Os servidores públicos do município de Linhares, no norte do Estado, deflagraram greve nesta segunda-feira (5). Eles querem reajuste salarial, benefícios e melhores condições de trabalho. A categoria reivindica reajuste salarial de 15%, tíquete alimentação de R$ 400 e revisão dos Planos de Cargos e Salários. Os servidores estão insatisfeitos com o reajuste de 1,5% e o repasse de R$ 20 no tíquete oferecido pela Prefeitura, comandada pelo pedetista Nozinho Correa. O estado de greve foi decidido em assembleia geral da categoria realizada em 25 de abril. Em vídeo postado no You Tube por Cacio Souza, a diretora do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Linhares (SISPML), Paula Calmon Jovita, afirma que a entidade representa cerca de 4 mil servidores do município, o que engloba servidores das mais diversas áreas como médicos, garis e professores. Ela ressalta que a prefeitura encerrou as negociações, ao alegar que o máximo que poderia ser oferecido aos servidores seria 4,5% de reajuste e aumento de R$ 20 no tíquete alimentação. A proposta final da prefeitura foi encaminhada aos servidores, que rejeitaram e decidiram pela deflagração do estado de greve por 72 horas, seguida de greve geral. Na manhã desta segunda-feira, cerca de 2,5 mil servidores se reuniram em manifesto pelas ruas de Linhares, ostentando faixas e cartazes com as reivindicações da categoria. Além do reajuste salarial e dos benefícios, os servidores também pleiteiam adicional por insalubridade e periculosidade, reposição das perdas salariais, compras de máquinas e equipamentos, e pagamento de diárias. A Prefeitura de Linhares, no entanto, garante que os serviços essenciais estão sendo mantidos durante a paralisação dos servidores. O município apresentou uma proposta de reajuste salarial de 4,5% e de 6,67% no tíquete alimentação, além de abono salarial de R$ 730,00 para os aposentados, pago em parcela única, bem como a garantia da implantação de um novo plano de cargos e salários, que não é revisto desde 1992. A diretora do sindicato afirma que o comunicado da prefeitura não condiz com a realidade dos servidores e que a entidade também vai veicular comunicado nas emissoras de rádio e TV de Linhares esclarecendo os motivos que levaram à deflagração da greve.
Prefeito afastado de Marataízes vira réu em ação de improbidade
A juíza da Vara da Fazenda Pública de Marataízes (litoral sul do Estado), Cláudia Cesana Sangali de Mello Miguel, determinou o recebimento de uma ação de improbidade contra o prefeito do município, Jander Nunes Vidal (PSDB). O tucano está afastado do cargo por decisão judicial desde julho passado após ter sido acusado de fraudes na contratação de equipamentos para o verão de 2010. Com o recebimento da denúncia, Doutor Jander, como é conhecido, passa a ser réu no processo movido pelo Ministério Público Estadual (MPES). Na decisão publicada nesta segunda-feira (5), a magistrada afirma que a promotoria apresentou provas suficientes para demonstrar a existência de uma contratação emergencial com “claros indícios de irregularidade”. “A contratação foi precedida por uma dispensa de licitação manifestamente incabível, de modo tendencioso e direcionado, para a contratação da empresa Damoney Comércio e Transporte de Cargas Ltda [cujos sócios também figuram como réus no processo]”, narra um dos trechos do documento. Nos autos do processo (0002046-96.2013.8.08.0069), o Ministério Público acusa o prefeito de ter sido responsável pela deflagração, execução e homologação do processo licitatório fraudulento para aluguel de banheiros químicos e chuveiros para o balneário do município. Na denúncia, a promotoria rechaça a alegação de urgência na contratação realizada com dispensa de licitação. O MPES também aponta a utilização de orçamentos de empresas de outras áreas com o objetivo de direcionar a escolha da contratada, que recebeu R$ 196,2 mil pelo prazo de 70 dias. A juíza também recebeu a ação de improbidade contra os demais denunciados: Mário José dos Santos Bucker, secretário municipal de Obras e Serviços Urbanos à época, que teria sido encarregado de fazer a pesquisa de preços no mercado; além dos sócios da Damoney (Adolfo Luiz Leite e Anna Carla da Silva Curvello Leite), que teriam se beneficiado da contratação irregular. Todos eles têm o prazo de 15 dias para apresentarem suas defesas, além da indicação de provas e testemunhas. Nesse processo, a Justiça decretou o primeiro afastamento de Doutor Jander do cargo, em julho do ano passado. Na decisão, a juíza Cláudia Cesana alega que a “máquina pública estatal foi apoderada por um grupo político que, diuturnamente, conduz suas práticas para a busca do enriquecimento ilícito em detrimento do bem estar da coletividade”. A liminar foi mantida pelo Tribunal de Justiça do Estado (TJES) e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). “A única forma de permitir que as investigações do Ministério Público avancem e a instrução deste e de todos os demais processos não sofram ingerência indevida é o afastamento cautelar do prefeito Jander Nunes Vidal, de modo que seja ao menos abrandada sua interferência na esfera municipal, bem como seja restabelecida a supremacia do interesse público na condução da máquina pública local”, afirmou a juíza, que também proibiu o prefeito de se aproximar de prédios públicos e até de manter contato com servidores públicos.
