A aliança que já é tida como fechada nos bastidores políticos entre o PT e Paulo Hartung (PMDB) agrada aos dois lados. Na conta do ex-governador, garante a presença em seu palanque do ex-presidente Lula, que ainda é importante em processo eleitoral. No caso de uma chapa de unanimidade, a visita de Lula ao Estado não ocorreria, por motivo óbvio, o governador Renato Casagrande é do partido do presidenciável Eduardo Campos (PSB) e a tendência é a disputa à Presidência se radicalizar. Lucro também para o PT capixaba. Além do palanque para a presidente Dilma Rousseff e a candidatura ao Senado, com o ex-prefeito João Coser, as lideranças petistas do Estado ganhariam uma moral com a visita do ex-presidente. Muitas delas assumirão candidaturas no pleito deste ano e posar ao lado de Lula poderá fazer toda a diferença. Por aqui, você sabe, o partido está de vela na mão. Internas Quem passou pelo Estado esta semana foi o diretor do BNDES Guilherme Lacerda, para participar do encontro de Coser com as bases do partido que discutiu a aliança com Hartung. Lacerda é da corrente petista Construindo um Novo Brasil (CNB), que tem um grupo que não reza a mesma cartilha de Coser no partido. Mágica A coluna Painel desta quarta-feira (23) diz que Campos já estuda mudança no arco de alianças para reeleger o Casagrande, diante da possibilidade de Hartung ser candidato com o apoio do PT. A saída seria coligar com o PSDB. Mas como? Guerino Balestrassi já é apontado com o novo laranja do ex-governador. Mágica II O tucano será candidato ao governo com bandeira de oposição a Casagrande, para junto do palanque de Hartung desgastar a imagem do socialista. Mesmo papel lamentável já exerceu no passado Paulo Ruy Carnelli, outro tucano. Ceguinha Enquanto isso, a deputada federal Rose de Freitas (PMDB) continua afirmando a interlocutores que está mais do que nunca fechada com o ex-governador. E assim permanecerá até o fim, na confiança de que será a candidata ao Senado na chapa dele. A garantia foi dada a Rose pelo próprio Hartung. É aí que mora o perigo… PT x PSDB O deputado federal César Colnago (PSDB) e o vereador de São Mateus, Eneas Zanelato (PT), protagonizaram embate no Twitter. Assunto? Petrobras. Mais uma O presidente da Câmara de Vitória, Fabrício Gandini (PPS), é o próximo a prestar contas do seu mandato. Será nesta quinta-feira (24), às 19h30, no auditório da Igreja “em Vitória”, no Barro Vermelho. E olha só, teve gente que recebeu o convite até por mensagem no celular… Tecnologia Gandini também lançou, nesta quarta, o aplicativo Falcão Vix. Por meio da ferramenta, os moradores da Capital podem encaminhar solicitações e indicações de fiscalização aos vereadores, pelos celulares. Até agora, 400 usuários baixaram o aplicativo. Acomodação O delegado de política Leandro Piquet, que caiu do cargo de diretor do Instituto de Atendimento Socioeducativo do Estado (Iases) após a morte do adolescente Leonardo de Jesus das Virgens, na Unidade de Internação Norte, foi designado a assumir a Delegacia de Polícia de Investigações Especiais. 140 toques “O pedágio na BR 101será cobrado a partir de 12 de maio, sem uma obra sequer que justifique a tarifa”. (Deputado estadual Atayde Armani – DEM – no Twitter). PENSAMENTO: “Pouco civismo e muito cinismo, os males do Brasil são”. José Nêumane Pinto
Na mesma
A coluna sempre defendeu que o sistema político que se pratica no Espírito Santo na última década, baseado na unanimidade e no arranjo institucional, é prejudicial à democracia. Com a proximidade de mais uma eleição estadual e a possibilidade de um embate eleitoral entre o governador Renato Casagrande e o ex-governador Paulo Hartung (PMDB), cria-se uma ideia de que esse processo chegou ao fim. Mas é preciso analisar a situação com calma. A disputa, caso se confirme como polarizada, se dará entre Hartung, que criou a unanimidade, e Casagrande, que foi eleito nela e tenta mantê-la. Por isso, não há que falar em fim da unanimidade, afinal de contas, a disputa está dentro do grupo. Não há um nome novo, alheio ao esquema de poder que se estabeleceu no Estado. Guerino Balestrassi (PSDB) também não representa uma saída desse círculo. A quebra da unanimidade representa neste momento apenas um mecanismo para a disputa de poder. Se Renato Casagrande