A Associação Terra Azul e o Fórum Brasileiro de Ongs e Movimentos Sociais (FBOMS), entidades ligadas ao Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração, divulgaram nota nessa segunda-feira (24), em que elogiam a postura da prefeita Darcira de Souza Pereira (PT), do município de Açucena, em Minas Gerais, por ter revogado a anuência para o mineroduto da Manabi S/A, previsto para passar também por municípios capixabas. Na nota, as entidades destacam a atitude da prefeita Darcira, que tem histórico de luta nos movimentos populares, e procurou saber o que significava a chegada de um mineroduto para a realidade do município. As entidades ressaltam que a prefeita “não adotou a postura típica de passividade e subserviência”. O documento informa que a prefeita visitou as cidades de São Domingos do Prata, Nova Era, Santa Maria de Itabira, Dom Joaquim e Conceição do Mato Dentro, todas localizadas em Minas Gerais, que também estão no caminho para o qual o mineroduto da Manabi está projetado. Nesse locais, Darcira encontrou “comunidades revoltadas, indenizações injustas, não geração de emprego local, morte de nascentes, assoreamento das águas, acúmulo de resíduos por toda parte, cidades tomadas pela especulação imobiliária e pela inflação, propriedades dilaceradas, queda na produção agrícola e pecuária, famílias expropriadas, águas contaminadas, erosões por toda parte, paisagens depredadas, aumento da prostituição, queda no atendimento dos serviços públicos, dentre outras mazelas”. Além dos problemas sociais que a implantação de um mineroduto pode causar, a Manabi pretende passar com seu duto por uma Área de Proteção Ambiental (APA), em Açucena, sem sequer registrar esse caminho em seu Estudo de Impacto Ambiental (EIA). As entidades também revelam que Darcira pode conferir que a Manabi afirmava uma inverdade ao dizer que Açucena era o único município que ainda não havia declarado conformidade diante do projeto, uma “forma de ampliar a pressão política”, como afirma a nota. O prefeito de Conceição de Mato Dentro, Reinaldo César de Lima Guimarães (PMDB), afirmou à prefeita de Açucena que também não dará declaração de conformidade para o empreendimento. A nota ainda destaca que a decisão de não conferir anuência ao empreendimento da Manabi pode impedir o licenciamento prévio do mineroduto, já que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) requer, como pré-requisito ao licenciamento, que todos os municípios afetados estejam em concordância, apesar de o Instituto estar atuando “lamentavelmente, como uma sucursal de interesses da referida empresa”, como retrata a nota. As entidades também esperam que a decisão da prefeita impacte toda a Bacia do Rio Santo Antônio e inviabilize o empreendimento. Porto Além do mineroduto, que no Estado cortaria os municípios de Marilândia, Colatina, Baixo Guandu e Linhares, a população se tornaria refém do Porto Norte Capixaba (PMC), cuja localização está planejada para o vilarejo de Degredo, próximo a Regência. A Manabi, empresa brasileira de mineração e logística, pretende extrair minério de ferro na região do Morro do Pilar, em Minas Gerais, e transportá-lo por meio do mineroduto até o superporto, gerido pela subsidiária Manabi Logística, que deverá exportar a matéria-prima extraída. Os ditos investimentos se contrapõem à devastação ambiental e social que será provocada no vilarejo onde o empreendimento será instalado. Na verdade, o preço mais alto será pago pelas populações tradicionais de pescadores, que além de terem sua área de pesca completamente devastada, serão obrigadas a conviver com o avanço do minério na região. O superporto da Manabi causará danos até mesmo à comunidade de Regência, dada a proximidade do empreendimento com o balneário. A Associação dos Pescadores da Barra do Riacho e da Barra do Sahy já declarou, reiteradas vezes, que é contra a implantação do empreendimento no local, pois inviabilizaria completamente a pesca na região, impactando cerca de 400 famílias que dependem da atividade. Além disso, a ocupação litorânea pode prejudicar um trabalho de preservação das tartarugas-gigantes, realizado pelo Projeto Tamar há mais de 30 anos e que somente agora começa a dar resultados. Os danos do terminal são constantemente comparados à poluição e aos danos ambientais gerados pelos portos da Vale e da ArcelorMittal na Ponta de Tubarão, entre Serra e Vitória. Em uma audiência pública sobre o empreendimento, realizada em fevereiro último, o prefeito de Baixo Guandu, Neto Barros (PCdoB), convocou os moradores dos municípios pelos quais passaria o mineroduto e para o qual está planejado o porto a criarem o “movimento dos atingidos pela Manabi”. Neto Barros, na ocasião, se declarou contrário ao empreendimento.
