Há dois cenários que devem ser considerados para as eleições no Espírito Santo este ano. Um caminho é a disputa ficar regionalizada, como aconteceu nos pleitos passados, considerando a tendência de composição entre as principais lideranças do Estado exceto, é claro, o senador Magno Malta (PR), que não entra em palanque que tenha Paulo Hartung (PMDB). Outro é a verticalização do processo. A queda na aprovação da presidente Dilma Rousseff pode endurecer a disputa e aí o eleitorado relativamente pequeno do Espírito Santo fica com uma importância enorme. Pela interferência de lideranças nacionais até agora no processo, a tendência é esta. Além do ex-presidente Lula, que estaria articulando um palanque alternativo para isolar Eduardo Campos, o PSB nacional também já enviou emissários ao Estado para cobrar do governador socialista Renato Casagrande o apoio ao presidenciável de seu partido. Já o tucano Aécio Neves também interfere na discussão estadual. Ao mesmo tempo em que joga com a possibilidade de ter o palanque de Hartung, quer evitar o embate com Casagrande, devido ao acordo informal com Campos para levar a disputa presidencial ao segundo turno. A chance de a disputa nacional passar ao largo do Espírito Santo é uma recuperação da popularidade de Dilma, mas com a proximidade da Copa do Mundo e os protestos que são prometidos País afora, dificilmente haverá uma recuperação tão rápida da presidente. O primeiro semestre deve terminar com muita movimentação interna, mas de olho no cenário nacional. Além dos partidos que terão candidatos a presidente, as alianças nacionais em torno destas lideranças também vão influir no processo e aí também ficarão as proporcionais dependentes das intempéries do clima nacional.
Mostra Produção Independente da ABD Capixaba começa terça e segue até sábado
No primeiro semestre de 2013, uma série de manifestações populares ocorreu nas ruas de centenas de cidades brasileiras. Foi um momento histórico, no qual o audiovisual teve um papel muito importante, seja de registro ou denúncia. Com o tema Meu Tempo é Agora, a IX Mostra Produção Independente da ABD Capixaba propõe discutir esse momento e relacioná-lo com a produção audiovisual contemporânea. A tradicional mostra da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas do Espírito Santo (ABD) será realizada entre os próximos dias 1º e 5 de abril , no Cineclube Metropólis – Ufes. Na noite de abertura, nesta ter-feira (1), será exibido o longa Outro Sertão, de Adriana Jacobsen e Soraia Vilela. O filme tem como tema a estadia de João Guimarães Rosa na Alemanha nazista, Além da exibição de filmes e a aguardada Mostra Competitiva, para o presidente da ABD Capixaba, Ricardo Sá, o mais importante do evento é o pensamento que irá circular por meio dos debates e palestras. “Nesses momentos os realizadores vão compartilhar suas experiências. O formato que escolhemos, o relato de experiência, é um forma de promover um intercâmbio maior entre os profissionais. Também pensamos temas pertinentes que dialogam com as novas formas de produção contemporânea”, explica o presidente. O primeiro debate, a ser realizado na quarta-feira (2), será sobre as experiências de registro audiovisual feitas durante as manifestações populares ocorridas em Vitória em 2013. A segunda mesa de debates, na quinta-feira (3), discutirá um tema muito importante para os produtores audiovisuais capixabas: os filmes de longa-metragem. . Na sexta-feira (4), a programação de palestras irá oferecer aos estudantes e realizadores capixabas um painel dos mecanismos de produção audiovisual disponíveis no governo federal. Representantes da Associação Brasileira das Produtoras Independentes de Televisão, da Agência Nacional do Cinema e da Secretaria de Estado da Cultura (Secult) apresentarão os caminhos para viabilizar uma produção audiovisual por meio de fontes de financiamento federais e estaduais. Ainda na sexta-feira, a atividade que encerra a programação será uma mesa sobre produção para TV e outras mídias, como documentários, curtas-metragens, séries, web-séries, games e appbooks. A partir dos relatos de experiências de profissionais e de estudantes, serão levantadas motivações dos que se aventuram por este caminho da produção audiovisual. “Queremos orientar para os produtores sobre essas novidades oportunidades e os incentivar a produzir, inserir-se no mercado e também a refletir sobre essa produção”, diz Ricardo. Para o presidente, a Mostra da ABD é um espaço que promove a visibilidade da produção