A 17ª edição da Marcha dos Prefeitos começou nesta segunda-feira (12), em Brasília, com debate no aumento do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e nas críticas às desonerações do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) promovidas pelo governo federal nos últimos anos e quem impactam diretamente na arrecadação das prefeituras. Os prefeitos também vão reivindicar mudanças nas regras de divisão do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), para ampliar o repasse às prefeituras, e combater a aprovação de projetos que criam pisos salariais. Entre as propostas, está a elevação de 2% do FPM. De acordo com o presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, nos últimos anos, a crise nas prefeituras têm se agravado porque os municípios têm sido obrigados a arcar com novas despesas sem que seja ampliado o repasse de recursos. Somadas as desonerações do IPI e do Imposto de Renda impactaram o FPM em R$ 77 bilhões entre 2008 e 2012, valor que corresponde a 26,4% de todo o fundo distribuído nesses cinco anos.. Outra reclamação é que além das perdas, os municípios é que tem de arcar com a responsabilidade sobre o desenvolvimento de programas nas áreas de educação, saúde, assistência social, transporte, mobilidade urbana. No entanto, enquanto cresceu a demanda por políticas e contratação de pessoas nessas áreas, os municípios tiveram queda na arrecadação. De acordo com a CNM, em 1980, os municípios empregavam, por exemplo, 42,6% dos profissionais da área de saúde, enquanto a União e os estados empregavam 16,2% e 41,2%, respectivamente. Este ano, 75,7% são contratados pelos municípios, 4,4% pela União e 19,9% pelos estados. Durante a marcha, que vai até a próxima quinta-feira (15), serão promovidos fóruns para debater os problemas do municipalismo, que terão a participação dos pré-candidatos à Presidência da República.
Pescadores desconhecem EIA/Rima de porto da Imetame
Os pescadores da Barra do Riacho e Barra do Sahy, em Aracruz (norte do Estado), ainda não tiveram acesso ao Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) do Terminal Industrial Imetame, projetado para a área entre o Terminal Especializado da Barra do Riacho, o Portocel, e o Estaleiro Jurong de Aracruz (EJA). Na última sexta-feira (9), em reunião com representantes da empresa e o prefeito de Aracruz, Marcelo Coelho, no Palácio Anchieta, o governador Renato Casagrande anunciou a emissão da licença de instalação (LI) do terminal portuário. Com o documento, a empresa já pode iniciar as obras do empreendimento, com previsão de conclusão no final deste ano. A Associação de Pescadores da Barra do Riacho e da Barra do Sahy participou de apenas uma reunião com a diretoria da empresa. Embora sem o conhecimento das condicionantes estipuladas à Imetame e do detalhamento dos problemas ambientais que serão gerados à região, o presidente da Associação, Vicente Buteri, adianta que o porto está planejado para uma das poucas áreas do distrito onde os pescadores artesanais ainda podem desenvolver suas atividades. Com a invasão portuária no litoral capixaba, as áreas passíveis de pesca se tornam cada vez mais raras no Estado. Segundo o governo, o terminal terá um investimento na ordem de R$ 300 milhões e, como ocorre em todos os anúncios dos grandes empreendimentos no Estado, também há promessas de emprego, 900 na construção e 160 na operação. Mas esses não passam da fase de obras e, raramente, atendem às comunidades diretamente impactadas pelo empreendimento. Um exemplo disso é a luta já travada entre a comunidade de Barra do Riacho e a Jurong. Os trabalhadores locais, sem serem absorvidos pelo empreendimento, estão migrando para trabalhar em outras cidades e até fora do Estado. Realidade que gera o aumento da pobreza e da criminalidade, além da ocupação desordenada. O porto da Imetame vai agravar os problemas ambientais já registrados em Aracruz e os prejuízos aos pescadores que, desde 2012, estão impedidos de realizar suas atividades devido às obras da Jurong. Também gera inúmeros impactos à região o Portocel, de propriedade da Aracruz Celulose (Fibria) e da Cenibra. O porto está há vinte dias realizando uma dragagem que afeta diretamente os pescadores da Barra do Riacho, sem nenhum tipo de compensação por parte da empresa às comunidades. As empresas já anunciaram a expansão do porto, no projeto Portocel II. O processo de dragagem provoca uma movimentação na água e no fundo do mar, o que faz com que as praias utilizadas pela pesca fiquem poluídas, o que espanta os peixes e torna a pesca inviável na região. Essas consequências são semelhantes ao ocorrido após a última dragagem do Portocel, que aconteceu há cerca de dois anos, mas da qual os peixes há haviam se recuperado e retornado ao local. Muitos dos pescadores já não têm condições de manter seu sustento diante da falta de peixes na localidade. O escopo do projeto da Imetame prevê um complexo industrial para a montagem de equipamentos e eletromecânicos, instalações para manutenção de plataformas de petróleo, instalações para embarque de módulos para plataformas de petróleo, base de apoio às operações marítimas do setor de óleo e gás, e um cais com 400 metros destinados à movimentações de granéis líquidos.
