Enquanto o período de campanha não começa para valer, os dois palanques colocados – do governador Renato Casagrande (PSB) e do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) – até o momento para a disputa do governo do Estado trabalham uma estratégia visual muito importante na briga pelo fortalecimento de suas candidaturas. Enquanto Casagrande mostra um volume de apoios muito grande que exalta força política, Hartung busca uma tática já conhecida de seu grupo de abafamento com pesquisas do mercado político. As duas estratégias criam cenários artificiais de embate de forças políticas tentando ganhar pela projeção de suas imagens, ao mesmo tempo em que procuram diminuir a força política do adversário. Uma briga de aparências, de intimidação, que deixa a classe política confusa sobre o real tamanho das candidaturas postas. Hartung tenta mostrar que mesmo estando quase quatro anos sem mandato ainda é superior em prestígio político, mesmo estando dentro do gabinete, fora das ruas, cria a impressão que tem o processo eleitoral na mão, com vantagem sobre o sucessor. Esse cenário é criado por meio das sucessivas pesquisas eleitorais que vem sendo divulgadas ou não, nos últimos dias, bombardeando as lideranças com os números favoráveis ao seu palanque. O problema é o resultado das últimas eleições no Estado, colocaram em xeque a credibilidade de pesquisas eleitorais no Espírito Santo. Então, até que ponto a classe política está sendo convencida sobre o tamanho eleitoral de Hartung, se nas ruas o termômetro aponta outra temperatura? Casagrande põe prefeito, deputado, partido, vereador, liderança de bairro, todo mundo em seu palanque. Falta espaço para acomodar tanta gente. Quer mostrar que a saída do PT e do PMDB da unanimidade não esvaziou seu prestígio político. Busca influenciar os transmissores de votos nas bases para garantir o apoio do maior número de lideranças possíveis. Mas até que ponto a declaração de apoio hoje vai se reverter em voto nas urnas em outubro? São questões que rondam as cabeças das lideranças políticas do Estado, em meio a uma briga que hoje é só fumaça. Muita gente vai esperar o chão se firmar para depois pisar. Até porque, não se sabe sequer se esses dois palanques existirão mesmo. Fragmentos: 1 – Vai ser muito difícil o ex-prefeito e Colatina, noroeste do Estado, Guerino Balestrassi manter sua candidatura dentro do PSDB. A base reclama e a cúpula não consegue mais segurar. 2 – A situação apertou com o posicionamento do presidente do partido no Estado, deputado federal César Colnago, que defendia a candidatura própria, sinalizar que a canoa está fazendo água. 3 – Aliás, desde que deixou a prefeitura em 2008, Guerino Balestrassi não tem acertado na escolha de um caminho político. Tentou ser senador em 2010 e não conseguiu, agora tentou ser governador e pelo jeito não vai conseguir. Talvez seja o caso de tentar algo menos audacioso, como deputado federal ou estadual.
TRT-ES vai analisar representação contra juiz acusado de ofender advogada
O Pleno do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (TRT-ES) deve iniciar, na sessão desta quarta-feira (20), o julgamento de uma representação feita pela Ordem dos Advogados do Brasil no Estado (OAB-ES) contra um juiz trabalhista. Na denúncia, a entidade pede a aplicação de sanções ao magistrado, que teria ofendido uma advogada no texto de uma sentença. Para a Ordem, o juiz trabalhista teria violou o dever de urbanidade previsto na Lei Orgânica da Magistratura (Loman). Na sentença, o juiz Ricardo Menezes da Silva criticou a suposta omissão da advogada Maria Madalena Selvaticina apresentação de documentos obrigatórios em uma ação que pedia o reajuste salarial de uma trabalhadora. A defesa se baseou em decisão favorável à categoria que, segundo a advogada, poderia “ser observado pelo juízo no site”. Esse inusitado pedido foi alvo de discordância do magistrado. “Desculpe-me, mas a preguiça é invencível e contagiante. Se a advogada da reclamante não tem ânimo de exibir o indispensável documento, nem se digna de indicar, ou transcrever, a cláusula do tal dissídio que respalda a pretensão de reajustamento salarial, não compete ao juízo suprir a negligência da mandatária”, afirmou o juiz, que deu ganho parcial de causa à trabalhadora. O juiz trabalhista ainda completou: “A propósito, o magistrado não pode usurpar poderes e/ou deveres inerentes ao mandato concedido à advocacia, dentre as quais se inclui a atitude de municiar as pretensões com substanciosas causas de pedir acompanhadas da documentação apropriada”. Para o presidente da OAB/ES, Homero Junger Mafra, o magistrado violou o dever de urbanidade previsto na Loman. Segundo ele, o juiz Ricardo Menezes com “seu agir grosseiro e deselegante ultrapassou todas as normas de civilidade que devem nortear as relações entre magistrados e advogados”. Em comentário na revista eletrônica Consultor Jurídico, que repercutiu o assunto, o juiz trabalhista critica a tentativa da advogada em culpar o Judiciário pelo desfecho desfavorável do processo. “Se o advogado foi desidioso, o juiz pode, se quiser, apontar o fato culposo, até para que a parte, que teve o pedido rejeitado, saiba o motivo do insucesso e, principalmente, que o culpado não ó o Poder Judiciário. O resto é conveniente vitimização e vontade de voltar à cena midiática”, alegou.