cinematográfica local e ao mesmo tempo insere o Espírito Santo nas principais discussões que vêm acontecendo no país em torno das atividades do setor. Mostra Competitiva Na Mostra Competitiva, concorrem 30 produções locais nos gênero ficção, documentário e videoclipe. Este ano a Mostra abriu espaço pela primeira vez para a exibição de dois longas-metragens, que são a ficção Mar Negro, de Rodrigo Aragão, e o documentário Tão Longe é Aqui, de Eliza Capai. As obras revelam um novo momento do cinema produzido no Espírito Santo. “A nossa curadoria não é restritiva, a mostra da ABD sempre teve esse caráter de ser a mais aberta possível”, explica Saskia Sá, que junto com Edson Ferreira foram os curadores da Mostra Competitiva, que começa a partir de quarta-feira (2), sempre às 19h. Os dois cineastas deixam claro também que essa forma de curadoria não diminuiu a qualidade dos filmes exibidos. A mostra respeita critérios mínimos de narrativa e linguagem, mas o julgamento fica para o público. Para os curadores, o diferencial da Mostra da ABD está na diversidade. Há obras feitas em oficinas, animações, documentários, videoclipes, filmes produzidos para web, ficções e registros das manifestações. “Percebemos que no Espírito Santo há uma grande diversidade de linguagens diferentes e uma quantidade expressiva de filmes também”, diz Saskia. Lançamentos Como estratégia para fazer circular e repercutir as obras e debates presentes no evento, durante IX Mostra Produção Independente – Meu Tempo é Agora serão lançados e distribuídos gratuitamente a 4ª edição da Revista Milímetros, o DVD Coletânea da Mostra e o catálogo digital 101 Filmes Capixabas. A Revista Milímetros apresenta textos que refletem sobre a produção audiovisual independente do Estado e também funciona como catálogo dos filmes que fazem parte da programação da Mostra Produção Independente. Já o DVD Coletânea da Mostra reúne as produções locais de curta-metragem exibidas na Mostra Competitiva e funciona como um mecanismo de difusão desse conteúdo audiovisual. Uma iniciativa do site Panela Audiovisual, o catálogo 101 Filmes Capixabas é uma publicação no formato e-book que reúne as produções locais realizadas entre 1999 e 2014, além de trazer reflexões sobre o circuito cinematográfico do Espírito Santo. A IX Mostra Produção Independente – Meu Tempo é Agora é uma realização da ABD Capixaba e conta com o patrocínio da Secult. São apoiadores do evento o Cineclube Metrópolis, a Universidade Federal do Espírito Santo, a Organização dos Cineclubes Capixabas (OCCa), o site Panela Audiovisual, a ABD Nacional, o Fórum dos Festivais, a Associação Brasileira das Produtoras Independentes de Televisão (ABPITV) e a Agência Nacional do Cinema (Ancine). Programação IX Mostra Produção Independente – Meu Tempo é Agora TERÇA-FEIRA (1) 19 horas – Lançamento da Revista Milímetros nº 4 19h30 – Exibição do Filme de Abertura QUARTA-FEIRA (2) 14 horas – Mesa 1: Filmagem, Transmissão e Cobertura das Manifestações – O Audiovisual Contemporâneo e a Cultura das Redes 19 horas – Mostra Competitiva de Curtas e Longas-Metragens Capixabas QUINTA-FEIRA (3) 14 horas – Mesa 2: Relatos de Experiências de Realizadores de Longas-Metragens Capixabas 19 horas – Mostra Competitiva de Curtas e Longas-Metragens Capixabas SEXTA-FEIRA (4) 9 horas – Palestra 1: Orientações sobre o Fundo Setorial do Audiovisual (palestra com representante da Agência Nacional do Cinema) 11 horas – Palestra 2: Orientações sobre os Editais de Audiovisual 2014 da Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo (Palestra com representante da Secult) 14 horas- Palestra 3: Políticas
Limites do mapa do Espírito Santo vão mudar, anuncia Idaf
O mapa do Espírito Santo deve mudar e ganhar mais 42 quilômetros quadrados de extensão, equivalente a quase metade do tamanho de Vitória – que tem 93 quilômetros quadrados de área. A informação é do Instituto Estadual de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf), que identificou divergências na localização dos marcos e a divisa atualmente utilizada entre o Estado e Minas Gerais. As novas áreas estão localizadas no município de Ecoporanga, na região noroeste capixaba, que faz parte da antiga “região do contestado”. De acordo com informações da autarquia, os técnicos do Idaf localizaram as divergências nessa quinta-feira (27), após medições no local. Os marcos foram fotografados e georreferenciados – quando suas coordenadas geográficas são catalogadas –, utilizando a tecnologia de GPS. Na ocasião, os técnicos identificaram