O sertão sempre foi central nas obras de Guimarães Rosa, em Sorôco, sua mãe e sua filha, a aridez do local se confunde com a incompreensão dos personagens em relação à dor do protagonista. No conto, Sorôco precisa se despedir da mãe e da filha que estão sendo levadas para um hospício. O seu sacrifício é feito pelo bem comum, para que a ordem volte à comunidade e a vida possa continuar. A loucura, a inadequação, a solidão e a saudade são algumas das sensações que o espetáculo de dança contemporânea Banzo explora. Desenhado pelos coreógrafos Gil Mendes (ES), Cristina Castro (BA) e Leandro Oliveira (BA), aborda a poética do corpo presente. Banzo é o terceiro espetáculo da companhia In Pares e será apresentado esta quinta-feira (1), às 20h, no Theatro Carlos Gomes, durante o 8ª Festival Internacional VIVADANÇA. A Cia de dança In Pares foi premiada, em 2013, pelo Edital de Residência de grupos de dança da Secult e convidou a coreógrafa baiana Cristina Castro, também diretora do VIVADANÇA, para dar uma orientação dramatúrgica aos bailarinos do elenco. O projeto ainda contou com a participação especial do coreógrafo Leandro Oliveira e do Núcleo Vila Dança, também dirigido pela Cristina. “A linguagem inovadora é a principal característica da literatura de Guimarães Rosa, por isso, o espetáculo Banzo não é a história de Sorôco coreografada. Não é possível transformar em dança uma obra que foi feita para a linguagem da literatura”, explica Cristina sobre o processo de criação do espetáculo. Ela trabalhou junto com o elenco algumas sensações e elementos do conto para serem exploradas com a dança e a história serviu apenas como base para a criação do roteiro. Quando Cristina chegou a Vitória, a Cia In Pares já havia escolhido o conto e iniciado o processo de pesquisa sobre o autor e sua obra. A coreógrafa se identificou de imediato com o tema e o trabalho fluiu naturalmente, “foi uma parceria incrível com ótimos profissionais. Gil é um coreógrafo muito detalhista e aberto a novas ideias. Ele tem uma capacidade de se adaptar a novas linguagens, o que é muito raro no meio da dança”, conta Cristina. Cristina construiu através do tempo presente uma multipersonalidade nos seis bailarinos em cena, assim, todos podem se tornar Soroco, mãe ou filha. “Nosso objetivo não é determinar cada personagem, como geralmente acontece no teatro. Há momentos em que é claro qual personagem que está em cena, mas eles logo se misturam porque, assim como no conto, todos os personagens passam pelo estado de banzo”. O nome Banzo, geralmente associado à escravidão, é uma palavra que significa o estado de saudade e nostalgia em relação a algo que não existe mais. “O nome faz relação ao tema central do conto, que é a despedida e a nova vida que recomeça depois de uma perda”, diz a coreógrafa. O espetáculo também conta com outras linguagens artísticas, como o vídeo e a música. O músico Anderson Bardot e o cineasta Emerson Evêncio auxiliaram nesta construção ao projetar os diversos elementos imagéticos e sonoros do universo particulares dos personagens. Para isso, os artistas se utilizaram de captações originais e de cenas retiradas do filme Cavalo Ferro (2013), de Gui Castor. Além disso, Anderson Bardot criou uma trilha sonora original para o espetáculo. O espetáculo faz parte da programação 8ª VIVADANÇA Festival Internacional, que acontecerá pela primeira vez no Estado, com atrações nacionais e internacionais e entrada gratuita. Cristina Castro é a diretora do evento que nasceu na Bahia. “Vitória me recebeu muito bem e é uma cidade com muito potencial para a dança e com muitos talentos. Estou muito feliz de trazer o festival para cá e ter a oportunidade de assistir ao Banzo em sua própria cidade”. Serviço O espetáculo Banzo será apresentado nesta quinta-feira (1), às 20h, no Theatro Carlos Gomes. Entrada Franca. O Festival VIVADANÇA segue até o dia 4 de maio. Confira a programação completa aqui