Sejus aplica novas multas a empresa que fornece alimentação a presos
A Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) aplicou duas multas à Viesa Alimentação por descumprimento contratual para o fornecimento de alimentação aos presos da Penitenciaria Semiaberta de Vila Velha (PSVV), as multas já haviam sido aplicadas, mas, por falta de recurso por parte da empresa, foram ratificadas. A primeira multa aplicada é de R$ 19.008,65 e a segunda de R$ 53.211,68. Somadas, as duas penalidades aplicadas à empresa passam dos R$ 70 mil. O contrato alvo da multa de R$ 53 mil foi prorrogado pela Sejus em 29 de dezembro de 2013, quando já havia sentença judicial da 2ª Vara da Fazenda Pública Estadual determinando que o Estado realizasse em 15 dias a contratação emergencial para fornecimento de alimentação aos detentos que anteriormente eram realizadas pela empresa Viesa, escolhendo entre as cinco últimas vencedoras de pregões em 2013,que fornecem alimentação em outros presídios. No dia 10 de janeiro deste ano, a Sejus formalizou a substituição da Viesa com a contratação emergencial das empresas Alimentares Refeições Ltda e Sabor Original Alimentação e Serviços Ltda para o fornecimento de refeições em duas unidades prisionais que eram atendidas pela Viesa. Inspeção Em inspeção na Viesa, a Vigilância Sanitária concluiu que a empresa não tinha condições sanitárias que garantiriam a qualidade e segurança dos alimentos preparados, mas não optou pela interdição sob o argumento de que seria inviável a contratação de outro serviço para atender imediatamente a prestação de serviço, sendo que a interdição seria um risco de caos no sistema prisional, podendo causar danos irreparáveis O Ministério Público Estadual (MPES) instaurou inquérito civil com base no relatório da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Estado (OAB-ES), que constatou diversas irregularidades nos presídios capixabas, principalmente no que tange à alimentação dos detentos. A inspeção realizada em 6 de setembro de 2013 nas duas unidades de trabalho da Viesa – nos bairros Jardim Tropical e Novo Horizonte, na Serra – constatou que a empresa não tinha condições sanitárias de funcionamento. O relatório da Vigilância Sanitária apontou que no setor de armazenamento dos alimentos secos foram constatadas fezes de roedores nos cantos de depósito e entre os paletes usados como suportes para acondicionar os produtos; foram identificados, também, produtos com as embalagens plásticas avariadas sendo algumas provocadas por roedores, latas de alimentos em conserva amassadas e oxidadas, o local apresentava-se desorganizado com objetos pessoais, peças de uniformes jogadas em cima dos produtos alimentícios, rotinas de higienização deficientes, prateleiras apresentando ferrugem e presença de infiltração. Nas câmaras de resfriamento e congelamento os inspetores indicaram que as trancas das portas estavam quebradas e que não era possível mantê-las fechadas adequadamente, as borrachas de vedação também estavam danificadas ou desgastadas, a iluminação não funcionava dificultando a verificação das condições dos produtos ali armazenados, mesmo nestas condições foi verificado que havia produtos acondicionados sem informações quanto aos prazos de validade e de fabricação, assim como produtos com características de recongelamento, presença de produtos misturados sem separação por tipo de gênero, água estagnada no fundo e ambiente desorganizado. Na área externa havia matérias primas e materiais em contato direto com o piso e local apresentava caixa de passagens e de esgoto sem vedação adequada, nos arredores havia materiais em desuso ou inservíveis acumulados. No açougue não havia água no lavatório de mãos, a tábua de corte estava muito desgastada, havia presença de moscas, acondicionamento de carnes em quantidades incompatíveis com espaço, acúmulo de água no piso; já na área de salada, a tábua de corte aprestava fungos, havia presença de moscas, ausência de água nos lavatórios, excesso de umidade, paredes com sujidade acumulada (restos de processos de produção de dias anteriores)e infiltrações nas paredes. No contêiner refrigerado havia produtos misturados (carnes descongeladas, carnes pré-preparadas, laticínios), acumulo de sangue com água no piso exalando odor fétido e excesso de mercadoria; e na área de verduras a tela estava rasgada, havia presença de abertura no piso próximo a parede, excesso de mercadoria, caixas plásticas sujas, produtos em avançado estado de deterioração e armazenamento de produtos em caixas de madeira.