Acirramento da disputa presidencial põe Hartung em cima do muro
Com a definição do governador Renato Casagrande (PSB) pela candidatura de seu partido à Presidência da República, os meios políticos observam a movimentação do outro palanque, o do ex-governador Paulo Hartung (PMDB), que segue indefinido em relação à disputa nacional. Enquanto isso, os possíveis aliados fazem suas articulações acreditando na adesão do peemedebista. Mas o histórico de neutralidade do ex-governador nas disputas nacionais sugere que será muito difícil que ele assuma um dos nomes nacionais, capitaneando um palanque presidencial. O primeiro movimento, ainda no ano passado, foi com o PT, o que levou as lideranças capixabas a acreditar na viabilidade da aliança com o PMDB no Estado. As costuras teriam a assinatura do ex-presidente Lula, que rejeitava o nome de Ricardo Ferraço para o governo, apostando na candidatura de Hartung, como puxador do palanque de reeleição da presidente Dilma Rousseff, no Espírito Santo. Mas o cenário mudou e a queda da vantagem de Dilma na corrida presidencial favoreceu ao afastamento de Hartung do palanque do PT, o que fez as lideranças do partido a começarem a analisar a possibilidade de os petistas terem de lançar uma candidatura própria para evitar que a presidente fique sem espaço político no Estado. Paralelamente, Hartung iniciou um movimento de aproximação com o PSDB, o DNA tucano e o bom relacionamento com o presidenciável do partido, o senador por Minas Gerais, Aécio Neves, indicavam que ele poderia erguer o palanque dele no Estado. Mas a candidatura de Aécio também é de risco, não há uma garantia de que ele possa superar Dilma nas urnas e a presença de um terceiro elemento nunca testado nas urnas nacionais, Eduardo Campos, do PSB, acompanhado da ex-senadora Marina Silva, por quem o capixaba já mostrou simpatia em 2010, torna a eleição presidencial imprevisível, pelo menos no Espírito Santo. Por isso, a expectativa é de que Hartung continue alinhavando as alianças para seu palanque ao governo do Estado, sem, porém, se comprometer com nenhuma candidatura presidencial. Caso assuma um dos palanques – e hoje o mais próximo é o do PSDB – será uma surpresa para as lideranças que conhecem o método do ex-governador em relação às disputas nacionais. Hartung foi eleito em 2002, quando Lula ascendeu à Presidência da República. Foi o governo petista que liberou a antecipação dos royalties do petróleo, que serviram para que o então governador equilibrasse as finanças do Estado. Em contrapartida, Lula pediu apoio de Hartung para a reeleição em 2006, mas o governador não apoiou o presidente nem no primeiro turno e nem no segundo contra o então candidato tucano, Geraldo Alckimin. Em 2010, a história se repetiu. Embora tenha tirado foto com a candidata de Lula, Dilma Rousseff (PT), Hartung que deixava o governo não pediu votos para a petista. No segundo turno, contra o tucano José Serra, nem Hartung nem o candidato eleito pelo seu palanque, Renato Casagrande, se envolveram na disputa presidencial.
