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Candidatura própria do PT garante acordo entre Coser e Hartung

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A Executiva do PT deve definir na noite desta segunda-feira (16) a candidatura própria do partido ao governo do Estado. O partido discute os nomes da deputada federal Iriny Lopes e o do deputado estadual Roberto Carlos. Nos bastidores, porém, a discussão já é tida como encerrada.    Para que a articulação funcione, o partido deve abonar a candidatura do deputado Roberto Carlos, ligado ao ex-prefeito de Vitória e presidente estadual do partido João Coser, que, por sua vez, atende à estratégia do grupo do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) na disputa.   A definição do papel do PT teria saído de um encontro das lideranças do partido com o ex-governador na semana passada. O palanque do PT atende a uma estratégia de movimentações de enfrentamento ao palanque palaciano. Roberto Carlos vai para a disputa defendendo a bandeira da educação, e pelo seu perfil a classe política acredita que ele não oferecerá qualquer enfrentamento ao PMDB na disputa.    O partido aposta que o PT conquiste pelo menos 15% dos votos. Essa divisão dos votos levaria a disputa para o segundo turno no Estado, tendo Casagrande e Hartung em uma nova disputa. Nesta nova fase, o PT, atendendo à movimentação nacional poderia se unir ao palanque peemedebista na disputa.  Como o segundo turno é uma nova disputa, que começa do zero, o apoio do PT ao PMDB estabelece uma nova relação de forças na nova etapa.   A candidatura do PT fortalece o palanque de Hartung, sem ameaçá-lo. Também garante a movimentação do ex-prefeito de Vitória na disputa ao Senado. Nos meios políticos a leitura que se faz é que próximo do palanque de Hartung, Coser terá o apoio informal do ex-governador, enquanto a candidata do PMDB, a deputada federal Rose de Freitas terá que construir sozinha seu palanque ao Senado.    Para dentro do PT, Coser justifica a manutenção de sua candidatura ao Senado, afirmando que tem mais densidade para esse pleito, atendendo o interesse da nacional em eleger uma base forte para no Senado no segundo mandato de Dilma Rousseff, caso ela vença. 

16/06/2014 / 0 Comments
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Liminar impede construção de centro de eventos em terreno da Prefeitura de São Mateus

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Uma liminar da Justiça impede que a Associação Luterana Beneficente de Vila Valério dê prosseguimento às obras de um centro de eventos em um terreno de 2,5 mil metros quadrados doado pela Prefeitura de São Mateus.    A área pública está localizada no balneário de Guriri, em um loteamento denominado Jardim Caiçara. No local, de acordo a Promotoria de São Mateus, a entidade religiosa já ergueu parte da construção, inclusive sem o alvará da prefeitura.   O Ministério Público Estadual (MPES) tomou conhecimento dos fatos por meio de denúncia. Os promotores confirmaram as irregularidades na concessão de direito real de uso do terreno público do município. A representação do MPES apontou que três leis municipais foram sancionadas com o objetivo de permitir a concessão do direito de uso gratuito do imóvel público para a entidade religiosa   Além disso, a partir de plantas arquitetônicas e declarações do presidente da Associação Luterana ficou constatado que a intenção da entidade religiosa era construir um centro de eventos na área pública, esquivando-se da finalidade do contrato celebrado.    Diante da manobra, o MPES sustentou a ocorrência de uma “privatização” do patrimônio público, já que não houve procedimento licitatório e a devida avaliação prevista em lei.   Além da medida liminar deferida pela Justiça, o MPES, como pedido principal, requereu a reversão da concessão do direito real de uso do imóvel ou a própria declaração de nulidade da concessão.