Cada um por si
Confirmada a polarização entre Renato Casagrande e Paulo Hartung (PMDB) na disputa ao governo do Estado, a eleição deste ano, à exceção do PSB, não será marcada por lealdade partidária. Nas principais siglas que negociam alianças, há divergências sobre apoios. No PMDB, as resistências mais fortes são do deputado estadual Marcelo Santos e do diretório de Colatina. Há chances de apoiarem Hartung ao invés de Casagrande? No PT, mesmo que o ex-prefeito João Coser bata o martelo e feche a chapa com o ex-governador, dificilmente os petistas de seu governo, como seu vice Givaldo Vieira e o ex-secretário Alexandre Passos, além da senadora Ana Rita e etc., deixarão de apoiar o governador. Da mesma maneira que ninguém desconhece que, no PDT, o deputado estadual Da Vitória deverá manter parceria com Casagrande, independente de o partido integrar a aliança com o PT-PMDB ou não. No PSDB, também há divisão. César Colnago e Guerino Balestrassi querem candidatura majoritária só para fortalecer Hartung na disputa, enquanto o grupo de Luiz Paulo Vellozo Lucas conversa sobre aliança com o PSB. Colnago e Guerino vão pedir votos para Casagrande? O quadro eleitoral é tão singular, com embate entre duas lideranças do mesmo grupo, que vai prevalecer a disputa individualizada, não de partido. Para fora, será de um jeito, mas no tête-à-tête vai prevalecer a lei do cada um por si. Artigo raro Aliás, para Hartung ter aparecido na reunião da executiva do PMDB no Estado, o caso deve ser sério mesmo! Ele não é disso. Inversão Sobre a reunião nesta segunda-feira (28): não foi o candidato Hartung a conversar com o PT, mas sim parte do PT que se reuniu no escritório do ex-governador, no Shopping Praia da Costa, em Vila Velha. Incógnita O senador Magno Malta (PR) está atirando para todos os lados. Vai ao mesmo tempo para cima da nacional de seu partido, para o governo Casarande e ainda sobra mira para seu antigo desafeto, Hartung. Difícil é saber aonde o senador quer chegar, de fato. Time A propósito, depois de perder nomes fortes do partido, Malta está se gabando de seu time para a disputa deste ano. Além do delegado Fabiano Contarato, candidato ao Senado, e do deputado estadual Gilsinho Lopes, que tentará a reeleição, encheu a bola do ex-prefeito Vasquinho Alves, do delegado Danilo Bahiense, do coronel Ronald Willians e Moabe Souza. Há controvérsias. Point de ex Na Romaria das Mulheres, nesse domingo (27), marcaram presença os ex-prefeitos de Vila Velha Neucimar Fraga (PV) e Max Filho (PSDB) – o tucano acompanhado do seu pai, o ex-governador Max Mauro (PTB). Candidatos na eleição deste ano, os dois guardaram as respeitosas distâncias um do outro, mas estavam no meio do povão. Passou batido Já o atual prefeito, Rodney Miranda (DEM), conhecido por ser avesso ao povo, não foi visto. Pelo menos por boa parte das participantes. Onde estava o demista? No prejú Nada bom para Rodney, que segue na missão de conseguir ser abraçado por seus eleitores, depois de ver sua gestão por um fio. A propósito, o prefeito acaba de criar o Gabinete de Rua, do Projeto Passando a Limpo, para se reunir com comunidades de bairros e ouvir sugestões. Começou por Soteco. Circulando As petistas Iriny Lopes e Ana Rita estiveram no último dia da festa realizada por camponeses em defensa das sementes crioulas em Domingos Martins, nesse domingo (27). Iriny já foi muito atuante no meio, não é mais. Já Ana Rita tem assumido o buraco deixado pela colega de partido no Senado. Se eleita deputada estadual, deve se consolidar como a única voz dos movimentos do campo na Casa. 140 toques “Bom dia! #somostodosmacacos, somos todos iguais. Racismo não”. (Senador Ricardo Ferraço – PMDB – no Twitter). PENSAMENTO: “Em política, a comunhão de ódios é quase sempre a base das amizades”. Charles Tocqueville
??ltimos acertos