DEM capixaba não tem a musculatura que tenta mostrar como força auxiliar
O prefeito de Vila Velha, presidente estadual do DEM capixaba, Rodney Miranda, foi a Brasília na semana passada para discutir a acomodação do partido no cenário eleitoral deste ano. Orientado pelo aliado de sempre, o ex-governador Paulo Hartung (PMDB), disse à cúpula do partido e para o PSDB que o DEM quer estar ao lado do peemedebista no Estado. Agora, tenta passar uma imagem de musculatura política, colocando o partido como uma força auxiliar importante do Estado. Mas não é bem assim. O partido não é exatamente uma potencia partidária, e embora tenha conseguido um desempenho eleitoral muito forte em 2010, com a eleição de cinco deputados estaduais, não vive um momento de ascensão. Em 2012 perdeu a metade dos prefeitos que tinha e para a eleição deste ano não sabe nem quem será seu candidato a deputado federal. Nacionalmente, o partido deve fechar questão com o palanque do senador mineiro Aécio Neves (PSDB) à Presidência da República. Rodney teria retornado ao Estado com a incumbência de fortalecer o palanque do tucano, mas para os meios políticos, o desgaste da imagem do prefeito dificulta sua colocação como liderança com musculatura suficiente para transferir votos para o palanque tucano. Até porque, dentro do próprio DEM, há divergências sobre o posicionamento do partido na eleição. O deputado Atayde Armani é um dos que querem discutir melhor a acomodação do partido. O DEM tem três prefeitos do Estado, além de Rodney, Luciano Pereira, em Barra de São Francisco, e José Luiz Torres Lopes, em Atílio Vivacqua. Luciano e Lopes assinaram o manifesto em favor da reeleição do governador Renato Casagrande na última quinta-feira (8), em Viana. Para os observadores, os movimentos de Rodney perdem força nos bastidores políticos. Diferentemente do PSDB, que embora esteja desgastado eleitoralmente desde 2010, ganha importância porque tem nomes em condições de fortalecer as majoritárias, como o do ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas, que pode ser candidato ao Senado tanto no palanque de Casagrande como no de Paulo Hartung.
Fejunes repudia resultado de inquérito que apurou conduta de PMs em shopping
O Fórum Estadual da Juventude Negra (Fejunes) divulgou nota de repúdio à Corregedoria da Polícia Militar pela publicação do inquérito policial que apurou o episódio ocorrido no Shopping Vitória, em 30 de dezembro de 2013, quando dezenas de jovens se abrigaram no centro comercial depois de um baile funk ao ar livre ter sido encerrado pela Polícia Militar, no “Encontro DozAmigo”. A investigação concluiu que não teve racismo nem abuso dos policiais durante a operação. O inquérito foi instaurado depois de representação da Ouvidoria da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir), que recebeu diversas denúncias de organizações do Movimento Negro. A entidade salienta que, durante todo o procedimento, só foram ouvidos policiais militares, lojistas e representantes do shopping. Os jovens abordados na ocorrência não foram ouvidos e não puderam relatar como foi a abordagem. Também não foram levadas em consideração, no inquérito, as imagens registradas durante o incidente por clientes e pelo próprio sistema de videomonitoramento do estabelecimento. A nota de repúdio do Fejunes ressalta que a Corregedoria da Polícia Militar “mais uma vez revela o seu corporativismo e a falta de transparência nas investigações. Infelizmente, este caso se soma a outros tantos como, por exemplo, a desapropriação em Barra do Riacho [ocorrida em 2011] e a atuação durante as manifestações de rua, que apesar dos flagrantes abusos e repúdio da sociedade, nenhum policial foi responsabilizado”. O Fejunes pede ao Ministério Público Estadual (MPES) que rejeite o parecer da Corregedoria e retome a investigação do caso com a oitiva dos jovens envolvidos e análise das imagens registradas no sistema de videomonitoramento do Shopping Vitória. “Reforçamos também a reivindicação da instalação imediata de uma Ouvidoria de Polícia autônoma e independente para receber e acompanhar denúncias de crimes e outras infrações cometidas por policiais”, diz a nota. Repercussão O caso foi destaque no blog Negro Belchior, da Carta Capital, que ressaltou a truculência com a qual a abordagem foi conduzida. O blog, com base em relatos de pessoas que presenciaram o episódio, apontou que nenhum tiro foi disparado, nada foi roubado e não houve depredação das lojas, ou um suposto arrastão, como a polícia classificara a entrada dos jovens no shopping. Nada foi roubado e nenhuma loja depredada, o que descarta a tese de arrastão. As pessoas que eram julgadas suspeitas – a maioria negros – foram perfiladas, sem camisa, na Praça de Alimentação do shopping, e depois conduzidas em fila indiana para fora do estabelecimento. Após a chegada à delegacia, todos foram liberados, já que não havia nenhuma evidência que apontasse à prática de crime.
