A partir da quinta-feira (1), quando começa o mês de maio, o cenário político do Espírito Santo começará a definir seus contornos. E os dias que antecedem o início do novo mês estão cercados de movimentações políticas de bastidores e especulações sobre a postura das principais lideranças políticas envolvidas na disputa ao Palácio Anchieta. O governador Renato Casagrande, ainda em sua entrevista de fim de ano, afirmou à imprensa que só falaria de eleição a partir de maio e há conversas sobre uma faxina na casa para preparar o terreno eleitoral. O governador, que vem cozinhando a classe política em banho-maria desde o ano passado, deve assumir uma postura mais agressiva na defesa de sua reeleição para o governo do Estado. E como reza a Lei de Newton, a ação do governador deve provocar reações do outro lado. O processo de esvaziamento do palanque socialista deve sofrer uma aceleração por parte do grupo do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) e as atenções devem se voltar, quem diria, para o enfraquecido PSDB. Se Casagrande conseguir atrair os tucanos para seu grupo, esvaziará a principal estratégia eleitoral do grupo de seu adversário, que acena para uma terceira candidatura, com o intuito de radicalizar os ataques ao governador enquanto Hartung se posiciona de forma mais suave para conquistar o eleitorado. Outra inquietação dos meios políticos é sobre o posicionamento do senador Magno Malta (PR), que mostrou nas pesquisas recentes um capital político capaz de aquecer a disputa. Resta saber se é possível um retorno ao cenário local, depois da movimentação no sentido de uma candidatura a presidente. Para os meios políticos o tempo passou e um retorno agora é intempestivo e arriscado, mas em se tratando de Magno Malta, tudo é possível. Neste cenário de efervescência, não se sabe ainda qual o efeito que a suspensão do pedágio da Terceira Ponte terá na disputa eleitoral, tão pouco qual será o peso do interior na definição da disputa. Casagrande e Hartung disputam cada palmo do Estado, cada um a seu jeito, porque embora mais da metade do eleitorado esteja na Grande Vitória, até os pequenos colégios eleitorais são importantes em uma disputa polarizada. Pode definir a eleição. Sem uma avaliação estadual publicada do cenário político, fica difícil medir a densidade da disputa entre Casagrande e Hartung, o que aumenta a ansiedade do restante da classe política. A partir de maio, porém, as posições podem se clarear e os movimentos das lideranças ser melhor avaliado, antes das convenções de junho. Fragmentos: 1 – A divulgação da nota negativa da população de Vila Velha ao prefeito Rodney Miranda ainda tem gerado boatos no município. Chegou-se a falar recentemente que o prefeito estaria pensando em renúncia. 2 – Isso seria desastroso para a campanha do aliado Paulo Hartung, já que é o jeito Hartung de governar que está em prática no município. Mesmo com as tentativas de afastar sua imagem do prefeito, acaba respingando. Por isso não dá para levar a sério essa ideia. 3 – Está começando o show de denúncias dos prefeitos do interior pelo Ministério Público Estadual. Caso se confirme a expectativa de que os problemas da chuva trarão outros, será um festival.
