simbolismos do dia das mães, dos pais, dos namorados, etc. Não me arvorando a ter receitas para solucionar problemas de tamanha complexidade, quero apelar a educadores – que todos somos – a atentarem para esta necessidade de mudança de abordagem, em nome de uma vida mais empática e harmoniosa, diante de nossas maravilhosas diferenças. Everaldo Barreto é professor de Filosofia
Cursinho Risoflora: educação, encantamento e formação política
Com base no trabalho comunitário, cursinho popular completa 10 anos de apoio à periferia no acesso ao ensino superior Criado em 2014 no bairro Maria Ortiz, em Vitória, o Cursinho Popular Risoflora tem como base a educação popular e o trabalho comunitário. O Século Diário acompanhou a aula inaugural anual do projeto que está completando 10 anos de existência e já ofereceu aulas gratuitas a centenas de jovens das periferias capixabas que sonham com o acesso ao ensino superior. A reportagem ouviu alguns dos protagonistas desta história, que explicam a forma de funcionamento, as estratégias de ensino e casos de sucesso de jovens e até pessoas mais velhas que, por meio do cursinho, conseguiram apoio não só para entrar na Universidade, mas também para transformar sua visão de mundo e sua forma de atuação na sociedade. —- * Inscreva-se no canal do Século Diário no YouTube e ative o sininho para acompanhar as novidades. ** Se quiser ouvir este e outros programas em podcast, siga os canais do Século Diário no Spotify e Google Podcasts.
Retirada de posto de gasolina aumenta desgaste do prefeito de Cachoeiro
Posto Oásis ocupa espaço público há décadas e se recusa a sair; comerciantes reclamam de macrodrenagem Márcia Leal/PMCI O Posto Oásis, estabelecimento de venda de combustíveis, ocupa há quase 60 anos um espaço público localizado na divisa entre os bairros Centro e Guandu, em Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Estado. Seu contrato de concessão venceu em 2015 e, mesmo assim, tem se recusado a deixar o espaço. No início deste ano, a gestão do prefeito Victor Coelho (PSB) ajuizou mais uma ação de reintegração de posse e teve ganho de causa no mês passado. Apesar disso, a decisão aumentou o desgaste do prefeito com os comerciantes do entorno. Mesmo que o imbróglio seja antigo, a retirada do Posto Oásis se tornou vital para a conclusão das obras de macrodrenagem, nas quais o prefeito apostou no fim de seu mandato, com a promessa de acabar com os históricos alagamentos do bairro Nova Brasília e do entorno. O estabelecimento está no centro da região em que as obras são realizadas. Trata-se de um investimento de R$ 55,2 milhões da gestão do governador Renato Casagrande (PSB), principal aliado de Victor Coelho. Enquanto os benefícios da obra não aparecem, os transtornos se multiplicam. Têm sido constantes as reclamações dos comerciantes por conta da poeira, dos fechamentos de ruas, da quebradeira em geral nas vias e nas calçadas, que, segundo eles, têm reduzido em muito as vendas. Foi feita, também, a realocação forçada de vendedores ambulantes que atuavam nas ruas do bairro Guandu, além da demolição do tradicional Shopping Popular, tudo em nome da macrodrenagem. Dentro desse contexto, a retirada do Posto Oásis é encarada como mais um ataque ao comércio local, e não como o resultado esperado de uma situação que se arrasta desde 2015. Nessa sexta-feira (10), o deputado estadual de extrema direita Callegari (PL) decidiu tomar as dores dos comerciantes, passando com um trio elétrico pela região e soltando e voz contra a gestão municipal. Em um vídeo publicado nas redes sociais, Callegari chama a administração de Victor Coelho de “praga”, citando as bíblicas “Sete Pragas do Egito”, e não hesita em usar expressões pejorativas e estereotipadas ao falar de pessoas em situação de rua. “Os camelôs já foram tratados a pontapés, e nós temos que resolver também essa situação. Os comerciantes também estão sendo tratados a pontapés. Querem arrancar o posto de gasolina agora para fazer uma praça. Pergunto: pra quê mais uma praça, se não cuida nem das praças que tem? São ponto de ‘noia’. Parece que o prefeito gosta de