Seminário debate impactos, prevenção e enfrentamento às chuvas no Espírito Santo
Entre esta terça (13) e a próxima quinta-feira (15), o Espírito Santo vai debater as chuvas, seus impactos e as respostas a estes no I Seminário Chuvas no Espírito Santo: compreensão, prevenção e enfrentamento. O evento é uma parceria entre a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e a Assembleia Legislativa. O objetivo é discutir propostas que minimizem os estragos causados pela chuva no Estado. A abertura acontece nesta terça, na Assembleia Legislativa, com conferência de Paulo Canedo, do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ). Na quarta (14) e quinta (15), o seminário se realiza no Teatro Universitário, das 8h30 às 17h, na Ufes. Obviamente a tragédia que assolou o Estado em dezembro de 2013 é uma das motivações do seminário. Ano passado os capixabas enfrentaram a maior chuva desde que começaram as medições meteorológicas no Espírito Santo, há 90 anos. Milhares ficaram desabrigados. Ocorreram mais de 20 mortes. Dos 78 municípios do Estado, 54 foram os mais afetados. Mais informações no site oficial do evento. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas também no site ou pelos telefones 3382-5220 e 3382-3807. Confira abaixo a programação. TERÇA-FEIRA (13) 19h30 – Sessão de abertura na Assembleia Legislativa – Conferência de abertura: Importância das Políticas Públicas de Redução de Risco – Paulo Canedo (COPPE/UFRJ) QUARTA-FEIRA (14) Módulo I – Chuvas no ES: Entendendo o Problema 8h30 às 10h30 – Eventos meteorológicos extremos e mudanças climáticas – Ariane Frassane (CPTEC/INPE) – Eventos meteorológicos extremos e mudanças climáticas no Espírito Santo – José Geraldo Ferreira da Silva (Incaper) – Hidrologia dos Alagamentos: Chuvas e bacias – Antônio Sergio Ferreira Mendonça (Ufes) – O papel dos oceanos nos eventos extremos – Renato David Ghisolfi Moderador: Marcelo Vivaqua (SECTTI) 10h30 às 12h – Desmoronamento – Francisco Dourado (Uerj) – Impactos das chuvas nas cidades – Davi Casarin (Seama) – Desastres Naturais – Antonio Celso de Oliveira Goulart (Ufes) Moderador: Patrício José Moreira Pires (UFES) Módulo II – Políticas Públicas Municipais de Prevenção e Preparação para o Enfrentamento das Chuvas 14h às16h – Planos municipais de redução de riscos – Eduardo Calhau (Sub. Sec. Est de Habitação) – Políticas municipais de redução de risco: Caso de Vitória – Eng. Vanilda Lucas (PMV/ Semob) – Resposta ao desastre das chuvas ocorridas no ES em 2013 – Cel. Edmilton (Corpo de Bombeiros) – SOS Comunidades – Prf ª Maria Tereza (UFF) Moderador: Eberval Marchioro (UFES) QUINTA-FEIRA (15) Módulo III – Socorro e Resposta: Governos, Instituições e Sociedade 8h30 às 10h30 – Política Nacional de Defesa Civil – Capitão Armin Braun (Def. Civil Nacional) – Modelos de gestão em Defesa Civil: experiência de Santa Catarina – Rodrigo Moratelli (Def. Civil