16/06/2014 / 0 Comments
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Secretaria de Saúde renova convenio para tratamento de câncer no Hospital Rio Doce

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O governo do Estado renovou o convênio com o Hospital Rio Doce, em Linhares, na região norte, que vai possibilitar a continuidade do tratamento de câncer de pacientes da região. O convênio prevê repasse anual de R$ 4,5 milhões para custear sessões de quimioterapia, consultas, exames e procedimentos.    A descentralização do atendimento oncológico pode evitar que pacientes tenham de se deslocar em busca de tratamento, principalmente durante o difícil período de quimioterapia, que costuma debilitar o paciente.    Com o repasse, o Hospital Rio Doce, que é filantrópico, terá capacidade para ofertar, por ano, até 12,6 mil consultas ambulatoriais, 3 mil sessões de quimioterapia, além de centenas de exames para diagnóstico, como coleta de material para biópsia e endoscopia digestiva alta e baixa. Serão realizadas também pequenas cirurgias de pele e do aparelho circulatório.   O serviço de oncologia dispõe ainda de 15 leitos mantidos com recursos repassados pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) por meio de outro convênio, mais abrangente, que prevê o custeio de 39 acomodações no valor de R$ 3 milhões anuais. Os demais 24 leitos são usados para internações advindas de outros procedimentos de média e alta complexidade.   Deslocamento   Diariamente, dezenas de veículos – incluindo carros de passeio, vans e ônibus – chegam à Grande Vitória, vindos do interior do Estado, com pacientes em busca de atendimento especializado em hospitais e clínicas.    Este deslocamento, além de ser extremamente desgastante para o paciente, representa risco de acidentes de trânsito, como já aconteceu em diversas ocasiões, principalmente na BR-101.    As especialidades procuradas pelos pacientes do interior são as mais diversas. Desde uma simples consulta com pediatra até quimioterapia, a gama de tratamentos procurados é extensa e os hospitais e clínicas que absorvem os pacientes estão espalhadas por toda a Grande Vitória.

16/06/2014 / 0 Comments
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Agronegócio e mineração agravam processo de desertificação no Estado

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O processo de desertificação não é uma novidade no Espírito Santo, mas a situação vem se agravando, à medida que o agronegócio e a mineração avançam. A afirmação é do coordenador estadual do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Valmir Noventa. A situação é especialmente alarmante nas regiões do norte e extremo norte capixaba, onde a monocultura intensiva do eucalipto é responsável pela desnutrição e secura do solo; e na região sul, onde a mineração é responsável pela degradação do solo e dos recursos hídricos.   A desertificação é um processo destrutivo causado pela intensa exploração e exaustão dos recursos naturais (como a água, o solo e a vegetação), tornando insustentável a vida nas regiões impactadas. Em virtude da escassez de recursos necessários à vida, esse processo de devastação provoca, também, uma intensa migração dos povos atingidos pela desertificação em direção a locais habitáveis.   Como lembra Valmir, o modelo de agricultura desenvolvido no Estado é baseado na destruição da natureza, dos recursos naturais e do solo, devido ao grande uso de água para a irrigação das grandes lavouras de monoculturas que, além disso, também fazem uso intenso de venenos agrícolas. A monocultura, por si só, ao fazer com que haja uma grande rotatividade da mesma espécie sempre sobre o mesmo território, provoca a exaustão do solo. Ainda segundo o militante, o meio ambiente se encontra em melhor estágio de preservação em lugares como a região serrana do Estado, onde muitas pequenas propriedades são geridas por camponeses e os plantios são realizados com variedade de mudas e sem o uso de químicos agrícolas como os agrotóxicos, do que em lugares onde o agronegócio predomina, como o norte capixaba, ocupado pelos extensos plantios de eucalipto da Aracruz Celulose (Fibria) e Suzano Papel e Celulose.   De acordo com Valmir, têm crescido entre os camponeses a consciência ambiental e a adesão ao modelo de produção agroecológico, que alia a produção de alimentos à preservação ambiental. Apesar disso, como lembra o camponês, as políticas públicas, sobretudo as do governo federal,  vão na contramão da preservação ambiental e do incentivo à agricultura camponesa, uma vez que ainda incentivam a ampliação da produção do agronegócio. Para que processos destrutivos como a desertificação sejam sanados, lembra, é preciso que atividades como a agroecologia sejam incentivadas no campo brasileiro.   O Dia Mundial de Combate à Desertificação é lembrado no dia 17 de junho, nesta terça-feira. A Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), assinada em Paris, na França, em 1944, e ratificada pelo Brasil, em 1997, aponta que a desertificação é a raiz de problemas políticos e socioeconômicos, como a pobreza, a segurança alimentar e as precárias condições de vida das populações mais vulneráveis, além de ser um fenômeno que compromete o equilíbrio ambiental do planeta.    No Estado, os impactos da desertificação foram alertados pelo cientista Augusto Ruschi (1915-1986), que já previa as consequências da derrubada da floresta do Rio Doce ao norte do Estado e a desertificação que acomete até hoje 22 municípios banhados pela bacia.   Em outubro de 2005, o Panorama sobre a Desertificação no Estado do Espírito Santo, do Ministério do Meio Ambiente (MMA), evidenciou a ocupação intensa do monocultivo de eucalipto nas regiões que sofrem o processo de desertificação ao norte do Estado. O documento apontou, ainda, como solução para o desmatamento desordenado, o impedimento de aquisição de terras por empresas que fazem o plantio intensivo de eucalipto.    Estudos de pesquisadores ligados à Associação dos Geógrafos do Brasil no Estado (AGB-ES) e à Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase) apontam que o consumo diário de água para produção de celulose é de 248 mil metros cúbicos, o suficiente para abastecer uma cidade de 2,5 milhões de habitantes, equivalente à população da Grande Vitória. 