Secretaria da Saúde é autorizada a fazer repasses para a Clínica Santa Isabel
Os deputados estaduais aprovaram, em sessão extraordinária nesta quarta-feira (26), o Projeto de Lei 56/2014, que autoriza o Poder Executivo a repassar, por intermédio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), recursos financeiros à Clínica de Repouso Santa Isabel, de Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado). O objetivo é complementar aos valores das diárias de internação para os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) atendidos pela clínica psiquiátrica do sul do Estado. O repasse dos recursos fica condicionado à submissão da clínica a um programa de adequação às normas da Política Nacional de Saúde Mental. O valor a ser repassado será estabelecido pelo Poder Executivo após análise financeira. Este repasse para a rede privada de atenção à saúde é largamente questionado por profissionais da área de saúde mental. A clínica Santa Isabel já teve o fechamento pedido após um censo realizado no estabelecimento entre 18 e 20 de março de 2013, que coletou denúncias de diversos internos. De acordo com a psicóloga Bárbara Malvestio, integrante do Fórum Capixaba em Defesa da Saúde Pública, ressalta que a rede privada deve ser complementar, não prioritária. No entanto, no Estado os estabelecimentos privados são priorizados pelo governo, como mostra o repasse para a Santa Isabel. A psicóloga explica que falta o investimento correto na rede de atenção à saúde mental, sendo que somente a Clínica Santa Isabel concentra quase 70% dos leitos de internação do Estado. Ela ressalta que essa realidade é evidente quando se constata que poucos municípios têm hospitais com equipes especializadas para atendimento em saúde mental. “Quando um paciente em surto dá entrada em hospitais, em diversos municípios, é imediatamente encaminhado para clínicas como a Santa Isabel, mas deveria haver leito em hospitais para atender a esses pacientes”, diz ela. Bárbara salienta, ainda, que a rede de atenção à saúde mental no Estado não está sendo consolidada, sequer fortalecida. Ela dá como exemplo Castelo, no sul do Estado, onde mora. No município, segundo ela, o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) fica em uma região afastada da área central. Não passa ônibus no local. A psicóloga explica que isso afasta o cidadão do serviço, por conta da dificuldade de acesso.
Justiça estadual supera meta de julgamentos na Semana Nacional do Júri
O Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) divulgou nesta quarta-feira (26) o balanço final de julgamento durante a Semana Nacional do Júri, que ocorreu entre os dias 17 e 21 deste mês. Ao todo, foram julgados 45 processos de homicídios, principalmente aqueles que tramitam há mais de quatro anos. O resultado ficou acima da meta de júris (42 processos), que havia sido divulgada no início do mês. De acordo com informações do TJES, foram realizados seis julgamentos em Vitória. Em Cariacica e Serra, foram 5 julgamentos em cada um. Em Colatina, Linhares e Vila Velha foram 4 julgamentos em cada. Em Viana e Cachoeiro de Itapemirim foram 3 em cada uma. Baixo Guandu, João Neiva, Jaguaré, São Mateus e Guarapari ocorrem 2 julgamentos em cada comarca. No município de Domingos Martins foi realizada um júri popular. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instituiu a Semana Nacional do Júri com a finalidade de contribuir para o cumprimento das metas da Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública (Enasp). Entre as metas está a limpeza da pauta de júris em aberto até o mês de outubro. Segundo o órgão de controle, a ideia é realizar sessões plenárias do Tribunal do Júri em todas as unidades judiciárias do Estado. O órgão de controle indicou a escolha de uma “Comarca Enasp”, que concentrará o esforço para a realização dos júris populares em processos de homicídios dolosos que estão pendentes de julgamento. No Espírito Santo, a vara escolhida foi a privativa do júri em Cariacica, que aparece entre os municípios mais violentos do Estado. Mesmo com o esforço para a realização de júris, iniciado na gestão passada do tribunal, quando foram julgados 1.993 processos entre 2012 e 2013, sendo 232 casos em Cariacica, o número de ações penais em aberto ainda é preocupante. Dados preliminares do CNJ apontam que dos mais de 3,3 mil processos de homicídios dolosos, com intenção de matar, separados para a Semana Nacional do Júri, cerca de 1.200 foram julgados no período de 17 a 21 deste mês.