de SC) – Gestão de Risco de Desastres: Experiência do Rio Grande do Sul – (GRID) – Políticas Municipais de Defesa Civil: Colatina e o Rio Doce – Leonardo Deptulski (Amunes) Moderador: Deputado Roberto Carlos (Ales) 10h30 às 12h – Assistência e reabilitação – Cel. D’isep (Def. Civil Estadual) – Ufes Solidária – Ethel Leonor Noia Maciel (Ufes) – Representante da sociedade – Luiz Severino Neto (Escoteiros) – Conselho Regional de Psicologia/16ª Região ES – Daniela Reis e Silva Moderador: Weslley Vitor (DCE UFES) Módulo IV – Prevenção e Controle com Integração Institucional e Participação da Sociedade 14h às 17h Deputado Roberto Carlos (Assembleia Legislativa) Gustavo Sena (Ministério Público Estadual) Marcelo Vivacqua (Sectti) Leonardo Deptulski (Amunes) Davi Casarim (Seama) Cel. Edmilton (Corpo de Bombeiros) Marcos Santos (Famopes) Renato David Ghisolfi (Ufes) Representante a confirmar do Ifes
TJ suspende prazos de processos eletrônicos em juizados no interior do Estado
O presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), desembargador Sérgio Bizzotto, determinou a suspensão dos prazos processuais nos Juizados Especiais em Linhares e Colatina, na região norte capixaba. De acordo com os atos normativos – 88/2014 e 89/2014 –, publicados no Diário da Justiça, as unidades passarão a adotar o sistema antigo, com tramitação física, após problemas com o modelo de processo eletrônico. A suspensão vai até o início do abril, mas não deve interferir na realização das audiências já marcadas. Segundo o desembargador, a migração dos processos atende ao requerimento dos juízes do 1ª Juizado Especial Cível de Linhares e do 2ª Juizado Especial Cível de Colatina. Em ambos, a paralisação da contagem dos prazos começou a partir desta segunda-feira (12). No primeiro, a suspensão deve durar até trinta dias, enquanto o tribunal estima para o segundo que os trabalhos de migração dos casos sejam concluídos até o próximo dia 30. Diferentemente das 11 unidades de juizados especiais na Grande Vitória, que optaram pela adoção de outro sistema de processo eletrônico, o e-process, os juizados do interior abriram mão da tramitação de ações sem papel. A decisão é mais um golpe ao projeto de virtualização da corte, que já sofreu uma abalo com a descontinuidade do e-JUD2, modelo criado pelo próprio tribunal e que será substituído pelo Processo Judicial Eletrônico (PJe), desenvolvido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). No início do ano, Sérgio Bizzotto havia determinado a suspensão do funcionamento e do cronograma de instalação do e-JUD2 em novas varas, após relatos de falhas no sistema. Em abril, o tribunal confirmou a substituição pelo PJe, que deverá ser implantado em 30 comarcas do Estado até o final deste ano. Apesar disso, somente os novos processos, iniciados a partir da implantação do sistema, é que tramitarão no Processo Judicial Eletrônico.
