O projeto de teatro desenvolvido nas escolas municipais de Vila Velha, por meio do Grupo Experimental de Teatro Amador (GETA), abriu inscrições para a população. Aqueles que já pensaram em fazer aula de teatro, e ainda não tiveram oportunidade, talvez essa seja a chance. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até o dia 6 de junho. Os interessados em participar do Geta devem ter no mínimo 12 anos. Para a inscrição é necessário enviar um email para andersonlima@vilavelha.es.gov.br, com seguintes informações: nome completo, data de nascimento, endereço, telefone para contato. No caso de menores de 18 anos, devem colocar o nome dos pais e telefone de contato. As aulas já começam no dia 9 de junho, na sede do Lions Clube Glória, em Divino Espírito Santo. Serão duas turmas inicias, uma pela manhã e outra no período da tarde. Neste ano, as aulas para os alunos da Unidade Municipal de Ensino Fundamental (UMEF) Maria Eleonora, e José Siqueira Santa Clara já começaram. O Geta é um projeto de teatro que realiza atividades socioeducativas, culturais e artísticas com grupos de adolescentes e jovens. Serviço As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até o dia 6 de junho. As aulas iniciam-se no dia 9 de julho, das 8h às 11h30 e 13h30 às 17h, na Rua Luíz Gabeira, 13, Divino Espirito Santo, Vila Velha
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Relatório mostra como o Estado atuou para tentar criminalizar militante de direitos humanos
No livro lançado pela Justiça Global, Na Linha de Frente: Criminalização dos Defensores de Direitos Humanos no Brasil (2006-2012), o caso da ex-coordenadora da Pastoral Carcerária, Izabel Aparecida Borges da Silva, tem destaque. A militante de direitos humanos viu pesar sobre ela, durante anos, acusações infundadas de pertencer a um grupo criminoso. A exposição, com a divulgação da edição descontextualizada de conversas telefônicas gravadas por meio de um grampo ilegal, acabou com 25 anos de militância de Izabel no sistema penitenciário capixaba. O livro conta que, no ano de 2006 – primeiro mandato do governo Paulo Hartung (PMDB) -, o Estado passava por uma enxurrada de rebeliões e denúncias de tortura e maus tratos nos presídios. Em janeiro daquele ano, uma inspeção realizada no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico e no Presídio Feminino de Cariacica constatou uso de drogas, espancamentos, falta de atendimento médico para os doentes e superlotação. No mesmo dia, dois presos foram executados na Casa de Custódia de Viana, menos de 24 horas depois do assassinato de outros dois presos na Casa de Detenção de Vila Velha, evidenciando o descontrole do sistema prisional, que estava em colapso. Ao mesmo tempo, ocorria uma onda de queima de ônibus, sem que as autoridades conseguissem contê-la. Nesse cenário, foi iniciada uma investigação da Diretoria de Inteligência da Polícia Militar do Estado, que resultou no inquérito policial 0025/06311, instaurado no dia 24 de julho de 2006, a partir de escuta telefônica ilegal, no qual Izabel foi indiciada pela suposta prática de 18 crimes, entre eles homicídios, tráfico de drogas e formação de quadrilha ou bando. As ligações telefônicas que Izabel recebia dos detentos eram de conhecimento das autoridades públicas do Estado, como o então secretário de Estado de Justiça, Ângelo Roncalli, que por diversas vezes chegou a pedir que a defensora negociasse o fim de rebeliões por meio delas. Em 1 de agosto de 2006, Izabel saía de uma reunião na sede da Comissão de Justiça e Paz, em que se discutia a implantação do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, quando foi abordada por um repórter, que a questionava sobre transcrições de grampos telefônicos de conversas que ela mantinha