O presidente do PT capixaba, o ex-prefeito de Vitória João Coser, concluiu a série de conversas com as correntes internas do partido para discutir o cenário eleitoral do Estado. O partido se reúne nas próximas quarta e sexta-feira para uma avaliação geral, mas a decisão já está tomada. O PT vai mesmo caminhar com o PMDB na disputa eleitoral deste ano. Quem também deve fechar com o PMDB é o PDT, do ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal. A aliança, alinhavada desde o ano passado com a interferência da nacional do partido e do ex-presidente Lula, vai garantir ao PT duas de suas metas para este ano eleitoral. A primeira é a garantia de um palanque para a presidente Dilma Rousseff no Estado, a segunda é o espaço para que João Coser possa disputar o Senado no palanque de Hartung. Coser tem dito aos membros do partido que a aliança se dá por causa do comprometimento do ex-governador com os projetos eleitorais do PT. O grupo estaria puxando também o PDT para que componha a chapa majoritária na vice de Hartung. No PT houve reações da Democracia Socialista (DS) e da Articulação de Esquerda (AS). A primeira corrente tem como candidato a deputado estadual o ex-secretário de Turismo Alexandre Passos, com aliados no aparelho público, que sustentam sua eleição. A Articulação também reagiu, mas como é minoria dentro do PT no Estado, não tem força para mudar o cenário eleitoral. Um problema que deve ser discutido ainda são os demais companheiros do palanque. Por força de uma resolução do PT nacional, o partido não poderá compartilhar palanque com o PSDB e o DEM. Como esses partidos já assinalam apoio ao ex-governador, haveria impedimentos para a aliança. Nos meios políticos, porém, o impasse com o PSDB já é visto como resolvido. O partido deve manter a candidatura própria, com o ex-prefeito de Colatina Guerino Balestrassi, em uma movimentação que beneficia a candidatura de Hartung, já que o tucano assumiu uma postura de oposição contra o governador Renato Casagrande em sua campanha. A articulação entre os três partidos afeta também o cenário da disputa proporcional. Isso porque em um cenário de unanimidade, havia a possibilidade da criação de um chapão, com PT, PMDB, PDT e PSB, que garantiriam mais da metade da bancada federal. O PT neste cenário tinha condições de eleger dois deputados federais, mas deve diminuir essa meta. Já o PDT deve procurar internamente quem assumirá o cargo majoritário e quem vai disputar a proporcional. Se Vidigal for o vice, terá de encontrar um substituto para sua candidatura de deputado federal. As movimentações dos partidos, caso se concretize, tiram dois importantes aliados do palanque do governador Renato Casagrande e incendeiam os bastidores das articulações majoritárias do Estado.
Documentário aponta alternativa a sistema que utiliza agrotóxicos
A oposição entre uma alimentação saudável promovida pela agricultura familiar e o modelo do agronegócio, que promove o uso de agrotóxicos e também é calcado na monocultura e na baixa empregabilidade, compõe o cenário da escolha a nível alimentar que o Brasil deve realizar, segundo Silvio Tendler, diretor do documentário O veneno está na mesa 2. No primeiro filme, O veneno está na mesa, o cineasta relata que expunha um alerta, diferentemente de agora, quando é exposta uma alternativa ao sistema sustentado pelas multinacionais do agronegócio. “Ele te leva a escolher em que mundo você quer viver. É agora ou nunca mais”, disse, sobre o filme. Além de retratar os impactos do agronegócio e do uso abusivo de venenos nas lavouras, O veneno está na mesa 2 também mostra alternativas dentro da agricultura familiar que já estão em curso no território brasileiro, como o cultivo orgânico, a agroecologia e os sistemas agroflorestais. Entretanto, mais de 80 entidades da sociedade civil, reunidas na Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida, enfrentam embates com adversários de grande peso econômico e político. Somente no Brasil, são 130 empresas que comercializam sementes modificadas e agrotóxicos. Entre elas, a Monsanto, Dow, Bayer, Basf, Syngenta e Dupont, que controlam 68% do mercado. Além disso, os latifundiários também encontram respaldo político. Cerca de 40 mil grandes fazendeiros são representador por 120 deputados federais, enquanto mais de 12 milhões de agricultores familiares, que efetivamente garantem o sustento do brasileiro, são representados por apenas 10 deputados. A Monsanto, por exemplo, tem em sua história o marco da fabricação do agente laranja, poderoso