Sine acqua non
O bodegueiro da esquina se orgulha do pau-ferro que emoldura sua calçada. Não foi ele quem o plantou, foi o departamento de paisagismo da prefeitura, que recomenda essa espécie vegetal porque suas raízes não arrebentam as calçadas, como fazem o angico nativo ou o flamboyant madagascarino, cujas partes subterrâneas afloram à superfície, danificando as lajes. Concordo com o bodegueiro: com seu tronco branquicento e suas folhas miúdas (que murcham ao anoitecer), o pau-ferro é uma das árvores mais belas da flora brasileira, mas – aí a discordância — os técnicos da prefeitura não deviam autorizar ou incentivar o plantio dessa espécie nas calçadas, embaixo da fiação urbana, pois todo mundo sabe que seus galhos sobem verticalmente até 30 metros de altura – mais do que seus irmãos pau-brasil e sibipiruna. Quem não conhece o resultado? Quando essas grandes árvores atingem uma altura razoável, vêm os funcionários das companhias de eletricidade/telefonia e cortam seus galhos, mutilando impiedosamente a vegetação para proteger os serviços de luz e comunicação. Embora não sirva para calçadas, o pau-ferro é adequado para parques ou canteiros centrais de avenidas largas e livres de fiações elétricas aéreas. Na arborização urbana brasileira, rivalizam com o pau-ferro em porte e beleza apenas duas árvores nativas: o cedro e o guapuruvu. Três, se contarmos a paineira. Quatro, se incluirmos a boliviana tipuana, muito usada no Sudeste e no Sul. Cinco, caso se conte a australiana grevílea. Seis com a mangueira originária da Índia e tão aclimatada no Brasil tropical. Mas em cada bodega uma sentença: o dono da mercearia do meio do quarteirão reclama da “sujeira” feita pela frondosa mangueira que orna a frente de sua loja, permanentemente arejada por uma sombra benfazeja. Todo dia de manhã ele varre as folhas mas se arrenega mesmo é com a cocozama dos passarinhos que dormem na árvore e passam a noite cagando na calçada. É o ônus da arborização. Mas, convenhamos, os bônus são muito mais numerosos. Desde cedo em casa e nas escolas, as crianças deviam saber que as árvores são nossas tias biológicas e estão aí para nos proteger. Elas nos dão sombra, frescor, umidade, frutos, flores, madeira e noções de altura, volume, perspectiva e profundidade. Onde há vegetação predomina o bom humor. Os índios não sabem o que é depressão. O homem civilizado é infeliz porque se afastou a natureza, já dizia Hermann Hesse há 100 anos. No entanto é fundamental saber, enquanto é tempo, que sem vegetação a vida é um deserto. Os vegetais urbanos e rurais são o nosso principal elo de ligação com o solo, base natural na qual está presente a água, substância sem a qual nossa vida não tem a menor chance de continuidade. LEMBRETE DE OCASIÃO “O homem moderno não se experiencia a si mesmo como uma parte da natureza, mas como uma força exterior destinada a dominá-la e conquistá-la. Ele fala mesmo de uma batalha contra a natureza, esquecendo que, se ganhar a batalha, estará do lado perdedor”. E. F. Schumacher, economista inglês, autor do livro Small Is Beeatiful (1973), editado no Brasil com o título O Negócio É Ser Pequeno.
Verde, amarelo e rosa
Economicamente ativos, a maioria dos gays adora viajar, gosta de fazer compras, de frequentar bons restaurantes e lugares da moda, gosta de se vestir bem e adora tecnologia, assim está sempre bem informada e acaba por se destacar em qualquer situação. Segundo a revista norte americana Forbes, o mercado gay no Brasil, apesar de ser multimilionário, ainda é pouco explorado. Estima-se que os LGBTs no Brasil representem uma fatia de 10% dos consumidores e isso se torna ainda mais relevante, quando os gays estão cada vez mais assumidos e assumindo seu papel frente à sociedade, que hoje percebe a homofobia como uma verdadeira patologia mental e desvio de caráter. Em entrevista à Forbes, Paul Thompson, investidor e especialista no setor, estima que o mercado gay brasileiro valha R$ 300 bilhões, atrás apenas dos mercados europeus (R$ 2 trilhões), norte americano (1,5 trilhão) e chinês (R$ 700 milhões). Isso coloca o Brasil em destaque mundial, já que vai receber um grande número de turistas LGBTs durante a Copa do Mundo e as Olimpíadas do Rio de Janeiro. O dinheiro rosa (Pink Money) é hoje um dos principais incentivadores do turismo no mundo inteiro. No ano passado, turistas assumidamente gays deixaram no país um montante de 15 bilhões de receita, um número enorme, que aumenta quando se pensa nos enrustidos, que mesmo viajando ainda se escondem, fugindo das estatísticas. Quando se fala da mídia com relação aos gays, fica claro que ainda existe uma grande relutância de algumas empresas de se associarem à luta da diversidade sexual, uma visão míope que não percebe que a maiorias dos gays não compra produtos anunciados em programas