A menos de cinco dias para a Convenção estadual do PMDB, que acontece neste domingo (30), a classe política continua vivendo um momento de incerteza e expectativa em torno da candidatura de Paulo Hartung ao governo do Estado. Desde que colocou o nome à disposição da sigla, na primeira quinzena de abril, o ex-governador não falou mais do assunto, aumentando a indefinição sobre sua participação no pleito. Diante da incerteza, a maioria dos partidos seguiu sua movimentação normal, mas com a proximidade do início do período eleitoral, as lideranças qurem saber como será a configuração do cenário de disputa. Embora dê todos os sinais de que sua candidatura será confirmada, a indefinição do palanque persiste, fazendo com que muitas lideranças duvidem que Hartung submeta seu nome para ser apreciado pelos convencionais. A primeira dificuldade está em vencer a resistência de parte do partido à candidatura própria. As declarações do senador Ricardo Ferraço e do ex-senador Gerson Camata de contrariedade à candidatura própria deu fôlego dentro do partido ao grupo descontente com a candidatura de Hartung. A maioria no partido defende a permanência no palanque de Renato Casagrande, visando as composições proporcionais. Hartung hoje dependeria da influência da deputada federal Rose de Freitas, pré-candidata ao Senado, para conseguir a aprovação do partido para a disputa. Outro fator que traz incerteza é a movimentação em relação à vaga ao Senado. Rose é a candidata do partido ao Senado, mas as movimentações em direção ao PSDB podem levar a uma discussão da composição do palanque. Por enquanto, a costura contempla o ninho tucano com a vaga de vice para o deputado federal César Colnago, mas o PSDB tem um nome colocado ao Senado, o do ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas. A dificuldade da disputa também aumenta as especulações sobre a entrada de Hartung no pleito. O cenário aponta para uma eleição acirrada contra o governador Renato Casagrande, que tem um palanque reforçado por 15 partidos e trabalha na atração do senador Magno Malta (PR) para seu palanque. Desafeto de Hartung, Malta é um obstáculo que o ex-governador vem evitando enfrentar. A declaração do presidente do PMDB, deputado federal Lelo Coimbra, de que o fim do prazo das convenções não encerra as discussões e que poderá haver mudanças até o dia 5 de julho, quando acontece o registro das candidaturas no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), contribuíram para aumentar o clima de instabilidade no cenário. Hartung vem dizendo a interlocutores que só vai se pronunciar sobre o pleito na convenção, por isso, a expectativa é de que ele acabe com o mistério neste domingo. Mas há ainda uma outra possibilidade, de o PMDB colocar um nome provisório para protelar a decisão, enquanto o cenário se torna mais claro para a disputa.
CNJ cria grupo de trabalho para fazer diagnóstico do recambiamento de presos no País
A definição de critérios específicos para a transferência interestadual de presos no Brasil passará a ser estudada por um Grupo de Trabalho (GT) criado especificamente para este fim. Por meio da Portaria nº 20, de 17 de junho 2014, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instituiu o GT para elaborar o diagnóstico e propor soluções para o recambiamento de presos no País. A criação do grupo foi deliberada na última reunião do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas (DMF/CNJ) com os Grupos de Monitoramento do Sistema Carcerário dos Estados (GMFs), ligados aos Tribunais de Justiça dos estados. Atualmente, não existe no Brasil política pública que possibilite ao apenado retornar ao seu estado de origem para o cumprimento da pena posta, caso ele seja preso e condenado longe do estado natural. “Hoje, vivemos em uma indefinição no que tange ao recambiamento interestadual de presos. É comum o impasse de quem vai custear esse transporte: o estado que vai enviar o preso ou o que vai recebê-lo; se há gastos a serem custeados também pela Justiça. Esse GT vai ter um trabalho fundamental na definição do que compete a cada poder para se chegar a um mecanismo objetivo e transparente do transporte dos apenados”, esclarece o conselheiro Guilherme Calmon, supervisor do DMF/CNJ. A previsão é de que a conclusão dos trabalhos do GT seja apresentada aos GMFs e ao DMF/CNJ até o final deste ano. Depois de aprovadas nesse fórum, as soluções propostas pelo Grupo serão encaminhadas ao Departamento Penitenciário Nacional do Ministério da Justiça (Depen/MJ), responsável pela normatização do sistema carcerário em todo o Brasil. “Na reunião com os GMFs na qual deliberamos pela necessidade de criação deste GT, também conversamos com o coordenador-geral do Depen [Renato Campos de Vitto] e ele se mostrou muito receptivo à implantação das soluções a serem apontadas pelo GT”, esclarece o supervisor do DMF.
