Vila Velha vai receber uma apresentação inédita nesta quarta-feira (9): a Orquestra de Câmara de Budapeste. O concerto será no Santuário de Vila Velha, no Centro, a partir das 20 horas. A entrada é franca. Conhecida como MAV Chamber Orchestra, a Orquestra de Câmara de Budapeste foi criada em 1992 por jovens pertencentes à Fundação Weiner-Szász de Budapeste, grupo húngaro com mais de 60 anos de atividades. Seu objetivo principal é a preservação da mais fina tradição da música de câmara da Hungria, com repertório extenso que abrange desde o período barroco até o século XX. Além de suas temporadas de concertos, a orquestra já excursionou pela Itália, Espanha, Áustria, Alemanha e realizou muitos concertos em festivais. A apresentação faz parte de uma série de Concertos Internacionais promovida pela Secretaria de Cultura e Turismo de Vila Velha e a Associação Cultural Ricardina Stamato. A Série Concertos Internacionais tem direção artística de Gracinha Neves. Serviço Série de Concertos Internacionais acontece nesta quarta-feira (9), às 20 horas, no Santuário Divino Espírito Santo. Rua Cabo Simões, 762, Centro, Vila Velha
De volta às livrarias, o clássico que inspirou o filme Blade Runner
Vários sucessos do cinema foram inspirados na obra de Philip K. Dick, mas nenhum tão simbólico para sua época quanto Blade Runner – O Caçador de Androides. O filme de Ridley Scott foi baseado no livro Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?, lançado pela Editora Aleph. A presente edição, publicada no Brasil pela primeira vez com o título traduzido fielmente do original, traz uma série de extras inéditos em português: uma carta emocionante do Dick aos produtores de Blade Runner, na qual elogia o filme, a última entrevista concedida pelo autor, publicada na revista The Twilight Zone, e um posfácio escrito pelo jornalista, escritor e tradutor desta edição, Ronaldo Bressane, que faz uma análise crítica da obra e traça paralelos entre filme e livro. A Editora Aleph ainda disponibilizou outros materiais no site www.ovelhaseletricas.com.br, como um extenso e divertido perfil de Philip K. Dick escrito em 1975 pelo célebre jornalista e editor Paul Williams, para a revista Rolling Stone; trechos suprimidos; e o áudio original de sua última entrevista. A trama do livro se passa em um planeta Terra devastado por uma guerra atômica, grande parte da população sobrevivente emigra para os mundos-colônias, fugindo da poeira radioativa que extinguiu inúmeras espécies de animais e plantas. Toda criatura viva se torna, então, um objeto de desejo para aqueles que permaneceram, mas esse é um privilégio de poucos. Para a maioria que não pode pagar por um espécime autêntico, empresas começam a desenvolver réplicas eletrônicas e incrivelmente realistas de pássaros, gatos, ovelhas… e até mesmo de seres humanos. Rick Deckard é um caçador de recompensas. Seu trabalho: eliminar androides que vivem ilegalmente na Terra. Seu sonho de consumo: substituir sua ovelha de estimação elétrica por um animal de verdade. A grande chance aparece ao ser designado para perseguir seis androides fugitivos de Marte. É quando Rick percebe que a linha que separa humanos e androides não é tão nítida como acreditava. Escrito em 1968, Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? continua sendo uma obra visionária. Ao criar uma San Francisco sombria e perturbadora, habitada por homens e réplicas perfeitas, Philip K. Dick não só entretém o leitor com seu texto ágil e divertido, mas também o convida à reflexão: o que determina, afinal, a nossa condição de ser humano? Serviço Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? Philip K. Dick Editora Aleph 272 páginas R$ 40,00 em média
