A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e outras onze organizações que defendem a causa, como a Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme), declararam que não participarão das audiências públicas convocadas pela comissão especial da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215/2000. A proposta transfere do Executivo para o Congresso a decisão final sobre as demarcações de terras indígenas, abrindo prerrogativa para a revisão de processos já homologados – caso do território indígena de Aracruz, norte do Estado – e terras quilombolas e Unidades de Conservação (UCs). Para as organizações, as audiências da PEC 215 respondem às agendas eleitorais da bancada ruralista, que tenta transformar em plataforma política a luta de um grupo minoritário de latifundiários contra a demarcação de terras indígenas. Elas consideram inadmissível ver a manipulação de um instrumento constitucional por parte dos parlamentares que têm o objetivo de subtrair as reais funções dos instrumentos constitucionais e denunciam que os ruralistas fazem dessas reuniões palco de incitação ao ódio, à violência, ao racismo e à discriminação aos povos indígenas e a segmentos da população, como os quilombolas e os sem terra, uma vez que geram um clima de angústia, insegurança e medo entre os pequenos agricultores para se apresentarem como defensores dos direitos destes agricultores no Congresso Nacional. De acordo com a carta pública, uma das principais razões para a decisão é a insistente e prolongada manifestação constante dos indígenas que rejeitam a proposta. Há anos, os povos indígenas demonstram, país afora, a contrariedade à proposta, inclusive quando ocuparam o plenário da Câmara Federal em abril do ano passado. O repúdio foi manifestado, mais uma vez, durante a Mobilização Nacional Indígena deste ano, quando o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves (PMDB-RN), se comprometeu a não levar a PEC a votação enquanto não houver consenso. A carta também traz as diversas inconstitucionalidades apontadas na PEC 215 como fatores influenciáveis na decisão. Em 2013, a discrepância da proposta foi apontada por um Grupo de Trabalho Paritário, criado por Alves, e formado por parlamentares e indígenas. A inconstitucionalidade também foi apontada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, por conta de um mandado de segurança impetrado pela Frente Parlamentar de Apoio aos Povos Indígenas. Mas não só indígenas, como lembram as entidades, se demonstram contrários à proposta. Juristas, articulistas da imprensa, intelectuais, organizações e movimentos sociais, associações de profissões diversas, ambientalistas e quilombolas também rechaçam categoricamente a PEC 215. “Dessa forma, os povos indígenas e seus aliados já explicitaram há muito tempo o seu ponto de vista pela rejeição da PEC 215/00, não só porque ela afeta uma regra jurídica fundamental, a divisão dos poderes, mas sobretudo porque busca suprimir o direito originário dos povos indígenas sobre suas terras tradicionais, reconhecido pela Constituição Federal de 1988”, reiteram. Além da Apib e da Apoinme, assinam a carta a Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (Arpinsul), a Comissão Guarani Yvyrupa (CGY), a Articulação dos Povos Indígenas da Região Sudeste (Arpinsudeste), a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), o Conselho dos Povos Indígenas de Mato Grosso do Sul, a Grande Assembléia Guarani (Aty Guasu), o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), o Greenpeace e o Instituto Socioambiental (ISA).
Servidores de Cachoeiro de Itapemirim decidem paralisar atividades por três dias
Os servidores municipais de Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Estado, decidiram, depois de assembleia realizada nesta quarta-feira (4), deflagrar greve de três dias – em 18 e 26 de junho, e 7 de julho – por conta do não atendimento às reivindicações da categoria. O Sindicato dos Servidores Municipais de Cachoeiro de Itapemirim (Sindimunicipal) alega que não houve negociação por parte da prefeitura, mas a imposição do reajuste de 4%, que não representa benefício para a categoria. A entidade salienta que a tabela de benefícios está defasada e que a inflação dos anos de 2013 e 2014, que soma 13,18%, não foi reposta. Além disso, o Sindimunicipal ressalta que foi promessa do prefeito Carlos Casteglione (PT), em 2008, o reajuste do tíquete alimentação e a extensão do benefício para os servidores contratados, mas a promessa não foi cumprida. Segundo a entidade, desde a criação do benefício, em 2006, sempre houve reajuste e que não há justificativa para a negativa de concessão, já que o tíquete não entra no limite de gastos com pessoal de que trata a lei de responsabilidade fiscal. Durante os três dias de paralisação, os servidores vão realizar protestos e atos públicos na Praça Jerônimo Monteiro, onde está localizado o Palácio Bernardino Monteiro, sede do Executivo municipal. No dia 26 de junho, quando também vai haver protesto, acontece a festa pelo aniversário do município. Caso a prefeitura não retorne à mesa de negociações, os servidores prometem deflagrar greve geral.