Comunidades tradicionais litorâneas correm o risco de desaparecer
No próximo sábado (28), Fórum das Comunidades Tradicionais de Angra, Paraty e Ubatuba lançará a campanha “Preservar é resistir- Em defesa dos territórios tradicionais”. De acordo com o Fórum, comunidades indígenas, quilombolas e caiçaras que vivem no litoral entre os estados do Rio de Janeiro e São Paulo correm o risco de desaparecer, sobretudo porque têm seus territórios afetados pela grilagem de terras na Serra do Mar, pelo turismo de escala e ainda sofrem com a falta de políticas públicas, como educação e infraestrutura. Um dos principais problemas apontados na região é a sobreposição de unidades de conservação às comunidades, o que impede que práticas tradicionais, como a construção de casas de barro, e atividades agroecológicas sejam desenvolvidas nesses territórios. Como solução para o entrave, os moradores e especialistas apontam a recategorização das unidades para parque estadual ou reserva extrativista, modalidade criada pelo ambientalista Chico Mendes. Além disso, os indígenas têm seus territórios tradicionais ameaçados pela especulação imobiliária, para a abertura de novas áreas para condomínios e pousadas. Com isso, muitas dessas propriedades particulares, que são transformadas em condomínios de luxo, impõem restrições a caiçaras, que perdem o acesso ao mar. No Espírito Santo, apesar de a ameaça aos territórios tradicionais não partir do conflito dessas com a existência das unidades de conservação ou com a especulação imobiliária para o turismo, comunidades de pescadores, quilombolas e indígenas sofrem ameaças dentro de seus próprios territórios. Em novembro de 2013, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou, dentre duas ações civis públicas para agilizar o processo de regularização de territórios quilombolas no Espírito Santo, uma sobre um processo de grilagem de terras públicas que envolve a Aracruz Celulose. O MPF quer a declaração de nulidade dos títulos de domínio de terras devolutas dados pelo Estado à Aracruz e a legitimação das terras em favor dos quilombolas, conforme o previsto em lei. No Sapê do Norte, região do extremo norte capixaba, as famílias quilombolas enfrentam fome e miséria, sem possibilidades de produzir alimentos para subsistência e sequer manter sua cultura tradicional. O uso intenso de agrotóxicos e a cerca formada pelos eucaliptais às comunidades provocam impactos sociais, ambientais e na saúde dos quilombolas. A empresa também ocupa terras indígenas no município de Aracruz. Junto com a Aracruz Celulose, a Suzano responde pelo modelo de desenvolvimento representado pelas monoculturas de eucalipto no Estado. Nos municípios do extremo norte do Estado, a empresa repete os impactos sociais e ambientais já conhecidos das comunidades tradicionais da região e já praticados pela empresa do mesmo ramo, que invade e incapacita os mesmos territórios. As comunidades pesqueiras do Espírito Santo também têm seus territórios tradicionais usurpados por novos empreendimentos portuários com instalação planejada para locais pacatos e detentores de grande biodiversidade, uma característica crucial para a qualidade do pescado recolhido. O Itaoca Offshore, uma base de apoio a operações de petróleo e gás, que será instalada na praia de Itaoca, em Itapemirim, no litoral sul capixaba, inviabilizará completamente a existência de uma comunidade de pescadores que habita a praia da Gamboa. Empecilho semelhante acometeu às comunidades tradicionais com a construção do Estaleiro Jurong de Aracruz (EJA) em Barra do Riacho, no norte do Estado, que agora também enfrentam a chegada de outros dois portos, das empresas Manabi e Imetame. Com a instalação dos novos empreendimentos, a comunidade pesqueira de Barra do Riacho fica completamente impedida de realizar a pesca tradicional na região. No sul, no município de Anchieta, pescadores tradicionais também foram afetados com a chegada da mineradora Samarco, que tem entre suas acionistas a Vale. Além de provocar, com suas falsas promessas de emprego, o aumento para quase o dobro da população local em apenas 12 anos, a Samarco é acusada de despejar metais pesados, por mais de uma vez, na lagoa de Mãe-Bá; de capturar à exaustão a água do Rio Benevente para uso na escala produtiva e de ultrapassar os limites