Nascida em Conceição da Barra e neta de um quintandeiro, Bernadette Lyra já sabia que seria escritora aos sete anos quando ganhava livros do seu avó e sentia vontade de contar suas próprias histórias. Hoje, com doutorado e cinema e pós-doutorado em Sorbonne, na França, a escritora já participou de diversas antologias nacionais e internacionais e também já teve um livro censurado. A Capitoa é seu mais recente lançamento e conta a história de uma das primeiras mulheres a comandar um estado brasileiro no século XVI. Mesmo com pouquíssimos registros históricos, Bernadette Lyra resolver resgatar a história de Luisa Grinalda e transformá-la em protagonista de seu 11º livro. Apesar do contexto histórico é um romance de ficção, “uma fantasia”, como ela gosta de dizer. O livro faz parte de uma trilogia que começou com A panelinha de breu, que faz uma paródia com a história de Maria Ortiz. A terceira personagem Bernadette ainda não revela, mas na entrevista abaixo conta diversas histórias que envolvem sua literatura. Século Diário – O romance A Capitoa trata de dona Luísa Grinalda, uma mulher do século XVI, que foi a terceira donatária da capitania do Espírito Santo e a única mulher no Brasil a comandar uma capitania. Como surgiu a ideia de contar essa história? Bernadette Lyra – Eu sempre anoto os pequenos fragmentos de imagens e palavras que me ocorrem nos sonhos. Um dia, anotei: “A vida de uma mulher é feita de três vidas: aquela que se diz que ela teve; aquela que ela bem poderia ter tido; aquela que ela teve, de fato, e não será conhecida jamais”. Depois, pensei que essa frase poderia servir para que eu escrevesse a história de alguma mulher. De preferência, uma mulher que representasse outras, esquecidas pela História da Humanidade. O difícil seria escolher. Então, tive um insight: eu já havia escrito sobre Maria Ortiz, por que não escrever sobre a donatária Dona Luiza? Era a personagem perfeita para eu encaixar nas três vidas daquela frase sonhada. Nos anais quinhentistas não há quase nada sobre ela. As duas ou três linhas que a mencionam estão sempre metidas nos feitos dos homens como apêndices ornamentais. Não sabe nem mesmo seu sobrenome, que se desdobra em três: Grinalda, Grimaldi ou Grinaldi. E de seus amores, sofrimentos, desejos, alegrias, tristezas nada se conhece. Enfim, Dona Luiza pulou do passado e me apareceu como a matéria e a substância perfeitas para que eu aplicasse minha imaginação. – Apesar do contexto histórico é um romance de ficção assim como Panelinha de Breu (1993), que faz uma paródia sobre Maria Ortiz. Como é contar a história dessas mulheres que são pouco lembradas pelos livros de histórias? Há uma pesquisa mesmo com pouco registro sobre elas? – No caso desses meus dois livros, A Panelinha de Breu e A Capitoa, foi fascinante mesclar ficção e pesquisa na historiografia. E eu pesquisei muito. Antes e durante a escritura. Porém não faço romance histórico. Eu brinco com a História. Historiadores se preocupam com fatos, datas, confirmações. Buscam dados, registram o que acontece ou que aconteceu. Documentos, cartórios, manuscritos, arquivos, nada lhes é estranho. Ficcionistas, no entanto, só contam com a fantasia e com o risco. – Boa parte de suas obras, senão todas, são protagonizadas por mulheres. A Capitoa é também um livro sobre o universo feminino e conta principalmente as dificuldades e preconceitos que as mulheres enfrentavam naquela época apenas por estarem na condição de mulher. Há uma militância feminista em abordar esses assuntos? – Eu gosto de falar do que reconheço. Sou mulher e, em minha ficção, falo sobre mulheres, suas questões existenciais e seus sentimentos. O homem para mim é um desconhecido, um enigma, o outro lado da Lua. Talvez esteja sendo feminista quando deixo explícito que, em matéria de liberdade feminina, do século XV até hoje, o mundo não avançou tanto quanto alguns apregoam. Ainda há muito preconceito, muita discriminação, muito medo, muita opressão. Mas sei que a necessidade de enfrentar esses horrores faz parte de uma luta que perpassa ambos os sexos. – É verdade