Ação civil pública exige que Vale indenize os índios por uso de terras indígenas em Aracruz
Uma ação civil pública em favor dos direitos dos índios das aldeias de Comboios e Córrego do Ouro, em Linhares (norte do Estado), foi protocolada no Ministério Público Federal (MPF), por meio da Procuradoria de Linhares, nessa terça-feira (25). A ação exige que a Vale pague a indenização às aldeias, referente ao uso das terras indígenas por sua estrada de ferro há 30 anos, no valor de R$ 19 milhões, conforme já foi acordado em uma reunião entre o MPF, a Fundação Nacional do Índio (Funai), em suas instâncias nacional e estadual, a Vale e as lideranças e povo indígena. O pagamento da indenização deveria ter sido acordado com os índios em uma reunião marcado para o último dia 18 quando, ao invés disso, a Vale cancelou sua participação por um telefonema e enviou, por mensagem SMS, uma contraproposta de R$ 400 mil, valor irrelevante para o desenvolvimento do Plantar, projeto de agricultura tradicional desenvolvido pelos índios. Por conta disso, os índios optaram por fechar, em forma de protesto, a estrada de ferro da Vale que corta as aldeias. Nessa quarta-feira (26), a ocupação completa oito dias. Na manhã desta quarta-feira (26), a superintendência regional da Polícia Federal esteve na aldeia e levou aos índios um pedido de vistoria feito pela Vale à instância federal do órgão. A Vale quer realizar uma vistoria na estrada de ferro, já que parte dos trilhos foi desmontada pelos manifestantes. As aldeias enviaram uma contraproposta, autorizando a vistoria desde que os técnicos da Vale estivessem acompanhados da Funai e da Polícia Federal, e que se comprometesse a discutir com os índios o pagamento da indenização, logo após a vistoria. Além do cancelamento da primeira reunião, a Vale também desmarcou um encontro agendado para esse domingo (23), em contato feito por seus advogados ao procurador da República responsável pelo caso, Almir Sanches. Essa reunião atendia à proposta de diálogo e de desocupação da ferrovia da própria mineradora. Diante de mais uma ação desrespeitosa, os índios, que haviam desocupado a ferrovia, retomaram a ocupação. A decisão é uma resposta dos índios à Vale por protelar a situação e ainda ameaçar usar força policial para retirá-los dos trilhos da ferrovia. Os índios afirmam que têm sido ameaçados, também, com sobrevoo de helicópteros nas terras demarcadas. A ocupação conta com o apoio dos índios de todas as demais aldeias das terras demarcadas de Aracruz. Os índios reiteram que o protesto é pacífico. Sem apoio do poder público e com os impactos gerados por décadas pelos plantios de eucalipto da Aracruz Celulose (Fibria), o desenvolvimento de projetos de agricultura é a única alternativa deixada aos índios para que garantam a subsistência das aldeias.
Prefeita de Fundão é absolvida em denúncia de fraude no aluguel de veículo
A 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) julgou improcedente uma ação penal movida contra a prefeita de Fundão, Maria Dulce Rudio Soares (PMDB). Na denúncia, o Ministério Público Estadual (MPES) acusava a peemedebista de ter cometido crime na dispensa indevida de licitação para a locação de um veículo, em 2007. Durante o julgamento realizado nesta quarta-feira (26), o colegiado entendeu que o órgão ministerial não comprovou o dolo (culpa) da prefeita no episódio. Para o relator do processo (0001235-11.2009.8.08.0059), desembargador Sérgio Luiz Teixeira Gama, não há provas nos autos da existência de dolo específico por parte da prefeita, apesar da comprovação de que não houve a alegada urgência para justificar a contratação direta. O voto foi acompanhado pelos demais membros do colegiado, desembargador Adalto Dias Tristão e pelo desembargador substituto Fernando Estevam Bravin Ruy. Segundo a denúncia do Ministério Público, a prefeita teria autorizado a contratação de uma empresa para a locação de um veículo pelo período de 60 dias, prorrogáveis por mais 60 dias. A promotoria narra que o contrato atingiu o valor de R$ 18 mil em função do aditivo. A ação penal foi movida em novembro de 2009 no juízo de 1º grau, porém, os autos do processo só chegaram ao tribunal em novembro do ano passado, devido ao foro privilegiado da prefeita. Apesar da absolvição na Justiça, Maria Dulce está em meio a uma crise político com a Câmara de Vereadores local. A prefeita está sendo alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que apura a utilização das verbas oriundas dos repasses dos royalties de petróleo. A prefeita contra-atacou com a edição de um decreto revogando os trechos da Lei Orgânica do município que permitem aos vereadores o direito de processar e cassar o mandato do chefe do Executivo municipal. A tendência é que o embate seja judicializado.
