Após uma reunião realizada na noite dessa segunda-feira (31), na aldeia de Comboios, em Aracruz, norte do Estado, a comunidade indígena decidiu aguardar o retorno da Vale sobre a indenização que deverá ser paga pelo uso das terras indígenas como caminho de sua estrada de ferro há mais de 30 anos. O valor foi estabelecido em R$ 19 milhões para manutenção do projeto Plantar, com foco no plantio indígena da mandioca, um importante meio de subsistência e de manutenção da cultura da comunidade. A mineradora primeiro concordou, depois ofereceu R$ 400 mil e, por último, R$ 2 milhões. A diferença entre o valor estabelecido para o desenvolvimento do projeto e as contrapropostas da mineradora fizeram com que os caciques das aldeias de Comboios e Córrego do Ouro, principais atingidas pela linha férrea, aliados a demais lideranças indígenas, recusassem as indenizações nesses valores. Os índios também vão aguardar a resposta da empresa antes de ajuizar no Ministério Público Federal (MPF) uma ação civil pública (ACP) que obriga a Vale a indenizá-los no valor de R$ 19 milhões. A ação já está pronta mas, diante da abertura de diálogo por parte da mineradora, os índios optaram por aguardar as respostas. Na reunião dessa segunda-feira, os índios insistiram no valor de R$ 19 milhões, que foi acordado inicialmente em uma reunião entre a comunidade indígena, a Vale, o Ministério Público Federal (MPF) e a Fundação Nacional do Índio (Funai). Diante disso, os representantes da empresa alegaram que precisam se reunir com a gerência da mineradora para avaliar a questão e disseram que essas reuniões acontecem somente às segundas-feiras. Dessa forma, uma nova reunião para discutir o valor da indenização foi marcada para a quarta-feira da próxima semana (9). Há duas semanas, os índios protestam para que a mineradora pague o valor da indenização referente ao uso das terras demarcadas em Aracruz para a passagem de sua estrada de ferro. Os protestos começaram no último dia 18, quando estava marcada uma reunião entre os índios e a Vale. Mas a participação da mineradora foi cancelada momentos antes, por um telefonema. Na mesma data, como forma de protesto, os índios fecharam a estrada de ferro que corta as aldeias. A Vale ainda cancelou sua participação em mais uma reunião, no dia 23. Os índios, que haviam desocupado a ferrovia diante da proposta de diálogo, retomaram a ocupação. Na última quinta-feira (27), a Vale enviou um mandado de reintegração de posse da ferrovia que corta as aldeias e propôs a reunião desta segunda. A proposta foi acatada pelos índios, que suspenderam os protestos até que os resultados da reunião sejam debatidos com as aldeias.
Levante Popular faz ‘escracho’ em frente à Viação Itapemirim, do deputado Camilo Cola
O Levante Popular da Juventude realizou, na manhã desta terça-feira (1), em Cariacica, uma atividade denominada “escracho” na garagem da Viação Itapemirim, de propriedade do deputado federal Camilo Cola (PMDB) como forma de denúncia e lembrança de todos os crimes cometidos durante a ditadura militar que ainda estão impunes e invisibilizados na história do Brasil. Segundo o Levante, os “escrachos” são ações de rua que visam a denunciar a presença de ex-torturadores ou colaboradores do regime militar em determinada região. O principal objetivo é reivindicar memória, verdade e justiça, ou seja, não só buscar punição aos crimes como também conscientizar a população brasileira sobre esse lamentável episódio da história recente do país. Para o grupo, o deputado e empresário não participou do regime como militar, mas como financiador. Além disso, em maio de 2013, o ex-delegado de Polícia Civil, Cláudio Guerra, prestou depoimento para a Comissão da Verdade do Sindicato dos Jornalistas do Estado (Sindijornalistas-ES) em que garantiu que Camilo Cola foi financiador de inúmeras ações clandestinas contra inimigos do regime militar e também contra desafetos pessoais. Cláudio Guerra contou