O Ministério Público Especial de Contas (MPC) divulgou nesta quinta-feira (10) a relação dos maiores salários, pensões e aposentadorias da administração pública estadual no ano de 2013. Entre os servidores ativos, somente os 600 maiores salários brutos – sem levar em consideração os descontos legais – somaram R$ 150 milhões. A lista foi encabeçada pelo procurador-geral do Estado, Rodrigo Marques de Abreu Júdice, cujo vencimento bruto foi de R$ 570,67 mil. Com os descontos, porém, ele embolsou pouco mais de metade desse valor (R$ 367,23 mil). Segundo a planilha, baseada em dados do Portal da Transparência do governo estadual, entre os 50 maiores salários brutos do Estado, 24 são procuradores, 19 auditores fiscais, três médicos (sendo um deles legista e dois ligados à Secretaria de Saúde), dois delegados da Polícia Civil, um consultor da Secretaria da Fazenda e um defensor público – no caso, o chefe da Defensoria, Gilmar Alves Batista, que ocupou a 49ª colocação nesse ranking. Apesar dos valores significativos da remuneração bruta, os dados divulgados pelo MPC precisam ser analisados com cautela. No caso do procurador-geral, o valor da remuneração bruta gira em torno de R$ 35 mil mensais. Essa conta leva em consideração o salário base de um procurador do Estado (R$ 21.538,30), além da inclusão de gratificações por desempenho de função (R$ 3,4 mil no caso de Júdice, que chefia o órgão) e mais verbas de representação. No entanto, esse salário bruto sofre a ação do abate-teto em função do salário do procurador não ultrapassar o salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), em torno de R$ 28 mil. De acordo com a tabela, o abate-teto “abocanhou” R$ 87,6 mil da remuneração bruta de Rodrigo Judice, que foi um dos poucos procuradores a ser alvo do desconto pelo fato da proximidade do salário do restante da categoria do teto. Além disso, a remuneração também sofre a incidência do Imposto de Renda e da contribuição previdenciária, como os demais trabalhadores (somadas elas resultaram no desconto legal de R$ 115,76 mil). Com isso, o valor bruto do salário de Rodrigo Júdice “caiu” para R$ 367,23 mil – o que representa uma remuneração líquida média de R$ 30,6 mil mensais. O valor continua acima do teto constitucional. Esses tipos de descontos e abatimentos também são observados tanto no restante dos salários de servidores ativos quanto dos pensionistas e aposentados. Segundo a planilha do MPC, o valor da remuneração bruta com as 100 aposentadorias mais altas do Estado chega a R$ 35,49 milhões. Já os 200 maiores pensionistas são responsáveis por vencimentos na ordem R$ 25,13 milhões, números que também não incluem os descontos legais e os chamados abate-tetos. Entre as maiores aposentadorias, o primeiro lugar no ranking chama atenção à primeira vista. Trata-se do coronel da Polícia Militar Milton Monjardim Filho, aposentado desde o ano de 1986. Na lista, o valor da remuneração bruta foi de expressivos R$ 938,46 mil no ano passado, porém, a maior parte deste valor foi “engolida” pelo abate-teto (R$ 696,63 mil). Com isso, menos os impostos, o valor líquido da aposentadoria do oficial militar foi de R$ 176,72 mil, o que dá aproximadamente R$ 14,7 mil por mês. Esse número fica próximo à remuneração de um coronel da ativa. No caso dos pensionistas do Estado, o ranking foi liderado por Maria de Lourdes Carvalho Silva, que recebe a pensão de um técnico superior operacional do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado (DER-ES) falecido em 1998. Consta na lista que o rendimento bruto no período foi de R$ 442,28 mil, porém, o valor líquido recebido efetivamente acabou sendo de R$ 208,4 mil – o que representa uma pensão mensal de R$ 17,36 mil. Controle social