As primeiras pesquisas sobre o processo eleitoral deste ano já causaram mal-estar na classe política. No ninho tucano o clima não ficou nada agradável com a exclusão dos nomes dos pré-candidatos do partido ao Senado. No levantamento realizado no município de Vila Velha, no final de março, não aparece nenhum candidato do partido na pesquisa ao Senado. O partido tem dois nomes inscritos no livro de pré-candidaturas: o do ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas e o do coronel Luiz Sérgio Aurich. A exclusão dos tucanos causou mal-estar interno no partido. Nos bastidores, os tucanos criticam o posicionamento do deputado federal Cesar Colnago, isso porque antes de começar o levantamento, o partido é consultado pelo instituto sobre seus candidatos. A pressão sobre o deputado deve aumentar. Isso porque embora tenha havido advertências internas, após o levantamento feito em Vila Velha, na nova pesquisa Futura, realizada na Serra e divulgada nesta terça-feira (15) em A Gazeta, os nomes tucanos ao Senado novamente não apareceram. Apenas o pré-candidato ao governo, Guerino Balestrassi, é registrado no levantamento. Nos meios políticos, a exclusão dos nomes dos tucanos na pesquisa teria o objetivo de fortalecer o ex-governador Paulo Hartung. Nos dois levantamentos, o nome de Paulo Hartung ainda não havia sido consolidado para a disputa ao governo. Ele também era cotado para a disputa e aparecia em primeiro lugar na corrida ao Senado. Como tem um capital eleitoral considerável, o ex-prefeito Luiz Paulo seria uma ameaça ao desempenho de Hartung, que já tem o delegado Fabiano Contarato (PR) como ameaça na eleição de senador. O PSDB já tinha definido a estratégia para a disputa ao Senado, que colocaria um candidato em cada cenário. Com Paulo Hartung na disputa, o PSDB iria Aurich e com o ex-prefeito João Coser na disputa, o candidato seria Luiz Paulo. Mas os tucanos não aparecem em nenhum dos dois levantamentos. Em novembro do ano passado, a senadora Ana Rita, que ainda brigava dentro do PT capixaba pela sua candidatura à reeleição para o Senado, questionou não só a Futura, mas também a Enquet Pesquisa, sobre a não inclusão de seu nome nas pesquisas sobre a o pleito deste ano. A Enquete respondeu que não foi requisitado pelo cliente a inclusão do nome da senadora e a Futura sequer respondeu. Naquele momento, os nomes não precisavam ser todos cotados para a eleição, mas com a regra sobre pesquisas passando a valer desde o início de janeiro, as pré-candidaturas existentes devem constar das pesquisas, atendendo à legislação eleitoral. Repercussão Não foi só no ninho tucano que a pesquisa repercutiu mal. Na sessão desta terça-feira (15) na Assembleia Legislativa o assunto também foi abordado pelos parlamentares. O deputado Claudio Vereza (PT) chamou de perseguição política a abordagem da pesquisa ao Senado, em relação ao ex-prefeito de Vitória João Coser. O deputado destacou um erro na publicação do gráfico que demonstra a intenção de votos estimulada da pesquisa. Embora Coser apareça em empate técnico com o delegado Fabiano Contarato (PR), o petista com 23,3% e o delegado com 25,5%, a ilustração gráfica induz o leitor a acreditar que o petista tem a metade dos votos do oponente do PR. A impressão é de que os gráficos estão invertidos, estando a ilustração entre Coser e Contarato no cenário com o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) na disputa. Mas para Vereza, que vem criticando o Instituto e o jornal há algum tempo, a troca pareceu perseguição política a Coser. Já o deputado Freitas (PSB) foi ao microfone de aparte para concordar com Vereza e dizer que a forma como estão sendo feitas as pesquisas prejudica o processo eleitoral. O deputado destacou que esses levantamentos fragmentados (Vila Velha e Serra) já trouxeram resultados negativos em pleitos anteriores e que este ano “começou cedo”. O deputado socialista afirmou ainda que pesquisa é interessante, mas que o resultado deve ser o real para não confundir o eleitor. Os problemas com pesquisas eleitorais no Estado já trouxeram muitos problemas para alguns candidatos em pleitos passados. Em 2012, uma pesquisa do Futura, publicada no sábado, véspera do segundo turno da eleição municipal em Vitória, apontou uma virada de jogo a favor do candidato tucano Luiz Paulo, resultado que nãos e confirmou nas urnas, com a vitória de Luciano Rezende (PPS). O mesmo Luciano Rezende fora prejudicado em 2008, na disputa pela Prefeitura de Vitória, dessa vez contra João Coser. As pesquisas, na ocasião, mostravam Rezende com um desempenho eleitoral muito abaixo do verificado nas urnas. Uma situação que pode ter influenciado no chamado voto útil do eleitor da Capital.