Cine Metrópolis sedia 1ª Semana Cineclubista Capixaba
O cineclubismo em Vitória começou na década de 80 dentro da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Uma das grandes conquistas do movimento foi a construção do Cine Metrópolis, em 1992, que se tonou um importante instrumento de valorização da cultura cinematográfica e videográfica destinadas à comunidade universitária e externa. De volta às origens, o movimento cineclubista realiza a 1ª Semana Cineclubista Capixaba, que começa nesta segunda (12) e segue até sexta-feira (16) no Cine Metrópolis. A Semana é resultado de um projeto aprovado pelo Edital de Criação e Manutenção da Atividade Cineclubista, da Secretaria de Cultura do Estado, e tem à frente a Organização dos Cineclubes Capixabas (Occa), em parceria com os cineclubes Central, Filmes da Ilha, Fotoclube da Ilha, Cine Via e Cineclube Colorado. “Ao invés de realizarmos sessões espaçadas, decidimos concentrar tudo em uma semana. Cada dia vai abordar uma temática diferente, a fim de estudar o movimento cineclubista capixaba e questões estruturantes da prática cineclubista”, explica Leonardo Almenara, presidente da Occa. Os temas foram pensados com o objetivo de atualizar o movimento e entender o seu papel diante de questões contemporâneas, como as novas tecnologias, que revolucionaram as formas de produção, exibição e distribuição. “O movimento cineclubista no Espírito Santo viveu um grande momento na década de 80 e começo dos 90 com a Federação Capixaba Cineclubista. Houve um hiato durante os anos 2000, mas as atividades foram retomadas em 2011, com a criação da Occa. Acredito que vivemos um novo momento agora e queremos entender essa nova fase e construir projetos de representação e mobilização”, explica Leonardo. A escolha do Cine Metrópolis para a realização do evento também foi simbólica. Segundo o presidente da Occa, o ambiente universitário foi fundamental para a articulação do movimento. Leonardo conta que o Cineclube Universitário, que também já foi chamado de Cineclube Claudio Bueno Rocha, começou em um pequeno teatro no Centro de Artes e só depois migrou para o cinema, hoje conhecido como Metrópolis. “Nossa intenção é atualizar esse espaço físico onde o movimento começou e torná-lo novamente um local de referência para o cineclubismo”. Além de exibições de filmes durante toda a Semana Cineclubista Capixaba, também haverá debates sobre formação de público, agenciamento e mobilização de pessoas em tempos de mergulho das sociedades na internet, acesso a produções audiovisuais e distribuição de acervos, além do resgate da história do movimento. Na segunda-feira (12), às 19h, haverá a sessão de estreia que vai resgatar a história do movimento cineclubista. Será exibido o filme O Encouraçado Potemkin, de Sergei Eisenstein. O debate será conduzido pelo cineasta Orlando Bonfim e por Claudino de Jesus, presidente da Federação Internacional de Cineclubes. Os dois vão tratar do movimento cineclubista na década de 1980, que ainda vivia os resquícios da ditadura militar e foi marcado pelas lutas por liberdades democráticas e autonomia de expressão. Na terça-feira (13) haverá a Sessão Tecnologias Digitais, Agenciamento e Mobilização, com o filme Casagrande e as ruas do medo. Para o debate foram convidados representantes do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic) e do Coletivo Região Jovem Formate (Viana). Na quarta-feira (14), terá a exibição de Pacific e a discussão será sobre a Organização de Acervo e Distribuição Audiovisual, com Juliana Gama, coordenadora de acervos da Occa; Luiz Eduardo Neves, do site Panela Audiovisual; e Marcos Valério Guimarães, que participou da extinta Federação Capixaba de Cineclubes na época da distribuição de filmes em película. Na quinta-feira (14) haverá a sessão de estreia do filme Plano B no Espírito Santo. O filme investiga o desaparecimento do filme Brasília – Contradições de uma Cidade Nova (1967), que revela as desigualdades sociais da cidade. O filme faz parte da Sessão Cineclubismo e Censura. O convidado Tião Xará irá discutir o cineclubismo como enfrentamento da censura e as lutas pela liberdade de expressão e em defesa do Cinema Brasileiro. Para finalizar a semana, a Sessão Bota Fora e Deixa o Pau Quebrar vai exibir, também pela primeira vez, o documentário Afetos Cineclubistas. Nesse dia também haverá debate e apresentação do resultado das pesquisas. Os pesquisadores Fábio Gama, Leonardo Almenara e Wilberth Silva vão apresentar seus relatórios que abordam a história do movimento, acervo e distribuição e agenciamento e mobilização, respectivamente. Serviço A 1ª Semana Cineclubista Capixaba começa nesta segunda-feira (12), às 19h, no Cine Metrópolis. O evento segue até a sexta-feira (16), sempre no mesmo horário.