O estudo é uma complementação ao levantamento divulgado no final de março que mostrou um “raio-x” da estrutura de pessoal do governo do Estado. Em nota, o MPC informou que os dados foram compilados com o objetivo de “incentivar a realização de trabalhos semelhantes que permitam a ampliação do controle social sobre a realização das despesas públicas”. O levantamento também pretende dar mais transparência a esses dados e torná-los de mais fácil visualização e compreensão por parte dos cidadãos. As planilhas mostram os valores recebidos mês a mês por cada servidor ativo, aposentado e pensionista, além da quantia total bruta, sem descontos, recebida ao longo de 2013. É possível visualizar em destaque, por exemplo, os 600 servidores ativos com maiores rendimentos brutos, sejam comissionados, efetivos, temporários ou contratados via CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), entre outros vínculos. Não foram somados os valores recebidos a título de diárias pelos servidores ativos, informou o MPC. Devido ao fato de não constarem na base de dados do Poder Executivo, os servidores de empresas e entes públicos como Cesan, Ceturb, Banestes e Bandes, Cesan e Ceturb não estão listados no levantamento. Também não foram divulgadas as informações relativas aos beneficiários de aposentadorias e pensões da Assembleia Legislativa, Tribunal de Contas do Estado (TCE), Tribunal de Justiça do Estado (TJES) e do Ministério Público Estadual (MPES), que também recebem seus benefícios por meio do Instituto de Previdência dos Servidores do Espírito Santo (IPAJM). Todas as planilhas foram disponibilizadas para consulta no site do MP de Contas. Clique nos links abaixo para acessar cada um dos arquivos (em formato zip, podendo ser visualizados através do programa Microsoft Excel) Ficha financeira dos servidores ativos Ficha financeira dos aposentados Ficha financeira dos pensionistas
Justiça estadual encerra ação popular contra ex-governador Vitor Buaiz
A juíza da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual, Telmelita Guimarães Alves, declarou extinta uma ação popular contra o ex-governador Vitor Buaiz, que chefiou o Poder Executivo entre os anos de 1995-1998. Na decisão publicada nessa terça-feira (8), a magistrada pronunciou a decadência do processo, isto é, quando se perde o direito de impugnar qualquer ato supostamente lesivo. Neste caso, a autora da ação, uma advogada mineira (Neuza Maria de Assis Manco) questionava a legalidade de uma transação bancária, ocorrida no início de 1995. Nos autos do processo (0015872-33.2013.8.08.0024), a advogada levantou a possibilidade de ter ocorrido pagamentos indevidos por conta dos encargos previstos no contrato firmado entre o Estado do Espírito Santo e o Banco Fibra, que também aparecem como réus no processo. Entretanto, a magistrada levou em consideração a questão técnica levantada pela defesa do ex-governador, que negou a existência de qualquer irregularidade na operação. “Nessa demanda, o requerido alegou decadência da ação, na medida em que se passaram mais de cinco anos entre a celebração do contrato e o ajuizamento dessa ação popular, que ocorreu no ano de 2013. Sobre essa questão, a Lei nº 4.717/65, que trata especificamente sobre a ação popular, estabelece que a ação prescreve cinco anos. Pelo exposto, pronuncio a decadência da presente ação popular e, por conseguinte, julgo extinto o processo com resolução de mérito”, afirmou. Na decisão assinada no último dia 31, a juíza deixou de condenar a autora da ação ao pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios. Telmelita Ales destacou que a sentença deverá ser ratificada pelo Tribunal de Justiça do Estado (TJES) devido ao chamado duplo grau de jurisdição.