com presos. O inquérito continha trechos descontextualizados das escutas ilegais. Em um dos trechos, dizia: “Izabel orienta os detentos sobre como devem comparecer às audiências judiciais e que, vai fazer ‘uma coisa e vai precisar da ajuda de vocês (dos presos)’ e que o ‘pouquinho de autoestima que os presos tinham’ já havia sido perdida. Segundo ela, os detentos deviam 'ir sujos’ e também mostrarem ‘as marcas ‘das supostas agressões que estariam sofrendo por parte da Força Nacional”. A transcrição real da conversa telefônica mostra que o trecho do inquérito não condiz com a conversa entre a defensora e os presos. A degravação da conversa demonstra que outro preso pega o telefone e diz a ela “que o promotor esteve lá ontem, o Dr. Sérgio, com quatro visitas do pavilhão 2, e quis que os presos mostrassem para as visitas que eles estavam todos bem, com colchões, roupas etc.”. Izabel, segundo a degravação, teria falado “mas que palhaço, hein”. O preso teria dito então que eles desmascararam o promotor na frente das visitas e as visitas começaram a chorar. Izabel diz “bem feito…”. Ela diz que acha ruim eles escolherem somente quatro visitas para adentrarem ao presídio, mesmo sabendo que não há “segundas intenções”, e que “ ‘segundas intenções’ há somente por parte da Secretaria, que fica querendo provar para todo mundo que está tudo bem no presídio”. Daí Izabel diz que “o promotor caiu do cavalo, que só pela aparência deles, já dá pra ver que eles estão sendo tratados como bicho”. O relatório aponta que o inquérito policial, a todo tempo, descontextualizou as conversas ilegalmente gravadas de Izabel, com o propósito de incriminá-la, a ponto de fazer a opinião pública se voltar contra ela. Com base nesse inquérito, a delegada de Polícia Fabiana Maioral (atual secretária de Prevenção e Combate à Violência de Vila Velha), que assina o relatório final do inquérito, datado de 5 de setembro de 2007, concluiu que a influência de Izabel seria nociva e deveria ser paralisada, já que “se trata de uma pessoa influente, com personalidade voltada para a criminalidade, e que infelizmente confundiu sua atuação assistencialista com favorecimento a criminalidade, servindo-se de benefícios e serviços prestados de diversas formas em troca de favores a presos”. Izabel foi indiciada por 18 crimes, sendo que sequer foi convocada a depor. A única vez em que foi ouvida, se apresentou voluntariamente, uma vez que não foi intimada pela autoridade policial. Parceiros de Izabel na militância de direitos humanos, como Padre Xavier Paolillo ou Marta Falqueto, mencionados nas escutas telefônicas, tampouco foram ouvidos no inquérito. No dia 2 de julho de 2009, quase 3 anos após a instauração do inquérito policial, o promotor de Justiça Adélcion Caliman, oficia o poder judiciário declarando que as provas produzidas pela autoridade policial não permitiam ao Ministério Público Estadual (MPES) descrever fato típico que se pudesse atribuir a Izabel. O promotor também afirmou que não havia nenhuma prova consistente nos autos de que ela tivesse entrado ou saído de estabelecimentos prisionais com substâncias entorpecentes. “O posicionamento do Ministério Público reforça o que as organizações de direitos humanos vinham denunciando: o forte processo de criminalização a qual Izabel foi sendo submetida. A estratégia da autoridade policial é, sem nenhum forte indício de atividades criminosas praticadas pela defensora de direitos humanos, desmoralizá-la publicamente e imobilizá-la enquanto um inquérito policial muito mal instruído é “cozinhado em banho Maria”, e tirando o foco para os problemas prisional”, ressalta o relatório. Somente em 2012, o procedimento contra Izabel foi arquivado, já que não continha qualquer prova contra ela.
