Neste domingo (18), o Fórum Municipal de Enfrentamento à Violência, à Exploração e ao Abuso Sexual Infantojuvenil promove uma caminhada que marca o Dia Nacional de Luta contra o Abuso Sexual de Crianças e Adolescentes. A data foi instituída em memória de Araceli Cabrera Crespo, assassinada há 41 anos, aos 9 anos de idade, em Vitória, depois de sofrer abuso. A caminhada vai começar à 8 horas, com concentração no estacionamento próximo ao píer de Iemanjá, na orla de Camburi. O objetivo é envolver a sociedade civil e o governo na luta em defesa do direito das crianças de crescer de forma saudável e protegida. Segundo o Fórum, em 2013, foram registrados pelos Centros de Referência Especializado de Assistência Social de Vitória (Creas) 285 casos de famílias que tiveram ocorrências de violência sexual. Desse total, 67%, ou seja, em 190 deles, as vítimas eram crianças e os demais adolescentes. A vice-coordenadora do Fórum, Patrícia HulleNúmero, alerta que esse número é significativo e desconsidera os casos que não são notificados, já que a maioria ocorre no ambiente familiar. “O agressor é o pai, o padastro, o avô ou um vizinho próximo à família”. Lei Nessa quarta-feira (14), o Plenário da Câmara dos Deputados aprovou Projeto de Lei 7220/14, do Senado, que torna hediondo o crime de exploração sexual de crianças e adolescentes, impedindo o condenado de obter anistia, graça ou indulto ou pagar fiança. A matéria será enviada para da sanção presidencial. A aprovação do projeto foi simbólica, por conta do dia em que se celebra o enfrentamento à violência contra criança e ao adolescente. Quem é condenado por crime hediondo tem ainda de cumprir um período maior no regime fechado para pedir a progressão a outro regime de cumprimento de pena. É exigido o cumprimento de, no mínimo, dois quintos do total da pena aplicada se o apenado for primário; e de três quintos, se reincidente. Segundo o projeto, será considerado hediondo o crime tipificado no Código Penal de submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração sexual alguém menor de 18 anos ou vulnerável. A pena é de 4 a 10 anos de reclusão e é aplicável também a quem facilitar essa prática ou impedir ou dificultar o seu abandono pela vítima. Iguais penas são atribuídas a quem for pego praticando sexo ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 e maior de 14 anos no contexto da prostituição. Caso Araceli O Dia Nacional de Luta contra o Abuso e a Exploração Sexual é lembrado em 18 de maio em alusão ao assassinato de Araceli Cabrera Crespo, em 1973, depois de sofrer abuso. O crime completa 41 anos neste domingo. A menina sumiu depois de sair da Escola São Pedro, localizada em Vitória, enquanto esperava o ônibus. Ela ficou desaparecida por seis dias e foi encontrada em uma mata, nas imediações do Hospital Infantil, no mesmo município. No corpo de Araceli havia marcas de mordidas e sinais de abuso sexual. O rosto dela foi queimado com ácido, para dificultar a identificação. O crime entrou para o rol daqueles de grande repercussão, tanto no Estado quanto no resto do País. Durante as investigações foram apontados como autores Dante Michelini Junior e Paulo Helal, ambos de famílias influentes da Capital. Eles chegaram a ser julgados em 1991, mas este foi anulado.