O ex-governador Paulo Hartung (PMDB) está decido a não esperar maio chegar para que o governador Renato Casagrande se posicione sobre a disputa à reeleição. Corre para acertar os últimos detalhes de seu palanque antes que abril termine, para quando maio chegar, estar preparado para enfrentar o governador. Hartung ganhou espaço, criou um cenário de enfrentamento que sugere que ele tem um tamanho eleitoral capaz de enfrentar a máquina sem problemas. Este cenário, na verdade, é artificial, mas ainda convence parte do mercado político. Temeroso do que há por vir caso Hartung vença a eleição e restabeleça o sentido vertical de relação com a classe política, o governador Renato Casagrande ainda aguarda com paciência para se colocar no cenário. Mas este não fica definido. A aliança com o PT é flexível. Se a presidente Dilma cair mais, Hartung não fará campanha para a presidente. Neste sentido, o PT terá que se virar para driblar essa situação, talvez sacrificando Coser na disputa ao governo para garantir o espaço da presidente. Isso também influi em outros meios. Se afastando de Dilma, Hartung vai buscar aproximação com seu amigo Aécio Neves, o presidenciável tucano, levando para seu palanque as lideranças tucanas locais, que hoje conversam com Casagrande, mas como algumas delas são facilmente enganadas pelo canto da sereia, não se pode confiar em uma decisão que envolva outros atores, com Hartung no páreo. Neste caso, Casagrande ficaria sem Dilma, que teria um palanque próprio com o PT, e sem Aécio, que se aproximaria de Hartung. Restaria assumir o palanque próprio do PSB, com Eduardo Campos. O que não seria nada ruim. O socialista tem uma possibilidade de crescimento muito maior do que a de Aécio Neves, por ser novidade, por estar com Marina Silva e etc. Nos últimos dias, a influência do palanque nacional deu lugar às articulações locais. Agora, a discussão sobre as candidaturas presidenciais volta a ganhar o centro das atenções, já que vai definir os espaços eleitorais e seus representantes no Estado. Fragmentos: 1 – A senadora Ana Rita, assim como vários políticos do Estado, em campanha, teve um fim de semana agitado: Romaria dos homens, no sábado à noite; festa da semente crioula, em Domingos Martins, na manhã desse domingo, e Romaria das Mulheres à tarde. 2 – Luciano Rezende (PPS) e Pesquisa Futura, uma relação conturbada que ainda pode acabar mal. 3 – O presidente da Associação dos Município do Estado (Amunes), Dalton Perim (PMDB), aliado de Hartung, defende unidade, ou seja, o governador Renato Casagrande.
Adolescentes internos da Unip II, em Cariacica, fazem rebelião
Os internos da Unidade de Internação Provisória II (Unip II), em Cariacica, fizeram uma rebelião na tarde desta segunda-feira (28). O motim foi controlado por volta das 16h40, após intervenção de policiais do Batalhão de Missões Especiais (BME). A rebelião começou por uma insatisfação dos internos com a transferência de adolescentes que deveriam ser enviados para a Unidade de Atendimento Inicial (Unai), mas estão sendo encaminhados diretamente para as Unips de todo o Estado. Essas transferências têm provocado tensão nas unidades Os adolescentes fizeram quatro agentes socioeducativos reféns, mas, após negociação com a Gerência de Segurança da unidade, eles foram liberados, mas ficaram soltos no módulo. Depois da liberação dos reféns, o BME interviu e o motim foi controlado. A Unip II tem quatro moradias, sendo que duas foram destruídas pelos adolescentes, que queimaram colchões e destruíram os módulos. A unidade também está superlotada, com cerca de 120 adolescentes em local com capacidade para 70. Unis No início do mês, em 9 de abril, os internos da Unidade de Atendimento Socioeducativo (Unis) de Cariacica fizeram uma rebelião, mas, neste caso não houve intervenção do Grupo de Apoio Operacional (GAO), que havia sido acionado para conter o motim. Na ocasião, os adolescentes tomaram a unidade e foram para o telhado. Os agentes negociaram com os adolescentes e conseguiram debelar o motim.