Sejus desclassifica Inap, Reviver e Montesinos da licitação para gestão da Penitenciária de Colatina
A Comissão de Licitação da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) desclassificou da licitação na modalidade concorrência para a operacionalização da Penitenciária de Segurança Média de Colatina (PSMCol), no noroeste do Estado, as três empresas que dominam o mercado de administração prisional do Estado, a Reviver Administração Prisional; o Instituto Nacional de Administração Prisional (Inap); e a Montesinos sistema de Administração Prisional. As mesmas três empresas já haviam sido desclassificadas do certame para a operacionalização do Presídio de Segurança Máxima I (PSMA I) de Viana. O Inap é a empresa responsável pela gestão da PSMCol e foi contratado emergencialmente, por 90 dias, com valor de contrato de R$ 817.320,72. O primeiro contrato do Inap com o governo, justamente para a operacionalização da PSMCOL, foi feito em 2005, mais uma vez de forma emergencial e dispensa de licitação, com valor mensal de R$ 598.690,43. Em 2006, o Inap foi contratado de maneira emergencial, por 100 dias, para operacionalização da PSMCol. Após os dois contratos com dispensa de licitação, a empresa venceu concorrência para a gestão do presídio no noroeste do Estado, em 2007, com contrato que vinha recebendo aditivos até 2013, quando foi novamente dispensada a licitação. Em outubro de 2013 a Sejus instituiu uma comissão responsável por reformular os editais para contratação de empresa para operacionalizar a PSMCol e a PSMA I. A instituição da comissão foi necessária por conta das sucessivas suspensões dos editais de contratação de empresas para a gestão das unidades. Os dois editais foram alvos de pedidos de impugnação dos concorrentes e acabaram por ser suspensos.
Procuradores questionam criação de cargos de assessoramento jurídico no Detran
A Associação Nacional dos Procuradores de Estado (Anape) recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para barrar a criação de cargos técnicos com perfil de advogados no Departamento Estadual de Trânsito (Detran-ES). Na última semana, a entidade ingressou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin 5109) contra a lei estadual que reestruturou as carreiras da autarquia. A norma permite que os chamados “procuradores autárquicos e advogados de fundação” elaborem peças jurídicas de assessoramento e consultoria, além de fazer a representação do órgão. Nos autos do processo, a associação alega que esses servidores vão funcionar como uma “procuradoria paralela” no âmbito do Detran-ES. O novo cargo também usurparia as prerrogativas e funções exclusivas da carreira de procurador do Estado. Entre as atribuições estão: elaboração de pareceres, editais, contratos, convênios, acordos e ajustes celebrados pela autarquia, além de exercer sua representação em juízo ou fora dele nas ações em que haja interesse do órgão público. “Por estas razões, não é possível, como pretende a Lei Complementar nº 734/2013, qualquer reforma que permita, no âmbito do Estado do Espírito Santo ou em quaisquer outros estados, a convivência da respectiva Procuradoria-Geral com denominadas ‘procuradorias autárquicas e fundacionais’, sob pena de violação ao comando expresso da Constituição Federal”, narra um dos trechos da peça assinada pelo advogado Cezar Britto, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES). De acordo com informações do STF, a entidade move outras duas ações semelhantes contra normas dos estados do Ceará (ADI 5106) e Mato Grosso (ADI 5107). Em todos os processos, a Anape sustenta que as funções e prerrogativas são exclusivas de procuradores e as normas estariam violando o artigo 132 da Constituição Federal, que reserva aos procuradores dos estados e do Distrito Federal, que tenham ingressado na carreira por meio de concurso público, a representação judicial e a consultoria jurídica das unidades federadas. Nas três ações, a entidade pede a concessão de liminar para suspender a eficácia das normas estaduais até o julgamento final dos processos. As três ADIs tem relatores diferentes, os ministros Luiz Fux (Espírito Santo), Marco Aurélio (Ceará) e Teori Zavascki (Mato Grosso).