máximos permitidos de emissões atmosféricas. Além disso, os índios das aldeias Tupinikim do território tradicional demarcado no município de Aracruz convivem há mais de 30 anos com os trens de minério da Vale sem que esta lhes oferecesse qualquer tipo de compensação. Em maio deste ano, a indenização às aldeias foi acordada no valor de R$ 5 milhões, para que os índios possam empregar melhorias às famílias das aldeias Córrego do Ouro e Comboios. Cabe lembrar que o valor é muito menor do que o valor inicial requerido pelos índios e necessário para atender a toda a comunidade, que era de R$ 19 milhões. Em todo o país, comunidades tradicionais também são largamente afetadas pela mineração. Durante a elaboração do novo Código de Mineração (Projetos de Lei 37/11 e 5.807/13), inclusive, as comunidades afetadas não foram ouvidas, somente as empresas beneficiadas, entre as quais estão a Vale e a Aracruz Celulose. Movimentos sociais apontam a necessidade de se estabelecer um zoneamento mineral para que tal atividade não aconteça em corredores ecológicos, mananciais e territórios de populações tradicionais; o licenciamento ambiental deve ser antecipado para antes do processo de licitação das lavras; e ampliado o conceito de ???impactados pela atividade mineral???. Segundo a Coordenação Nacional das Comunidades Quilombolas (Conaq), empresas mineradoras já apresentaram pedidos de concessão de lavra sobre 98% das atuais terras quilombolas. Comunidades tradicionais que disputam espaço em todo o Brasil com territórios de mineração são contra o atual modelo de desenvolvimento que, além de gerar escravidão, ocupa abusivamente e com permissão do governo territórios antes já ocupados por populações tradicionais. A situação de algumas terras no país, e do afrontamento às populações de índios, quilombolas e camponeses devido ao avanço da mineração são descritas como um ???colapso???.
Mais de 83 mil pessoas já foram atendidas por profissionais do Mais Médicos no Estado
O secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Hêider Pinto, apresentou na manhã desta terça-feira, em Vitória, o impacto do programa federal Mais Médicos no no Estado. Os números foram apresentados durante o seminário Mais Médicos para o Brasil, Mais Saúde para os Brasileiros que reuniu prefeitos e secretários de saúde do Estado. Um levantamento feito pelo Ministério da Saúde em cidades capixabas que participam do programa aponta crescimento de 48% nas consultas por demanda agendada realizadas nas unidades básicas de saúde. Em janeiro de 2014, foram contabilizadas 41.577 consultas nessas localidades contra 28.090 no mesmo período do ano anterior, quando a população ainda não contava com o reforço desses profissionais. Além do atendimento agendado, também foi observado aumento de 27,9% no número de consultas de cuidados continuados realizadas nas unidades básicas de saúde no Estado, saindo de 15.822 em janeiro de 2013 para 20.230 em janeiro de 2014. Desde o início do programa, mais de 83 mil pessoas já foram atendidas por médicos do programa. Um exemplo é o da aposentada Vera Lucia Machado da Silva, que frequenta a unidade de saúde do bairro Ilha do Príncipe, em Vitória. Além de ser hipertensa, a aposentada desenvolveu problemas respiratórios que levaram à asma. Para pegar os remédios para asma e para pressão alta, aposentada está sempre na unidade e é conhecida por toda a equipe. Ela considera que é bem tratada pela médica e recebe visitas com frequência da agente de saúde que faz o acompanhamento do seu caso. Vera Lúcia é acompanhada pela médica Laysa Campagnaro e que faz parte da equipe da unidade Ilha do Príncipe desde fevereiro deste ano. “Gosto da área de medicina da família e me sinto realizada quando posso atuar na prevenção de doenças, fazer um atendimento continuado, conversar e estar perto do paciente”, explica Laysa. Ela atende, em média, 24 pacientes por dia em consultas agendadas. A médica conta que a experiência tem sido importante para seu aprendizado. “Aqui você tem passagem por todas as doenças e não está preso a somente a uma especialidade. Isso é muito enriquecedor para o profissional”, conta. Ela diz, ainda, que gosta muito de fazer as visitas às famílias na região e que elas são tão importantes quanto os atendimentos no consultório para cuidar da saúde das pessoas. Com informações do Ministério da Saúde