preconceituosos e que, ao contrário, retribuem o apoio de marcas simpatizantes. Como exemplo, os preservativos Olla, grande patrocinadora da Parada LGBT de São Paulo, que se tornou o líder do mercado brasileiro, inclusive aumentando nichos na América Latina. No turismo rosa, em destaque fica São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis, seguidos de perto por Salvador, Recife e Natal, como as cidades mais visitadas. Um detalhe da pesquisa é que o turista gay gasta mais e fica mais tempo quando a cidade é receptiva. O grande problema ainda é a violência homofóbica instigada por alas conservadoras brasileiras. Como atitude contra a ofensiva, o Rio e São Paulo começam a preparar a polícia para coibir a agressão e educar os comerciantes a aceitarem sem discriminação o modo de vida gay. Entre os tópicos estão direitos humanos: proteger os Direitos Humanos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, vítimas da criminalidade e abuso do poder; manifestações de afeto: não há lei que criminalize relações homoafetivas; epressões entre homossexuais, como andar de mãos dadas, abraçar-se e beijar-se em público, podem gerar conflitos no espaço público, mas são livres; como nomear a pessoa abordada: o correto é perguntar a forma como a pessoa envolvida gostaria de ser chamada, se pelo nome de registro ou nome social (quando a pessoa pode escolher um nome feminino, masculino ou neutro); quem faz a busca pessoal na mulher transexual e na travesti: prioritariamente, o efetivo feminino deve realizar a busca pessoal na mulher transexual e na travesti; em caso de conflito: como em toda ação policial, devem ser considerados os procedimentos de segurança protocolares. O policial deve avaliar o grau de risco que a pessoa abordada oferece, considerando porte físico e de armas de ambas as partes, por exemplo; identificação documental: deve-se evitar repetir em voz alta o nome de registro da pessoa abordada, seja o registrado na cédula de identidade ou nome social – os Registros de Ocorrência devem conter obrigatoriamente o nome original e também o social. Bem já está tudo “quase” pronto e vem aí a copa das copas, certamente uma festa que o Brasil tanto esperou, e nós os gays estamos na torcida de verde amarelo e rosa – por que não?
No reino do poder
Não era intenção de Século Diário compartilhar com os seus leitores as razões pelas quais existe uma infinidade de processos judiciais tramando contra a nossa existência. As tentativas ocorrem desde quando tomou forma de livro – Um novo Espírito Santo: a corrupção veste toga – a série de matérias do jornal denunciando nepotismo, vendas de sentenças, concursos fraudulentos e o domínio do Tribunal pelas clãs de desembargadores. E que não é de agora., já vem de algum tempo e recrudesceu em 2010, com a circulação do livro que ganhou, pela sua contundência e acervo de provas, acolhida nacional. Até há alguns meses atrás, Século Diário se limitava ao embate judicial. Mas as tramas e a distribuição de processos para as mãos de juízes previamente escolhidos para sentenciarem o jornal revelam o lado oculto da jogada. Não são meramente processos jurídicos, mas políticos. Com a pretensão clara de inviabilizar Século Diário, diante de sua persistência em revelar as ocorrências que denigrem o Tribunal de Justiça do Estado (TJES). Sem que o tome em sua maioria, fazemos questão de registrar. São áreas menores, mas extremamente dominadoras. Além da existência do chamado “espírito de corpo”, que não deixa de dar a sua contribuição no caso. Além do mais, trata-se da sequência de uma perseguição que começou quando Paulo Hartung (PMDB) assomou o governo do Estado. Foram oito anos tramando contra a existência do jornal. Foi do seu governo a iniciativa de aumentar abusivamente (não há outro termo para expressar) os orçamentos do Poder Judiciário e do Ministério Público Estadual. Com resultados práticos: nenhuma denúncia contra ele vingou, apesar de cercadas de provas irrefutáveis, como o recente episódio do Posto Fantasma. São os tais métodos de conquista e partilha de poder. A ele aderiu, logo que chegou ao cargo, o atual procurador de Justiça, Eder Pontes. E da lavra dele, novos processos contra nós. Como de rotina, eles ganham preferência imediata sobre milhares de outros processos. Aliás, a nossa próxima audiência é com Pontes. São duas para serem realizadas no mesmo dia, uma mediatamente a outra. Faz parte dos golpes baixos que já nos habituamos. São 14 anos de existência do jornal e debaixo desse fogaréu todo. Simplesmente porque adotamos o básico do jornalismo, que é procurar os fatos e noticiá-los como são, sem se importar com quem esteja nele. Isto, que é rotina lá fora, aqui no Espírito Santo é crime, porque dói nos poderosos, os mesmos que estão a buscar o épico final: o desaparecimento de Século Diário.