Mariana Aydar e Katia Rocha abrem programação do projeto Seis e Meia
Nesta quarta-feira (7), o Teatro Carlos Gomes, em Vitória, abre as suas portas para mais uma edição do projeto Seis e Meia, que já trouxe mais de 80 atrações para entreter os moradores da Grande Vitória em suas 28 edições, realizadas desde 2008 pela Secretaria de Cultura do Estado. Desta vez, a iniciativa traz como atrações as cantoras Katia Rocha e Mariana Aydar, em uma mistura de forró e samba. Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do Theatro Carlos Gomes e custarão apenas R$ 5, valor de meia entrada. A renda arrecadada será toda doada para projetos de arte, oficinas e apresentações musicais no Hospital Adauto Botelho, de saúde mental. O projeto leva este nome por conta do horário em que tem início, às seis e meia na noite, momento em que quem estiver próximo ao local pode ouvir música de boa qualidade e, ao mesmo tempo, evitar o trânsito que, neste horário, costuma estar engarrafado. “Este projeto é um sucesso consolidado em Vitória e, a cada edição, ganhamos ainda mais expressividade. O nosso objetivo é levar entretenimento e cultura para os capixabas que estiverem no entorno do Teatro através de grandes vozes do cenário local e nacional. Além disso, esta é uma ótima oportunidade para escapar do trânsito típico desse horário”, contou Tânia Silva, diretora da Caju Produções, organizadora do evento. Katia Rocha participou do 3º Manguinhos Jazz e Blues, realizado em abril deste ano no balneário da Serra, retomando sua tendência “Jazz Brasil”, como ela denomina. Cantando música brasileira com arranjos de jazz, Kátia Rocha tem em seu repertório canções de consagrados compositores brasileiros como Tom Jobim, Milton Nascimento, Edú Lobo, Djavan, Gilberto Gil, Baden Powell, entre outros. A cantora e instrumentista gravou algumas dessas músicas em seu mais recente CD, Hoje o Samba Saiu, e irá se apresentar no Seis e Meia acompanhada pelo trio Roger Bezerra, nos teclados, Hugo Maciel, no contrabaixo, e Marlon Aloyr, na bateria. O público do Seis e Meia poderá conferir também a doçura da voz de Mariana Aydar, que tem uma variada influência musical. “Na minha casa o som era bem variado. Ouvia de tudo: Bobby McFerrin, Frank Zappa, Dominguinhos, Luiz Gonzaga, Elis, Ella Fitzgerald, Gal Costa, Beatles, Yo-Yo Ma, Donald Fagen, Branca di Neve, Candeia, Lulu Santos, entre muitos outros”, conta. Após cantar em vários países e ao lado de grandes nomes da música brasileira, como Ivan Lins, Emilio Santiago e João Donato, Mariana sobe ao palco do Theatro Carlos Gomes para trazer aos capixabas composições autorais e grandes sucessos da música nacional. O projeto Seis e Meia já tem programação definida para a segunda edição, que acontece no dia 04 de junho, no mesmo local: as bandas Casuarina e Babulina. A terceira e última edição deste está agendada para 30 de julho. Serviço Projeto Seis e Meia acontece nesta quarta-feira (7), às 18h, no Theatro Carlos Gomes. Ingressos a R$ 5 (meia), comprados na portaria do teatro. Mais informações aqui
Há vagas
O ex-governador Paulo Hartung (PMDB) mostrou mais uma vez que determinados poderes não se perdem na planície. A parceria com determinados setores da impressa e a utilização dos números a seu favor continuam inabaladas. Mas isso é suficiente para levá-lo novamente ao comando do governo do Estado e da classe política capixaba? Não. Há vários detalhes que precisam ser observados para que isso aconteça. O primeiro deles é Magno Malta (PR). Se o senador entrar na disputa, tem 15% das intenções de votos – isso se considerarmos corretos os números da Futura, que muita gente olha com desconfiança devido às ações equivocadas das pesquisas em eleições passadas. Todo caso, se confirmado esse percentual, o republicano leva a disputa estadual para o segundo turno. Embora mire em Casagrande e Hartung, o ex-governador é o alvo preferencial de Malta. Embora se mostre disposto ao embate com o governador, será que Hartung entraria em uma queda de braço com Magno Malta? De outro lado é preciso considerar o peso político que Casagrande ganha com Ricardo Ferraço (PMDB) em seu palanque, sem falar na movimentação surpresa do ex-senador Gerson Camata (PMDB), que também passou a apoiar a reeleição do socialista. Outro problema e que a pesquisa não condiz com os ecos que chegam do interior. Claro que os prefeitos tem muitos problemas para resolver, principalmente depois da chuva do final de 2013, mas Casagrande consolidou sua imagem de homem do interior, reforçada agora com as declarações de Camata. E o que se comenta é que Casagrande está muito forte. Mas o principal problema de Hartung para consolidar sua candidatura é a sustentação de seu palanque. Como não consegue apagar os incêndios sequer dentro do PMDB, afasta a classe política. A maioria dos partidos com os quais o presidente da sigla, deputado federal Lelo Coimbra, disse que o PMDB está conversando estão com Casagrande. Hartung não quer a quebra da unanimidade, quer esvaziar o palanque de Renato Casagrande. Tudo bem que dos 22 partidos houve uma queda significante, mostrando a dureza do pleito, mas no palanque de Hartung, ninguém confirmou presença ainda, nem o PT, embora não reste mais saída para o partido. É isso ou a candidatura própria. Enfim, Hartung precisa ir além das aparências de candidatura forte. Precisa erguer um palanque consistente, definir o apoio presidencial e entender que as relações políticas no Estado devem seguir outro caminho, mais democrático, de preferência. Fragmentos: 1 – Depois do fatídico programa eleitoral do PSDB descendo a lenha no governo Casagrande, como vão ficar as lideranças tucanas no palanque socialista? 2 – O ex-prefeito Guerino Balestrassi tenta justificar sua candidatura fazendo um comparativo com sua primeira disputa em Colatina. Mas a coisa é bem diferente desta vez. Aliás, não dá para disputar o governo ainda pensando como prefeito. 3 – João Coser posou para foto ao lado da presidente Dilma Rousseff no encontro do PT, em São Paulo, na última sexta-feira (2). Pode ser que tenha e fazer isso aqui no Estado também, como candidato ao governo, se Hartung não assumir a candidatura petista.