uma diferença média de dois quilômetros em seu posicionamento, o que resultava na “perda” de um pedaço do território pertencente ao Estado. “O Espírito Santo estava perdendo uma área de aproximadamente 42 quilômetros quadrados, o que equivale a 4.300 campos de futebol, por exemplo”, afirmou o chefe da Seção de Geografia e Cartografia do Idaf, Vailson Schineider. Além da importância para os produtores rurais da região, o “novo” mapa capixaba assume o papel histórico, uma vez que o local foi alvo de disputas entre Espírito Santo e Minas Gerais. O município de Ecoporanga e os demais da região noroeste fazem parte da antiga “região do contestado”, uma faixa de terra que durante muitas décadas foi disputada por mineiros e capixabas. Na década de 1960, um acordo bilateral pôs fim à disputa e foram constituídas equipes técnicas com representantes dos dois estados para a implantação de marcos de divisa ao longo da linha litigiosa, que permaneceram até hoje. Foram justamente esses marcos que foram checados pelos técnicos do Idaf, que seguem para a próxima fase do trabalho. Segundo informações divulgadas pelo Idaf, a próxima etapa consiste no ajuste digital da divisa nos sistemas e bases informatizadas, assim como a alteração no mapa estadual. Pelos limites atuais, o Espírito Santo conta com uma área total de 46.078 quilômetros quadrados. Somente o município de Ecoporanga tem uma área de 2.283 quilômetros quadrados, sendo o terceiro maior em extensão, com aproximadamente 5% de participação na área total do Estado.
Vitória tem competência para definir seus padrões de qualidade do ar
O município de Vitória pode legislar sobre poluição atmosférica, inclusive editando normas de caráter ainda mais protetivo em relação às legislações estadual e federal, de acordo com o Parecer n° 351/2014 da Procuradoria Geral do Município (PGM), assinado pela procuradora Flávia Marchezini. O documento foi elaborado como resposta aos questionamentos enviados pelo secretário municipal de Meio Ambiente e presidente do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema), Cleber Guerra, após o Conselho ter aprovado uma moção de apoio ao Relatório Síntese dos trabalhos do Grupo de Trabalho Interinstitucional (GTI) Respira Vitória. O secretário enviou à procuradoria três questionamentos, nos quais resume questões amplamente debatidas durante os 15 meses de trabalhos do GTI para aprovar padrões municipais de qualidade do ar que, posteriormente, foram “tratorados” por decreto estadual sobre o mesmo assunto. Na 16ª reunião do GTI Respira Vitória, em dezembro último, foi decidido que as instituições aguardariam o posicionamento da PGM, para que seja criado um grupo para a elaboração da minuta de lei orgânica que estabelecerá os padrões de qualidade do ar para a Capital. Na ocasião, Flávia Marchezini enviou um comunicado esclarecendo que a PGM é favorável à autonomia legislativa municipal sobre o assunto, o que foi confirmado no documento. Ainda naquela data, o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) e a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) declararam que uma legislação municipal sobre a qualidade do ar seria dispensável, dado que já existe um decreto estadual que rege justamente sobre essa questão em nível estadual – o que afirmou ao contrário a procuradora em seu parecer. Flávia Marchezini, antes de responder aos questionamentos, ressaltou que o modelo de interinstitucionalidade atende ao princípio da gestão democrática das cidades e da participação popular na defesa do meio ambiente. Além disso, tomando como plano de fundo o Grupo de Trabalho Interinstitucional de Revisão dos Padrões de Qualidade do Ar e Aprimoramento da Gestão Integrada da Qualidade do Ar no Estado de São Paulo, a procuradora afirma que o modelo costuma render bons frutos. De pronto, devido à ampla participação popular e, inclusive, da administração municipal, a procuradora afirma não vislumbrar problemas de legitimidade ou iniciativa em um eventual projeto de lei produzido a partir do relatório síntese do GTI. A primeira questão é: “Considerando que a qualidade do ar na Grande Vitória é afetada por diversos fatores, sobretudo por ventos dominantes, que extrapolam as fronteiras do município do seu entorno, como tratar esta questão metropolitana numa lei municipal que defina padrões de qualidade do ar apenas para a nossa capital?”