Admirável Mundo Novo
Já tematizei sobre o escritor e ensaísta Aldous Huxley aqui nesta minha coluna, numa resenha que falava sobre duas obras dele: As Portas da Percepção e Céu e Inferno, que são relatos de Huxley sobre suas experiências com a mescalina. Aldous Huxley, no entanto, tem como a sua maior obra o livro Admirável Mundo Novo, romance que é um marco na carreira e na vida deste autor, lançado em 1932, e que trazia uma visão distópica, entrando aí na mesma categoria de livros que já resenhei aqui também, como Laranja Mecânica de Anthony Burgess e 1984 de George Orwell. Aliás, os romances distópicos ganharam sua feição habitual no século XX, recém acabado. A fábula de uma provável sociedade do futuro, imaginada por Aldous Huxley neste seu romance Admirável Mundo Novo, traz em si uma visão essencialmente social de uma biologia aplicada. A ordem social deste mundo distópico é resultado de uma experiência genética controlada, os homens que governam o Admirável Mundo Novo têm o seguinte lema: “Sua meta não é a anarquia, e sim a estabilidade social.” Ou seja, tudo foi feito, para edificar tal sociedade, para alcançar esta estabilidade, o uso de meios científicos, a revolução última, pessoal, verdadeiramente revolucionária. Tal é a finalidade de todo condicionamento: fazer as pessoas amarem o destino social a que não podem escapar. Então, Huxley imagina e tematiza, neste romance, uma sociedade organizada em grupos sociais que são, antes de tudo, programações biológicas. O condicionamento social é fruto de determinações biologicamente planejadas. O destino social do indivíduo é seu caráter biológico, orgânico. Seu corpo é criado e sua alma não é nada mais que o feixe de sugestões de uma educação em vista de uma ordem social que prima pela estabilidade como o caminho da felicidade. Há, até, uma reminiscência platônica nisso tudo. Pois, assim como na sociedade ideal de Platão, neste mundo de Huxley também os indivíduos não têm pai ou mãe, eles deixam de nascer, não são mais vivíparos, os bebês são decantados. Há uma supressão sistemática que erradica a reprodução vivípara, de filhos criados por pais, e os bebês passam a ser educados pelos Centros de Condicionamento do Estado. E o pior de tudo: neste plano social, há uma ruptura total com o passado, a maioria dos fatos históricos são vistos como desagradáveis, há uma filosofia do presente eterno. Na divisão do trabalho desta sociedade se evidencia os grupos sociais como castas genéticas: crianças Alfas que trabalham mais que as outras, formidavelmente inteligentes. Betas, não muito superiores aos Gamas ( estes broncos) e Deltas (se vestem de cáqui). Sendo os piores nesta cadeia social os Ípsilons. A educação é organizada segundo um método chamado hipnopedia, que é nada mais que a instrução por palavras sem explicação racional, ou seja, uma educação que é parte de um condicionamento, não há senso crítico, se criam autômatos, e tal método era considerado, portanto, como “a maior força moralizadora e socializante de todos os tempos.” Admirável Mundo Novo começa a sua nova era com um marco: A introdução do 1° modelo T de Ford é escolhido como a data inicial da nova era. Ou seja, a doutrina de tal sociedade é fordista, a frase de Ford que ecoa nas cabeças neste novo mundo é: ” A História é uma farsa.” O espírito da criança criada aí, por sua vez, é nada mais que a soma de sugestões, o adulto vindo daí será o resultado de repetições hipnopédicas introjetadas para tornar o indivíduo apenas uma peça em função de seu destino social, de seu papel determinado biologicamente, a serviço da divisão social-biológica do trabalho, tudo isso para a estabilidade social que aqui se torna sinônimo de felicidade. O provérbio hipnopédico é o seguinte: “Cada um pertence a todos.” Ou seja, família, monogamia, romantismo, tudo isso acaba, pois a ordem social da estabilidade sacrifica o indivíduo, o Estado é asséptico, sua estabilidade é uma higiene do senso crítico, da diferença, pois agora cada um cumpre com seu destino social, o qual ninguém escolheu, mas que é aceito docilmente. A genética manipulada se torna a disciplina da mente neste Admirável Mundo Novo, um mundo regido pelo condicionamento hipnopediano, neopavloviano, conceitos como liberdade ou democracia são desconhecidos, há o fim dos sentimentos intensos, das paixões transformadoras, o mundo estável se torna o ideal. Há uma campanha contra o Passado, a nova era de Ford prima pela sua ordem social através de mecanismos próprios de imersão alienadora: cinema sensível, música sintética, ou seja, feixes de sensações, e mais, a chave que faz tudo fluir: o mundo quente, cheio de cores vivas, o mundo infinitamente acolhedor criado pelo soma, gozando do tempo radioso, o céu perpetuamente azul, o lema desta droga soma se resume na fórmula: “Bebo ao meu aniquilamento.” Agora, não resta nada do que reclamar, a luz interior da benevolência universal se irradia em cada rosto. Bernard Marx, um dos personagens principais deste romance de Huxley, começa a se questionar, pergunta à moça de nome Lenina pela liberdade. Conclui, secamente, a respeito desta sociedade da estabilidade social: “Adultos intelectualmente e durante as horas de trabalho. Criancinhas, no que diz respeito ao sentimento e ao desejo.” Ou ainda: “Fui e serei me deixam doente, um grama e com o sou fico contente. Com o soma a flor do presente desabrochava, inteiramente rósea.” Bernard e Lenina vão para fora do Admirável Mundo Novo, chegam à região selvagem de Malpaís, a chamada tal Reserva em que as crianças ainda nascem. Lenina fica horrorizada com a sujeira do lugar, os montes de imundície, o pó, os cães, as moscas, diz que a limpeza está próxima da fordeza, Bernard cita ironicamente que civilização é esterilização, repetindo uma lição hipnopédica de higiene elementar. E conclui para Lenina: “Seja como for, faz cinco ou seis mil anos que vivem assim.” Bernard logo é advertido pelo Diretor de um dos setores do Admirável Mundo Novo, sua conduta é subversiva, “não há crime mais odioso que a
Reportagem especialParabéns, Vale!