Mais uma vez, reunião entre Vale e índios sobre indenização por uso das terras é adiada
A reunião que havia sido marcada entre as aldeias de Comboios e Córrego do Ouro, localizadas em Aracruz (norte do Estado), e os representantes da Vale para discutir indenização em função do uso das terras indígenas pela ferrovia da mineradora, foi transferida para a próxima sexta-feira (11). Depois de sucessivos adiamentos, o encontro estava marcado para esta quarta-feira (9), mas foi transferida porque o procurador da República responsável pelo caso, Almir Sanches, foi convocado para participar de uma audiência fora do Estado. Os índios concordaram com a nova data. Essa reunião foi marcada porque os índios, diante da proposta de R$ 2 milhões da Vale, insistem no valor de R$ 19 milhões, acordado inicialmente em uma reunião entre a comunidade indígena, a Vale, o Ministério Público Federal (MPF) e a Fundação Nacional do Índio (Funai). Diante disso, os representantes da empresa alegaram que precisavam se reunir com a gerência da mineradora para avaliar a questão e disseram que essas reuniões acontecem somente às segundas-feiras. Conforme comunicou o cacique Antônio Luiz, de Comboios, os índios por enquanto não retomarão os protestos e vão aguardar a resposta da empresa antes de ajuizar no Ministério Público Federal (MPF) uma ação civil pública (ACP) que obriga a Vale a indenizá-los no valor de R$ 19 milhões. A ação já está pronta. O valor da indenização foi estabelecido em R$ 19 milhões para manutenção do projeto Plantar, com foco no plantio indígena da mandioca, um importante meio de subsistência e de manutenção da cultura da comunidade. A mineradora primeiro concordou, depois ofereceu R$ 400 mil e, por último, R$ 2 milhões. O valor também deve ser uma forma de compensação da Vale pelo uso das terras indígenas como caminho de sua estrada de ferro há mais de 30 anos. A diferença entre o valor estabelecido para o desenvolvimento do projeto e as contrapropostas da mineradora fizeram com que os caciques das aldeias de Comboios e Córrego do Ouro, principais atingidas pela linha férrea, aliados a demais lideranças indígenas, recusassem as indenizações nesses valores. Há duas semanas, os índios estão mobilizados para que a mineradora pague o valor da indenização referente ao uso das terras demarcadas em Aracruz para a passagem de sua estrada de ferro. Os protestos começaram no último dia 18.
Resultado da primeira fase do Espírito Mundo 2014
Estão definidos os primeiros artistas dos eventos da edição 2014. São artistas do Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná escolhidos para edições na França, Itália e Áustria. As curadorias de Basilicata (Itália), Amsterdam (Holanda) e Poitou Charentes (França) ainda estão em processo de seleção, bem como em Portugal e Inglaterra na conclusão das parcerias. Foram escolhidos artistas da área de música nos mais diversos estilos (com atividades de master class e oficinas), audiovisual, artes plásticas e fotografia. A seleção dos profissionais ainda não foi concluída e deverá ser divulgada a partir da conclusão das demais curadorias. O Projeto Espírito Mundo é um conjunto de ações que objetivam estabelecer relações entre a cultura brasileira e as manifestações de outras partes do mundo. Tem como premissas a integração de interesses culturais e mercadológicos, tendo como base o fomento à cadeia artística no mercado internacional, a interlocução entre instituições governamentais e não governamentais que possam operar coletivamente na promoção e difusão dos artistas brasileiros por meio de intercâmbios culturais, transversal a outros segmentos como turismo e educação. O resultado você pode conhecer aqui nesse link RESULTADO INSCRIÇÕES ESPÍRITO MUNDO 2014-1
Reportagem especialDitadura? Somos contra!
