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Século Diário

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Sete notas mudas

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Não mais que de repente, Marina resolve aprender a tocar piano. Não que ambicione fazer desta arte um ofício, não está mais em idade de começar uma carreira. Só mesmo pra preencher o tempo, visto que de repente caiu no limbo da terceira idade – enviuvou, aposentou, precisando achar armas pra lutar contra os dragões do Alzheimer e da solidão. Os dois filhos têm suas próprias vidas, hoje morando em meridianos diferentes dessa aldeia global chamada mundo.   Não quer ser um peso para eles. Claro que faz outras coisas pra preencher o tempo…  mas por que mentir para si mesma? O piano era um sonho quase tão velho quanto ela mesma. Na infância, a vizinha dava aulas de piano. Era a professora de música da escola. Ficava ouvindo o dedilhar das teclas atravessando os limites da cerca e invadindo as janelas… tão bonito! Quando  toda a vizinhança reclamava dos acordes dissonantes dos alunos, Marina era a única que gostava de ouvir.   Queria aprender, mas a  mãe dizia que que o dinheiro não sobrava para tais futilidades. Pudera, seis filhos, pai funcionário da prefeitura, mãe do lar. A professora casou e se mudou pra local não sabido,  com certeza foi atormentar outras crianças e outros vizinhos.  Marina foi a única que sentiu sua falta. Quando cresceu  tentou várias aulas de música, mas o único instrumento que podia comprar era  uma flauta, e jamais conseguiu aprender a tocar nem Carioca da gema.     Por que não toca violão? Sugeriam as amigas ao ver sua frustração. Por que não toca guitarra? sugeria o namorado. Quando virou marido e teve condições de pagar o curso e o piano, não concordou que ela aprendesse a tocar piano, nem sugeriu  qualquer outro instrumento. “Não tem mais nada pra fazer?” Tinha, mas por que  tocar piano não poderia estar entre elas? “Não tem qualquer utilidade prática. Conheço muito piano encostado,  alimentando as traças…”   Um dia os filhos já crescidos e resolvidos em suas próprias  vidas lhe mandaram um presente – Surpresa! Um piano foi entregue no apartamento,  tão grande que precisou passar pela janela do nono andar, com a vizinhança toda assistindo e aplaudindo. “Presente antecipado de natal. Quando chegarmos, queremos ouvi-la tocar o jinglebell”. Mas nem teve tempo de procurar quem ensinasse. Mal pôs os pés em casa e deparou com a novidade entulhando a sala, o marido chamou os carregadores de volta. “Devolve pra loja”.   Inúteis os apelos, as ameaças, as lágrimas, as greves culinárias e de sexo – o belo e reluzente piano voltou pra loja de onde veio, com os vizinhos outra vez assistindo à lenta descida de seu sonho, desta vez sem aplausos. Com o crédito trocou a geladeira. Tava precisando, e por que não admitir? Era muito mais útil. Outra vez o sonho de tocar piano não conseguiu soltar as amarras a que nos atamos na vida.  Agora, de repente, foram-se as amarras, e ficou apenas o vazio que as pessoas deixam ao partir.   Comprou um teclado Yamaha para treinar em casa, escolheu a escola, a professora,  e logo estava  infernizando os ouvidos dos vizinhos com o dó-ré-mi-fá-sol-lá “sem dó” dos iniciantes… Dó de não ter aprendido quando jovem; ré, se fosse possível voltar atrás no tempo; mi, devia ter pensado mais em mim mesma; fá, que nada na vida é fácil; sol,  que traz sempre um novo dia; lá, lugar de olhar é pra frente;  si… A professora casou e se mudou pra local não sabido. Veio substituí-la o Si, apelido do Sidney, também viúvo, também sozinho…

05/04/2014 / 0 Comments
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Vereadores de Conceição da Barra convocam secretário de Saúde