Código Florestal: Comissão de Agricultura do Senado ressuscita polêmica das APPs
A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado aprovou, nesta quinta-feira (10), projeto da senadora Ana Amélia (PP-RS) que dá aos municípios autonomia para determinar a largura das Áreas de Preservação Permanente (APPs) no entorno de cursos d’água em espaços urbanos. A matéria modifica o Código Florestal (Lei 12.651/2012). De acordo com a proposta, o tamanho mínimo da área de vegetação ao longo de rios ou no entorno de lagoas deverá ser estabelecido nos planos diretores dos municípios e em leis sobre uso e ocupação do solo. Além disso, para a delimitação das APPs, serão consideradas as determinações da Defesa Civil, com submissão aos Conselhos Estaduais e Municipais de Meio Ambiente. Ana Amélia, conhecida por defender os interesses da bancada ruralista no Congresso Nacional, argumenta que o atual Código, sancionada pelo presidente Dilma Rousseff há dois anos, é inadequado por considerar as regras relacionadas às APPs tanto para as áreas rurais quanto urbanas, resultando em “obstáculos para muitos prefeitos”. Com o projeto, a senadora pretende modificar os índices atuais definidos após muito impasse entre ruralistas e ambientalistas. Estes determinam que imóveis com mais de quatro módulos fiscais devem recuperar Áreas de Preservação Permanente desmatadas às margens de rios em índices que variam entre 20 e 100 metros, conforme o tamanho do curso d'água. Já os pequenos devem recompor as matas ciliares em índices que vão de 5 a 15 metros, dependendo da extensão da propriedade e independentemente da largura do rio. Para lagoas em áreas urbanas devem ser mantidas faixas de, no mínimo, 30 metros de largura. O projeto da senadora está longe de ser consenso. Pelo contrário, os respeito aos limites das APPs em áreas urbanas são apontados por pesquisadores e especialistas como imprescindíveis para conter deslizamentos de encostas e, assim, evitar tragédias com perdas humanas e econômicas, como já registrado em algumas regiões do País. Dispositivo semelhante ao proposto pela senadora constava do projeto de novo Código Florestal aprovado no Congresso, mas foi vetado pela presidente Dilma Rousseff. A matéria que acaba de passar pela Comissão de Agricultura, também já foi aprovado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e agora segue para decisão terminativa da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA). Na última quarta-feira (4), outro projeto que trata de ponto vetado pela presidente, que igualmente modifica o Código, foi aprovado na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados. Trata-se da possibilidade de utilizar árvores frutíferas para recompor APPs, proposta do deputado Afonso Hamm (PP-RS). Atualmente, a lei determina que a recomposição será feita com a regeneração ou plantio de espécies nativas; a conjugação entre a regeneração e o plantio de mata nativa; ou o plantio intercalado de espécies nativas com outras lenhosas, perenes ou de ciclo longo. O projeto tramita em caráter conclusivo na Câmara e será analisado pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Constituição e Justiça, e de Cidadania. Lentidão Embora aprovado há dois anos, o novo Código Florestal ainda não teve sua devida implementação, motivo de constante preocupação e críticas de entidades ambientalistas. Um das principais ferramentas da legislação, o Cadastro Ambiental Rural (CAR), que consiste no levantamento de informações geográficas do imóvel, com delimitação das Áreas de Proteção Permanente (APPs), Reserva Legal (RL) e remanescentes de vegetação nativa, bem como a identificação dos passivos ambientais, até hoje não foi regulamentado em nível federal. Sem o cadastro, os proprietários rurais de imóveis irregulares não podem se inscrever no Plano de Regularização Ambiental (PRA), para assim terem definidas as medidas de recuperação das áreas legalmente protegidas desmatadas antes de 2008. Entidades alertam que o prazo para implantação do PRA já foi encerrado em maio de 2013. A prorrogação dependia de um ato do governo federal, o que ainda não aconteceu. No Espírito Santo, é responsável pelo CAR o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf). Ao todo cerca de 120 mil imóveis rurais nos municípios capixabas terão que ser registrados.