que A Capitoa Faz parte de uma trilogia que começou com A Panelinha de Breu? Sobre quem será a terceira obra? – Sim. Já estou recolhendo ideias e escrevendo sobre uma terceira mulher que completará essa trilogia de brincadeiras com a História do Espírito Santo. Mas não vou contar ainda. Só digo que Dona Luiza viveu no século XVI, Maria Ortiz no século XVII, e a minha personagem, agora, foi colhida no século XVIII. Espero que, dessa vez, a história não demore tanto a se configurar. Eu sonho com poder passar uns meses em uma cidadezinha capixaba, só escrevendo. Quem me dera! – Um de seus livros Aqui Começa a Dança (1985) foi censurado na época e considerado pornográfico. A senhora pode explicar melhor essa passagem? – Foi um episódio que seria cômico, não fosse trágico, em sua estupidez. O livro trata da vida entrelaçada de três mulheres. Mas, na época, umas senhoras da censura, em Brasília, acharam que a capa era ofensiva à moral e aos bons costumes, e que era indecente falar de gravidez de uma adolescente e tacaram a caneta vermelha no pobre Aqui Começa a Dança, juntamente com Das trips, coração, de meu amigo, o escritor Dau Bastos, e outros. Engraçado que eram livros de uma só editora, a Marco Zero, que era tida como “subversiva”. Isso provocou um movimento de revolta entre artistas, poetas e escritores, houve matérias de revistas e jornais protestando e até um abaixo-assinado, pela liberação dos livros, que circulou em todo o país. Foi uma gritaria boa! E nós, os ditos “escritores pornográficos” saímos pelo Brasil afora a fazer palestras em universidades e colégios contra a censura na literatura. Nem preciso dizer que as edições dos tais livros pseudo “pornôs” se esgotaram em pouco tempo. – Outra obra muito interessante é Tormentos Ocasionais (1998), livro que não há uma marca de gênero do
Quem pode, pode; quem não pode???
O deputado Gilsinho Lopes (PR) teve a coragem de mexer num assunto pra lá de espinhento, quase um tabu. Durante entrevista a Século Diário, publicada neste sábado (29), o parlamentar, ao comentar sobre a falta de efetivos na Polícia Militar capixaba, denunciou que enquanto a população fica descoberta, há agentes públicos que contam com um verdadeiro séquito de policiais militares fazendo as vezes de “segurança particulares” dessas autoridades. O deputado não se disse contrário à prerrogativa das pessoas que se sentem ameaçadas de requisitarem a proteção do Estado, mas chamou a atenção para o fato de estar havendo abusos. O republicano citou o exemplo de juiz Carlos Eduardo Ribeiro Lemos, que desde 2003, ano da morte do juiz Alexandre Martins, conta com a segurança integral de 16 policiais, que fazem também a proteção de sua mulher e filhos. Nesta segunda-feira (31), durante a sessão na Assembleia Legislativa, o deputado voltou a falar do assunto e avisou que vai pedir informações ao governo sobre a fundamentação para os gastos com segurança pessoal de autoridades. No segundo Estado mais violento do País, que tem em média um policial para cada 380 habitantes (a Organização das Nações Unidas – ONU – recomenda um policial para cada 250 habitantes), a demanda é mais que justa. A população que sofre as consequências diárias da violência, e por meio dos impostos é a financiadora do funcionalismo, tem o direito de saber quanto, com quem, até quando e os motivos que justificam a retirada de um policial da ruas para atuar na segurança particular de autoridades. Palavras do deputado: “Quero saber a fundamentação legal para essa proteção. Tem gente com segurança andando de stand-up pandle (esporte náutico praticado com auxílio de prancha e remo) e indo para boate com escolta. Se eles estão fazendo isso, então não precisam de seguranças pagos pelo Estado”. Mais uma vez o deputado está certo. É um direito do parlamentar, que em última análise é um procurador do povo, exigir transparência na cessão de policiais para este tipo de serviço. Um leitor que comenta a entrevista de deputado foi muito sensato na sua observação. “O Espírito Santo é o único Estado da Federação no qual autoridade são supostamente ameaçadas