Paulo Hartung confirma à Executiva do PMDB sua candidatura ao governo
Figura rara nas reuniões do PMDB capixaba, o ex-governador Paulo Hartung se reuniu com a Executiva do partido no fim da tarde desta sexta-feira (25), para confirmar sua intenção de disputar a eleição para o governo do Estado em outubro próximo. O nome do ex-governador, que ainda encontra alguns focos de resistências dentro do partido por parte dos peemedebistas que defendem permanência na base do governador Renato Casagrande, vai passar ainda pelo crivo da convenção do partido em junho. A reunião desta sexta serviu para o que o ex-governador desse uma satisfação para os membros do partido, já que Hartung não frequenta as reuniões do PMDB. Nos bastidores, os comentários eram de que o encontro teria sido marcado, propositalmente, no período em que o principal foco de resistência à candidatura própria, o senador Ricardo Ferraço, está em viagem internacional. O principal problema na costura do palanque peemedebista seria o leque de alianças. Boa parte dos partidos com quem o PMDB tem conversado está também em adiantada conversa com o governador Renato Casagrande, como PV, Solidariedade, Pros e PCdoB. Outros ainda não oferecem vantagem para a composição proporcional, como DEM, PMN, PDT, PRP e PSDB. No último dia 12 de abril, Hartung entregou à Executiva do PMDB uma carta em que disponibiliza seu nome para a disputa ao governo do Estado. O palanque do ex-governador começou a ser erguido antes disso, com a divulgação de um estudo assinado por economistas ligados ao gabinete do senador Ricardo Ferraço, também PMDB, e ligados a Hartung, como o ex-secretário de Educação do governo passado Haroldo Correa Rocha e a economista Ana Paula Vescovi, em que se critica o aumento dos gastos do governo Casagrande. Com a possibilidade de divisão da unanimidade em dois palanques pela disputa do poder, a partir daí uma intensa movimentação na classe política teve início.
Professores ocupam em vigília a sede da Prefeitura de Vitória no segundo dia de greve
A greve dos professores da rede municipal de Vitória chegou ao segundo dia nesta sexta-feira (25), com mobilização de profissionais tanto nas escolas da rede quanto na prefeitura. Na tarde desta sexta, um grupo de educadores se reuniu no gramado em frente à sede do executivo municipal, na Avenida Marechal Mascarenhas de Moraes, em Bento Ferreira, como parte dos protestos. A categoria pleiteia a reposição das perdas salariais; reajuste no auxílio-alimentação e no auxílio-saúde; reposição da inflação de 5,91%, referente a 2013, retroativo a janeiro de 2014; e melhorias nas condições das escolas. No primeiro dia de mobilizações, nessa quinta-feira (24), os professores também realizaram ato público na prefeitura do município, quando os profissionais ocuparam os corredores do prédio, a exemplo do que fizeram os professores da rede estadual na terça-feira (22), quando ocuparam os corredores da Secretaria de Estado de Educação (Sedu). De acordo com a secretária de Administração de Vitoria, Sueli Mattos de Souza, as negociações para a reposição da inflação dos servidores já foram feitas, tendo terminado em janeiro deste ano, garantindo parte para maio e o restante com proposta para junho deste ano. Quanto ao auxílio-alimentação, a secretária disse que a concessão do benefício era pleito de uma década dos servidores da Prefeitura e passou a vigorar em maio de 2013. Ela ressalta que considera a pauta dos professores justa e que a administração está à mesa de negociação com os servidores, discutindo as possibilidades à luz dos números disponibilizados pela Secretaria de Fazenda do município.