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Depois de protocolar um pedido de informação sobre a aplicação da Prefeitura de Conceição da Barra, no norte do Estado, dos gastos da verba recebida do governo federal, os vereadores agora querem ouvir o secretário municipal de Saúde.   Um requerimento assinado pelos vereadores Juvenal Ferreira Estevo (PTB), Rogério de Oliveira Rufino (PTB), Carlos Rosário Duarte (PT) e Nildecia Vieira de Oliveira (PDT), votado por unanimidade na sessão dessa quinta-feira (3), solicita a convocação do secretário municipal de Saúde, Eduardo Ribeiro Morais, para uma audiência na Câmara.   O requerimento de convocação é para que o titular da pasta possa dar explicações sobre em que está sendo gasto o dinheiro da saúde. Os legisladores querem que o secretário preste esclarecimentos relacionados aos recursos do Teto MAC, uma verba do governo federal destinada  à atenção à saúde da população para procedimentos em média e alta complexidade. Os recursos são referentes ao ano de 2013, no valor de R$ 791.288,25. Os vereadores alegam que vêm recebendo queixas da população. Apesar do recurso, as unidades de saúde estão todas sucateadas, sem medicamentos, exames e equipamentos, com funcionários desmotivados e estrutura comprometida. Os vereadores querem ouvir do secretário também qual foi o último contrato ou adesão de tomada de preços para a compra de remédios e medicamentos; qual o valor total da compra, e por que há falta de remédios e medicamentos para a população. Será cobrado do secretário ainda informações sobre o Programa de Saúde da Família (PSF) e o prazo para conclusão do e funcionamento do hospital municipal de Conceição da Barra´, além da situação do Pronto Atendimento de Braço do Rio. O requerimento pede que o prefeito Jorge Donati (PSDB) seja notificado para enviar informações sobre os gastos efetuados com recursos do governo federal. O prefeito terá de enviar à Câmara todas as documentações referentes à solicitação, no prazo de 30 dias, conforme prevê a Lei Orgânica do Município e a Constituição Federal.

05/04/2014 / 0 Comments
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STF decidirá rumos de ???guerra fiscal??? sobre local para recolhimento de IPVA

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O Supremo Tribunal Federal (STF) vai dar a palavra final sobre a discussão judicial em torno da “guerra fiscal” em relação ao local para recolhimento do Imposto sobre a Propriedade de Veículo Automotor (IPVA). No último dia 21, o Plenário Virtual do STF decidiu pela existência de repercussão geral em uma ação movida por uma empresa sediada em Minas Gerais contra o governo local. O contribuinte pleiteia o direito de recolher o tributo em Goiás, local onde realizou o registro e licenciamento do veículo. Com isso, o resultado do julgamento será adotado em futuros questionamentos sobre o tema. Esse tema é alvo de discordância entre os estados, sobretudo nos municípios que ficam localizados próximos às regiões de fronteiras. Isso porque cada Estado define o valor cobrado do ICMS, variando de 2% até 4% do valor do veículo. O Espírito Santo, por exemplo, está na faixa dos tributos mais leves (2%). No caso em discussão, o Estado de Goiás cobra o valor da alíquota entre 2,5% e 3,75%, sendo o valor mais baixo aos veículos com motor 1.0 (no segmento de carros populares). Já Minas Gerais cobra 4% de IPVA, mesma alíquota dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo (que iniciara cobrança em 3% do valor do automóvel). Além disso, o caso levanta a discussão em torno das empresas com grandes frotas ou até mesmo locadoras de veículos. No final de 2012, a Assembleia Legislativa capixaba aprovou um projeto de lei (PL 039/2012), de autoria do então deputado Henrique Vargas (PRP) – atual prefeito de São Gabriel da Palha –, que obrigava as empresas locadoras de carros que atuam no Estado a licenciarem e emplacarem a sua frota no Espírito Santo. No entanto, o texto acabou sendo vetado pelo governador Renato Casagrande. Os parlamentares capixabas chegaram a iniciar a cobrança da exigência de que o governo só alugue veículos licenciados no Estado, porém, a intenção não foi à frente. Contudo, o assunto pode mudar de rumos logo após a definição do Supremo em torno do assunto, já que uma parte da arrecadação do IPVA é repassada para o município em que o veículo foi registrado. Nos autos do Recurso Extraordinário com Agravo (ARE 784682), a empresa mineira Uber Representações Ltda visa à reforma de um acórdão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), que reconheceu a legitimidade do Estado para a cobrança do imposto. A corte mineira entendeu que a Constituição Federal indica que o fato gerador do IPVA é a propriedade do veículo e “este se ocorre, por consequência, no estado de domicílio, do respectivo proprietário”. Já a empresa defende que somente uma lei complementar poderia dispor sobre conflitos de competência e normas gerais relativas ao IPVA. Para o relator do caso, ministro Marco Aurélio, o assunto é de grande relevância devido à existência de uma “guerra fiscal” envolvendo o IPVA. Segundo ele, a disputa é menos conhecida se comparada à relativa ao Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), porém, a diferença nas alíquotas fez surgir um “verdadeiro conflito federativo, que envolve diferentes segmentos econômicos e mesmo as pessoas”.