. Para esse questionamento, a procuradora lembra que no Artigo 30 da Constituição da República, sobretudo nos incisos I, II e II, estão assegurados aos municípios os direitos de legislar sobre assuntos de interesse local, suplementar à legislação federal e à estadual no que couber e promover adequado ordenamento territorial, mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano. Diante disso, lembra que o relatório final do GTI aponta em diversos momentos os danos e riscos à saúde dos moradores de Vitória, bem como os problemas das partículas sedimentáveis e outros que, mesmo não sendo exclusivos do município, são questões locais. Em seguida, a procuradora lembra que embora os municípios não possam legislar em desacordo às normas federais e estaduais, podem torná-las mais protetivas, bem como “estabelecer normas e padrões mais rígidos de qualidade ambiental”. Em seguida, afirma que, desde que estabelecendo normas mais protetivas do que as legislações federal e estadual, e mesmo sendo afetada por fatores extraterritoriais, o município pode, sim, definir seus próprios padrões de qualidade do ar. Pra a procuradora, o Decreto Estadual nº 3463-R, de 16 de dezembro de 2013, que rege sobre a qualidade do ar no Estado, tornou o procedimento, por parte da prefeitura, ainda mais fácil, “bastando ao município suprir suas lacunas (competência supletiva) e/ou detalhar a legislação (competência complementar)”. Marchezini lembra, também, que o decreto não define prazos claros e, para a procuradoria, pareceu estabelecer padrões, metas e prazos aquém daqueles estabelecidos pelo GTI, além de se ausentar da questão da da poeira sedimentável. Questões que, destaca, podem ser resolvidas pela legislação municipal. Em relação ao segundo questionamento feito pelo secretário Cleber Guerra, a respeito da medida jurídica mais recomendada para a adoção de normas mais rígidas no controle e fiscalização das fontes emissoras localizadas no município, a procuradora respondeu que, quando comparada à definição dos padrões de qualidade do ar, a definição de padrões de emissão é, certamente, mais facilmente caracterizada como interesse local. Entretanto, lembra, “a intensificação da fiscalização terá seus efeitos minimizados se os padrões de qualidade e emissão estiverem desatualizados e as empresas estiverem agindo em uma 'legalidade aparente”, dada a insuficiência ou até mesmo ausência de regulamentação (como no caso das poeiras sedimentáveis)”. A procuradoria recomenda que, diante de uma norma que adapte os padrões atuais às normas da Organização Mundial da Saúde (OMS), seja exercido o devido poder de polícia. Posteriormente, ressalta que essa nova legislação deve estar “sob vistas do Comdema”.
Audiência pública na Câmara de Vila Velha deve definir destino de unidade do Iases
A prefeitura de Vila Velha, depois de embargar a reforma no antigo Instituto de Readaptação Social (IRS), feita pelo Instituto de Atendimento Socioeducativo (Iases), na última segunda-feira (25), deliberou pela interdição total da obra, a partir da desta segunda-feira (31), visando impedir o acesso de qualquer pessoa ao local. Os moradores da região também se opõem à transferência dos adolescentes para a unidade e devem participar de audiência pública na Câmara do município, proposta pelo vereador Anadelso Pereira (PTN), para debater a implantação de uma unidade no local. A data para a realização da audiência não está definida, mas prevista para a primeira semana de abril. Além dos vereadores, deve contar com a presença de representantes da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), da prefeitura de Vila Velha e das comunidades situadas na região da Glória, As reclamações tiveram início depois que o projeto foi iniciado, sem conhecimento da comunidade e autoridades do município . A reforma do prédio do IRS para o recebimento de 192 adolescentes em conflito com a lei foi denunciada por entidades sociais em fevereiro deste ano. No documento, as entidades advertem que o IRS foi desativado por não reunir condições para o processo de ressocialização dos presos. “Esse tipo de medida é uma afronta aos direitos preconizados no Estatuto da Criança e do Adolescente (Ecriad), revelando a face repressiva e punitiva que vem se sobrepondo na abordagem governamental em relação à questão da criança e do adolescente”, completa a nota. A nota é assinada pelo Fórum dos Servidores do Iases, o Conselho Estadual de Direitos Humanos, o Conselho Estadual dos Direitos da Criança e Adolescente, o Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Serra, o Conselho Regional de Serviço Social 17ª Região e o Conselho Regional de Psicologia 16ª Região.