Exclusão de municípios explica incongruências nos resultados das pesquisas
A divulgação da pesquisa Futura, nesse domingo (4), em A Gazeta e da FlexConsult, no site Leia-se, nesta segunda-feira (5), revela incongruências nos resultados sobre a disputa eleitoral do Estado. Esses problemas, entre outros motivos, são causados pela escolha dos campos a serem analisados. As duas empresas recorreram às fórmulas adotadas em 2010, mas com a exclusão de alguns municípios que poderiam alterar o cenário colocado nos levantamentos. O que chama a atenção do mercado político é que no levantamento de 2010, com o mesmo universo de eleitores e abrangência da pesquisa, o valor cobrado pela empresa foi de R$ 35 mil. Estranhamente, quatro anos depois, o valor foi de R$ 32 mil. Hoje no mercado uma pesquisa deste porte custa em média R$ 45 mil. Além dos quatro maiores municípios da Grande Vitória (Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica), a pesquisa deve incluir ainda os chamados municípios-polo – Cachoeiro de Itapemirim, Colatina, Linhares e São Mateus –, os demais devem ser incluídos por sorteio aleatório. O problema é que esse sorteio não é fiscalizado, gerando a desconfiança no mercado político sobre a escolha dos campos, o que influencia na pesquisa. Diferentemente do que foi feito em 2010, Viana ficou fora das duas pesquisas. No município, o governador Renato Casagrande tem uma boa imagem com o eleitorado. Foi o prefeito de Viana, Gilson Daniel (PV), quem convocou a reunião de prefeitos para pedir a manutenção da unidade em torno do socialista. A Futura também excluiu a terra natal de Hartung, Guaçui, também no sul do Estado, mas o ex-governador não tem o município como reduto eleitoral há muito tempo. Por isso, a exclusão de Castelo é mais significativa para Casagrande do que a exclusão de Guaçui para Hartung. A diferença entre Paulo Hartung e Renato Casagrande na pesquisa Flex Consult é ainda maior. Se na Futura Hartung aparece com quatro pontos percentuais à frente de Renato Casagrande, na pesquisa FlexConslult, o ex-governador tem 38% das intenções de votos, contra 30% de Renato Casagrande. Mesmo a empresa tendo incluído Castelo na amostragem, excluiu outros municípios importantes como Domingos Martins, na região serrana, por exemplo. A margem de erro de 3,1 também contribui para distorções do cenário eleitoral. Na pesquisa divulgada no domingo, a Futura em Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica. Também foram ouvidos eleitores de Guarapari, Afonso Claudio, Santa Leopoldina e Domingos Martins. No sul do Estado, a pesquisa ouviu eleitores em Cachoeiro de Itapemirim, Alegre, Iuna e Muqui. Na região noroeste foram entrevistados moradores de Colatina, Baixo Guandu, Barra de São Francisco e Boa Esperança. E no litoral norte, os municípios de Aracruz, Linhares, São Mateus e João Neiva foram ouvidos. Segundo informações do site do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), a empresa ouviu 1.400 pessoas entre os dias 22 e 28 de abril. O número do registro da pesquisa é 00005/2014. Já a FlexConsult ouviu eleitores de Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica. No noroeste, de Colatina, Barra de São Francisco, Vila Pavão e Ecoporanga. No Litoral norte foram entrevistados moradores de Linhares, São Mateus, Aracruz, Conceição da Barra. Na região central, foram ouvidos eleitores de Afonso Cláudio, Alfredo Chaves e Santa Teresa. No sul do Estado, os moradores de Cachoeiro de Itapemirim, Castelo, Mimoso do Sul e Iuna foram abordados pelos pesquisadores. A empresa ouviu mil pessoas entre os dias 23 e 29 de abril e o número do registro é 0006/2014. Não é só no Espírito Santo que as pesquisas eleitorais causam polêmicas nos meios políticos. Nesse sábado (3), o jornal O Estado de S. Paulo publicou uma reportagem mostrando que metodologia de pesquisa adotada pelo Instituto Sensus distorceu resultados, beneficiando o pré-candidato tucano ao Palácio do Planalto, Aécio Neves (PSDB). Isso porque em vez de entregar aos entrevistados um disco com os nomes dos candidatos à Presidência, o instituto usou uma lista em ordem alfabética, com Aécio Neves na primeira posição. No Estado, o fato de a Futura ter primeiro feito um levantamento isolado nos quatro maiores municípios da Grande Vitória sobre a corrida eleitoral ao governo do Estado também teria influenciado no resultado da pesquisa desse domingo. Também chamou a atenção o fato de a deputada federal Rose de Freitas (PMDB) aparecer em primeiro lugar com uma diferença substancial sobre os adversários, o que passa uma ideia de que fora da disputa de senador, Paulo Hartung transferiria seus votos para a colega de partido. O problema é que há até pouco mais de um mês os dois eram adversário políticos. A deputada estava inclusive disposta a bater chapa como ex-governador em convenção do partido no próximo mês. Outro fato que prejudica a melhor visualização dos dados é o fato de, na espontânea, 41% dos entrevistados se colocarem como indecisos. Um número alto para se determinar um levantamento de uma disputa que se coloca como polarizada. A possível entrada do senador Magno Malta (PR) no páreo, que levaria a disputa para o segundo turno, também foi minimizado na publicação das pesquisas, o que influencia o comportamento do eleitorado. No caso de A Gazeta/Futura, o peso dos 15% do senador não foram destacados como ameaça de segundo turno. Em Leia-se/FlexConsult o senador aparece com apenas 7% das intenções de votos.