ponto de ‘noinha’, é o prefeito dos ‘noinhas’, mais espaço para o camarada ‘tá’ usando droga aqui”, vociferou o deputado. Assim, as reclamações relacionadas à macrodrenagem alimentam a fogueira eleitoral. Segundo informações de bastidores, teria chegado ao conhecimento da equipe do prefeito o resultado de uma pesquisa de opinião não oficial feita por adversários, que teria como resultado um nível de desaprovação alto para Victor Coelho. Esse é um ponto negativo já de largada para Lorena Vasques (PSB), pré-candidata a prefeita escolhida pelo núcleo próximo de Victor Coelho, e que se tornou “supersecretária” das pastas de Obras e Serviços Urbanos justamente para ganhar visibilidade. Praça de Cachoeiro antes da instalação do Posto Oásis. Foto: IBGE O processo do Posto Oásis O espaço em que funciona o Posto Oásis era, originalmente, a Praça Dr. Luiz Tinoco da Fonseca, denominação ainda aplicada como ponto de referência. Em 1965, o espaço foi cedido pelo município ao posto pelo prazo de 30 anos, por meio da Lei Municipal nº 1.034/65. A concessão foi prorrogada por mais 20 anos em 1995. Segundo os autos do processo de reintegração de posse (número 5002946-85.2024.8.08.0011), a gestão municipal tem tentado a devolução da praça desde 2015, sem sucesso. O posto entrou com um processo à parte tentando impedir sua retirada e também deu entrada, recentemente, num procedimento administrativo para tentar prorrogar a concessão. A alegação é de que opera no lugar ininterruptamente por 58 anos, sem objeção, e de que foi vendido em junho de 2022, por R$ 3 milhões. O Posto Oásis perdeu os processos, e o último prazo dado para a desocupação venceu no dia 7 de janeiro de 2024. A decisão mais recente é do último dia 3 de maio, quando o juiz João Batista Chaia Ramos homologou um acordo do estabelecimento com a gestão municipal, mas não há informações disponíveis publicamente sobre as bases desse acordo. Outro posto Há mais um estabelecimento de venda de combustíveis no caminho das obras de macrodrenagem, localizado no bairro Guandu, a menos de um quilômetro do Oásis: o Posto Nogueira, que também ocupa um espaço em via pública há várias décadas. O prefeito Victor Coelho chegou a assinar um acordo judicial com o estabelecimento em 2019, no qual se comprometia a doar outra área na rua de cima, na Linha Vermelha. Entretanto, o local em questão ficava na esplanada do Museu Ferroviário Domingos Lage, bem histórico tombado, e teve pareceres contrários do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do Conselho Municipal de Política Cultual (CMPCCI). Atualmente, segundo informações de bastidores, a Prefeitura de Cachoeiro estuda a concessão de uma outra área para os proprietários do Posto Nogueira. Vendedores ambulantes reclamam de remoção de bancas em Cachoeiro Prefeitura não cumpriu compromisso de fornecer estrutura em outro local, segundo os camelôs https://www.seculodiario.com.br/cidades/vendedores-ambulantes-reclamam-de-remocao-de-bancas-em-cachoeiro Victor Coelho aposta em obras e empréstimo no fim do mandato Prefeito de Cachoeiro tenta viabilizar secretária Lorena Vasques como sucessora na gestão municipal https://www.seculodiario.com.br/politica/victor-coelho-aposta-em-macrodrenagem-e-emprestimo-no-fim-do-mandato Obras de macrodrenagem entram na arena eleitoral em Cachoeiro Transtornos desgastam prefeito Victo e secretária Lorena Vasques, e Júnior Corrêa busca tirar proveito https://www.seculodiario.com.br/politica/obras-de-macrodrenagem-entram-na-arena-eleitoral-em-cachoeiro
Um trem para o inferno