veneno usado como desfolhante pelos militares americanos durante a Guerra do Vietnã. O herbicida causou anomalias genéticas, diversos tipos de câncer, abortos e irritações cutâneas às pessoas que a ele foram expostas. Em 1997, a multinacional foi refundada como empresa agrícola, produtora de sementes – como as de milho e algodão supostamente resistentes a pragas lançadas nos anos 1990 – e demais produtos desse setor. A Monsanto também é acusada de biopirataria, de contrabando de sementes, de manipulação de dados científicos, além de ser responsável pelo suicídio de agricultores indianos, endividados devido aos altos custos das sementes transgênicas e dos insumos químicos necessários a essas plantações. A cada plantio, os agricultores têm que comprar mais sementes porque, devido à patente obtida pela multinacional, cada semente só pode ser usada em um plantio – o que os impede de guardar uma parte da colheita para o próximo ano, como é feito na agricultura tradicional. As megaplantações brasileiras contam com 14 tipos de agrotóxicos proibidos em outras nações e, no filme, são retratadas cenas dessa realidade que beira o absurdo. Não são raros os casos de aviões de empresas que pulverizam suas plantações e, ao mesmo tempo, lançam agrotóxicos em escolas e em culturas de pequenos produtores que não usam nenhum tipo de veneno. No Brasil, a cada 90 minutos, uma pessoa é envenenada por agrotóxicos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão responsável por liberar tais produtos no país, informa que o mercado brasileiro de agrotóxicos cresceu 190% nos últimos 10 anos, um ritmo muito mais acentuado do que o do mercado mundial, que foi de 93% no mesmo período. Presente no debate após o lançamento do filme, no Rio de Janeiro, o pesquisador Luiz Cláudio Meirelles, da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), lembrou que, recentemente, a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária liberou o uso de dois novos insumos químicos já banidos de outros países. No documentário é retratado o caso de uma agricultora que teve um quadro grave de depressão que, ao que tudo indica, foi provocado pelo excesso de exposição a agrotóxicos em longo prazo. O documentário ainda deixa claro que este não é um caso isolado e que cada vez mais médicos diagnosticam casos de intoxicações e até cânceres entre os trabalhadores do campo. O uso indiscriminado e sem cuidados de agrotóxicos também pode causar intoxicações com diferentes graus de severidade, diminuição das defesas imunológicas, anemia, impotência sexual, cefaleia, insônia, alterações de pressão arterial, distimia (espécie de depressão crônica) e distúrbios de comportamento. O lançamento do filme reuniu mais de 600 pessoas, tendo sido dedicada às 5 mil vítimas do despejo ocorrido no terreno da empresa Oi, no dia 11 abril, e que até hoje estão sem moradia.
Familiares de alunos pedem afastamento do secretário de Educação de Vila Velha
Os pais e familiares de alunos da rede municipal de Vila Velha protocolaram denúncia no Ministério Público Federal no Estado (MPF-ES) pedindo o afastamento do secretário de Educação do município, Wallace Millis, e da coordenadora de Recursos Humanos (RH) da pasta, Cristiane Vieira. De acordo com a denúncia, registrada sob o número 0160/2013, durante o primeiro ano do prefeito Rodney Miranda (DEM) à frente do executivo municipal tem havido contratações ilegais, assédio e constrangimento moral, perseguição política, degradação das condições do trabalho e transferências de setor injustificáveis, colocando servidores à disposição de outras secretarias, simplesmente para constranger esses servidores diante de seus colegas. Os pais de alunos também alegam que os denunciados estariam, há mais de um ano, perseguindo servidores, cortando ponto de professores, diretores e funcionários da Secretaria Municipal de Educação (Semed), que, por disputas políticas, têm sido transferidos de funções. Segundo a denúncia, a secretaria está esvaziada, por conta dessas transferências, prejudicando o funcionamento de vários projetos. Na denúncia, os pais de alunos também solicitam que o prefeito seja notificado da denúncia. No documento, os denunciantes também pedem a apuração de outra denúncia de dispensa de licitação na contratação de empresa para execução de dos serviços de limpeza predial, desintetizaçao, desratização e limpeza do reservatório de caixa d’água no prédio administrativo da Semed, nas unidades de ensino e demais setores descentralizados da secretaria ao custo de R$ 7,1 milhões.