PCdoB se organiza para conquistar vaga na Assembleia Legislativa
O PCdoB do Espírito Santo vem realizando uma série de encontros com os diretórios municipais, com a meta de consolidar uma chapa proporcional forte para disputar a eleição deste ano. Depois do êxito na disputa de 2012, quando o partido elegeu o prefeito de Baixo Guandu (noroeste do Estado), Neto Barros, o desafio deste ano é conquistar uma vaga na Assembleia Legislativa. Em fevereiro passado, o partido realizou um Encontro Estadual Pré-eleitoral, com a participação de 50 dirigentes e lideranças de todas as regiões do Estado. No sábado passado, dirigentes e militantes do PCdoB de Vitória e da direção estadual estiveram reunidos com a secretária nacional de Organização Adjunta, Neide Freitas, discutindo o cenário capixaba. Em nível nacional, o partido apoia a reeleição de Dilma Roussef, por isso, o partido trabalha hoje com o palanque de neutralidade do governador Renato Casagrande. Mas se o cenário mudar, com a construção de um palanque do PMDB e PT, o PCdoB terá de reavaliar seu posicionamento no Estado. Para alcançar o objetivo de garantir a representação na Assembleia, o partido quer mobilizar a todos os dirigentes e militância, tanto na montagem da chapa quanto na condução do processo eleitoral. Na semana passada, a comissão eleitoral se reuniu com as direções municipais de Aracruz, Castelo e Vargem Alta. Esta semana foi a vez de João Neiva e São Gabriel da Palha, onde a direção municipal está muito animada com a pré-candidatura de Nodir Colombo, liderança respeitada do movimento dos pequenos agricultores e do sindicalismo rural. Na próxima semana outros municípios serão percorridos, e até meados de abril, o PCdoB já deverá ter a definição de um conjunto de pré-candidatos para consolidar a estratégia.
???Ir para uma boate com seguranças do Estado é um acinte???
Rogério Medeiros e Renata Oliveira Fotos: Gustavo Louzada/Ag. Porã À frente da Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa, o deputado Gilsinho Lopes (PR) garante estar afinado com a base do governador Renato Casagrande, mas faz críticas à gestão na área. Para ele, falta planejamento e sobram vaidades entre os agentes da segurança pública no Estado. Apesar de admitir o aumento nos investimentos, Gilsinho critica a forma como são conduzidas as pastas responsáveis pelo setor. Acredita que se a Comissão fosse ouvida na elaboração de projetos e políticas públicas para a área, muitos problemas seriam resolvidos, já que os deputados circulam todo o Estado, fazendo audiências públicas e ouvindo as demandas da população de cada região. Sobre a disponibilização de policiais militares para a segurança particular de algumas autoridades, como vereadores, prefeitos, juízes e promotores, o parlamentar afirma que é preciso uma investigação para saber a real necessidade das escoltas, afinal, o cidadão comum que presencia crimes ou que é ameaçado não tem os mesmos privilégios. Século Diário – O governo alega que nunca se investiu tanto em segurança como atualmente e joga para a gestão anterior um déficit de ter investido pouco ou quase nada na área. Até onde isso é verdade? Gilsinho Lopes – É uma realidade. Nos oito anos passados, não houve concurso, não houve investimento em tecnologia, não houve investimento em equipamentos e em treinamento, nem capacitação dos profissionais. Tanto é que tínhamos de 2000 a 2002, em municípios pequenos, como Mucurici e Ponto Belo, 10 policiais trabalhando diariamente. Em 2010, nós só tínhamos dois policiais nesses mesmos municípios e em todos os distritos foram desativados os DPMs [Destacamentos Policiais Militares]. Isso tem gerado muitos furtos e roubos no interior, nas zonar rurais, e foi detectado pela Comissão de Segurança, nas audiências públicas. – Também não foi feito concurso para a área, não é? – Em 2010 foi realizado um concurso pelo governo Paulo Hartung [PMDB] para delegados, peritos e escrivães. Foi um concurso para 39 delegados. No