Espetáculo Chico Prego será encenado nesta segunda-feira (19)
Inspirada na saga da Insurreição de Queimado, a peça Chico Prego é uma história carregada de expressões populares como o jongo, o congo e a capoeira. O espetáculo faz parte do Festival de Teatro Cidade em Cena e será apresentado nesta segunda-feira (19), às 20 horas, no Theatro Carlos Gomes. Chico Prego, da Companhia Makuamba, conta a história do lendário personagem que ficou conhecido após lutar pela liberdade dos escravos. O espetáculo narra a história de Frei Gregório de Bene, italiano e encarregado da instrução da população local. Em seus sermões, condenava a escravidão e o tratamento desumano conferido aos escravos. O propósito de construir uma igreja na região, mesmo sem possuir recursos para tal, fez com que o Frei prometesse liberdade aos escravos caso eles participassem de sua construção. Animados com a proposta, os negros trabalharam durante todo o processo de construção da igreja. Na inauguração, porém, a promessa de liberdade não foi cumprida e os rebeldes se refugiaram, sendo alguns capturados e outros mortos. Os escravos, liderados por Chico Prego e Elisiário, travaram uma sangrenta luta pela liberdade, que culminou em centenas de mortos. Pesquisas revelam que grupos de negros fugitivos seguiram para diversas regiões do Estado, formando novos quilombos. Entre os mais conhecidos está o Morro do Moxuara, em Cariacica, que forma o povoado denominado de Piranema, principal reduto das bandas de congo, um ritmo musical africano que só existe no Espírito Santo. Realizado pela Espírito Cultura e Entretenimento, o Festival Cidade em Cena segue até o dia 25 de maio e terá mais de 20 horas de espetáculos. Segundo os produtores culturais Eduardo Pagani e Lucas Calil, o objetivo é fomentar a produção de teatro local e apresentar o que há de melhor no circuito nacional, com a exibição de peças inéditas. Serviço O espetáculo Chico Prego será encenado nesta segunda-feira (19), às 20h, no Theatro Carlos Gomes. Ingressos R$ 20 (inteira), na bilheteria do Teatro ou no site: ingresso.com
No reino da Togolândia
Tão fácil quanto tirar um doce de uma criança. Deve ter sido essa a sensação do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) ao pedir, e conseguir, uma “ajudinha extra” do governo do Estado para “interar” algumas despesas de última hora. Nessa quinta-feira (16), documentou o Diário Oficial, o governo do Estado autorizou verba complementar no valor de R$ 60,4 milhões para o TJES. O reforço será gasto com equipamentos e serviços de informática, segurança e a execução de obras em imóveis do Judiciário. O extra, facilmente conquistado pelo tribunal, é maior, por exemplo, que o orçamento anual de Fundão. O município, que tem aproximadamente 19 mil habitantes (cerca de 20 municípios capixabas têm entre 20 e 30 mil habitantes) prevê um orçamento anual para 2014 de R$ 54 milhões. Comparado a municípios menores, o extra fica ainda mais descomunal. Alto Rio Novo, município com pouco mais de 7 mil habitantes, tem cerca de R$ 20 milhões para gastar este ano, ou seja, três vezes menos do que a verba suplementar concedida ao tribunal. A realidade orçamentária de Alto Rio Novo não é muito diferente da de outros 35 municípios capixabas, que têm populações entre cinco e 15 mil habitantes e orçamentos que variam, em média, entre 20 e 80 milhões de reais. Se o cobertor para a maioria dos municípios capixabas, sobretudo os menores, é curto (em alguns casos, insuficientes para cobrir as despesas), na “Togolândia”, o reino dos togados, a realidade é bastante diferente. É como se o tribunal estivesse noutro mundo. Para 2014, o orçamento do tribunal rompe a casa do bilhão. A propósito, somados, os orçamentos paara este ano do TJES e do Ministério Púbico Estadual alcançam a monumental marca de R$ 1,36 bilhão. Imaginem quantos orçamentos municipais terão de ser somados para se igualarem à bilionária cifra? Para se ter uma ideia da retumbância dos números, o orçamento de Vitória, a cidade mais rica do Estado, gira em torno de R$ 1,6 bilhão. Trocando em miúdos, o Poder Judiciário (TJES e MPES) custa em média para o contribuinte R$ 4 milhões por dia, ou R$ 166 mil por hora. Querem se indignar mais? Cerca de 75% das receitas são destinadas ao pagamento de pessoal, que incluiu os altos salários, gordos benefícios e os “por fora” — aquele monte de penduricalhos que ninguém sabe muito bem o significado. Por falar em benefícios, a nota do Sindijudiciário-ES, publicada nos jornais desta sexta-feira (16), mostra que as distorções começam atrás da fachada de vidro do prédio do tribunal, na Enseada do Suá, em Vitória. Na nota, os servidores se queixam da diferença de tratamento que existe entre trabalhadores do tribunal e magistrados. Eles esconjuram o primeiro ato da atual presidência, desembargador Sérgio Bizzotto, que elevou o valor do auxílio alimentação para R$ 1.679,80. O Sindijudiciário lembra que o mesmo pacote de bondade autorizou também o pagamento retroativo do auxílio alimentação, que deve alcançar o valor médio per capita, pasmem, de R$ 45 mil. E não adianta torcer o nariz. Os retroativos, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), são legais (embora imorais). O CNJ deixou a cargo dos tribunais a decisão de pagar ou não a bufunfa “atrasada”, dependeria do caixa de cada tribunal. Como dinheiro não é problema por aqui, decidiu-se pelo pagamento. Ainda na nota-desabafo, os servidores do tribunal afirmam que os ganhos dos magistrados e desembargadores são um acinte à realidade do trabalhador brasileiro, e indignam não só os servidores da Justiça como toda a sociedade. E bota indignação nisso.