Projeto leva literatura para os táxis de Vitória
Para aproveitar o tempo dentro do transporte público, a leitura é a alternativa mais comum e prazerosa. Depois das bibliotecas nos terminais rodoviários do Transcol, agora e a vez dos livros “pegarem carona” nos táxis de Vitória. O projeto Bibliotaxi, parceria entre o grupo Saraiva e o aplicativo para celular Easy Taxi, chega à cidade com o intuito de difundir o gosto pela literatura. O projeto começou no bairro boêmio de Vida Madalena, em São Paulo, criada pelo Instituto Mobilidade Verde. Na época existia apenas um táxi que disponibilizava os livros doados pelos moradores do bairro. O jornalista Gilberto Dimenstein, do site Catraca Livre, morador do bairro, procurou Tallis Gomes, da Easy Taxi, para ser parceiro no projeto. E assim, a ideia saiu do papel para se tornar realidade. Em seguida, o grupo Saraiva doou mais de 80 mil livros para o projeto. Além de Vitória, o Bibliotaxi também está sendo implantado em mais de 20 cidades brasileiras e o próximo objetivo é atingir cidades de outros países. ???Esse projeto é importante para as cidades onde ele acontece, uma vez que faz com que o entretenimento e o conhecimento se tornem acessíveis???, diz Jorge Saraiva Neto, presidente do grupo Saraiva. A doação dos livros faz parte das comemorações do centenário da Saraiva. A editora fez uma seleção bem eclética de obras, visto que diversos tipos de pessoas passam pelos táxis. Nas bibliotecas há títulos como o clássico O Príncipe, de Maquiavel, a sucessos de vendas como Comer, Rezar, Amar e O Caçador de Pipas. Títulos de autoajuda também estão à disposição dos passageiro: Aprendi com a minha mãe e também Nihonjin, de Oscar Nakasato, vencedor do prêmio Jabuti de 2012 na categoria melhor romance. A ideia é que o passageiro escolha um exemplar, leve consigo e, após a leitura, coloque o título novamente em circulação, em sua próxima corrida. Os táxis dispõem de um bolsão customizado do projeto, localizados no encosto do banco dianteiro do passageiro nos veículos. ???Queremos criar uma biblioteca colaborativa. A Saraiva fez a doação como forma de incentivar que os passageiros também coloquem livros em circulação???, explica Jorge. Segundo o presidente do grupo Saraiva, os táxis que receberam o projeto estão devidamente sinalizados em relação ao funcionamento da ação. E os motoristas foram treinados para explicar o objetivo do projeto aos passageiros. Rodrigo Luiz Vicente teve o seu taxi contemplado com os livros e conta que vê muitos passageiros perguntando sobre o projeto. ???Na correria do dia a dia, só temos tempo para ler dentro do transporte. Espero que mais iniciativas como essa cheguem aos espaços públicos também???, diz Rodrigo. O taxista também conta que sempre fala ao passageiro que ele também pode doar livros. Tallis Gomes, co-CEO da Easy Taxi, também acredita que deviriam existir mais bibliotecas públicas pela cidade, para que o acesso à informação e ao conhecimento fosse mais fácil. ???Apoiamos a disseminação da cultura e educação na formação da sociedade. A parceria entre Saraiva e Easy Taxi permite que as empresas atuem para difundir o hábito da leitura e promover a educação das pessoas, além de incentivar a prática do compartilhamento entre a população???, afirma.