que tinha reuniões periódicas com os chefes do Serviço Nacional de Informações (SNI) e outros órgãos de repressão que combatiam os adversários do regime militar e recebia encomendas de mortes e desaparecimentos de pessoas, tanto no Estado quanto no resto do País. Essas reuniões ocorriam no edifício IAPI, em Vitória, onde funcionava o gabinete do procurador geral da República no Estado, Geraldo Abreu. Em uma dessas reuniões, na qual também estava presente o coronel do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), Freddie Perdigão, e o comandante Vieira, Cláudio Guerra foi comunicado de que eles queriam atender ao pedido de Camilo Cola, que pretendia se livrar das extorsões de Jeveaux. O ex-delegado, na ocasião dos fatos, teria ponderado que era amigo do dono do jornal e conseguiu ficar fora do desaparecimento de Jeveaux. Cláudio Guerra acrescentou à comissão que o desaparecimento do dono do “O Povão” aconteceu 10 dias depois de ele ter recusado a oferta. O crime teria sido feito por uma equipe de fora, com homens de Minas Gerais e Rio de Janeiro, com a cobertura dos policiais locais Moacir e Levi Sarmento. Os organizadores da ação também reivindicam que Camilo Cola deponha na Comissão Estadual da Verdade, colaborando assim com a apuração de diversos crimes cometidos durante a ditadura que vem sendo investigados. As atividades de escracho também foram realizadas em outros locais do País. As atividades aconteceram em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Nesta segunda-feira (31), manifestantes protestaram em frente à casa do coronel Brilhante Ustra, que chefiou o DOI-Codi de São Paulo durante o regime militar. No asfalto, em frente à residência, os manifestantes picharam a frase “aqui mora um torturador” e no muro penduraram um cartaz em que se lia “se não há Justiça, há escracho público”.
Pressão do PT e PMDB sobre estaduais deve se balizar ao desempenho de Dilma
A queda na aprovação da presidente Dilma Rousseff, apontada pela pesquisa CNI/Ibope, da semana passada, é um termômetro que permite prever como será articulado o cenário eleitoral do Estado. Existe a necessidade de um fortalecimento do palanque de reeleição da presidente e do objetivo do PT nacional em isolar o palanque do socialista Eduardo Campos no Estado. Quanto mais se aproxima o processo eleitoral, maior a tensão no mercado político capixaba, que reage às movimentações nacionais. O governador Renato Casagrande, segue em seu trabalho de tentar reunir a unanimidade. O PT se acomoda em qualquer situação, seja como candidato ao Senado ou vice. O PMDB tem divergências, uma coisa é o objetivo da nacional, outra é o interesse do grupo do ex-governador Paulo Hartung. Para alguns observadores, a movimentação do peemedebista são no sentido de pressionar o cenário para acertar a influência no Palácio Anchieta, antes mesmo de o processo começar. Neste contexto é preciso considerar a visão do PMDB nacional. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, nesta terça-feira (1), o vice-presidente Michel Temer falou da vocação do partido para a regionalização. Ele admitiu que isso dificulta imposições verticais. Mas há uma linha norteadora: o partido defende a aliança com o PT para esta eleição e a preparação para a chegada ao poder em 2018. A movimentação que visa a presidência, também deve se estender para os Estados. No Espírito Santo, o fato de Renato Casagrande disputar o segundo mandato, também ajuda a recompor uma fila sucessória para 2018. Por isso, o que o ex-governador estaria interessado em uma acomodação que permita uma preparação para a próxima eleição. Mas se o efeito das manifestações contra a Copa do Mundo afetarem mais a imagem da presidente, o interesse do PT pode falar mais alto do que a movimentação do PMDB, seja em nível nacional ou estadual, e aí Hartung pode ser pressionado a tomar um posicionamento em favor de uma candidatura própria para dar à presidente um palanque exclusivo.