Pra ontem
Apesar da consolidação de alguns movimentos que reforçam a candidatura à reeleição do governador Renato Casagrande, como o apoio de 60 dos 78 prefeitos capixabas e, agora, de 200 vereadores da Grande Vitória e interior, ainda há entre aliados do socialista a convicção de que ele não reage à altura das articulações comandadas por seu adversário até então, o ex-governador Paulo Hartung (PMDB). Desde o anúncio do governador confirmando sua candidatura e com definição pelo palanque de Eduardo Campos (PSB), esperava-se um enfrentamento mais consistente. Nos bastidores, comenta-se que um sinal claro de que isso não tem ocorrido é a manutenção do deputado estadual Elcio Alvares (DEM) na liderança do governo na Assembleia, aliado de longa data de Hartung e declaradamente fiel a ele, assim como o partido que integra. Outra situação que tem incomodado os aliados de Casagrande é permitir que Paulo Ruy Carnelli permaneça na presidência da Cesan, que exerce função estratégica, utilizando o cargo para visitar áreas políticas do Estado e, assim, pedir votos para Hartung. Se o governador não agir e colocar gás no processo, vai acabar mal das pernas. O tempo voa. Eleição dura Outro ponto que preocupa é que a disputa está se municipalizando cada vez mais. Casagrande tem volume grande de apoio, mas os prefeitos estão com dificuldades. O dinheiro de reconstrução está chegando agora e muita coisa que o governo do Estado deu aos municípios não dá visibilidade, como esperado. Bateu o martelo Dizem que o vereador de Vitória Devanir Ferreira (PRB) tem rodado a baiana por aí porque já definiu seu lado na eleição. Fechou com Hartung e quer fazer barulho para levar mais gente com ele. Devanir era do bloco dos nanicos que anunciaram apoio a Casagrande, mas virou a folha. Divisão Até agora, Casagrande fechou com 12 siglas – PPS, PSD, PTdoB, PTC, PHS, PSDC, PSL, PP, PRTB, PTN, PV e PMN – e negocia com o SDD, PTB e Pros. Já Hartung conversa com PRB e PEN e está a um passo do DEM, do PDT e do PSDB. E o PT? Bom, o PT… Estratégico Sobre definição de vice e Senado, nem Hartung, nem Casagrande pretendem fechar composições agora. O motivo é simples: uma vez fechada a chapa, não terão nada mais a oferecer aos aliados em negociações. Ou seja: vão enrolar o máximo que puderem. Forçou O recente anúncio do vice-presidente Michel Temer de que o PMDB está livre para decidir suas alianças no Estado, foi visto como uma jogada da deputada federal Rose de Freitas para viabilizar sua candidatura ao Senado. Hartung não tem mais como se livrar dela. Forçou II E ocorre exatamente no momento em que o ex-governador tentava acalentar uma parceria com o ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), quem gostaria de apoiar na disputa. Apesar de declarar agora mil amores ao ex-governador, a deputada está espertinha. Não dá para confiar, né? Fim Mudanças à vista no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Está no forno, pronta para ser votada, a resolução que impede reeleição para a presidência do órgão. Fim II A tradição foi quebrada no processo anterior, quando o conselheiro Sebastião Carlos Ranna não foi reconduzido ao cargo por interferências de Hartung, após a crise instalada na Corte, principalmente devido às investigações de casos de corrupção. ‘Coincidência’ Desde que começou a greve dos professores da rede estadual, Hartung só fala de educação em seus artigos semanas em A Gazeta. Quem vê até pensa que a área foi a menina dos olhos de seus dois mandatos. Faz-me rir. 140 toques “Relógio da Praça Oito com luzes amarelas. “Maio Amarelo”, conscientizar para trânsito sem violência e sem vitimas!”. (Prefeito de Vitória Luciano Rezende – PPS – no Twitter). PENSAMENTO: “Coragem é a resistência do medo, a dominação do medo – não a ausência do medo”. Mark Twain
Dia Municipal de Combate à Homofobia