CNJ garante acesso a espelho de avaliação da prova no concurso de cartórios do ES
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), na sessão da última semana, julgou procedente o Procedimento de Controle Administrativo (0001193-71.2014.2.00.0200) que, liminarmente, já havia garantido aos candidatos o acesso ao espelho definitivo de avaliação da prova escrita e prática do concurso para cartórios no Estado. O órgão também confirmou a reabertura do prazo recursal após a vista do referido espelho. Há suspeita é que diversos candidatos do concurso foram eliminados antes mesmo da correção das provas escritas. Os candidatos supõem que as provas escrita e prática receberam marcas identificadoras. Diante da suspeita, alguns candidatos que apresentaram recurso da decisão tiveram a prova corrigida posteriormente, mas não tiveram acesso ao espelho definitivo com informações sobre a nota que lhes foi atribuída. Da mesma forma, não tiveram oportunidade de apresentar recurso contra a pontuação. Ao analisar o PCA, da relatoria do conselheiro Saulo Casali Bahia, o Plenário do CNJ entendeu que a motivação dos atos é indispensável para a efetivação do direito à ampla defesa e que impossibilitar a oportunidade de recurso a esses candidatos ofenderia o princípio da isonomia. “A fase recursal tem por escopo a reanálise material dos quesitos avaliados e restringi-la apenas àqueles candidatos não eliminados sumariamente por supostas identificações é ir de encontro com princípios regentes do concurso público. Na hipótese dos autos, seria o primeiro recurso do requerente contra a nota que lhe foi atribuída”, afirmou o conselheiro em seu voto, que foi acompanhado de forma unânime pelos demais membros do Conselho.
Não colou
Desta vez o tradicional banho-maria de Paulo Hartung na classe política não paralisou o processo como ele fez em várias ocasiões em períodos eleitorais passados, o ex-governador Paulo Hartung tentou adotar a tática de “cozinhar” a classe política em banho-maria, no sentido de adiar sua decisão sobre o pleito, enquanto desidrata os adversários, limpando assim o campo de disputa. Algumas coisas que Hartung esperava não aconteceram. As manifestações de junho de 2013, não se repetiram agora em 2014, assim o desgaste de Casagrande, que no ano passado teve uma queda de 20% na popularidade por causa dos protestos. Se isso acontecesse neste período eleitoral, Casagrande estaria em plena queda a esta altura. Mas mantém a divisão do eleitorado com ele, deixando a eleição um jogo de risco. Além disso, não houve o desembarque de lideranças do palanque de Casagrande como Hartung esperava que acontecesse com a disponibilização de seu nome na disputa. Na verdade, quem está colocado ao lado de Hartung é César Colnago, que não expressa hoje o desejo do PSDB. Além dele, está o DEM, que vem a reboque do PSDB. O PDT esteve próximo de seu palanque, mas escorregou. Devido à determinação da nacional de acompanhar o PT nos Estados. E por falar em PT, esse quem não quis foi Hartung. Quer dizer, há quem acredite que há uma movimentação conjunta para uma composição em um segundo turno. Mas para que isso aconteça será preciso a consolidação da candidatura de Paulo Hartung. Enquanto ele apenas articulava a disputa, sem se colocar como pretenso candidato ao governo. A partir do momento em que levou a disputa a cabo como candidato, passou a complicar seu próprio caminho. Todas essas movimentações mostram uma realidade que fica cada vez mais clara. Sem a caneta, Hartung não consegue manter a classe política na rédea curta em que ele mantinha. Fora deste sistema, boa parte da classe política não quer voltar a lidar com a mesma pressão. Fragmentos: 1 – O PSB reúne os candidatos na noite desta terça-feira (24) para acertar os detalhes antes da convenção do partido, neste sábado (28), no Centro de Convenções de Vitória. 2 – A Barra do Jucu mostrou união de seus moradores no enterro de Dona Darcy, grande dama do congo da região. Os deputados estaduais Hércules Silveira (PMDB) e Cláudio Vereza (PT) fizeram homenagens a ela no início da sessão da Assembleia. 3 – A disputa pela vice de Paulo Hartung (PMDB) estaria entre César Colnago (PSDB) e Theodorico Ferraço (DEM). Mas, se nem a candidatura está certa, que dirá a vice.