05/04/2014 / 0 Comments
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CNMP vai analisar recursos contra decisão a favor de promotores capixaba

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O plenário do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) deve iniciar, na sessão da próxima quarta-feira (7), o julgamento do pedido de revisão disciplinar em procedimento contra um promotor de Justiça capixaba. Nos autos do processo (0.00.000.001305/2013-61), o procurador de Justiça, Fábio Vello Correa, pede a reconsideração da decisão do MP local, que determinou a redução da pena imposta ao colega – de 30 dias para cinco dias de suspensão das atividades. O relator do caso é o conselheiro Esdras Dantas Souza. De acordo com informações do CNMP, o procurador Fábio Vello – atual subprocurador-geral de Justiça administrativo – pede a reconsideração da decisão dos colegiados do Ministério Público Estadual (MPES), que teriam reduziu a penalidade “sem qualquer fundamentação e razoabilidade”. O caso teve início em 2011 após uma inspeção da Corregedoria local nas promotorias criminais de Guarapari. Na época, o órgão instaurou uma sindicância contra o promotor Antonio Luiz Rogério Capatão por suposta conduta imprópria e descumprimento do dever funcional. Logo após o término do processo disciplinar, o promotor foi condenado à pena de suspensão, com prejuízo dos seus vencimentos (isto é, sem receber o salário) pelo prazo de 30 dias. Antonio Capatão recorreu da decisão ao Conselho Superior do MPES que, por maioria de votos, acolheu parcialmente do recurso para reduzir a pena para cinco dias de suspensão, em julgamento realizado em março do ano passado. Na ocasião, Fábio Vello foi o relator do recurso e votou pela manutenção integral da punição No Colégio de Procuradores de Justiça do Ministério Público, o recurso movido por Fábio Vello sequer foi admitido, em julgamento por maioria dos votos. Em função disso, o procurador ingressou com recurso no órgão de controle do MP. Na mesma sessão, o CNMP deve iniciar o exame do pedido de suspensão dos efeitos de uma decisão proferida pelo Conselho Superior do MPES. No procedimento (0.00.000.001214/2012-45), o procurador Sócrates de Souza pede a devolução dos valores recebidos pela promotora Carla Stein, que teria recebido uma gratificação pelo exercício de função no Colegiado Recursal, mesmo licenciada para tratamento de saúde. Consta no processo que o chefe da instituição teria determinado a restituição dos valores recebidos, porém, a procuradora recorreu ao órgão superior e conseguiu reverter a decisão. O caso será relatado pelo conselheiro Antônio Pereira Duarte.

05/04/2014 / 0 Comments
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Campanha quer mudar nomes de escolas que homenageiam presidentes da ditadura

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A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) lançou uma campanha que visa mudar os nomes de escolas públicas que têm nomes de presidentes do período da ditadura militar. No País, 976 escolas têm nomes de presidentes deste período.   Segundo o diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado (Sindiupes), Christovam Mendonça, a realidade no Estado não é diferente. Existem, pelo menos, sete escolas com os nomes dos presidentes Arthur da Costa e Silva, Humberto de Alencar Castelo Branco e Emílio Garrastazu Médici.    De acordo com ele, o movimento para a mudança nos nomes das escolas no Estado já está consolidado. Christovam salienta que o Fórum Estadual da Memória e Verdade e diversas lideranças já começaram a campanha para as mudanças.    O objetivo da confederação é celebrar a resistência da sociedade brasileira contra o estado de exceção determinado pelos militares, que ficaram no poder entre 1964 e 1985, apoiados pela elite nacional. A CNTE criou um site para o movimento “Ditadura Nunca Mais” , que tem instruções sobre como proceder para dar início aos trâmites para a mudança do nome de uma escola pública.   Christovam ressalta que, durante o período da ditadura militar – entre os anos de 1964 e 1985 –, a educação sofreu com o desaparecimento de professores e estudantes, com perseguição e tortura no ambiente escolar e nas universidades.    No entanto, em termos de educação, a escola que formatou a educação como inclusiva e abrangente, era controlada e engessada pelo regime militar. Um exemplo eram as aulas de Moral e Cívica, que tinham currículo amarrado com os interesses dos militares e com o pensamento do regime. “Além de nomes barbaramente retirados do contexto social, saiu do currículo a extensão do conhecimento”, conta Christovam.    Em Vitória, o vereador Marcelão de Freitas (PT) protocolou seis projetos de lei que pleiteiam a mudança do nome de ruas e escolas para o nome de seis militantes capixabas que desapareceram durante o regime militar.   Os logradouros contemplados com mudanças nos projetos de lei são as ruas Presidente Castelo Branco e Costa e Silva, localizadas em Bairro República, para Ruas José Maurílio Patrício e Marcos José de Lima, respectivamente. Já a Rua Castelo Branco, em Jardim Camburi, será chamada de Lincoln Bicalho Roque.   A Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Arthur da Costa e Silva, localizada também no Bairro República, receberá o nome de Arildo Valadão. No bairro Ilha do Príncipe a escola Castelo Branco se chamará João Gualberto Calatrone. Já a EMEF situada nas dependências da Universidade Federal do Estado (Ufes) será denominada Orlando Bonfim Júnior.       