Mais do que punir, a verdadeira função de uma lei é educar e prevenir o crime; é igualar direitos e proteger os vulneráveis de prováveis violações em sua liberdade e individualidade. Um dia dedicado à luta contra a homofobia, ressalta esse entrave social no processo de inclusão, repensa atitudes tomadas e promove novas determinações de luta baseada numa avaliação do que já foi feito, procurando novos caminhos. Isso se soma nesse atual momento político da cidade de Vitória: um dia para se promover a luta contra a violência física, moral e psíquica que vêm sofrendo gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais – LGBTs – e fortalecer a aplicação da Lei Municipal n° 8.552/13, que pune administrativamente a homofobia na Capital capixaba, que já é uma realidade, mas que precisa ainda ser regulamentada em seus mínimos detalhes. As duas iniciativas, a do Dia de Combate à Homofobia e a Lei Anti-homofobia são frutos de dois vereadores que venceram suas diferenças ideológicas partidárias, se uniram em prol da construção de uma sociedade mais justas e igualitária. Luiz Emmanuel (PSDB) e Marcelão (PT). Juntos lutaram contra a forte frente evangélica fundamentalista, que tenta impor uma política de ódio e preconceito. Um momento impar na história dessa casa de leis, que sempre se viu envolta em embates políticos porem quase nunca voltados para a quebra de estigmas e a luta igualitária. Uma cidade considerada entre as mais homofóbicas do Brasil, Vitória é cenário de tantas violências cometidas contra os LGBTs, onde o bullying escolar ameaça a integridade intelectual de crianças e adolescentes, onde travestis e transexuais são excluídos da sala de aula e jogados à marginalidade. Atrocidades que refletem exatamente o despreparo do poder público em lidar com essas questões, fechando os olhos para o desrespeito e a intolerância. Descaso que parte, quase sempre, de políticos profissionais e falsos religiosos, que usam as igrejas para enriquecer e conquistar os privilégios de um mandato que nada tem de representativo, ao contrário, exclui e facilita o crime. O grupo Triangulo Rosa foi o primeiro organismo não governamental a gritar contra essa violência social em Vitória, tem uma história rica em exemplos de luta com momentos de dores e opressão. A data de 12 de Março, data da fundação do grupo, foi brilhantemente escolhida para fomentar a luta contra o preconceito aos LGBTs. Fica aqui a nossa homenagem e respeito a Amylton de Almeida e Waldo Mota, fundadores do grupo. Essa é uma data emblemática, e vai promover a visibilidade da luta e enriquecer ainda mais o calendário oficial da Capital, que mesmo com tantos entraves, tem um movimento em prol da diversidade sexual cada vez mais consciente e apoiado por pessoas inteligentes e realmente voltadas para o bem-estar social. Salve 12 de março! A democracia está em festa, mas esse é só o começo! Luiz Felipe Rocha da Palma (Phil Palma) é publicitário. Nas “horas vagas” (às quartas) comanda o programa “Praia do Phil” pela Rádio Universitária FM, onde defende os LGBTs e denuncia a homofobia. Fale com o autor: philpublicitario@gmail.com
Guerra fria
Já se vai mais de um mês que o ex-governador Paulo Hartung entregou uma carta ao PMDB do Estado disponibilizando seu nome para a disputa ao governo do Estado. Nos meios políticos, o episódio e os eventos que o antecederam, como o tal estudo que criticou os gastos do governo Casagrande, indicavam que desta vez o ex-governador inverteria sua lógica de sair de cima do muro aos 45 do segundo tempo. Ledo engano. Depois de entregar a carta, Hartung mergulhou nas Fossas Marianas do silêncio. Enquanto a classe política faz as mais diversas conjecturas sobre seu posicionamento, ele permanece submerso. Hartung pode ir com o PSDB, pode ir com o PT ou pode ir com nenhum dos dois, mantendo as candidaturas colocadas para pulverizar o cenário, sobretudo, na disputa ao Senado. A pergunta que mais ouvi depois de o governador Renato Casagrande lançar sua candidatura no início deste mês foi: “Você acha que o Hartung vai mesmo disputar a eleição?” Bom, eu sempre digo que sim, que não dá mais para ele voltar