Texto: Henrique Alves Reproduções: Leonardo Sá/Porã Posição nasceu fazendo uma pergunta: “Será POSIÇÃO um jornal diferente?”. Era 26 de outubro de 1976. A melhor reposta não foi a que veio a seguir, um tanto retórica: “Sim. Porque é um jornal de jornalistas. E não de um industrial, de um empresário”. A melhor resposta veio já à última página da edição de estreia. “De repente, há menos de 10 anos, o pequeno município capixaba de Aracruz começava a sentir a presença tentacular de um grande empreendimento. Surgiram tratores, surgiram corretores de terras, surgiram senhores respeitáveis em grandes carros. E surgia o desmatamento, o desequilíbrio ecológico com a predação”, dizia a matéria Aracruz Celulose: o eucalipto contra o homem. Logo abaixo, Barra do Riacho vai acabar contava a história do pescador Abdon Pereira, morador há 31 anos do distrito de Aracruz e uma vítima entre tantas da miséria que a chegada do eucalipto impôs aos nativos. Sim, Posição foi um jornal diferente. E não esse diferente eufemístico, tirante a neutro, inodoro e insípido. Ser diferente, no caso de Posição, significava ser contra a ditadura militar. Foi diferente em um tempo e uma época em que ser diferente exigia audácia – sobretudo para um jornal e, ainda mais, bem mais, para um jornal alternativo, caso do personagem desta matéria. Era um tempo em que os jornais da terra estavam comprometidos com os militares. O Grupo João Santos, proprietário de A Tribuna, tinha em seus quadros uma das figuras mais importantes do regime, o marechal Cordeiro de Farias. A Gazeta, embora tenha apoiado as reformas de base no curto período do governo João Goulart, imediatamente aderiu ao regime após o golpe, a ponto de substituir um diretor-jornalista por um general, Darcy Pacheco de Queiroz, membro da família proprietária do jornal. As trilhas do tempo nem sempre são tortuosas: em termos socioeconômicos, muito do que se vê no Espírito Santo de Posição, ressalvando-se naturalmente o modelo político, se vê no Espírito Santo de hoje. Bebíamos e ainda bebemos a ambrosia dos grandes projetos industriais. A diferença é que lá a sensação tinha ainda a doçura e o frescor das novidades. Ao mesmo tempo nem parece que quase quatro décadas separam a inauguração da Quarta Usina da Samarco, quinta-feira (3) em Ubu, Anchieta, do parágrafo final desta matéria de julho de 77: “A Samarco Mineração […] está apenas fazendo em Ubu, Anchieta, Espírito Santo, aquilo que centenas de poderosas multinacionais fazem, diariamente, em centenas de países subdesenvolvidos. E sempre impunemente”. Por sorte, no mesmo dia, José de Anchieta era canonizado no Vaticano. Agora que o beato é santo, talvez haja saída. A questão ambiental era uma das frentes a que Posição se lançava e que compunham o “ser diferente” do jornal. Está ali estampada a história sórdida da instalação e expansão da eterna Aracruz Celulose (hoje Fíbria) em Aracruz ; está lá o futuro sinistro que chegara com o Porto de Tubarão; estão lá os proféticos alertas de Augusto Ruschi. Um desenvolvimentismo alegre e maroto vinculava as grandes plantas industriais à redenção da economia capixaba. Os corolários ambientais e sociais… Bem, se ainda hoje eles sofrem uma solene indiferença, imaginem há quarenta anos. Daí que Posição alvejasse o poder político formal – sobretudo os prepostos do regime, como os governadores biônicos Cristiano Dias Lopes e Élcio Álvares – e o informal – as elites capixabas, representadas em figuras como Otacílio Coser ou, piada do jornal, Graciano “Fundap” Espíndula. Quando tratava desses assuntos a coragem e a inteligência de Posição fulguravam no fundo escuro da ditadura. A terceira edição, de dezembro de 76, trazia matérias como Tubarão: siderúrgica onde a pressa é inimiga da urbanização e O escândalo monstro do Dr. Cristiano. A mesma tacada atingia o ufanismo desenvolvimentista da ditadura e um títere dos militares e das elites locais. Homens sem terra, terra sem homem, de outubro de 77, revela a tática pouco educada pela qual a Aracruz Celulose expandia suas terras e alimentava a concentração fundiária do Espírito Santo, onde 10% dos proprietários detinham 52% da área rural capixaba. “A tática utilizada pela Aracruz Celulose para abocanhar as terras dos lavradores indefesos é quase sempre a mesma. Um grupo de jagunços – normalmente comandados pelos tristemente célebres coronel Argeu e tenente Merçon – visita um lavrador que tenha a posse de uma área de ‘terra devoluta’. Ameaça-o de morte