05/04/2014 / 0 Comments
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Impactos da Aracruz Celulose no Estado são denunciados em mapa mundial de conflitos

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Um mapa mundial de conflitos ambientais feito pelo EJOLT (Environmental Justice Organizations, Liabilities and Trade) – organização europeia pela justiça ambiental -, registrou os plantios de eucalipto da Aracruz Celulose (Fibria) e a sua ofensiva às comunidades quilombolas do norte do Estado. O deserto verde provocado pela monocultura do eucalipto e a usurpação de terras tradicionais estão entre os prejuízos ambientais e sociais destacados no estudo. Segundo reportagem da BBC Brasil, o mapeamento inédito foi feito pelos pesquisadores do Instituto de Ciência e Tecnologia Ambiental da Universidade Autônoma de Barcelona e apontou o Brasil como o terceiro país (ao lado da Nigéria) em número de disputas. O mapa foi apresentado no final do mês de março, em Bruxelas, na Bélgica, pela Delegação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.   A Vale também consta no mapa, ocupando a quinta posição no ranking das empresas em todo o mundo envolvidas em conflitos ambientais. São denunciados conflitos da mineradora com agricultores de Moçambique, além de Colômbia, Peru, Chile e o Brasil. A América Latina é palco de 14 das 15 disputas da mineradora e oito delas estão em solo brasileiro, a exemplo da extração de bauxita no Pará e de ferro em áreas indígenas de Corumbá, no Mato Grosso do Sul. No entanto, os conflitos envolvendo a mineradora no Espírito Santo com entidades dos movimentos sociais e indígenas de Aracruz não aparecem no mapa.   Disputas agrárias, conflitos indígenas, disputas por recursos hídricos e por reservas minerais também recheiam o desastroso quadro  dos 58 conflitos ambientais em curso no Brasil, todos esses retratados no mapa. Na América Latina, o país só perde, em números, para a Colômbia, com 72 conflitos ambientais.   Segundo Joan Martínez Alier, diretor do EJOLT, à BBC Brasil, a demanda por materiais e energia da população mundial de classe média e alta faz com que os conflitos ecológicos aumentem em todo o mundo. Alier também afirmou que a maioria das comunidades impactadas por essas disputas são pobres, muitas das quais indígenas, e se distanciam da justiça ambiental e dos sistemas de saúde pela sua falta de poder político. Deserto verde O mapa detalha que a Aracruz Celulose chegou ao Estado no ano de 1967 e iniciou sua ocupação de terras, bem como o plantio do eucalipto, no município de Aracruz. Em 1970, a invasão se expandiu para os municípios de São Mateus e Conceição da Barra. Somente dois anos depois, em 1972, a companhia Aracruz Celulose foi fundada e em 1978 foi aberta a primeira fábrica de celulose. A segunda foi aberta em 1989 e a terceira em 2002. O documento sinaliza os plantios de eucalipto como um dos vários objetos de conflito ambiental e destaca que a empresa é a maior produtora mundial de celulose branqueada e, somente no Espírito Santo, são 320 mil hectares de eucalipto plantados, onde destruiu mais de 50 mil hectares de mata atlântica, somente para sua instalação. A exportação é destino de 97% dos 2,4 milhões de toneladas de celulose produzidos anualmente, e a Aracruz consome cerca de 250 mil metros cúbicos de água por dia em sua linha de produção.   O relatório do mapa sobre este conflito também relata que a Aracruz impacta as populações indígenas, camponesas, pescadores e até mesmo os trabalhadores de sua linha de produção. Os peaquisadores classificam como severos os impactos causados pela Aracruz aos quilombolas e consistem na perda de terras, de florestas, de água e de oportunidades de trabalho. O relatório também detalha que cerca de 30 comunidades sobrevivem, atualmente, na região cercada pelo eucalipto, lutando pelos seus direitos constitucionais à terra. No norte do Estado, registram, a Aracruz usurpou 11 mil hectares de terras indígenas, retirando 8.500 mil famílias dos seus locais de origem e restringindo seu acesso à água e alimentos. Por isso, os Tupinikim e os Guarani há anos lutam para proteger os seus territórios. O estudo também registrou que milhares de hectares estão se transformando em um deserto devido às monoculturas de eucalipto e de cana de açúcar, que absorvem toda a água do solo. Além disso, o eucalipto tem eliminado as plantações de café da região, o que pode exterminar até 200 mil empregos, enquanto o eucalipto só poderá dispôr de 4.800 empregos.