vencer a eleição, a classe política novamente vai se reunir em torno de seu segundo mandato, afinal, a classe política dialoga com a caneta. Se Hartung vencer a eleição, a unanimidade voltará a ser interessante. Não dá para acreditar que quem governou o Estado por dois mandatos, sem que sequer uma voz se levantasse contra seu governo, vá aceitar divergências caso retorne ao Palácio Anchieta. E aí fica a dúvida. Se a disputa for mesmo polarizada, haverá oposição no novo governo? Se Hartung vencer, o PSB será oposição? E se o socialista se reeleger, o PMDB, logo o PMDB, vai se afastar do poder no Estado? E como ficam as outras forças políticas nessa história? Apesar da previsão de disputa eleitoral para o governo do Estado, é ingenuidade acreditar que haverá uma mudança na relação da classe política. O que existe é uma movimentação momentânea que atende a uma disputa de poder. Depois volta tudo a ser como antes. Fragmentos: 1 – Do deputado estadual Atayde Armani (DEM) sobre a questão da Rodosol: “Todo mundo quer ser pai de filho bonito. Filho feio ninguém quer ser o pai”. 2 – Aliás, os deputados, sobretudo os da Grande Vitória, devem espichar esse debate o quanto der. Nesta quarta-feira (23), com a pauta esvaziada, os parlamentares aproveitaram para falar sobre o assunto. 3 – Até o fim do ano o governo do Estado espera colocar o Aquaviário para funcionar. Isso sim será um grande avanço para a mobilidade na Grande Vitória.
Suspensão do pedágio derruba venda de amendoim
O melhor indicador de que algo havia mudado no horário de pico noturno nos acessos à Terceira Ponte não estava exatamente nas ruas, mas nas mãos de Alecsander dos Santos (foto acima). Há quase um ano vendendo amendoim torrado na praça do pedágio com outros cinco companheiros, Alecsander sentiu o efeito da suspensão do pedágio: pelo menos na primeira noite de pedágio gratuito na Terceira Ponte, a venda despencou. Às 18h desta quarta-feira (23), Alecsander, que chega ao trabalho às 16h, havia vendido apenas 10 cones de amendoim. Em dias normais, ou seja, com tarifa no pedágio, teria vendido pelo menos cinco vezes mais. Ele traçou uma projeção pessimista: não atingiria a média diária de 150 pacotes vendidos. Os vendedores ambulantes de amendoim são personagens conhecidos de quem faz da Terceira Ponte um caminho cotidiano para Vila Velha entre 18h e 20h. Geralmente jovens, de coletes refletivos, bermuda tactel, boné e chinelos, eles batem pelas ruas Clovis Machado e Duckla de Aguiar oferecendo esta tão brasileira distração – a um por R$ 2 e três por R$ 5 – para a fome e paciência dos motoristas presos ao trânsito de todo começo de noite. Cada latão de amendoim que eles levam na mão comporta quase 100 cones. Ou seja, a média diária dos vendedores alcança quase dois latões. Conversamos com outros três vendedores sobre o efeito do pedágio livre para o negóvio. A resposta foi a mesma: “Rapaz, hoje tá ruim”. Um deles, às 18h30, conta que àquela altura já teria vendido uns 150 pacotes. Mas ainda não chegara aos 100. Segundo observa Alecsander, com pedágio, o fluxo era mais lento e, uma vez mais lento, os motoristas ficavam mais disponíveis à sedução do amendoim. Mas pouca coisa mudou no primeiro horário de pico noturno pós-pedágio livre: pela Clovis Machado, Duckla de Aguiar ou Reta da Penha, carros e mais carros desaguavam aos montes no estuário da Terceira Ponte. Cada vez fica se torna mais cristalino que um dos grandes problemas da mobilidade da Grande Vitória é o excesso de veículos. Mas algo mudou para melhor, em que pese o triste prejuízo de quem depende do amendoim para sobreviver: o acesso à ponte se tornou um tanto mais rápido, como ilustra a retração do negócio ambulante. As filas de carros avançavam com menos morosidade que de costume, mas nada de significativo, que evitasse as longas filas. Só travou tudo quando um veículo enguiçou sobre a ponte. Cometeu equívoco quem duvidou que a Rodosol fosse socorrer alguém após a ato do governo: o guincho da concessionária se prontificou de imediato. Alecsander dos Santos e seus companheiros não sabem como vai ficar a venda de amendoim daqui para frente. Só sabem que, se quiserem manter o negócio, terão que ter mais manha e, sobretudo, mais perna. O capixaba tem pressa – mas também tem fome.