Defensoria entra com ação para garantir transporte a cadeirantes em Vila Velha
A Defensoria Pública Estadual ingressou com ação civil pública contra o município de Vila Velha requerendo o fornecimento gratuito e contínuo dos serviços de transporte público a todos portadores de necessidades especiais e cadeirantes do município. O transporte deverá ser realizado por meio de veículos adaptados, de forma organizada e previamente agendada, com busca domiciliar e condução até o destino, dentro do município, com retorno ao local de origem. Segundo o defensor público Fábio Ribeiro Bittencourt, autor da ação com pedido de liminar, a Defensoria Pública Estadual é cotidianamente procurada por pessoas que necessitam de transporte público especial e diferenciado para suas locomoções na zona urbana de Vila Velha. É o caso, por exemplo, de uma criança de três anos portadora de várias malformações genéticas, entre elas ausência de membros inferiores, que necessita de transporte especializado para ir até a creche em que está matriculada. Conforme apurado pela Defensoria Pública, a empresa pública a Companhia de Transportes Urbanos da Grande Vitória (Ceturb-GV) oferece, por meio de convênio com municípios da Grande Vitória, o transporte especializado denominado Mão na Roda, sem custos para a municipalidade, dependendo apenas de convênio. Diante da grande necessidade da implementação do serviço, a Defensoria realizou reuniões com representantes do município. Em uma delas, inclusive, foi apresentado pela Prefeitura de Vila Velha o processo administrativo com minuta de convênio e projeto de lei municipal regulamentando o referido projeto. Em decorrência da afirmação de que o município prestaria os serviços de transporte especializados aos cadeirantes, até o dia 31 de dezembro de 2013, o defensor público elaborou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), formalizando o compromisso. Embora tenha esboçado a pretensão de avançar na prestação do serviço de transporte para os portadores de necessidades especiais e cadeirantes, o TAC não foi assinado pelas autoridades municipais e a pretensão expressada em uma das reuniões, não foi cumprida. “Passados aproximadamente três meses sem qualquer avanço, com extrema violação à dignidade dos usuários dos serviços, não restou outra saída a não ser propor a ação coletiva”, afirmou o defensor. Vale destacar que o transporte denominado Mão na Roda já é realizado em favor dos portadores de necessidades especiais de Vila Velha, porém desde que seja para deslocamento para outros municípios vizinhos. Isso porque que para transporte dentro da cidade a lei estadual exige o convênio, a fim de não ferir a autonomia administrativa municipal.
Proposta de Emenda Constitucional defende direitos das vítimas de violência
A Assembleia Legislativa vai discutir a instituição de medidas de proteção às vítimas de violência no Espírito Santo. A medida faz parte do bojo de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC 003/2014), que prevê a inclusão de um capítulo específico na Constituição Estadual sobre a obrigação estatal de assegurar direitos às vítimas de crimes. O projeto de autoria do deputado Gilsinho Lopes (PR) obriga o repasse de informações às vítimas sobre a localização dos acusados do delito, assim como a garantia de proteção às vítimas que se sentirem ameaçadas ao noticiar um crime. A proposta também prevê a assistência de um defensor público às vítimas de violência, bem como a possibilidade do ajuizamento de ações indenizatórias em relação aos “prejuízos morais e patrimoniais decorrentes dos crimes”. O texto garante ainda o acompanhamento social e psicológico das vítimas pelo Centro Estadual de Referência ao Tratamento de Vítimas, que será instituído a partir da lei. A PEC também garante o pagamento de indenização no valor de um salário mínimo, a ser pago de uma só vez, nos casos de invalidez total permanente ou morte. Na justificativa do projeto, o deputado Gilsinho citou que a União Europeia e os Estados Unidos já instituíram uma legislação voltada exclusivamente à proteção das vítimas de violência. “Atualmente, a Constituição trata da proteção do cidadão acusado de crimes, a quem são assegurados diversos direitos. No entanto, à vítima nenhum direito é assegurado”, sustenta o autor da proposta, que é delegado da Polícia Civil e presidente da comissão de Segurança da Casa. Ao longo de sua argumentação, o republicano faz uma série de menções bíblicas, no que defende a existência de “muitas leis para defender os ‘Cains’, mas poucas para defender os ‘Abels’”, em referência à história bíblica dos irmãos que se matam. “O alto índice de criminalidade faz com que seja urgentíssima a aprovação desta emenda. Os colegas parlamentares que estão ao lado das vítimas de violência têm a oportunidade de apoiar o projeto, que poderá amparar milhares de pessoas que hoje estão abandonadas à própria sorte”, conclama. O texto recebeu a adesão de outros 12 deputados que assinaram a PEC: Marcos Mansur (PSDB), Lúcia Dornellas (PT), Jamir Malini (PTN), Dary Pagung (PRP), Marcelo Santos (PMDB), José Esmeraldo (PR), Nilton Baiano (PP), Glauber Coelho (PSB), Luzia Toledo (PMDB), Hércules Silveira (PMDB), Paulo Roberto (PMDB) e Luiz Durão (PDT). No entanto, as assinaturas garantem apenas a tramitação da proposta, que passará pelas comissões de Justiça, Segurança, Cidadania, Assistência Social e de Finanças. O texto da PEC 003/2014 atualmente está sendo analisado pela Procuradoria da Casa, que vai examinar a legalidade da proposta.