Projeto de extensão da Ufes promove bazar com livros e DVDs nesta quinta
Igmar Bergman, Jean-Luc Godard, Willian Faulkner, Murilo Rubião e Miguel de Cervantes são alguns dos nomes que estarão presentes entre os DVDs e livros que o grupo O Baile selecionou para serem vendidos em um Bazar nesta quinta-feira (1), às 16 horas, no Cemuni I, na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). O Baile é um projeto de extensão do Depártamento de Comunicação (DepCom-Ufes), coordenado pelos professores Erly Vieira Jr e Gabriel Menotti, que explora as interfaces entre comunicação e arte contemporânea. A renda do bazar será revertida para o próprio projeto de extensão investir em novos equipamentos “Estamos precisando de cabos, conectores, hds e outros acessórios para que possamos usar em nossos eventos e oficinas experimentais, como a de videomapping que fizemos ano passado”, explica Erly. O professor também afirma que haverá de tudo no Bazar e todas as obras estarão com preço de liquidação. Além de livros de cinema, artes e ciências humanas, haverá também obras de literatura internacional, de brasileiros contemporâneos e do século XX, de autores capixabas e livros e revistas de comunicação. O Baile foi criado ano passado e já realizou ações como debates, mesas redondas e seminários tanto voltados para o campo dos processos criativos experimentais quanto pra questões que envolvam curadoria e acervo. “Fazemos também curadorias experimentais e sessões de cabine com filmes ainda em processo de edição, exibidos para plateias-teste, com a presença do diretor”, diz Erly. Além do Bazar, o evento também contará com discotecagem de Outra Escuta – programa da Rádio Universitária comandado por Ely Vieria Jr – e outros Djs convidados. O Bazar do Baile acontece no primeiro dia da SUA (Semana Universitária do Audiovisual), principal encontro de estudantes de audiovisual no Brasil que pela primeira vez será sediado pela Ufes. Este ano a edição nacional acontecerá em Pernambuco, e a realização da Regional Sudeste da SUA ficou a cargo dos estudantes do curso de Cinema e Audiovisual da Ufes, que preparam um evento com oficinas, mesas de discussão, mostras e debates, entre os dias 1 e 4 de maio. Serviço O Bazar do Baile acontece nesta quinta-feira (1), às 16h, no Cemuni I, na Ufes. Campus Goiabeiras.