05/04/2014 / 0 Comments
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”A vida de uma mulher é feita de três vidas”

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Luisa Grinalda, Grimaldi ou Grinaldi foi uma das primeiras mulheres a comandar um estado brasileiro no século XVI. Mesmo com pouquíssimos registros históricos, Bernadette Lyra resolver resgatar a história da viúva de Vasco Fernandes Coutinho e transformá-la em protagonista de seu 11º livro. O livro A Capitoa foi lançado nessa quinta-feira (3), na Biblioteca Pública Estadual.   Nascida em Conceição da Barra, Bernadette Lyra é formada em Letras, especializou-se em cinema e fez pós-doutorado em Sorbonne, na França. A escritora já participou de diversas antologias nacionais e internacionais e também já teve um livro censurado.  A Capitoa faz parte de uma trilogia que começou com A panelinha de breu, que faz uma paródia com a história de Maria Ortiz. A terceira personagem Bernadette não revela, só espera que a história não demore muito para se configurar, “eu sonho com poder passar uns meses em uma cidadezinha capixaba, só escrevendo. Quem me dera”, revela.   Século Diário – O romance A Capitoa trata de dona Luísa Grinalda, uma mulher do século XVI, que foi a terceira donatária da capitania do Espírito Santo e a única mulher no Brasil a comandar uma capitania. Como surgiu a ideia de contar essa história?   Bernadette Lyra – Eu sempre anoto os pequenos fragmentos de imagens e palavras que me ocorrem nos sonhos. Um dia, anotei: “A vida de uma mulher é feita de três vidas: aquela que se diz que ela teve; aquela que ela bem poderia ter tido; aquela que ela teve, de fato, e não será conhecida jamais”. Depois, pensei que essa frase poderia servir para que eu escrevesse a história de alguma mulher. De preferência, uma mulher que representasse outras, esquecidas pela História da Humanidade. O difícil seria escolher.    Então, tive um insight: eu já havia escrito sobre Maria Ortiz, por que não escrever sobre a donatária Dona Luiza? Era a personagem perfeita para eu encaixar nas três vidas daquela frase sonhada. Nos anais quinhentistas não há quase nada sobre ela. As duas ou três linhas que a mencionam estão sempre metidas nos feitos dos homens como apêndices ornamentais. Não sabe nem mesmo seu sobrenome, que se desdobra em três: Grinalda, Grimaldi ou Grinaldi. E de seus amores, sofrimentos, desejos, alegrias, tristezas nada se conhece. Enfim, Dona Luiza pulou do passado e me apareceu como a matéria e a substância perfeitas para que eu aplicasse minha imaginação.    – Apesar do contexto histórico é um romance de ficção assim como Panelinha de Breu (1993), que faz uma paródia sobre Maria Ortiz. Como é contar a história dessas mulheres que são pouco lembradas pelos livros de histórias? Há uma pesquisa mesmo com pouco registro sobre elas?    – No caso desses meus dois livros, A Panelinha de Breu e A Capitoa, foi fascinante mesclar ficção e pesquisa na historiografia. E eu pesquisei muito. Antes e durante a escritura. Porém não faço romance histórico. Eu brinco com a História. Historiadores se preocupam com fatos, datas, confirmações. Buscam dados, registram o que acontece ou que aconteceu. Documentos, cartórios, manuscritos, arquivos, nada lhes é estranho. Ficcionistas, no entanto, só contam com a fantasia e com o risco.      – Boa parte de suas obras, senão todas, são protagonizadas por mulheres. A Capitoa é também um livro sobre o universo feminino e conta principalmente as dificuldades e preconceitos que as mulheres enfrentavam naquela época apenas por estarem na condição de mulher. Há uma militância feminista em abordar esses assuntos?   – Eu gosto de falar do que reconheço. Sou mulher e, em minha ficção, falo sobre mulheres, suas questões existenciais e seus sentimentos. O homem para mim é um desconhecido, um enigma, o outro lado da Lua. Talvez esteja sendo feminista quando deixo explícito que, em matéria de liberdade feminina, do século XV até hoje, o mundo não avançou tanto quanto alguns apregoam. Ainda há muito preconceito, muita discriminação, muito medo, muita opressão. Mas sei que a necessidade de enfrentar esses horrores faz parte de uma luta que perpassa ambos os sexos.   – É verdade que A Capitoa Faz parte de uma trilogia que começou com A Panelinha de Breu? Sobre quem será a terceira obra?   – Sim. Já estou recolhendo ideias e escrevendo sobre uma terceira mulher que completará essa trilogia de brincadeiras com a História do Espírito Santo. Mas não vou contar ainda. Só digo que Dona Luiza viveu no século XVI, Maria Ortiz no século XVII, e a minha personagem, agora, foi colhida no século XVIII. Espero que, dessa vez, a história não demore tanto a se configurar. Eu sonho com poder passar uns meses em uma cidadezinha capixaba, só escrevendo. Quem me dera!   – Um de seus livros Aqui Começa a Dança (1985) foi censurado na época e considerado pornográfico. A senhora pode explicar melhor essa passagem?   – Foi um episódio que seria cômico, não fosse trágico, em sua estupidez. O livro trata da vida entrelaçada de três mulheres. Mas, na época, umas senhoras da censura, em Brasília, acharam que a capa era ofensiva à moral e aos bons costumes, e que era indecente falar de gravidez de uma adolescente e tacaram a caneta vermelha no pobre Aqui Começa a Dança, juntamente com Das trips, coração, de meu amigo, o escritor Dau Bastos, e outros. Engraçado que eram livros de uma só editora, a Marco Zero, que era tida como “subversiva”. Isso provocou um movimento de revolta entre artistas, poetas e escritores, houve matérias de revistas e jornais protestando e até um abaixo-assinado, pela liberação dos livros, que circulou em todo o país. Foi uma gritaria boa! E nós, os ditos “escritores pornográficos” saímos pelo Brasil afora a fazer palestras em universidades e colégios contra a censura na literatura. Nem preciso dizer que as edições dos tais livros pseudo “pornôs” se esgotaram em pouco tempo.    – Outra obra muito interessante é Tormentos Ocasionais (1998), livro que não há uma marca de gênero do personagem. Como foi escrever esse livro? – Esse livro também é uma história longa, um romance em fragmentos, sobre as maravilhas e os temores de escrever ficção. Por isso, não há definição de personagem, se é homem ou mulher.