e oferece uma quantia irrisória pela posse da terra”. Os dois personagens, Leivino e Paulo da Penha, este de Aracruz, aquele de São Mateus, conheceram a tática. Lavradores de parca instrução e poucas posses, perderam para o eucalipto aquilo que lhes garantiam o pão de cada dia. Veículo quinzenal, Posição viveu pouco, apenas três anos, entre 76 e 79. Era editado por Jô Amado e, na fase inicial, tinha dois diretores de redação, Rogério Medeiros e Pedro Maia (recentemente falecido). Ter dois diretores responsáveis era antes estratégia que excentricidade. Visitas à Polícia Federal ou ao 38° Batalhão de Infantaria para, digamos, elucidar algum material noticioso eram praxe. Na falta de um, sempre haveria o outro diretor e, assim, não ficaria descoberta a lei que exigia a existência de um responsável pelo veículo. É que Posição, além de tudo, também se metia a cutucar diretamente a ditadura. Em abril de 77, O Super Censor expunha os faniquitos de Alberto Monteiro, advogado e assessor de Segurança da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Monteiro via conspiração até na própria sombra e ainda mais em palestras, bailes estudantis, recepções de calouros. O Super Censor também dedurava ao regime os estudantes “subversivos”. Uma rápida pesquisa no Google nos diz que, certo dia da década de 40, o jovem Otacílio Coser vagava pela Praça Oito, no Centro de Vitória, quando foi abordado por um senhor chamado Lauro Laperriére, então um dos principais corretores de café do estado. O homem perguntou o que o garoto fazia ali; o
PEC prevê plano de metas para os Executivos em 90 dias de gestão
Tramita no Congresso Nacional, uma Proposta de Emendas Constitucional (PEC) 010/11 para instituir a obrigatoriedade de elaboração e cumprimento do plano de metas pelo Poder Executivo Municipal, Estadual e Federal, com base nas propostas da campanha eleitoral. Depois de mais de dois anos de sua proposição, um grupo de deputado agora pretende levar o projeto à frente e o Congresso se mostra favorável à proposta. Um dos principais defensores da PEC é o empresário Oded Grajew, fundador do Instituto Ethos e da Abrinq. A ideia é de que a sociedade tenha maior controle sobre os atos dos governantes. Em curto prazo, explica Grajew, o objetivo que os políticos transformem as promessas apresentadas durante a campanha eleitoral em metas, com prazos para colocar em prática. Grajew chegou a participar das audiências promovidas pela comissão que analisa a PEC para discutir o assunto. O empresário, que coordena a Rede Nossa São Paulo, disse que o mecanismo garantirá maior transparência na aplicação dos gastos dos Executivos. Pelo projeto, o Executivo terá 90 dias para transformar promessas em metas e prestar contas a cada quatro meses do que foi realizado e das próximas metas para o próximo período. Neste sentido, a sociedade poderá intervir, sugerir e cobrar as promessas de campanha. Em vários estados, a classe política resolveu não esperar e já existem leis municipais que seguem o mesmo caminho. Mas no Espírito Santo, a impressão é de que os Executivos municipais nadam contra a correnteza. Sem pessoal especializado na área de planejamento, os municípios e até mesmo o Estado deixa de captar recursos oriundos do governo federal por erros nos projetos apresentados. Neste sentido, pensar em plano de metas para as prefeituras é algo ainda bem distante da realidade regional. Em novembro do ano passado, o Tribunal de Contas do Estado, enviou alerta com os gastos para 66 das 78 prefeituras do Estado. O problema estava no gasto com a folha de pagamento, maior do que os 54% estabelecidos como teto. Os prefeitos se queixam da arrecadação, mas muito poucos apresentam de forma clara e transparente a aplicação dos recursos e os planejamentos nos períodos. O projeto evitaria também o tradicional chororô dos novos prefeitos. Na semana passada, o prefeito de Cariacica, Geraldo Luzia, o Juninho (PPS), já no segundo ano de sua gestão, ainda reclamava de herança de dívidas do governo passado, o petista Helder Salomão (PT). Sem os recursos do Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias (Fundap), os prefeitos tornaram-se mais dependentes do governo do Estado e dos recursos do Fundo de Participação dos Municípios, mas não se vê investimentos na autonomia das cidades. Com as chuvas do final de 2013, boa parte dos prefeitos esqueceu das promessas de campanha. Eles se concentram desde dezembro do ano passado nos estragos causados pelas chuvas.