e não há qualquer inquérito ou ação penal apurando a sua autoria. Ao invés de disponibilizar segurança aos “ameaçados” que comparecem à salão de beleza, festas e outros locais fúteis, o aparelho de inteligência Estatal deveria estar apurando de onde partiram as ameaças para posterior punição na forma da lei”, escreveu Kleber Luiz Vaneli da Rocha. O leitor está coberto de razão. Será que todas essas pessoas que contam com “seguranças” 24 horas por dia registraram queixa ou tudo não passou de um subjetivo “acho que estou sendo ameaçado”. Se registraram, então já passou da hora desses crimes serem desvendados e os culpados presos. Afinal, quem está disposto a matar não pode ficar impune. Sem contar que a prisão dos criminosos significaria economia para o Estado, além de não desfalcar o efetivo das ruas. Vejam o exemplo do juiz Carlos Eduardo Ribeiro Lemos, citado pelo deputado. Já se passaram mais de dez anos e a polícia ainda não conseguiu identificar e prender os algozes que tramam a morte do magistrado? Enquanto isso, os 16 policiais seguem fazendo a segurança do juiz e de seus familiares. Em média, um segurança armado de uma empresa particular custa entre R$ 7 mil e R$ 10 mil mensais. Multiplicado por 16, o juiz teria que gastar no mínimo R$ 112 mil e no máximo R$ 160 mil mensais para manter uma escolta desse porte. É por essas e outras que a demanda do deputado é pertinente. Aliás, a transparência é a ferramenta mais eficiente para a população fiscalizar o poder público.
Barganha
A CPI da Petrobras, que tem tirado o sono do PT nacional, pode mudar a configuração política em alguns Estados, inclusive no Espírito Santo. É que, diante da possibilidade de o governo Dilma ser investigado, o PT já iniciou algumas conversas para abrir o campo em favor de candidatos ao governo pelo PMDB. O que poderia favorecer as negociações para uma candidatura do ex-governador Paulo Hartung, caso ele realmente tenha a intenção de ir para o confronto contra Renato Casagrande. No Ceará, a intenção do partido já andou. O caso de Hartung, porém, é diferente: ele não tem a maioria do PMDB, precisaria de intervenção da nacional. Além do mais, seria necessário o apoio do PT local, outro que está divido em relação à disputa majoritária. Quer dizer, há muitos obstáculos no meio do caminho. Ao mesmo tempo, hartunguetes comentam que o ex-governador já avisou: vai anunciar sua decisão sobre o pleito no próximo dia 21, data de seu aniversário. E Casagrande? Bom, o governador continua na mesma: reserva a candidatura de Hartung ao Senado em sua chapa, sonhando com a unanimidade, todos os dias. Só barulho Mas há quem aposte todas as fichas: Hartung deseja o mesmo. Incomoda o governador como estratégia. Coringa A impressão nos meios políticos é que Casagrande está trabalhando o secretário de Estado de Agricultura, Enio Bergoli, como uma reserva de luxo para as eleições. É um nome que tem força no interior e já foi ligado a Hartung, mas hoje é Casagrande “na veia”. Vai que a unanimidade não vingue…é um nome que pode funcionar como coringa. Guerra O prefeito de Itapemirim, Luciano de Paiva Alves (PSB), e o presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço (DEM), travam uma batalha feroz no Tribunal de Contas (TCES). É um denunciando o outro. Luciano, como se sabe, é sucessor da mulher de Ferraço, Norma Ayub (DEM). Aiai… Quer dizer que agora o delegado de Trânsito, Fabiano Contarato (PR), é candidato ao governo do Estado? Conta outra senador Magno Malta! Voz No PT, a troca da candidatura à reeleição do deputado estadual Cláudio Vereza por uma da senadora Ana Rita cria expectativa entre os movimentos sociais. Se eleita, ela poderá ser o Vereza de ontem. Ou seja, mexer bem com a questão ambiental e com as poluidoras. As comunidades impactadas pelos grandes projetos estão órfãs há muito tempo na Assembleia. Voz II Só de Ana Rita ter incomodado a Vale à frente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, já foi um grande feito. Principalmente diante de um assunto tão espinhoso como a prática de espionagem pela mineradora. Por aqui, com