“Feita por americanos para os americanos!” O homem, autodenominado senhor de um universo que não domina nem conhece, é por natureza intrinsecamente bom ou mau? Todo mundo é bom, mas as prisões estão superlotadas. O vizinho é uma ótima pessoa, mas foi embora e largou uma montanha de lixo no meu quintal. Os registros históricos também não nos favorecem e um triste exemplo foi a construção da estrada de ferro ligando o leste ao oeste do mapa americano. * Em 1863 teve início a construção da ferrovia dos sonhos – hoje desativada. Obra faraônica, tal como imaginamos que as pirâmides foram construídas: com o suor do trabalho escravo. Ou quase. Em nome do progresso, os 3.075 km de trilhos que uniram o Atlântico ao Pacífico arrastaram um tsunami de horrores, a começar pelos milhares de búfalos sacrificados – a principal fonte de subsistência de muitas tribos indígenas. A seguir: ocupação ilegal de terras indígenas. * Os trabalhadores enfrentaram precárias condições de subsistência sob intenso frio nas montanhas e tórrido calor nos desertos: muitos morriam congelados ou desidratados, ou sob as constantes avalanches. Obviamente, mão de obra escrava, ou negros libertos recebendo ínfimos salários. Mas não deram conta da grande empreitada, e a empresa pôs anúncios por toda parte – Precisam-se cinco mil trabalhadores – no experience necessary! * Assim chegou a salvação da lavoura – 20.000 chineses fugindo da Guerra do Ópio na China e sonhando com o paraíso americano. Foi pular da frigideira para cair no fogo. Recebiam $27 a $30 dólares por mês, descontando comida e acomodações em tendas comunitárias – os trabalhadores irlandeses recebiam $35 sem descontos. As condições eram tão precárias que eles fizeram greve – logo abafada pela falta de comida. Hoje se diz que os chineses ‘inventaram’ a greve nos Estados Unidos. * Seis anos depois a rodovia ficou pronta – e os chineses sumiram do mapa. Segundo a mídia da época, “Uma ferrovia feita por americanos para os americanos!” Em todas as fotos publicadas não aparece um único chinês. Os descendentes desses heróis anônimos lutaram anos para terem seus antecedentes reconhecidos como o suporte em cujas costas foi construída a ferrovia dos pesadelos. Não há registros públicos confiáveis, mas a estimativa é de que cerca de mil chineses morreram na árdua empreitada.
Fordan solicita medida protetiva para trabalhadora agredida e ameaçada na Ufes
Vigilantes foram denunciados por má conduta. Roubos de objetos são tratados com mais rigor, avalia pesquisadora A trabalhadora foi agredida com pedras e cuspe e ameaçada de morte dentro da universidade. Foto: Arquivo Pessoal O corpo de uma mulher negra vale menos do que uma bicicleta dentro do campus universitário? A pergunta é parte da análise da gravidade do caso de agressão e ameaça sofrida por uma trabalhadora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) dentro do campus de Goiabeiras. Depois do Boletim de Ocorrência e exame de corpo de delito realizados e de toda a rede de apoio que tem lhe acolhido e protegido nos últimos dias, foi feito, nessa quarta-feira (8), um pedido de medida protetiva de urgência (MPU) e a denúncia dos vigilantes que flagraram o crime, por má conduta. A Reitoria da Ufes também foi acionada, para que continue a acompanhar e prestar apoio à trabalhadora, e a Defensoria Pública da União (DPU), para que passe a acompanhar, no Poder Judiciário, o deferimento da MPU. O ofício foi encaminhado ao reitor, Eustáquio de Castro, e ao defensor federal Antonio Ernesto de Fonseca e Oliveira, pelo programa de extensão e pesquisa da Ufes Fordan: cultura no enfrentamento às violências, e traz trechos do boletim de ocorrência e um relato das medidas que foram tomadas. No BO, consta que o crime ocorreu no dia 27 de abril, às 14h30, no encerramento de uma atividade do projeto Sábado de Lazer, realizado pelo Centro de Educação Física e Desporto (CEFD), que visa integrar a universidade com a comunidade externa, quando a trabalhadora Adenilza Matos pediu para uma mulher, Daiane Oliveira Rocha, se retirasse da tirolesa, pois a atividade já havia acabado. “Daiane desceu agressiva e pegou um pedaço de madeira e a agrediu dando paulada no rosto, no braço direito e na perna direita dela, causando hematomas nos locais onde foi atingida”, descreve o documento, acrescentando que as cerca de cinco crianças que estavam com ela também passaram a lhe atirar pedras, bem como outras quatro pessoas que tentaram ajudar a trabalhadora e que Daiana “cuspiu em seu rosto e a chamou de macaca”. A agressora, prossegue o BO, “tem 21 anos de idade, é branca e estava com cabelos pintados de loiro”. Na denúncia feita à Ouvidoria do governo