Espírito Santo tem má classificação no Índice de Saúde do Oceano
O Índice de Saúde do Oceano do Brasil (em inglês, OHI-Brasil), estudo inédito que reúne aspectos ambientais, sociais e econômicos providos pelo mar, estipulou em pontos aquilo que já era dito há muito tempo pelos ambientalistas capixabas: o Espírito Santo tem um potencial biológico e turístico que não está sendo bem aproveitado. Prova disso é a intensa ocupação do litoral com portos, que degradam as áreas de maior biodiversidade e impedem o desenvolvimento sustentável de populações tradicionais, do turismo e da preservação ambiental. O OHI-Brasil, um estudo mundial que somente desta vez foi aplicado no País, compara cientificamente e combina os elementos chaves de todas as dimensões da saúde do oceano – biológica, física, econômica e social – para mensurar o quão sustentável é o uso que as pessoas fazem dos recursos e serviços oferecidos pelo oceano e ambientes costeiros. O estudo foi publicado no último dia 2 de abril, na revista científica PLOS ONE. Ele foi desenvolvido sob a coordenação da pesquisadora Cristiane Elfes, do Departamento de Ecologia, Evolução e Biologia Marinha, da Universidade da Califórnia Santa Bárbara, EUA, e contou com a colaboração de especialistas de universidades americanas e da ONG ambientalista Conservação Internacional. O fato de possuir uma das mais longas linhas de costa do mundo, uma alta diversidade biológica marinha e costeira e uma das maiores economias mundiais fez com que o Brasil fosse escolhido para esse levantamento regional. A Zona Econômica Exclusiva do país totaliza 3.660.995 km2 no Oceano Atlântico Sul. Segundo Cristiane Elfes, a pretensão é de tornar o OHI-Brasil um programa conduzido por instituições brasileiras, para monitorar a situação dos mares em longo prazo. A pesquisadora frisa que a ferramenta é fundamental para a tomada de decisões no ambiente marinho. Para a conclusão dos resultados, notas de zero a 100 são atribuídas aos quesitos provisão de alimentos (pesca artesanal e aquicultura); oportunidade de pesca artesanal, produtos naturais; armazenamento de carbono; proteção costeira; subsistência e economias costeiras; turismo e recreação; identidade local; águas limpas e biodiversidade. A obtenção da pontuação máxima significa que o sistema avaliado atingiu a meta proposta (o ponto de referência), oferece todos os benefícios especificados de forma sustentável e é provável que siga dessa maneira em um futuro próximo. Já o oposto, a pontuação zero, significa que, embora os dados estivessem disponíveis, o Estado não desfruta de nenhum dos benefícios especificados ou ainda que esses benefícios são obtidos de maneira não sustentável. Segundo os pesquisadores, os 17 estados costeiros do Brasil foram avaliados usando as melhores bases de dados disponíveis para todos os estados referentes a 2012, assim como dados globais que eram possíveis de ser analisados por estado. As pontuações estaduais variam de 71 (Rio de Janeiro) a 47 (Piauí). O Espírito Santo possui pontuação total na casa dos 50 pontos, enquanto os estados litorâneos vizinhos, tanto Bahia como Rio de Janeiro estão na casa dos 70 pontos. O Estado também perde para os vizinhos na pontuação de Águas Limpas, na qual marcou 60 pontos. A oportunidade de Pesca Artesanal é bem avaliada, totalizando 70 pontos, enquanto as oportunidades de Turismo e Criação estão apenas na casa dos 10 pontos. O potencial de Armazenamento de Carbono da costa capixaba também é bem avaliado, com 90 pontos. No caso do Espírito Santo, o arquipélago de Trindade e Martim Vaz também foi incluído como território de pesquisa. Para pesquisadores capixabas ligados à ONG Voz da Natureza, embora o Espírito Santo tenha um enorme, único e peculiar potencial para investir em seus recursos naturais, seja no turismo ou como objeto de pesquisa, o governo estadual prefere dispender verba em projetos extrativistas, na promoção de técnicas de pescas predatórias e na construção de portos, que contrastam com a intenção da preservação exercida pelos pesquisadores. Pesquisas são feitas, mas atendendo ao único objetivo de servir ao sistema. Projetos como o do superporto de Vila Velha, que é ainda uma intenção, e o Estaleiro