Casagrande suspende pedágio na Terceira Ponte
A data 22 de abril de 2014 ficará marcada como o “Dia D” para o fim da cobrança do pedágio da Terceira Ponte. O governador Renato Casagrande anunciou a suspensão, por tempo indeterminado, da cobrança na ponte. A medida terá início a partir da meia-noite dessa quarta-feira (25). O socialista também determinou que a concessionária Rodosol, que administra a ponte e o trecho da Rodovia do Sol (ES-060), prossiga com o trabalho de manutenção. Casagrande explicou que a medida visa proteger o Estado após a divulgação do relatório preliminar da auditoria feita no contrato pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), que apontou indícios de irregularidades na concessão. “O estudo preliminar exige uma ação de precaução e responsabilidade para não gerar qualquer prejuízo ao erário”, pontuou. O governador afirmou que a manutenção da cobrança na praça do pedágio na Rodovia do Sol – na altura da divisa entre Vila Velha e Guarapari – garante uma fonte de receitas para a concessionária, que vai arcar com a manutenção da ponte. O socialista também anunciou a realização de estudo pela Procuradoria Geral do Estado (PGE) sobre a necessidade de eventuais medidas administrativas em relação ao contrato com a Rodosol, firmado no ano de 1998. Casagrande vai pedir ao TCE para que acelere a conclusão da auditoria, estimada apenas para o início de 2015, caso não haja qualquer pedido de adiamento. Segundo Casagrande, o resultado final deve nortear os próximos passos sobre a concessão, seja pela cobrança judicial de eventuais valores recebidos a mais pela Rodosol ou até mesmo o ressarcimento à concessionária. “Alguém será indenizado: o Estado ou a empresa”, cravou o socialista, prevendo que a questão deve ser decidida na Justiça. O relatório de auditoria indicou a existência de lucro abusivo de R$ 798 milhões pela concessionária, enquanto o governo trabalhava com uma margem inferior, por volta de R$ 10 milhões, de acordo com relatório da Agência Reguladora de Saneamento Básico e Infraestrutura Viária do Estado (Arsi), atual responsável pela fiscalização do acordo. Logo no início da manhã, o deputado Euclério Sampaio (PDT) protocolou um novo projeto de Decreto Legislativo para pedir o fim do pedágio na ponte e na Rodovia do Sol (ES-060). No entanto, a ação da Assembleia Legislativa sequer é necessária, uma vez que o governo do Estado anunciou o fim da cobrança – pelo menos na ponte, até o final dos trabalhos de auditoria. Também pela manhã, o presidente da Assembleia, deputado Theodorico Ferraço (DEM), se reuniu com o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Domingos Augusto Taufner, para solicitar a retificação na notificação das partes citadas na auditoria. Segundo o demista, o documento não informa que o Poder Legislativo foi uma das partes que solicitaram a abertura dos trabalhos. “Pela Constituição Estadual, a Assembleia é parte legítima para pedir a realização de auditoria. Caso contrário, a concessionária poderia pedir até mesmo a nulidade da auditoria”, pontuou. O chefe do Legislativo estadual afirmou que a Comissão de Finanças e a frente parlamentar que acompanham os trabalhos da auditoria vão deliberar sobre as questões relativas ao pedágio. Além do novo projeto de Decreto Legislativo, os parlamentares vão apreciar um pedido feito pela concessionária para a decretação do impedimento do relator da auditoria, conselheiro Sebastião Carlos Ranna. A Rodosol alega que ele já teria participado de exames anteriores sobre o contrato. De acordo com o resultado preliminar da auditoria, divulgado na última quarta-feira (16), a área técnica do TCE sugere a decretação da nulidade do acordo firmado entre o Estado e a Concessionária Rodosol, no ano de 1998. Entre as supostas irregularidades apontadas estão falhas durante a fase de licitação, além de sobrepreço na remuneração por obras e serviços prestados pela empresa, estimado em R$ 798 milhões, ao longo dos 15 anos de concessão. Nas redes sociais, o “Movimento não é por 20 centavos, é por direitos” convoca protesto para esta terça contra o pedágio na Rodosol, com concentração às 18 horas, em frente à Assembleia Legislativa. O ato é motivado pelo resultado da auditoria.