Tribunal de Justiça reduz pena de ex-vereador de Aracruz
A Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), em sessão ordinária realizada na tarde desta quarta-feira (23), acatou parcialmente, por maioria de votos, o recurso interposto pelo ex-presidente da Câmara de Vereadores de Aracruz, o ex-deputado estadual Gilberto Furieri para reduzir pena imposta pela Vara Criminal de Aracruz em ação penal proposta pelo Ministério Público Estadual (MPES). Em primeiro grau, Furieri havia sido condenado a seis anos de reclusão em regime inicialmente semiaberto e ao pagamento de 200 dias-multa pela nomeação de funcionários fantasmas. Na ocasião, o juízo vislumbrou que as nomeações ocorrem por vinculação política ou participação dos beneficiados como cabos eleitorais na campanha do vereador. Ainda segundo a denúncia do MPES, não havia “qualquer controle de expediente, nem tampouco assinaturas ou elaboração de folha de ponto, bem como de relatórios de atividades externas à Câmara Municipal”. Na tarde desta quarta, a pena foi reduzida a três anos e quatro meses de reclusão em regime aberto e ao pagamento de 36 dias-multa sobre um trigésimo do salário mínimo vigente à época do fato. Com a diminuição da condenação, a pena corporal foi substituída, ainda, por duas restritivas em direitos a serem definidas pelo Juízo da Execução. O relator do processo, desembargador substituto Walace Pandolpho Kiffer, entendeu pela ilicitude das nomeações. “Havendo previsão legal acerca das atribuições dos cargos comissionados de assessores do Poder Legislativo Municipal distribuídos em secretários parlamentares e diretor de gabinete, a sua utilização de forma transversa configura o ilícito penal de peculato em sua modalidade desvio”. O magistrado destacou ainda em seu voto que “pelas condutas narradas nos depoimentos testemunhais, observa-se que os 'assessores' agiam como verdadeiros cabos eleitorais do vereador, desempenhando as atividades de arregimentamento de eleitores junto às suas respectivas comunidades”. Ele frisou também que “todos os depoimentos são uníssonos em demonstrar que as pessoas designadas à assessoria do vereador nunca de fato desempenharam suas funções legais, percebendo de forma indevida pagamento dos cofres públicos”. Apesar de concordar com a ocorrência das fraudes, Walace Kiffer entendeu que a pena imposta seria excessiva, sendo acompanhado pela desembargadora Eliana Junqueira Munhós Ferreira.
TJES mantém condenação de Coronel Ferreira por morte do sindicalista João Nato
A 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), manteve, nesta quarta-feira (23), a condenação do coronel reformado da Polícia Militar, Walter Gomes Ferreira, o Coronel Ferreira; Manoel Prado Neto, conhecido como Cabo Prado; e Orceni Vieira da Costa, pela morte do então presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviários (Sindirodoviários), João Nato, crime ocorrido no ano de 1997. O trio foi condenado pelo Tribunal de Júri a 18 anos de prisão, cada um, em regime fechado. Para os desembargadores, o veredicto dos jurados está baseado em sólido juízo, perfeitamente condizente com os elementos coletados nos autos, não sendo o caso de anulação ou reforma de julgamento. A defesa dos réus alegava que os jurados não teriam levado em conta as provas favoráveis aos acusados de participação no crime. “O controle exercido pelos Tribunais de 2º grau quanto às decisões do Júri não é pleno, irrestrito. Deve-se respeitar, afinal, a competência constitucional dos juízes leigos para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida, sendo certo que as decisões emanadas do Júri são soberanas”. E “só aqueles veredictos teratológicos, incoerentes, absolutamente discrepantes do conjunto probatório merecem ser anulados”, entenderam. Na apelação, a defesa de Walter Gomes Ferreira alegava que a decisão do Conselho de Sentença seria contrária ao conjunto probatório; a defesa de Orceni Vieira da Costa sustentava que a decisão do Júri seria contrária à prova dos autos, por não acolher a tese da negativa de autoria; e, a defesa de Manoel Prado Neto, também com base na tese da negativa de autoria, suscitava contrariedade entre a decisão dos jurados e a prova nos autos. De acordo com informações do TJES, João Nato foi morto na noite de 16 de junho de 1997, por diversos disparos de arma de fogo efetuados por Orceni Veiira da Costa, Manoel Prado Neto e José Luiz Geraldo (já falecido). A motivação do crime seria a recusa do sindicalista na manutenção dos serviços de segurança, que seria feita por pessoas ligadas ao Coronel Ferreira. Na denúncia, o Ministério Público Estadual (MPES) afirma que, após ter seus interesses contrariados, o Coronel Ferreira teria “resolvido tirar a vida da vítima, pelo que, mediante promessa de pagamento”, induziu os acusados a eliminarem o sindicalista. “A motivação do crime se deve ao fato dos executores serem reconhecidamente ‘pistoleiros de aluguel’, com diversos homicídios já praticados neste Estado”. Ainda de acordo com o processo, Walter Gomes Ferreira estaria “aproveitando-se da qualidade de oficial graduado da polícia militar, notoriamente ligado a vários pistoleiros, inclusive membro da obscura instituição denominada Scuderie Detetive Le Cocq, vinha, aproximadamente, desde o ano de 1992, cobrando ‘pedágio’, ou seja, “certa quantia em dinheiro para garantir a segurança dos diretores e presidentes do Sindirodoviários”. E, que, ao assumir a presidência do Sindicato, João Nato teria começado a questionar a legalidade dos pagamentos de ‘pedágio’.