Nova lista de antiguidade mantém ordem da ???dança de cadeiras??? no TJES
A nova lista de antiguidade da magistratura estadual, divulgada nessa segunda-feira (31), não deve mudar a “dança das cadeiras” no Pleno do Tribunal de Justiça do Estado (TJES). Os juízes Robson Luiz Albanez e Arthur José Neiva de Almeida, que já tiverem rejeitadas suas indicações à promoção ao cargo de desembargador, seguem encabeçando a relação dos togados mais antigos. A lista é seguida pelos juízes Jorge do Nascimento Viana, Paulo Roberto Luppi e Elisabeth Lordes. De acordo com informações do TJES, a nova relação segue as alterações trazidas pela Lei Complementar nº 661/12, que acabou com a divisão por entrâncias no Poder Judiciário. Até então, o tribunal publicava quatro relações de antiguidade distintas – contando o tempo de ingresso em cada entrância. A partir de agora, a lista de antiguidade – que define metade das vagas no Tribunal Pleno distribuídas aos magistrados estaduais – adotará uma nova fórmula. A nova lista de antiguidade classifica os magistrados em atuação na Entrância Especial até a data da publicação da lei em ordem decrescente de antiguidade na mesma, seguidos pelos magistrados de Terceira Entrância e assim sucessivamente, até que se esgote o seu rol, de forma que o membro mais novo da entrância superior seja considerado mais antigo que todos os membros da entrância inferior. Os juízes de Direito e substitutos nomeados após essa data serão posicionados em seguida, ao fim da lista. Atualmente, o tribunal tem sete cadeiras de desembargador vagas, sendo que, pelo menos, quatro delas devem ser preenchidas logo após a conclusão do atual concurso público para juiz substituto. Deste total, duas cadeiras devem ser ocupadas pelo critério de antiguidade. Apesar dos juízes Robson Albanez e Arthur Neiva figurarem como os candidatos naturais, os meios políticos e jurídicos não dão certeza sobre a promoção da dupla. Eles seguem às voltas com procedimentos disciplinares em tramitação na corte. Já as vagas por merecimento devem ficar com juízes mais ligados aos membros do Pleno. Na maioria dos casos, os escolhidos passaram pelo tribunal em substituição a desembargadores. Entre os principais cotadas estão duas juízas (Elisabeth Lordes e Janete Vargas Simões), que figuraram em recentes votações. Aparecem ainda os nomes dos juízes Walace Pandolpho Kiffer, Raimundo Siqueira Ribeiro e Luiz Guilherme Risso, que figuram também dentro do chamado quinto da magistratura – relação dos trinta juízes mais antigos, que podem ser escolhidos por merecimento.
Ministério da Saúde divulga balanço da campanha de vacinação contra o HPV
O Ministério da Saúde divulgou, nesta segunda-feira (31), o balanço da campanha de vacinação contra o Papiloma Vírus Humanos (HPV). Mais de 2,4 milhões de meninas já foram vacinadas contra HPV em todo o País, nas três primeiras semanas da campanha. O número representa 58% da meta do Ministério da Saúde, que é vacinar 80% do público alvo, o equivalente a 4,1 milhões de meninas na faixa etária de 11 a 13 anos. A vacina utilizada no Brasil é segura e recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). No Estado, já foram vacinadas 53.727, o que representa 73% da meta do Ministério da Saúde, que é de 73.456 meninas vacinadas. O índice coloca o Espírito Santo, junto com Tocantins, dentre aqueles que tiveram maior adesão à campanha, só ficando atrás de Santa Catarina com 85% (106 mil meninas vacinadas), São Paulo 80% (643 mil), e Rio Grande do Sul 73% (151 mil). O Ministério da Saúde recomenda que a primeira dose (de um total de três) seja aplicada nas escolas públicas e privadas que aderiram à estratégia iniciada no dia 10 de março. A vacina também está disponível nos 36 mil postos da rede pública de saúde durante todo o ano. A segunda dose será aplicada com intervalo de seis meses e a terceira, de reforço, cinco anos após a primeira dose. Segurança da vacina Usada como estratégia de saúde pública em 51 países, a vacina utilizada no Brasil é recomendada pela OMS e tem eficácia de 98% contra o vírus HPV. O Comitê Consultivo Mundial sobre Segurança das Vacinas, responsável por prestar assessoramento científico à OMS, atestou novamente a segurança da vacina contra o HPV, durante reunião realizada no dia 12 de março. Desde o lançamento da vacina contra o HPV, em 2006, mais de 170 milhões de doses foram aplicadas no mundo. Diversos estudos que monitoraram durante anos, milhares de pessoas vacinadas na Austrália, Europa e América do Norte, excluíram a ocorrência de eventos adversos graves ou permanentes. Proteção Para o primeiro ano de vacinação, o Ministério da Saúde adquiriu 15 milhões de doses. A vacina utilizada é a quadrivalente, que confere proteção contra quatro subtipos (6, 11, 16 e 18) do HPV, dos quais dois (subtipos 16 e 18) são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer de colo do útero em todo mundo. A vacinação é o primeiro de uma série de cuidados que a mulher deve adotar para a prevenção do HPV e do câncer do colo do útero. Ela não substitui a realização do exame preventivo e nem o uso do preservativo nas relações sexuais. O Ministério da Saúde orienta que mulheres na faixa etária dos 25 aos 64 anos façam o exame preventivo, o Papanicolau, a cada três anos, após dois exames anuais consecutivos negativos.