Audiência pública debate a privatização da saúde pública em Colatina
A prefeitura de Colatina, no noroeste do Estado, realiza na noite desta terça-feira (24) uma audiência pública na Câmara de Vereadores do município para debater a gestão privada do Programa Saúde da Família (PSF) no município. Além dos moradores, foram convidados aqueles diretamente afetados pelo como ex-funcionários da Associação de Amigos e Pais de Excepcionais (Apae); conselheiros do Conselho Municipal de Saúde; usuários do serviço; e servidores municipais preocupados com a precarização das condições de trabalho. A Controladoria Geral da União (CGU) irregularidades no PSF, entre elas a contratação formal de agentes de saúde que prestavam serviços ao município pela Apae. Depois disso, a prefeitura contratou uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) – a Organização para o Desenvolvimento Social e Cidadania (Ordesc) – para gerenciar o Programa Saúde da Família em Colatina. Durante a audiência pública, será apresentado e discutido com a população quais os pontos contras e a favor da gestão privada de um programa do governo federal. Segundo o procurador da República no município, Jorge Munhós de Souza, “será um bom momento para a população tirar dúvidas e se informar de forma transparente sobre o assunto”. Em 2011, o MPF-ES firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) na tentativa de sanar a irregularidade constatada pela CGU, por conta da contratação dos funcionários da Apae. Para resolver o problema, o TAC previa que o município deveria constituir uma fundação intermunicipal para a execução do PSF. No entanto, a prefeitura considerou a iniciativa inviável financeiramente e buscou caminhos alternativos, como a utilização de uma Oscip. Assim, celebrou o termo de parceria com a Ordesc, em 2013. Apesar de não haver empecilho para a negociação, os próprios conselheiros municipais sentiram a necessidade de dar mais transparência à condução do processo. Por isso, o MPF-ES recomendou à prefeitura que realizasse um evento público, com ampla publicidade, para que fossem explicadas aos interessados as razões que levaram o município a optar por uma Oscip, em vez de contratar uma fundação intermunicipal. O MPF-ES reforçou que, embora não seja ilegal a gestão por Oscip, o Tribunal de Contas da União (TCU) defende que, ao optar por terceirizar a execução e o gerenciamento do programa, a instituição deve demonstrar concretamente que se trata da melhor opção de gestão.
Magno Malta tem dois caminhos: Casagrande ou palanque próprio
Depois do PR nacional recusar a candidatura do senador Magno Malta à Presidência da República, o foco das movimentações no Estado se voltam para o republicano, que tem dois caminhos a seguir a partir de agora: ou aposta na candidatura própria ou compõe com o palanque do governador Renato Casagrande. Como o senador vinha colocando nos meios políticos que se não conseguisse a legenda nacionalmente, disputaria o governo do Estado, a expectativa do mercado capixaba era exatamente essa. Mas os movimentos de Malta não apontam para este caminho. No domingo (22), ele conversou com o governador Casagrande, mas a decisão do republicano deve sair até domingo (29), quando acontece a convenção do partido, em Vila Velha. Para os demais atores políticos do processo eleitoral, a intenção é evitar o palanque de Malta ao governo, já que ele divide os votos e tem postura de oposição. Malta é desafeto político do ex-governador Paulo Hartung e saiu da convenção nacional do PR, disparando contra o PT, por isso, a tendência é que ele não se alinhe no Estado com nenhuma dessas vertentes. Restaria, neste caso, o palanque do governador Renato Casagrande, mas tudo dependeria da articulação envolvendo a vaga ao Senado. O PR tem como principal aposta para este ano a candidatura do delegado Fabiano Contarato ao Senado. Para se aproximar do palanque de Casagrande, o partido precisa conquistar o espaço que continua reservado ao PSDB. Os tucanos tentam consolidar a costura com o PSB, garantindo a vaga para o ex-prefeito de Vitória, Luiz Paulo Vellozo Lucas. Há quem aposte ainda na espera de Casagrande pela decisão do ex-governador Paulo Hartung, acreditando em uma desistência do peemedebista na última hora.