federal, o Fordan aponta que os vigilantes que flagraram o crime apenas anotaram o nome e sobrenome da agressora, não registraram números de documentos dela e a deixaram ir embora, sem qualquer acolhimento à trabalhadora agredida e ameaçada. “Eles deveriam ter chamado a polícia na hora para apurar o crime que aconteceu. Porque, se no lugar do corpo da pessoa preta, você tem uma bicicleta, por exemplo, esse teria sido o comportamento deles? Teriam apenas anotado o nome da infratora e deixado ela ir? Um objeto vale mais do que o corpo de uma pessoa?”, questiona a professora Rosely Silva Pires, coordenadora-geral do Fordan. Sobre o acolhimento feito até agora, Rosely explica que somente três dias depois do ocorrido é que Adenilza foi acolhida, quando ela encontrou com a trabalhadora e lhe questionou o motivo das marcas no seu corpo. Conseguiu então, com apoio da Reitoria e da gestão do Centro de Educação Física, levar a vítima para a delegacia e para o Departamento Médico Legal (DML) para o exame de corpo de delito. Para dar início à elaboração do pedido de MPU, complementa, “foi necessário acionar a rede Fordan para encontrar os dados dos documentos da agressora”. A petição foi feita por uma advogada voluntária do Fordan, Layla dos Santos, junto à 2ª Vara Criminal de Vitória, sob o número 5018250 – 85 2024.8.08.0024. Em nota, na ocasião, o Fordan ressaltou que a vítima é “uma mulher preta, com 30 anos de Ufes, sempre realizou suas atividades com responsabilidade e respeito a quem quer que seja” e que o “crime precisa ser tratado como crime e os agressores precisam ser punidos”. Assim que o caso foi tornado público, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) e o Diretório Acadêmico (DA) “26 de Junho” também se manifestaram, por meio de uma nota conjunta, “repúdio aos crimes cometidos contra a servidora”, citando “injúria racial, agressão e ameaça de morte”. A Administração Central da Ufes também publicou uma nota, manifestando “indignação e repúdio às agressões” e expondo as medidas que já haviam sido tomadas, em conjunto com o Fordan. Informou também sobre “ações de orientação junto aos servidores que atuam na segurança da Instituição, a fim de que adotem os encaminhamentos corretos e necessários em casos de ocorrência de crimes como injúria racial, racismo e outros resultantes de discriminação ou preconceito, seja ele de raça, cor, etnia, gênero, religião ou procedência nacional”. Afirmou, ainda, que “todo e qualquer ato de racismo ocorrido dentro de seus campi será apurado, a fim de que sejam adotadas as providências previstas em lei, sempre que necessário”. A Reitoria prestou apoio à trabalhadora quando foi acionada e continuará acompanhando o caso. Foto: Leonardo Sá Rede de apoio Em meio aos procedimentos legais e manifestações públicas das instituições, foi formado uma rede apoio multidisciplinar para a trabalhadora. “A agressora ameaçou voltar para matá-la. Ao buscarmos as informações sobre a agressora, descobrimos que ela tem passagem pela polícia por outras violências cometidas por ela e contra ela. A rede de apoio, para Adenilza, foi criada com a função de que outras pessoas possam acionar a delegacia e gravar possíveis novas agressões, mas, o principal objetivo, é proporcionar a Adenilza o sentimento de que o ambiente de trabalho é um lugar seguro para ela”, explica o documento, assinado também pelos advogados voluntários Arthur Bastos Rodrigues e Cristiana Ribeiro da Silva, do núcleo jurídico do Fordan. “Adenilza ficou muito abalada emocionalmente. Além da psicanalista do Fordan, que está atendendo a mesma, foi necessário a rede de apoio para fortalecê-la com monitoramento via celular e presencialmente. A questão da violência não está somente no momento da agressão, mas também nos traumas que essa agressão gera, é preciso transformar a experiência em acolhimento e carinho para reduzir os traumas”, explica. Passadas quase duas semanas, Adenilza conta ao Século Diário que ainda se sente
Gandini conversa com marqueteiro e diz que está ‘mais vivo do que nunca’