PT quer garantir vaga ao Senado e o palanque da presidente Dilma no Estado
Parte da Executiva do PT se reuniu nesta segunda-feira (28) com o pré-candidato ao governo Paulo Hartung, no escritório do ex-governador no Shopping Praia da Costa (PMDB), em Vila Velha. Marcado para às 10h30, o encontro começou com atraso e é o primeiro passo para que o partido feche o acordo alinhavado com o PMDB e as siglas caminhem juntos na eleição deste ano. O PT quer garantir a vaga ao Senado e o palanque da presidente Dilma Rousseff no Estado. Hartung recebeu em seu escritório o presidente estadual do PT, o ex-prefeito de Vitória João Coser; o presidente da Central Única dos Trabalhadores do Estado (CUT), José Carlos Nunes, vice-presidente do partido; a deputada federal Iriny Lopes e a deputada estadual Lúcia Dornellas. Pelo PMDB, presença apenas da nova aliada do ex-governador, deputada federal Rose de Freitas. Oficialmente, o presidente do PT evita falar em fechamento de aliança. Hartung apresentou ao PT sua intenção em disputar o governo do Estado e o PT suas prioridades. O encontro acontece depois de o ex-governador reafirmar dentro do PMDB seu desejo de disputar o Palácio Anchieta, um dia antes do encontro regional do PT em Vitória. Ao mesmo tempo, Coser afirma que continua conversando com o governador Renato Casagrande. Os partidos voltam a se reunir na próxima semana e nos próximos dias. A conversa deve incluir também o PDT, do ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal. Nos meios políticos, a expectativa é de que o PT só se posicione no dia 24 de maio, quando será realizado o encontro de delegados do partido. Até lá, o PT deve apagar os focos de incêndio internos. E, pelo jeito, vai ter trabalho, apesar de em minoria, a Articulação de Esquerda, corrente de Iriny Lopes, promete espernear contra a aliança do PT com o PMDB no Estado. Nesse sábado (26), no encontro regional da região metropolitana, realizado em Vitória, a senadora Ana Rita Esgário, que também é da corrente, saiu atirando contra a aliança do partido com o PMDB, que para a parlamentar defende interesses sociais diferentes das bandeiras do PT. Não se trata mais, porém, de uma discussão partidária, mas sim de grupo. Neste sentido, se estabelece a entrada de Rose de Freitas na conversa. Para que o presidente do PT capixaba possa ter garantida a disputa ao Senado pelo grupo, a deputada federal ficaria contemplada no novo governo para abrir mão da defesa de sua candidatura em convenção do PMDB. Além dos petistas na gestão do governador Renato Casagrande, como o vice-governador Gilvaldo Vieira e os ex-secretários Helder Salomão e Alexandre Passos, há uma preocupação também dos candidatos proporcionais, tanto de PT, como o PMDB em conseguir acomodações para as candidaturas dos dois partidos.
Tem muito lixo deixado pelos dois últimos governos’, dispara Magno Malta
Sem aparecer em nenhuma pesquisa de âmbito nacional, porque o PR se recusa a reconhecer sua candidatura à Presidência da República, o senador Magno Malta pretende recorrer ao partido para receber apoio a seu nome na disputa. Mas também não descarta a candidatura ao governo do Estado. Isso ficou claro para os membros do partido que participaram de um seminário de formação política nesse sábado (26), em Barra de São Francisco, noroeste do Estado. Malta voltou a criticar o governo Renato Casagrande, ao citar a polêmica envolvendo a liberação do pedágio da Terceira Ponte, afirmando que o governador poderia ter antecipado a decisão. “Tem muito lixo deixado pelos dois últimos governos. Uma vergonha sem precedentes”, afirmou. Sobre as conversas que teriam acontecido com Casagrande, o senador também foi duro no discurso. Ele pediu às lideranças do PR fidelidade e dedicação. ”Estamos em um ano eleitoral e são muitas conversas, mas não vou vender meu partido, meus amigos. Vamos surpreender, pois o PR cresceu , tem novas caras e já tem outro foco”, disse. Para manter sua meta de pressionar o PR nacional, Malta anuncia rompimento com o governo Dilma, cobrando da nacional uma postura parecida. Em Brasília, porém, o clima entre PR e PT é de namoro. O senador dificilmente vai conseguir fazer o partido desembarcar do palanque da presidente. No Estado, caso pense em retornar para a disputa ao governo do Estado, Malta é um nome que causa preocupação nos adversários, já que teria, em média, 15% das intenções de votos, conforme levantamentos divulgados até agora. Mantendo esse índice, o senador leva a disputa eleitoral para o segundo turno. Sem ele, a disputa será radicalizada entre o governador Renato Casagrande e o ex-governador Paulo Hartung (PMDB), não cabendo segundo turno. Embora destaque as mudanças nos quadros do PR, o partido perdeu suas principais estrelas na janela de migrações do ano passado. O ex-prefeito de Vila Velha Neucimar Fraga foi para o PV; os deputados estaduais Vandinho Leite e Glauber Coelho para o PSB; e José Esmeraldo para o PMDB. Apesar de ter ganhando um nome de peso, o delegado Fabiano Contarato, que aparece bem na escolha do eleitorado para o Senado, o partido tem dificuldade de estabelecer alianças e pode ficar isolado.