Professores protestam em frente à Sedu na manhã desta terça
Os professores da rede estadual realizaram mais um protesto na manhã desta terça-feira (22), em frente à Secretaria de Estado de Educação (Sedu), na Praia do Suá, em Vitória. A manifestação foi mais uma atividade da greve iniciada no dia 14 de abril e que conta com atos públicos diários. Durante o ato público, os professores entraram na Sedu e percorreram todos os andares do edifício realizando um apitaço e convocação dos servidores – muitos deles também professores – a se juntarem à manifestação. Os educadores, durante o protesto, cobraram a aplicação da Lei do Piso Nacional e da realização de eleição democrática para diretor escolar. Ainda na tarde desta terça-feira, às 16h30, a comissão de negociação eleita pela base e representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado (Sindiupes) se reúnem, no Palácio Anchieta, com o governador Renato Casagrande e outros representantes do governo. A reunião entre os representantes do Sindiupes e da comissão de negociação durou quase três horas, terminando na noite desta terça-feira. Segundo o diretor do sindicato, Rodrigo da Fonseca Agapito, ao ver da entidade nada foi produzido, ou seja, não houve avanço. De acordo com ele, o governador se comprometeu a enviar ao sindicato, antes da assembleia marcada para esta quarta-feira, um documento contendo as promessas do governo para a categoria. Os representantes do Sindiupes também vão à Procuradoria Geral do Estado (PGE) às 8 horas desta quarta-feira para uma reunião com o objetivo de esclarecer se é possível a concessão da recomposição das perdas inflacionárias da categoria. Para a entidade, essa concessão é possível, mas o governo alega que não. Já nesta quarta-feira (23), os professores se reúnem e assembleia geral, no ginásio do clube Álvares Cabral, para discutir os rumos do movimento grevista. Após a assembleia, eles sairão em caminhada pela Avenida Beira Mar em direção ao Tribunal de Justiça do Estado (TJES), onde esperam ser recebidos pelo presidente da corte, desembargador Sérgio Bizzotto. A categoria deve pleitear que a Justiça não declare a greve ilegal. Os trabalhadores reivindicam reajuste salarial para 2014 com aplicação da Lei do Piso; revisão dos planos de cargos, carreiras e salários vencidos; e eleição direta para direção escolar. Antes mesmo de a greve começar, no dia 11 de abril, a Justiça havia expedido liminar para a suspensão do movimento, a pedido da Procuradoria Geral do Estado (PGE). Os professores alegam que a greve não foi declarada ilegal, mas que a estratégia da Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (Seger) foi a de fazer com que a categoria pensasse que o movimento é ilegal. Na última quarta-feira (16), em assembleia no auditório do Sindicato dos Bancários do Estado (Sindibancários), os professores decidiram manter o movimento e saíram em caminhada até o Palácio Anchieta, onde foi realizado um ato público. Os professores salientaram que o magistério capixaba estava presente nas ruas, enquanto o governo do Estado permanecia ausente nas negociações. Eles também disseram que os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário eram contrários aos pleito da categoria.