Texto: Henrique Alves Fotos: Gustavo Louzada/Porã Antes de fruir obras de arte, o visitante do Ateliê Kleber Galvêas recebe uma breve aula de educação ambiental. Sob o pedaço de mata denso e fresco que guarnece a entrada do ateliê, vê-se resguardado um resquício de espécies endêmicas, ou mesmo nativas, de uma Barra do Jucu de outrora, que o tempo e o progresso transmudaram em memória. O anfitrião dá atenção especial às bromélias. “A Barra do Jucu era uma região rica em variedade de bromélias”, diz Kleber Galvêas. Mas fala também da samuma. “É uma planta da qual se aproveita tudo, corda para arco indígena, óleo de cozinha, isolante térmico, ração. E é uma árvore muito bonita”. Ali também medram desimpedidos a tagibubuia, poca, almescar, raiz forte. De repente, Kleber se surpreende, aponta para o chão, um ramo perdido entre as folhagem: é um oiti que nasce. Mais adiante ele aponta uma ramagem cor de rosa e pergunta: “Com que isso parece?”. O repórter olha detidamente, pensa e vem o estalo: “Um coração!”. “Isso mesmo. E sabe qual é o nome? Amor-agarradinho. A Barra do Jucu era cheio disso. No verão as casas ficavam todas cobertas dessas flores”. A delicadeza do amor-agarradinho também medra desimpedida; as pequeninas flores-coração se espraiam lindamente sobre a cobertura vegetal, dando róseas pinceladas no verde dominante. Essa microfloresta desenha uma verdejante abóboda sobre o estreito caminho que leva o visitante da rua à porta azul-escuro de madeira do ateliê. Se no início do percurso o visitante já é agraciado com uma aula de educação ambiental, ao final ele recebe outra, bem menos lírica, muito mais dramática, embora um tanto bem humorada. Deixando o ateliê, em cujas paredes estão expostas as telas de Kleber e alguns pequenos desenhos de Homero Massena, entramos propriamente na casa dos Galvêas: no terreno amplo, uma significativa variedade de árvores frutíferas e plantas ornamentais envolvem a grande casa de dois pavimentos com quadros para todos os lados, no interior ou na varanda. E é na varanda posterior que o visitante recebe a segunda aula de educação ambiental: ali estão expostos alguns quadros do projeto A Vale, a Vaca e a Pena, que na última terça-feira (6) chegou à maioridade artística, completando 18 edições. Desde 1997 Kleber Galvêas denuncia de forma criativa e sarcástica os males que o pó de minério lançado pela Vale provoca aos pulmões capixabas. Obviamente, não há o que festejar. Já a Vale, esta, sim, tem uma áurea e reluzente taça para erguer: sem ser incomodada – nem pelo Executivo, nem pelo Judicário, nem pelo Legislativo – são anos e anos inundando de pó preto as vias respiratórias de adultos e crianças. A Vale, a Vaca e a Pena é um projeto de uma simplicidade comovente: basta uma tela branca e a ponta do dedo indicador de Kleber. O resto – e o resto aqui é bastante coisa – a Vale fornece gratuita e generosamente. Por 50 dias, sobre a extensa mesa de tampo de mármore, uma tela de Eucatex em branco fica exposta na varanda traseira da casa. Tudo começa sempre às 12h do dia 17 de março – desde 1997. Estivemos lá no dia 17 de março deste ano. Não há qualquer solenidade: Kleber pega a tela, então de uma alvura virginal, passa uma fita adesiva nos quatro cantos e finalmente a deposita sobre a mesa. Só isso. Agora é com a Vale. Pelos próximos 50 dias, o êxito ou fracasso do projeto depende da mineradora. O problema é que desde sempre a Vale contribui para o sucesso da exposição. A tela inaugural descreve um labirinto e faz uma pergunta: “Encontramos a saída?”