TJES mantém prisão de advogado acusado de estupro e abuso de menores
O desembargador Adalto Dias Tristão negou habeas corpus para converter a prisão preventiva do advogado Abner Simões de Oliveira em prisão domiciliar. O advogado é acusado de estuprar e abusar duas adolescentes. Os crimes aconteciam na casa do suposto agressor, num condomínio de classe média no bairro Itapoá, em Vila Velha. De acordo com a polícia, Oliveira, de 76 anos, abusava de diversas crianças que moram no condomínio. Os crimes mais graves teriam sido cometidos contra duas irmãs, de 12 e 17 anos. Segundo o advogado que investiga o caso, Danilo Bahiense, da Superintendência de Polícia Prisional (SPP), elas seriam as duas principais vítimas do advogado. A mais velha teria sido estuprada sistematicamente pelo advogado, e a mais nova sofrido abusos sexuais. A manutenção da prisão, confirmada na última sexta (20), mantém o advogado no Quartel da Polícia Militar (QCG). O pedido de habeas corpus, impetrado pela Comissão de Direitos e Prerrogativas da OAB-ES, exigia a prisão domiciliar, alegando que o Estado não possui sala de Estado Maior, a qual o advogado teria direito. O desembargador, porém, alegou que na falta da sala de Estado Maior, a cela especial não fere a prerrogativa prevista pelo estatuto da Ordem. “Ora, é direito do advogado ser recolhido preso, antes do trânsito em julgado da sentença, em sala especial do Estado Maior. Basta que se trate de acomodações com as condições mínimas de habitabilidade. In casu, o paciente se encontra recolhido no Presídio do Quartel da Polícia Militar, gozando de todos os privilégios e comodidades de que necessita, tratando-se de uma das melhores dependências do estabelecimento”. Entenda o caso Os crimes de abuso cometidos pelo advogado foram denunciados à polícia por moradores do condomínio. O caso é investigado há mais de um ano pelo delegado Danilo Bahiense. Segundo as denúncias, o advogado levava adolescentes para seu apartamento onde cometia abusos sexuais em troca de dinheiro e presentes. Os moradores também acusavam o advogado de andar pelado pela varanda do apartamento. O caso chegou a ser encaminhado por Bahiense para a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (Dpca). Mas, segundo o delegado, os moradores fizeram novas deníncias este ano, que o motivaram a retomar as investigações. Ainda. segundo a polícia, Oliveira abusou de vários jovens do condomínio, mas só teria estuprado uma adolescente de 17 anos. Inclusive a polícia suspeita que a mãe da adolescente tinha connhecimento que o advogado mantinha relações sexuais com sua filha. A outra filha dela, de apenas 12 anos, também sofria abusos do advogado. Oliveira teria conhecida a mãe e as meninas numa praia de Vila Velha. Como a família é pobre e enfrentava dificuldades financeiras, o advogado teria se protificado a ajudá-las, oferecendo emprego de diarista para a mãe. A partir dessa relação de trabalho ele teria se aproximado das filhas. Em troca dos abusos sexuais e dava presentes e dinheiro às meninas. De acordo com a polícia, ele também mantinha relações com a mãe das meninas.
Sete obras literárias inéditas lançam novo olhar sobre a história cultural do povo capixaba
A diversidade cultural do Espírito Santo se deve a grande quantidade de etnias que integram sua população. Índios, africanos, italianos, alemães são alguns dos povos que contribuíram para as mais diferentes manifestações culturais e religiosas que fazem parte da história capixaba. Algumas dessas imigrações, manifestações e viagens de estrangeiros em solo espírito santense são retratadas em sete novos livros que irão agregar novas informações e registros a história do estado. O lançamento é uma parceria entre o governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), e o Arquivo Público do Estado do Espírito Santo (APEES). As sete obras trazem novos olhares para a História do Espírito Santo e serão distribuídas para o público em um evento nesta quarta-feira (25), às 19h, no Palácio Anchieta. Nessa coleção está o livro Italianos: base de dados da imigração italiana no Espírito Santo nos séculos XIX e XX elaborado pelos servidores do Arquivo Público Cilmar Franceschetto e Agostino Lazzaro. Cilmar conta que a busca começou em 1995, quando entrou no Arquivo Público, “nessa época havia uma demanda muito grande por parte dos descendentes italianos para saber quem foram seus antepassados e assim conseguirem a dupla cidadania”, conta. Porém, as informações eram de difícil acesso e poucos conseguiam localizá-las. Devido a essa dificuldade, os dois começaram uma pesquisa