Jurong de Aracruz (EJA), que devastou uma área de rico remanescente marinho e terrestre, tanto animal como vegetal, são grandes ameaças à biodiversidade do arquipélago de Trindade e Martim Vaz, cujas espécies, mesmo a 1,2 mil quilômetros de distância, são severamente impactadas com as drásticas mudanças biológicas e geográficas às quais a costa capixaba é submetida com o avanço desses empreendimentos. A pontuação do Brasil no estudo nacional foi de 60, das quais as mais altas foram as que dependem da saúde do habitat marinho: Armazenamento de Carbono, com 89 pontos; Proteção Costeira, 92 pontos; e biodiversidade, 85 pontos. Produtos Naturais, Turismo e Recreação e Provisão de Alimentos (36) foram as pontuações mais baixas, com respectivamente 29, 31 e 36 pontos. Uma pontuação muito baixa teve a que se refere à Aquicultura, com nota 6, o que segundo os pesquisadores contribuiu para a queda em Provisão de Alimentos. Guilherme Dutra, diretor do Programa Marinho da Conservação Internacional (CI-Brasil) e coautor do estudo, listou como uma das grandes dificuldades dos pesquisadores na elaboração do relatório a reunião de dados para setores importantes, como a pesca, “porque eles simplesmente não existem para todos os estados. O governo federal parou o monitoramento pesqueiro nacional em 2011 e mesmo antes disso os dados eram descontínuos no tempo e na distribuição espacial. É imprescindível que o governo gere informações básicas como estas, pois sem monitoramento não há gestão sustentável”, enfatizou Dutra. O pesquisador também destacou que o Brasil possui uma pequena área protegida sobre o mar, que não chega a 0,35% de áreas protegidas mais restritivas como Parques e Reservas Extrativistas, ou apenas 1,6% se consideradas também as Áreas de Proteção Ambiental. Dutra aponta que essa falta de proteção afetou negativamente vários resultados da análise e considera que o Brasil precisa começar a olhar para o oceano com cuidado, como muitos países já fazem, planejando os usos e protegendo os ecossistemas marinhos mais importantes. Para ele, a sobrepesca e atividades como a exploração de petróleo ou a carcinicultura ameaçam constantemente áreas de extrema importância, como a Região
Sindiupes lança campanha para adoção dos nomes sociais nas escolas do Estado
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sindiupes) lançou uma campanha pela adoção dos nomes sociais de alunos travestis e transexuais nas escolas do Estado. A campanha, que visa ressaltar a importância do nome social no processo de ensino e no ambiente escolar, é considerada instrumento pedagógico para garantir a inclusão, acesso, permanência e a efetivação da aprendizagem de travestis e transexuais no processo de ensino e aprendizagem. A adoção do nome social dos alunos é regulada por dispositivos federais, estaduais e municipais, como o parecer nº 141/2009 – Mec/SECAD; portaria nº233/2010 – MPOG; Decisão do STF ADI4275 – 1/600 de 2009. E pelas leis estaduais: resolução 2.735/2011 – Conselho Estadual de Educação do Estado; resolução 01/2011 – Conselho Municipal de Educação de Cariacica e lei 8.585/2013 – do município de Vitória. É comum a evasão escolar entre alunos travestis e transexuais em razão do comportamento social de alguns profissionais de educação. A campanha de adoção do nome social é uma forma de combate à homofobia e respeito à diversidade. O nome social é a forma como os travestis e transexuais reconhecem como identificados e denominados por sua comunidade e na inserção social. Em Vitória, a lei foi sancionada em dezembro de 2013 e estabelece que os alunos travestis e transexuais maiores de 18 anos devem solicitar, no ato da matrícula ou ao longo do ano letivo, a inclusão do nome social nos documentos escolares internos. A anotação do nome social do aluno deverá ser registrada nos documentos escolares internos, por escrito, entre parênteses, antes do nome civil. Além disso, o nome civil deve acompanhar o nome social em todos os registros e documentos escolares internos. O texto da lei também ressalta que os professores e demais profissionais da educação deverão estar atentos para evitar toda e qualquer forma de discriminação e preconceito que traga constrangimento ao aluno.