governo Renato Casagrande conseguimos de 39 nomear até o 115º delegado. De 60 escrivães, conseguimos nomear mais 66. No governo de Renato. Na Polícia Militar também foi feito concurso para recomposição do quadro. Os Batalhões de Missões Especiais [BMEs], o GAO [Grupo de Apoio Operacional], a Rotam [Ronda Ostensiva Tática Motorizada], que foram criados, não tinham efetivo suficiente e têm uma infraestrutura boa para o trabalho. – O governo vem investido em um discurso uníssono entre os aliados de que o Estado não produz armas, é preciso investir no fechamento de fronteiras, no policiamento das divisas do Estado. Como vê essa questão? – Sou vice-presidente da Comissão Nacional de Segurança. Tenho rodado o Brasil inteiro com o deputado João Leite [PSDB], presidente da Comissão de Segurança da Assembleia de Minas Gerais e presidente da Comissão Nacional de Segurança. Estivemos no Amazonas, que tem mais de 11 mil quilômetros de fronteiras abertas. Nós temos, na Polícia Federal, apenas 11 mil agentes, delegados. Se colocássemos um a cada quilômetro no Amazonas, não teríamos outros no restante do País. Se eu pego um veículo aqui e anuncio em todos os meios de comunicação, saio daqui, vou para Mato Grosso, chego à Bolívia, trago contrabando de lá para cá, e ninguém vai me parar. Mas se o cidadão estiver com o documento vencido do veículo, ele é parado. Vemos muitas operações para coibir quem traz divisas para o Estado e não para coibir o delinquente que está trazendo drogas para o Estado. – O senhor como delegado já participou de operações nas fronteiras? – No governo Vitor Buaiz [1995-1998] nós tínhamos as operações “fecha fronteira” , que aconteciam nas divisas do Estado com Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. Nós evitávamos a entrada, apreendíamos o material contrabandeado, mas esses postos foram desativados, não há nenhuma base de sustentação de operações nesses locais. Então, o discurso do governador de que não há proteção nas fronteiras, estão sem proteção, sim. Não há um enfrentamento aos grandes traficantes. Eu sou de um tempo em que havia poucas bocas de fumo, você sabia onde era. A boca de fumo de Vitória era na Ilha do Príncipe. Hoje em qualquer rua, em qualquer esquina, há uma boca de fumo, controladas por traficantes vindos de fora, que estão expulsando os moradores, expulsando os pequenos traficantes. Da parte da política há falta de instrumentação, de testemunhas, o que leva a um inquérito fraco. Aí vem aquela máxima de que “a polícia prende, a Justiça solta”. Muitos julgamentos são feitos, muitos recursos são colocados e os advogados batem na tecla de que ainda não há um laudo pericial consistente. Um exame toxicológico feito no interior vem para Vitória, para o Departamento Médico Legal e demora mais de 60 dias para ficar pronto. E o Código do Processo Penal diz que o cidadão não pode ficar mais de 81 dias sem ser denunciado. Mas tem gente que está há três, quatro anos… – Nessa quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal mandou soltar um acusado que estava há quatro anos preso, sem julgamento. – E tem outros presos nesta mesma situação nos presídios do Estado. No mandato passado, visitamos na Comissão as unidades prisionais, com os procuradores da Assembleia, olhamos os processos e conseguimos soltar vários presos que estavam com a cadeia vencida. Essa é uma dificuldade que o Estado tem de não ter defensores à disposição daquelas pessoas que estão encarceradas. Ficam misturados. Um indivíduo que entra pelo furto de uma bicicleta sai especialista em tráfico de drogas. – Há uma ideia constituída de que polícia na rua traz sensação de segurança. Segundo consta, o governador Renato Casagrande teria recebido um efetivo policial de seis mil homens e já botou mais três mil. É isso? – Neste governo. – No governo passado, parece que foram feitos apenas 300 PMs… – Trezentos e cinquenta soldados e não colocou aqueles que foram aprovados em
???Foi Jorge???