raras exceções, todo mundo é surdo e mudo quando se trata de Vale, ArcelorMittal, Aracruz Celulose (Fibria), Samarco, Jurong… Recepção O prefeito de Vila Velha, Rodney Miranda (DEM), esteve em Guaranhuns nesse sábado (29), para prestar contas a lideranças comunitárias e moradores sobre o que tem feito para prevenir a região dos efeitos das chuvas. A Prefeitura não conta detalhes, mas pouco provável que ele não tenha recebido sequer uma vaia, como ocorre nos locais onde o prefeito aparece ultimamente. Recepção II O povo canela-verde não está nada satisfeito. E com razão. Da região de Guaranhuns, então, nem se fala. Impossível estender o tapete vermelho para Rodney passar. 140 toques “Incêndio no Parque Paulo César Vinha destruiu 1/3 da área! Urgente criar sistema de prevenção e combate ao fogo!”. (Deputado estadual Cláudio Vereza – PT – no Twitter). PENSAMENTO: “A possessão do poder inevitavelmente dilapida o livre uso da razão”. Immaumel Kant
Os apagões nossos de cada dia
Houve um longo período em que o fornecimento de energia estava regular aqui em Vitória. Depois que o governo federal resolveu abaixar o preço do consumo, a primeira oportunidade de chuva, após uma longa estiagem, começaram os cortes repentinos. Em um fim de semana, estava assistindo um filme romântico de madrugada, quando de repente faltou energia, atrapalhando o enredo do mesmo, já que estava prestes a acabar. O desabastecimento demorou uns 20 minutos. Muito para os padrões de uma Capital, mesmo de madrugada. No mesmo fim de semana, no domingo, outro corte. Chovia manso. Os restaurantes da área nobre da cidade ficaram vazios de repente. Gritos de “pega ladrão” surgem nas ruas. Penso nos hospitais, nos geradores. Penso na rádio na qual trabalho. Será que os geradores entraram? Foi há uma semana. No domingo (23), jogavam, em partida internacional, Barcelona x Real Madrid e Vasco com um time pequeno no Rio. Ambos televisionados, mas que quase ninguém viu o começo destes jogos. Só 10 minutos depois. O corte desta vez foi maior, uns 30 minutos. Escrevo isso tudo imaginando a Copa do Mundo aqui no Brasil. Deverá acorrer esse tipo de acidente? E se acontecer? Afinal, tudo está sendo esperado nessa fatídica Copa. Até a seleção tropeçar. Aliás, se for acontecer, é melhor que a gente não veja por falta de energia. PARABÓLICAS Finalmente, Enfim, Iris Lettieri, aquela voz inconfundível do Galeão, se calou. A Infraero não renovou seu contrato. Ela já está com 73 anos e 37 de aeroporto no currículo. Atualmente, quem tem direito, leva aproximadamente 30 a 40 dias para renovar uma carteira internacional de cronista esportivo Lembrando o passado, Johnny Macumba foi o primeiro DJ que conheci em Vitória. Era residente na boate do mesmo nome. Jair Oliveira se tornou homem de negócios, um empresário, sem largar suas origens jornalísticas. MENSAGEM FINAL Se um único homem atingir a plenitude do amor, neutralizará o ódio de milhões. Mahatma Gandhi
Problemas no front
A semana passada foi difícil para o governador Renato Casagrande, com a movimentação dos demais grupos políticos interessados na sucessão estadual. Casagrande demonstrou irritação com as informações que circulavam nos meios políticos, que afirmou terem o objetivo de desestabilizar seu governo. Mas para os observadores, a tendência é de que Renato Casagrande retome o equilíbrio e consiga uma composição para a disputa eleitoral. Se no campo político a situação do governador é contornável, do ponto de vista administrativo é complicada. Na semana passada, o governo enviou para a Assembleia Legislativa o projeto com o reajuste para os servidores. Os deputados estaduais fizeram uma sessão extraordinária na manhã de quarta-feira (26), mas não adiantou. A reposição de 4,5%, para os servidores, não repõe a inflação do ano, deveria começar em 4,9%. A perda no governo Casagrande chega a 11%. Passada a greve dos médicos legistas que causaram uma tremenda dor de cabeça para o governo, a semana começou com as repartições públicas fechadas. A greve geral dos servidores públicos é um problema que Casagrande precisa