16/06/2014 / 0 Comments
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Zine Foi à Feira pede contribuições para a 3ª edição

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O coletivo de criação autoral e artística Foi à Feira está produzindo a terceira edição do seu zine homônimo. A chamada de trabalhos já começou e vai até o dia 11 de julho. Baseado em Vitória, o coletivo conta com membros fixos no Brasil e na Argentina. Os colaboradores do projeto são artistas e ativistas culturais com intenção de produzir afetos e narrativas de forma colaborativa.   Desta vez, o tema central da publicação é Ventilador. Os colaboradores devem pensar em coisas, sentimentos, fatos, pessoas e qualquer coisa que tenha alguma conexão – concreta ou abstrata – com Ventilador e essa referência tem que estar presente no trabalho enviado.   O coletivo aceita os mais diversos tipos de trabalhos como poesia, ilustração, crônica, fotografia, conto, colagem, vídeo, gif, música, onomatopeia. Para participar, envie um email com a imagem ou texto para o foiafeira@gmail.com com o assunto “Colaboração Faf#3 – seu nome”.     Para trabalhos imagéticos: o zine será diagramado e impresso em  A5 (148 × 210 mm). Envie a  imagem em JPG com 300 DPI. Para trabalhos textuais: poesia, conto, crônica etc: caso o colaborador tenha uma ideia para escrever, mas ainda não conseguiu desenvolver, ele poderá mandar uma proposta dizendo o que pretende. Se os feirantes gostarem da ideia, podem dar dicas e direcionamentos para ajudar no desenvolvimento do texto. Não existe nem mínimo nem máximo de caracteres.   Os trabalhos enviados serão analisados pela curadoria do coletivo que irá selecionar os que melhor se encaixarem no projeto editorial do zine para a versão impressa. Também serão selecionados materiais para serem publicados no site do coletivo   O Zine   O fanzine Foi à Feira é uma publicação independente e experimental publicado pelo Foi à Feira. Nele são combinados diversos gêneros e focado na experimentação de linguagens gráficas, o zine é o compilado de produções colaborativas desenvolvidas nas Tábuas de Carne. As Tábuas são encontros livres de produção colaborativa abertos pelo coletivo.   Cada edição do Foi à Feira traz como tema um objeto diferente que pauta, subjetivamente, os trabalhos publicados. Inserido em um circuito de mídia paralelo, o fanzine busca disseminar e incentivar a produção dos jovens artistas capixabas.   No site do Foi à Feira encontra-se os trabalhos desenvolvidas pelo coletivo, projetos paralelos ao fanzine, um pouco da cena capixaba de produção gráfica e artística e a busca por novos sentidos na arte e na cidade.