Deputado acredita que seu palanque em Vitória ganha novo impulso com a desistência de Tyago Hoffmann O deputado estadual Fabrício Gandini, pré-candidato do PSD à Prefeitura de Vitória, apareceu em campo na noite dessa sexta-feira (10), para “afastar as especulações de que jogou a toalha”. Ele informou que conversou com Roni Cavalcante, que atuou na campanha do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e garante estar empolgado para a disputa de outubro. O deputado disse que vem acelerando as conversas com aliados e, “em processo de aquecimento para entrar em campo”, se reuniu nessa quinta (9), na Praia do Canto, em Vitória, com o marqueteiro. “Tivemos uma primeira conversa, que foi muito boa, para analisar todo o processo eleitoral. Estou empolgado. Seria um orgulho ser prefeito da cidade que tanto amo, nunca escondi isso de ninguém. Mas vou avaliar com toda a calma e dentro do prazo dado pela legislação eleitoral”, destacou. O deputado alega que o período é de pré-campanha e, “por isso, tem sido cauteloso nas suas atitudes”. Após o recuo do também deputado Tyago Hoffmann (PSB) de disputar o pleito de outubro, apontando atender assim a pedido do governador Renato Casagrande, do mesmo partido, Gandini garante que o “seu nome está mais vivo do que nunca”. Ele enfatiza que mantém o diálogo aberto com o ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) e também com o ex-deputado Sergio Majeski (PDT), integrantes do grupo que orbita em torno de Casagrande. Outra pré-candidata deste campo é a vice-prefeita de Vitória, Capitã Estéfane (Podemos). Gandini anunciou sua filiação ao PSD em 2023, depois de deixar a presidência do Cidadania no Estado, federado com o PSDB, devido à falta de espaço para erguer seu palanque na Capital. No entanto, as movimentações depois esfriaram. Na ocasião da mudança de legenda, disse que aceitou o desafio de buscar uma alternativa ao que está posto pela atual gestão do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) e lembrou que “a cidade não pode olhar para trás”, em alusão ao deputado estadual e ex-prefeito João Coser (PT), também pré-candidato. Os três se enfrentaram em 2020, mas Gandini não avançou para o segundo turno. Gandini insiste na terceira via em cenário diferente da eleição de 2020 – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/politica/gandini-insiste-na-terceira-via-emcenario-diferente-da-eleicao-de-2020
Marcelo Santos articula com partidos de oposição em Muniz Freire
Representantes de PRD, PT, PSD e PDT participaram de encontro com o presidente da Assembleia Legislativa O presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (Podemos), tem se articulado com lideranças políticas de Muniz Freire, município da região do Caparaó, visando as eleições municipais de outubro deste ano. Em pauta está a viabilização de uma candidatura de oposição ao atual prefeito, Dito Silva (PSB). No último dia 3 de maio, Marcelo Santos esteve em Muniz Freire para prestigiar o 6º Fest Viola. Ele aproveitou para marcar uma reunião com representantes de siglas de diversos perfis ideológicos, incluindo Partido Renovação Democrática (PRD) – que o deputado controla no Estado indiretamente, por meio de aliados –, Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Social Democrático (PSD), Partido Liberal (PL) e Partido Democrático Trabalhista (PDT). Diversos pré-candidatos a prefeito estavam presentes na reunião. Entre eles, Evandro Paulúcio (PDT); Roberto Paulúcio (PRD); Dr. Carlinho (Pros); Dra. Mariana e Márcia Oliveira (ambas do PSD); Márcio Bolzan (PT); e Agenor Favoreto Filho (PDT). “A intenção do encontro foi ouvir as lideranças, com o intuito de avaliar um possível nome de consenso que possa aglutinar todas as forças contrárias ao atual prefeito”, afirma Agenor, que é vereador. Redes Sociais “Em Muniz Freire, participei de um diálogo super bacana sobre o futuro da cidade e as ações que nos levarão para esse futuro. Ao lado de líderes de diferentes partidos e de uma galera engajada, trocamos boas ideias que nos ajudarão a chegar onde tanto desejamos: ao desenvolvimento! Acredito que o diálogo é a chave de tudo, principalmente no meio político. Por aqui