Ocupa Sedu: depois de negociação, professores garantem a saída de estudantes do prédio
Depois de pernoitarem na sede da Secretaria de Estado da Educação (Sedu), na Praia do Suá, em Vitoria, na manhã desta terça-feira (20) os professores que ocuparam o prédio negociaram com a Polícia Militar a desocupação. Os professores se instalaram no prédio da secretaria na tarde dessa segunda-feira (19), com barracas, e esperavam serem recebidos pelo secretário de Estado de Educação, Klinger Marcos Barbosa Alves, o que não aconteceu. De acordo com o professor de Sociologia, Antônio Barbosa, do Comando de Greve, os professores estão se organizando para sair do prédio, mas a categoria quer sair pela porta da frente, enquanto a polícia exige que os professores saiam pelo portão dos fundos. “Queremos sair pelo portão da frente até por uma questão simbólica, e não pelos fundos como se estivéssemos sendo expulsos”, afirma Barbosa. Depois da negociação com os policiais militares, os professores conseguiram sair pela porta da frente do edifício, mas ainda permaneciam na área da Secretaria para resguardar os alunos que permaneciam dentro do prédio. Dois professores fizeram a mediação da negociação entre os alunos e os policiais militares, e os estudantes aceitaram deixar o prédio por volta de meio-dia, quando o ato público realizado em frente à Sedu também terminou. Enquanto negociam a saída, um ato público em solidariedade aos professores que ocuparam a Sedu é realizado em frente à secretaria, na Avenida César Hilal. Os professores e estudantes que realizam o ato ocupam duas das três faixas da via. Durante a noite, os professores que participavam da ocupação receberam alimentos de familiares e amigos, solidários ao movimento. O professor Antônio salienta que policiais militares permaneceram com os professores durante toda a noite e que o diálogo com a PM foi tranquilo. Dentre as principais reivindicações dos professores estão a recomposição salarial, eleição direta para diretor de escola e revisão do plano de cargos e salários. Para os professores, as negociações não avançam porque o governo passou a apelar para a Justiça em vez de buscar uma saída negociada para a greve, que já dura mais de 30 dias. A manobra do governo de judicializar o impasse em vez de insistir no diálogo, dificultou as negociações e aumentou a pressão sobre os professores. A Justiça considerou a paralisação ilegal e impôs sanções à categoria: uma multa R$ 630 mil ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública (Sindiupes), caso as aulas não sejam retomadas, além do corte do ponto dos professores que permanecerem em greve. O governo alega ainda estar à espera do posicionamento do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) sobre a possibilidade de conceder a recomposição das perdas salariais de 5,6%. No entanto, a lei eleitoral diz, apenas, que não se pode conceder reajuste acima do limite da inflação seis meses antes das eleições. O índice pleiteado pelos professores está abaixo do limite. Ainda na tarde desta terça-feira, está marcado um ato público em frente ao TRE, na Enseada do Suá, cobrando uma resposta sobre o questionamento feito pelo governo a respeito da possibilidade da concessão de recomposição salarial à categoria. Para esta quarta-feira (21), também está confirmada uma nova assembleia geral dos professores da rede estadual, em que deve ser votada a continuidade ou não da greve. Na sexta-feira (16), o diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública (Sindiupes), Rodrigo Agapito, disse que o sindicato vai tentar obter, pelo menos, um avanço concreto para os professores. Ele afirmou, ainda, que resposta concreta é dizer se vai atender a alguma reivindicação, e não formar grupo de trabalho, para analisar a possibilidade de concessão de qualquer benefício.