MP de Contas volta a pedir nulidade de nomeação do conselheiro Sérgio Borges
O Ministério Público Especial de Contas (MPC) pediu a rejeição do registro de admissão do conselheiro Sérgio Manoel Nader Borges no Tribunal de Contas do Estado (TCE). No parecer divulgado nesta sexta-feira (25), os três procuradores alegam que o ex-deputado estadual não preenche os requisitos para o exercício do cargo. Diferentemente da ação judicial movida pelo órgão contra a nomeação, o julgamento deste caso caberá ao próprio colegiado do tribunal. No documento encaminhado para o relator do processo (TC 9098/2013) – que será o auditor João Luiz Cotta Lovatti –, os representantes do MPC pedem que os demais conselheiros neguem o registro do decreto de nomeação de Borges e determine a anulação da posse, pelo Tribunal de Contas, e da nomeação dele, pelo governador do Estado. Eles pedem ainda o ressarcimento dos valores recebidos por Sérgio Borges, devido à suposta “existência de elementos que comprovem a má-fé do interessado para a sua percepção”. O parecer assinado pelos procuradores Heron Carlos Gomes de Oliveira, Luciano Vieira e Luis Henrique Anastácio da Silva (chefe do MPC) remonta os argumentos lançados pelo órgão em uma ação civil pública – apresentada em conjunto com o Ministério Público Estadual (MPES) – contra a nomeação de Sérgio Borges. O trio argumenta que a nomeação viola artigos da Constituição Estadual e da Constituição Federal, uma vez que ele não teria idoneidade moral e a reputação ilibada, que são exigências para o exercício da função. O documento destaca que o novo conselheiro possui condenação por improbidade administrativa, devido ao recebimento indevido de diárias da Assembleia Legislativa, em sentença confirmada por órgão colegiado do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) – Borges recorre da decisão no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os procuradores também citam que o ex-deputado responde a sete ações cíveis e uma ação criminal na Justiça estadual, assim como duas ações penais perante o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2). “Esses fatos, por si só, são suficientes para demonstrar que Sérgio Manoel Nader Borges não atende à exigência de idoneidade moral e reputação ilibada, consoante preceitua o art. 74, § 1º, “b”, da Constituição Estadual c/c art. 73, § 1º, da Constituição Federal, o que torna o ato de nomeação absolutamente nulo”, narra um dos trechos do parecer. Os representantes do MPC também afirmam que Sérgio Borges teria firmado declaração falsa ao tomar posse, quando declarou que não respondia a qualquer processo administrativo, criminal ou de execução. O processo de admissão do conselheiro será analisando pelo relator, que levará o caso para apreciação do plenário do TCE. Caso a nomeação seja confirmada pelos conselheiros, o Ministério Público sugeriu a remessa de toda documentação para o Ministério Público Federal (MPF) para a adoção das medidas cabíveis. Justiça também vai analisar nomeação Desde o final do ano passado, a nomeação de Sérgio Borges também é alvo de apreciação pela Justiça estadual. Apesar disso, a ação civil pública (0043845-60.2013.8.08.0024), que tramita na 2ª vara da Fazenda Pública Estadual, só passou a tramitar na última semana. Isso porque, inicialmente, o processo foi enviado para 3ª Vara da Fazenda Pública, que cuida do julgamento de ações populares e de improbidade. No entanto, o MPES pediu a redistribuição do processo, sob alegação de que a vara não seria competente para analisá-lo. No final de fevereiro, a juíza da 3ª Vara, Telmelita Guimarães Alves, acolheu o pedido e determinou a redistribuição do processo. Com isso, a nova vara pode até mesmo decretar o afastamento liminar de Sérgio Borges, conforme solicitação dos autores da ação. No primeiro despacho, assinado em novembro passado, a juíza Telmelita Alves havia postergado a análise do pedido de antecipação de tutela para após o recebimento da contestação dos réus do processo – além de Sérgio Borges, foram citados o Estado do Espírito Santo e o próprio Tribunal de Contas. Desta forma, o novo juiz do caso poderia reconsiderar a decisão e determinar o afastamento do conselheiro. Seria a segunda vez que a Justiça estadual influenciaria no tribunal, já que Borges ocupa a cadeira do conselheiro aposentado Marcos Miranda Madureira, que coincidentemente também foi afastado por uma decisão liminar de um juiz de piso. Esse fato chama atenção, uma vez que os conselheiros do Tribunal de Contas têm os mesmo benefícios e direitos dos desembargadores do TJES, sendo que ambos só podem ser processados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) devido ao foro especial.