05/04/2014 / 0 Comments
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Fim da unanimidade

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Finalmente o governador Renato Casagrande cansou de esperar que o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) se apresente para compor o palanque de unanimidade e estabeleceu um novo cenário político no Estado, ao aceitá-lo como adversário. Deixa claro aos interlocutores que foi o ex-governador quem se colocou nesta posição, mas que uma vez nela, não tem jeito, agora está do outro lado do balcão.    Isso leva a um novo modelo político. É decretada a morte da unanimidade e a ascensão de uma divisão do cenário em pelo menos dois palanques. Mesmo que queira voltar atrás, será difícil, porque ele bateu a porta. Na verdade, acostumado a um controle forte da classe política, Hartung não esperava a reação de Casagrande, aceitando ir para o confronto.    O ex-governador esticou a corda para tentar manter seu controle sobre o Palácio Anchieta em um novo mandato do socialista. Queria ainda garantir a vice para um de seus aliados, de olho na disputa de 2018 e queria também a vaga do Senado, para ter um mandato e sair da planície.   Tudo isso poderia ser até negociado, mas Hartung quis fazer pela via da pressão. Enxertou o mercado político com muita fumaça, confundiu as lideranças e trabalhou pelo desgaste do seu antecessor. Depois de toda a blindagem de seu governo e da aceitação a contragosto dos emissários de Hartung em sua equipe, não dava mais par aceitar as manobras do antecessor.    Agora resta à classe política escolher um caminho. Ele não é mais único, aponta para um embate e vai exigir posicionamento das lideranças. Por enquanto, Casagrande leva a melhor nessa. Não houve desembarque de seu palanque, até mesmo os peemedebistas preferem apoiar Casagrande ao palanque de Hartung.    E o ex-governador, hoje, tem quem ao seu lado? Nem os antigos aliados estão dispostos a caminhar com ele. Vai ser difícil para Hartung levar à frente o palanque de alternativo de Casagrande. Até porque uma coisa é ter o governador como aliado, outra coisa é enfrentar a máquina em um processo eleitoral.    Fragmentos:   1 – O governador Renato Casagrande parece que sente o cheiro de confusão. É só aparecer a possibilidade de um embate social, que ele aciona seu vice, Givaldo Vieira (PT).   2 – No protesto dos servidores públicos do Estado, na Expotur, na manhã desta sexta-feira (4), na Praça do Papa, quem estava lá para a solenidade de abertura do evento, quando o palco foi ocupado pelos manifestantes?   3 – Enquanto o ex-governador tenta criar condições para sua candidatura ao governo, o prefeito de Vila Velha, seu aliado Rodney Miranda (DEM), “o candidato do Hartung”, piora um pouco mais a sua imagem.