nas fontes documentais do APEES e de outras instituições, como o Arquivo Nacional, além de informações obtidas junto aos documentos pessoais dos imigrantes, guardados pelos familiares. Com posse desses arquivos eles criaram um banco de dados informatizado para facilitar a busca. “Além de transcrevermos, nós também cruzamos esses dados, assim descobrimos o navio e a hospedaria onde ficaram uma mesma família”, explica Cilmar. O pesquisador afirma que o Espírito Santo é o primeiro estado brasileiro a ter esse registro mais preciso de imigração. O livro Italianos reúne dados de mais de 38 mil nomes de imigrantes que entraram no Estado nos séculos XIX e XX. Entre as listas estão intercaladas mais de 260 imagens, entre fotografias antigas e atuais, mapas e diversos gráficos e infográficos. Mais uma obra que trata dos costumes dos italianos é Fazenda do Centro: Imigração e Colonização Italiana no Sul do Espírito Santo. O livro de Sérgio Peres de Paula traz à cena histórias de fazendeiros, visitantes, escravos e posteriormente os imigrantes italianos, que ocuparam a Fazenda do Centro, em Castelo. O registro permite analisar o cotidiano local com suas interações, conflitos e características culturais. Outra obra que será lançado é o Viagem ao Espírito Santo, que conta a história da Princesa Teresa da Baviera, que em 1888 visitou o Espírito Santo e percorreu rios, florestas, vilarejos e manteve contato com os botocudos às margens do Rio Doce, deixando escritas as suas impressões. A obra foi organizada pelo historiador e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Julio Bentivoglio, com tradução de Sara Baldus. “Viagem ao Espírito Santo é a tradução de três capítulos do livro Uma Viagem aos trópicos brasileiros, de Levy Rocha, que reúne todas as anotações da princesa que passou por vários estados do Brasil”, explica Julio, que também conta que poucas províncias receberam tantos capítulos como as terras capixabas. “O diferencial dessa obra é que a Teresa da Baviera era uma naturalista autodidata, porque na época as mulheres não podiam estudar, então suas impressões tem uma preocupação maior com a biologia e a geografia do que com os aspectos culturais da sociedade da época”, diz Julio. O pesquisador continua traduzindo o livro de Levy Rocha, os próximos capítulos a serem lançados serão sobre Minas Gerais e São Paulo. “É uma obra importantíssima para os brasileiros e merecia uma publicação integral”, afirma. Já o livro Corpus Christi em Castelo-ES: manifestação da fé e da expressão artística tem o propósito de registrar a origem da Festa de Corpus Christi, que acontece na cidade de Castelo, município do sul do Espírito Santo. A autora Joelma Cellin pesquisou nos arquivos da Paróquia Nossa Senhora da Penha e também entrevistou as pessoas que confeccionaram o primeiro tapete em 1963. Joelma conta que seu estudo partiu da necessidade de ter um registro impresso para a memória da festa. “Sou castelense e desde pequena participo da festa e admiro os artistas que fazem os tapetes. A maioria das pessoas que fazem esses tapetes não tem nenhuma formação artística e o resultado final é lindíssimo. O trabalho coletivo e a fé são muito fortes”, diz Joelma. Para ela, o momento mais emocionante foi quando pode entrevistar a Irmã Vicencia, que faleceu recentemente e confeccionou o primeiro tapete. “Ela nunca imaginou que o seu pequeno tapete fosse tomar a proporção que tem hoje”. Outro livro que integra essa série é Tropas e Tropeiros: O transporte a lombo de burros em Conceição do Castelo que resgata a época de homens corajosos e de animais resistentes que desbravaram os vales e montanhas do Sul Capixaba. Para finalizar a lista, as obras Viagem pelas Colônias Alemãs do Espírito Santo e Nossa vida no Brasil: Imigração norte-americana no Espírito Santo 1867 – 1870. O primeiro configura um relato sobre a cultura das comunidades germânicas localizadas no Espírito Santo no princípio do século XX. E o segundo traz as observações de Julia Louisa Keyes sobre o período em que sua família esteve no Espírito Santo e no Rio de Janeiro logo após a Guerra Civil norte-americana e tornou-se uma das principais referências para pesquisas sobre o município de Linhares, no final da década de 1860. À exceção de Corpus Christi em Castelo – Espírito Santo: manifestação da fé e da expressão artística, os livros citados fazem parte da Coleção Canaã do Arquivo Público do Estado do Espírito Santo. Serviço As sete obras sobre a história do Espírito Santo serão distribuídas gratuitamente ao público nesta quarta-feira (25), às 19h, no Palácio Anchieta.