A prisão do jardineiro Cristiano Rodrigues, na manhã desta sexta-feira (28), trouxe à tona mais um capítulo do “Crime da Ilha”, que já se arrasta por mais de uma década. Em janeiro de 2003, Cláudia Soneghetti, de apenas 28 anos, foi morta juntamente com a sua empregada, Mauricéia Rodrigues, de 20 anos. As duas foram assassinadas por asfixia e tiveram os corpos parcialmente carbonizados. Na época, o empresário Jorge Donati, hoje prefeito de Conceição da Barra, foi apontado como mandante do crime. Os irmãos Cristiano e Renato dos Santos Rodrigues foram apontados como executores. Em 2012, os irmãos foram a julgamento. Renato acabou sendo condenado apenas por receptação e está em liberdade. Já Cristiano foi condenado a 41 anos de prisão pela autoria do crime. Apesar da condenação, Cristiano só foi preso na madrugada desta sexta-feira (28). Muita gente deve estar se perguntando: nossa, que estranho! O acusado vai a júri popular, é condenado. O juiz o sentencia a 41 anos de prisão, diga-se, uma senhora pena em face à gravidade do crime, mas, mesmo assim, o condenado sai do júri e em vez de ir direto para a prisão vai para casa. O advogado recorreu da decisão e rogou que o seu cliente aguardasse o julgamento do recurso em liberdade. Estranhamente, considerando a gravidade do crime e a enorme repercussão, o juiz acatou o pedido da defesa que permitiu que o jardineiro permanecesse livre até hoje. Como a Justiça é morosa por natureza, o vai e vem do processo se arrastou de maio de 2012 até março de 2013, quando o Tribunal de Justiça do Espírito Santo ratificou a decisão de primeiro grau e o processo transitou em julgado. Depois de quase um ano, o processo retornou novamente para o juiz que o sentenciou. Desta vez, o juiz expediu o mandado para prender o condenado. Isso significa que o réu, após ser condenado a 41 anos de prisão, ficou quase dois anos em liberdade, sabe-se diabos fazendo o quê. Sem contar que o crime ocorreu em janeiro de 2003. Um lapso temporal de mais de uma década. Só a partir desta sexta é que o assassino vai começar a pagar pelo crime que cometeu há mais de uma década. Mas os enigmas do Crime da Ilha não param por ai. Ao ser preso, Cristiano voltou a acusar Donati de ter sido o mandante do crime. Ao ser perguntado quem teria encomendado o crime, Cristiano declarou na delegacia à reportagem da TV Vitória, com todas as letras: “Foi Jorge”. Ele ainda acrescentou que o crime foi motivado por problemas relacionado aos bens do casal. “Negócio de herança”, explicou. No processo, Jorge Donati é formalmente acusado de ser o mandante do crime. Em janeiro deste ano, Donati foi intimado pelas Câmaras Criminais Reunidas do TJES para designação de audiências com testemunhas do processo. Ele deve ser ouvido a partir de maio próximo. Já passou da hora de a Justiça dar um ponto final neste caso. Não é razoável que as famílias de Cláudia e Mauricéia tenham que esperar outros dez anos para saber se Jorge Donati é ou não responsável pelo mando do duplo homicídio.
Pesadelo
Se a situação do prefeito da Serra, Audifax Barcelos (PSB), já não está boa, pode piorar. Basta que se consolide a chapa formulada pelo ex-presidente Lula para o Estado, que tem o ex-prefeito do município Sérgio Vidigal (PDT) como vice do ex-governador Paulo Hartung (PMDB). Seria a reedição de mais uma disputa entre o socialista e seu adversário político de longa data. Nas duas últimas eleições, Audifax saiu vitorioso. Primeiro foi o deputado federal mais votado do Estado, liderando também na Serra a competição com a mulher de Sérgio, Sueli Vidigal (DPT). Depois levou a prefeitura numa disputa com o ex-prefeito, que tinha a máquina na mão. Desta vez, porém, o cenário não parece nada favorável e Audifax poderá entrar em área de risco. O socialista enfrenta vários problemas de gestão e ainda a insatisfação da população e da Câmara de Vereadores. Se Vidigal topar o chapão, vai com tudo para cima do prefeito, pois melhor momento não há para ir às forras. Em jogo estará a eleição de 2016. Promete. Só pensa naquilo Quanto mais se mexe no assunto, mais o ninho tucano fica em alvoroço. Refiro-me, é claro, às propagandas que estão no forno para serem divulgadas e, assim, pegarem de jeito o governador Renato Casagrande. Pelo visto, papo ainda tem muito para render. Só pensa naquilo II Uns apoiam o conteúdo, fazendo coro aos interesses do ex-governador Paulo Hartung (PMDB); outros acham que as propagandas devem ser barradas, como estão temporariamente, por determinação