Fim da unanimidade gera inquietações também nos partidos aliados
O feriadão da Semana Santa foi movimentado no PDT. A ocupação de espaços nos palanques que estão sendo colocados para o processo eleitoral deste ano causou atritos internos. A principal estrela do partido, Sérgio Vidigal, que estava sendo cogitado para a disputa ao Senado, assinalava a possibilidade de compor a vice no palanque palaciano, mas acabou fazendo coro à ala do partido que defendia a entrega dos cargos no governo. O partido rachou e voltou a se unir, tudo no mesmo feriado. As inquietações do PDT são fruto de um processo de mudança na relação política do Estado. O fim da unanimidade divide opiniões não apenas nos partidos envolvidos diretamente na disputa ao governo, mas também nas chamadas forças auxiliares. Como assinala o professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e especialista em políticas públicas, Roberto Garcia Simões, em seu artigo publicado nesta terça-feira (22), em A Gazeta, é a disputa majoritária que causa as tensões políticas. Ele mostra os problemas causados pela unidade nos últimos anos, como a ausência de oposição, o enfraquecimento do Poder Legislativo e as articulações de gabinete, que definem o processo eleitoral antes mesmo de ele ser deflagrado. Com a possibilidade de haver pelo menos dois palanques na eleição deste ano, o fim da unanimidade fica decretado e as forças políticas tendem a tencionar o cenário por causa da reorganização interna dos partidos diante da nova conjuntura. O primeiro sinal dessa tensão nos partidos aconteceu ainda no ano passado, quando o senador Magno Malta (PR) aventou a possibilidade de disputar o governo, o que causou uma movimentação interna muito grande no partido. O PR perdeu suas principais estrelas para a disputa proporcional e se desidratou. O PMDB, do ex-governador Paulo Hartung, criador da unanimidade no Estado, quer disputar o governo, mas uma grande parte dos peemedebistas, inclusive seus prefeitos, quer permanecer no palanque de Renato Casagrande. O PT, que atua como força auxiliar, também já sentiu internamente os efeitos do fim da unanimidade. O partido, que tradicionalmente busca o debate entre suas várias correntes, se divide sobre a possibilidade de tomar um dos dois caminhos apresentados até agora para a eleição de outubro. A reorganização e a divisão das lideranças políticas devem se intensificar até a consolidação do quadro de disputa, o que só deve acontecer após as convenções de julho. Até lá, a queda de braço entre os palanques de Renato Casagrande e Paulo Hartung pelo apoio dos demais partidos no intuito de fortalecimento de suas candidaturas deverá causar ainda muita tensão interna nos partidos do Estado.
Ufes reabre inscrições para curso de Educação no Campo
O curso superior de licenciatura em Educação no Campo, oferecido pela Universidade Federal do Espirito Santo (Ufes) em parceria com a Secretaria de Estado da Educação (Sedu), teve as inscrições para seu processo seletivo reabertas. O foco é a formação de professores que atuarão nas comunidades campesinas na docência dos anos finais dos ensinos fundamental e médio. O vestibular reabre com as mesmas características do curso que teve seu processo seletivo suspenso em fevereiro deste ano, com 240 vagas abertas, das quais metade será oferecida no campus de Goiabeiras, em Vitória, e a outra metade no campus de São Mateus, norte do Estado. A diferença é que, na Capital, as vagas serão divididas entre as áreas de Linguagens (língua portuguesa, literatura, artes visuais e educação física) e Ciências Humanas e Sociais (história, geografia, sociologia e filosofia). Em São Mateus, a formação será destinada às áreas de Ciências Humanas e Sociais e em Ciências Naturais (física, química e biologia). Em fevereiro deste ano, o vestibular para o curso de Educação no Campo havia sido suspenso devido ao baixo número de inscritos, segundo a Ufes. O Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) alegou, à época, que isso já era esperado na Capital, ao contrário de São Mateus, onde 164 pessoas se inscreveram – 44 além dos 120 aprovados que poderiam formar a turma. A Administração Central da Ufes justificou dizendo que realizar o processo seletivo em duas etapas – primeiro no campus de São Mateus, depois em Vitória – representaria um alto custo para a universidade, além de sobrecarregar a Comissão Coordenadora do Vestibular, responsável pela elaboração e aplicação das provas. Com a abertura deste novo processo seletivo, a coordenação do MPA no Estado promove uma intensa articulação com as bases para que haja um bom número de inscritos, tanto no interior como na Capital. “A academia precisa entender que há diferenças entre o campo e a cidade que se refletem nesse curso. Há resultados diferentes nas inscrições para cada região e, por isso, as condições oferecidas