Pesquisa Futura não surpreende lideranças e desconfiança permanece
A pesquisa Futura divulgada neste domingo (4), em A Gazeta, não chega a surpreender a classe política, que já esperava um cenário favorável ao ex-governador Paulo Hartung (PMDB), depois dos levantamentos isolados publicados sobre o cenário em quatro municípios da Grande Vitória. O fato de ele aparecer à frente do governador Renato Casagrande na pesquisa estadual, porém, não convence a classe política. Mesmo assim, a pesquisa é um termômetro para fortalecer a impressão que as lideranças no Estado previam, de uma disputa acirrada entre o governador e seu antecessor, com o eleitorado dividido. Oriundos do mesmo projeto político, a disputa polarizada representa uma disputa de poder dentro do processo político da unanimidade, criada por Paulo Hartung em seu governo e adotada integralmente por Casagrande na gestão atual. Na pesquisa, Hartung aparece com 34,1% das intenções de votos na estimulada, contra 30% do governador Renato Casagrande. Chama a atenção que o senador Magno Malta (PR) aparece com 15,2%, ou seja, uma vez recuando para a disputa ao governo do Estado, poderia levar o pleito para o segundo turno. Sem ele, a disputa fica plebiscitária. A Futura ouviu 1.400 pessoas em 20 cidades capixabas, entre os dias 22 e 28 de abril. A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) com o número 00005/2014 e a margem de erro é de 2,6 para mais e para menos. Para algumas lideranças políticas, os números da pesquisa podem ter sido influenciados pela sequência de episódios favoráveis a Hartung e desfavoráveis a Casagrande nos últimos dias. O governador, que enfrenta manifestações e greve de professores, apareceu negativamente na mídia nas últimas semanas. Já o ex-governador, que sempre contou com o apoio de parte da imprensa para blindar sua imagem, mesmo em momentos de crise em seu governo, teve agendas políticas positivas. Mas a exclusão do reduto do governador Renato Casagrande, o município de Castelo, no sul do Estado, da amostragem é apontado como o fator principal para o desequilíbrio da pesquisa. O cenário artificial de crise no governo Casagrande começou com a divulgação de um estudo em que economistas ligados ao ex-governador apontaram o crescimento dos gastos com custeio do Estado. A estratégia de desgaste de Casagrande conta na Assembleia Legislativa com a ação de dois deputados – Euclério Sampaio (PDT) e Paulo Roberto (PMDB) –, com ataques em todas as sessões ordinárias ao governador. Elementos que contribuem para a criação do cenário favorável ao ex-governador Paulo Hartung. No levantamento feito para a disputa ao Senado, a pesquisa aponta Rose de Freitas (PMDB) com 21,9% e Coser com 18,9%. O curioso da pesquisa é que ela ainda traz o nome de Hartung, mesmo ele já tendo anunciado sua candidatura ao governo do Estado. Já as candidaturas tucanas – há dois pré-candidatos inscritos no livro de candidaturas do partido, o ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas e o coronel Luiz Sérgio Aurich – não foram citados na pesquisa, assim como o nome do Psol, o advogado André Moreira. Outro dado que chama a atenção é o fato de na espontânea o delegado Fabiano Contarato (PR) e a deputada Rose de Freitas estarem empatados com 6,1%, mostrando que a situação não parece tão definida assim entre PMDB e PT e que a candidatura do delegado pode se fortalecer no processo. Já a dos demais, diante das incertezas de composição eleitoral, podem sofrer abalos.