Nas brumas do cenário eleitoral, Ricardo Ferraço encontra uma saída
Nerter Samora e Renata Oliveira A semana foi muito confusa do no cenário político, mas as brumas prometem se dissipar até o fim do mês. Papo de Repórter analisa os efeitos das últimas movimentações das principais peças no tabuleiro eleitoral do Estado. Nerter – Esta foi uma semana de paradoxos políticos. As conversas de bastidores, a profusão de notícias, os desencontros das lideranças mostram que a situação está cada vez mais intrincada para a eleição deste ano. Mas, em meio a tantas incertezas, um posicionamento foi tomado. O governador Renato Casagrande que só quer falar de eleição em junho, diante das movimentações dos últimos dias do grupo do ex-governador Paulo Hartung, acabou sendo forçado a um posicionamento e acho que não era exatamente o que o ex-governador esperava. O governador reagiu e colocou Hartung no rol dos adversários, ou melhor, foi Hartung quem se colocou nesta posição ao esticar demais a corda com Casagrande. Renata – Já reparou que o jogo político no Estado, inevitavelmente, começa com um Ferraço dizendo alguma coisa? Em maio de 2001, foi o dossiê de Theodorico Ferraço que deu início a uma crise no governo José Ignácio Ferreira, o que favoreceu a eleição de Paulo Hartung em 2003. Em 2010, teve o episódio do abril sangrento, em que o Ricardo Ferraço foi substituído na chapa palaciano por Renato Casagrande. Agora, a semana ficou muito movimentada por causa da movimentação de Hartung e tudo começou novamente com um posicionamento primeiro de Ferraço pai e em seguida Ferraço filho. Nerter – É verdade. Na terça-feira, Theodorico Ferraço afirmou que o filho não disputaria a eleição ao governo. No dia seguinte, o senador não só confirmou a afirmação do pai, como também declarou apoio ao palanque do governador Renato Casagrande. Isso causou uma movimentação muito grande nos meios políticos que deve se estender até o fim do mês. E o paradoxo fica no fato de Ricardo Ferraço que em dezembro havia decretado o fim da unanimidade, ter se juntado a Casagrande, defendendo a unidade e, ironicamente, seu posicionamento acontece quanto o governador mesmo desiste de correr atrás da tal unanimidade, tendo Hartung ao seu lado no palanque. Renata – Pois é. A impressão é de que Hartung na verdade não jogava exatamente um fortalecimento de sua presença no palanque palaciano. Mais do que a vaga ao Senado, queria a garantia do compartilhamento do segundo mandato de Casagrande e a sinalização de que a sucessão em 2018 estaria sob seu controle. Mas exagerou. Criou uma movimentação no mercado político tão forte, que levantou tanta poeira, que acabou complicando sua estratégia com Casagrande. Saiu batendo a porta e agora não tem como voltar. Nerter – Casagrande tem sido categórico sobre o assunto com seus interlocutores. Acho que se Hartung esperava um fortalecimento de sua imagem junto ao governo do Estado não conseguiu. Conseguiu fazer com que os jornais voltassem sua atenção para ele, mas a classe política mesmo, não embarcou. E Casagrande reagiu, mostrando que está preparado para a eleição contra ele. E como será isso? Casagrande é o governador, tem a máquina a seu favor. Tem apoio dos prefeitos, das lideranças políticas e de boa parte dos integrantes do PT e do PMDB. Paulo fez todo esse alarde e não desceu ninguém do palanque do Casagrande. Quem ele tem? Lula? Bom, o governo do PT não é exatamente uma unanimidade no Espírito Santo. Tem Lelo Coimbra, que não consegue ter controle nem sobre a bancada do partido na Assembleia? Tem Guerino Zanon… Renata – É. Vai ser muito difícil para o Hartung enfrentar Renato Casagrande. Tudo bem que o governo do socialista não é uma belezura, tem muitos gargalos, mas a única forma de vê-lo de forma positiva é fazendo a comparação com os oito anos de seu antecessor. Quando Casagrande começar a jogar “as bombas” que