Estado recebe pela primeira vez VIVADAN??A Festival Internacional
Começa nesta terça-feira (29), quando se comemora o Dia Internacional da Dança, a 3ª edição do Festival ES de Dança em Vitória. A programação contará com apresentações de grupos locais no palco do Theatro Carlos Gomes, workshops de dança e flahsmobs espalhados pela cidade. Os ingressos para o festival serão distribuídos gratuitamente. A novidade desta edição é a presença do 8ª VIVADANÇA Festival Internacional, que acontecerá pela primeira vez no Estado, com atrações nacionais e internacionais e entrada gratuita. Com um espaço para celebrar a dança, os mais variados estilos e ritmos embalam a programação do VIVADANÇA, além de dialogar com as demais expressões artísticas. O festival, que está em sua 8ª edição, já passou por Salvador, Camaçari e Belo Horizonte. A iniciativa tem a realização do Ministério da Cultura (MinC) e Fundo Nacional das Artes (Funarte). A entrada para o Festival VIVADANÇA será gratuita. Os ingressos serão distribuídos no Theatro Carlos Gomes, a partir das 14 horas, em cada dia do evento. Flashmobs A proposta para o Flash Mob desta edição é música popular brasileira, misturando ritmos e estilos diversificados do País. A importância desses estilos musicais é atingir várias camadas da sociedade brasileira nos níveis social, econômico, étnico e religioso. Para isso, o Festival ES de Dança preparou intervenções de dança, popularmente conhecidas como Flashmobs. Abrindo a programação do Festival ES de Dança, na terça-feira (29), o coreógrafo Yurie Perazzini comanda uma intervenção de Flashmob que acontecerá na Praça Costa Pereira, no Centro de Vitória, com início às 18 horas. Às 20 horas, o palco do Theatro Carlos Gomes recebe a atração internacional “Solos Stuttgart” (Hungria, Espanha, Bélgica, França e Portugal). A entrada é gratuita. Destaques da programação As atrações do Festival ES de Dança trazem em sua terceira edição atrações de grupos locais como a Cia de Dança Mitzi Marzzuti, Homem Cia de Dança, Cia de Teatro Urgente, IN PARES Cia de Dança, Cia de Dança Afro Negraô e Cia Urucum de Dança. Todos serão com entrada gratuita. O VIVADANÇA, criado em 2007, tem destaques como a Mostra Hip Hop em Movimento, que traz um pouco da cultura Hip Hop em suas inúmeras manifestações; a Mostra Casa Aberta, que abre espaço para novos talentos; o Prêmio VIVADANÇA, que valoriza o que há de melhor e mais atual na dança baiana; além de exposições, oficinas, workshops e mesas redondas, além de espetáculos de destaque da dança nacional e internacional. Acessibilidade Um dos pontos altos é a mediação cultural do VIVADANÇA, que cede convites a estudantes de escolas da rede pública de ensino ou de instituições voltadas à formação artística, pessoas atendidas por ONGs, integrantes de associações de bairro e grupos com pessoas em situações de risco ou em processo de ressocialização, assegurando, assim, acessibilidade para os espetáculos. No site do evento está disponibilizado um formulário para que as instituições interessadas em participar possam se inscrever. Confira a programação do Festival: TERÇA-FEIRA (29/04) 18h – Flashmob – Local: Praça Costa Pereira 20h -Solos Stuttgart (Hungria, Espanha, Bélgica, França e Portugal) – Local: Theatro Carlos Gomes QUARTA-FEIRA (30/04) 19h – Espetáculo Bossa, Poesia e Paixão – Local: Theatro Carlos Gomes Cia de Dança Mitzi Marzzuti Espetáculo Balcão – Local: Theatro Carlos Gomes Homem Cia de Dança – 20 horas Gratuito 21h – Espetáculo Mefisto – Local: Theatro Carlos Gomes Cia de Teatro Urgente QUINTA-FEIRA (01/05) 15h – Espetáculo Embrincando – Local: Theatro Carlos Gomes Cia Urucum de Dança 17h – Flashmob – Local: Calçadão de Camburi Coreografia e Direção de Yurie Perazzini 20h – Espetáculo Banzo – Local: Theatro Carlos Gomes INPARES Cia de Dança 21h – Espetáculo Ma'kwenda! Ma'kuisa! – Memorias de um corpo negro” Local: Theatro Carlos Gomes / Cia de Dança Afro Negraõ SEXTA-FEIRA (02/05) 20h – Espetáculo Muvuca – Local: Theatro Carlos Gomes Núcleo Viladança (BA) SÁBADO (03/05) 20h – Espetáculo Ágape – Local: Theatro Carlos Gomes Raça Cia de Dança (SP) 18h – Flashmob – Local: Praça dos Namorados, Vitória DOMINGO (04/05) 19h – Espetáculo Merak – Local: Theatro Carlos Gomes Cia Fusion de Danças Urbanas (MG) Mais Informações: www.festivalvivadanca.com.br/