Associação apoia pedido de mais rigor em julgamentos do TCE
A Associação dos Auditores de Controle Externo do Estado (Ascontrol-ES) emitiu uma nota de apoio à manifestação do Ministério Público Especial de Contas (MPC), que pediu mais rigor em julgamentos no Tribunal de Contas (TCE). No texto, o presidente da entidade, Rafael Batista Lamas, destaca que o documento foi aprovado por unanimidade em assembleia da categoria. A nota foi enviada ao procurador-geral do MPC, Luis Henrique Anastácio da Silva, que cobra a condenação de gestores acusados de fraudes contábeis O parecer do órgão ministerial foi emitido no início de abril e listou decisões conflitantes da corte em relação à supostas irregularidades contábeis em prestações de contas. O chefe do MPC apontou 21 processos em que a decisão do TCE afastou irregularidades previstas na Lei Federal nº 4.320/1964 (Lei das Finanças Públicas). Em alguns casos, os conselheiros teriam ignorado até dez ilegalidades em um mesmo processo, sob alegação de que seriam “meros erros formais”. Anastácio comparou o resultado dos julgados com decisões em 11 casos semelhantes, em que os conselheiros teriam reconhecido os erros dos gestores como graves. Desta forma, ele pede uma maior coerência da corte no reconhecimento dos desvios e da eventual punição aos responsáveis: “Admitir que irregularidades contábeis sejam reiteradamente afastadas sob o falacioso argumento de que são meros ‘erros formais’, como se quer fazer nos presentes autos, significa negar eficácia à Lei das Finanças Públicas”. Segundo informações do MPC, o parecer foi juntado à época ao recurso do MPC contra o voto do conselheiro Rodrigo Chamoun, que é o relator do processo de prestação de contas do Instituto de Previdência dos Servidores (IPAS) do município de Mantenópolis, referente ao exercício de 2010. Apesar da área técnica do tribunal e o órgão ministerial terem alertado sobre a existência de várias irregularidades contábeis, Chamoun afastou uma parte da denúncia. Mas apesar do apelo do órgão ministerial, o voto do relator foi acompanhado pela maioria dos conselheiros – com exceção de Sebastião Carlos Ranna, que acompanhou o entendimento da área técnica e do MPC pela manutenção de todas as irregularidades. Mesmo assim, os gestores do IPAS de Mantenópolis foram condenados ao pagamento de multa de mil VRTEs (equivalente R$ 2.521,00), de acordo com julgamento do caso (processo TC 2025/2011) realizado no último dia 24 de abril.
Moradores cobram equipamentos públicos na área do aeroporto
Mais que a nova pista, o novo terminal de passageiros, a expansão do estacionamento de cerca de 500 vagas para mais de 1.600, entre outras novas intervenções no Aeroporto de Vitória, o que realmente preocupou os moradores dos presentes à audiência pública que apresentou o Plano Específico de Ordenação das Formas de Uso e Ocupação do Solo da Zona de Equipamentos Especiais 1 (ZEE 1) foi a ausência de áreas destinadas à instalação de equipamentos públicos. Cerca de 150 pessoas compareceram à audiência, realizada na noite dessa segunda-feira (19) na Escola de Serviço Público do Espírito Santo (Esesp), em Bairro República. Grande parte era moradores de Bairro República e Mata da Praia, bairros localizados na área de impacto direta dos projetos no sítio aeroportuário. Como explicou a secretária municipal de Desenvolvimento da Cidade, Sandra Monarcha, os detentores das ZEEs devem apresentar à prefeitura uma proposta de ocupação, segundo exigência do Plano Diretor Urbano (PDU). O sítio aeroportuário em questão pertence à União e é administrado pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). O engenheiro do órgão, Paulo Bragato, apresentou a proposta da Infraero para os 5 milhões de metros quadrados da área. Afora inúmeras intervenções para a instalação do novo aeroporto da cidade – como os citados acima, além de novo pátio para aeronaves, nova torre de controle, nova infraestrutura para abastecimento de aeronaves, plano de esgotamento, mudança de rota para pouso e decolagem com a nova pista – foram destacadas cinco áreas destinadas a uso comercial, via concessão, cada uma com mais de cinco mil metros quadrados. Ao final, Bragato apresentou melhorias decorrentes do plano: redução de