seguimos trabalhando por um Muniz Freire mais próspero e inclusivo!”, comentou Marcelo Santos, em legenda das fotos do encontro publicadas nas redes sociais. Dr. Carlinho foi prefeito em Muniz Freire de 2017 a 2020, mas perdeu a reeleição para Dito Silva. Nesse mesmo período, Evandro Paulúcio foi o vice-prefeito – o qual, em 2020, também entrou na disputa, mas sua candidatura foi indeferida pela Justiça Eleitoral. O ex-vereador Roberto Paulúcio, sobrinho de Evandro, foi outro que chegou a entrar na disputa majoritária na eleição passada, mas acabou renunciando. Atualmente, é assessor parlamentar de Marcelo Santos. Dra. Mariana, por sua vez, renunciou ao cargo de vice-prefeita no fim do mês passado devido a divergências com Dito Silva. Sua correligionária no Partido Social Democrático (PSD), Márcia Oliveira, é ex-secretária municipal na área de Assistência Social e esposa de Dr. Delson (PSB), ex-prefeito e também pré-candidato este ano – que trava uma disputa interna no Partido Socialista Brasileiro (PSB) com o recém-filiado Dito Silva. Márcio Bolzan é professor do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), recém-chegado na cidade. Bolzan tem angariado o apoio de lideranças estaduais do Partido dos Trabalhadores (PT), como o senador Fabiano Contarato, o deputado federal Helder Salomão e o deputado estadual João Coser, e a aposta em seu nome resultou na saída de Evandro Paulúcio, até então uma figura atuante no PT há vários anos. Já Agenor Favoreto está em seu primeiro mandato parlamentar. Outro vereador, Roberto Rivelino (PRD), também esteve na reunião. Segundo informações dos meios políticos locais, o PRD foi uma das primeiras siglas a formar uma chapa completa de candidatos a vereador em Muniz Freire. Movimentação eleitoral em Muniz Freire tem renúncia de vice-prefeita Doutora Mariana é cotada para entrar na disputa majoritária contra o atual chefe do Poder Executivo https://www.seculodiario.com.br/politica/movimentacao-eleitoral-em-muniz-freire-tem-renuncia-de-vice-prefeita
Exposição fotográfica aborda questões ligadas à decolonialidade
Mais na coluna: homenagem à Zilda; aquarela; leilão de cerâmica; pré-venda de livros; e Raiar da Liberdade A partir deste sábado (11), o Hub ES+, em frente à praça Costa Pereira, no Centro de Vitória, abrirá as portas para as pessoas que queiram visitar a exposição Fotografia, Intersecção e Subjetividade. A iniciativa é resultado do trabalho dos alunos do curso de Fotografia ministrado pelo fotógrafo Jove Fagundes, realizado por meio de uma parceria entre a Secretaria Estadual de Cultura (Secult), Secretaria Estadual da Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional (Secti) e o Senac. Arlindo Menezes A exposição terá início às 17h30 e ficará aberta ao público até 1º de junho. São 11 fotos, que abordam temáticas como religião, política, gênero, representatividade, ancestralidade e etnias. Na abertura, haverá um coquetel. Em seguida, um bate-papo com Jove Fagundes e os oito alunos do curso, ministrado por ele ao longo de aproximadamente dois meses de estudo teórico-prático, tendo como público-alvo pessoas pretas e periféricas. Decolonialidade À coluna, Jove Fagundes afirmou que o trabalho foi feito explorando questões de decolonialidade, identidade, comunicação, psicologia e arte. “Esse processo permitiu aos estudantes desenvolver um olhar crítico e criativo sobre a prática fotográfica, transcendendo a mera manipulação da câmera”, diz. A primeira etapa do curso foi realizada em seu estúdio e a segunda nas dependências do Hub ES+. Zilda Aquino Entre as pessoas retratadas pelos alunos do curso está Zilda de Aquino, a proprietária do famoso Bar da Zilda, no Centro de Vitória. O convite feito a ela para ser uma das modelos, explica Jove, é pelo fato de ela ser uma mulher que “exerce uma liderança de afetos”. “Ela faz um colchão de afetos, conhece as pessoas, conhece pelo nome, e é uma figura bem centrada no cenário cultural capixaba. Mulher preta, retinta e poderosa nesse lugar”, exalta. Zilda Aquino II Sarah Silva A foto é bastante significativa, com Zilda segurando a Bíblia com uma