recebeu na conta de Paulo, a situação pode ficar complicada. Nerter – Casagrande não é do tipo do embate, mas ele está mordido. Hartung também não é de confronto. Então essa briga vai ser interessante. Parece que será a primeira vez que eles vão mesmo disputar a eleição. Isso, claro, se Paulo Hartung anunciar a candidatura ao governo. Enquanto ele não falar que é candidato, eu não acredito. Renata – Eu também não. Afinal, já foram tantas, não é? Mas acho que ele agora vai ter de ser, sabia? Ele fechou a porta do Palácio Anchieta para a candidatura ao Senado, precisa de um mandato, porque já está há quatro anos na planície. Então, vai ser candidato ao Senado em que palanque? Vai acabar tendo que disputar uma eleição que não queria. Nerter – Aliás, para Casagrande é ótimo que isso aconteça. Se ele fizer uma aliança com Paulo Hartung terá que compartilhar seu segundo mandato. Se ele disputar a eleição com o ex-governador, o socialista, se vencer, vai poder construir um segundo mandato sem as amarras de Hartung, que, por sinal, neste primeiro mandato tem lhe custado muito caro.
O homem écandidato
A decisão do governador Renato Casagrande de ser candidato independentemente de quem for seu adversário, deixou em segundo plano a intenção do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) de também ser candidato ao governo do Estado. Casagrande deixou de ser ameaçado pela candidatura do antecessor. Quem agora está ameaçado com a candidatura de Casagrande é Hartung. Sobretudo, com a probabilidade de vir à tona os mais diversos fracassos do seu governo, tão bem escondidos pela imprensa corporativa e, porque não dizer, pelo próprio Casagrande, como o notório caso da segurança pública. O grande feito de PH até agora foi exatamente evitar que seu governo possa, como os demais, vir a ser julgado. O que fatalmente ocorrerá numa disputa eleitoral aberta e franca. Consequência No caso de uma disputa ente eles, o dique vai ser aberto para separar o joio do trigo. O líder do governo na Assembleia, Elcio Alvares (DEM), pode desde já arrumando as gavetas para deixar a liderança. Hartunguete de carteirinha, deverá ser substituído por Atayde Armani (DEM), que sempre primou pela lealdade a Casagrande. Consequência II A mudança tem como razão evitar que passe pelo demista interesses políticos capazes de criar estragos irrecuperáveis. Consequência III Os hartunguetes que estão no governo não estão, a priori, ameaçados. Vai depender do comportamento deles. Os que podiam criar problemas, até por refletirem a própria presença de PH, já deixaram a gestão: Neivaldo Bragato (Cesan) e Robson Leite (Planejamento). Sem tiro Não há da parte do governador Renato Casagrande qualquer intenção de partir para o ataque ao ex-governador. Embora lesado pelos ataques dos atiradores de plantão de Hartung, quer fazer uma campanha mostrando as realizações do seu governo para confrontar a do opositor. Sem tiro II A pretensão é de se submeter ao julgamento popular, embora saiba que assunto como a segurança pública vai preponderar. Dará oportunidade a Casagrande para confrontar o que ele fez com o que PH não fez. Tratamento Quer na disputa, se realmente houver, também um confronto de desempenhos de governos em respeito à relação política que se estabeleceu no Estado. Tratamento II Não pretende, porém, fechar a porta de convivência entre eles. O que não impedirá, em disputa palmo a palmo, a disputa de apoios no campo político. Mas será uma eleição sem muro. Muralistas, com a deputada estadual Luzia Toledo (PMDB), vão ter que se definir. Vai entrar O prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), que já se identificou como adversário do ex-governador Paulo Hartung, vai para o jogo ao lado de Casagrande. A oportunidade é bem-vinda como exercício de confronto entre dois desiguais. PENSAMENTO: “Quatro anos são muito tempo para o improvável”. Rosângela Bittar