Prefeitos tentam sair fortalecidos das eleições deste ano de olho em 2016
Faltando quatro meses para a eleição, boa parte da classe política só pensa na disputa de outubro. Mas há um grupo que está usando as eleições deste ano como aquecimento, são os prefeitos da Grande Vitória, que estão plantando agora para colher nas eleições de 2016. Eleger seus aliados este ano significa sair fortalecido para a disputa à reeleição, mas o revés desses candidatos podem pôr em risco o projeto dos prefeitos em 2016. E a conjuntura não parece muito favorável para quem está com a caneta na mão. A disputa mais sintomática desta situação é na Serra, em que a peleja entre o prefeito Audifax Barcelos (PSB) e o ex-prefeito Sergio Vidigal (PDT) já virou tradição política. O socialista, até por força partidária, apoia o governador Renato Casagrande, e deve compartilhar da vitória dada como certa do deputado estadual Vandinho Leite, também do PSB, para a Câmara dos Deputados. Mas Vidigal, que tende a fechar com o palanque do ex-governador Paulo Hartung, pode ser o mais bem votado do Estado, o que equilibra o jogo entre os dois. Em 2010 foi Audifax quem puxou a fila de deputados federais (foi o mais votado) e se elegeu no primeiro turno da eleição de 2012, superou o rival Sérgio Vidigal. Em Vila Velha, o desempenho muito aquém do esperado do prefeito Rodney Miranda (DEM) favorece a disputa de seus antecessores. Os ex-prefeitos de Vila Velha Neucimar Fraga (PV) e Max Filho (PSDB) estão fortes na disputa a deputado federal. O prefeito não tem lideranças em seu arco de partidos com o mesmo peso político para enfrentar os adversários, por isso, a expectativa da classe política é de que Rodney saia desgastado da eleição, que pode dar ajudar a pavimentar o retorno de Max Filho ou Neucimar à chefia do município canela-verde. Em Cariacica a situação é parecida. O prefeito Geraldo Luzia, o Juninho (PPS), também não foi bem avaliado no primeiro ano. Enfraquecido, Juninho não conseguiu criar candidaturas entre seus aliados capazes de minar o capital eleitoral do ex-prefeito Helder Salomão (PT), que também é um dos que vêm forte este ano na briga por uma cadeira na Câmara dos Deputados. Caso o petista confirma a boa votação, o cenário de outubro pode se repetir em 2016, dificultando a reeleição de Juninho. Na Capital, a disputa é de risco. O ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) colocou o nome à disposição do partido para concorrer ao Senado. O ex-prefeito João Coser (PT) tenta encontrar uma acomodação para sua candidatura na mesma vaga. O prefeito de Vitória Luciano Rezende (PPS) aposta suas fichas na eleição do vereador Fabrício Gandini (PPS), presidente da Câmara de Vitória. Mas se Vellozo ou Coser vencer a disputa ao Senado, virá fortalecido para enfrentar o prefeito em 2016. Neste sentido, a eleição de Gandini pode ter efeito contrário para o prefeito, principalmente se o ex-governador Paulo Hartung vencer a disputa ao governo do Estado, já que os dois hoje são desafetos declarados.
Comunidades de Kennedy são tratadas com descaso por empresa do superporto
As comunidades do município de Presidente Kennedy (litoral sul capixaba) têm sido tratadas com total descaso pela TPK Logística, empresa responsável pelo projeto do superporto da região. A afirmação é do pescador Lenilto Barrosa Silva, que é presidente da Associação de Pescadores de Marataízes e acompanha de perto a chegada do superporto ao município vizinho. Lenilto afirmou que, à exceção da audiência pública, quando dois representantes da administração do porto foram à comunidade apresentar superficialmente o projeto, a empresa responsável sequer buscou diálogo com as comunidades, e muito menos negociou compensações, com as cerca de 500 famílias de pescadores que dependem da área pleiteada pela empresa para a instalação do superporto. Vale lembrar que o empreendimento de Presidente Kennedy é uma parceria entre a empresa TPK Logística e o Porto de Roterdã. Como estimou o pescador, cerca de 95% dos cidadãos das comunidades diretamente afetadas dependem da pesca para sua sobrevivência. Lenilto ressaltou, ainda, que a comunidade ainda não despertou para o problema da chegada do empreendimento, parte que se deve muito à deficiência na comunicação da própria direção da