Propostas da população para Orçamento 2015 contemplam policiamento ostensivo e repressão
Nessa quinta-feira (24) foi realizada a última audiência pública do Orçamento 2015, no Centro de Convenções de Vitória. O evento, voltado para a microrregião Metropolitana – que engloba os municípios de Vitória, Cariacica, Serra, Vila Velha, Guarapari, Viana e Fundão – foi o décimo realizado, depois de ter passado por todas as outras microrregiões do Estado. As propostas dos moradores passaram pelas áreas de Atenção Integral à Saúde; Gestão Pública e Educação Básica Profissional; Infraestrutura e Mobilidade Urbana e Integração Logística; Prevenção e Redução da Criminalidade; Proteção Social, Turismo, cultura e Esporte; e Meio Ambiente e Desenvolvimento da Agricultura. A questão das propostas em Prevenção e Redução da Criminalidade refletem a falta de discussão do tema em sociedade. De todas as propostas colocadas em votação, inscritas pela própria população, apenas uma não pedia mais investimentos em policiamento ostensivo e aparato de repressão. A proposta vencedora é justamente a ampliação do policiamento ostensivo na Grande Vitória; seguida de cooperação técnica entre Estado e municípios; apoio à estruturação da Guarda Municipal na Grande Vitória; e criação do Observatório da Violência. O professor Roberto Garcia Simões, especialista em Políticas Públicas, aponta dois equívocos na discussão do orçamento. O primeiro deles é a falta de análise e de discussão sobre os diferentes aspectos da temática. “De longa data o governo refuta em debater outras visões da violência”, diz ele, acrescentando que a população também não participa da discussão. Outro equívoco apontado pelo professor é que, como a discussão não é feita e estamos inseridos em um contexto de extrema violência, é esperado que, por conta do desespero da população, a sociedade reivindique mais repressão. “O receituário do governo é mais polícia e mais carros”, diz o especialista. Ele acrescenta que não se toca efetivamente em questões decisivas da segurança pública no Estado como, por exemplo, na guerra entre gangues que ocorre na Grande Vitória, que é um problema que não se trata com mais polícia e mais carros, mas com tratamento diferenciado. Simões também aponta que o programa Estado Presente, do governo do Estado, não teve o alcance vislumbrado na sua criação. “O programa é tudo e nada, já que ele se diluiu e se perdeu”. Ele cita como exemplo a questão da educação integral no ensino médio, que está prevista no programa. Apenas 0,5% dos alunos está matriculados em tempo integral e os jovens continuam fora da escola. O professor aponta que o Estado vive uma situação de epidemia de violência, que, como as epidemias de doenças, como a dengue, por exemplo, precisam de campanhas para que não se prolifere e seja erradicada. Quando há campanha, há também discussão, conscientização e envolvimento da sociedade com a tentativa de erradicação do problema. No Estado, no entanto, não há mobilização, organismos ou campanhas para a erradicação da violência. O investimento em aparato repressivo e em policiamento ostensivo é relevante, mas não o único recurso para que as taxas de mortes violentas do Estado deixem de ser as maiores do País. O Conselho Estadual de Segurança Pública, que poderia reunir atores de diversos setores da sociedade em torno de políticas públicas, está desativado. Roberto Garcia Simões salienta que as ações de combate à violência são isoladas e fragmentadas, o que reduz a efetividade da queda dos números. Ele reforça que é preciso convidar a população para o debate, caso contrário, as soluções buscadas serão sempre imediatistas.