Governo retoma negociação com os servidores públicos
Na manhã desta quinta-feira (10), após assembleia geral unificada, representantes do Sindicato dos Servidores Públicos do Estado (Sindipúblicos) e de entidades classistas foram recebidos para reunião no Palácio da Fonte Grande, sede administrativa do governo do Estado. O interlocutor, desta vez, não foi o secretário de Estado de Gestão e Recursos Humanos, Pablo Rodnitzki, mas o secretário de Estado de Governo, Samir Nemer, que se comprometeu em avançar com a negociação. “Não sou de enrolar ninguém. Mesmo que a resposta seja negativa, vocês serão comunicados oficialmente e com as devidas justificativas para podermos avançar o pleito, e os pontos possíveis, como e quando podemos atendê-los”, disse o secretário. Apesar da reunião, os servidores se mostraram incrédulos e decepcionados com o governo. “Esperamos poder acreditar que agora nosso pleito seja realmente atendido. Mas estamos muito decepcionados em saber que, apesar de inúmeros ofícios encaminhados aos secretários, bem como o governador, além de uma greve geral, o secretário não sabia de nosso pleito” desabafou uma servidora. Quanto ao corte de ponto dos servidores que participaram da assembleia geral da última sexta-feira (4), o secretário se comprometeu em levar ao governo a reivindicação dos servidores para que o ponto não seja cortado, já que os trabalhadores não estavam em greve, mas participando de uma assembleia. Na última semana, os servidores deflagraram greve, que foi decretada ilegal na última no dia 2 de abril e suspensa na manhã da última quinta-feira (3). A categoria reivindica a concessão do auxílio-alimentação para os servidores que recebem por subsídio, atualmente muitos sequer recebem o benefício, outros apenas R$ 132, enquanto no Judiciário o valor passa dos R$1,6 mil; reajuste do auxílio-alimentação, sem reajuste desde 1997; política pública de gestão de pessoas que contemple as demandas dos servidores; reposição das perdas salariais e fixação da data base em mês específico; e regulamentação do adicional de insalubridade e do auxílio-creche.
Ana Rita é uma das parlamentares mais influentes da internet
Apesar de ter um espaço muito reduzido na imprensa capixaba, a senadora Ana Rita (PT) consegue se comunicar com seus eleitores por meio das redes sociais. E sua interação na internet a levou a um grupo seleto de parlamentares que obteve notas seis e sete, na pesquisa Medialogue Político. O Espírito Santo é o terceiro colocado na categoria bancadas estaduais com mais fãs no Facebook por parlamentar (13.016), perdendo apenas para o Rio de Janeiro e Amazonas – 15.916 e 15.575, respectivamente. O levantamento analisou mais de 75 mil informações dos deputados e senadores. A maioria obteve nota quatro. Entre os congressistas, o grupo em que Ana Rita faz parte tem 59% dos seguidores no Twitter e 44% no Facebook. A senadora teve nota 6 e faz parte do grupo de 10% de mulheres, 67% dos governistas e 53% no primeiro mandato. A pontuação dos parlamentares é resultado de uma combinação de indicadores qualitativos e quantitativos. O objetivo da pesquisa, que está em sua segunda edição, é contribuir para compreensão e para a melhor utilização da internet e das redes sociais na política. A distância que separa a média dos parlamentares mais influentes, segundo o estudo, é relativamente grande. Entre os mais influentes, 83% mantêm seus blogs atualizados, contra 53% da média. Os influentes têm, em média, quatro vezes mais fãs no Facebook e três vezes mais seguidores no Twitter. Também são mais cuidadosos com mensagens enviadas por eleitores: mais da metade responde aos e-mails, contra apenas 20% da média dos parlamentares.