Centro de Referência da Juventude discute os direitos das mulheres
No Estado onde os índices de violência contra a mulher só aumentam, as discussões e reflexões sobre os direitos das mulheres e o espaço que elas ocupam na sociedade precisam ser constantes. Exemplo disso é o Centro de Referencia da Juventude (CRJ), que vem já há alguns anos promovendo, sempre no mês de março, um evento destinado a mulheres para incentivar o empoderamento feminino tanto político quanto artístico. Este ano a Comemoração ao Mês da Mulher acontece nesta sexta-feira (28), a partir das 16h e conta com a parceria do Fórum De Mulheres, Assédio Coletivo, Fejunes e Coletivo Dasmina. “Promovemos esse evento principalmente para chamar atenção às causas femininas e as dificuldades que todas as mulheres sofrem”, diz Weskley da Mota Costa, ou Kamale, coordenador do CRJ. Para o coordenador o evento é uma forma de sensibilizar os participantes também, tanto mulheres como homens, para que haja resultados a luta deve ser conjunta. “Nosso espaço é destinado a jovens de 15 a 29 anos que estão em processo de formação ainda, por isso temos o objetivo de contribuir para o crescimento deles com informação e incentivar a igualdade entre os gêneros e o respeito”, defende Kamale. A programação do evento é toda feita por mulheres. Estará presente o coletivo DasMinas, que vai produzir pinturas ao vivo, o Assédio Coletivo e o Fórum de Mulheres do Espírito Santo vão promover uma Roda de Conversa com o tema Direitos da Mulher e a trupe Enarê vai apresentar a performance Sapatinhos Vermelhos. Além disso, haverá um sarau com microfone aberto e a exposição fotográfica Mulheres Negras, realizada pelo Fórum Estadual da Juventude Negra do Espírito Santo (FEJUNES). “Escolhemos parceiros e coletivos que já possuem um protagonismo feminino na equipe e abrirmos espaço para trabalharmos lado a lado”, diz Kamale. Serviço A Comemoração Mês da Mulher acontece esta sexta-feira (27), a partor das 16h, no CRJ. Avenida Vitória, 1.320, Ilha de Santa Maria, próximo à antiga Fábrica 747.
Reajuste de 4,5% aprovado pela Asssembleia não agrada servidores
Em sessão extraordinária realizada nesta quarta-feira (26), os deputados estaduais aprovaram o Projeto de Lei (PL) 65/2014, que concede reajuste linear de 4,5% para todos os servidores do Executivo estadual da ativa, aposentados e pensionistas. O reajuste começa a valer em 1° de abril deste ano. Segundo o texto da mensagem, a lei orçamentária 10.164/2014 previu dotação para aplicação em reajuste e reestruturação de planos de cargos e carreiras dos servidores. O investimento resultará em um acréscimo anual em gastos com pessoal do poder executivo de R$ 199 milhões, atingindo 94.506 servidores. A medida abrange as tabelas de vencimentos, soldos e subsídios dos servidores da administração direta, das autarquias e das fundações do poder executivo. O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos do Estado (Sindipúblicos), Gérson Correia de Jesus, no entanto, afirma que o índice está abaixo da inflação do período. Para que fosse reposta a inflação de um ano, o índice deveria começar em 4,9%. O sindicalista também ressalta que as perdas dos servidores durante o governo de Renato Casagrande estão em 11%, descontado o índice de 4,5% . Ele também lamenta que o índice de reajuste concedido não contemple o auxílio alimentação, auxílio creche e outros benefícios dos servidores. “A pauta dos servidores não é só a recomposição da inflação, mas também aumento nos benefícios, além da extensão do auxílio por insalubridade para outros setores além da Saúde”, conta Gérson. O sindicalista explica que o adicional por insalubridade foi concedido, depois de muita insistência dos servidores, para os trabalhadores da Saúde, mas servidores de autarquias como o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Estado (Idaf) e Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) não recebem, mesmo estando em contato constante com agrotóxicos e doenças. O presidente do Sindipúblicos salienta, ainda, que neste momento os servidores não querem discutir a revisão do plano de carreira, mas sim uma pauta política, que passa pelo reajuste de acordo com as perdas e definição de uma data-base para este reajuste. “Os servidores só querem tratamento igual aos dos outros poderes. Para definir uma data-base é só o governo sentar à mesa com os trabalhadores para definir um mês para conceder o reajuste anualmente”, ressalta Gérson, que acrescenta que os servidores também cobram respeito da administração e respostas concretas às demandas, o que não vem acontecendo atualmente, já que, segundo eles, os interlocutores do governo que negociam com os sindicatos não têm poder de decisão.