04/04/2014 / 0 Comments
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Engasgado

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  O governador Renato Casagrande finalmente acordou do sonho da unanimidade e já considera o antecessor, Paulo Hartung (PMDB), seu adversário político. Manifestar disposição de encarar Hartung na disputa ao governo deste ano não era algo esperado de imediato por aliados e lideranças políticas. Até mesmo porque, vai contra o próprio temperamento de Casagrande. Mas, há de se convir, foram muitos os motivos para estourar a paciência do governador. Primeiro: ninguém defendeu o ex-governador mais do que Casagrande nos últimos tempos; segundo: muito menos assumiu contas altíssimas nas áreas de saúde, segurança e educação; terceiro: engoliu a seco o golpe do estudo dos economistas Ana Paula Vescovi e Haroldo Correa Rocha, colocando em xeque as contas do governo; quarto: articulações políticas que visam a seu isolamento. Tanto acúmulo não poderia dar em outra: Casagrande entrou na rota do inevitável confronto com Hartung. Que assim seja. E na intensidade máxima.    Desabituado O cenário não faz nem um pouco o tipo de Hartung. O ex-governador está acostumado a acomodar tudo do jeitinho fácil, sem ir para o sacrifício. E agora?   No clima Casagrande é o protagonista da propaganda partidária do PSB que começou a ser veiculada nesta semana na TV. Numa delas, diz que está recuperando a “enorme divida social” do Estado. Para bom entendedor…   No clima II Em outra aborda a área de segurança, a pior herança de Hartung. Casagrande precisou repor todo o efetivo policial. O governo passado, em oito anos, fez 350 PMs, Casagrande até agora mais de três mil.    Loteado Perguntinha que não quer calar: como ficará a composição do governo estadual em relação aos hartunguetes? A gestão agora é Casagrande.   Cabos eleitorais Notícias da Rádio Corredor: o ex-vereador Zezito Maio (PMDB) e Paulo Renato da Cunha Pereira, da Unidos de Barreiros, passaram a semana fazendo um auê danado na Assembleia em favor da candidatura de Hartung ao governo. Mas, depois da declaração do senador Ricardo Ferraço (PMDB) em favor de Casagrande, murcharam.   Cabos eleitorais II Zezito é funcionário da Assembleia, no cargo de segurança; já Paulo Renato é supervisor de gabinete da Ouvidoria, cuja função é ocupada pelo deputado José Esmeraldo (PMDB).   Velhos tempos Já não se fazem Irinys como antigamente. A deputada federal Iriny Lopes (PT) comemorou, em seu Twitter, a inauguração da quarta usina da Samarco, nessa quinta-feira (3). Um viva à poluição!   ‘Maldição’ Desde que o Palácio Anchieta é Palácio Anchieta e governador é governador, tem gente que corre da “maldição do padre José de Anchieta”, que acaba de ser canonizado. À noite, só dava barulho de corrente arrastando por lá. O ex-governador biônico do Estado e atual deputado estadual, Elcio Alvares (DEM), por exemplo, não dormia no Palácio nem amarrado.   Complicou Se a situação já não estava boa entre os servidores da Rádio Espírito Santo e a TV Educativa e a diretora Rose Duarte, piorou. Atribuem a um parecer emitido por ela o fato de um dos funcionários mais antigos da RTV, Cícero Dantas, ter passado mal recentemente – ele permanece internado em decorrência de um AVC.    Complicou II Rose teria contestado a competência de Cícero para opinar sobre o transmissor da emissora, o que abalou profundamente o funcionário. O desabafo está nas redes sociais.   Complicou III Dizem que os servidores já pediram a cabeça de Rose para o governador Renato Casagrande.    140 toques “Melhores salários para o magistério é uma obrigação do governo, seja federal, estadual ou municipal”. (Deputado federal César Colnago – PSDB – no Twitter).   PENSAMENTO: “O que não me mata só me torna mais forte”. Friedrich Nietzche