atrás. Afinal de contas, o passo já foi muito longo. É diferente de 2010, quando ele desistiu da disputa ao Senado, naquele momento, o mercado político todo tinha certeza de que ele seria candidato ao Senado, mas ele nunca tinha dito abertamente que estava disposto a se lançar na disputa. Este ano, ele se colocou à disposição. Se Hartung recuar agora teria dois problemas: primeiro, desistir pareceria admitir a derrota diante do volume de apoios que Casagrande tem recebido; segundo, que não haveria mais espaço para ele disputar o Senado no palanque palaciano. De qualquer forma, o silêncio de Hartung intriga. E ele deve manter esse posicionamento, levando Casagrande e a classe política para uma guerra fria, que antecederá as temperaturas altíssimas que se espera para o esperado embate dele com o governador Renato Casagrande, no segundo semestre que se aproxima. Fragmentos: 1 – A disputa entre Paulo Hartung (PMDB) e Renato Casagrande (PSB) já começou, pelo menos no Instagram, onde as ações dos dois ganham destaque, ou pelos “admiradores”, como no caso do peemedebista, ou pelo próprio, como no caso do governador. 2 – Aliás, a disputa pela internet este ano está quente e os aliados de Hartung estão mostrando que apesar de o ex-governador ser arredio ao contato com internautas, não tendo contas nas redes sociais mais populares, seus interlocutores sabem muito bem como usar as redes. 3 – Tudo bem que tem gente que exagera, tanto que tem levado algumas manifestações de apoio à Justiça Eleitoral, por causa de propaganda antecipada. No final das contas não dá em nada, mas pode causar algum estrago.
Telexfree comunica suspensão de atividades em subsidiária internacional
Depois da paralisação das atividades no escritório brasileiro, a Telexfree anunciou a suspensão das operações também em sua sede, localizada nos Estados Unidos. A medida foi anunciada no site internacional da companhia, que também entrou com pedido de recuperação judicial na corte americano. No início de abril, a Justiça capixaba já havia rejeitado o pedido de recuperação feito pela empresa Ympactus Comercial, sediada em Vitória, que representava a Telexfree no país. Segundo informações do portal de notícias UOL, o site internacional da empresa (www.telexfree.com) traz uma mensagem oficial em inglês declarando a suspensão das atividades da empresa. No último dia 13 de abril, a empresa entrou com pedido de recuperação em Massachusetts. O pedido ainda não foi apreciado pelo juízo. Neste período, a Telexfree suspendeu todas suas atividades e negócios “enquanto cuida de certos assuntos com a Corte de Falências e cuida de procedimentos pendentes com a SEC e outras agências do governo”. Na nota oficial, a empresa alega que “é possível que os clientes enfrentem interrupção ou descontinuação do serviço”. A companhia também proibiu associados independentes e promotores de representar a Telexfree de agora em diante sem a provação de um novo plano de compensação pela corte. Nos Estados Unidos, a empresa é acusada da prática de pirâmide financeira, que seria mascarada com a venda de planos de telefonia via internet (VoIP). No último dia 9, o fundador da empresa, James Merrill, foi preso por ordem da Justiça americana. O sócio brasileiro Wanzeler, cofundador da Telexfree, é considerado foragido. Nessa quarta-feira (14), a mulher de Wanzeler, a brasileira Katia Wanzeler, foi presa no aeroporto JFK, em Nova York, enquanto tentava sair do país. Segundo o UOL, ela é considerada uma testemunha-chave no caso, e a investigação aponta que contas bancárias em seu nome foram usadas para transferência de dinheiro da Telexfree. As primeiras ações contra o Telexfree partiram da Justiça Estadual do Acre, que chegou a suspender as atividades da empresa em junho do ano passado. O caso gerou a reação dos divulgadores que moveram uma série de ações nos tribunais superiores e no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra a decisão da justiça acriana, porém, a investida não foi bem-sucedida.
Associação vai suscitar nulidade de sessão que livrou Arcelor de implantar barreiras de contenção
A Associação de Moradores da Mata da Praia vai suscitar a nulidade da sessão do julgamento que suspendeu a liminar que obrigava a ArcelorMittal a apresentar um projeto básico de engenharia com o cronograma de implementação do sistema wind fence, telas de contenção de partículas. O julgamento foi realizado na última terça-feira (13), na Segunda Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, e a liminar do processo tinha origem na 1ª Vara da Fazenda Pública Estadual de Vitória, a partir de ação civil pública do Ministério Público Estadual (MPES). O presidente da associação, Sandoval Zigoni Junior, explica que a organização atua em conjunto com o MPES e outras associações de moradores da Capital na ação e, por conta disso, tem autonomia para recorrer de todas as decisões. Além disso, a associação não foi intimada para o julgamento, como deveria ter acontecido. Se estivesse presente, detalha Sandoval, o representante poderia usar das prerrogativas da parte. Ainda segundo Sandoval, já que o relator, o desembargador Carlos Simões Fonseca, admite que há poluição, a solução tomada na decisão deveria ter sido no sentido de mitigá-la, ao contrário do que foi feito. O relator justificou em seu voto, seguido por todos os membros do colegiado, que “se a população vem sofrendo há anos com a poluição gerada pelas siderúrgicas instaladas no território capixaba – e não há indicação de que tal sofrimento tenha sido gravemente alterado nos últimos meses -, a situação de urgência necessária para a concessão da medida não está caracterizada”. Sandoval também detalhou que, nas audiências de conciliação, a siderúrgica já havia admitido que implantaria o sistema complementar de lavagem e limpeza de gases para minimizar os índices de poluição que emite e adequá-los aos padrões da União Européia. Desta forma, não há motivos para a Segunda Câmara Cível suspender a determinação que a obrigava a Arcelor a apresentar, em quatro meses, um cronograma para implantação do instrumento, sob pena de aplicação de multa diária de R$ 50 mil. As duas determinações, tanto a das windfences como a do sistema de melhoramento, já haviam sido suspensas liminarmente pelo relator. As medidas serviriam para conter a poeira de duas coquerias, da aciaria, sintetização e nos pátios de estocagem e manuseio de matérias-primas. Além da Arcelor, é réu na ação assinada pelo promotor Gustavo Senna, o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema). A Promotoria Cível acusa a empresa de racismo ambiental, por utilizar no Estado tecnologias inadequadas e inferiores às de outros países. A ação civil pública foi proposta em 2011, após diversas tentativas de acordo entre o MPES, sociedade civil e empresa para a instalação de Wind Fences. Segundo o promotor, a empresa sujeita a população capixaba a uma exposição diária à poluição, comprometendo a qualidade de vida dos moradores e a todo meio ambiente. Também é objeto da ação a realização de uma auditoria ambiental nas instalações da siderúrgica, para avaliar o comportamento da empresa em relação ao meio ambiente, e a condenação da empresa na obrigação de reparar os danos ao meio ambiente e a pagar indenização a título de danos extrapatrimoniais, em valor a ser fixado pelo Judiciário. O MPES também requereu que o Iema revise as licenças ambientais da Arcelor e ao Judiciário que o Iema se abstenha de conceder novos licenciamentos ambientais ou prorrogações dos já existentes, enquanto a empresa não apresentar cronograma de instalação de Wind Fences.
STF julga regra que limita poder de investigação do MP Eleitoral
O Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para a próxima quarta-feira (21) o julgamento da ação proposta pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para suspender a resolução da Justiça Eleitoral que trata da investigação de crimes eleitorais nas eleições de outubro. As informações são da Agência Brasil. O relator do caso será o ministro Luís Roberto Barroso. Em março deste ano, Janot recorreu ao Supremo, por considerar a norma inconstitucional ao limitar o poder de investigação do Ministério Público Eleitoral (MPE) e impedir a requisição de diligências à polícia e a abertura de inquérito pelo órgão. Na ação enviada ao STF, o procurador pede a concessão de liminar para suspender a norma até decisão final do plenário do Supremo. A Resolução 23.396/2013, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi aprovada pelo plenário da corte em dezembro do ano passado. De acordo com a norma, a partir das eleições de outubro, a instauração de inquérito para apurar crimes eleitorais só poderá ser feita com autorização do juiz eleitoral. Em janeiro, Janot pediu ao TSE a revogação da decisão, mas o pedido não foi levado a julgamento. Diante da demora do tribunal e da proximidade do período eleitoral, o procurador recorreu ao STF para garantir a suspensão da norma. No mesmo mês, associações ligadas ao Ministério Público Federal (MPF) divulgaram nota em repúdio à decisão do TSE. Elas alegam que a resolução afronta os princípios constitucionais da moralidade e da eficiência. Apesar da polêmica, o novo presidente do TSE, ministro Dias Toffoli, declarou nesta sexta-feira (16) que a resolução não limita o poder de atuação do Ministério Público e que evita investigações sem transparência. Ele defendeu que o Ministério Público deve submeter a demanda de investigação ao Poder Judiciário, para que o juiz autorize o prosseguimento.
Tribunal de Justiça vai contar com reforço de R$ 60 milhões no orçamento
O governador Renato Casagrande autorizou, nessa quinta-feira (15), a abertura de crédito suplementar para o Tribunal de Justiça do Estado (TJES). Serão acrescidos R$ 60,45 milhões ao orçamento destinado ao Poder Judiciário, que já superava a casa de R$ 1 bilhão para este ano. Os novos recursos sairão do superávit financeiro do Poder Executivo durante o ano passado. Essa “economia” vai custear, entre outros gastos, a aquisição de equipamentos e serviços de informática, segurança e a execução de obras em imóveis do Judiciário. De acordo com o Decreto nº 1030-S, publicado no Diário Oficial do Estado, os recursos vão engrossar as contas do Fundo Especial do Poder Judiciário (Funepj), cujas receitas são oriundas, em sua maior parte, de uma percentagem das custas processuais e taxas cartorárias pagas pelos usuários. Com isso, o orçamento do fundo deve ficar próximo a R$ 188 milhões. Já o orçamento próprio do Tribunal de Justiça – que é repassada integralmente pelo Executivo – foi estimado em R$ 882 milhões. A maior parte dos novos recursos será investida nas rubricas de manutenção das atividades judiciais (R$ 20,06 milhões); modernização dos sistemas de tecnologia da informação (R$ 14,08 milhões); aquisição, construção, ampliação e reforma de imóveis (R$ 11,48 milhões); e implantação de mecanismos de segurança (R$ 7,05 milhões). Também estão previstos gastos com o aparelhamento das instalações físicas de fóruns e a realização de concurso público – este último com R$ 2 milhões. De acordo com levantamento da reportagem de Século Diário, o TJES e o Ministério Público Estadual (MPES) – dois órgãos ligados ao Judiciário – devem custar cerca de R$ 4 milhões por dia aos cofres públicos estaduais em 2014. A maior parte dos recursos (quase 75%) vai custear apenas o pagamento de pessoal – membros e servidores – das duas instituições, num total de R$ 2,77 milhões diários. Ao todo, os orçamentos do Judiciário e do MPES devem consumir cerca de R$ 1,36 bilhão em recursos públicos. Em todo o País, os gastos do órgão ligados a Justiça chamam atenção pelo custo elevado, sobretudo, nos gastos com pessoal. Segundo levantamento do site Contas Abertas, a estrutura do Judiciário nacional vai custar quase R$ 100 milhões por dia em 2014. Esse valor leva em consideração o orçamento dos tribunais superiores, Conselho Nacional de Justiça (CNJ), as justiças do Trabalho, Eleitoral, Federal e Militar da União, além dos gastos com os TJs estaduais e do Distrito Federal e Territórios.