empresa responsável pela instalação do porto, que sequer informou as características básicas do projeto à população. O impacto da construção atingirá uma área de restinga e, nesse processo, ainda será feita uma dragagem que aprofundará o canal de entrada do porto e supostamente levará o material dragado do local para uma área que não afete a região costeira. “Mas quem me garante que a maré não trará essa areia de volta e que não teremos consequências desse descarte? Sou pescador e sei que a corrente marítima muda de repente”, questionou Lenilto, que também classificou que os impactos da instalação do porto no local serão gigantescos. Hoje a polêmica do superporto de Presidente Kennedy está sendo discutida em ações na Justiça estadual. Os donos do loteamento alegam que as áreas foram avaliadas entre R$ 160 milhões e R$ 197 milhões, conforme os laudos de dois peritos que prestam serviços de avaliação à Justiça. Esse valor deve servir como marco inicial para a negociação com o Estado, que estabeleceu a criação de uma comissão no âmbito da Secretaria estadual de Desenvolvimento (Sedes) para negociar as áreas. O pedido de LP foi formalizado pela empresa ZMM Empreendimentos e Participações Ltda, criada para dar vazão à negociata para compra de terrenos para a Ferrous Resources em 2008. O projeto do Porto Central é uma parceria com o Porto de Roterdã e operará como o similar europeu, onde empresas similares operam em funções semelhantes. A TPK Logística já prometeu que dialogaria com a comunidade – o que, pelos relatos, não aconteceu. Também afirmou que as vagas de emprego prioritárias serão destinadas à população local, uma promessa já feita por diversas vezes, e nunca cumprida, pelos mais variados empreendimentos instalados no Estado. Os investimentos para a construção do superporto de Presidente Kennedy ultrapassam R$ 1 bilhão apenas na sua primeira fase, com investimentos totais da ordem de R$ 4,7 milhões. O projeto do superporto está dentro da política estadual de “descentralização e harmonização do desenvolvimento” do governo do Estado. A expectativa do início da construção é para o próximo ano, como informaram os diretores da TPK em reunião na Assembleia Legislativa na última terça-feira (27), em reunião promovida pelo deputado Glauber Coelho (PSB). O diretor-presidente da empresa, José Maria Vieira de Novaes, e o diretor de Desenvolvimento, José Salomão Fadlalah, afirmaram que seria “importante” que os municípios capixabas realizassem os licenciamentos ambientais. Além da parceria com o Porto de Roterdã, destacaram o apoio do Governo do Estado e da Prefeitura de Presidente Kennedy à construção. Na ocasião, os diretores da TPK se mostraram confiantes de que a Licença Prévia (LP) seja liberada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) já no próximo mês e de que, até o final do ano, a Licença de Instalação (LI) seja emitida. De acordo com o sistema online de acompanhamento dos licenciamentos do Ibama, a LP do Porto Central se encontra em Análise Final.
??nibus da Lei Maria da Penha fica em Baixo Guandu durante a semana
O Juizado Itinerante da Lei Maria da Penha vai atender às mulheres vítimas de violência doméstica de Baixo Guandu, no noroeste do Estado a partir desta segunda-feira (2) até a próxima sexta-feira (6). O ônibus em que funciona o juizado vai ficar estacionado das 9 às 16 horas, na Rua Dr Hugo Lopes Nalli, s/n, Centro. O atendimento acontece em parceria entre a Coordenadoria de Violência Doméstica contra a Mulher do Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo (TJES), a prefeitura do município e a Defensoria Pública. No locall podem ser feitos Boletins de Ocorrência (BO), assistência jurídica, eventual concessão de medida protetiva, bem como trabalhos de divulgação e conscientização sobre a Lei Maria da Penha, com distribuição de cartilhas e panfletos. O ônibus tem sala de audiência, gabinete para representantes do Ministério Público e Defensoria Pública e setor para atendimento multidisciplinar – com profissionais da área de Psicologia e Serviço Social – às vítimas de violência e seus familiares. Até o fim do ano, os municípios de Guaçuí, Vargem Alta, Iconha, no sul do Estado; e Colatina, no noroeste também recebem a visita do Juizado Itinerante da Lei Maria da Penha.