ruídos, aumento do potencial turístico e comercial da cidade, aumento da arrecadação municipal, foram algumas melhorias apontadas. Haverá impactos ambientais, já que registra-se ali as zonas de proteção ambiental 1 e 3. O viveiro de restinga Reverendo Jaime Wright, na Rodovia Norte Sul, em Jardim Camburi, será realocado e haverá compensação ambiental. O promotor de Justiça de Meio Ambiente e Urbanismo do Ministério Público Estadual (MPES), Marcelo Lemos, elogiou a proposta. Mas alertou para o velho problema da mobilidade urbana da capital: “Ainda bem que não temos um aeroporto internacional, porque Vitória não iria suportar”, ponderou. Ele também criticou a lista de melhorias apresentada anteriormente pelo engenheiro da Infraero. “Vi a lista do que vai melhorar, mas não há nada comprovado”. Quando a audiência permitiu a intervenção dos moradores, o superintendente da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) em Vitória, Altemar Lopes, amparando-se no discurso da valorização imobiliária, disse que proprietários de imóveis no entorno vão ganhar com os projetos. A plateia respondeu com uma sonora gargalhada. Um argumento raso que já não convence. Evocando as inúmeras e significativas intervenções de mobilidade que Vitória irá receber no rastro do BRT (vias exclusivas para ônibus) – túneis, viadutos, ampliação de vias, Quarta Ponte – ele cobrou do município a elaboração do Plano Municipal de Mobilidade Urbana, exigência da Política Nacional de Mobilidade Urbana. Segundo este, o prazo para elaboração dispositivo municipal expira em 2015. Mais adiante, Sandra Monarcha respondeu que Vitória está prestes a iniciar seu plano. O presidente da Associação de Moradores de Mata da Praia (AMMP) Sandoval Zigoni, condensou o sentimento geral dos moradores em relação à proposta da Infraero: “não há qualquer área destinada para ocupação por equipamento público”. Ele destacou que aquela é uma das poucas áreas públicas disponíveis na capital. Os moradores se mostraram um tanto insatisfeitos com tantos projetos de uso comercial e nenhuma contrapartida pública. Zigoni, então, apresentou as propostas que contemplam os moradores: que em algum naco dos milhões de metros quadrados do sítio aeroportuário sejam implantando uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA-24 horas), uma delegacia, um destacamento da Polícia Militar e um da Guarda Municipal. A preocupação dos moradores do entorno com os projetos vindouros é grande, tanto que em certos momentos o debate que acontece nesta terça-feira (20), no mesmo local, foi antecipado. Trata-se da apresentação do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) do Centro de Eventos de Vitória.
Vai entender…
Sou obrigada a voltar no assunto. Ainda não dá para entender que, a essa altura do campeonato, o governador Renato Casagrande continue com essa ladainha de defender a permanência do deputado estadual Elcio Alvares (DEM) na liderança do Governo, como voltou a fazer em entrevista ao jornal A Tribuna nesse domingo (18). Como já tratei aqui, essa posição não agrada nem mesmo aos seus aliados, pois é um claro indicativo de que o socialista, embora solte algumas indiretas, ainda não abriu fogo contra o ex-governador Paulo Hartung (PMDB). Romper essa ligação seria importante para Casagrande, já que além de ser do DEM, partido manobrado por Hartung, o deputado nunca escondeu que é fiel ao ex-governador e caminhará com ele nas eleições deste ano. Mas, longe disso. Casagrande não só diz que Elcio fica, como ressalta que confia nele, mesmo que não defenda sua gestão de tiroteios vindos da Assembleia. Resumindo, Elcio fica na função até quando bem entender. Se existe uma estratégia por trás disso, está difícil de decifrar. Por enquanto, não faz sentido algum. É insistir no erro. Vai entender II… Até mesmo porque, Elcio deixou de ser líder do governo há muito tempo. Só tem a função no nome. ‘Expert’ O ex-governador segue rodando o Estado com suas palestras sobre economia. Na última semana esteve em Linhares e em Vila Velha. Faço ideia as indiretas – ou diretas – que ele não lança sobre a gestão atual, com base naquele estudo encomendado. Repeteco O senador Magno Malta (PR) voltou a lançar incógnitas no mercado político, durante