do senador Aécio Neves. Bom lembrar: também tem hartunguete em tudo quanto é canto no PSDB. Novo O Metro Jornal começou a circular na Grande Vitória nesta sexta-feira (28). Franquia é do Grupo Sá Cavalcante e distribuirá, gratuitamente, 30 mil jornais de segunda a sexta nos municípios de Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica. O governador Renato Casagrande e o seu vice Givaldo Vieira estiveram no lançamento. Tudo certo Terminou com êxito o procedimento cirúrgico a que se submeteu o empresário José Luiz Kfuri, em São Paulo, nesta sexta-feira (28), em decorrência de problemas cardíacos. A coluna deseja rápida recuperação. Barulho O ex-prefeito de Vila Velha e Cariacica Vasco Alves (PR) jura que irá promover, na próxima segunda-feira (31), às 18 horas, um ato de repúdio à ditadura militar. Será na Praça Duque de Caxias, no município canela-verde, onde Alves diz ter sido sitiado e assediado por militares no período. Vai dar caldo? Protagonista O vereador de Viana Biro Biro (PP) anuncia empolgado que terá sua história contada em documentário produzido por alunos da Escola Irmã Dulce Lopes Pontes. Mais ou menos assim: de ex-gari a vereador. Lado oposto O Parque Estadual Mata das Flores, em Castelo, está sem gestor. Servidores foram removidos e a informação que circula nos bastidores é que a situação chegou a tal ponto por ingerência política do Iema em defesa dos interesses de imobiliárias e mineradoras. Mais uma vez, o órgão ambiental não cumpre seu papel. Lado oposto II A unidade, aliás, deveria ser ampliada. Mas não vai. Assim, atrapalharia os planos dos poderosos da terra natal do governador Renato Casagrande. Até o DER-ES está de olho na área, pois pretende asfaltar a ES 475, que passa dentro do parque. Será o fim definitivo da unidade, que já está com 48% de sua área comprometida. Lamentável, no mínimo. 140 toques “Culpar comportamento feminino por estupros é de um machismo inacreditável!”. (Senador Ricardo Ferraço – PMDB – no Twitter). PENSAMENTO: “Não importa o rótulo com que você chega ao poder, mas o que você faz quando chega ao poder”. Bill Clinton
Mais uma vez no muro
A possibilidade de o Estado ter uma eleição plebiscitária entre os palanques capitaneados pelo governador Renato Casagrande e pelo ex-governador Paulo Hartung coloca as demais forças políticas em evidência pela definição sobre os lados que irão assumir. Neste sentido, o PSDB é que tem uma importância impar. O partido apresenta uma pré-candidatura própria ao governo do Estado e tem como prioridade o enfrentamento à candidatura da presidente Dilma Rousseff à reeleição e o fortalecimento do palanque de seu presidenciável, o senador Aécio Neves. Mas, como afirma o ex-deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas, principal estrela do partido no Estado, o partido não tem que se posicionar agora. Precisa ter como meta a ideia de que onde o PT estiver, não estará. Mas há os interesses internos que colocam a discussão em outro plano. O partido está divido. De um lado estão os aliados do ex-governador Paulo Hartung. A amizade do peemedebista com o presidenciável ajuda na aproximação, mas caso se confirme a aliança como PT, não será possível a união com o ninho tucano. Já com o governador Renato Casagrande, a movimentação atende à movimentação de Aécio e Eduardo Campos. Mas Casagrande quer manter a neutralidade para atrair também os aliados de Dilma, mas não será tão fácil. Para algumas lideranças, o PSDB do Estado precisa pensar nas questões regionais. Precisa de mandatos, não só de deputado federal, mas também de representação na Assembleia e neste sentido, deve entender que seus adversários, hoje, no Estado são o PMDB e o PSB e não o PT. O fato é que o clima interno no PSDB ferve e a definição tucana, que antes não influía tanto, ganha agora a atenção do mercado político. Mas os tucanos têm até o fim do semestre para tomar um posicionamento e vão jogar com o tempo que têm. Fragmentos: 1 – O ministro da Micro e Pequena Empresa Guilherme Afif Domingos chegou na manhã desta sexta-feira (28) a Vitória para lançar Redesim, em favor do microempreendedor. 2 – A Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (Redesim) é um sistema integrado que permite a abertura, fechamento, alteração e legalização de empresas em todas as Juntas Comerciais do Brasil, reduzindo a burocracia. 3 – Já o governador Renato Casagrande estará em Iuna, na região do Caparaó. Ele inaugura neste sábado (29) a rede de telefonia móvel e a praça saudável.