Reportagem especial Solta o preso
Texto: Henrique Alves Fotos: Gustavo Louzada/Porã Como a maioria dos cultivadores, F. começou a plantar a própria erva por dois motivos. Um: queria algo saudável. Dois: pela vez em que se sentiu um bandido. A Praça do Papa, em Vitória, recebia um daqueles colossais eventos que costumavam acontecer e, praxe, rodinhas se formaram em frente ao palco imenso onde rolavam os shows. A fumaça subia. Pouco depois bateu a polícia: uma ponta foi tudo o que a abordagem encontrou. Bastou. Aquele terço de baseado condenou os jovens à execração pública. “Não apresentei resistência nenhuma. Os caras me algemaram, me deixaram lá para todos os meus amigos verem, a minha família ver”. Um a um, algemados, foram trancafiados na viatura e encaminhados para a Chefatura de Polícia, na Reta da Penha – muita gente, ele não lembra o quanto com precisão. Só foram liberados alta madrugada. Uma experiência aviltante que ainda hoje o mortifica. Tinha 16 anos e não há muito dera o primeiro trago. Após o episódio a desconfiança dos pais virou certeza, o que, no entanto, não demoveu o filho de suas escolhas. “Meus pais sabem que eu fumo, mas não é uma coisa que a gente converse abertamente. Já falei muito sobre isso com eles, exponho opinião”, destaca ele, hoje com 30 anos. Como se sabe, o assunto ainda é delicado, razão pela qual os personagens requereram a preservação de identidade, profissão e residência. Voltando. Aos 18 veio a primeira experiência em autocultivo. Procurava sobretudo qualidade. “Um dia você pega uma maconha boa, outro uma ruim. Você não sabe o que está fumando: pega para relaxar e na verdade te deixa ansioso”, argumenta. A detenção também foi fator determinante: “Não queria passar por situações que não gostaria de passar. Não queria subir morro e lidar com pessoas que estavam ali por outras questões muito mais complicadas que a minha. Não queria participar disso e não queria ser alguém taxado de financiador do tráfico”. Ele e um amigo empreenderam o cultivo de guerrilha, ou seja, no meio de uma mata qualquer. Cultivaram cerca de 30 pés, porém sem êxito, ainda não dominavam técnicas de cultivo: a Cannabis é uma planta rigorosa com iluminação e qualidade do solo. Melhores safras viriam depois, agora no esquema indoor (em interior), modalidade que pode ser desenvolvida em varandas, banheiros, guarda-roupas, garagens, terraços. Demanda investimento de pelo menos R$ 500, sobretudo em estrutura para iluminação, o cultivo indoor demanda lâmpadas específicas. Ao final a conta de luz estoura. Foram mais cinco tentativas; a última deu-se há sete meses e rendeu quatro pés em floração. Ao seu lado, J., 26, também se dedica ao indoor. Em casa, encontra a compreensão que na casa do amigo não passa de tolerância. É simbólica a única preocupação de seu pai: “Onde é que você está comprando?”, costuma perguntar. O pai, ele sabe que já fumou. A mãe, apenas desconfia. Deu o primeiro tapa aos 12, mas começou de verdade aos 14 anos. A primeira vez foi com amigos em uma festa. Viajou celestialmente. Chegou em casa abrindo o jogo: “Pai, mãe, fumei um…”. Sua mãe apenas olhou: “Toma cuidado, hein”. A preocupação inicial foi preservar o filho de certos corolários: moravam em uma região rodeada de favelas, presenciaram cenas lamentáveis. Não que estigmatizassem a pobreza ou a periferia, mas sabiam dos graves problemas específicos que afetam setores dessas regiões. A relação franca que sempre cultivaram entre si também ajudou deveras. “A reação inicial foi de prevenir o filho, mas não do bagulho. Sempre fui muito aberto com eles. A relação depois de um ano ficou muito tranquila mesmo”, diz. Vínculo tão aberto e tranquilo que os pais passaram a pedir que ele fumasse em casa. F. interrompe: “É um pouco daquilo que a gente estava falando: porque para comprar maconha a gente tinha que ir a locais que não estavam vendendo só maconha”. J. concorda. A questão revive a cada “Onde é que você está comprando?” de seu pai. Ele se dedica ao cultivo doméstico tanto quanto para não lidar diretamente com o mercado ilegal, tanto quanto para se esquivar do estereótipo de financiador do tráfico. Os dois amigos perderam a conta de quantas vezes subiram morros e viram gente armada oferecendo outras drogas além de maconha prensada. É por questão de saúde também. Aos primeiros tragos, descobriu boa variedade de fumos e de gente que pratica o autocultivo. Recorda também que, de início, mesmo no comércio ilegal, conseguia “do solto”. Mas aos poucos o prensadão, mais fácil de acondicionar e, portanto, de