O Ministério Público Estadual (MPES) protocolou, nessa terça-feira (22), uma ação civil pública contra quatro entidades sindicais pelo que considera danos causados durante protesto realizado no dia 30 de agosto de 2013. Nos autos do processo (0013822-97.2014.8.08.0024), a promotoria narra que a manifestação bloqueou todos os acessos à Vitória, o que teria causado “graves consequências” para o comércio, suspensão das aulas, além de impedir que os trabalhadores chegassem aos locais de trabalho. O protesto batizado como o “Dia Nacional de Mobilização e de Paralisação” também ocorreu em outras cidades do País. De acordo com informações do MPES, a ação civil pública pede a condenação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, União Geral dos Trabalhadores (UGT/ES) e Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB/ES) ao pagamento de danos materiais coletivos e individuais aos cidadãos que sofreram as consequências da manifestação. A promotoria recomenda que as pessoas afetadas se habilitem, isto é, passem a fazer parte do processo, para pleitear o valor do prejuízo por cada um sofrido. Durante o protesto, que teve início nas primeiras horas da manhã do dia 30 de agosto, os manifestantes bloquearam a Terceira Ponte, a Avenida Elias Miguel (Vila Rubim), a Avenida Nossa Senhora da Penha e as entradas das empresas ArcelorMittal Tubarão (antiga CST) e Vale, na Serra. O protesto seguiu até a Reta da Penha, na altura da Federação das Indústrias do Estado (Findes). Para o MPES, o evento fez com que o acesso à Capital ficasse completamente interrompido, provocando a lentidão no trânsito de veículos por mais de sete horas. O protesto tinha uma extensa pauta de reivindicações, desde a rejeição do Projeto de Lei nº 4330/94, que permite a terceirização nas empresas até para suas atividades-fim, a melhores condições de mobilidade urbana e no transporte coletivo. Os manifestantes também cobravam a destinação de 10% do PIB para educação e saúde, extinção do fator previdenciário, redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais, isonomia entre homens e mulheres no mercado de trabalho, e realização da reforma agrária contra os latifúndios e o agronegócio. Alheio aos propósitos do protesto, o Ministério Público abriu um inquérito civil que verificou a inexistência de qualquer comunicação prévia às autoridades estaduais sobre a realização dos atos, conforme prevê a Constituição Federal. Desta forma, o órgão ministerial entende que a falta desse aviso antecipado impediu que o poder público organizasse o trânsito nas ruas e avenidas afetadas pelo movimento, o que teria gerado o que foi classificado como “grande caos urbano”. O processo tramita na 10ª Vara Cível de Vitória. Caso sejam condenadas, as entidades sindicais vão ter que recolher o valor fixado a título de danos morais coletivos em favor do Fundo Estadual de Reparação de Interesses Difusos Lesados, como dispõe a Lei Estadual n.º 4.329/90. No caso de eventuais indenizações individuais, as centrais sindicais serão obrigadas a recolher para cada pessoa comprovadamente afetada pelo protesto.
Justiça estadual rejeita ação popular contra fornecedores de placas do Detran
A juíza da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual, Telmelita Guimarães Alves, determinou o arquivamento de uma ação popular contra o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-ES) por supostas irregularidades no método de contratação de empresas para fornecimento de placas automotivas. Na decisão publicada nessa terça-feira (22), a magistrada entendeu que o credenciamento de empresas para a prestação do serviço é mais vantajoso que a escolha de uma única empresa por meio de licitação. “A inviabilidade de competição resulta da possibilidade de contratação de todas as empresas que possuam interesse no fornecimento de placas e tarjetas de identificação veicular, desde que atendidas as exigências do órgão. A necessidade do credenciamento reside justamente na necessidade, para fins de atendimento do interesse público, de que a maior quantidade de particulares preste um determinado serviço, não sendo possível a administração pública contratar somente um ou alguns”, observou. Nos autos do processo (0008561-30.2009.8.08.0024), o autor da ação Manoel de Oliveira sustenta que o órgão deveria licitar as empresas que forneceriam as placas e tarjetas, sob alegação da existência de superfaturamento na aquisição dos objetos, que seriam construídos com material de baixa qualidade. Ele pediu a condenação do diretor-geral do Detran-ES ao ressarcimento do eventual prejuízo aos cofres públicos, além da proibição de contratar com dez empresas do setor – que também figuravam como parte na ação. No entanto, a juíza Telmelita Alves entendeu que a imposição de prévio procedimento licitatório, em última análise, poderia frustrar o interesse público. “Ademais, certo é que eventual lesividade do ato ora impugnado seria decorrente de sua ilegalidade, o que não se sustenta, não havendo que se falar em prejuízo aos cofres públicos”, cravou. A decisão foi assinada no último dia 16 e terá que se confirmada pelo Tribunal de Justiça do Estado (TJES), devido ao duplo grau de jurisdição.
Hartung na mira do Ministério Público pela venda de área para EDP Escelsa
O Ministério Público Estadual (MPES) investiga a operação de alienação de um terreno em Vila Velha entre o Estado e a EDP Escelsa, ocorrida no final de 2008. O terreno utilizado para a construção de uma subestação de energia foi vendido por um preço inferior ao valor de mercado, contrariando o parecer da Procuradoria Geral do Estado (PGE). A promotoria investiga se houve algum ato de improbidade na negociação, que culminou com a nomeação do governador à época, Paulo Hartung (PMDB), como conselheiro de administração da empresa após o fim do mandato. No último dia 21 de janeiro, o promotor de Justiça, Dilton Depes Tallon Netto, pediu vistas dos autos de uma ação popular (0096809-35.2010.8.08.0024) movida por um cidadão do município contra a negociação das áreas, que tramita desde o ano de 2010. Ele afirmou que o teor do processo vai municiar um procedimento preparatório, aberto em novembro passado. Na portaria de instauração das investigações, o membro ministerial destaca que a “lei autorizativa” tramitou por dois dias na Assembleia Legislativa, entre o protocolo e a sanção pelo então governador. Dilton Depes destaca que a denúncia formalizada pela Comissão de Infraestrutura da Assembleia – com base nas reportagens publicadas com exclusividade pelo jornal Século Diário – narra que o ex-governador Paulo Hartung teria sido nomeado após ter dado vazão à alienação da área. Os parlamentares informaram que a EDP Escelsa pagou R$ 1,9 milhões, sendo que o valor real do terreno giraria em torno de R$ 10 milhões – fato que provocou o parecer contrário da área técnica do governo, ignorado pelo peemedebista. O terreno com cinco mil metros quadrados no bairro Boa Vista foi destinado à construção da subestação Itapoã. De acordo com o Regimento Interno do MPES, a promotoria tem o prazo de 180 dias para a conclusão da investigação, podendo ser prorrogado por igual período. Além do órgão ministerial, a mesma denúncia foi encaminhada pela comissão para o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o Tribunal de Justiça do Estado (TJES). O caso também vai ser apurado pelo juízo da 3ª Vara da Fazenda Pública Estadual, que já estabeleceu a legalidade da operação como um dos pontos controvertidos da ação popular – isto é, as questões a serem resolvidas até a prolação da sentença. Denúncia A denúncia foi formalizada à comissão pelo estudante de Direito Sérgio Marinho de Medeiros Neto, que também foi o autor das ações populares contra os incentivos fiscais concedidos pelo governo estadual. O autor da denúncia questionou a legalidade da operação que teria sido feita por um valor bem abaixo do preço de mercado, além da existência de supostos atos de improbidade pelo ex-governador após ter sido nomeado para atuar no grupo EDP – Energias do Brasil SA, dono da ex-estatal, em abril do ano passado. Em reportagens publicadas em agosto do ano passado, o jornal Século Diário revelou que o ex-governador foi nomeado como membro do Conselho de Administração do grupo após episódios de favorecimento à empresa em seu governo. Além da alienação do terreno para a construção da subestação, o peemedebista também concedeu R$ 290 milhões em incentivos fiscais à Escelsa há menos de um mês do final de seu mandato, em 2010. Antes disso, em março de 2008, o então secretário estadual da Fazenda, José Teófilo de Oliveira – que hoje é sócio do ex-governador no escritório de consultoria Éconos – garantiu a renúncia fiscal de R$ 127,8 milhões para a empresa Santa Fé Energia SA, que também é do grupo EDP. Os incentivos foram destinados à construção de uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH) no município de Alegre (região Caparaó). Somados, o total de deferimentos chega a R$ 420 milhões, o que os coloca no rol dos maiores contemplados pelo Programa de Incentivo ao Investimento no Estado (Invest-ES) na chamada Era Hartung.
Discurso de prefeitos em defesa da ‘unidade’ chega atrasado no debate eleitoral
Nesta quinta-feira (24), a Associação dos Municípios do Estado (Amunes) reúne os prefeitos para uma assembleia geral. Em pauta estará o cenário eleitoral deste ano e o discurso já está definido. Os gestores querem a manutenção da unanimidade, evitando um confronto pelo Palácio Anchieta que consolide a separação da classe política. Esse discurso ganhou fôlego com o encontro dos prefeitos coordenadores de setores da Amunes em Viana na semana passada. O encontro foi mais uma forma de medição de forças entre os principais atores da disputa eleitoral, já que foi marcado por muita articulação para lotar e esvaziar o almoço, mostrando a impossibilidade da manutenção da unanimidade. Para os meios políticos, porém, o discurso dos prefeitos chega atrasado na discussão do cenário eleitoral. A conjuntura política aponta para uma disputa, no mínimo, polarizada entre o governador Renato Casagrande e o ex-governador Paulo Hartung (PMDB). Os prefeitos ainda sonham com a chapa de consenso tendo o governador Renato Casagrande disputando a reeleição e o ex-governador Paulo Hartung na vaga ao Senado. Mas essa composição não é mais possível e haverá o embate eleitoral. Por isso, os prefeitos devem escolher um lado. Numericamente e partidariamente, Casagrande leva vantagem, já que o PSB tem 22 prefeitos contra 15 do PMDB. Mas a questão vai bem além da questão partidária. As pesquisas eleitorais feitas na Grande Vitória, de forma separada ajudaram a criar um cenário artificial de disputa, em que o ex-governador se coloca em vantagem, o que não aconteceria, para alguns observadores, se os levantamentos fossem feitos em nível estadual. Com essa impressão de disputa favorável a Hartung, o mercado começou a sentir a pressão e a possibilidade de esvaziamento do palanque de Casagrande começa a se tornar real. Mas o governador tem conseguido criar uma imagem boa no interior com o eleitorado e vem conseguindo contornar problemas, evitando focos de incêndio como aconteceu com o pedágio da Terceira Ponte. A tendência é de que os prefeitos, assim como o restante da classe política, se dividam em relação aos palanques apresentados para a disputa do governo.
Reforma Agrária Popular é tema de seminários e debates na Ufes
Para aproximar o debate sobre o projeto de Reforma Agrária Popular da realidade universitária e do mundo acadêmico, serão realizados na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em parceria com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), seminários que discutirão o modelo de desenvolvimento no campo do Brasil. A programação faz parte da 1º Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária, que acontece ao longo de todo o mês de abril, nas mais de 50 universidades brasileiras que têm parceria com o MST. A atividade é realizada paralelamente à Jornada Nacional de Lutas de Abril, realizada anualmente pelo MST em memória ao Massacre de Eldorado dos Carajás, de 17 de abril de 1996, quando manifestantes do MST que realizavam uma marcha até a capital do Pará, Belém, foram reprimidos por soldados. Segundo o MST, consta nos autos processuais, denunciado pelos advogados da Policia Militar, que a operação militar foi custeada com recursos da mineradora Vale. Foram 21 vítimas fatais do massacre, sendo que outros 69 feridos tiveram sequelas que impossibilitam o trabalho no campo. A professora Renata Couto Moreira, do Departamento de Economia da Ufes, explica que é necessário mobilizar os estudantes e professores em torno do debate sobre a reforma agrária e alertar sobre a necessidade de uma mudança política e econômica no campo brasileiro. Além disso, detalha, será a todo momento lembrada a oposição entre o modelo de produção da agricultura familiar, que gera empregos, alimentos saudáveis e é aliado à preservação ambiental, e o modelo do agronegócio, que exclui o trabalhador, utiliza agrotóxicos, representa os transgênicos e tem foco nas exportações e no lucro. A necessidade de uma reforma agrária popular será amplamente debatida. Nesta quinta-feira (24), haverá uma palestra sob o tema “Crise Mundial e Política Econômica no Governo Dilma”, ministrada pelo professor Fabrício de Oliveira, coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisa em Conjuntura do Programa de Pós-Graduação em Política Social da Ufes. A palestra acontece a partir das 9 horas no Auditório Manoel Vereza, no Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE), no campus de Goiabeiras. Na sexta-feira (25), será realizado no prédio da Associação dos Docentes da Ufes (Adufes) o seminário “Devastação da Natureza e Economia Verde”, que contará com diversas palestras e oficinas sobre as políticas e a economia campesinas no Brasil. No mesmo dia, será realizada uma mostra fotográfica em homenagem aos 30 anos de luta pela terra no Brasil que, inclusive, enfoca a violência com que são tratados os militantes do campo. A expectativa de público para as palestras é entre 100 e 150 pessoas.
Em assembleia, professores da rede estadual decidem pela continuidade da greve
Os professores da rede estadual, reunidos em assembleia na manhã desta quarta-feira (23), na sede social do clube Álvares Cabral, em Vitória, decidiram pela continuidade da greve, deflagrada no dia 14 de abril deste ano. Cerca de 1,5 mil professores compareceram à assembleia, vindos de todo o Estado. Após a assembleia, os professores saíram em passeata pela Avenida Nossa Senhora dos Navegantes em direção ao Tribunal de Justiça do Estado (TJES) para a realização de um ato público. A categoria também foi informada pelo departamento jurídico do Sindicato dos Servidores em Educação Pública do Estado (Sindiupes) sobre as negociações com o governo para a recomposição das perdas inflacionárias. Na manhã desta quarta-feira, representantes do Sindiupes se reuniram com membros da Procuradoria Geral do Estado (PGE) para discutir a recomposição inflacionária das perdas salariais dos professores. À categoria foi passada a informação que o governo deixou claro que há insegurança para conceder reposição somente ao magistério. A PGE não concorda em conceder a reposição em 100% para todos os servidores e pensa ser indevida a concessão apenas para o magistério. No entanto, o departamento jurídico entende que a recomposição é possível, mesmo que não seja total, pelo menos a dos últimos 12 meses. Depois dos comunicados, os professores votaram a continuidade do movimento, bem como o calendário de movimentações para a próxima semana. Nesta quinta-feira (24) será realizada uma vigília em frente à Secretaria de Estado de Educação (Sedu) durante todo o dia. Os professores também devem protestar em frente ao Centro de Convenções de Vitória, onde vai ser realizada a Audiência Pública do Orçamento 2015, do governo do Estado. Na sexta-feira (25) a vigília acontece em frente à Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (Seger). Na segunda-feira (28), feriado na Grande Vitória, haverá mobilização no interior do Estado e em Vila Velha, nas proximidades do Convento da Penha, onde os professores vão realizar uma panfletagem. Na terça-feira (29) vai haver uma assembleia geral da rede estadual, em local ainda a ser definido, seguida de passeata dos professores até o Palácio Anchieta.
Suspensão do pedágio é uma vitória semiconquistada, semiconcedida’
De certo modo, o dia 2 de julho de 2013 só terminou nessa terça-feira, 22 de abril de 2014. O que lá houve de tensão e revolta, a deflagração do #ocupaAles e o início de um movimento que expôs como nunca as relações entre a Concessionária Rodovia do Sol S.A. e a política capixaba, aqui viu-se o lúdico e o festivo. No protesto dessa terça, houve polícia, óbvio, mas não houve bala de borracha, nem gás, nem spray. Houve música, batuque e muita gente alegre de sorriso no rosto. Gente que viveu em parte ou integralmente os 11 dias de ocupação da Assembleia Legislativa estava entre as cerca de 250 pessoas reunidas em frente à Casa. Conversamos com alguns desses “vândalos” para saber como analisariam a suspensão da cobrança do pedágio da Terceira Ponte anunciada pelo governador Renato Casagrande e, em retrospectiva, como 2013 e suas palpitações seriam avaliadas. Primeiro de tudo: eles preservaram a coerência do movimento. Preferiram não se identificar em entrevistas, mesmo procedimento adotado durante o #ocupaAles, em respeito ao caráter apartidário e sem lideranças do movimento. Segundo: em maior ou menor escala, todos enxergam uma clara conexão entre as jornadas de 2013 e ambos os atos dessa terça. No Espírito Santo, especificamente, se no início das jornadas havia uma pauta extensa porém um tanto dispersa de demandas, não demorou para tudo desaguar no pedágio da Terceira Ponte que, viu-se, avultou como a principal bandeira dos protestos. O #ocupaAles começou no fim da tarde do dia 2 de julho, após o turbulento desfecho da sessão que votaria o decreto determinando a extinção do contrato da Rodosol. Todos lembram o estopim: o pedido de vistas de Gildevan Fernandes (PV), relator do projeto. Mais de 100 manifestantes foram para o gabinete da Presidência e lá ficaram. Depois se mudaram para um espaço do restaurante. Só saíram no dia 12, um sábado. “Foi um dos movimentos mais bem sucedidos que tive a oportunidade de ver. Mas a gente não pode cair na ilusão de que ‘ah a gente conquistou o que a gente queria e ponto’, disse um ocupante. “Isso expressa que a luta do povo capixaba não foi em vão, 100 mil pessoas na rua, 11 dias na Assembleia, nada disso foi em vão”, celebra uma ocupante, enquanto o Bloco Que Loucura! fazia o esquenta na calçada da Assembleia. “Foi uma vitória não só das pessoas que estiveram dentro do #ocupaAles, mas daquelas que se manifestaram, contribuindo para o processo de ocupação. Só mostra que a gente indo pra rua, ocupando os espaços, consegue as vitórias”, disse outra ocupante. O sabor da vitória é bom, mas os agora ex-ocupantes sabem que não é perene. Ninguém vê na suspensão do pedágio um ato definitivo. O triunfo, aqui, dizem, foi pontual. “ Isso é uma vitória simbólica contra a Rodosol, que tanto explora o povo capixaba. Mas é uma vitória que precisa continuar”, avalia uma ocupante. Tanto não é perene que uma ocupante diz que 2013 não pode ser considerando um ano exatamente vitorioso. “Não acho que foi vitorioso. O contrato ainda não foi suspenso, revogado. Mas acho que é um processo que está andando”. A melhor definição vem de um outro ocupante: “É uma vitória semiconquistada, semiconcedida”. Há a consciência de que os resultados divulgados na auditoria, ainda que escabrosos, são preliminares. Por isso o movimento ainda defende o pedágio livre. “O que a gente quer é uma ponte sem privatização. Não sabemos se a gente vai conseguir conquistar isso, mas tomara que a gente consiga”, diz um. “Nosso objetivo não é que mude a concessão, que mude a empresa, mas que acabe o pedágio. Não se quer outra empresa ocupando o lugar da Rodosol”, completa outra. Terceiro ponto de consenso: todos os entrevistados relacionam o anúncio do governador Renato Casagrande às eleições deste ano. “De certa forma uma jogada política, as eleições estão chegando, mas de certa forma também foi resultado de uma pressão”, analisa uma ocupante. “É uma tática clara de reeleição”, diz outra. “A auditoria saiu em um momento muito propício eleitoralmente e aí saiu esse relatório inicial como medida eleitoreira”, diz mais uma. Sobretudo após a saída da Assembleia, o #ocupaAles recebeu dos jornalões capixabas o grande e vistoso carimbo do vandalismo – matérias pranteavam vidros quebrados, tetos esburacados, paredes pichadas, objetos destruídos. Um muro das lamentações. Após essa vitória, onde fica todo esse mimimi, vandalismo, mimimi, destruição, mimimi, prejuízo? “O discurso do vandalismo vai continuar acontecendo. Daqui a 200 anos, se houver algum tipo de movimento, mesmo que não quebre nada, vai ser chamado de vândalo”, considera, tranquilo, um ocupante. O protesto Às 18h, as vias de acesso à ponte e à região norte de Vitória se mostravam mais entupidas que o normal: talvez trabalhadores partindo mais cedo para casa e, assim, evitar os efeitos de um protesto. Os manifestantes deixaram a Assembleia Legislativa e partiram rumo à praça do pedágio. Seguiram pela Avenida Nossa Senhora dos Navegantes e entraram na Rua Clóvis Machado. Ao mesmo tempo, destacamentos da Ronda Ostensiva Tática Motorizada (Rotam) faziam movimentações no entorno, conferindo aquele toque de tensão psicológica à manifestação. Uma vez na praça do pedágio, foi possível observar que a polícia fechara todos os acessos à ponte: a Clóvis Machado, Avenida João Batista Parra, Rua Duckla de Aguiar, Avenida Reta da Penha (Praça do Cauê) e Avenida Capitão João Brandão. No escurinho da João Batista Parra, quase em frente ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES), um fila de soldados de escudos e capacetes, provavelmente o Batalhão de Choque, tomava o asfalto de ponta a ponta, mostrando-se a postos. Viaturas espalhavam-se por pontos estratégicos em toda a região. Não foi preciso. O máximo que os manifestantes fizeram às cabines da Rodosol foi batucar nas chapas de aço que as protegiam, acompanhando o batuque do Que Loucura!. De resto, o que a manifestação fez foi reviver hits de 2013
Cinema Estreias da semana
A comédia Inatividade Paranormal (2013) ganhou uma continuação que chega aos cinemas capixabas neste final de semana. O novo filme da franquia faz uma paródia de produções recentes do gênero de terror como Invocação do Mal (2013) e A Morte do Demônio (2013). Apenas Cedric the Entertainer retorna ao elenco da continuação, novamente no papel do pastor Williams. Já o Cine Jardins traz o drama francês Inch'Allah sobre uma médica canadense que atende mulheres grávidas no meio do conflito entre Palestinos e Israelenses. Esta quarta-feira (23) o filme O Espetacular Homem Aranha 2 terá uma sessão de pré-estreia, apenas no CineMark. Os demais filmes entram em cartaz nos cinemas nesta quinta-feira (24). PRE-ESTREIA O Espetacular Homem Aranha 2: A Ameaça de Electron 3D (The Amazing Spider-Man 2, EUA, 2014, 140 minutos, 12 Anos). Ação. Direção de Marc Webb. Com Andrew Garfield, Emma Stone, Jamie Foxx. Continuação das aventuras de O Espetacular Homem-Aranha (2012). Cinemark – Shopping Vitória: Sala 1. 00h01 (apenas quarta-feira). Sala 5. 00h01 (apenas quarta-feira) ESTREIA Inatividade Paranormal 2 (A Haunted House 2, EUA, 2014, 90 minutos, 12 Anos) Comédia. Direção de Michael Tiddes. Com Marlon Wayans, Jaime Pressly, Ashley Rickards. Sequência de Inatividade Paranormal (2012), sátira de filmes de terror escrita e atuada por Marlon Wayans. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 4. 15h. 19h30. DUBLADO. 12h50. 17h15. 21h50. Sexta-feira e sábado também 00h30. (LEG) Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 5. 17h40. 19h30. 21h30. DUBLADO Cinesystem – Shopping Boulevard: Sala 1. 15h55. 17h50. 19h45. 21h40. DUBLADO Inch'Allah (Inch'Allah, França, 2014, 100 minutos, 14 anos) Drama. Direção de Anaïs Barbeau-Lavalette. Com Evelyne Brochu, Sabrina Ouazani, Sivan Levy. Chloe é uma médica canadense que vive na Cisjordânia. Ela divide seu tempo entre Ramallah, na Palestina – onde trabalha -, e Jerusalém, em Israel – onde mora -, ao lado de sua amiga, Ava, uma soldada islaelense. Diariamente, ela passa pelo ponto de fronteira entre as duas cidades para visitar o campo de refugiados palestinos, onde monitora mulheres grávidas. Cine Jardins – shopping Jardins: Sala 2. 21h15
Inscrições prorrogadas para a I Semana Universitária de Audiovisual
A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) vai sediar a primeira edição regional da Semana Universitária do Audiovisual (SUA), principal encontro de estudantes da área no Brasil. A edição nacional do evento nasceu em São Paulo, em 2005, e até então havia alternado sua sede entre cidades paulistanas, Rio de Janeiro e Brasília. Em 2014, a edição nacional acontecerá em Pernambuco, e a realização da Regional Sudeste da SUA ficou a cargo dos estudantes do curso de Cinema e Audiovisual da Ufes, que preparam um evento com oficinas, mesas de discussão, mostras e debates, entre os dias 1 e 4 de maio. A realização do encontro em terras capixabas marca um período no qual os estudantes de cinema e audiovisual do Sudeste se mobilizam para a troca de experiências sobre cursos, pesquisas acadêmicas, produções e grades curriculares. A maior parte dos cursos universitários na área foi criada recentemente e, diante das novas possibilidades que o avanço da tecnologia digital proporcionou para as produções universitárias, o tema escolhido para o SUA Regional Sudeste foi “Processos criativos e os novos fazeres”. A programação do encontro será composta por diversas atividades sobre as novas possibilidades da produção audiovisual. Para a promoção de debates, serão realizadas mesas de discussão e rodas de conversa – os convidados são professores, pesquisadores e profissionais do audiovisual do Espírito Santo e de outras localidades do país. As discussões, dialogando com a realidade dos cursos de audiovisual no país, tratam de temas como o papel da crítica cinematográfica, corpos e afetos no cinema contemporâneo, e novas maneiras de consumo e formatos audiovisuais. O evento também vai contar com apresentações de pesquisas e curtas-metragens realizados por estudantes – um momento importante no encontro, que permite aos participantes conhecer as áreas em que cada universidade se dedica a pesquisar e os temas em maior evidência. A exibição dos filmes, sempre seguida de debates com os realizadores, tem o objetivo de possibilitar a troca de experiências sobre a produção, concepção técnica e estética e, principalmente, discutir como as universidades têm apoiado tais produções. Outra atividade proposta são as oficinas, que oferecem aos participantes informações que as grades propostas pelas universidades, na maioria dos casos, não conseguem contemplar. As oficinas serão sobre Concepção Sonora, Storytelling Digital, Maquiagem FX, VJ e Livre Streaming, e serão ministradas por profissionais capixabas de diversas áreas. As inscrições podem ser feitas neste link As inscrições para participantes na Semana Universitária do Audiovisual (SUA) – Regional Sudeste vão ate esta sexta-feira (25). Mais informações podem ser obtidas no site www.suaufes2014.wordpress.com
Vitória das ruas
A decisão do governador Renato Casagrande pela suspensão da cobrança do pedágio da Terceira Ponte é uma vitória das ruas. Muito antes do pedido de auditoria no contrato de concessão com a Rodosol, a população já mostrava sua insatisfação por meio da campanha pelo “pedágio zero”. No Espírito Santo, as manifestações populares, em junho passado, tiveram como bandeira desde o princípio a suspensão da cobrança. Foi na Terceira Ponte onde se iniciou ou terminou a maioria dos protestos, que chegaram a ecoar vozes de mais de cem mil pessoas que participaram da grande marcha, no histórico dia 20 de junho. A partir deste momento, a voz das ruas atingiu, em alto e bom som, a classe política e as instituições do Estado. Os primeiros resultados, de fato, surgem agora, com decisões importantes anunciadas pelo governador Renato Casagrande, como a suspensão do pedágio e a obrigatoriedade da manutenção da ponte pela concessionária. É um primeiro passo, já que a auditoria deve continuar até o início do próximo ano. É preciso reconhecer que o fim da cobrança teve a contribuição do deputado estadual Euclério Sampaio (PDT), que apresentou à época o projeto de Decreto Legislativo pela extinção do contrato de concessão. Naquela oportunidade, o adiamento da votação – forçada pelo pedido de vistas do deputado Gildevan Fernandes (PV) – deflagrou uma nova onda de protestos, que culminaram com a ocupação da Assembleia por um grupo de manifestantes. O movimento durou 11 dias, tendo fim apenas com a promessa de votação da matéria após uma tensa negociação, que teve até a participação do Poder Judiciário. O jornal Século Diário acompanhou o #ocupaales por dentro e pode vislumbrar o ideário daqueles jovens, que acabaram sendo proibidos de acompanhar a votação, no dia 15 de julho. Enquanto o plenário da Assembleia rejeitava a proposta pelo fim do pedágio, com 16 votos a favor do parecer de Gildevan pela inconstitucionalidade do projeto, os manifestantes foram recebidos por bombas de efeito moral e gás de pimenta pela tropa da Polícia Militar – que destacou um efetivo surreal para a “proteção”, ironicamente, da Casa do povo e seus representantes. Passado o momento mais crítico dos protestos, o caso voltou à tona com a divulgação do relatório preliminar da auditoria feita pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). Um novo protesto está marcado para esta terça-feira (22), motivado pelos indicativos de irregularidades na concessão, cujos valores recebidos indevidamente pela concessionária, segundo o órgão, podem chegar a R$ 798 milhões. No entanto, o governador se antecipou aos manifestantes. Mas a suspensão da cobrança, mesmo por prazo indeterminado, não deve solucionar o debate em torno da ponte. Pelo contrário, vai fomentar a discussão de um novo projeto de Decreto Legislativo, apresentado por Euclério nesta terça-feira (24). É inegável que a atitude de Casagrande deve minimizar efeitos políticos da polêmica nas próximas eleições estaduais. A classe política também tenta capitalizar com o episódio a todo custo. Contudo, quem merece os louros pela vitória é somente a população, que saiu às ruas para protestar. “Resistir, resistir, até o pedágio cair”.