Justiça estadual suspende licitações vencidas por subsidiária da Delta
A Justiça estadual determinou a suspensão de duas licitações para obras de pavimentação do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado (DER-ES), que haviam sido vencidas pela Técnica Construções Ltda, subsidiária da empreiteira carioca Delta Construções. Em duas decisões liminares, a juíza da 2ª Vara da Fazenda Pública Estadual, Marianne Judice de Mattos, atendeu à solicitação da própria empresa para paralisar todos os atos relacionados às concorrências públicas até o exame das queixas contra a “filial” da Delta. No início de março, a direção do DER-ES anunciou a desclassificação da Técnica, que foi declarada como empresa inidônea pela Controladoria-Geral da União (CGU) – mesma decisão em que havia sido submetida à matriz, que hoje está em recuperação judicial. Nas ações protocoladas na última sexta-feira (28), a defesa da subsidiária alegou que a decisão da CGU foi suspensa liminarmente pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), assim como os efeitos da declaração da inidoneidade da empresa pelo Estado do Rio de Janeiro também foram suspensos pela Justiça. Nas decisões prolatadas nessa segunda-feira (31), a juíza Marianne Judice considerou como “prova inequívoca” a suspensão da restrição feita pela CGU após denúncias de fraudes em licitações da Delta: “O que leva a inevitável conclusão de que a suspensão que serviu de fundamento para a decisão da Procuradoria do Estado do Rio de Janeiro implica na suspensão desta. Considerando indiscutível o periculum in mora (perigo na demora) tenho por bem deferir, a antecipação de tutela para determinar a abertura das propostas da autora nos certames e, em se saindo a mesma vencedora, os atos sejam suspensos até ulterior deliberação deste juízo”. Nesta terça-feira (1), a presidente da comissão licitante do DER-ES, Fernanda Leal Reis, anunciou que a Técnica apresentou a melhor proposta da Concorrência Pública nº 060/2013, que prevê a construção de terraplanagem, pavimentação e sinalização da Rodovia ES-388, no trecho de cinco quilômetros entre a ES-060 (Barra do Jucu) e Morada da Barra, em Vila Velha. A subsidiária da Delta superou doze concorrentes com a oferta de R$ 21.255.628,36. A empresa também havia vencido outra concorrência (050/2013), única que havia chegado à fase de abertura dos envelopes. Na licitação, a Técnica apresentou o valor de R$ 38,64 milhões pelas obras de implantação e pavimentação da rodovia ES-388, no trecho rural entre Xuri e Amarelos, na divisa dos municípios de Vila Velha e Guarapari, com extensão de 17,4 quilômetros. Na última semana, a direção do DER-ES chegou a declarar a vitória da segunda colocada (Pelicano Construções S/A), porém, a decisão liminar também impede a execução do contrato. A subsidiária da Delta foi impedida em dezembro do ano passado de firmar contrato com órgãos e entidade do Governo Federal. A medida foi uma extensão da sanção imposta à matriz, em julho do ano anterior. Na época, a empreiteira carioca estava sendo investigada pela participação em um esquema de pagamento de propina para agentes políticos. Hoje, a empresa é alvo de investigações pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) e responde à ação de improbidade na Justiça capixaba. Os editais das licitações do DER-ES impedem expressamente a participação em qualquer fase das licitações de empresas que foram punidas por órgão ou entidade da administração pública de qualquer esfera da Federação.