Orçamento 2015: prioridades ambientais focam em animais marinhos e soluções para desastres das chuvas
O Orçamento 2015 do governo do Estado, levado a audiência pública nessa quinta-feira (24), recebeu diversas propostas por meio de seu site para a preservação de áreas verdes e proteção ambiental. A sugestão mais voltada para a Grande Vitória, no comitê estratégico Meio Ambiente e Desenvolvimento da Agricultura – categorias que, aliás, se opõem em regiões do Estado que observam o intensivo avanço da agricultura de exportação -, foi a Implantação de Centro de Reabilitação de Animais Marinhos. A proposta obteve 140 votos na votação online, promovida no próprio site do orçamento, e ainda foi eleita a prioritária para investimentos na área na audiência pública. Depois dela, as outras duas propostas eleitas como prioridade foram, respectivamente, a Redução de Risco de Deslizamentos e de Inundações em Áreas urbanas e Agroindústria familiar e empreendedorismo rural. Em seguida, estão Caminhos do Campo, Reorganização e Reestruturação do Sistema Estadual de Proteção e Defesa Civil e Centro Capixaba de Monitoramento Hidrometeorológico e Prevenção de Desastres Naturais Permanente. Segundo o texto da proposta prioritária, o número de animais marinhos debilitados por atividades humanas no litoral é crescente no Estado. Além disso, não há um local adequado para que os animais afetados pelos danos das atividades petroleiras, como o derramamento de petróleo, sejam antedidos. A autoria é de Renata Bhering. Ela ressalta que o avanço de empreendimentos portuários e plataformas petroleiras no litoral aumenta a probabilidade do surgimento desse cenário. Embora o principal problema ambiental da Grande Vitória, nenhuma das propostas para o Orçamento 2015 tiveram um viés na qualidade do ar, questão amplamente debatida pela sociedade civil no ano passado. A criação e a publicação do Decreto nº 3463, de 16 de dezembro de 2013, que rege sobre a qualidade do ar em todo o Estado, muito descontentou a sociedade civil e ambientalistas que, inclusive, enviaram por diversas vezes uma sugestão de novo texto para o decreto. A legislação não possui prazos para que sejam aplicadas as metas progressivas de diminuição da concentração de poluentes no ar e o governo do Estado, até então, não acatou o pedido da sociedade civil sobre o esclarecimento dos resultados obtidos a partir das medições dos parâmetros dos poluentes. As demais propostas sugeridas na votação online para o Orçamento 2015, com maior número de votos, são, respectivamente: Reconhecimento da Carreira de Fiscal Agropecuário e do Instituto de Defesa Agropecuária e Floresral (Idaf), que teve 131 votos; Implementação do Programa de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (Prevines), com 79 votos; e Criação de uma Usina de Reciclagem de Lixo Eletrônico na Região Metropolitana, com 47 votos. Muitas das propostas sugeridas tinham foco na preservação de áreas verdes, mas não obtiveram a maior parcela dos votos populares pela internet. Entre elas, Transformar o Morro do Moreno em Parque, Proteção e Limpeza em Praias e Ilhas costeiras da Região Metropolitana; Criação e Implantação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Alagados do Vale; Reativar o Parque Natural Morro da Mantegueira em Vila Velha; Criação de Unidade de Conservação da Cordilheira Submarina Vitória-Trindade; Proibir Loteamento na Região da APA de Setiba; e Implantação Definitiva do Parque da Fonte Grande.
MPF recomenda nova licitação para compra de merenda escolar em Conceição da Barra
O Ministério Público Federal no Estado (MPF/ES) recomendou, nesta sexta-feira (25), a realização de uma nova licitação para a compra de merenda escolar na Prefeitura de Conceição da Barra (norte do Estado), comandada pelo tucano Jorge Donati. O procurador da República, Leandro Mitidieri, afirmou que o atual certame (Pregão Presencial nº 001/2014) deve ser anulado, pois levou em conta o menor preço por lote de produtos e não por item, como determina a legislação. De acordo com informações do MPF/ES, a Secretaria municipal de Educação deve comprovar se acatou a recomendação no prazo máximo de 30 dias, a contar do recebimento do documento. Para que não ocorra descontinuidade do fornecimento da merenda aos alunos, o órgão ministerial advertiu que o contrato atual só deverá ser encerrado após o início da execução do novo vínculo. Para o procurador, o julgamento de menor preço por lote impede a obtenção da proposta mais vantajosa para a administração e não possibilita a competitividade entre os fornecedores. Ele destaca que o Tribunal de Contas da União (TCU) obrigou a escolha por item, e não por preço global, nos editais das licitações para a contratação de serviços, obras e alienações. “É necessário evitar a reunião, em mesmo lote, de produtos que poderiam ser licitados isoladamente, para não desclassificar licitantes que não possam fornecer a totalidade dos itens especificados nos lotes e, dessa forma, frustrar o caráter competitivo do certame e o principal objetivo da administração pública”, explica Leandro Mitidieri. Segundo o órgão ministerial, a Procuradoria da República em São Mateus instaurou um procedimento administrativo com o objetivo de apurar possíveis irregularidades (direcionamento) em processo licitatório destinado à aquisição de gêneros alimentícios para a merenda escolar.