resolver para evitar desgastes com o eleitorado. Com os serviços parados, a população fatalmente é afetada e a conta sobra para o governador. Os protestos nas ruas também chamam a atenção e aumentam o desgaste. O momento em que acontece a movimentação dos servidores não poderia ser pior para Casagrande. As instabilidades políticas, somadas aos problemas administrativos, em momento de troca de secretariado, que também movimenta o mercado, são muitas arestas que o governador Renato Casagrande tem de aparar antes do fim do semestre. Fragmentos: 1 – O clima nada agradável entre os deputados Theodorico Ferraço (DEM) e Glauber Coelho (PSB) indica que o demista deve mesmo concorrer à reeleição para a Assembleia e não a deputado federal. 2 – Em 2010, só Glauber e Theodorico se elegeram no sul. Este ano, Rodrigo Coelho (PT) e Marcus Mansur (PSDB) vão mais fortalecidos para a disputa na região. 3 – Aliás, a irritação com os deputados do PSB é geral no plenário. Os deputados temem que a máquina palaciana entre pesado na eleição, beneficiando os candidatos do partido do governador Renato Casagrande.
Protesto pega população e polícia de surpresa em Vitória
Uma manifestação no início da noite deste segunda-feira (31) pegou de surpresa a população e a própria polícia. Este foi o primeiro ato do ano nos moldes dos protestos de junho e julho do ano. Nas redes sociais, os organizadores chamavam a população para as ruas: “Se a Grande Vitória não melhorar, a ilha vai parar”, avisava o cartaz eletrônico postado no Facebook. Como no ano passado, o ataque isolado de pequenos grupos a estabelecimentos comerciais foi a justificativa que a polícia precisava para reprimir os manifestantes com violência, mesmo os que não estavam quebrando nada. As ações de confronto entre polícia e manifestantes aconteceram na Reta da Penha, na altura do MCDonald's. A maioria dos manifestantes não se envolveu na confusão e seguiu caminhando em direção à Assembleia Legislativa, destino final do protesto. Cerca de 400 manifestantes (100, segundo a Secretaria de Segurança Pública) gritavam palavras de ordem e destacavam os principais pontos da manifestação desta segunda-feira. Eles pediam melhorias na educação, saúde, segurança. Acesso à arte e à cultura, além da defesa do meio ambiente – criticaram os grandes projetos e os megaportos que estão sendo instalados no Estado. Os manifestantes, aproveitando os 50 anos do golpe militar (31/03/1964), protestaram contra os anos de chumbo. A Copa do Mundo, a criminalização dos movimentos sociais e o violento ataque da Policia Federal a professores da rede pública, que fizeram um ato no último dia 17, ocupando a BR 101 norte, na Serra, também foram registrados no protesto. Detenções Durante o protesto, que acabou por volta das 22 horas, a polícia efetuou várias detenções. Segundo a Sesp, foram registradas 43 ocorrências. Uma agência bancária teve a fachada quebrada. Um carro de reportagem da Rede Gazeta também teve um dos vidros estilhaçados. Jornalistas da TV Vitória disseram que foram hostilizados pelos manifestantes. Há informações que equipamentos foram quebrados. As equipes de reportagem registraram bolotins de ocorrências. As fachadas de alguns estabelecimentos comerciais na Praia do Canto também foram danificadas. Informações não oficiais dão conta de que 30 pessoas foram detidas, a maioria adolescentes. Os detidos teriam sido conduzidos para o Departamento de Polícia Judiciária (DPJ) de Vitória. Depois dos confrontos na Reta da Penha, houve uma ação violenta da polícia no acesso à Terceira Ponte, no momento em que os manifestantes intencionavam ocupar as cancelas da praça do pedágio. Segundo informações do NinjaES, os manifestantes foram reprimidos com violência pelos policiais da Rotam, embora estivessem sentados e pedindo “não violência”. Reprimidos pelos policiais, os manifestantes seguiram para a Assembleia. No local, eles fizeram uma nova assembleia. A plenária decidiu fazer uma reunião no próximo sábado (5), na Ufes, para avaliar o ato. Também ficou definido um novo protesto, que acontece na segunda-feira (7).