16/06/2014 / 0 Comments
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Com choroe vela

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  É crucial o momento vivido pelo PT capixaba, levado a um isolamento político que não condiz com quem, até outro dia, era detentor de importantes e estratégicos campos eleitorais (fortes prefeituras). Caminha agora sozinho no processo eleitoral e ainda por cima rejeitado como companhia pelos dois principais pré-candidatos ao governo: o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) e o atual governador Renato Casagrande. Duro que isso ocorra com um partido que, até se meter com Hartung, caminhava para chegar ao cume do poder capixaba. Não conta sequer com um nome competitivo ao governo. E o que podia render algum lucro para os seus candidatos proporcionais, que é o ex-prefeito de Vitória João Coser, saltou fora da candidatura. Situação que pode também enterrar a candidatura presidencial de Dilma Rousseff no Espírito Santo.       Pulou Coser vai para a disputa ao Senado, que dá liga com adversários do seu próprio partido neste pleito. O que contribuirá em muito para o seu resultado negativo e uma temeridade para quem se arriscar a substituí-lo nas eleições para o governo do Estado.    Substituto Além do mais, a retirada do seu nome pega o partido despreparado para substituí-lo. Basta recordar que a convenção do PT indicou Coser para o governo, Senado e vice. Em matéria eleitoral, era ele, ele e ele. De acordo com o controle que exerce sobre o partido.    Depauperou Fora isso, o ex-prefeito foi responsável direto pelo atrelamento do partido a Hartung, tirando das ruas os seus líderes sindicais e do movimento popular, que sempre foram a luz do partido e o meio pelo qual se comunicava com a população. PH cresceu e o PT virou acessório político dele.     Sem referência Daí o motivo de o PT se encontrar sem condições competitivas na disputa pelo governo. Que significa deixar ao léu os seus candidatos à Assembleia e à Câmara dos Deputados.    Atrelamento Sem deixar de mencionar a influência que passou a ter dentro do partido Hartung. Introduzido pelo próprio Coser e com a contribuição do vice-presidente do partido José Carlos Nunes e do dirigente sindical Tarcísio Vargas. (Há poucos dias, antes de acertar a saída do Coser da candidatura ao governo, o PT, pelos seus caciques, foram ao escritório do ex-governador.)   Recurso Para cobrir a desistência do Coser, surgiram dois nomes, com duas visões diferentes de partido: a deputada federal Iriny Lopes e o deputado estadual Roberto Carlos.    Recurso II Iriny tem a cara ainda ideológica do partido, pálida por ora, enquanto Roberto Carlos, a exame do seu comportamento na Assembleia, é uma figura distante das lidas ideológica, mais chegado a relações políticas com campos políticos diversos.     Resultado Se for Roberto Carlos o candidato, não há risco de tiroteio, diferente da Iriny, que alvejará PH à vontade.     PENSAMENTO: “A inveja nunca vai ao baile vestida de inveja”. Martin Amis        

15/06/2014 / 0 Comments
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Reportagem especialDependência