TJ suspende prazos de processos eletrônicos em Juizados Especiais
Depois dos problemas com o sistema de processos eletrônicos (e-JUD2) implantados nas varas comuns, o Tribunal de Justiça de Estado (TJES) determinou a suspensão dos prazos e da realização de audiências nos Juizados Especiais atendidos pelo sistema e-process. De acordo com o Ato Normativo nº 36/2014, assinado pelo presidente da corte, desembargador Sérgio Bizzotto, a medida se deve às queixas de instabilidade do sistema, utilizado em 11 juizados nos municípios de Vitória e Vila Velha, além das três turmas recursais. O texto prevê a suspensão terá vigência de 15 dias, a contar da publicação do ato no Diário da Justiça. Com isso, a contagem dos prazos processuais e a realização de audiência só devem ser retomadas no dia 29 deste mês. Neste período, a área técnica do TJES deve realizar os estudos para a consolidação de medidas para a manutenção do sistema. As queixas sobre a utilização do sistema partem de magistrados, servidores e advogados cadastrados no e-process. Atualmente, o Judiciário capixaba conta com 14 unidades atendidas pelo sistema de processo eletrônico. Em Vitória, os sete juizados especiais cíveis utilizam o e-process, sendo que o 6º e 7º juizados utilizam somente o processo virtual, sem a utilização de meio físico (papel). Em Vila Velha, o sistema está presente nos quatros juizados especial cíveis. Além disso, o e-process também é utilizados pelas três turmas do Colegiado Recursal dos Juizados Especiais da Grande Vitória. Os problemas com o sistema de processo eletrônico remetem às falhas encontradas na execução do e-JUD2, criado pelo próprio tribunal e que será substituído pelo Processo Judicial Eletrônico (PJe) – modelo adotado como referência pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Desde o ano passado, há relatos de advogados sobre o mau funcionamento dos sistemas, porém, somente a partir deste ano, o tribunal está atacando diretamente o problema. Antes de decidir pela substituição do sistema utilizados nas varas comuns e até pelos gabinetes de desembargadores, Sérgio Bizzotto havia determinado a suspensão do cronograma de instalação do e-JUD2 em novas varas, além da realização de estudo sobre a viabilidade do modelo implantado em 68 unidades. No entanto, a administração do tribunal decidiu pelo modelo criado pelo CNJ e que deve ser instalado nos demais TJs do país. O sistema e-JUD2 foi criado e começou a ser implantado na gestão do antecessor, desembargador Pedro Valls Feu Rosa. Desde o início da migração, existiam relatos sobre falhas técnicas na operação do sistema. Em todos os atos relacionados à suspensão do modelo de processo eletrônico, o desembargador Sérgio Bizzotto destacou que a Constituição Federal garante a “razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”. Em alguns casos, as etapas de transição do processo físico para o digital prejudicou os próprios trabalhos na vara. Na 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual, os trabalhos ficaram suspensos por mais de dois meses devido à digitalização dos processos – cujos trabalhos foram suspensos pelo Tribunal Pleno após o relato de falhas na execução do serviço, feito até então por uma empresa contratada.
TJES cria grupo de trabalho para tratar de adoções no Estado
O corregedor-geral de Justiça, desembargador Carlos Roberto Mignone, instituiu um grupo de trabalho (GT) no âmbito do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) para estudos e proposições relacionados à adoção de crianças e adolescentes no Estado. O objetivo do grupo é uniformizar as informações, documentos, procedimentos e campanhas relacionados ao tema. A criação do GT considera que a atuação isolada de diferentes equipes na elaboração de formulários, informativos e ações de sensibilização à adoção acarreta na falta de identidade institucional, retrabalho e custos desnecessários ao poder judiciário. O grupo de trabalho vai ser supervisionado pela Corregedoria Geral de Justiça, através da juíza à disposição do órgão Marlúcia Ferraz Moulin. As ações propostas pelo grupo vão ser executadas em parceria e com a supervisão das Varas de Infância e Juventude do TJES, podendo ainda estabelecer cooperação com o Ministério Público Estadual (MPES), Defensoria Pública e outros órgãos do poder executivo com atuação em políticas de garantia ao direito à convivência familiar e comunitária. De acordo com dados da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja-ES) crianças com idade a partir de 3 anos são mais difíceis de adotar. E, a partir dos 10 anos, a adoção fica ainda mais difícil. Junto a isto está a dificuldade relativa à exigência dos adotantes. Por exemplo, irmãos que estão nos abrigos. Dificilmente os casais brasileiros querem adotar irmãos, mas, há exceções. No Estado existem 143 crianças e adolescentes acolhidos com processo de destituição transitado em julgado, ou seja, aptas à adoção. Atualmente, existem 39 pretendentes estrangeiros à adoção, com habilitação válida, cadastrados no Estado. Já brasileiros na mesma situação, são 820.