pela universidade para o desenvolvimento do curso precisam ser favoráveis ao camponês”, reivindica Valmir Noventa, coordenador regional do MPA. O curso foi criado a partir de uma reivindicação antiga da Via Campesina e do MPA, que acompanharão e coordenarão o processo seletivo do campus de São Mateus, realizando um levantamento dos participantes, que podem ou não já ter trabalhado com educação no campo. A abertura do processo seletivo do curso de Educação no Campo é uma conquista importante para o MPA, que considera necessária a capacitação daqueles que vivem e trabalham no campo. A entidade acredita que esse curso capacitará os professores para lidar e respeitar as particularidades do modo de vida campesino e da realidade desse território, trabalhando para valorizar alicerces da agricultura familiar e aprimorar os projetos que já são desenvolvidos nas escolas campesinas. De acordo com o MPA, a intenção é que o curso agregue conhecimento às pessoas que já trabalham na área. Por isso, a intenção do movimento é de que 48 (80%) das 60 vagas para cada habilitação sejam destinadas a professores em exercício nas escolas campesinas da rede pública, a professores ou outros profissionais da educação com atuação em experiências educacionais alternativas de educação do campo e a professores ou outros profissionais da educação com atuação em programas governamentais que visem à ampliação do acesso à educação básica da população do campo. As demais 12 vagas (20%) serão destinadas ao público jovem e adulto residente em comunidades do campo. Em Vitória, o curso será noturno e, em São Mateus, será ministrado em alternância, de acordo com a disponibilidade dos alunos. Além disso, o curso funcionará de acordo com a Pedagogia de Alternância, no qual o tempo escolar está dividido entre o ensino e a prática. As inscrições podem ser feitas até o dia 1º de maio, no site da Comissão Coordenadora do Vestibular (CCV) (www.ccv.ufes.br). O prazo para o pagamento da taxa de inscrição, de R$ 60, é o dia 2 de maio. Candidatos que cursaram todo o ensino médio em escola pública ou como bolsista integral na rede privada e têm renda familiar mensal per capita igual ou inferior a um salário mínimo e meio podem pedir isenção da taxa de inscrição até esta terça-feira (22). Cada habilitação e categoria terão 50% das vagas destinadas à reserva de vagas (cotas sociais) para estudantes que tenham cursado todo o ensino médio em escola pública. Quem quiser participar da seleção para a unidade do norte do Estado, deve procurar a coordenação do MPA para efetuar sua inscrição. O processo seletivo em ambas as cidades segue o mesmo calendário. O edital com os locais de prova e o cartão de inscrição estarão disponíveis na mesma página das inscrições a partir de 12 de maio. As provas de redação e objetivas acontecerão no dia 18 de maio, nas cidades onde o curso será aberto. O edital de matrícula, para os alunos aprovados, será publicado no dia 30 de maio.
Morre João Carlos Torezani(1950-2014)
Morreu na noite da última quinta-feira (17), o jornalista João Carlos Torezani, um profissional sui generis no Espírito Santo. Desde cedo, ele enveredou pelo caminho das notícias resumidas, quando na época elas eram bem laudatórias. Trabalhou no jornal A Gazeta por mais de dez anos nas editorias de Cidades e Política. Essa forma de escrever as notícias fizeram com que os colegas o apelidassem de “Joãozinho meia-lauda”. Joãozinho foi um repórter que na cobertura política se tornou respeitado e querido. Era avesso às denúncias, gostava de registrar as intrigas e confrontos nos bastidores políticos – sempre com muita categoria –, sem que respingasse nas pessoas. Depois que deixou A Gazeta, trabalhou na Secretaria de Imprensa da Assembleia Legislativa durante o período dos ex-presidentes José Carlos Gratz e Cláudio Vereza (PT). Em seguida foi para a assessoria de imprensa da deputada federal Iriny Lopes (PT). Teve uma breve passagem por Século Diário, onde atuou na área política, e firmou fortes laços de amizade. Passou então a se dedicar ao freelancer e manteve uma coluna semanal na área de Justiça no jornal ESHoje. Para não fugir ao seu estilo, durante a passagem por Século Diário ficou conhecido como “Joãozinho meia-tela”. Essa capacidade de não se envolver em atritos, o fez uma pessoa querida por onde passou. Entre os amigos e leitores, passou a ideia do profissional que sabia lidar com as notícias e, sobretudo, com as pessoas. Joãozinho Torezani morreu de câncer no fígado e esôfago aos 63 anos de idade e passou seus últimos momentos ao lado dos filhos (Aila, Tales, Tomás e Iago). Era separado e ultimamente vivia com Márcia Poubel, que o assistiu até os momentos finais de sua vida. Ele foi cremado nesse sábado (19). No mesmo dia, foi realizado um culto em sua homenagem no Mosteiro Zen Budista no Morro da Vargem, em Ibiraçu.