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Texto: Henrique Alves Fotos: Leonardo Sá/Porã    Dados de 2001 da Secretaria Extraordinária de Ações Estratégicas (Seae) do governo estadual apontam que houve 51 homicídios na Região da Grande Terra Vermelha em 2011. Foi o maior índice encontrado entre 10 aglomerados da Região Metropolitana da Grande Vitória (abaixo vem Feu Rosa, São Pedro, Nova Rosa da Penha e Nova Betânia, para ficarmos nos cinco primeiros).   O levantamento está em um relatório de 2011 produzido pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) que traçou um diagnóstico de equipamentos públicos na região para subsidiar o Programa Estado Presente, do governo estadual. O aglomerado canela-verde apresentou nada menos que 2,8% dos homicídios registrados em todo o Espírito Santo no período pesquisado.    Outro estudo: o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do estudante de Geografia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Fernando Domingos Vieira Sartório, que se debruça sobre a evolução do “tecido urbano” da Grande Terra Vermelha desde a década de 70 até hoje.   O trabalho cita o censo imobiliário de 2011 do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Espírito Santo (Sinduscon) indicava que 49% dos lançamentos imobiliários da Grande Vitória – aqui, além da capital, Vila Velha, Serra e Cariacica – brotavam em solo canela-verde.    Mas, ao mesmo tempo, na mesma cidade que dá tantas alegrias ao poder imobiliário capixaba, o TCC descortina um panorama de extrema precariedade habitacional na Grande Terra Vermelha: a região ainda hoje apresenta um sem-número de problemas de regularização fundiária, com diversos lotes em disputas judiciais e loteamentos inteiros sob o risco de serem cancelados na justiça em função de irregularidades com a lei. Há ainda o contraste gritante promovido por suntuosos lançamentos imobiliários ao longo da Rodovia do Sol.    A Câmara Federal aprovou no último dia 4 o projeto de lei que regulamenta a criação de novos municípios. Como o texto recebeu alterações, ele voltará para votação no Senado. Segundo o projeto, nas regiões Sul e Sudeste, o município a ser vriado deverá contar com no mínimo 20 mil habitantes – caso da Região da Grande Terra Vermelha.   O nascimento de novos municípios – por criação, incorporação, fusão ou desmembramento – demandará a realização de Estudo de Viabilidade Municipal (EVM) e consulta por plebiscito dos moradores dos municípios. A assinatura de 20% dos eleitores locais é outra obrigação. Na Grande Terra Vermelha, houve recolhimento de assinaturas ano passado.   Professor do Departamento de Geografia da Ufes, orientador do trabalho de Fernando Domingos e autor de estudos sobre a região, Cláudio Zanotelli mostra pessimismo com o desmembramento da Grande Terra Vermelha. “Serão municípios invisíveis, sem condições de se manter, e com novas estruturas burocráticas”, analisa.    Ele evoca o tema da integração, até aqui mais virtual que real, da Região Metropolitana da Grande Vitória: para o professor, o correto seria criar dispositivos e instâncias para agregar a cidade e não um instrumento para segregá-la ainda mais. “Isso é mais oportunismo político de que está propondo do que propriamente algo coerente”, critica.   Embora haja na região uma certa infra-estrutura comercial, Zanotelli lembra que parte considerável dos habitantes da região trabalha em outros lugares. “Como a região vai se sustentar”, questiona. Eis a grande questão: como uma região com severos índices de violência e graves problemas de ocupação do solo vai se manter uma vez emancipado?    A história de Terra Vermelha é uma história conflituosa que envolve menos seus moradores do que um poder imobiliário predatório e um poder público, estadual e municipal, omisso. Ocorrida em maio, a recente e violenta história de reintegração de posse em uma área em Vista Linda é mais um indício do grave problema fundiário da região.   Os primeiros loteamentos aprovados pela prefeitura na região da Grande Terra Vermelha datam da década de 50, porém não em quantidade expressiva, o que só ia ocorrer na década de 70, ao fim da qual havia 17 loteamentos aprovados. Ainda assim não é registrada ocupação: este processo só vai se efetivar a partir do final dos anos 80.    Antes, porém, é preciso destacar a estruturação viária da parte sul de Vila Velha a partir na década anterior, com a finalização da construção da Avenida Carlos Lindemberg, Rodovia do Sol, Darly Santos e o início da edificação da Terceira Ponte. Como se sabe, infra-estrutura significa valorização do solo e a nova estrutura viária atraiu imobiliárias e estimulou a criação de loteamentos irregulares ou clandestinos em propriedades privadas.   Há ainda as frentes de ocupação promovidas por movimentos sociais, destacadamente nos anos 80, quando a falta de moradia, como nos mostra a história de São Pedro, em Vitória – ou Jaburuna e Santa Rita, em Vila Velha – era um dos grandes dramas da Grande Vitória.    Era a época dos grandes projetos industriais e de um certo discurso, ainda hoje enunciado, de empregos abundantes e progresso para todos. A região metropolitana absorvia trabalhadores do interior do estado e de estados vizinhos. Não havia moradia par todo mundo, razão pela qual manguezais e morros viraram a alternativa imediata para os sem-teto da época.   Aí nasce Terra Vermelha. O então governador Max Mauro recorre a uma área desapropriada (o Loteamento Brunella II) pela gestão anterior e promove o loteamento do bairro Terra Vermelha: a ideia era erguer 575 casas para famílias em situação de risco – habitando manguezais e encostas – espalhadas pela Grande Vitória, espacialmente famílias do bairro Dom João Batista, em Vila Velha.    Localizado em um manguezal, e na foz da bacia do Rio Aribiri, o bairro está mais que sujeito a inundações. Ainda assim, em meados dos anos 80, foi transformado em loteamento de interesse social e urbanizado.    As primeiras casas de Terra Vermelha são entregues em 1989; duas etapas seguintes completaram o processo, em 1990 e 1991. A escolha dos contemplados com novas habitações se deu com a intermediação dos movimentos sociais da região. A partir daí, a Grande Terra Vermelha conhece uma densificação, estimulada pela expectativa de que, agora,

15/06/2014 / 0 Comments
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PPS faz convenção na segunda com foco na proporcional

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Em meio às especulações sobre cobrança de espaço no palanque do governador Renato Casagrande na disputa majoritária, o PPS capixaba realiza na próxima segunda-feira (16) sua convenção para a eleição deste ano. O evento será no plenário da Câmara de Vitória e está previsto para ter início às 18h30.   A convenção será comandada pelo presidente estadual do PPS e o prefeito de Vitória, Luciano Rezende, que informou por meio do site do partido que a convenção será um momento para pôr em pauta vários assuntos, entre eles a escolha de candidatos que disputarão as eleições em 5 de outubro deste ano.   A expectativa, porém, é de que essa escolha fique restrita às candidaturas de deputado federal e estadual, que o partido vinha costurando desde o início do ano. O presidente da Câmara de Vitória, Fabrício Gandini, ao lado do prefeito de Cariacica, Geraldo Luzia, o Juninho, se movimentou esta semana para tentar levar o nome do deputado estadual Sandro Locutor para a vice de Casagrande, mas o movimento só tumultuou as articulações.    O PPS tem como principal meta conquistar vagas na Câmara dos Deputados e representação na Assembleia Legislativa. Neste sentido, a principal aposta do partido na disputa de deputado federal é o próprio Gandini. O partido, ao lado do SDD e PSD, busca acomodação no palanque de Casagrande para tentar viabilizar uma chapa competitiva.    Na Assembleia, além da reeleição de Sandro Locutor, o PPS aposta suas fichas também na candidatura do vice-prefeito de Vitória Waguinho Ito. A estratégia de Luciano Rezende é fortalecer o partido na disputa deste ano, se preparando para a candidatura à reeleição em 2016.   Para o evento está prevista uma palestra do advogado eleitoral Marcelo Nunes, que vai falar sobre as alterações da legislação deste ano, fazendo um apanhado de informações e dicas que vão desde a prestação de contas de campanha a registro de candidatura e propaganda eleitoral, entre outros assuntos.   Na pauta da convenção está sinalizado ainda: análise e discussão da conjuntura política, estadual e nacional; tomada de decisões e posicionamento; escolha de candidatos do partido; concessão de poderes à Comissão Executiva Regional para definição de coligações com demais partidos, bem como decisões e tomada de providências sobre todos os atos relativos ao processo eleitoral vindouro; eleição de delegado para a convenção nacional, e assuntos gerais.

15/06/2014 / 0 Comments
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Com escrita simples e ritmada, escritora lança livro de crônicas

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Natasha Siviero é uma escritora de miudezas, de pequenices, ou melhor, de banalidades. É dessa forma que ela mesma se identifica em uma das suas crônicas em Baliza de Navio (2013), seu primeiro livro lançado pela Secretaria de Estado de Cultura (Secult).    Embora as crônicas sejam baseadas em eventos cotidianos, o diferencial da escritora talvez esteja na forma como ela aborda situações de sua própria vida, muitas vezes, lançando no texto nomes de seus familiares e amigos. Baliza de Navio é quase um diário e o leitor chega a se sentir íntimo da escritora, mas não se pode esquecer que se trata de uma obra literária e, portanto, de ficção.    Baliza de Navio pode ser considerado um livro de autoficção, uma tendência muito comum na literatura contemporânea, mas que não é novidade. Afinal, a matéria prima da literatura é a vida. Mesmo que pareça que Natasha se expõe totalmente em seu livro, a partir do momento em que ela põe as palavras no papel, a verdade não existe mais.    Ao mesmo tempo em que a escrita de Natasha tem esse caráter espontâneo e confessional, ela também é bastante trabalhada. Percebe-se uma preocupação na escolha das palavras e, principalmente, na pontuação que confere um ritmo peculiar nos seus textos.   Dentro dessa teia de eventos cotidianos, uma crônica em especial se destaca. “Sal” se apresenta com uma prosa poética e com uma linguagem metafórica que destoa das demais. Mas o estranhamento com esse texto é apenas inicial, porque logo se percebe o estilo da escritora nesse conto.   Apesar de Baliza de Navio ser seu livro de estreia, um ano antes do lançamento da Secult, em 2013, Natasha lançou uma obra infantil chamado Sarah Princesa (2012). O livro é ilustrado e todo feito de forma independente. Apesar do apelo infantil é um livro sensível para todas as idades.   Inclusive, é impossível falar da literatura de Natasha sem citar a maternidade, tema de tantas crônicas em Baliza de Navio, que é dedicado ao seu filho Miguel. Certamente, a maternidade deve ser um período de muita inspiração e também de muitas situações inusitadas que parecem ate ficção.   Natasha Siviero é jornalista e escreve no site www.sambaprasmocas.com.br   Serviço   Baliza de Navio Natasha Siviero Secult 99 páginas R$ 15,00

15/06/2014 / 0 Comments
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Acomodações na era da unanimidade não ameaçam projeto das elites capixabas