Gilsinho pede explicação ao Iema sobre pesquisa do pó preto
O deputado estadual Gilsinho Lopes (PR) enviou nessa segunda-feira (14) à secretária de Estado de Meio Ambiente, Diane Rangel, requerimento de informação a pedido do grupo SOS Espírito Santo Ambiental, para que ela esclareça os questionamentos da entidade a respeito da metodologia e dos procedimentos utilizados na pesquisa de satisfação dos moradores com relação à poluição por poeira sedimentável (PS), o famoso e incômodo pó preto. Essa pesquisa, segundo o SOS, está planejada para a reformulação dos padrões das PS, conforme garantido no decreto estadual da qualidade do ar, de 16 de dezembro de 2013. Este define que as metas intermediárias dois e três (MI2 e MI3) e o Padrão Final (PF) das emissões devem ser estabelecidos em até doze meses após a publicação do Plano Estratégico de Qualidade do Ar (PEQAr) que, por sua vez, deverá ser apresentado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Seama) ao Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema) no prazo de um ano a partir da publicação do decreto. Enquanto isso, a meta inicial MI1, de 14 gramas por metro cúbico, continua valendo para a poluição por pó preto. O SOS Ambiental ressalta que essa pesquisa já deveria ter sido concluída no ano passado e, enquanto isso não acontece, o padrão de 14 gramas por metro cúbico continua valendo como limite para as PS. Além disso, não foram localizados pelo grupo na Ilha do Boi os moradores que estariam respondendo à pesquisa, realizada por meio de uma parceria entre o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) e a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Os membros do grupo questionam a secretária a respeito da metodologia usada no estudo; dos critérios para definição dos números de participantes; se a situação geográfica e a direção dos ventos foram levadas em consideração na escolha do número de participantes por área; dos critérios utilizados para definição dos entrevistados, bem como quantos e quais são os moradores atingidos pela pesquisa; o prazo final, a finalidade e a empregabilidade desse estudo, além da participação da sociedade civil nesse processo. Além desse requerimento, a secretária Diane Rangel deve, ainda, outros esclarecimentos aos ambientalistas. Em março, o mesmo deputado havia publicado um requerimento, também a pedido do SOS, questionando se está sendo realizado o monitoramento do ar em Vitória, já que no site do Iema não aparecem tais resultados desde agosto do ano passado. Se a análise estiver ocorrendo, o grupo quer ter acesso às informações. Se não, o grupo quer saber o motivo. Os mesmos questionamentos já haviam sido encaminhados à secretária no primeiro trimestre de 2013, pela Comissão de Meio Ambiente da Assembleia, durante a audiência pública sobre o pó preto, em abril do ano passado. No segundo semestre, os questionamentos foram novamente entregues pela Frente Parlamentar Ambientalista nas audiências públicas do pó preto. Até agora, no entanto, o grupo não obteve respostas da secretária. O SOS Ambiental também quer esclarecimentos sobre a forma como o trabalho de monitoramento da qualidade do ar está sendo realizado desde a entrada em vigor do Decreto Estadual nº 3463-R, que rege a legislação na área; e quais são os resultados das medições desde então. O SOS Ambiental também já protocolou denúncia no Iema e no Palácio da Fonte Grande direcionada ao governador Renato Casagrande, pedindo explicações sobre a falta de divulgação dos resultados da medição de poeira desde março de 2013 e do funcionamento de algumas estações de medição da qualidade do ar desde agosto do mesmo ano, por falta de manutenção. Na denúncia protocolada sob o número nº. 004772/2014, o grupo questiona o modo como serão verificados os padrões de qualidade do ar estabelecidos pelo decreto estadual. A impossibilidade de verificar se os valores da poluição atmosférica correspondem às prerrogativas estabelecidas em lei se deve, segundo a entidade, à falta de manutenção nas estações da qualidade do ar, situação que se mantém desde agosto de 2013. No documento enviado ao governador, o grupo lembra que o decreto assinado define padrões para Poeira Sedimentada (PS) em até 14 g/m2 mês quando, segundo dados de pesquisa, padrões que chegam a 5g/m2 mês não são tolerados pela população. Define ainda que as metas MI1 para os padrões de qualidade do ar seriam estabelecidos a partir da assinatura do decreto, sem definir prazos para o estabelecimento dos padrões intermediários e finais.