Tribunal de Justiça suspende bloqueio dos bens de sócia da Delta Construções
A 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) suspendeu, na última semana, o bloqueio dos bens da empresa Fort Investimentos S/A, uma das sócias da empreiteira carioca Delta Construções, que é alvo de uma ação de improbidade. Para o relator do processo, desembargador Telêmaco Antunes de Abreu Filho, a legislação não permite “imputar ao sócio a prática de ato ímprobo em relação ao qual não tenha participação ou benefício particular”. A empreiteira é acusada de fraudes na prestação do serviço de manutenção de rodovias estaduais. Essa é a terceira decisão favorável a Delta e seus sócios em recursos dentro da mesma ação. Em agosto do ano passado, o juízo de 1º grau acolheu o pedido de liminar feito pelo Ministério Público Estadual (MPES) para decretar a indisponibilidade de todos os denunciados, além da proibição da assinatura de novos contratos com a empreiteira. No entanto, o desembargador só manteve as proibições relacionadas à Delta, que também teve os pagamentos bloqueados pela Justiça. A empresa segue recorrendo da decisão. Na denúncia ajuizada em julho deste ano, o Ministério Público aponta irregularidades na contratação da Delta pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Estado (DER-ES) para a execução dos serviços de conservação e manutenção de trechos das rodovias integrantes do Sistema Rodoviário Estadual nos municípios de Iúna, Irupi, Ibatiba, Domingos Martins e Venda Nova do Imigrante. O órgão ministerial destacou que o valor do acordo saltou de R$ 3 milhões para quase R$ 14 milhões no intervalo de três anos. Deste total, cerca de R$ 1 milhão teria sido pago por serviços que não estavam previstos em contrato. Nos autos do processo (0026952-91.2013.8.08.0024), o promotor de Justiça, Dilton Depes Tallon Netto, sustenta que, além dos pagamentos indevidos, a contratação da empreiteira carioca foi irregular por conta da ausência do projeto das obras. As investigações foram deflagradas após a repercussão das denúncias contra a Delta Construções, que foi alvo de Operação Monte Carlo – deflagrada pela Polícia Federal. Também chamou a atenção da promotoria o fato de a empreiteira carioca manter vultosos contratos com o DER-ES – aproximadamente R$ 42 milhões ao todo. “É importante ressaltar que o DER-ES surpreendentemente insiste em celebrar novos aditivos, em detrimento do interesse público, sem qualquer constrangimento, apesar do escândalo nacional envolvendo a requerida Delta, revelado em operação da Polícia Federal e parcialmente em uma CPI no Congresso Nacional, além do fato da declaração da União Federal de inidoneidade da empresa para contratar com a administração pública”, narra um dos trechos da ação. Além do dono da Delta (Fernando Cavendish) e do ex-diretor e da atual diretora gerais da autarquia (Eduardo Antonio Mannato Gimenes e Tereza Maria Sepulcri Cassoti, respectivamente), foram denunciados outros três servidores do DER-ES: Marcos Ronaldo Valdetaro, João Luiz Prest e Fábio Longui Batista. A indisponibilidade dos bens está limitada a R$ 17,6 milhões, valor dado à causa. Na ação, o MPES também pleiteou o afastamento liminar de Eduardo Mannato do cargo de diretor de obras da autarquia, porém, a solicitação foi negada pelo juízo.