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Rogério Medeiros e Renata Oliveira   Com a proximidade do processo eleitoral, as lideranças políticas definem suas acomodações nos palanques colocados para a disputa, mas nada ameaça o projeto político das elites capixabas.     Renata – Estamos chegando à reta final do período pré-eleitoral. No próximo dia 6 de julho começa a campanha. E as coisas começam a se definir no Espírito Santo, não do jeito que se imaginava que seria, quando tudo começou. Do cenário de unanimidade que se desenhava até meados do ano passado, o que se tem hoje é uma disputa de posição dentro deste projeto de dominação do poder no Estado, que se entende até 2025, que é o original, criado por Paulo Hartung, em 2002, envolvendo um arranjo institucional com o Judiciário e o Legislativo, com Claudio Vereza; além de entidades da sociedade civil, com a OAB de Agesandro da Costa Pereira e a Igreja de Dom Silvestre Scandian.    Rogério – Essa unanimidade está fracionada agora. Temos já como candidatos dentro desse sistema o governador Renato Casagrande e o ex-governador Paulo Hartung a caminho, mas se precavendo de não revelar a sua candidatura tão cedo para não tomar bordoadas que sabe que vai tomar. O Paulo tem um enorme receio que se abra o governo dele, algo que continua trancado. E o ex-prefeito de Vitória, João Coser, que foi responsável direto para que essa unanimidade continuasse viva. Isso porque ele foi um dos principais agentes para tirar da rua o PT, que sempre teve uma ligação muito forte com os movimentos populares, deixando o governo do Paulo livre de qualquer pressão popular. São os principais personagens das eleições que se avizinha.    Renata – É interessante notar como essa disputa de poder entre essas três figuras, trouxe uma desarmonia na classe política como um todo. Isso porque todos já estavam acostumados com a chamada geopolítica, que nada mais é do que a definição da eleição no gabinete. Durante mais de uma década, Hartung definia quem ia para qual cargo e por qual partido, garantindo assim a manutenção do equilíbrio entre os seus aliados. Com a disputa, as demais lideranças se viram diante de uma escolha. E como o cenário está muito indefinido, fica muito difícil fazer a aposta certa.   Rogério – Em suma, você tem relativa razão. Mas está falando de um passado, quando o Paulo tinha a caneta na mão e o poder de intimidação, que você mostrou lá em cima, com o arranjo institucional, com o subterfúgio que havia um crime organizado ameaçando o Estado. E apesar de ter a caneta não mão nunca nominou esse crime organizado. Usava o estandarte “Gratz”, como um amuleto, por causa da origem do jogo de bicho, mas não era o Gratz porque ele falava de uma coisa muito maior. Mas hoje isso se confunde com as negociatas de seu governo, que são enormes e que não ganham a expressão devida devido à sua blindagem junto ao Ministério Público, Judiciário e, principalmente, à imprensa corporativa. Há quem diga que se ele tivesse juízo não disputaria a eleição de governador, porque uma coisa é esse manto protetor fora do processo eleitoral, outra é ele desnudado dentro do processo eleitoral.   Renata – E aí fica a lacuna da falta de uma candidatura contestatória à unanimidade. Ele disputa o governo porque não há essa voz de embate, já que quem deveria fazer esse contraponto , o PT, já havia sido cooptado para o sistema do Paulo. O senador Magno Malta (PR), que sempre bradou como adversário do Paulo Hartung, com respaldo das urnas, já que se elegeu senador sob a pressão do ex-governador, teria essa credencial. A credencial de oposição do PT foi para a mão dele, mas Malta abril mão desse papel de ser o confrontante da unanimidade no Estado. Então eu te pergunto, por quê?   Rogério –  Magno tomou um caminho diferente, achando que deveria ser candidato a presidente da República em um momento em que ele poderia mudar a história política do Espírito Santo…   Renata – Só quero destacar, que não estou aqui vangloriando ou defendendo o projeto político do Magno Malta…   Rogério – Nem eu. Ninguém está defendendo o fundamentalismo dele. Você não vota nele, eu imagino. Eu não voto nele, mas as classes D e E votam nele. A baixa renda tem dado a ele todos esses mandatos. Magno é um fenômeno de massa no Espírito Santo e ninguém pode negar isso. O curioso é como ele troca isso por uma candidatura a presidente da República, que já está radicalizada entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB). Mas como ele diz que conversa com Deus e eu não sei o que Deus disse para ele. Mas tenho a impressão que se Deus tem juízo não teria dito isso para ele. Teria dito: “Magno, fica com o Espírito Santo, que você estará em boa companhia”.    Renata – Por falar em PT e PSDB, vale destacar o papel desses dois partidos nesse processo eleitoral. Ambos, no Espírito Santo não são exatamente a expressão de suas nacionais. O PT tem até muito espaço, por conta de tudo aquilo que a gente conversou… Rogério – Tinha até o flerte com PH…   Renata – Pois é. Mas é um partido que não tem conseguido defender seu projeto nacional no Espírito Santo e não tem um projeto próprio para o Estado. Está nas mãos do Coser, que é uma figura ligada ao projeto do Paulo. O PSDB tem uma situação ainda pior, porque além de não conseguir da mesma forma defender seu projeto político no Estado, não teve o espaço que o PT teve. E não consegue ver seu real tamanho. Fica também à mercê dos interesses de seu presidente, o deputado César Colnago. Os dois partidos nesta reta final ganharam espaços inesperados na disputa entre os dois palanques. Inesperados por causa dessa falta densidade política e eleitoral que apresentam nos últimos anos.   Rogério – Se dermos um recuo

15/06/2014 / 0 Comments
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