Lideranças buscam acomodação no novo cenário eleitoral
O prefeito de Viana, Gilson Daniel (PV), é um dos prefeitos da Grande Vitória que defendem o apoio incondicional ao palanque do governador Renato Casagrande. Daniel se articula com os colegas prefeitos que querem a manutenção do arranjo da unanimidade. Ele é uma das lideranças políticas que começam a trabalhar a acomodação no novo cenário eleitoral para este ano, criado com a colocação do nome do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) para a disputa ao governo. A maioria dos prefeitos fecha com Gilson. A estratégia é trabalhar com seus respectivos eleitorados o projeto de reeleição de Casagrande. Na Assembleia Legislativa, em que no governo passado a subserviência ao Executivo era evidente, o plenário está dividido, não houve um desembargue total para o palanque de Hartung. Neste sentido, a divisão da classe política começa a criar problemas para o ex-governador, que não conseguiu conter a ida do senador Ricardo Ferraço (PMDB) para o palanque palaciano. Apesar de muitas conversas, efetivamente, Hartung não conseguiu atrair as forças políticas para seu palanque, pelo menos por enquanto. Por isso, esse movimento de pressão dos dois lados em busca das forças políticas deve seguir até às vésperas das convenções partidárias. A estratégia do ex-governador é tentar minar o prestígio de Casagrande com o ataque de emissários, como o deputado Paulo Roberto (PMDB), na Assembleia, e o economista Haroldo Correia, que foi seu secretário de Educação do governo Hartung. A expectativa dos meios políticos é sobre a acomodação de PT e PSDB nos palanques apresentado. Onde um partido estiver o outro não estará por causa da pressão das nacionais. Como Hartung sinalizou uma aproximação com o PSDB do presidenciável Aécio Neves, o PT tenta uma movimentação para tirar os tucanos da jogada. Mas essa discussão deve depender do desempenho da presidente Dilma no Estado. Hartung pode ser o capitão do palanque da petista, se ela se recuperar da queda das últimas pesquisas. Enquanto Hartung observa o desempenho das lideranças nacionais, as lideranças locais aguardam o posicionamento dos possíveis candidatos.
MPES arquiva investigação contra prefeito de Cachoeiro de Itapemirim
O Ministério Público Estadual (MPES) oficializou nesta terça-feira (15) o arquivamento de um procedimento administrativo contra o prefeito de Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado), Carlos Casteglione (PT). Na decisão publicada no Diário Oficial do Estado, o procurador de Justiça Especial, Fernando Zardini Antonio, afirmou não ter vislumbrado indícios mínimos do cometimento de qualquer crime. O petista estava sendo investigado desde o final do ano passado após o recebimento de uma denúncia anônima pela promotoria local. A publicação não detalha o conteúdo da acusação (processo MP 47764/2013), que foi encaminhada à Procuradoria Geral de Justiça pelo promotor Luiz Agostinho Abreu da Fonseca. Consta no sistema processual do MPES que a denúncia teria como alvos o prefeito de Cachoeiro de Itapemirim e o deputado estadual Rodrigo Coelho (PT). No entanto, os primeiros levantamentos do órgão ministerial não indicaram a existência de qualquer desvio de conduta por parte dos agentes políticos. No texto, o procurador Fernando Zardini fez uma ressalva quanto à possibilidade de instauração de uma nova investigação, caso surjam fatos novos. Esse mesmo entendimento já havia sido adotado pelo procurador, que havia determinado o arquivamento de uma investigação semelhante contra o prefeito de Itapemirim, município vizinho, Luciano de Paiva Alves, o Doutor Luciano (PSB), na semana passada. Esse é o décimo arquivamento de investigação contra prefeitos desde a ampliação do rol de membros do MPES, que podem denunciar e arquivar processos contra chefes dos Executivos municipais. Desde o início de setembro passado, foram arquivadas investigações contra os prefeitos de São Mateus, Amadeu Boroto (PSB); de São Gabriel da Palha, Henrique Vargas (PRP); de Sooretama, Esmael Loureiro (PMDB); de Pedro Canário, Antonio Wilson Fiorot (PSB); de Vila Velha, Rodney Miranda; de Santa Teresa, Claumir Zamprogno (PSB); e de Marataízes, Jander Nunes Vidal (PSDB), este último com dois procedimentos arquivados. Segundo o Ato nº 012/2013, assinado pelo chefe da instituição, Eder Pontes da Silva, os membros da Procuradoria de Justiça Especial – composta pelos procuradores Fábio Vello Corrêa e Fernando Zardini – também poderão interpor recursos nos tribunais superiores, bem como promover o arquivamento de representações, notícias-crime e outros tipos de denúncia, até mesmo inquéritos policiais ou relatórios de Comissões Parlamentar de Inquérito (CPIs) contra os prefeitos municipais.