Vale oferece R$ 2 milhões de indenização a índios de Aracruz por cortar aldeias com ferrovia
Em reunião realizada nesta segunda-feira (31), a Vale apresentou uma contraproposta no valor de R$ 2 milhões de indenização às lideranças indígenas das aldeias de Comboios e Córrego do Ouro, em Aracruz, norte do Estado. Os índios realizam protestos há duas semanas, devido à recusa da mineradora em compensá-los pelo uso das terras há 30 anos, para passagem de sua ferrovia. O valor pleiteado pelos índios e acordado anteriormente com a empresa é de R$ 19 milhões. Esse total tem como base o necessário para o desenvolvimento da agricultura tradicional, principal demanda dos índios para garantir a subsistência das aldeias. Sem apoio do poder público e com os impactos gerados por décadas pelos plantios de eucalipto da Aracruz Celulose (Fibria), as famílias indígenas enfrentam dificuldades. Também participaram do encontro inicial o Ministério Público Federal (MP) e a Fundação Nacional do Índio (Funai), em suas instâncias nacional e estadual. Os índios recusaram a contraproposta da Vale e insistiram no valor inicial. Os representantes da empresa alegaram que precisam se reunir com a gerência da mineradora para avaliar a questão e disseram que essas reuniões acontecem somente às segundas-feiras. Por isso, uma nova reunião entre a mineradora e os índios foi marcada para a quarta-feira da próxima semana (9). Ainda nesta noite, será feita uma reunião na aldeia de Comboios para que a comunidade indígena decida se os protestos na estrada de ferro serão retomados ou, ainda, se dará entrada definitiva na ação civil pública que exige o pagamento pela Vale. A ação está pronta mas, diante da abertura de diálogo por parte da mineradora, o processo ainda não foi ajuizado no Ministério Público Federal (MPF). O pagamento da indenização deveria ter sido acordado com os índios em uma reunião que aconteceria no último dia 18 quando, ao invés disso, a Vale cancelou sua participação por um telefonema e enviou, por mensagem SMS, uma contraproposta de R$ 400 mil, valor irrelevante para o desenvolvimento do Plantar, projeto de agricultura tradicional desenvolvido pelos índios. Por conta disso, os índios optaram por fechar, em forma de protesto, a estrada de ferro da Vale, que corta as aldeias. Nesta terça-feira (1), a ocupação completa duas semanas. O segundo cancelamento da participação da Vale em uma reunião com os índios aconteceu no dia 23 e foi comunicada pelos advogados da empresa ao procurador da República responsável pelo caso, Almir Sanches. Diante de mais uma ação desrespeitosa, os índios, que haviam desocupado a ferrovia diante da proposta de diálogo, retomaram a ocupação. Durante os dias de ocupação, os índios acusaram a Vale de protelar a situação e ainda ameaçar usar força policial para retirá-los dos trilhos da ferrovia. A empresa também determinou sobrevoos de helicópteros nas terras demarcadas. Os índios reiteram que este é um protesto pacífico e, não à toa, cessaram as ocupações em todas as vezes que a mineradora demonstrou uma abertura de diálogo. Na quinta-feira (27), a Vale enviou um mandado de reintegração de posse da ferrovia que corta as aldeias e propôs a reunião desta segunda. A proposta foi acatada pelos índios, que suspenderam os protestos até que os resultados da reunião sejam debatidos com as aldeias.