Ex-prefeito de Vila Valério é alvo de nova ação de improbidade
O Ministério Público Estadual (MPES) ajuizou nesta quarta-feira (23) uma nova ação de improbidade contra o ex-prefeito de Vila Valério (região noroeste) Edecir Felipe e mais sete pessoas por supostas irregularidades na prestação de serviços de máquinas rurais. A promotoria pede o ressarcimento do prejuízo causado pelo pagamento por horas de serviço não prestadas, estimado em R$ 10,5 milhões. O ex-prefeito também responde a outras duas denúncias, todas ajuizadas este ano. De acordo com informações do MPES, a promotoria de São Gabriel da Palha, município vizinho, recebeu uma denúncia do Conselho de Desenvolvimento de Vila Valério (Condeva) sobre a possível fraude. A partir de então, o órgão ministerial vislumbrou irregularidades na execução de contratos de prestação de serviços de horas/máquinas firmados entre o município e três empresas. Teria sido constatada pelos promotores a falta de controle dos serviços executados, além de pagamento de horas de serviços não executados. No decorrer das investigações, o MPES informou que o ex-prefeito Edecir Felipe teria tentado comprovar a execução dos contratos por meio de atestados emitidos por funcionários públicos do município. No entanto, a promotoria teria constatado que todos os documentos encaminhados são ideologicamente falsos, já que os pagamentos seriam efetuados mediante as informações prestadas pelas próprias empresas denunciadas. Outro problema apontado foi a falta de cumprimento de todos os itens dos contratos, como a ausência de licenciamento ambiental para as atividades que dependeriam da licença para a sua realização. Na ação de improbidade (0000969-90.2014.8.08.0045), o Ministério Público pede que apenas o ex-prefeito Edecir Felipe devolva R$ 5,25 milhões aos cofres públicos, acrescidos de correção monetária e juros legais. A promotoria também pediu a concessão de liminar para a decretação da indisponibilidade de parte dos bens dos requeridos com o objetivo de garantir a eventual reparação dos danos causados. Além do ex-prefeito, constam na ação: Sergio Antonio Ronconi, Waldemar Buss, Anderson dos Santos, Neivaldo Fregona, Rubens de Oliveira Lima, Alexandre Sodré da Silva e Elismar Capetini. Essa não foi a primeira ação judicial contra o ex-prefeito do município no noroeste capixaba. Edecir Felipe responde a outras duas denúncias de improbidade, de acordo com informações do sistema processual do Tribunal de Justiça. Na última delas, o ex-prefeito e mais um ex-secretário foram acusados pela contratação de shows musicais com valores superfaturados para duas festas que ocorrem no município, entre elas, a 16ª Festa de Emancipação Polícia de Vila Valério, em 2010. Todos os processos tramitam na 1ª Vara da comarca de São Gabriel da Palha.
CCJ da Câmara aprova projeto que obriga plano de saúde a comunicar descredenciamento
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (23) o projeto de lei 6.964/10, do Senado, que determina a substituição, pelo plano de saúde, do profissional que deixou de atender pelo convênio por outro equivalente e estabelece a comunicação da mudança aos consumidores com 30 dias de antecedência. O objetivo é evitar os descredenciamentos súbitos e imotivados tanto de profissionais como de clínicas, hospitais e laboratórios. A proposta torna obrigatória a existência de contratos escritos entre as operadoras de planos de saúde e seus prestadores de serviço (pessoas físicas e jurídicas). Como o projeto já foi aprovado pelo Senado e tramita em caráter conclusivo, deve ser encaminhado para a sanção da presidente Dilma Rousseff, a menos que haja requerimento para que ele seja votado em Plenário. O relator da proposta, deputado Fábio Trad (PMDB-MS), entendeu que os contratos darão maior segurança e estabilidade aos serviços prestados e recomendou a aprovação do texto do Senado para que a mudança entre em vigor imediatamente. Com isso, as emendas das comissões de Defesa do Consumidor e de Seguridade Social e Família da Câmara foram desconsideradas. Pelo texto aprovado, ficam dispensados dessa exigência os membros das cooperativas que operam planos de saúde, os estabelecimentos próprios das operadoras e os profissionais diretamente empregados pelos planos. O projeto também define que o contrato entre médicos e operadoras deverá ter cláusulas sobre o reajuste anual dos procedimentos. Se o reajuste não for definido até o final de março, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) deverá estabelecer o valor.
Espionagem é denunciada em dossiê que revela impactos da Vale no mundo
As práticas de espionagem e infiltração praticadas pela Vale contra movimentos sociais foram denunciadas pela Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale, como contraponto à assembleia de acionistas da mineradora realizada anualmente para tentar provar que a empresa é responsável social e ambientalmente. Além dos casos registrados no Brasil, com violações de direitos humanos e ambientais cometidas nas regiões onde estão localizados os empreendimentos da mineradora, a entidade apresentou os graves impactos da Vale no Peru, Moçambique e Canadá. A entidade divulgou ainda contrapropagandas às publicidades da mineradora, mostrando os reais impactos causados em todo o mundo pela empresa, ao contrário do que é vendido à sociedade. A Articulação lembra do escândalo que veio à tona no início de 2013, após denúncia do ex-gerente da empresa André Almeida, que apresentou dossiês que revelam monitoramento de lideranças de movimentos sociais, inclusive no Espírito Santo. O documento aponta a espionagem a membros do Movimento Xingu Vivo para Sempre, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Justiça nos Trilhos; o acesso da mineradora às informações do Infoseg e da Receita Federal; além da infiltração de espiões em reuniões e encontros de entidades que representam obstáculos aos interesses da mineradora. “A empresa afirmou que ia fazer uma investigação e se posicionar publicamente sobre o caso, mas isso não ocorreu. Assim como também não há informações de que ela abandonou esse tipo de prática”, ressaltou o pesquisador Gabriel Strautman, da Justiça Global. Apesar da gravidade das denúncias, o caso até hoje não foi devidamente apurado. Também consta no panorama feito pela Articulação dos Atingidos pela Vale o caso da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), implantada no distrito de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, em modelo semelhante ao projeto da empresa programado para Ubu, em Anchieta, com a Companhia Siderúrgica de Ubu (CSU). Os impactos do empreendimento da Vale em parceria com a alemã Thyssenkrupp motivaram a criação da “Campanha Pare TKCSA”. A CSA funciona sem licença de operação desde março deste ano e, desde sua instalação, já foi embargada pelo Ministério do Trabalho, multada por órgãos ambientais após pressão da sociedade e alvo de dois processos criminais movidos pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por sucessivos prejuízos sociais ambientais, econômicos e de saúde pública. Entre os casos mais graves promovidos pela Vale citados no documento está o da ampliação da produção de ferro da mina e de duplicação da Estrada de Ferro Carajás (EFC). O trem que circula pela ferrovia já causou sucessivas mortes de pessoas por atropelamentos, já que não há travessias para passagem seguras de um lado a outro da ferrovia. O investimento é o maior da Vale em todo o mundo: US$ 19,5 bilhões previstos na ampliação da exploração do minério de ferro, cuja cadeia produtiva causou dezenas de mortes no Pará e no Maranhão. Para conseguir realizar a obra, a Vale se valeu de manobra e pediu várias licenças ambientais, uma para cada trecho da ferrovia. Também há o caso de Piquiá de Baixo, bairro em Açailândia (MA), onde cinco usinas processam o ferro da mineradora e lançam no ar uma fumaça tóxica que provoca mortes constantemente, além dos diversos e graves problemas de saúde nas mais de 300 famílias da região. Os moradores, agora, lutam para serem reassentados em outro local. A contaminação no ar também foi o motivo de uma multa no valor de 370 mil soles (US$ 132 mil ou R$ 309 mil) aplicada à Vale no Peru. A poluição foi provocada por falhas no processo de carregamento de fosfato no porto que a empresa possui na Baía de Sechura, na província peruana de Piura. Segundo operários da Petroperu, que trabalham no porto vizinho ao da Vale, o pó em suspensão resultante das operações de embarque de fosfato afeta a saúde e o ambiente de trabalho. Além disso, a Vale está sendo denunciada pelos pescadores de Piura por causa da contaminação do mar pelo fosfato, que está destruindo o ecossistema e a economia local. Em Moçambique, após destruir casas de moradores por causa de uma mina de carvão, a Vale afirmou, em janeiro deste ano, que os indenizaria. Entretanto, até então, os moradores sequer foram procurados pela empresa para falar do pagamento, como informa a Liga Moçambicana de Direitos Humanos, e ainda foram reassentados em casas de péssima qualidade em regiões onde sequer podem desenvolver a agricultura, sua fonte de sustento. No Canadá, quatro operários das operações de cobre em Sudbury morreram em menos de três anos devido à falta de segurança.