Ato público em defesa da educação reúne professores e alunos
Na manhã desta terça-feira (15) os alunos da rede estadual se uniram aos professores, que deflagraram greve nesta segunda-feira (14), em protesto em frente ao Edifício Fábio Ruschi, onde está localizada a Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (Seger). Os alunos caminharam da Praça do Cauê ao edifício, na Avenida Princesa Isabel, Centro da Capital, e realizaram um ato público em defesa da educação pública. Enquanto o ato era realizado na avenida, uma comissão de professores eleita pela base tentava negociar com o governo. No entanto, não houve nenhuma proposta do Estado. De acordo com o membro da comissão de negociação, Swami Cordeiro Bérgamo, o governo tem até amanhã (16) para apresentar proposta por escrito à comissão, caso reconsidere e quer atender às reivindicações dos professores. “As propostas têm de vir de maneira concreta. O governo teve quatro anos para atender, mas não o fez”, disse ele. Nesta quarta-feira (16) os professores realizam uma assembleia geral extraordinária no auditório do Sindicato dos Bancários do Estado (Sindibancários) para discutir a liminar que declarou a greve ilegal. Os alunos e familiares também foram convidados a participar da assembleia, que também vai contar com a presença de professores do interior do Estado. O ato público desta segunda foi marcado pelo pedido dos alunos, que pleiteiam melhores instalações das escolas, o fim da precarização do ensino e o aumento de professores bilíngues, que lecionem em português e na Língua Brasileira de Sinais (Libras). Durante o ato, a professora Rosalba Lima Coutinho, também da comissão de negociação, disse que a educação no Estado não passa de uma farsa, assim como a audiência realizada para negociação. Ela acrescentou que, a partir desta quarta-feira, a comissão só senta à mesa de negociações caso haja proposta concreta. O professor Júlio César, da Escola Estadual de Ensino Médio (EEEM) Arnulpho Mattos, lembrou que a liminar que declarou a greve ilegal estabeleceu multa diária ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado (Sindiupes) de R$ 20 mil. Ele sugeriu que, em vez de pagar os R$ 20 mil de multa, os professores deem aula de cidadania para 20 mil pessoas na rua. Os trabalhadores pleiteiam reajuste salarial para 2014, com aplicação da Lei do Piso; revisão dos planos de cargos, carreiras e salários vencidos; e eleição direta para direção escolar.