mais um seminário de capitação realizado pelo partido, nesse sábado (17), em Cachoeiro de Itapemirim. Reforçou sua candidatura à Presidência da República e repetiu que o PR terá chapa própria na disputa estadual. Até o mês que vem, este é o discurso. Única opção No mesmo dia, o delegado Fabiano Contarato confirmou o que todo mundo já sabia: será o candidato do partido ao Senado. Agora, se não é Magno o nome ao governo, quem mais poderia ser? Sei não, hein… Tudo em casa O procurador-geral de Justiça, Eder Pontes, era só sorrisos na tarde desta segunda-feira (19), ao se acomodar ao lado do presidente da Assembleia, Theodorico Ferraço (DEM), para prestação de contas de sua gestão à frente do Ministério Público Estadual (MPES). Tarde de confete e bajulações. Defesa Por falar em Pontes, que lembra Operação Derrama, que lembra o ex-prefeito Edival Petri, o lançamento do livro ‘Imagens reveladas de uma experiência vivida pela fé – uma derrama de bênçãos’, de autoria de Petri, em Vitória, passou longe de bombar. Dizem que só os puxa-sacos lá de Anchieta compareceram. Também, convenhamos, forçou a barra. Defesa II E o lançamento de Anchieta, será que foi melhorzinho? Ou fiasco total? Dificuldades Vila Velha está entre os municípios do País onde há superoferta de shoppings, o que significa dor de cabeça e prejuízo para os empresários do setor. Alerta é de reportagem do Valor Econômico. Já tem gente pisando no freio. 140 toques “Nossa luta pela reabertura do Hospital dos Ferroviários deu frutos. Está pré-agendada para dia 23/6 a reabertura. Saúde, saúde e saúde!”. (Deputado estadual Hércules Silveira – PMDB – no Twitter). PENSAMENTO: “Tirania não é um hábito; ela se desenvolve, como se desenvolvem as doenças”. Fyodor Dostoievski
Falando sozinho
Para construir seu discurso de reeleição e tentar mostrar um comparativo entre seus quatro anos contra os oito do ex-governador Paulo Hartung, o governador Renato Casagrande partiu para o ataque. Mas sem a resposta do adversário – ou pelo menos do suposto adversário – fica parecendo conversa de “bêbado com delegado”. Hartung mantém o silêncio e o presidente do PMDB, o deputado federal Lelo Coimbra, que não é candidato ao governo, é quem responde do outro lado. Isso desequilibra o debate e deixa o discurso solto, perdido no tempo. Casagrande vem chamando Hartung para o ringue, mas o ex-governador continua se esquivando. Até quando? O governador decidiu que é hora de atacar é agora, depois de três anos e meio compartilhando seu governo com os aliados de Hartung – e ainda há nomes na equipe de Casagrande ligados ao ex-governador. O socialista entendeu que este é o momento de devolver todas as contas que foram deixadas em cima de sua mesa pelo antecessor. A forma que ele vem usando, porém, ainda não é o que se espera para um debate polarizado, ainda mais com tanta antecedência assim do pleito. Se é para atacar, tem de ser uma tacada certeira, mas o governador usa um discurso difuso, que é inteligível apenas para quem acompanha assiduamente os movimentos políticos. Para o público em geral, suas palavras não atingem o objetivo esperado, que seria desidratar a candidatura do ex-governador. O que intriga os meios políticos hoje é o motivo do silêncio de Hartung. Estaria ele intimidado pelo volume que Casagrande tem mostrado em seu palanque ou apenas aguardando o momento de dar a resposta certeira e definitiva? Fragmentos: 1 – A reportagem de A Gazeta desse domingo (18), recorda o momento em que o então vice-governador Renato Casagrande rompera com o governador Vítor Buaiz. Mas em que momento foi isso? Afinal, além de vice, o socialista comandou direta e indiretamente a toda poderosa Secretara de Agricultura até o último segundo do governo petista. 2 – Em Colatina, noroeste do Estado, a renúncia do bispo Dom Décio Sossai Zandonade ainda não afetou politicamente o município. Na verdade, a população está desacreditada da classe política como um todo e, talvez, nem o Papa seria capaz de ajudar. 3 – Ana Rita brigou pela candidatura ao Senado enquanto o PT estava em conversas com o PSB. Agora o partido vai sozinho e a vaga ficaria novamente aberta, se João Coser tiver que ser candidato ao governo. Mas, agora, será que ainda há interesse na vaga?