Estratégia eleitoral pode enfraquecer ainda mais PSDB no Estado
A manobra do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) para a eleição deste ano contemplaria o PT nacional e local com a vaga ao Senado para o ex-prefeito de Vitória João Coser e a campanha de Dilma. Mas, ao mesmo tempo, conta com uma ação paralela do PSDB, endurecendo o discurso contra o governador Renato Casagrande. Essa movimentação reúne o grupo apartidário do ex-governador, contemplando do DEM ao PT, o que garante espaço para seus aliados, caso vença a disputa. No entanto, a escolha do PSDB de manter a candidatura de Guerino Balestrassi ao governo, com um objetivo de radicalizar a disputa contra Casagrande, favorecendo Hartung, pode prejudicar o partido. O ninho tucano não tem condições de equilibrar a disputa ao governo e nem é essa a intenção. Também fica prejudicado na disputa ao Senado, já que os apoios partidários ficarão divididos entre os dois principais palanques. Com a majoritária enfraquecida, ficará difícil também fortalecer a disputa proporcional. O PSB nacional, sem compreender as movimentações locais, quer uma aproximação com os tucanos, diante da possibilidade de o PT fechar aliança com o PMDB. Mas a realidade local é outra e dificilmente o PSDB se aproximará do palanque de Casagrande. Dentro do partido a estratégia é controversa, pois garante o espaço para as mesmas lideranças que sempre estiveram com Hartung, sem competitividade para os demais integrantes do partido. Daí o processo de desgaste que o partido vive há mais de uma década. Em 2010, o PSDB ficou sem representação na Assembleia Legislativa. O deputado federal César Colnago, presidente do partido, ficou isolado na bancada federal e Luiz Paulo Vellozo Lucas saiu desgastado depois da disputa ao governo. Dois anos depois, a crise se ampliou com o desempenho do partido nas eleições municipais, caindo de 13 para seis municípios. Mas a principal derrota foi na eleição de Vitória, novamente com Luiz Paulo, com o apoio de Hartung.
Sindicato questiona regimento disciplinar dos guardas municipais em Vila Velha
A Prefeitura de Vila Velha publicou no Diário Oficial dessa terça-feira (22) o Regulamento Disciplinar da Guarda Civil Municipal. A publicação é considerada um avanço no sentido de que vai possibilitar a emissão do porte de armas para os agentes, mas também é alvo de críticas. Para a diretora do Sindicato dos Servidores das Guardas Civis Municipais e dos Agentes Municipais de Trânsito do Estado (Sigmates), Clarisse Senatore, a publicação do regimento avança o processo de obtenção do porte de armas na Polícia Federal. Ela ressalta que, atualmente, nenhum guarda municipal de Vila Velha anda armado, já que ainda não foi expedido o porte. Ela também salienta que o regimento dos guardas municipais de Vila Velha se assemelha ao da Polícia Militar, no entanto, a Guarda Civil não tem as mesmas atribuições da carreira militar. Clarisse cita como exemplo de similaridade com o regimento militar o artigo que determina que todas as ocorrências na vida funcional do servidor ficarão anotadas na ficha funcional por dez anos. A sindicalista afirma, ainda, que a falta de organização do executivo municipal fez com que o regimento demorasse tanto a ser publicado. Ela ressalta que este regimento deveria ter sido publicado no momento em que a guarda municipal fosse para as ruas.