burlar fiscalizações, dominou o mercado. A diferença entre o natural e o prensado avultou. “Percebi que o que a gente fumava era uma porcaria, dola de cinco [reais], prensado de cinquenta gramas. Se a pessoa se conhece, sabe o que vai fumar”, diz. Dola é uma pequena bucha de maconha, com quantidade suficiente apenas para um ‘fino’, um cigarro de, digamos, acanhada espessura. Hoje uma dola contém em média entre dois e três gramas de maconha. “O que a gente fuma na verdade é a flor. Então tudo o que vêm além disso é lixo, não tem necessidade de fumar. No caso da maconha, que geralmente a gente pega aqui, prensada, vem com todo o resto que tiver na mata, inseto, galho, resto de qualquer coisa”, diz F.. O outro complementa: “Até acrescentam coisas químicas para render o bagulho. No haxixe [resina da flor da cannabis], até cera de depilação misturam com a parada. Como qualquer droga: se não é legalizada, não tem mercado e então você não tem controle. E se você não tem controle, fazem o que querem”. J. evoca outra preocupação, não de todo usuário, mas de todo cultivador: ser denunciado à polícia. Ele sabe de amigos em cuja porta a polícia já bateu. O receio de plantar talvez seja maior que o de fumar: “O governo brasileiro não sabe diferenciar
Vale e Arcelor têm 60 dias para apresentar plano de controle das emissões visíveis
As empresas Vale e ArcelorMittal terão 60 dias para apresentar, ao Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), um relatório técnico contendo a relação, descrição e identificação fotográfica das fontes que apresentem emissões visíveis de poluentes atmosféricos, bem como um planejamento com cronograma de execução para controle dessa poluição. Documento nesse sentido, datado do último dia 23 de abril e assinado pela secretária de Estado de Meio Ambiente, Diane Rangel, foi entregue nessa sexta-feira (2) ao coordenador do grupo SOS Espírito Santo Ambiental, Eraylton Moreschi Junior. A secretária explica que a medida vem após as denúncias fotográficas e em vídeo enviadas por Moreschi ao Iema, que são protocoladas há anos no órgão, sem providências. No entanto, trata a questão como uma ação conjunta com as poluidoras, sugerindo que essas também atuaram, identificando – ou não – suas próprias fontes, em uma ação de fiscalização entre o órgão fiscalizador e as poluidoras. “Tais ações se deram através do recebimento e triagem dos registros, do envio de registros para que as empresas fizessem avaliação daquelas que estão sob sua responsabilidade, do recebimento de respostas, de avaliações individuais e conjuntas, de vistorias posteriores e de reunião de fechamento”. Na área da ArcelorMittal, foram identificadas seis fontes emissoras, são elas: máquina de desenfornamento de coque dos fornos da Coqueria Convencional, Chaminés 1 e 2 da Coqueria Convencional, Chaminé principal da Sintetização, Chaminés das Centrais Termelétricas, Pátio da Escória 1 (em frente à Aciaria) e Prédio da Aciaria. Já na área da Vale, as fotografias de maior incidência retratavam vapores oriundos da aplicação de supressor de pó na transferência 6PP4 (correias 6PP4/6PP6) das Usinas V e VI e vapores oriundos da aplicação de água no circuito de emergência das Usinas V e VI. Além disso, as principais fontes de poluentes detectadas de atribuição da Vale foram o carregamento de grãos e farelo nos porões dos navios no Píer 3 do Terminal Portuário e plumas de vapor com coloração avermelhada devido à aplicação de supressor de pó. O Iema também solicitou, no caso da Vale, que o plano para controle de emissões visíveis contemple as chaminés primárias, secundárias e de despoeiramento das usinas de pelotização I a VII. É o próprio governo do Estado que permite o aumento da poluição do ar no Estado. Situação que só irá se agravar nos próximos anos. No dia 16 de dezembro do ano passado, o governo Renato Casagrande publicou o o Decreto 3463-R, que estabelece os padrões da qualidade do ar em todo o Estado. Este, porém, não estabelece prazos para que as metas de reduções dos poluentes sejam alcançadas, prevendo apenas uma revisão no Plano Estratégico da Qualidade do Ar (PEQAr) a cada quatro anos. Além disso, o decreto estadual também estabelece para as Partículas Sedimentáveis (PS), mais conhecidas como pó preto, o padrão de 14g/m² por mês, que é quase o dobro da média por metro quadrado mensal já registrada na estação de monitoramento da qualidade do ar da Ilha do Boi (Hotel Senac) nos últimos quatro anos de medições, e chega a ser 62% maior do que a atual média da estação do Centro de Vila Velha.