Euclério denunciou gastos com obras inacabadas de posto fantasma
A ação do Ministério Público Estadual (MPES) contra o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) sobre as obras inacabadas do Posto Fiscal São José do Carmo, em Mimoso do Sul, contou com um importante aliado: o deputado estadual Euclério Sampaio (PDT). A atuação do parlamentar foi determinante para a caracterização do escândalo do posto fantasma. Em março do ano passado, o pedetista visitou, fotografou o “posto” e denunciou a inexistência de qualquer obra no local. Tanto que as declarações de Euclério à imprensa foram utilizadas no decorrer da instrução do processo. Juntamente com o colega de plenário, Gilsinho Lopes (PR), o pedetista correu atrás de adesões para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). No entanto, a iniciativa acabou esbarrando no movimento de blindagem ao ex-governador, que mesmo longe do poder, mantém influência a um grande número de parlamentares. Mesmo sem a CPI do posto fantasma, Euclério conseguiu colocar o caso sob os holofotes da mídia. Em parte, devido às fortes declarações do parlamentar contra o peemedebista. Durante uma visita ao local, no dia 21 de março de 2013, Euclério fotografou “grandes montes de pó de brita e cascalho” (materiais utilizados para dar aspecto de asfalto) durante toda extensão do local onde deveria funcionar o posto fiscal, que seria construído na BR-101 sul. “Não sei se era entulho ou foi colocada para maquiar o local”, questionou o pedetista, que classificou a obra como “fantasma”, cravando a alcunha que o caso passaria a ser conhecido. Logo após a denúncia do parlamentar sobre uma eventual tentativa de maquiagem, o promotor de Justiça, Dilton Depes Tallon Netto, autor da ação de improbidade, solicitou à Justiça que proibisse a realização de qualquer nova intervenção no local. O pedido não foi inteiramente atendido, mas o juízo determinou que o governo do Estado comunicasse previamente a realização de qualquer obra no local. Uma vitória para o órgão ministerial, que reafirmou a participação do parlamentar no episódio. Na época do escândalo, Euclério denunciou que os gastos com a empreitada não resultaram em qualquer tipo de benfeitoria, com exceção dos serviços de terraplanagem – único tipo de intervenção no local. “O que eu vi foi uma pouca vergonha: não tem um centímetro de asfalto e o local serve ainda como depósito de lixo. O piso é todo de terra batida, mal suporta o peso de um veículo. Quero saber onde estão os R$ 25 milhões que foram gastos. Temos que descobrir esse dinheiro, porque ali [nas obras do posto fiscal] ele não está”, discursou, na tribuna da Assembleia. O deputado também criticou a postura dos colegas na blindagem ao ex-governador. Em outro momento, ele afirmou que “Paulo Hartung trabalhou, mas deixou muitas dúvidas sobre o trabalho realizado”. Durante uma sessão da Comissão de Infraestrutura da Casa, o pedetista criticou as declarações do então presidente do Banestes (secretário da Fazenda na época da extinção do posto), Bruno Pessanha Negris, quando ressaltou ter feito parte do governo passado. “Ninguém pode justificar um ato ilícito só porque nunca foi denunciado”, respondeu o parlamentar.
Diferença eleitoral entre Casagrande e Hartung se mantém na Serra
A disputa entre o governador Renato Casagrande e o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) será dura também no município do Serra. Embora a classe política olhe com desconfiança os levantamentos da Futura, devido a seu desempenho em pleitos anteriores, caso se confirme o cenário apontado pela pesquisa publicada no jornal A Gazeta desta terça-feira (15), a disputa polarizada deve dividir o eleitorado do município. Mas, se considerado o levantamento espontâneo, a diferença entre Casagrande e seu antecessor se mantém em relação à pesquisa realizada no município de Vila Velha e Casagrande lidera com uma margem de seis pontos. Segundo a pesquisa espontânea, Casagrande tem 19,5% das intenções de votos, enquanto Hartung tem 13,5%. Os dados de Vila Velha mostravam Casagrande com 19,1% e Hartung com 12,9%. Já na estimulada, os dois nomes colocados ao governo do Estado, até o momento, aparecem em empate técnico, com 30,8% para o governador e 27% para o peemedebista. Um dado que chama a atenção é o desempenho do senador Magno Malta (PR). Na estimulada, ele aparece tecnicamente empatado com Hartung, com 24% das intenções de votos, e na espontânea, com 8,5%. A explicação está na ligação política do senador com o ex-prefeito Sérgio Vidigal (PDT), que sempre lhe garantiu um espaço político forte no município. O fato de a pesquisa ter sido feita em bairros de baixa renda da Serra também favorece o bom desempenho do senador do PR. A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) com o número 00002/2014 e ouviu 400 pessoas entre os dias 4 e 5 de abril. A margem de erro é de 4,9% para mais e para menos e o grande número de indecisos 45,5% , porém, deixam o cenário impreciso para um diagnóstico de uma disputa estadual. O próximo município a ser pesquisado é o de Cariacica.