Futebol brasileiro em crise
O ex jogador Dé, o Aranha, que jogou no Vasco e aqui no Rio Branco, e agora é comentarista esportiva da Rádio Globo, matou a charada do que acontece com o futebol brasileiro, que vai mal das pernas. Ele disse que o futebol brasileiro esta sem identidade, que a culpa é de todos, atá da imprensa. Lembrou que até pouco tempo, os gringos procuravam imitar o futebol brasileiro e que agora nós é que procuramos jogar um futebol parecido com o deles. Pode isso? Que o Brasil é pobre de técnicos, apesar dos 200 milhões de brasileiros serem os “técnicos”, é apenas uma meia dúzia de nomes que fica naquela de entra e sai dos grandes clubes. Aranha perguntou: Por que na Europa têm técnicos argentinos, croatas, alemães em ação nos grandes clubes e não tem nenhum brasileiro? Realmente tem alguma coisa errada. Um dos que tentaram, e não deu certo, foi Luxemburgo no Real Madrid. Estamos falando de clubes da Europa. Não se tem notícia de técnico brasileiro por lá. Por quê? Será que a ausência deles lá está retratando o nosso futebol pobre de hoje em dia? Nós estamos ultrapassados? Nossos técnicos não são capazes de desenvolver uma nova maneira de jogar futebol, com o talento de nossos jogadores? Isso nós veremos nesta Copa, que terá uma cobertura monstruosa da Globo, que vai até enjoar. Quero ver depois. PARABÓLICAS Por que até hoje as FM’s, principalmente as do interior, têm que ter à noite um programa chamado “love songs”? A Band FM continua dado as cartas em Guarapari, sob a batuta de Ricardo Conde. E o Jornal grátis Metro está realmente incomodando A Tribuna e a A Gazeta, principalmente o renomado NA (Noticia Agora) A Igreja Universal fechou a compra de toda a grade de programação da rede da TV aberta CNT. MENSAGEM FINAL A chave da sabedoria é saber as perguntas certas ou ficar calado. Enrico Oliveira
Ocupa Sedu: 30 professores devem pernoitar no prédio da Secretaria de Educação
Desde às 13 horas desta segunda-feira (19), um grupo de 70 professores e estudantes decidiu ocupar o prédio da Secretaria estadual de Educação, que fica na Avenida César Hilal, na Enseada do Suá, em Vitória. Depois de seguidas reuniões, os manifestantes optaram por passar a noite no prédio da Sedu. Segundo o professor de sociologia Antônio Barbosa, do comando de greve, a proposta é de que um grupo de 30 a 40 professores pernoitem no local. “A expectativa é de que amanhã [terça-feira, 20] o governo retome as negociações. Nós continuamos dispostos a negociar, desde que o governo conceda algumas das nossas reivindicações”, condicionou Barbosa. Dentre as principais reivindicações dos professores estão a recomposição salarial, eleição direta para diretor de escola e revisão do plano de cargos e salários. Para os professores, as negociações não avançam porque o governo passou a apelar para a Justiça em vez de buscar uma saída negociada para a greve, que já dura mais de 30 dias. A manobra do governo de judicializar o impasse em vez de inisistir no diálogo dificultou as negociações e aumentou a pressão sobre os professores. A Justiça considerou a paralisação ilegal e impôs sanções à categoria: uma multa de mais de R$ 600 mil ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública (Sindiupes), caso as aulas não sejam retomadas, além do corte do ponto dos professores que permanecerem em greve. Nas rodadas de reuniões com a mediação do Ministério Público Estadual , o governo alega que aguarda um posicionamento do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que estaria avaliando a possibilidade de concessão da recomposição das perdas salariais. Apesar da justificativa do governo, a categoria alega que a lei eleitoral prevê apenas que não se pode conceder reajuste acima do limite da inflação seis meses antes das eleições. O índice pleiteado pelos professores estaria abaixo desse limite. “Há outros pontos na pauta tão importantes quanto à recomposição salarial. A eleição de diretor de escola, por exemplo”, rebate Barbosa. Ele diz que a categoria estaria disposta a reavaliar a suspensão da greve caso o governo atendesse esse ponto da pauta. No entanto, afirma, o governo reluta em mexer na eleição de diretores porque há uma questão política por trás. “Sabemos que esses cargos de direção são indicações de deputados e vereadores, e o governo não quer mexer com isso agora”, afirma o professor. Caso as negociações não avancem nesta terça-feira (20), o comando de greve que ocupa a Sedu não decidiu ainda se irá permanecer no prédio. Por enquanto, segundo os professores o clima é tranquilo. A Polícia Militar acompanha de perto os manifestantes, mas, aparentemente, não há qualquer movimento por parte da polícia no sentido de retirar os manifestantes à força do prédio. Professores que ficaram do lado de fora estão encarregados de garantir a alimentação dos manifestantes que irão pernoitar no prédio. Para esta quarta-feira (21) está marcada nova assembleia geral dos professores da rede estadual, em que deve ser votada a continuidade ou não da greve. Na sexta-feira (16), o diretor do Sindiupes, Rodrigo Agapito, disse que o sindicato luta para obter, pelo menos, um avanço concreto para os professores. Ele afirmou, ainda, que resposta concreta é o governo dizer que vai atender a alguma reivindicação, e não formar grupo de trabalho para estudar a possibilidade de concessão das demandas. Qualquer que seja a negociação, o sindicato exige a suspensão da multa e do corte do ponto.