Juiz absolve ex-presidente da Câmara de Cachoeiro da acusação de improbidade
O juiz da Vara da Fazenda Pública de Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado), Robson Louzada Lopes, determinou o arquivamento de uma ação de improbidade contra o ex-presidente da Câmara de Vereadores do município, David Alberto Lóss (PDT), e mais três pessoas. Eles foram acusados pelo Ministério Público Estadual (MPES) de supostas irregularidades no processo de licitação para contratação de empresa para realização de concurso público no ano passado. Na decisão publicada nesta quinta-feira (5), o magistrado destacou que a seleção foi acompanhada pelo órgão ministerial, além do vereador gozar de “bom prestígio social” e ser o mais abastado entre os colegas – o que afastaria a intenção de beneficiar qualquer pessoa. Robson Louzada entendeu que a suposta irregularidade apontada na ação – a escolha do tipo de licitação – foi uma simples divergência de entendimentos entre o Legislativo e o Ministério Público. “Longe de querer afiançar ou avalizar a conduta de terceiro, mas a pessoa do primeiro requerido, David Lóss, é conhecida nesta cidade e é possível dizer em relação ao mesmo que goza de bom prestígio social, sobretudo no que tange à sua honestidade no trato com a coisa pública. […] Tal imagem de que este magistrado tem conhecimento contradiz com os apontamentos do MP de que haveria na escolha do tipo licitatório a intenção de beneficiar qualquer pessoa, o que corrobora na verdade a existência de uma simples divergência de entendimentos com argumentos razoáveis para os dois lados”, avaliou. No texto da sentença, assinada no último dia 28 de maio, o juiz ressaltou que a existência de demandas judiciais contra a empresa contratada – Gualimp Assessoria e Consultoria Ltda (que também figura entre os denunciados) – “não pode ensejar uma suspeita geral e contínua, devendo o magistrado analisar casuisticamente”. Além do vereador, são citados na ação a procuradora da Câmara, Ângela de Paula Barboza, e os representantes da empresa (Antônio Jose Gonçalves de Siqueira e Ecy Aparecida de Siqueira Teixeira). Na denúncia inicial (0021017-12.2013.8.08.0011), o Ministério Público criticava a decisão da Câmara pela escolha da licitação pelo critério de “menor preço”. A promotoria sustentou que o modelo ideal seria de “melhor técnica” ou a junção dos dois tipos. Para o órgão ministerial, o serviço contratado necessitaria de uma técnica apurada, já que não poderia ser resumida a uma sequência de protocolos. No entanto, o juiz Robson Louzada divergiu desse entendimento. “A atividade contratada envolve a aplicação de intelectualidade, mas também a aplicação de técnica administrativa de gerenciamento. Este magistrado observa que não se trata de atividade predominantemente intelectual, conforme estabelece a Lei de Licitações. […] Embora a atividade contratada envolva a confecção de questões e correção das provas, essa atividade não é o principal objetivo buscado pela administração pública. Foi buscado o gerenciamento do procedimento de seleção, o que envolve, na verdade, a aplicação de método ou protocolo que é praticamente comum a todas as seleções realizadas pelo país”, considerou o magistrado. A decisão do juízo de 1º grau ainda cabe recurso por parte do Ministério Público.
Ex-presidente da Câmara de Aracruz vai ter de cumprir penas restritivas
A 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) manteve, nessa quarta-feira (4), o cumprimento de penas restritas pelo ex-presidente da Câmara de Vereadores de Aracruz e ex-deputado estadual, Gilberto Furieri. Ele foi condenado em uma ação penal por irregularidades na nomeação de servidores de gabinete. Gil Furieri havia sido condenado a seis anos de prisão, em regime semiaberto, mas a pena foi reduzida para três anos e quatro meses de reclusão em regime aberto, que acabou sendo convertida por duas medidas restritivas de direito. Durante o julgamento, o relator do recurso, desembargador Adalto Dias Tristão, negou a existência de qualquer omissão no julgamento do recurso anterior, mantendo a decisão proferida em abril passado. Na ocasião, o colegiado entendeu pela ilicitude das nomeações, mas concluiu pela redução da pena fixada pelo juízo de 1º grau. “Pelos depoimentos de testemunhas, observa-se que os 'assessores' agiam como verdadeiros cabos eleitorais do vereador, desempenhando as atividades de arregimentamento de eleitores junto às suas respectivas comunidades”, afirmou o então relator, desembargador substituto Walace Pandolpho Kiffer, que foi acompanhado pela desembargadora Eliana Junqueira Munhós Ferreira. Na sentença de 1º grau, o juízo da Vara Criminal de Aracruz julgou procedente a ação penal movida pelo Ministério Público Estadual (MPES). Segundo o órgão ministerial, as nomeações para o gabinete do ex-vereador foram feitas “tanto de vinculação política, como de trabalho na campanha eleitoral que o elegeu, sem que se estabelecesse, de forma definida, quais seriam suas funções”. A denúncia também apontou a falta de controle do expediente, assim como das atividades externas realizadas pelos assessores. Com a substituição da pena corporal (prisão), o juízo da Execução Penal no município deve decidir quais serão as duas restritivas de direitos. A legislação prevê a prestação de serviços à comunidade, interdição temporária de direitos (proibição do exercício de função pública, suspensão da habilitação para dirigir, restrição de frequentar determinados lugares ou proibição de se inscrever em concurso público) e limitação de fim de semana entre as possíveis medidas a serem fixadas.
Regência aguarda com expectativa Centenário do Caboclo Bernado
Em 1887, um pescador arriscou a vida para salvar a tripulação de um navio que naufragava na região de Vila Regência, na barra do Rio Doce, norte do Estado. O seu feito heroico não ficou isolado nas tranquilas praias de Regência, mas teve repercussão nacional. Bernardo recebeu da princesa Isabel, uma medalha de honra ao mérito pelo ato de bravura. Na vila de Regência, o ato heroico do pescador é lembrado todos os anos com um encontro sempre realizado próximo à data da morte de Caboclo Bernardo, que faleceu, em junho. Esse ano o evento conta com o apoio do governo do Estado. Os festejos, que se iniciam nesta quinta-feira (5) e seguem até o domingo (8), trazem como destaque a revitalização do Farol de Regência e o tradicional encontro de bandas de congos, com a participação de mais de 30 bandas, além do resgate da réplica da medalha imperial recebida por Bernardo da princesa Isabel. Fábio Gama, presidente da Associação de Moradores de Regência, destaca a importância de relembrar o importante membro da vila e que finalmente o governo do Estado abraçou o evento cultural. “Este ano estamos tendo o apoio da Secretaria de Cultura, que pela primeira vez está inteiramente dedicada em fazer do Centenário do Caboclo Bernardo uma grande festa. Espero que as pessoas saiam daqui conhecendo melhor a história do nosso herói nacional”, diz Fábio. Para o evento foram produzidas 100 réplicas da medalha. A comunidade de Linhares recebeu a cópia número um, que estará exposta no Museu Histórico de Regência. Outras entidades como a Prefeitura de Linhares, o governo do Estado e a Assembleia Legislativa também receberão suas cópias. Uma das medalhas será enviada ao Museu da Marinha do Brasil, que fica no Rio de Janeiro. Nesta quinta-feira (5), um sonho da comunidade será realizado: a reinauguração do centenário Farol de Regência. “Para nós é como se a história ganhasse uma nova vida. Parecia que a nossa história estava se deteriorando e desaparecendo junto com o farol, que estava há mais de 20 anos sem qualquer tipo de manutenção”, conta Fábio. Na sexta-feira (6), a animação ficará por conta da atração nacionais Chico Salles e o grupo local Fogo na Coisa e para encerrar a noite, show com Cidade do Reggae. Já no sábado, às 19h, haverá a apresentação teatral Auto do Caboclo Bernardo, em frente à igreja. Após a encenação, a banda de forro Simininu se apresenta, seguida da banda local Alternativos do Reggae e da apresentação nacional Chimarruts No dia mais esperado, domingo (8), a concentração será em frente à Pousada de Dona Mariquinha. Há mais de 20 anos, Maria Bárbara Geruzzi Pelissari ou a Dona Mariquinha, participa da festa e este ano será homenageada durante os festejos. Fábio conta que ela receberá, assim como os representantes das bandas de congo, uma réplica da medalha do Caboclo Bernardo. Dona Mariquinha é responsável pela acomodação dos participantes das bandas, além de servi-los com café-da-manhã, almoço e lanche. Dessa vez, ela irá receber 50 bandas de congo de Linhares e de diversos outros municípios do Estado confirmaram participação no tradicional cortejo de encontro das bandas. “É o maior número de bandas que já recebemos, esse encontro com certeza é o mais esperado”, garante Fábio. Reconhecimento Para o subsecretário de Cultura do Estado Joelson Fernandes, as festas tradicionais do Espírito Santo devem ser valorizadas e é dever do governo fornecer recursos para que elas se revitalizem a cada ano. “O artista popular precisa ser renumerado, principalmente quilombolas e indígenas que fazem parte da nossa história, por isso o governo vai garantir o cachê das bandas de congo, além da reforma do Farol que já promovemos”, diz o subsecretário. Joelson também comenta a importância do Caboclo Bernardo, que apesar de ser um herói nacional não é reconhecido fora do Espírito Santo. “Queremos que essa história rompa as divisas do Estado e o ato heroico do caboclo seja reconhecido. Por isso, as tradições não podem ser esquecidas, só a partir delas vamos fazer a história capixaba crescer”. PROGRAMAÇÃO Quinta-feira (5) 18 horas: Reinauguração do centenário Farol de Regência Local: Em frente à cúpula do Farol Sexta-feira (6 ) 17 horas: Abertura da tenda cultural Local: Em frente à cúpula do Farol 17 horas: Abertura da exposição “Mostra da Cultura Africana – Família Rosa” Local: Museu Histórico de Regência Augusta 17h30: Sarau poético Local: Em frente à cúpula do Farol 18 horas: Apresentação do Grupo de Teatral de Regência Augusta Local: Em frente à cúpula do Farol 19h30: Apresentação da Banda de Congo São Benedito de Regência Augusta Local: Casa de congo 20 horas: Show com Chico Salles Local: Palco 22 horas: Show com Fogo na Coisa Local: Palco Meia-noite: Show com Cidade do Reggae Local: Palco Sábado (7) 8h ao meio-dia e das 13h às 17 horas: Oficina de construção de casaca Local: Centro Ecológico 8 horas: Campeonato de Futebol Local: Campo de futebol (Samuel dos Santos) 10h às 22 horas: Tenda cultural Local: Em frente à cúpula do Farol 16 horas: Encontro dos Tambores Local: Saída da Casa de Congo 18 horas: Sarau poético Local: Em frente à cúpula do Farol 19 horas: Apresentação teatral “Auto do Caboclo Bernardo” Local: Em frente à igreja 20 horas: Forró Banda Simininu Local: Palco 22 horas: Show com Alternativos Reggae Local: Palco Meia-noite : Show com a banda Chimarruts Local: Palco Domingo (8) 7 horas: Recepção das bandas de congo Local: Tia Mariquinha 7h às 10 horas: Café da Manhã Local: Tia Mariquinha 10h às 15 horas: Tenda Cultural Local: Em frente à cúpula do Farol 11 horas: Almoço Local: Tia Mariquinha 13 horas: Cortejo das bandas Local: Principais ruas de Regência Augusta 14 horas: Reunião dos Mestres Local: Casa de Congo 15 horas: Entrega das premiações às bandas de congo Local: Palco 16 horas: Encerramento Local: Praça Caboclo Bernardo
Apesar da desaprovação de lideranças dos dois partidos, coligação entre PT e DEM avança
Mesmo com reações contrárias de lideranças dos dois partidos, a coligação entre PT e DEM na proporcional estaria próxima de sair do campo das ideias e se concretizar. No campo nacional PT e DEM estão em lados opostos na eleição deste ano e há uma resolução da direção petista para que o partido não faça coligação com as legendas de oposição, mas a cúpula petista no Estado aposta que a resolução se restrinja às discussões majoritárias. A entrada do DEM como parceiro de proporcional ajudaria a aliviar a pesada chapa de PT e PMDB, sobretudo na disputa estadual. O PMDB tem sete deputados na Assembleia e o PT cinco. Mesmo o deputado Claudio Vereza tendo anunciado que não vai disputar a reeleição para o sétimo mandato e o PMDB tente convencer a deputada Solange Lube a disputar a eleição para federal, a chapa fica ainda pesada. Com o DEM, que tem três deputados, a perna fica mais leve, embora não resolva o problema por completo. A coligação ajuda na verdade o PMDB. PT e DEM têm um peso parecido. Na Assembleia, só o deputado Claudio Vereza se posicionou contrário à movimentação. Os deputados Rodrigo Coelho e Roberto Carlos, em entrevista ao jornal A Tribuna acharam factível a aliança. O presidente da Casa, deputado Theodorico Ferraço (DEM), também se posicionou favorável à aliança proporcional. Já o deputado Atayde Armani reagiu à articulação das cúpulas dos dois partidos, afirmando que os posicionamentos são muito diferentes para fazer a coligação. Para Armani, unir PT e DEM é o mesmo que tentar misturar “água e óleo”. No PT, a reação veio primeiro da deputada federal Iriny Lopes, que publicou artigo defendendo candidatura própria do partido, diante da incerteza de que o ex-governador Paulo Hartung assumirá a candidatura da presidente Dilma Rousseff no Estado. Já a senadora Ana Rita, além defender a candidatura própria nos mesmos termos, lembrou da confusão que pode ser gerada na cabeça do eleitor em uma chapa com partidos tão diferentes. Isso porque, como o voto proporcional vai para a coligação, logo ao votar em um candidato do PT, o eleitor pode acabar elegendo um deputado do DEM ou vice-versa.
Secretário de Segurança transfere ônus da violência no Estado para legislação leniente
O movimento dos secretários de Segurança da Região Sudeste – André Garcia (Espírito Santo), José Mariano Beltrame (Rio de Janeiro) Fernando Grella (São Paulo) e Rômulo Ferraz (Minas Gerais) – de irem a Brasília reivindicar diretamente aos presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), agilidade na tramitação de projetos que tornam mais rígida a legislação penal, embora negado, tem viés político. A estratégia é transferir o revés da violência nos Estados para a legislação e para o governo federal. Se a intenção fosse de fato construir uma pauta positiva para o problema da violência, os secretários poderiam ter recorrido diretamente às bancadas federais dos seus respectivos Estados, que juntos têm muito força no Congresso Nacional. É já existem antecedentes de sobra em torno dessa discussão. Atualmente, tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado o Projeto de Lei 236/2012, do novo Código Penal, com intenso debate entre os parlamentares, além da realização de diversas audiências públicas com autoridades e operadores do direito para discutir pontos da reforma. Os senadores da bancada capixaba Ricardo Ferraço (PMDB), Ana Rita (PT) e Magno Malta são contumazes debatedores do novo Código Penal na CCJ, por isso, seria mais efetivo que o secretário de Estado de Segurança Pública, André Garcia, cobrasse diretamente dos parlamentares do Estado, que discutem o tema no Senado com frequência. Dos pontos defendidos pelos secretários em Brasília – que reduziriam os índices de violência – a maioria deles defende a política do encarceramento em massa como medida para diminuir a criminalidade. No entanto, os números do Estado e do País comprovam que o aumento do tempo de pena ou de cumprimento de medida socioeducativa (no caso dos adolescentes) não reduzem os índices de criminalidade. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) divulgou, nesta quinta-feira (5), o Novo Diagnóstico de Pessoas Presas no Brasil. O levantamento mostra que nova população carcerária brasileira é de 715.655 presos, contando as prisões domiciliares. De acordo com os dados anteriores do CNJ, que não contabilizavam prisões domiciliares, em maio deste ano a população carcerária era de 567.655. No Estado, a população carcerária é de 15.548 presos, sendo 43% deste total presos provisórios. Apenas 27 pessoas cumprem prisão domiciliar, o que eleva a população carcerária para 15.575. No Espírito Santo, o déficit de vagas no sistema prisional é de 2.706, somando população carcerária e presos em prisão domiciliar. Apesar de ter mais de 2 mil presos a mais no sistema, o secretário insiste na política do encarceramento como solução para coibir a violência, tanto no tempo de cumprimento de pena quanto na tipificação penal. Os secretários defendem, também, o aumento de três para oito anos no tempo de cumprimento de medida socioeducativo para adolescentes internados, sob o argumento que, em tese, este aumento reduziria a sensação de impunidade. O secretário André Garcia, que também já foi secretário de Estado de Justiça, não leva em conta que o Estado, além de ser o segundo mais violento do País, é um dos que mais encarceram. O levantamento do CNJ mostra que estão em prisão domiciliar 27 presos, o que representa 0,17% da população carcerária. Além de estar em discordância com a tendência nacional, o índice de concessão de prisão domiciliar é o menor da Região Sudeste. Em Minas Gerais, 16% dos presos cumprem prisão domiciliar, em São Paulo são 31% e no Rio de Janeiro 4,9% dos presos cumprem penas neste regime. O índice do Brasil é de 20,6%. Conceder prisão domiciliar para aqueles presos condenados por crimes de menor potencial ofensivo, réus primários ou presos doentes poderia desafogar o sistema no Estado. No entanto, o que se vê são ações que poderiam contribuir para a liberação de vagas no sistema paralisadas, como é o caso da utilização de tornozeleiras eletrônicas para o monitoramento de presos do regime semiaberto e dos que cumprem pena em prisão domiciliar. Além disso, os secretários que foram a Brasília querem reforçar as políticas de encarceramento, mas não propõem ações que visam a ressocialização destes detentos. O mesmo pode ser aplicado ao aumento no tempo de internação, já que os secretários não cobram que os dispositivos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) sejam cumpridos – mesmo depois de mais de 20 anos de vigência da norma – nem que seja aplicada, efetivamente, a socioeducação nas unidades de internação, principalmente nas do Estado. No mundo A população carcerária do País é a quarta maior do mundo, com 567.655 presos, ficando atrás apenas dos Estados Unidos (2.228.424), China (1.701.344) e Rússia (676.400). Ainda assim, o modelo proposto para as prisões brasileiras e do Estado se assemelham ao aplicado no Estados Unidos, que apesar da população carcerária de mais de 2 milhões de presos, não consegue reduzir a reincidência e torna as prisões um lucrativo negócio para empresários por conta da privatização.
TJES mantém ação de improbidade contra ??ngelo Roncalli
A 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) manteve, nessa segunda-feira (2), o recebimento da ação de improbidade contra o ex-secretário estadual de Justiça, Ângelo Roncalli, por fraudes na aquisição de alimentação para detentos do sistema prisional. O colegiado apontou a existência de indícios de irregularidades na dispensa de licitação da empresa Viesa Alimentação. No mesmo julgamento, os desembargadores também decidiram pela manutenção da indisponibilidade dos bens do ex-secretário. De acordo com informações do TJES, o relator do caso, desembargador Samuel Meira Brasil Júnior, destacou que a empresa contratada foi apenas a sexta colocada no processo licitatório, mas ainda sim foi escolhida pela administração – com uma proposta 28,8% superior ao melhor preço. “Nesse contexto, há assertiva de irregularidades tanto no procedimento licitatório suspenso pelo Tribunal de Contas quanto na contratação direta, por dispensa de licitação, autorizada pelo então secretário”, afirmou. Samuel Meira observou ainda que a jurisprudência dos tribunais superiores indica que a “petição inicial da ação de improbidade deve ser recebida quando houver meros indícios de cometimento dos atos ilícitos”. O relator também afastou o pedido de suspensão da ação de improbidade até o julgamento definitivo da auditoria feita pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) para aquisição de marmitex para presos. Na denúncia original (0044416-65.2012.8.08.0024), o promotor de Justiça, Dilton Depes Tallon Neto, acusa o ex-secretário Ângelo Roncalli de ter cometidos várias irregularidades durante a realização do Pregão Eletrônico nº 022/2011, que terminou com a contratação da Viesa Alimentação. O membro ministerial afirma que o TCE chegou a determinar que o ex-secretário se abstivesse de homologar a contratação, mas a decisão não teria sido observada. Mas apesar das recomendações apresentadas também pela Secretaria de Estado de Controle e Transparência (Secont), o ex-secretário optou pela efetivação da contratação de forma emergencial, ou seja, sem a realização da licitação, com o mesmo objeto do pregão suspenso pelo TCE. Pelos termos do contrato emergencial nº 033/2011, assinado em agosto daquele ano, a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) desembolsou R$ 1,75 milhão para a Viesa Alimentação, no prazo de seis meses. Para o Ministério Público, a conduta dos denunciados pode ser enquadrada na Lei de Improbidade Administrativa, além de possibilitar a ocorrência de dano moral coletivo.
Pressão da Assembleia faz Eder Pontes recuar
O procurador-geral de Justiça, Eder Pontes da Silva, tentou minimizar o clima de animosidade entre a Assembleia Legislativa e o Ministério Público Estadual (MPES). Em entrevista ao jornal A Tribuna (05/06/2014), o chefe do órgão ministerial afirmou que o pedido de informações sobre a folha de pagamento de mais de 100 servidores nos gabinetes parlamentares é uma “iniciativa rotineira”. Nos meios políticos, as declarações de Eder Pontes soaram como um “recuo” ante a pressão sobre o Legislativo, especialmente após a ameaça de ampliação da fiscalização sobre os gastos com pessoal no MP capixaba. A medida do órgão ministerial seria uma resposta às investigações sobre a possível existência de servidores atuando como cabos eleitorais dos deputados, pagos pelo poder público. Para o chefe do MPES, a polêmica não poderia ser interpretada como uma retaliação por parte dos parlamentares. “Temos que a Assembleia atingiu um nível de maturidade que não se coaduna com esse tipo de postura no sistema democrático”, afirmou ao jornal A Tribuna. No entanto, esse clima conciliador não é o mesmo entre os parlamentares, que minimizaram a tentativa do procurador-geral de fazer as pazes com o Legislativo. Os parlamentares continuam avaliando a possibilidade de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os gastos do Ministério Público. De concreto, os deputados vão pedir ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) que dê preferência aos pagamentos de diárias, gratificações e salários para os promotores e procuradores de Justiça capixabas. O ofício já recebeu mais de 20 assinaturas e deve ser encaminhado para a Comissão de Finanças da Casa. Sobre esses gastos, Eder Pontes também afirmou ao jornal que as contas da instituição são controladas pelo TCE e pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). “Se existe razão para qualquer investigação ou dúvida, estamos dispostos a atender qualquer solicitação de informação”, desafiou. Entretanto, o MPES já é alvo de denúncia de pagamentos irregulares dos chamados penduricalhos. O TCE analisa o parecer do Ministério Público Especial de Contas (MPC) em uma auditoria, em que pede a devolução de R$ 4,052 milhões pagos a promotores e procuradores Outro ponto explicado por Eder Pontes foi a situação dos funcionários terceirizados, questão que também foi alvo de críticas por parte dos parlamentares. O chefe do MPES garantiu que os contratados serão substituídos gradativamente a partir de julho. O expediente foi condenado pelo CNMP que obrigou a substituição por servidores concursados. O procurador-geral homologou o resultado do concurso no final de fevereiro, mas ainda não deu posse a nenhum dos aprovados na seleção.
MST ocupa fazenda em Linhares e solicita vistorias ao Incra
Cerca de 110 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupam desde a noite do último domingo (1) a fazenda Volta Grande, em Linhares (norte do Estado). De acordo com os militantes, o território é improdutivo e possui cerca de 190 hectares. Nessa quarta-feira (4), os militantes se reuniram com a instância estadual do Incra para verificar a situação da área no órgão e requerer a vistoria desta e de outras duas áreas. Há uma medida provisória do governo federal que impede a vistoria em terras ocupadas e, por isso, como informou Edvaldo Bento dos Santos, da coordenação estadual do MST, o pedido de vistoria da Fazenda Volta Grande terá que ser enviado à sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Brasília, para que a solicitação seja avaliada. O nome das outras duas fazendas não pode ser divulgado porque, como explica Edvaldo, ainda dá tempo de os proprietários reverterem a situação e apresentarem mudanças para que o resultado das vistorias seja favorável a eles. As famílias ocupantes da fazenda formavam o Acampamento Índio Galdino, que estava situado em uma Área de Proteção Permanente (APP), próxima à fazenda. O fato de estar situado em região de APP não permitia que as famílias desenvolvessem qualquer atividade agrícola na região e, por isso, os militantes decidiram ocupar a fazenda improdutiva. Na região, circula a informação de que a fazenda ocupada seria do ex-senador Gerson Camata (PMDB). Entretanto, o Incra não confirmou a informação. Século Diário tenta contato com o ex-senador desde essa terça-feira (3), porém, sem sucesso.