?? esquerda ou à direita, capixabas formam um painel da eclosão do golpe militar no ES
Através do percurso de muitos personagens capixabas, ou de proeminente atuação no Espírito Santo, pode-se entender o tempo negro que baixou no Brasil a partir de 31 de março de 1964 e, mais especificamente, seus efeitos para o Estado. As figuras abaixo, e brevemente reunidas, apareceram em edições anteriores de Século Diário revendo o golpe militar de 50 anos atrás. — Homem de forte índole nacionalista, Ramon de Oliveira Netto era deputado federal em 1964. O então presidente João Goulart o avisara de que ele seria candidato ao governo do Estado pelo PTB, o partidos de ambos. Havia ali o interesse em mudar o rumo da política capixaba com um nome progressista. O golpe frustrou o projeto. Ao lado do próprio Jango, e de nomes como Luiz Carlos Prestes e João Amazonas, o nome de Ramon apareceu na primeira lista de cassação do regime: era o 13°. — Ele é um dos mais ativos dirigentes sindicais que o trabalhador capixaba já conheceu. Nome: Manoel Santana. “É verdade que não dei trégua ao patrão, por isso sofri quando veio o golpe. Tive até que me afastar do sindicalismo” disse em entrevista de 1984 ao jornalista Rogério Medeiros, republicada em Século Diário em 2001. Manoel ajudou a fundar o inúmeros sindicatos: dos Hoteis, Portuários, Trabalhadores em Transportes Marítimos, Gráficos, Bancários, sindicatos rurais, entre outros. Politicamente sensível e de alta capacidade aglutinadora junto ao movimento sindical, Manoel foi logo visado pelos golpistas de 64. Para estes, tratava-se de um comunista perigoso, agitador. Mas na mesma entrevista, ele manifesta uma opinião diferente acerca de suas colorações políticas: “Nada contra os comunistas, só que eu não era comunista”. Não importava. Logo aos primeiros movimentos do golpe, Manoel foi sacado do sindicato dos gráficos e do Conselho Sindical. — O delegado regional do Trabalho Bianor Ribeiro passou uma noite preso logo que explodiu o golpe; depois, foi enviado ao 38° BI (então 3° BC), na Prainha, em Vila Velha. Nada sofreu. Mas por que foi preso? Delegado de João Goulart, não se curvou ao empresariado capixaba. Queria ver respeitados e cumpridos os direitos dos trabalhadores, razão pela qual primava pela fiscalização dos direitos trabalhistas. — Na cidade, os personagens eram vários; mas no campo, um em especial se sobressaía: Breder. Guilherme Ataualpa de Montezuma Breder foi a principal figura de organização do campesinato capixaba daqueles tempos. Pelas mãos do deputado federal Ramon de Oliveira Netto, o agrônomo mineiro chegou para dirigir a Superintendência da Reforma Agrária (Supra). Mas ele foi além da função meramente técnica, graças a um grande senso de organização do campesinato, semeando no trabalhador uma consciência econômica e política. Em 31 de março de 1964, Breder se encontrava no Rio de Janeiro justamente pleiteando recursos para projetos de reforma agrária no Espírito Santo. Teve que deixar o Rio às escondidas. Mas quando pisou no Espírito Santo, um major apareceu-lhe: prisão no 3°BC ou em casa? Breder passou seis meses em prisão domiciliar e passaria a vida visado pelos militares. Teve até que mudar de profissão: virou pastor da Igreja Presbiteriana. — O cearense José Parente Frota, o General Frota, presidiu um movimento de massa que resultou na encampação da Companhia Central Brasileira de Força Elétrica, hoje Escelsa. Considerava o domínio da distribuição de energia um elemento fundamental para o desenvolvimento do Espírito Santo. Mas a formação nacionalista do General Frota foi ofuscada pelo conservadorismo do regime, aprisionado-o na Arena. — Ativo