TSE muda o jogo eleitoral às vésperas das convenções
Nerter Samora e Renata Oliveira Mesmo com os movimentos de Magno Malta (PR), em Brasília, e do tucano Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), em Vitória, quem ganhou protagonismo no jogo político do Estado na semana que passou foram os candidatos proporcionais, com a problemática da perda de 10% na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa. Nerter – Quando parecia que tudo caminhava para uma definição com as coligações já desenhadas e faltando um ou outro ajuste, vem o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e joga um balde de água fria nos candidatos a deputado federal e estadual do Espírito Santo e outros sete estados. A bancada capixaba está esperneando e tem todo direito do mundo de fazê-lo, mas acho muito difícil reverter a situação até as eleições essa decisão do TSE. Primeiro porque o ministro do TSE, Dias Toffoli, parecia estar muito bem fundamentado na decisão e a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) movida pelo governador Renato Casagrande não caminha para um final feliz para o Estado. Renata – Pois é, o ministro Gilmar Mendes sentou sobre o processo. Está parado desde o ano passado, com poucas movimentações, se restringindo à adesão de Estados como interessados no processo. Além dos pareceres negativos da Procuradoria Geral da República (PGR) e Advocacia Geral da União (AGU), que também não animam em nada a classe política. O jeito vai ser pegar a calculadora e refazer as contas, considerando que o quociente eleitoral vai subir e será necessário reduzir o número de candidatos por partido, o que beneficia os candidatos com mais densidade de votos. Eles ainda terão que torcer para que o número de votos nulos seja realmente alto, para diminuir o mínimo de votação de cada coligação. Nerter – A situação da proporcional vai inevitavelmente pressionar os candidatos majoritários. Neste sentido, quem está no palanque de Paulo Hartung vai acabar cobrando um posicionamento do ex-governador para fortalecer o palanque e dar um rumo para os candidatos. O PR também deve pressionar sua principal estrela, o senador Magno Malta a definir um caminho e o mais provável é a aliança com o Hartung. Assim haverá mais estabilidade para que os partidos façam as coligações proporcionais sabendo quais os aliados que podem procurar. Renata – Mas o palanque mais complicado é o de Casagrande. Com cerca de 15 partidos em sua base, o governador tem, por enquanto, umas quatro pernas para a estadual e três para federal. Por enquanto, porque até 30 de junho muita coisa pode acontecer, novas coligações podem surgir ou se unirem. A pressão que já era grande sobre Casagrande, agora aumenta bastante. E os deputados federais que em 2010 se elegeram com poucos votos correm o risco de ficar pelo caminho. Na Assembleia, com três vagas a menos, os deputados devem cobrar mais espaço no helicóptero do governador, que já está apertadinho. Nerter – As mexidas já começam, não por causa da redução das vagas, mas para as acomodações dos novos aliados. César Colnago havia metido o pé na porta e não queria ir para o palanque de Renato Casagrande, mas isso não tinha a ver com sua fidelidade por Paulo Hartung ou preocupação em garantir a candidatura própria ao governo com Guerino Balestrassi, e sim com o fato de que não havia um espaço que lhe garantisse a reeleição. A composição com o PSB era até interessante, mas os rumores são de que o tucano Max Filho, que também busca a Câmara, estaria com mais densidade que Colnago. O presidente regional do PSDB também comeria poeira de dois nomes fortes do PSB: Vandinho Leite e Paulo Foletto. Daí a movimentação que ganhou fôlego esta semana para a retirada de Foletto da disputa, para ocupar a vaga de vice na chapa de Casagrande, uma exigência do ninho tucano para fechar o acordo alinhavado entre os presidenciáveis Aécio Neves e Eduardo Campos. Sem Foletto no páreo, as chances de Colnago aumentariam. Mas o deputado do PSB sepultou rapidamente esse arranjo. Já avisou que quer disputar um segundo mandato na Câmara. Renata – A manobra que vem do lado tucano pode gerar um efeito cascata no palanque de Renato Casagrande. Os demais partidos também vão querer renegociar seus espaços. Vão querer soluções para manter a competitividade entre as coligações e a promessa de acomodação no eventual segundo mandato de Casagrande. Os deputados estaduais também vão cobrar isso. Muita gente com voto corre o risco de ficar fora da Assembleia e não vão querer ficar desempregados a partir de 2015, não é? Nerter – Este mês promete ser de muita movimentação eleitoral. A partir do início das convenções partidárias, no próximo dia 10, os palanques terão que se posicionar e se organizar. Os livros de candidatura serão apreciados pelos convencionais e a primeira peneira terá seu efeito. Neste sentido, o que chama a atenção da classe política são as movimentações no palanque de Hartung. Ele até agora não se posicionou sobre a eleição. O que se sabe é que ele não abre mão da candidatura de Rose de Freitas ao Senado, já que seria seu DNA em Brasília, ofereceu a vice ao PT, mas Lula não quer e a chapa proporcional nesse palanque vem sendo chamada de chapa da morte. Só para se ter uma ideia, se disputarem juntos PT, PMDB, PDT e PR tem 17 deputados estaduais, como garantir a competitividade desses candidatos e como dividir isso em pernas? Seria necessária uma votação absurda para garantir a presença na Assembleia. Renata – Bom, o grande problema para Hartung lançar a candidatura ao governo parece estar sendo resolvido. Com o intermédio de Sérgio Vidigal (PDT), o senador Magno Malta (PR) caminha para uma aliança com Paulo Hartung. Apesar de essa heresia política ser complicada de se explicar, evita que Malta lance candidatura, caso o PR não lhe dê legenda para a disputa presidencial. É consenso nos meios políticos a ideia de que se Malta disputar, Hartung não disputa. Foi assim em 2010, mas fora do
Pulou a cerca
Nunca houve, para o senador Magno Malta (PR), uma oportunidade tamanha como esta de colocar em prática o seu discurso contra as elites capixabas, disputando uma eleição para o governo contra dois candidatos dos mais fiéis parceiros dessas elites que ele combate, o governador Renato Casagrande e o ex-governador Paulo Hartung (PMDB). O peso eleitoral dos dois teria intimidado o senador? É a indagação deste momento, quando ele se define por uma disputa pela Presidência da República, sem qualquer chance, é bom que se registre. Como acabou de ocorrer, diante de uma boa plateia do seu partido, em Vila Velha, neste sábado (31) pela manhã, abrindo mão, com certeza, de um segundo turno nas eleições para o governo do Estado. Diferente Pois, sem ele, a eleição acabará no primeiro turno. E o governo continuará nas mãos das elites, ganhe Casagrande ou Hartung, embora exista uma candidatura ao governo do Psol que, do ponto de visto ideológico, representa o combate às elites. Diferente II O problema da candidata do Psol é voto, diferente do Magno, que tem voto e não tem ideologia. Magno é um encantador do eleitor de baixa renda, com o seu discurso de dor da miséria, somado ao combate às elites locais, que distingue como opressora desse seu eleitorado. Estranho Quando se manifesta no Estado, o senador costuma bater firme em Casagrande, deixando de lado Hartung. Diante do caminho que terá que tomar na disputa pelo governo, insiste que o seu partido tenha um candidato. Neste encontro em que fez a sua opção, o senador indicou o nome do deputado estadual Gilsinho Lopes para substituí-lo. Difícil Além das amplas possibilidades de reeleição para deputado estadual, Gilsinho não conta com a mínima possibilidade de disputar o governo. O que não rejeitou, desde que fosse uma necessidade do partido. Mas deixou claro que não é o seu momento e que custava crer que pudesse ajudar o partido com sua candidatura. Caminho Sem Magno candidato ao governo e, naturalmente, Gilsinho fora da disputa, o senador vira a cereja do bolo. Com Casagrande? Dificílimo, até mesmo porque, não contemplou o partido no seu governo, como havia prometido. Caminho II E quando quer conversar com o senador, manda interlocutor, diferente do que faz com outros líderes de menor patente política. Quanto a Hartung, que sempre foi o seu principal adversário e alvo, ele até se dispôs a conversar, desde que fosse no seu gabinete. Vantagem Quem realmente ganha com a ausência dele na disputa pelo governo é o ex-governador, conhecido pelos temores de enfrentar o senador numa parada dessa. E é também quem ganha com a chance de poder contar com o apoio dele. Costura quem vem sendo feita pelo presidente estadual do PDT, Sérgio Vidigal, um dos políticos mais chegados a Magno. Derrubando Convenhamos: se tivesse dúvida de que não seria candidato ao governo, Magno não deveria ter concorrido à disputa do delegado Fabiano Contarato pelo partido. Um nome que se figura como novo, pelo seu desempenho à frente da Delegacia de Trânsito. Ao deixá-lo à solidão eleitoral, sem parceiro forte para o governo, estará queimando uma figura com toda a cara da nova linhagem política do Estado. PENSAMENTO: “O capitalismo, como empresário, é cruelmente sincero e de uma grande generosidade, quando isso lhe convém”. Ingmar Bergman
Um passo atrás
Com a proximidade do período eleitoral, volta à baila uma discussão colocada nos meios políticos desde 2008, quando Barack Obama venceu as eleições nos Estados Unidos: a influência dos meios eletrônicos, sobretudo a internet, nas campanhas eleitorais. Esta semana, quem trouxe o assunto para a mesa de discussão foi o colunista de O Globo, Ricardo Noblat, que é incisivo sobre o assunto. Não, afirma, não será desta vez que teremos no Brasil uma eleição.com. “Os políticos estão longe de saber explorar a maioria dos recursos que a internet oferece. Se muito, o ‘santinho’ impresso distribuído entre os eleitores cedeu lugar ao ‘santinho’ eletrônico”, afirma. Partindo da análise que Noblat faz da dificuldade da classe política nacional em lidar com o avanço tecnológico, é possível perceber que no Espírito Santo a situação é bem parecida. Os dois candidatos ao governo do Estado, por exemplo, são neófitos nos meios. Renato Casagrande tem Facebook e Twitter corporativos, nitidamente deixados aos cuidados da assessoria. Agora experimenta o Instagram, em que compartilha momentos do seu dia a dia no governo do Estado. É simpático, mas bem distante do que se espera para um candidato inteirado com as redes sociais. Ainda assim, é bem melhor que seu adversário, Paulo Hartung (PMDB). A interação do ex-governador com a internet se resume a um blog, também alimentando pela assessoria. O Instagram é de “admiradores”, nada mais antipático para o eleitorado. O que deve valer mesmo nesta eleição é a guerra de informação pelos cabos eleitorais virtuais. A disseminação de informações pejorativas e a contrainformação devem ser usadas para tentar minar a popularidade dos candidatos. A minirreforma aprovada no ano passado pelo Congresso Nacional e, sancionada pela presidente Dilma Rousseff, aperta o cerco a esse tipo de atividade, mas será que vai inibir a prática? O que se vê de discussões na campanha presidencial pelas redes sociais até aqui mostra que não. Neste sentido, a utilização da internet nas eleições ainda não foi bem compreendida pela classe política e, mais uma vez, o que vai mesmo pesar na eleição será o programa eleitoral na televisão e a campanha de rua, que ao longo dos anos vem minguando, mas ainda mostra sua força, sobretudo, no interior. Até porque a classe política se mostra sempre um passo atrás do avanço tecnológico. Usar as redes sociais só para divulgar atividades e teses políticas, sem entrar no debate e criar identidade com os usuários das ferramentas da internet, não vai conquistar o eleitor virtual. Falta muito para que os políticos aprendam a lidar com a interação e o cenário político e social que esse universo apresenta como desafio.