Ex-prefeito de Aracruz é absolvido de acusação de improbidade
O Segundo Grupo de Câmaras Cíveis Reunidas do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) julgou improcedente, nesta quarta-feira (9), uma ação de improbidade administrativa contra o ex-prefeito de Aracruz, Ademar Coutinho Devens (PMDB). O colegiado deu provimento aos embargos infringentes para ratificar a decisão de 1º grau, que absolveu o ex-prefeito da acusação por supostas irregularidades em contrato na área de saúde. Na decisão, os desembargadores ficaram “convencidos da boa-fé do agente público e da inexistência de ato de improbidade”. De acordo com informações do TJES, o julgamento dos embargos (0002681-14.2009.8.08.0006) foi retomado com o voto da desembargadora substituta Marianne Júdice de Mattos, que pediu vistas do processo. Ela acompanhou o entendimento do relator, desembargador Ronaldo Gonçalves de Sousa, pela absolvição do ex-prefeito. Na sessão do último dia 12 de fevereiro, o magistrado entendeu que a aplicação da Lei de Improbidade deve “alcançar “somente o agente inescrupuloso, desonesto, que se vale da ilegalidade para patrocinar interesses particulares em detrimento da moralidade administrativa”, o que não teria relação com o episódio ocorrido em 2007. Na denúncia inicial, o Ministério Público Estadual (MPES) alegava que o então prefeito teria prorrogado o contrato com a empresa Instituto Excellence, que venceu uma licitação considerada posteriormente como irregular. A promotoria sustentava que o TJES determinou a contratação da empresa para a prestação de serviços essenciais para a Secretaria Municipal de Saúde, mas não obrigava a prorrogação do vínculo com a empresa, que não foi alvo de qualquer reprimenda em decorrência da execução dos serviços. Em primeiro grau, o juízo da Vara da Fazenda Pública local julgou a ação como improcedente devido à falta de comprovação de enriquecimento ilícito dos envolvidos e a ocorrência de prejuízo ao erário. Pelo contrário, a decisão indicou que não houve qualquer ato contra os princípios da administração pública. Na ocasião, o juízo destacou que a saúde “é serviço público essencial que não comporta interrupção” e que a prorrogação do contrato “evitou um mal maior à própria sociedade”. O Ministério Público recorreu ao Tribunal de Justiça e a sentença acabou sendo anulado por dois votos contra um pela Segunda Câmara Cível. À época, os desembargadores Carlos Simões Fonseca e Namyr Carlos de Souza Filho entenderam que, havendo meros indícios de cometimento de atos enquadrados na Lei de Improbidade Administrativa, a petição inicial devia ser recebida. No entanto, a defesa do ex-prefeito recorreu novamente e conseguiu reverter à decisão do colegiado. A partir de agora, o MPES só pode recorrer da absolvição do ex-prefeito nas instâncias superiores.