Parque Paulo César Vinha reabre para visitação
Após um incêndio que destruiu cerca de 33% de sua extensão, o Parque Estadual Paulo César Vinha, em Guarapari, reabriu nesta segunda-feira (31) para visitação, entre às 8 e 17 horas. Para segurança do público, as áreas mais afetadas pelo incêndio foram isoladas. O fogo teve início no dia 20 de março e só foi contido cinco dias depois. Até o dia 10 de abril, o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) apresentará um relatório ambiental sobre o incêndio, com um levantamento mais preciso das áreas e espécies de vegetação afetadas pelo fogo e com o objetivo de identificar os locais prioritários para o início da recuperação e aperfeiçoamento do Programa Estadual de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (Prevines). No Parque Paulo César Vinha, há uma grande diversidade de ambientes, como lagoas, dunas e planícies alagadas, além de inúmeras formações vegetais como a Mata Seca, a Floresta Permanentemente Inundada, Brejo Herbáceo, formações abertas e a vegetação pós-praia. Segundo o Iema, a recuperação de restingas é altamente complexa em função do solo arenoso que dificulta o cultivo e, além disso, as áreas brejosas, afetadas em uma grande extensão, dependem de regeneração natural. Os animais mortos em função do incidente também serão identificados. No local, foram encontradas pacas, capivaras, ninhos de pássaros e répteis. O parque foi criado em 1994, com o objetivo de preservar uma faixa contínua de restinga, um dos ecossistemas mais ameaçados da Mata Atlântica. Tem área de 1.500 hectares, que reúne lagoas, dunas e planícies alagadas, além de espécies da flora e fauna ameaçadas de extinção e endêmicas. A unidade é circundada pela Área de Proteção Ambiental (APA) de Setiba, que funciona como sua zona de amortecimento e visa conservar a região marinha do arquipélago das Três Ilhas. O nome da unidade de conservação é uma homenagem ao biólogo Paulo César Vinha, morto em 1993, por atuar contra a extração de areia na região. Em 2008, o Parque sofreu um incêndio que atingiu cerca de 450 hectares, o equivalente a 450 campos de futebol, o que representava quase metade de sua extensão. Na época, metade de sua vegetação, boa parte composta por restinga, foi perdida e foram registradas mortes de diversos animais. O vento forte também foi um fator que dificultou o combate às chamas em 2008.
STF retoma discussão sobre doações de campanha de empresas
Na próxima quarta-feira (2), o Supremo Tribunal Federal (STF) deve retomar o julgamento da Adim que questiona a doação de empresas privadas para campanhas eleitorais. Em dezembro do ano passado, o ministro Teori Zavascki pediu vista do processo, interrompendo o julgamento. No mês passado uma comissão de parlamentares se reuniu com os ministros do Supremo para pedir a retomada da discussão na Corte. O Julgamento diz respeito à Ação Direta de Inconstitucionalidade da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) contra as doações de empresas privadas a candidatos e a partidos políticos. Na ação, a Ordem alega que são inconstitucionais os artigos da Lei dos Partidos Políticos e da Lei das Eleições. Pela regra, empresas privadas podem doar para campanhas até 2% do faturamento bruto obtido no ano anterior ao da eleição. Antes de ser interrompido, a tendência da corte era pela proibição das doações. Os ministros Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli e Joaquim Barbosa votaram favoráveis ao relatório do ministro Luiz Fux, que entende que as únicas fontes legais de recursos dos partidos devem ser doações de pessoas físicas e repasses do Fundo Partidário. Ainda em seu voto, o ministro Luiz Fux definiu um prazo de 24 meses para que o Congresso Nacional elabore e aprove uma lei uniformizando as doações de pessoas físicas e para recursos próprios dos candidatos. Hoje um cidadão pode doar até 10% de seu faturamento no ano anterior para uma campanha política.