Investimento da Aracruz Celulose em ‘agricultura familiar’ é ilusão
O governo do Estado divulgou que a Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e a Aracruz Celulose (Fibria) firmaram um convênio para contribuir com o fortalecimento da agricultura familiar capixaba. O projeto consiste na ampliação do plantio do eucalipto e na produção da madeira em solo capixaba, contribuindo para o desenvolvimento de programas como o Reflorestar, Campo Sustentável e Florestas Piloto. Para isso, a fábrica de celulose disponibilizará 4,4 milhões de mudas e insumos variados para os agricultores que estiverem interessados em “recuperar e preservar os recursos naturais, em especial a água”. Na verdade, a propaganda esconde um modelo de desenvolvimento exatamente contrário à preservação ambiental e à promoção da agricultura camponesa familiar, como defende o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). A política do governo estadual para a agricultura familiar têm sido, de fato, esta que empurra a responsabilidade para com o pequeno produtor às grandes empresas, em um acordo que tem como principal objetivo manter o sistema econômico que tem foco na agricultura de exportação, desenvolvida com largo uso de agrotóxicos, grandes propriedades de monocultivos e produção altamente mecanizada, com baixa empregabilidade de trabalhadores rurais, como afirma a entidade. O que vai justamente na contramão da preservação ambiental e da geração de empregos que promete. No Espírito Santo, os plantios intensivos de eucalipto nos territórios ao norte também são responsáveis por excluir e isolar populações quilombolas e indígenas, atingi-los com venenos agrícolas, além de usurpar terras que seriam, por direito, dos povos tradicionais. Como lembra a coordenação regional do MPA no Estado, essa estratégia do governo é mais uma armadilha que ameaça a agricultura familiar, focada na pequena propriedade, na produção variada de alimentos sem uso de agrotóxicos e aliada à preservação ambiental. O monocultivo e o uso excessivo de químicos agrícolas, como insumos e agrotóxicos, contribuem para a exaustão da terra, escassez da água e extermínio de espécies animais e vegetais. Como esse tipo de cultivo enfraquece o solo, as lavouras do agronegócio também têm importante participação nos processos de estiagem e cheias desastrosas que acometem as grandes cidades, mas que têm origem no campo. Problemas como esse, como sugere o MPA, poderiam ser solucionados caso as grandes extensões de terras do agronegócio fossem divididas em pequenas propriedades destinadas a agricultores familiares, que realizariam plantios diversificados, sem uso de agrotóxicos e atuando em consonância com o meio ambiente – uma forma de atuar que fortaleceria a terra e os recursos naturais. Como apontam os coordenadores do MPA no Estado, há uma crise ambiental e alimentar que aflige todo o mundo. Produz-se muita comida, mas que nem sempre é saudável, que por vezes é produzida em grandes latifúndios, com uso de muitos defensivos agrícolas, e nem sempre é destinada a alimentar a população. Para eles, as causas dessa crise são, justamente, o foco desenvolvimentista no trato com a terra, a exploração desenfreada do solo que é promovida pelo agronegócio. Ironicamente, como dizem, este é justamente o viés escolhido pelo governo para os investimentos no campo.