Portaria da Seger disciplina participação de servidores nas eleições
O secretário estadual de Gestão e Recursos Humanos, Pablo Rodnitzky, publicou no Diário Oficial do Estado desta quinta-feira (10) uma portaria disciplinando a participação dos servidores do Estado nas eleições deste ano. Os procedimentos tratam das licenças para as atividades políticas dos servidores que serão candidatos e não têm efeito para servidores contratados exclusivamente em cargo de comissão e por tempo determinado Pela portaria, os titulares de cargo efetivo que pretendem disputar as eleições deste ano devem se afastar no dia 5 de julho próximo, em obediência ao prazo de desincompatibilização. Os vencimentos ficam assegurados no período. Já os servidores do Fisco Estadual têm de atender ao prazo de seis meses, que se encerrou no último dia 5. O requerimento para os servidores que desejam se afastar deve ser preenchido no site da Seger e protocolado até o dia 4 de julho. Junto com o formulário do pedido de afastamento, o servidor deve apresentar também copia da convenção partidária que indicou os candidatos ao pleito. Cópia da certidão expedida pela Justiça Eleitoral com a homologação do registro de candidatura, que pode ser apresentado até 30 de setembro. Caso haja algum problema com a candidatura do servidor, ele deverá retornar às atividade funcionais no primeiro dia subsequente ao indeferimento de sua candidatura ou à votação. Se isso não acontecer, a ausência será considerada falta injustificada e os valores recebidos deverão ser devolvidos. No caso dos cargos em comissão, os servidores devem apresentar exoneração até 4 de julho. A partir desta data o governo do Estado ficará proibido de contratar, nomear ou demitir sem justa causa, assim como remover ou promover os servidores públicos no Estado. O governo também ficará proibido de realizar transferência voluntária de recursos a municípios, sob pena de nulidade. Os recursos permitidos são aqueles destinados a cumprir obrigação formal preexistente para execução de obra ou serviço em atendimento a algum cronograma prefixado ou em caráter de emergência ou calamidade pública. Também está proibida a propaganda institucional de atos, campanha dos órgãos públicos e entidades da administração indireta, com exceção da propaganda de serviços que tenham concorrência no mercado. O governador está proibido de fazer pronunciamento em cadeia fora do horário eleitoral, de comparecer a reuniões públicas como inaugurações, shows artísticos pagos com dinheiro público e outros.
Sindicato dos servidores do Iases vai entrar com ação contra o governo por contratações temporárias
O Sindicato dos Servidores do Sistema Socioeducativo do Estado (Sinases) vai entrar com ação contra o governo, questionando a contratação temporária de 742 servidores no âmbito do Instituto de Atendimento Socioeducativo (Iases), em detrimento da realização de concurso público para o provimento dos cargos. De acordo com o presidente do Sinases, Bruno Menelli Dalpiero, o ex-diretor-presidente da autarquia, Lindomar José Gomes, após diversas reuniões com os servidores, havia prometido realização de concurso para preenchimento de, pelo menos, 700 vagas no Iases. Lindomar deixou o comando do instituto em janeiro deste ano, dando lugar ao delegado de Polícia Civil, Leonardo Piquet. Nesta segunda-feira (7) o governo publicou a lei complementar 772/14, que cria 742 vagas temporárias na estrutura do Iases. Essas vagas não têm caráter efetivo, sendo o contrato de 12 meses, podendo ser prorrogado por mais 12. Dentre as 742 vagas criadas estão 30 de analista de suporte socioeducativo distribuídas nas áreas de administração, contabilidade, direito e economia, e jornalismo; uma de nutricionista socioeducativo; 21 de pedagogo; 29 de psicólogo; 28 de assistente social; 37 de assistente de suporte; e 578 de agente socioeducativo. Rebelião A rebelião deflagrada na Unidade de Atendimento Socioeducativo (Unis) de Cariacica, nessa quarta-feira (9), teve início depois que os internos souberam que os contratos de cerca de 80 agentes socioeducativos da unidade seriam encerrados. Os adolescentes pensaram ser fácil fugir, por conta do número reduzido de agentes, mas foram contidos na portaria da unidade e levados para a quadra. De lá, subiram para o telhado e, com o auxílio de paus e pedras, deram início ao motim. Bruno salienta que o Iases não tem condições de receber tantos adolescentes nas unidades, que estão superlotadas. As vagas na autarquia devem ser ocupadas por servidores efetivos, como ressaltou o presidente do Sinases.