sindicalista desde a juventude, organizador de associações de bairros em Vitória, fundador de sindicatos rurais, integrante do Partido Comunista e, ainda por cima, hábil cavaquinista, Mestre Flores ficou preso por 10 dias em 1970. Em 64, foi até procurado, mas os militares eram ainda muito despreparados, o que facilitou a atuação clandestina de Mestre Flores. — Dirigente no estratégico Sindicato dos Ferroviários, cuja base era na maior parte formada por trabalhadores e funcionários da Companhia Vale do Rio Doce, Alcy Corrêa primava pela moderação. Mas o despreparo inicial dos militares, até para identificar a coloração ideológica de seus alvos, viu nele um radical. Corrêa era presidente do sindicato que eclodiu o golpe e foi preso algumas vezes. Sofreu particularmente perseguições do deputado estadual Hélcio Pinheiro Cordeiro, homem dos golpistas, e do ex-presidente do sindicato, o engenheiro Rubens Bley. — O ex-governador Vitor Buaiz compôs quadros de dirigentes dos movimentos estudantil, sindical e da Igreja. Teve uma presença forte no combate à ditadura militar, especialmente quando esteve à frente do Sindicato dos Médicos. — Quando o golpe militar estava prestes a eclodir, o célebre folclorista Hermógenes Lima Fonseca não estava no Espírito Santo: estava no Rio, a serviço do Comitê Central Partido Comunista Brasileiro (PCB). À época, sua atuação se dava em nível nacional. Mas voltou no início de março. O Folha Capixaba, jornal do Partidão, era visado pelos militares e Hermógenes, seu diretor. Quando chegou, deparou com o jornal fechado. Era 31 de março de 1964.
Enfermeiros paralisam atividades e protestam em frente à Prefeitura de Vila Velha
Os enfermeiros do município de Vila Velha realizaram um protesto nesta terça-feira (1), em frente ao prédio da prefeitura do município, cobrando um posicionamento da gestão sobre as demandas da categoria, que passam por melhores condições de trabalho e reajuste salarial. De acordo com a presidente do Sindicato dos Enfermeiros no Estado (Sindienfermeiros), Andressa Barcellos de Oliveira, a prefeitura marcou uma reunião com a categoria para o dia 17 de março, mas, segundo ela, não apresentou proposta, mas uma desculpa para o não atendimento às demandas. “Na sexta-feira (28) completou 30 dias de negociação, com quatro reuniões, e mais uma vez não apresentaram proposta, então agendaram outra reunião para quinta-feira (3)”, afirma Andressa. Ela ressalta, ainda que a categoria tem a menor remuneração da Grande Vitória e acrescenta que a falta de condições de trabalho no município, comandado pelo demista Rodney Miranda, coloca em risco a sociedade, já que não há infraestrutura. “Vila Velha tem um problema sério de esterilização dos materiais, as pessoas estão correndo risco de contrair doenças infecto-contagiosas”, salienta ela. Andressa também criticou a gestão privatizada de unidades de saúde. A gestão do Pronto Atendimento (PA) da Glória foi entregue à Organização Social (OS) Instituto Americano de Pesquisa, Medicina e Saúde Pública (Iapemesp), que é responsável pelo gerenciamento e execução das atividades e serviços de saúde desenvolvidos no PA. A categoria se preocupa com a gestão privatizada de unidades, explica Andressa, dizendo que onde a gestão da saúde tem sido feita por OS tem havido problemas com precarização de trabalho e as empresas saem e não pagam os direitos trabalhistas. “É uma relação de trabalho de muito assédio moral, de ameaças, sem contar que a gente não pode admitir que um prefeito ou um governador entre na gestão pública e depois entregue para ser feita por iniciativa privada, que recebe muito dinheiro para isso”, diz ela.
TJES institui comissão para realizar estudos sobre novo plano de cargos e salários
Em reação ao protesto dos servidores do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), realizado na última semana, o presidente da corte, desembargador Sérgio Bizzotto, instituiu uma comissão especial para realizar estudos sobre mudanças no plano de cargos e salários do tribunal. De acordo com o Ato Normativo nº 55/2014, publicado nesta terça-feira (1), o grupo vai contar com representantes do tribunal e do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário (Sindijudiciários). O relatório final deve ser entregue em até 90 dias. Segundo a publicação, o estudo vai identificar as alterações necessárias à modernização da gestão do TJES. O presidente da corte destacou que a “revisão de remuneração deverá obedecer aos parâmetros das leis orçamentárias e a disponibilidade financeira” do tribunal, que já recebeu o alerta do Tribunal de Contas do Estado (TCE) no ano passado, em função da elevação nos gastos com pessoal. O sindicato da categoria pede um ganho real de até 15% nos vencimentos de todos os servidores da Justiça estadual. A comissão especial será composta por cinco representantes do tribunal, mesmo número de servidores indicados pelo Sindijudiciários. Entre os membros titulares estão: o juiz auxiliar da Presidência, Rodrigo Cardoso Freitas; o secretário-geral do tribunal, José de Magalhães Neto; a secretária de Gestão de Pessoas, Ana Paula Gireli Bissi Tatagiba; e os assessores especiais da cúpula do TJES, Joaquim Pacheco Rodrigues e Adriano Vieira Spessimilli. Já o sindicato será representado pela presidente Adda Maria Monteiro Lobato Machado; a diretora administrativa, Gilcéia Martins Marcelino; o diretor de assuntos jurídicos, Altamir Rodrigues Xavier Júnior; assim como os serventuários Bruno de Oliveira Fabres e Maria Aparecida Peixoto Concínio Azevedo. Foram indicados ainda quatro membros suplentes na comissão por cada grupo. Segundo o ato normativo, a comissão deverá apresentar o relatório final em até 90 dias. O grupo deverá elaborar plano de trabalho para eventual elaboração de proposta de projeto de lei, contemplando a lista de atividades a serem desempenhadas. O texto será encaminhado para apreciação da Comissão de Reforma Judiciária, que vai submeter o resultado final para apreciação do Tribunal Pleno. Nesta terça-feira, o presidente do TJES também estabeleceu que o mês de maio de cada ano como a “data base” oficial dos servidores do Poder Judiciário estadual, oficializando a possível revisão anual da remuneração no referido mês. O Ato Normativo nº 56/2014 estabelece que a “data base” será antecipada para o mês de março nos anos em que serão realizadas eleições internas.
Câmara pressiona prefeito e cenário político muda em Conceição da Barra
O cenário político no município de Conceição da Barra, norte do Estado, emite sinais de mudança. Em seu segundo mandato, o prefeito Jorge Donati (PSDB) agora é pressionado pela Câmara de Vereadores. O tucano, que tinha o apoio da maioria do legislativo, inicia um processo de desgaste político, cenário tensionado pela proximidade do período eleitoral. Na última quinta-feira (20), os vereadores aprovaram por unanimidade um requerimento de informação do vereador Rogério de Oliveira Rufino (PTB) sobre a aplicação de recursos federais na área de saúde. O requerimento pede que o prefeito seja notificado para enviar informações sobre os gastos efetuados com recursos do governo federal, provenientes do Teto Financeiro MAC dos Municípios, no valor de R$ 700 mil. Os vereadores decidiram formalizar o pedido, já que as informações eram prestadas de maneira informal e a prefeitura não respondia aos questionamentos. Diante da cobrança da população por respostas na área, os legisladores querem saber como o dinheiro está sendo aplicado. Isso porque as Unidades de Saúde do município, segundo eles, estão sucateadas, sem medicamentos, exames e equipamentos, além de funcionarem com servidores desmotivados e estruturas comprometidas. Uma vez aprovado o ofício, o prefeito terá de enviar à Câmara todas as documentações referentes à solicitação, no prazo de 30 dias, conforme prevê a Lei Orgânica do Município e a Constituição Federal. A Câmara promete mais pressão. Outro requerimento em fase elaboração tem como foco o turismo no município. Os legisladores reclamam que no de Carnaval, realizada no mês passado, não houve transparência por parte da municipalidade na elaboração do calendário. Os vereadores afirmam que também não tomaram conhecimento das ações para os preparativos da festa. A mudança na postura da Câmara de Conceição da Barra reflete o atual momento político. Os vereadores alegam que neste primeiro ano de gestão houve um voto de confiança na gestão do tucano, mesmo ele tendo sido eleito para o segundo mandato. Na Casa, Rogério integra um grupo com outros seis vereadores que passaram a cobrar a prefeitura. Como são ao todo 11 vereadores, isso significa que Donati não tem mais a maioria no plenário, o que pode gerar problemas políticos e administrativos para o prefeito no decorrer deste ano.