04/04/2014 / 0 Comments
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50 anos depois

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Estamos às voltas com o Brasil inteiro falando dos 50 anos da agora cada vez mais chamada de ditadura civil-militar, que em 21 anos devastou o Brasil. Na verdade, a ditadura se tornou insuportável em 1968, com o AI5, que fechou o Congresso Nacional e aprimorou a repressão. Época das terríveis torturas, dos desaparecimentos e da censura a tudo e a todos. Experiência negra na política brasileira.   Hoje a nomenclatura “ditadura civil-militar” se dá por conta das forças militares terem sido apoiadas por grupos civis conservadores e religiosos, que temiam as mudanças pelas quais o país estava passando. Eram propostas de uma remodelação política e a inovação democrática, que vinha trazendo à tona as reivindicações sociais das minorias, que viviam à margem, como negros, mulheres e o ainda tímido movimento de grupos homossexuais.   No caso da diversidade sexual, quando se tornava visível, era à custa de estereótipos, e caricaturas, que desinformavam cada vez mais, expondo até mesmo os mais celebres à zombaria, como foi o caso dos estilistas Denner e Clodovil – este último morto recentemente, que mesmo depois envolvido na política, ainda se sentia preso no armário, manifestando sua homofobia internalizada. Clovis Bornai e Evandro de Castro Lima, carnavalescos que se destacavam nos desfiles de fantasias de luxo, eram apedrejados pela falta de respeito de uma mídia envolta no machismo militar.   Porém, havia uma imprensa alternativa, que surgia em defesa dos homossexuais, oriundas principalmente das universidades e de meios intelectualizados da área artística, que se manifestavam numa nova estética, visual, literária e musical, influenciando todas as formas culturais, mas que permaneciam fora do universo dos grandes meios de comunicação, que se firmavam apoiados e censurados pelo alto comando militar.   A Rebelião do bar Stonewall, em Nova York, em 1969, foi um marco para o movimento homossexual [A Rebelião de Stonewall foi um conjunto de episódios de conflito violento entre gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros e a polícia de Nova Iorque que se iniciaram com uma carga policial em 28 de Junho de 1969 e duraram vários dias. Teve lugar no bar Stonewall Inn e nas ruas vizinhas, e é largamente reconhecida como o conjunto de eventos catalisadores dos modernos movimentos em defesa dos direitos civis LGBT] inspirou movimentos mundo afora. No Brasil, surgiu o tabloide Lampião da Esquina, totalmente voltado para o mundo homossexual, que existiu de 1978 até 1981, fundado por João Silvério Trevisan, Darcy Penteado, Aguinaldo Silva, Peter Fry e João Antônio Mascarenhas.   Logo o jornal sofreu a segregação das bancas, passou a ser lido escondido para que o resto da família não desconfiasse da simpatia pelos, já questionados, direitos civis dos ”entendidos” – gíria da época para os homossexuais.   Foram três anos que multiplicaram a experiência em vários estados. Surge assim o MHB (Movimento Homossexual Brasileiro) e em 1977 o “Somos” que vai claramente falar de política e reivindicar novos tempos para a diversidade sexual. Aqui no Espírito Santo, somente na década de 90, surge a ONG “Triangulo Rosa”, por Amylton de Almeida e Waldo Mota.   Hoje muito se deve a esses desbravadores, esses novos tempos estão sendo construídos à custa de muito sofrimento causado pela homofobia, agora alimentada pelo fanatismo religioso, que a exemplo do tempo da ditadura, sobrevive à custa da ignorância e do conservadorismo fundamentalista, que protege o crime e instiga a homofobia, promovendo a intolerância e o desrespeito.   Não se constrói uma verdadeira democracia sem lutas. Batemos de frente com a hipocrisia e a calúnia, que mitifica sua obsessão contra a diversidade se apoiando em ultrapassados verbetes bíblicos (Leviticos) e se posicionando como defensores da “família”, ignorando que hoje, os núcleos familiares cada vez mais abraçam os LGBTs, formando as células de uma nova sociedade futura.   Luiz Felipe Rocha da Palma (Phil Palma) é publicitário. Nas “horas vagas” (às quartas) comanda o programa “Praia do Phil” pela Rádio Universitária FM, onde defende os LGBTs e denuncia a homofobia. Fale com o autor: philpublicitario@gmail.com

04/04/2014 / 0 Comments
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