Música brasileira dá o tom de Concerto da Orquestra Sinfônica do Estado
Nestas quarta e quinta-feiras (23 e 24) e no próximo domingo (27), a Orquestra Sinfônica do Espírito Santo (Oses), sob a regência do maestro titular Helder Trefzfer, realizará o terceiro concerto da Temporada 2014 das séries Pré-Estreia e Concertos Sinfônicos, além de realizar também a segunda edição da série Domingo no Teatro. As apresentações acontecerão no Theatro Carlos Gomes, em Vitória. Nos dias 23 e 24, o horário é o de costume, às 20 horas. Já no domingo, a Sinfônica do Espírito Santo se apresenta às 11 horas. Os ingressos custam R$ 2 (inteira) e R$ 1 (meia entrada) e podem ser adquiridos na bilheteria do teatro. O programa será aberto por uma premiada obra do compositor mineiro Renato Goulart, Três Momentos Sinfônicos. De acordo com o próprio compositor, a obra reflete uma tentativa de descrever imagens e sensações que ficaram muito marcadas na infância e juventude dele. “No primeiro movimento tentei retratar a descontração que vivia com músicos de uma roda de choro. Eles se reúnem, começam a tocar, param, afinam violões e retornam sempre envolvidos por uma musicalidade espontânea e despreocupada. No segundo movimento, tentei representar minha sensação de espectador ao acompanhar de longe uma procissão da Via Sacra. Com um grande crescendo orquestral, tentei mostrar a força simbólica do Cristo que se aproxima rodeado por um rico ambiente sonoro. A longa melodia cantada pelas mulheres devotas da Semana Santa também me serviu de inspiração para compor este movimento. No último movimento, retratei a alegria de uma criança ao se deparar com um pulsar contínuo de luzes e sons de um grande parque de diversões. Para as crianças todos os parques são enormes, só não são maiores do que a sua própria imaginação”, revelou o compositor. Na sequência, a Oses fará a estreia mundial da obra Paz na Terra, escrita pelo premiado compositor cearense Liduino Pitombeira. Trata-se de uma música construída, de acordo com o compositor, a partir da sonoridade pentatônica, como uma alusão a uma estrela de cinco pontas que corta o céu anunciando o nascimento da paz na terra. E para concluir a apresentação, a orquestra executará a célebre Bachianas Brasileiras n.º 7, de Heitor Villa-Lobos. Escrita em 1942, a obra tem quatro movimentos: Prelúdio (Ponteio), Giga (Quadrilha caipira), Tocata (Desafio) e Fuga (Conversa). É uma das obras mais tocadas do mestre brasileiro, rica em ritmos, sonoridades especiais e melodias agradáveis, o que a torna muito popular. Serviço Orquestra Sinfônica do Estado do Espírito Santo se apresenta nesta quarta-feira (23) e quinta-feira (24) , às 20 horas, e no domingo (27) às 11 horas, no Teatro Carlos Gomes. Ingressos: R$2 (inteira) e R$1 (meia entrada). Venda antecipada. Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do Teatro. Telefone: 3132-8399.