. Explica-se. A privatização da Companhia Vale do Rio Doce em 1997, empresa criada em 1942 no governo Getúlio Vargas, nutriu imensa expectativa em Kleber Galvês: uma vez que a empresa passaria às mãos privadas, agora sim, assim honestamente achou, a poluição acabaria. Se o poder público não demonstrou capacidade ou competência para fiscalizar as próprias atividades, em mãos alheias seria diferente, a fiscalização seria levada a sério. Kleber então bolou uma provocação artística que se realizaria apenas naquele primeiro ano, para coincidir com a data do leilão de privatização. Daí o labirinto, daí a pergunta: será que privatizando, será que o governo, deixando de ser o dono do negócio, iria tomar vergonha na cara e fiscalizar a poluição? Seria essa a saída? Mas como nossos pulmões bem sabem, o tempo mostrou que ainda vagamos nesse labirinto. Kleber Galvêas nasceu em Divisa, hoje Dores do Rio Preto, em 1947. Entrou para o mundo das artes visuais pelas mãos da mãe, Esther Galvêas, menos para elevar o espírito do menino do que para quietar-lhe o facho: quem conhece Kleber, sabe que ele é inquieto, fala bastante, gosta de contar histórias. Na infância, dona Esther, que aprendera a pintar com a irmã Tereza Monteiro de Novaes, na Escola do Carmo, em Vitória, dava aos filhos os lápis, pincel e tinta que sobravam da pintura das paredes da casa e ganhava em troca um pouco de paz. Mais tarde, levou uma obra de Kleber a Homero Massena. O grande pintor gostou: “Traga esse menino aqui que ele leva jeito”. Era 1962. Daí para frente, a amizade virou uma relação de mestre e discípulo, a que só a morte de Massena, em 1974, deu um termo. Como profissional, o artista plástico Kleber Galvêas nasce em 1966, no Primeiro Salão de Artes Plásticas do Espírito Santo, realizado no edifício Ouro Verde, no Centro de Vitória. Foi um evento colossal, de que participaram artistas do país inteiro. Pouco depois, embarca em um navio cargueiro e vai estudar medicina em Portugal. Mas não passou do primeiro ano: muda de ideia e vai estudar gravura em metal na Sociedade Nacional dos Gravadores Portugueses. O artista acompanha a danação atmosférica capixaba desde os anos 70, quando, de volta ao Brasil, tentando abandonar a pintura, inicia
Praça do Papa vai sediar a I Feira Literária Capixaba
O mês de maio chega com uma grande atração no campo da Literatura com a realização da I Feira Literária Capixaba, entre os dias 15 e 18, na Praça do Papa, na Enseada do Suá, em Vitória. O evento vai divulgar a arte e a produção de livros de autores do Espírito Santo, com o objetivo de atrair um público diversificado. Durante quatro dias, haverá um intercâmbio entre escritores, músicos e outros artistas. Saiba mais sobre a programação do evento. Além de livros, haverá contadores de histórias, apresentação de peças teatrais, lançamento de CD e outras promoções que fazem parte do processo cultural. A escritora, contadora de histórias e presidente da Academia Feminina Espírito-Santense de Letras, Silvana Sampaio, é uma das idealizadoras dessa feira, que pretende despertar o gosto pela leitura de autores capixabas entre moradores de Vitória e turistas de todas as idades. O espaço será oportuno tanto para os escritores e artistas que já se lançaram no mercado quanto para novos talentos. Na sexta-feira (16), às 20 horas, a Feira Literária Capixaba vai receber a cantora Madu Marino, que irá interpretar músicas do seu novo CD Cantar de Vero Amor. O Grupo A Mala, de Gab Kruger e Shita Yamashita, estará na feira diariamente com muitas brincadeiras e muita animação. No sábado (17), o grupo apresentará a peça A Encantadora e o Palhacinho. Serviço A I Feira Literária Capixaba começa nesta quarta-feira (15) e segue até o domingo (18), na Praça do Papa. Entrada Franca.