TJES revoga bloqueio dos bens de acusados de fraude em Aracruz
A 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) revogou o bloqueio dos bens de três acusados de participação de fraudes em licitações na Prefeitura de Aracruz, no litoral norte capixaba. No julgamento, o colegiado revogou os efeitos da decisão liminar de 1º grau, que vislumbrou a existência de “fortes indícios” de irregularidades. Para o relator do caso (0002877-42.2013.8.08.0006), desembargador Álvaro Bourguignon, o depoimento de um ex-secretário na gestão de Ademar Devens (PMDB) não pode ser considerado como suficiente para a decretação da medida. De acordo com o acórdão do julgamento, publicado nesta quarta-feira (26), o colegiado entendeu que o pedido de bloqueio dos bens da empresa Construtora PJ Ltda e de seus sócios (Arnaldo Soares Pagani Júnior e Fábio Teixeira) só poderia ser deferido após a instrução do processo. Os réus são acusados de participação em esquema de fraudes em licitações na prefeitura, que teria ocorrido entre 2005 e 2009. O Ministério Público Estadual (MPES) apontou o direcionamento de uma série de licitações mediante o pagamento de propina para servidores públicos. “Existem indícios de vícios na elaboração do edital [da licitação], entretanto, oito empresas o adquiriram e três se habilitaram, embora apenas duas delas estejam sendo denunciadas. Logo, não obstante os ‘indícios’ de que o certame teria sido fraudado, notadamente pelo suposto direcionamento do edital, não há dúvida que este ponto mereça uma instrução probatória específica para sua elucidação”, indicou. Para o relator do processo, o depoimento do ex-secretário Wellington Lorenzutti, que denunciou o suposto esquema de pagamento de propina na gestão do ex-prefeito, não serviria para reforçar a ocorrência das fraudes. Apesar do ex-secretário ter sido preso em sua residência com uma mala com R$ 385 mil que, segundo ele, seria dinheiro oriundo de propina, o desembargador preferiu reforçar que a testemunha “também é acusada de inúmeros atos de improbidade administrativa”. “Diante do exposto, conclui-se que esta fase da instrução probatória não se revela adequada para a decretação da indisponibilidade em referência, mesmo porque, repito, nem ao menos se sabe o prejuízo, em números, que o erário, em tese, sofreu por força da existência do suposto esquema denunciado pelo parquet, já que, conforme se extrai dos autos, a obra objeto da licitação em referência foi, inclusive, executada pela ora recorrente”, narra um dos trechos do acórdão. O colegiado também afastou a possibilidade de decretação, em caráter liminar, da proibição de uma empresa contratar com o poder público. Apesar da rejeição do pedido em relação à construtora, o juízo de 1º grau havia decretado a medida em relação à empresa Samon Saneamento e Montagens Ltda, que também foi denunciada pelo Ministério Público Estadual (MPES), mas conseguiu reverter a liminar no TJES. No entendimento dos desembargadores, “o uso da Lei de Improbidade Administrativa não pode transformar os acusados em automaticamente culpados e, consequentemente, o direito de contratar com o poder público”, somente sendo efetivada com o trânsito em julgado da sentença. O julgamento foi realizado no último dia 18. Já a ação de improbidade tramita na Vara da Fazenda Pública de Aracruz sob nº 0000159-72.2013.8.08.0006.