Ação e reação
Mesmo que tudo acabe em flores, o racha no PDT divulgado pelo jornal A Tribuna mostra que o ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal já não é mais unanimidade no partido. Agora tem debate. A reação do vice-presidente da sigla, deputado estadual Da Vitória, sobre a polêmica da entrega dos cargos no governo Renato Casagrande, está aí para provar. Da Vitória peitou Vidigal no processo. Ele reafirma seu compromisso com Casagrande e considera os movimentos de Vidigal claros indicativos de aliança com o ex-governador Paulo Hartung (PMDB). O deputado que reage é o mesmo considerado o único com reeleição garantida no partido e que irá puxar os demais candidatos. Já Aparecida Denadai e Euclério Sampaio, que defendem o mesmo que Vidigal, estão fechados com Hartung não é de hoje. O que parece mesmo é que há uma dose de “fundo serrano” na história. Diante da imprudência política do PSB de colocar o prefeito Audifax Barcelos (PSB) para puxar a campanha de Eduardo Campos no Estado, houve uma antecipação da disputa municipal de 2016. Vidigal firma compromisso com Hartung agora, para receber apoio lá na frente. A previsão é de reações semelhantes em outros partidos, nesse embate de forças entre Hartung e Casagrande. É só o começo. Tiro no pé A propósito, a saída de Iranilson Casado da Secretaria de Estado de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano coloca em risco a reeleição de toda bancada do PDT. Em tempos de eleição, pasta é estratégica. Já vi esse filme Hartung conseguiu emplacar mais uma daquelas notinhas na imprensa nacional. Está na coluna Cláudio Humberto desta segunda-feira (21): “tentando conter debandada de prefeitos pró-Paulo Hartung, o governador Renato Casagrande almoçou com sete prefeitos da região metropolitana e com a Associação de Municípios do ES”. O título? Sob pressão. Detalhe… Considerando que o único encontro dos últimos dias com essas características foi o articulado pelo prefeito Gilson Daniel (PV), as informações não batem. O número de prefeitos que compareceram foi o dobro – 14 de 20 convidados. Isso mesmo com as investidas de Hartung para esvaziar o almoço. E Casagrande não estava lá. Missão O prefeito de Vila Velha, Rodney Miranda (DEM), está num esforço danado para fazer as pazes com seus eleitores. Político de gabinete, que não se mistura com o povo, agora decidiu abraçar as ruas. Coincidentemente, sempre nas áreas mais afetadas pelas chuvas no município. Onde estão os mais revoltados com sua gestão, desde a fatídica viagem a Nova Iorque. Missão II Nesse sabadão de feriado, Rodney esteve no Canal Guaranhuns, na rodovia Carlos Lindenberg e no bairro Cobilândia. Na região de Guaranhuns, a situação está feia para o lado do prefeito. Aliás, não só lá. Está cada vez mais difícil Rodney mostrar a que veio no comando do município canela-verde. Foi além O deputado federal César Colnago (PSDB) não ficou satisfeito em prestar contas de seu mandato naqueles eventos que são fichinhas no Estado. Repetiu tudo em um informativo disponível nas redes sociais. Ano eleitoral, sabe como é… Fora da lista Por falar no ninho tucano, matéria que anuncia encontro da executiva nacional com dirigentes regionais divulgada no site do partido diz assim: “hoje 80% dos estados brasileiros, dos palanques do PSDB, já estão consolidados e são extremamente competitivos”. Palavras do presidenciável Aécio Neves. Guerino Balestrassi certamente faz parte dos 20% restantes. No encalço O vereador da Serra Gideão Svensson (PR) virou o calo no sapato do prefeito Audifax. De vez em sempre, mira o alvo na gestão socialista. Agora quer saber onde foi parar o dinheiro para as obras do Hospital Materno Infantil. Para isso, sugere abertura de uma CPI na Câmara. No encalço II Gideão diz que a parte da verba federal no contrato, R$ 25 milhões, já está na conta da prefeitura. Já a prefeitura garante que o projeto será revisto. O caso será investigado pelo Ministério Público Estadual (MPES). Insegurança Bombeiros e policiais do Estado voltaram a protestar na Praia de Camburi, em Vitória, nesse domingo (20). Com cruzes fincadas na areia, alertaram sobre os 478 homicídios registrados neste trimestre pelo governo do Estado, um aumento de 12,5% em relação ao mesmo período do ano passado. A categoria há meses denuncia carga excessiva de trabalho e ausência de uma política de segurança. Casagrande que se cuide… 140 toques “O ex-governador Paulo Hartung está se desligando dos Conselhos de Administração da Veracel e da holding da EDP. Para bom entendedor…” (Ex-secretário de Estado de Governo Robson Leite – no Twitter). PENSAMENTO: “Se eu tivesse meu tempo de volta, faria a mesma coisa novamente”. Nelson Mandela