Grupo cearense Teatro Máquina entra em temporada no Carlos Gomes
Um homem, um amor já desgastado e uma revolução iminente. Uma revolução tanto política e social, que se encontra o seu país, quanto emocional e intimista e Ivanov precisa enfrentar as duas. O personagem é o protagonista do espetáculo que leva seu nome, que será encenado pela Companhia cearense Teatro Máquina. O texto é do dramaturgo russo Anton Tchékhov (1860-1904) e se passa no final do século XIX no contexto da Revolução Russa. A adaptação do Teatro Maquina chega para temporada no Theatro Carlos Gomes. Serão quatro apresentações que acontecerão na quinta-feira (17), sexta-feira (18), sábado (19) e domingo (20). Ao final do segundo dia (18) de espetáculo, o público será convidado a participar de um debate com os integrantes da companhia. Todas as apresentações são gratuitas. Os ingressos poderão ser retirados, a partir das 14 horas do dia de cada apresentação na bilheteria do Theatro Carlos Gomes. Cada sessão receberá até 80 pessoas, pois a plateia é montada no palco do teatro. A diretora da peça, Fran Teixeira, explica que “a necessidade da plateia pertinho é para que possamos nos fazer escutar e ver, já que trabalhamos em alguns momentos a voz e algumas micro-ações, como abrir um livro, retirar a poeira dos móveis, ou quando um personagem diz para o outro algo pertinho do ouvido, confissões, pedidos mais íntimos”. O público ficará em uma arquibancada no palco dividindo o espaço com o elenco. Outro ganho com essa proximidade é que os atores não precisam projetar a voz nem agir de forma exagerada. Fran Teixeira que esse minimalismo na atuação transmite mais verdade ao que é dito e aproxima a plateia como testemunha. Entretanto, ele também conta que algumas cenas são mais discretas de propósito para incitar a curiosidade e imaginação do público, “os espectadores são testemunhas, mas também voyers”. Assim como em outras peças de Tchékhov, os afetos familiares, o amor e as experiências humanas são temáticas bem presentes em Ivanov. Além do conflito político que o personagem vive, outras dúvidas lhe tomam. Ele já não ama mais a esposa Anna, que padece de tuberculose e que, judia, converteu-se à fé cristã para casar-se com ele; ao mesmo tempo, Ivanov se percebe arrebatado por uma paixão pela jovem Sasha. Outra característica do espetáculo é a forma como o tempo é narrado. “Esse tempo é um presente cheio de passado, com medo de futuro, suspenso em vazios da palavra e da ação que não se conclui”, explica Fran Teixeira. Na história, o jovem, melancólico e nostálgico Ivanov, com muitas dívidas e sem fé, descreve friamente os fatos acontecidos. A peça original se passa na Rússia do fim do século XIX, mas a antiguidade do texto não foi problema para o Teatro Maquina. “Acho que há uma certa necessidade de compreender uma montagem de um texto antigo a partir da sua atualidade. Não nos cabe apontar isso no texto, mas atualiza-lo apenas pelo gesto de montá-lo hoje”, diz Fran. Para o grupo, o que interessa é a humanidade das figuras construídas por Tchekhov e as reações desses personagens diante de crises e das pressões sociais, econômicas, familiares. “Demos a forma que entendemos como a mais interessante para nós, com figuras expostas, com aproximação, com economia de elementos, com silêncios e gestos que falam muito”, completa a diretora. Com dez anos de atuação, o grupo Teatro Máquina é de Fortaleza e possui uma trajetória marcada pela experimentação. Os primeiros ensaios da peça Ivanov começaram em 2010 e desde então foi um período intenso de imersão na dramaturgia de Tchekhov, estudando as cartas, os contos, os filmes e as fotografias do escritor russo. “Nós, como grupo, precisamos do público no nosso trabalho, nos alimentados de sua atenção, de sua respiração, de seu olhar. E acreditamos também que o teatro acontece quando se nutre desse encontro”, finaliza Fran Teixeira. Serviço O espetáculo Ivanov será apresentado nesta quinta-feira (17), sexta-feira (18), sábado (19), às 20h, e no domingo (20) às 19h, no Theatro Carlos Gomes. Entrada Gratuita. Os ingressos poderão ser retirados, a partir das 14 horas do dia de cada apresentação na bilheteria do Theatro Carlos Gomes.