bandeira LGBTQIA+ ao fundo. A Bíblia faz referência à fé de Zilda, que é evangélica da Assembleia de Deus. A bandeira, segundo Jove, ao fato de que o Bar da Zilda é um “quilombo urbano”, que acolhe negros, periféricos e pessoas da comunidade LGBTQIA+. De fato, o Bar da Zilda é um espaço que acolhe a diversidade e, sua proprietária, uma prova de que é possível professar a fé cristã sem cometer violências em nome de um Cristo que nunca pregou o extermínio das pessoas que não se enquadram em um determinado padrão. A homenagem a ela é mais do que merecida. Crônicas Visuais do Centro Fernanda Hott Também no Centro, no Espaço Thelema, acontece até 22 de junho, a exposição Crônicas Visuais do Centro, com obras em aquarela da artista independente Fernanda Hott. As obras são inspiradas por cenas do cotidiano do Centro de Vitória. A artista revela sua paixão pelo lugar ao retratar o patrimônio histórico, a vida comum, pessoas e momentos de celebração que exaltam a vida, a diversidade, a alegria e a simplicidade de viver no bairro. Cerâmica pela Vida I Redes Sociais O Projeto Cerâmica pela Vida terá quatro edições especiais em prol das vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul. Os leilões das cerâmicas acontecerão nos dias 10 e 11, 17 e 18, 24 e 25 de maio e 31 de maio e 1º de junho. Os lances começam a ser dados sempre em uma sexta-feira e terminam no sábado, no Instagram do projeto. Todo o dinheiro arrecadado será destinado para a Conferência dos Frades Menores do Brasil e Cone Sul, que realiza ações de assistência às vítimas. Cerâmica pela Vida II Até o momento, são 50 peças por leilão, doadas por ceramistas de todo o Brasil. No entanto, o número pode aumentar, pois a organização ainda está aberta a novas doações. Os interessados em doar podem mandar mensagem via WhatsApp para (27) 99945-5128. O Cerâmica pela Vida foi criado em 2021, por um grupo de ceramistas para arrecadar fundos para a campanha Paz e Pão, da Arquidiocese de Vitória, que se destina a doar cestas básicas para famílias em situação de vulnerabilidade social. Primeiro romance Divulgação A escritora Carla Guerson deu início à pré-venda de seu primeiro romance, intitulado Todo Mundo Tem Mãe, Catarina. O livro está à venda com 20% de desconto no site da editora Reformatório. A obra traz a história de Catarina, adolescente criada pela avó que convive com a falta desde cedo: de mãe, pai e história. Em meio às descobertas, temas como prostituição, religião, sexualidade e identidade perpassam a sua conturbada transição da infância para a vida adulta. Mais pré-venda O escrito Vander Costa também faz a pré-venda de seu novo livro, Cabritagens, Desassombros e Algumas Ternuras, de crônicas, que será lançado pela editora Cândida. A obra pode ser adquirida por R$ 50,00 pela Chave Pix 06954246700. O comprovante deve ser enviado para (27) 99233-6666. O lançamento está marcado para o dia 13 de junho, às 19h, no Triplex Vermelho, Centro de Vitória. Raiar da Liberdade Luan Volpato Desde a abolição da escravidão, em 1888, é realizado em Cachoeiro do Itapemirim, sul do Estado, o Raiar da Liberdade. Com diversas atrações culturais, a festa acontece em diferentes pontos da cidade. No bairro Zumbi, o evento acontece nesta segunda-feira (13), no Centro Espírita São Jorge, comandado pela mestra Terezinha de Jesus de Oliveira Francisco, e no Centro Espírita Menino Jesus e Nossa Senhora Aparecida, sob o comando de Niecina Ferreira de Paula Silva, mais conhecida como dona Izolina, também mestra do Caxambu da Velha Rita. Ambos têm início às 18 horas. Raiar da Liberdade II Em 18 de maio, a festa acontece no Quilombo Monte Alegre, distrito de Pacotuba, a partir das 17 horas. Na comunidade quilombola, a programação contará com missa, roda de conversa, a tradicional distribuição de feijoada e grupos da cultura popular, como os de bate-flecha, folia de reis e caxambu. No dia 25 de maio, o Raiar da Liberdade será realizado na comunidade de Vargem Alegre, distrito de São Vicente, a partir das 16 horas, também com mesa de debate, missa afro-brasileira, apresentações dos grupos e feijoada comunitária.