Maio começa com palanques em processo de definição no Estado
Nerter Samora e Renata Oliveira A partir de meados de abril o processo eleitoral no Estado ganhou uma nova configuração e a movimentação é intensa. Mas, curiosamente, o foco da classe política passou a ser a disputa pelo apoio de PT e PSDB. Papo de Repórter analisa o papel da dicotomia e da influência da disputa presidencial no Estado. Nerter – No próximo dia 15, Renato Casagrande e Paulo Hartung devem confirmar suas candidaturas ao governo do Estado. Se Magno Malta (PR) entrar na disputa, a eleição será de dois turnos, mas isso é incerteza. Já Guerino Balestrassi (PSDB) não muda em nada o processo, já que também faz parte do jogo e deve sair da disputa por causa do acordo por cima entre Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB). E mesmo que ficasse se esforçando para dizer que é candidato para valer, já ganhou o rótulo de laranja nos meios políticos, e aí fica difícil desdizer. Mas, protagonistas à parte, as dúvidas mais contundentes das arrumações dos palanques recaem nos coadjuvantes, sobretudo na disputa pelos apoios de PT e PSDB. Aí entram interesses que vão além dos palanques estaduais. Renata – É verdade. Com dois palanques fortes, se o PT fechar acordo com o palanque de Paulo Hartung, no PMDB – e agora não vejo outra saída para o partido -, acaba empurrando o PSDB para o grupo de Renato Casagrande. A dicotomia que se dá em nível nacional vai utilizar as candidaturas colocadas aqui para reproduzir o antagonismo entre a candidatura de Dilma Rousseff à reeleição e todo o projeto petista, contra a oposição ferrenha de Aécio Neves e o ninho tucano, que nesta empreitada conta com a candidatura de Eduardo Campos como um peso extra no campo da oposição. Nerter – Neste contexto, a disputa nacional se regionaliza nas campanhas ao Senado, com Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) rivalizando com João Coser (PT). Os tucanos conversam com Casagrande, mas precisam vencer o racha interno, que aliás tem sido identificado em todos os partidos, a partir da divisão de poder dentro da unanimidade. O presidente do partido, deputado federal César Colnago, tende para o lado de Hartung, mas é minoria. O posicionamento do PSDB, na verdade, depende dos movimentos do PT, mas o PT depende do movimento de Hartung, que não quer assumir a candidatura de risco de Dilma Rousseff no Estado. Mas tudo isso deve ser resolvido na reunião da Executiva tucana nesta segunda-feira, quando Colnago e Balestrassi devem ser “enquadrados”. Renata – Hartung adia a definição pelo palanque de Dilma, assim como Casagrande protela em assumir a candidatura de seu presidenciável Eduardo Campos. Mas uma hora os dois vão ter de se posicionar e esta hora está chegando. Daqui a pouco chegam as convenções partidárias e aí não tem como enrolar. Mas há um detalhe a ser destacado. Quando Luiz Paulo diz que é um sonho de consumo enfrentar João Coser na disputa ao Senado, confesso que fico preocupada com a intenção por trás dessa afirmação. Luiz Paulo vai querer fazer o enfrentamento do projeto do PT em nível nacional ou vai chamar Coser para um comparativo das gestões à frente da Prefeitura de Vitória de ambos? Se for esse o motivo, o debate fica empobrecido e equivocado. Uma disputa ao Senado não pode se basear apenas no ajuste de contas de um município. Afinal, um senador representa o Estado e não a Capital do Estado. Nerter – Quem pode se dar bem nessa história é o delegado Fabiano Contarato (PR). Mas também há poréns em sua candidatura. Caso Luiz Paulo e Coser radicalizarem a disputa ao Senado, ele pode correr por fora e se apresentar como alternativa. Ele tem um capital eleitoral muito consistente para quem nunca disputou uma eleição e foi escondido pela imprensa depois de passar a integrar os quadros do PR, de Magno Malta. Mas, paradoxalmente, para que ele consiga se afirmar como candidato realmente alternativo, precisa se afastar de todas as movimentações eminentemente políticas, inclusive do PR. Precisa não se contaminar com o jogo político já existente, se quiser mesmo explorar essa ideia de candidato das redes sociais. Renata – Esta semana, que foi curta, entrecortada de feriados, o que chamou a atenção mesmo foi a reação do pacato Gerson Camata (PMDB). Nos meios políticos, ecoam insatisfação do casal Camata com a política atual do Estado. Atual, não, na verdade o chamado “Casal 20” da política capixaba foi diminuído pela ação de Hartung nos meios políticos. Privilegiando sempre seu seleto grupo, ele provocou a desidratação da grive Camata. Agora, o PMDB cobra do ex-senador uma postura de agradecimento a Hartung, mas isso não cabe. Nerter – Eu não sei se Camata vai mesmo sair do PMDB, mas essa movimentação dele mostra como andam as coisas no partido. Há uma divisão clara entre o grupo de Hartung e os históricos. Evidentemente que uma liderança política que coloca o nome à disposição do partido tem condições de cobrar fidelidade partidária, mas o histórico de Hartung sempre contrariou a política de partido, então fica difícil cobrar uma postura dos aliados que ele mesmo nunca teve. Renata – Apesar de haver uma movimentação muito grande, inclusive de parte da imprensa, para dar um tamanho político a Hartung que ameace firmemente a candidatura à reeleição de Renato Casagrande. A situação não é bem assim. É claro que a candidatura de Hartung é muito competitiva e ele tem condições de travar um debate duro e uma disputa acirrada contra Casagrande, mas não tem esse tamanho todo. Pelo menos não em condição de desbancar os aliados do palanque de Casagrande e reunir a unanimidade em torno de sua candidatura. Depois de quatro anos na planície, as lideranças políticas estão divididas, mas não é todo mundo que tem saudades do governo Paulo Hartung. Nerter – E quando o governador consegue colocar do seu lado o senador Ricardo Ferraço (PMDB) e o ex-governador e ex-senador Gerson Camata, o peso