Empreiteiras da Jurong prometem apresentar plano de contratação da mão de obra local
As empreiteiras contratadas pela Jurong para a construção do estaleiro em Aracruz devem apresentar até esta quinta-feira (3) um plano que contemple a mão de obra local. A contratação mínima de 80% de trabalhadores do município para o desenvolvimento e funcionamento do projeto é uma das condicionantes presentes no licenciamento do estaleiro. No entanto, esta não tem sido cumprida pela empresa de Cingapura. Segundo Joice Lopes, presidente da Comissão de Acompanhamento de Trabalho, Emprego e Meio Ambiente (Catema), as empreiteiras se comprometeram a incluir as comunidades de impacto direto nas contratações previstas para as obras do estaleiro. Desde janeiro de 2012, quando o empreendimento começou a ser instalado na região, a Jurong e suas empreiteiras cometem uma série de irregularidades trabalhistas, entre elas a não contratação do efetivo mínimo vindo das populações de impacto direto da obra e a falta de segurança e estrutura mínima de vivência para os trabalhadores. Por conta do não cumprimento da condicionante referente aos empregos que deveriam ser destinados à comunidade, os moradores de Barra do Riacho e adjacências já fizeram um protesto no começo deste mês, quando fecharam a pista da rodovia ES 010, no trecho entre Barra do Sahy e Barra do Riacho, na altura do quilômetro 60, impedindo o acesso às obras do estaleiro. O Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil do Estado (Sintraconst-ES), que também luta pela contratação dos trabalhadores locais, está convocando todos que foram demitidos pela Jurong durante o período da greve, que aconteceu no começo deste ano, para tomar as devidas providências, já que a empresa não pode realizar demissões enquanto os trabalhadores estiverem em paralisação. No último dia 19, a equipe de fiscalização do Sintraconst fiscalizaria as obras do estaleiro, ação que foi agendada anteriormente com a empresa. Entretanto, ao chegarem ao local, os fiscais foram informados de que a empresa não autorizou a equipe a entrar no canteiro de obras. A greve do Sintraconst está há uma semana suspensa. Para criminalizar o movimento dos trabalhadores, a Jurong anunciou que as ações do Sintraconst inviabilizam o término da construção, iniciada em Cingapura, do primeiro navio-sonda, de nome “Arpoador”, em Aracruz. O navio é encomenda das empresas Sete Brasil e Petrobras. Desde 2010, a região recebe trabalhadores de diversas partes do País, atraídos pelas promessas de emprego oferecidas pela Jurong e pela Petrobras. Os que não foram contratados pela Petrobras, ficaram no município, como uma população flutuante, aguardando os serviços da Jurong. Enquanto isso, os trabalhadores locais não são absorvidos, o que gera um grande problema social. Mesmo os contratados, são utilizados somente na fase de obras. Em janeiro deste ano, os trabalhadores da construção civil que atuam nas obras do estaleiro fizeram uma paralisação de 16 dias, findada após conciliação judicial entre as empresas e o Sintraconst, no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-ES). Eles pleiteavam melhoria no valor do salário da função de operador de guindaste; aumento na cesta básica para o valor de R$ 750; horas-extras no valor de 70% durante a semana e 150% aos sábados, domingos e feriados; e realização da eleição da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) das empresas recém-chegadas, além de um espaço para fazer as refeições, centro de vivência para o horário do almoço, número maior de banheiros e cartão alimentação. As populações tradicionais e os moradores que viram o avanço da construção do estaleiro já notam o aumento da criminalidade, a superlotação do sistema de saúde e de educação, e uma série de outros problemas sociais na região. No dia 3 de abril, a comunidade fará uma reunião com o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) para rediscutir o que foi definido como região de impactos diretos do estaleiro em seu Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima).