Reintegração de posse e interdito proibitório foram pedidos pela Apal Agropecuária Aliança Redes Sociais O juiz da 1ª Vara Cível de São Mateus, Lucas Modenesi Vicente, concedeu duas liminares contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), atendendo a pedidos feitos pela Apal Agropecuária Aliança S/A, referente à ocupação iniciada nessa quarta-feira (17) nas imediações da Fazenda Coqueirinho. A primeira foi uma reintegração de posse (Processo nº 5002919-91.2024.8.08.0047) referente ao local efetivamente ocupado pelos trabalhadores, próximo ao galpão onde no passado funcionou uma fábrica de farinha de mandioca. O documento judicial descreve a área como um imóvel de 8,52 hectares conhecido como Armazém Inquinor, localizado no KM 16 da BR 381. A segunda foi um Mandado de interdito proibitório (Processo nº 5002927-68.2024.8.08.0047) para proibir os trabalhadores de adentrar na Fazenda Coqueirinho, localizada próxima ao km 13 da BR 381, com área de 285,65 hectares, “destinado à criação e engorda de gado, com cerca de 300 semoventes”. A descrição indica, portanto, numa conta simples, a proporção de 1,05 cabeça de gado por hectare. O interdito se justifica, segundo o juiz, pelo “receio de invasão da referida área do imóvel, pois no dia de ontem [quarta, 17] houve o ingresso da parte requerida no imóvel também da autora, que é contíguo a área, porém vinculada a outra matrícula no RGI”. Para o magistrado, “as provas iniciais apresentadas [principalmente vídeos e fotos produzidos por fazendeiros e empresários ligados ao Movimento Invasão Zero] são suficientes para caracterizar a recente ameaça à posse da autora, potencializada pela extensão do imóvel e pela aparente estrutura de bens móveis e quantidade de pessoas ocupantes”. Decidido o deferimento do pedido feito pela Apal, Lucas Modenesi Vicente determina que seja feita a “identificação, qualificação, citação e intimação (desta ordem judicial), presencialmente”, dos ocupantes da área do Armazém Inquinor, e concede o prazo de 15 dias úteis “para a apresentação de resposta, sob pena de revelia e presunção de veracidade das alegações autorais, a contar do primeiro dia subsequente à juntada do último mandado cumprido”. Também sugere “a requisição de força policial, se necessário, para o efetivo atendimento desta ordem judicial e segurança dos envolvidos, de modo a impedir o acesso dos ocupantes da área vizinha no imóvel da autora” e intima o Ministério Público Estadual (MPES) “para informar se possui interesse de intervir no Feito”. Movimento Invasão Zero Desde o início da ocupação, na madrugada dessa quarta, os trabalhadores são acompanhados de perto por militantes do Movimento Invasão Zero, formado por empresários, grandes fazendeiros e políticos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Entre eles, o deputado estadual Lucas Polese (PL) – notabilizado há um ano, após se recusar a fazer o teste do bafômetro ao ser flagrado numa madrugada de sábado pela polícia, dirigindo carro oficial da Assembleia Legislativa com sinais de embriaguez –, que tem feito diversas publicações em suas redes sociais chamando “a ocupação de invasão e os trabalhadores sem terra e o MST de criminosos”. Polese também incita o governador Renato Casagrande (PSB) a utilizar a força policial para despejar os manifestantes e defender o Projeto de Lei nº 166/2023, de sua autoria, que quer criminalizar os movimentos sociais e ativistas que realizam ocupações de espaços rurais e urbanos, “para fazer cumprir o princípio constitucional de função social dos imóveis“. Ele também é citado em uma postagem do militante de extrema direita Darcio Bracarena (PL), candidato a deputado federal não eleito nas últimas eleições, em que apoia o anúncio feito pelo deputado Zucco (PL/RS) de que Polese será o coordenador estadual do programa Invasão Zero. O lançamento oficial das coordenações oficiais, informa, será feito na próxima terça-feira (23). O programa, explica Zucco no vídeo, é vinculado à Frente Parlamentar homônima, criada em outubro passado, a partir de integrantes da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), e presidida por ele. A frente tem como vice o ex-ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, deputado Ricardo Salles (PL/SP) – conhecido por defender o atropelo da legislação ambiental vigente enquanto a imprensa e a sociedade estavam focadas no momento mais mortífero da pandemia de Covid-19, usando o termo “passar a boiada”, principalmente na Amazônia. No vídeo, Bracarenema e Zucco também citam outros parlamentares de extrema direita capixabas, como Evair de Mello (PP), acusado de ser financiado por invasores de terras indígenas, entre os expoentes. Jornada Nacional pela Reforma Agrária A ocupação na Fazenda Coqueirinho faz parte da Jornada Nacional pela Reforma Agrária, realizada anualmente em memória do Massacre de Eldorado dos Carajás, em que 21 trabalhadores sem terra foram assassinados, no estado do Pará, em 17 de abril de 1996. Até o momento, segundo o MST, a Jornada Nacional contabiliza a realização de 30 ações diversas, em 14 estados do país, mobilizando mais de 20 mil famílias. Desse total, o MST realizou 24 ocupações de terra em 11 estados. As ocupações de terra enfatizam a importância da reforma agrária como alternativa urgente e necessária para a produção de alimentos saudáveis no Brasil, tendo como foco a erradicação da fome no campo e na cidade, garantindo o desenvolvimento do país, no contexto agrário, social, econômico e político. O orçamento voltado para a obtenção de terra e direitos básicos no campo, como infraestrutura, crédito para produção e moradia, é por dois anos consecutivos, o menor dos últimos 20 anos. “Lutamos, porque 105 mil famílias estão acampadas e exigimos que o Governo Federal cumpra o artigo 184 da Constituição Federal, desaproprie latifúndios improdutivos e democratize o acesso à terra, assentando todos e todas que querem trabalhar e produzir alimentos para o povo (…) Lutamos pela reforma agrária para que a terra cumpra sua função social: produzir alimentos saudáveis para o povo brasileiro e cuidar da natureza.”, afirma a Carta ao Povo Brasileiro, em que o MST convida a população a apoiar a causa. Movimento Invasão Zero cerca acampamento de trabalhadores sem terra PM e Serviço de Inteligência do governo acompanharam movimento para garantir a ordem e integridade de todos https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/movimento-invasao-zero-cerca-acampamento-de-trabalhadores-sem-terra Ocupação em São Mateus marca jornada nacional de luta pela reforma agrária Cerca de 250 famílias ocupam a Fazenda Coqueirinho
Portões da Ufes permanecem bloqueados em mais um dia de greve
Reitoria fez notificação à Adufes, mas o Diretório dos Estudantes decidiu manter bloqueio por mais um dia Foto Leitor A Administração Central da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) encaminhou uma notificação extrajudicial para a associação dos docentes (Adufes) nessa quarta-feira (17), solicitando que os portões do campus de Goiabeiras fossem desbloqueados durante a greve. Diante da ameaça de judicialização, a Adufes informou que iria acatar, mas o Diretório Central dos Estudantes (DCE) decidiu restringir novamente o acesso nesta quinta (18). Em publicação nas redes sociais, o DCE informa que a paralisação seria por um dia e levaria em conta pautas específicas dos estudantes: revogação da resolução que associa assistência estudantil ao calendário letivo; jantar no campus de Maruípe; revogação de portaria que restringe manifestações culturais; melhoria na iluminação do campus; implementação de cotas trans e unificação do sistema quanto ao nome social; aumento da assistência para estudantes com deficiência; criação de comissão de avaliação de inclusão e acessibilidade; ampliação de acessibilidade no Restaurante Universitário (RU); e reabertura do “RUzinho” de Goiabeiras. Em nota nessa quarta, a Administração Central da Ufes informou que tomou a decisão de notificar a associação dos docentes após “apelos junto ao Comando de Greve”, argumentando que o bloqueio dos portões se choca com a “garantia do direito constitucional de ir e vir da comunidade” e desrespeita a Lei de Greve (Lei 7.783/89), que proíbe aos grevistas impedir o acesso ao trabalho, também assegurado pela Constituição Federal. A Ufes alega, ainda, que os piquetes têm prejudicado a manutenção de diversas atividades do campus. “A Administração Central destaca que buscou estabelecer o amplo diálogo com o Comando de Greve, manifestando constantemente o apoio ao direito constitucional de greve, à legitimidade do movimento e às pautas apresentadas pelos docentes, inclusive dando ampla publicidade no portal institucional da universidade. Mais que isso, reiterou e mantém a disponibilidade para levar a pauta do movimento grevista docente junto à Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes)”, acrescenta a nota. Para a Adufes, porém, o reitor Eustáquio de Castro descumpriu uma promessa de não judicializar a greve feita em uma reunião nessa segunda-feira (15). A entidade acusa, também, a Reitoria de tentar colocar os estudantes contra os professores e de ter proferido “ofensas machistas, antissindicais e com preconceito de classe contra integrantes do movimento grevista” em outro encontro, na terça (16). Nesta quinta-feira, às 16h, a Adufes realizará um encontro no campus de São Mateus, no norte do Estado. Na próxima quarta-feira (24), no mesmo horário, estará no campus de Alegre, na região sul. O objetivo é expandir o movimento grevista para o interior do Estado. Nesses dois campi e no campus de Marauípe, em Vitória, os portões são mantidos abertos. Movimento grevista A greve dos professores da Ufes teve início nessa segunda-feira, acompanhando o movimento nacional nas instituições de ensino federais. Os técnico-administrativos também entraram em greve no mês passado. Logo no primeiro dia, a Reitoria decidiu suspender as atividades no campus de Goiabeiras, argumentando que o bloqueio impediu a circulação de pessoas no interior do campus. A principal polêmica foi o não funcionamento do RU e da Escola Experimental, da Prefeitura de Vitória. A Adufes alegou que havia comunicado à Reitoria que permitiria a entrada pelo Portão Norte visando o funcionamento dessas duas instituições, e chegou a comprar marmitas para os estudantes. No segundo dia de greve, com os ruídos desfeitos, e o RU e a escola voltaram a funcionar. Em reunião na tarde de segunda-feira, os docentes deliberaram o envio de um ofício à Administração Central para denunciar “os inúmeros casos de assédio registrados por parte de departamentos e suas chefias, com produção de listas de grevistas” e até mesmo a realização de reuniões para deliberar sobre o movimento, o que “não faz parte das atribuições de departamento e cerceia o direito à greve deflagrada legitimamente após assembleia geral da categoria”. O ofício trataria, ainda, dos casos de aulas online durante a greve, o que não tem respaldo legal de acordo com a Pró-reitoria de Graduação (Prograd). O Comando de Greve também defende a suspensão do Calendário Acadêmico. No Brasil, a greve dos docentes atinge mais de 24 universidades, institutos federais e Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefets) até agora, como aponta o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN). O movimento é por tempo indeterminado. Reivindicações Os docentes da Ufes cobram 22,71% de reajuste salarial em três parcelas iguais de 7,06%, nos meses de maio de 2024, 2025 e 2026. Contudo, o Governo Federal sinalizou que não atenderá à pauta este ano. A categoria também reivindica a reestruturação de suas carreiras. Outra demanda não atendida foi a realização do “revogaço” das medidas do Governo Bolsonaro, como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 32, que trata da reforma administrativa, que ainda tramita no Congresso Nacional. Soma-se a esse cenário, segundo a Adufes, a precarização das condições de trabalho e o subfinanciamento das universidades federais, institutos federais e centros federais de educação tecnológica. Estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que 100% das universidades federais receberam, entre 2010 e 2022, valores inferiores ao necessário para manter o patamar de despesas por matrículas. Já os técnico-administrativos da Ufes, que deflagraram greve no mês passado, reivindicam reajuste salarial de 34,32%, divididos em cerca de 10% nos anos de 2024, 2025 e 2026. O Governo Federal também não acenou para essa possibilidade em 2024, jogando a questão para os próximos dois anos, com índices de 4,5%. Os servidores também reivindicam reestruturação da carreira, já que vários cargos foram extintos, o que impossibilita a realização de concurso público. Os docentes e profissionais técnico-administrativos do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) reivindicam recomposição salarial, reestruturação de carreira para os técnico-administrativos e recomposição orçamentária e de pessoal. Greve na Ufes: Restaurante Universitário e escola têm acessos liberados – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/educacao/greve-na-ufes-restaurante-universitario-e-escola-municipal-tem-acessos-liberados Greve na Ufes começa com polêmica sobre Restaurante Universitário Administração Central alega que bloqueio dos portões impediu funcionamento; docentes rebatem https://www.seculodiario.com.br/educacao/greve-na-ufes-comeca-com-polemica-sobre-restaurante-universitario
Projeto para revitalizar praça de Itaúnas será discutido em nova reunião
Proposta defendida pela Prefeitura de Conceição da Barra é apontada como prejudicial ao patrimônio Divulgação A Prefeitura de Conceição da Barra, no norte do Estado, realizará uma nova reunião, nesta sexta-feira (19), para debater o projeto de revitalização da praça da Vila de Itaúnas. O encontro está marcado para acontecer na escola municipal Benônio Falcão de Gouvea, a partir das 19h, e contará com a presença do secretário de Estado do Turismo, Philipe Lemos (PDT). Nas redes sociais, o prefeito de Conceição da Barra, Mateusinho do Povão (PTB), convoca a população. “Atenção Itaúnas, nessa sexta-feira, às 19h, na escola Benonio, temos um encontro marcado. Estaremos junto com secretário de Turismo do governo de Estado, Philipe Lemos, em uma reunião muito importante para apresentação do Projeto da Praça da Igreja. Sua presença é muito importante”, afirmou. A realização da reunião é considerada uma conquista pela parte dos moradores que é contrário ao projeto apresentado, por considerar que a revitalização, na forma como se pretende fazer, trará prejuízos para o patrimônio material e imaterial da vila. Para esse grupo, a mobilização para ampliar o debate está sendo bem-sucedida. Entretanto, a informação é de que os ânimos estão acirrados em Conceição da Barra. O projeto é defendido pela gestão de Mateusinho do Povão, e grande parte da comunidade considera a intervenção necessária para o “progresso” da vila, tendo em vista que o espaço não passa por reformas há vários anos. O anúncio da presença de um representante do governo do Estado na reunião também não é um fato casual. Mateusinho é aliado do governador Renato Casagrande (PSB), e os recursos para a realização das intervenções deverão sair dos cofres estaduais. O projeto proposto foi apresentado pela primeira vez aos moradores em uma reunião no último dia 5 de abril. Entre as propostas, está a colocação de um piso de concreto em frente à histórica Igreja de São Sebastião e embaixo do Mastro de São Benedito. Outra intervenção é a criação de duas passarelas de madeira com pergolados no meio da praça. Também está prevista a instalação de equipamentos de lazer e esportes, com um parquinho infantil e uma quadra de areia. A arquiteta responsável pelo projeto, Patrícia Madeira, afirma que não houve questionamentos durante a primeira reunião de apresentação, apenas uma única sugestão foi encaminhada. Também não está prevista, em seu entendimento, nenhuma intervenção contra o patrimônio histórico, e todas as características foram mantidas. Além disso, segundo Madeira, trata-se de um “estudo” arquitetônico, e não um projeto pronto. “Criamos alguns elementos com acessibilidade, porque tem pessoas que andam de cadeira de rodas, como eu. Cadastralmente, na verdade, nem é uma praça, é uma rua. Não vai ser mexida em nada em relação à vegetação. O que vai no entorno dela, para não alagar, é uma calçada para as pessoas passearem em volta, como em qualquer outra praça”, comenta a arquiteta. Apesar disso, pessoas ligadas às tradições populares de Itaúnas consideram que os elementos do projeto não favorecem as práticas comunitárias. Esse é o caso de Wanderlea Campos da Paixão, a Dequinha, integrante da Associação de Folclore de Conceição da Barra. “Eu sou brincante, participo do Jongo e do Ticumbi, e aquele piso ali vai impossibilitar nossas práticas. E as passarelas, além de estranhas, vão atrapalhar as brincadeiras também. Um exemplo é o Alardo [manifestação secular que simula uma luta entre mouros e cristãos], que precisa de uma área grande para acontecer”, comenta Dequinha, que mora em Itaúnas desde que nasceu, também diz ser contra a retirada de uma feira livre que acontece às quintas-feiras na praça, conforme foi colocado na reunião. Ela é a favor de melhorias na praça, mas questiona a forma como a prefeitura apresentou o projeto. “Tiveram quatro anos e meio para apresentar o projeto e não fizeram, agora vão querer que a gente engula uma pracinha que eles não vieram discutir com a gente, vieram para mostrar um projeto pronto. Falam que vão aceitar sugestão, mas não vão aceitar coisa nenhuma, querer fazer isso logo para a verba entrar”, critica. O arquiteto e urbanista Genildo Coelho, especialista em patrimônio histórico, foi acionado por moradores logo após a apresentação do projeto. Para ele, a proposta divide a praça em três, inviabilizando as práticas culturais da comunidade, e esconde a igreja da cidade. Ele afirma que é possível, sim, colocar itens em benefício dos moradores, como o parquinho, e é necessário também tornar o espaço mais acessível, mas é preciso respeitar as características locais. “É um projeto muito equivocado, não tem o mínimo de respeito com a paisagem local, que ‘gourmetiza’ um espaço popular. Você não pode propor uma intervenção que desrespeita a ambiência urbana”, comenta Genildo Coelho. Por outro lado, Rafhael Brandão, presidente da Associação de Folclore de Conceição da Barra, defende que a intervenção é necessária e que ainda não há um projeto definitivo. Ele tem participado da mobilização visando a realização de reuniões comunitárias para debater a proposta. “Apenas uma apresentação do projeto feito pelo Executivo foi levado para discussão em uma primeira etapa. Acho positiva a reforma, já que a nossa praça está abandonada há mais de 20 anos. Vejo com bons olhos, desde que respeite as tradições do lugar. O que não pode acontecer é a praça ficar do jeito que está, jogada”, argumenta. Obra na praça de Itaúnas poderá interferir em patrimônio cultural Comunidade é a favor de melhorias, mas moradores e especialista questionam itens do projeto https://www.seculodiario.com.br/cidades/obra-na-praca-de-itaunas-podera-interferir-em-manifestacoes-populares
Sessão da Câmara de Vitória celebra os 40 anos das ‘Diretas Já!’
André Moreira destaca que a campanha foi marcada “pela luta incansável pela democracia e justiça” Os 40 anos da campanha cívica “Diretas Já!”, um dos marcos da redemocratização do País, depois de 21 anos de ditadura militar, serão relembrados na próxima terça-feira (23), no Plenário da Câmara de Vitória, às 19h. A sessão solene, iniciativa do vereador André Moreira (Psol), pretende comemorar “o impacto significativo que o movimento teve em nossa nação”. O parlamentar destaca que o movimento ocorreu em um “período marcado pela luta incansável pela democracia e justiça, e ecoou pelos corações e mentes de todos os brasileiros, inspirando gerações a defender os valores fundamentais de liberdade e inclusão”. A votação da emenda do deputado Dante de Oliveira (PMDB-MT), que propunha restabelecer as eleições diretas para a escolha do próximo presidente da República, apresentada em 1983, havia sido marcada para 25 de abril de 1984 no Congresso Nacional. Com a data se aproximando, as manifestações ganharam corpo nas ruas. No dia da votação, com o capixaba Moacyr Dalla na presidência do Senado, a emenda obteve 298 votos a favor, 22 a menos do que os 320 necessários para atingir o quórum de dois terços e ser encaminhada ao Senado. Votaram contra a proposta 65 deputados governistas. Os deputados capixabas Stélio Dias e Theodorico Ferraço, hoje deputado estadual, votaram a favor da emenda, cuja derrota foi selada principalmente por 113 deputados que se ausentaram. Pelo voto indireto, foi eleito Tancredo Neves, que faleceu, sendo empossado José Sarney. Os 40 anos foram comemorados no último dia 16, data em que ocorreu o comício de encerramento das Diretas Já!, realizado no Vale do Anhangabaú, na capital paulista, que reuniu mais de 1,5 milhão de pessoas e foi a maior das manifestações que pediam democracia no país na época. Em 27 de novembro de 1983, cinco meses antes, ocorria o primeiro comício unificado da campanha, em frente ao Estádio do Pacaembu, em São Paulo, reunindo mais de 70 entidades da sociedade civil. Cerca de 15 mil pessoas compareceram ao evento, dando a largada para a campanha que tomaria conta do Brasil nos meses seguintes. Desde o golpe civil militar de 1964, a democracia havia sido interrompida no Brasil. A última eleição direta para presidente da República ocorrera em 1960, e a população brasileira estava sem escolher o seu presidente há 23 anos. A campanha das Diretas Já! teve início em Curitiba, em 12 de janeiro de 1984, com a presença de 50 mil pessoas. Em 25 de janeiro, houve comício na Praça da Sé, em São Paulo, com cerca de 300 mil pessoas. Ocorreram também manifestações em diferentes capitais e grandes cidades do país, como João Pessoa, Maceió, Belém, Rio de Janeiro, Cuiabá, Rio Branco e Manaus.
Base do PT de Vila Velha rebate fala de Jack Rocha sobre pré-candidaturas
Lideranças que assinam nota apoiam o nome do ex-vereador João Batista Babá à prefeitura As declarações públicas da deputada federal Jack Rocha, presidente estadual do PT, de que as candidaturas do partido serão definidas a partir de acordos de cúpula, mexeram com a base do partido em Vila Velha, envolvendo lideranças históricas, como o ex-deputado estadual Claudio Vereza. A parlamentar citou a “geopolítica”, termo que consideram de “triste lembrança na história da política e da democracia capixaba”. As reações são do campo “Pra Voltar a Sonhar”, que no próximo dia 24 realiza uma plenária em apoio à pré-candidatura do ex-vereador João Batista Gagno, o Babá, à Prefeitura de Vila Velha. As declarações de Jack Rocha foram feitas pouco dias depois de o diretório municipal decidir, por unanimidade, que terá um representante na disputa majoritária nas eleições de outubro. Em nota divulgada na tarde desta quarta-feira (17), o campo “Pra Voltar a Sonhar” afirma: “A declaração da deputada federal Jack Rocha de que as candidaturas do PT serão definidas a partir de acordos de cúpula, que ela chamou de ‘geopolitica’ (expressão de triste lembrança na história da política e da democracia capixaba) provocou indignação da base militante e lideranças”, reitera. “A repetição da desastrada participação do PT nas políticas de conchavos conhecida como “Geopolítica”, – prossegue a nota -, que quase levou o PT à insignificância política no Espírito Santo, impede a transparência e o amplo debate com as bases do partido sobre a escolha da melhor estratégia política para defender o governo Lula, que está sob ataque cerrado da extrema direita no Espírito Santo, no Brasil e de forma global, nestas eleições municipais”. Em outro trecho, diz a nota: “O objetivo maior deve ser exercer a democracia interna e ativar a mobilização das nossas bases nos embates da eleição para acumular forças para uma virada no Estado, passando pela vitória na Capital e outras cidades importantes, e a conquista da reeleição para presidente com uma expressiva vitória de Lula no Espírito Santo”. Destaca ainda que, “para tanto, é imprescidível fortalecermos as alianças com partidos e frentes de esquerda e populares nestas eleições municipais, com vistas a fazer o enfrentamento necessário com a extrema direita que quer alçar ao poder, pela via democrática (!), seu projeto autoritário, excludente, genocida e devastador de sociedade”. Lembram os integrantes do grupo que “o Diretório Nacional do PT recomenda que sejam lançadas candidaturas majoritárias em cidades que possuam mais de 100 mil eleitores. Vila Velha possui hoje 336.050 aptos a votarem no próximo pleito, e o PT já demostrou que tem a preferência de cerca de 15% deste eleitorado”. E concluem que “este cenário só comprova que a tática mais correta para o PT de Vila Velha é a manutenção da candidatura própria, com aliança à esquerda e apoio dos movimentos sociais. Sendo também o município que mais registrou novos eleitores. Portanto, os militantes petistas que subscrevem essa opinião exigem que as regras democráticas e a base partidária sejam ouvidas”. A manifestação é assinada por Claudio Vereza, João Batista Babá, Izanildo Sabino, Inês Simon, Otniel Barcelos de Aquino, Carlos Lobo, Maria Helena Spinelli, Teresa Frizera, Marta Gagno Intra, Emerson Sbardelotti, Warlei Barbosa Mapelli e Luiz Carlos Santos. Unanimidade A decisão de ter um candidato no município foi referendada por unanimidade no último dia 9 pelo diretório de Vila Velha, após alguns adiamentos e muita articulação entre as várias correntes internas do PT. O nome do pré-candidato ainda está em aberto, já que, além de Babá, tem interesse na disputa o economista Edson Wilson, o Edinho, da corrente “Construindo um Novo Brasil”, da deputada federal Jack Rocha. A decisão final está marcada para o próximo dia 30, quando será realizada reunião do diretório municipal ampliado, e formada, também, a chapa de vereador. Tabuleiro O município, hoje, tem seis possíveis candidatos, a maioria situada na direita e centro direita. O prefeito Arnaldinho Borgo (Podemos) tentará a reeleição, em disputa que tende a ser polarizada com o coronel Alexandre Ramalho (PL). O ex-prefeito e ex-deputado Neucimar Fraga (PP) também teve a candidatura lançada, na última sexta-feira (12), e o ex-prefeito Max Filho (PSDB), que recuou da disputa por conta de questões de saúde do seu pai, o ex-governador Max Mauro, anunciou como pré-candidato o aliado e novo presidente do diretório municipal do ninho tucano, Maurício Gorza. Do lado da esquerda, além da movimentação do PT, o professor e líder comunitário Nícolas Trancho foi indicado pelo Psol. PT de Vila Velha decide disputar a prefeitura, mas adia escolha do nome – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/politica/pt-de-vila-velha-decide-disputar-aprefeitura-mas-nao-define-nome
Stephen Bannon e o neofascismo
Um bombardeio digital/ideológico, com métodos de prevaricação midiática A aceleração do fascismo global, que pode ser chamado de neofascismo, tem como um dos principais agitadores, a figura de Stephen Bannon. Ele, que surgiu com a promessa de realizar, nos Estados Unidos, o expurgo dos democratas, e que atua como um parasita na política norte-americana e global, buscando hospedeiros, e atuando sobretudo através de técnicas de lavagem cerebral e de manipulação ideológica. Pessoas que se apresentavam como politicamente conservadoras, por sua vez, com a influência de Bannon, se radicalizaram, e isso depois das consequências do episódio da Cambridge Analytica, que funcionou como um preâmbulo da expansão dos tentáculos de Stephen Bannon na política mundial. Esta expansão do poder de Stephen Bannon teve também a contribuição da Breitbart, e tudo sendo usado para afastar o conservadorismo da democracia liberal e gerar novos adeptos de um neofascismo global disruptivo, num totalitarismo que foi sendo aceito via a cooptação das mentes, estas que começaram a perder a confiança na democracia e nos seus valores. Stephen Bannon atuou como presidente executivo da Breitbart, vice-presidente da operação eleitoral de mineração de dados Cambridge Analytica e como CEO e estrategista-chefe da campanha de Trump. Por seu turno, foi financiado por dinheiro do mercado ilegal, atuando para unir partidos amigos de Putin, por exemplo, em toda Europa. Putin foi figura-chave para Bannon exercer a sua tática de aceleração do fascismo global, numa cruzada contra o cosmopolitismo, e que muitos passaram a usar a expressão “globalismo”. Isto é, o que se vê com esta ascensão neofascista global, é a crise de uma geopolítica que se pretendia bem resolvida no auge da globalização dos anos 1990. Contudo, a História não se encerra em platôs de tranquilidade, pois sempre é sacudida, periodicamente, por novos agentes, para o bem e para o mal. Bannon, nesta atuação na Rússia, conheceu o estrategista político Alexander Dugin em 2018, um ideólogo que concebeu a chamada Quarta Teoria Política, que é uma gororoba pretensamente híbrida que tenta convencer sobre um esquerdismo de sinal trocado, com um resgate do stalinismo nacionalista soviético, isso misturado com ideologias de extrema direita, juntando nazismo esotérico, perenialismo, tradicionalismo, nova direita da Europa etc. O Duginismo é o que na Antiguidade pós-clássica da Filosofia se chamava de Ecletismo, só que aqui com agentes duplos para a confusão mental, de sinalizações fakes à esquerda, e que no Brasil gera verdadeiros frankensteins, como o PCO, que girou o diapasão da extrema esquerda e parou no outro lado da circunferência com teses delirantes afeitas à extrema direita. A opinião pública, na sua representação de quarto estado, via jornalismo e os meios de comunicação, também sofreu o assédio de forças ligadas a Bannon, do fascismo global, e de toda esta influência ideológica desses novos atores sociais radicalizados e destruidores dos valores democráticos. O fracasso do quarto estado se dá quando as empresas multinacionais começam a comprar os jornais e os meios de comunicação e se instaura a chamada Grande Guerra da Informação, em que o parasitismo mental de Bannon domina outros espíritos (mentes) via um bombardeio digital/ideológico, com métodos de prevaricação midiática. Pode-se destacar, nestes casos de prevaricação, o episódio como quando sete repórteres do Washington Post escreveram uma reportagem sobre Stephen Bannon em que não se mencionou seu papel na Cambridge Analytica. Este domínio econômico sobre a opinião pública, na sua representação jornalística e midiática, é o meio principal deste novo poder do neofascismo, de sua reprodução, e que é a versão prática da Grande Guerra da Informação do mundo contemporâneo. Stephen Bannon incomodou os promotores de Nova Iorque, embolsou um milhão de dólares depois de ter, supostamente, enganado fãs de Donald Trump se achando especial e tomando por menos o Congresso dos Estados Unidos, e acabou, finalmente, sendo acusado de fraude. Em 2020, por sua vez, Stephen Bannon foi preso por fraude eletrônica e lavagem de dinheiro. Também foi, há pouco tempo, considerado culpado por desacato ao Congresso americano. Sendo condenado a quatro meses de prisão, recebeu indulto presidencial de Trump, o que levantou as suspeitas sobre uma arrecadação de fundos do muro na fronteira. No julgamento marcado para maio de 2024, Stephen Bannon pode ser condenado por ter fraudado apoiadores de Trump, escondendo a fraude com faturas falsas, o que pode gerar uma condenação de até 15 anos de prisão. As acusações também passam por lavagem de dinheiro, conspiração e esquema de fraude, contravenção que envolve esta conspiração para realizar fraude. Portanto, os indultos presidenciais não foram suficientes para barrar e esclarecer as acusações estaduais, nos Estados Unidos. Somente diante das acusações federais originais, já tivemos a condenação de um colega de Bannon a quatro anos de prisão, por desvio de US$ 350 mil da campanha presidencial de Trump. Stephen Bannon pode ser comparado a uma espécie de Rasputin, na relação com Trump, na referência a líderes corruptos que precisam de figuras também corruptas por perto e os auxiliando. Estas figuras místicas, como Rasputin, ou na versão contemporânea, de Stephen Bannon, como um agitador digital, também um tipo prestidigitador, só que mais moderno, funciona para líderes como Trump como um meio de alavancagem e de cobertor de segurança. (continua) Gustavo Bastos, filósofo e escritor.Blog: http://poesiaeconhdcimento.blogspot.com
Direita em ação
Na Serra, PL mobiliza lançamento de Igor Elson à prefeitura, e Pablo Muribeca gera burburinho com pesquisa eleitoral Redes Sociais/Ales Dois nomes ligados à direita na Serra se movimentam no cenário eleitoral. O vereador Igor Elson vai oficializar sua candidatura à prefeitura no próximo dia 26, em evento com a presença das principais lideranças do partido no Estado. O convite se espalha desde já pelas redes sociais, com o slogan “Endireita Serra”. O discurso desse bloco se concentra em apresentá-lo como “o único candidato de Bolsonaro”, uma cutucada no deputado estadual Pablo Muribeca (Republicanos), e criticar a polarização de mais de 20 anos dos grupos políticos que representam o prefeito Sergio Vidigal (PDT) e o antecessor, Audifax Barcelos (PP). Já Muribeca abriu burburinho no mercado nos últimos dias, ao divulgar em suas redes sociais, o resultado de uma pesquisa atribuída à empresa Direta Propagandas e Eventos Ldta., registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 06707/2024. Na menção estimulada, ele aparece com 38,5% e se gaba de ter a menor rejeição entre os candidatos. Cards da pesquisa que circulam nos bastidores mostram que ele aparece empatado tecnicamente com Audifax. No levantamento espontâneo, considerado o termômetro eleitoral ideal, as posições se invertem e Audifax fica pouco à frente, mas segue o empate. A considerar esse retrato eleitoral, significaria dizer que o candidato de Vidigal, Weverson Meireles, lançado há pouco tempo, ainda não emplacou no eleitorado. Vale o lembrete: depois de anos de guerra intensa, Vidigal acenou para aliança com Audifax e foi correspondido. Um tanto sintomático! Veremos o desfecho do tabuleiro! Lá atrás Na mesma pesquisa, Weverson aparece na casa dos 6%, próximo de Igor Elson. O petista Roberto Carlos, ex-deputado, estaria na lanterna, com pouco mais de 3%. Os resultados são semelhantes nas duas estimativas – estimulada e espontânea. Índices de indecisos também é baixo. Enquanto isso…A dupla do PDT acaba de colocar na rua a marca de campanha: “Conexão 12 – o que é bom pode ficar melhor”. O prefeito investe pesado nessa missão de tornar o pupilo conhecido até o pleito. E Audifax?O ex-prefeito fazia movimentos incisivos de campanha, mas parece ter pisado no freio. Até porque, mirava sua artilharia no seu tradicional adversário, Vidigal. Vai recalcular a rota? As conversas já começaram? O povo quer saber… Outro palanqueO PL também oficializa a candidatura a prefeito de Luciano Merlo, em Colatina (noroeste do Estado), no próximo dia 25, às 19h, na Câmara Municipal. Ele já estava em campo e deu um aperto no prefeito, Guerino Balestrassi (MDB), em 2020. Desta vez, porém, vai esbarrar pela frente não só com o conhecido oponente, mas também com o ex-deputado estadual Renzo Vasconcelos (PSD). ‘Mais dois’Em Aracruz, norte do Estado, o palanque a prefeito do delegado Leandro (Republicanos) contará no arco de alianças com o PRD, o Agir e “mais dois partidos”. A informação, pela metade, é do deputado estadual e correligionário Alcântaro Filho, que recuou da candidatura para apoiar Leandro, o ex-candidato do PL no município. ‘Corrupção’Alcântaro tem se concentrado, no plenário da Assembleia, a desgastar a gestão do prefeito Dr. Coutinho (PP), que tentará a reeleição. Ele voltou a falar, nessa terça-feira (16), do que chama de “corrupção do lixo”, em referência aos contratos com a empresa S.A em Aracruz, que aponta como “superfaturados”. O caso está na Justiça. Pazolini x CoserA vereadora de Vitória, Karla Coser (PT), segue em ação para apontar programas festejados pelo prefeito, Lorenzo Pazolini (Republicanos), como meras repetições dos efetivados durante a gestão do seu pai, João Coser (PT), deputado estadual e candidato na Capital novamente este ano. Pazolini x Coser IIEm discurso no plenário da Câmara, ela afirmou que o recém-lançado Feira da Gente é o mesmo Feira Legal, de 2017; o Vix + Cidadania é o Vitória Mais Igual; e o Casa Feliz e Segura é o Vitória de todas as Cores. “Ahhh, sabe a reabertura que ele tem tanto prometido do CRJ [Centro de Referência das Juventudes] e do Restaurante Popular? Pois é, obra de João Coser”, completou. Nas redes“(…) o agronegócio, isento de vários impostos, concentra terras, mas produz menos alimentos e gera menos empregos. No Espírito Santo, a agricultura familiar ocupa 33% da região agricultável, mas gera trabalho para 6 em cada 10 pessoas no setor agrícola, sendo responsável por cerca de 75% da produção de alimentos (…) é urgente repensar nosso modelo de desenvolvimento (…)”. Camila Valadão, deputada pelo Psol, sobre o Dia de Luta pela Reforma Agrária. FALE COM A COLUNA: medeirosmanaira@gmail.com Enredo às avessas Acenos de Vidigal e Weverson a Audifax criam um cenário intrigante na Serra. Vai explicar… https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/enredo-as-avessas
Movimento Invasão Zero cerca acampamento de trabalhadores sem terra
PM e Serviço de Inteligência do governo acompanharam movimento para garantir a ordem e integridade de todos Redes Sociais Proprietários rurais, empresários apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ligados ao Movimento Invasão Zero, cercaram, na tarde desta quarta-feira (17), a ocupação realizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na Fazenda Coqueirinho, em São Mateus, norte do Estado. A ocupação teve início horas antes, de madrugada, e conta com cerca de 250 famílias, incluindo mulheres, crianças e idosos. O cerco dos bolsonaristas chegou a contar com 27 carros populares, além de tratores agrícolas e drones, relata o MST. “Estavam na entrada do acampamento cercando e fazendo pressão”. A Polícia Militar, que marcou presença na ocupação desde a madrugada, continuou no local durante o cerco, “empenhada no papel de zelar pela integridade física das famílias, sob ameaças dos proprietários”, informou o MST, em suas redes sociais. Redes Sociais Membros do Serviço de Inteligência do governo do Estado também foram enviados ao local. “A deputada Iriny Lopes [PT] acionou o governador [Renato Casagrande (PSB)], que enviou a Secretaria de Segurança Pública [Sesp] e o Serviço de Inteligência”, complementa Carolino da Silva, da direção nacional do MST no Espírito Santo. A ocupação na Fazenda Coqueirinho integra a Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária, que acontece, desde segunda-feira (15), em 14 estados e deve se estender até a próxima sexta-feira (19). Redes Sociais As ocupações de terra enfatizam a importância da reforma agrária como alternativa urgente e necessária para a produção de alimentos saudáveis no Brasil, tendo como foco a erradicação da fome no campo e na cidade, garantindo o desenvolvimento do país, no contexto agrário, social, econômico e político. Conforme destaca o MST, o orçamento voltado para a obtenção de terra e direitos básicos no campo, como infraestrutura, crédito para produção e moradia, é por dois anos consecutivos, o menor dos últimos 20 anos. Na Carta ao Povo Brasileiro, lançada nesta segunda-feira (15), o movimento expõe a importância da reforma agrária para o desenvolvimento do país. “Lutamos, porque 105 mil famílias estão acampadas e exigimos que o Governo Federal cumpra o artigo 184 da Constituição Federal, desaproprie latifúndios improdutivos e democratize o acesso à terra, assentando todos e todas que querem trabalhar e produzir alimentos para o povo”. E continua o documento: “lutamos pela reforma agrária para que a terra cumpra sua função social: produzir alimentos saudáveis para o povo brasileiro e cuidar da natureza.” Ocupação em São Mateus marca jornada nacional de luta pela reforma agrária Cerca de 250 famílias ocupam a Fazenda Coqueirinho e reivindicam assentamento das 1,6 mil acampadas no Estado https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/ocupacao-em-sao-mateus-marca-jornada-nacional-de-luta-pela-reforma-agraria
Política pública também contribui para precarizar o trabalho cultural
Pesquisadora e gestora cultural, Karlili Trindade analisa discurso do empreendedorismo e as políticas culturais A gestora cultural Karlili Trindade, militante do Grito da Cultura e pesquisadora da precarização do trabalho, é a convidada da Entrevista do Século desta semana. Ela fala sobre as formas de trabalho no meio cultural, a importância das políticas públicas para o setor, e a contradição da precarização provocada pelas mesmas. Comenta sobre leis de incentivo, como a Lei Rouanet, e o papel da iniciativa privada, além de analisar a importância da politização e organização dos trabalhadores e trabalhadoras da arte e da cultura. —- * Inscreva-se no canal do Século Diário no YouTube e ative o sininho para acompanhar as novidades. ** Se quiser ouvir este e outros programas em podcast, siga os canais do Século Diário no Spotify e Google Podcasts.
Ocupação em São Mateus marca jornada nacional de luta pela reforma agrária
Cerca de 250 famílias ocupam a Fazenda Coqueirinho e reivindicam assentamento das 1,6 mil acampadas no Estado Mariana Motta/MST A ocupação da Fazenda Coqueirinho, em São Mateus, norte do Estado, iniciada na madrugada desta quarta-feira (17), marca a participação do Espírito Santo na Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária, realizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ao longo desta semana. A jornada acontece todos os anos, em memória ao Massacre de Eldorado dos Carajás, em 17 de abril de 1996, com o assassinato de 21 trabalhadores sem terra. Neste ano, o MST traz o lema “Ocupar para o Brasil alimentar”, para apresentar a reforma agrária como alternativa urgente e necessária para a produção de alimentos saudáveis para a população do campo e da cidade, com o objetivo de combater a fome, gerar emprego e avançar no desenvolvimento do país. A Jornada vai até sexta-feira (19), com um conjunto de ações em todas as regiões do País, marcando também os 40 anos de história do MST no Brasil e 39 no Espírito Santo. Em São Mateus, a ocupação Coqueirinho conta com cerca de 250 famílias, subindo para 1,6 mil o número total que aguarda a reforma agrária no Estado, em diversos municípios de norte a sul. Sergio Cardoso_ArCo A fazenda está às margens da BR-381 e tem 294 hectares, sendo 28 identificados como área devoluta (patrimonial) do governo do Estado. Segundo o MST, a Fazenda já foi sede de uma antiga fábrica de farinha de mandioca chamada Inquinor e a área está na Justiça Federal por conta do não cumprimento de direitos trabalhistas. “É uma área muito boa para a reforma agrária, vai da rodovia até o rio São Mateus, tem água. E tem problema com o governo federal, questões trabalhistas, então está dentro dos critérios que o presidente Lula definiu, que o governo tem interesse em arrecadar para a reforma agrária”, explica Carolino da Silva, membro da direção nacional do MST no Espírito Santo. Sergio Cardoso/ArCo Essa mesma fazenda já havia sido ocupada em 2002 pelo MST, quando ela era de propriedade do ex-prefeito Rui Baromeu. “Agora parece que pertence ao pessoal da Alcon [Companhia de Álcool Conceição da Barra] ou da família Donati [também ex-prefeito Jorge Donati, falecido em 2016]. Pedimos para o Incra averiguar tudo isso”. A expectativa de retomar os projetos de reforma agrária se mantém, passado quase um ano e meio do terceiro mandato do presidente Lula. “O orçamento é muito ruim, péssimo. Era de R$ 200 milhões para obtenção de terras. Daí, passou pra 300, agora está em R$ 500 milhões”. Mas a demanda para assentar todas as mais de 105 mil famílias acampadas no País e cumprir a meta assumida até 2026, ressalta, é de R$ 3,8 bilhões. E é uma meta que cresce continuamente. No Espírito Santo, exemplifica, eram 1,4 mil no início do ano e agora já são 1,6 mil. Ao longo dessas quatro décadas de luta, cerca de três mil famílias foram assentadas no Estado. Sergio Cardoso/ArCo Diálogo e pressão “Nós estamos dialogando e pressionando, é um governo de disputa, de frente amplíssima. A classe trabalhadora tem que ir para cima, porque o Lula, com esse Congresso que temos, vai ter muita dificuldade. Precisa mesmo pressionar. Todas as classes trabalhadoras. A gente fica feliz de ver o movimento das greves dos trabalhadores. Porque precisamos recuperar as conquistas que perdemos, tem um passivo histórico de seis, sete anos para resolver”, acrescenta o dirigente do MST. Uma resposta do governo federal, salienta, foi o anúncio do Programa Terra da Gente, justamente nesta semana da Jornada Nacional. A iniciativa faz parte de uma nova estratégia para ampliar e dar agilidade à reforma agrária. A estratégia, conforme divulgou o próprio MST, é beneficiar 295 mil famílias agricultoras, em todo o país, até 2026. Ceres Hadich, da coordenação nacional do MST, afirma que assentar “é mais que distribuir ou regularizar terras, é garantir o direito do acesso à terra e a todas as políticas públicas que permitam o pleno desenvolvimento das pessoas e das comunidades no campo”. Carolino reforça: “nossas ações são para ajudar o governo a fazer o que o povo precisa. O governo Lula 3 não é o mesmo que o 1 e o 2, tem muito mais dificuldade. Se a gente tiver a postura de romper com ele, é tudo o que a extrema direita quer. Nós precisamos cobrar, mas de um jeito que resulte em resultados concretos para a classe trabalhadora. Nem com o governo Casagrande a gente deixa de dialogar! Em todo governo, precisa fazer pressão, quando tem uma frente ampla dessa, então”. Sérgio Cardoso/ArCo Suzano O dirigente capixaba lembra ainda que, neste 17 de abril, completa um ano da ocupação de uma área de monocultivos de eucalipto da Suzano em Aracruz, norte do Estado. Foi uma das duas ocupações que tiveram mais repercussão em 2023, ao lado da Embrapa de Pernambuco. Após dez dias de mobilização, os trabalhadores realizaram um ato político marcando a transferência das famílias para uma área próxima, no Assentamento Nova Esperança, devido a uma liminar de reintegração de posse obtida pela multinacional junto à Justiça estadual. “Depois que a gente saiu, é que descobriu porque tanta pressão, porque o governo do Estado ficou tão incomodado com aquele acampamento. Ele doou oito mil hectares de terra ali naquela fazenda para a Aracruz Celulose, na década de 1980. Era terra devoluta e ele doou para a empresa”, informa. Nesse um ano, as famílias continuam aguardando a reforma agrária. “Com a Suzano não tem diálogo, conversamos com o Incra, que parece ter uma proposta, pelo GT de Conflitos, do governo federal. Nós estamos aguardando o resultado dessa negociação. Com essa empresa, só mesmo no conflito para avançar. Ela financia todos os governos, consegue todas as licenças, todas as liminares na justiça”, contextualiza, reafirmando o que já é de conhecimento dos movimentos sociais do campo: a Suzano é a maior inimiga da reforma agrária. Coletivo Comunicação MST/ES Esse conluio dos governos se faz presente também na proteção que a empresa tem da Polícia Militar