Conhecida por suas reportagens sensíveis e honestas, a jornalista Eliane Brum está lançando mais um livro. Desta vez ela se distancia um pouco das crônicas da vida dos outros para contar sua própria história. Com uma narrativa que lhe é própria, ela conta alguns acontecimentos de sua infância e como a literatura e o jornalismo passaram a fazer parte da sua vida. A menina que flertava com a morte conta como foi salva pela palavra escrita. Em cada página, personagens fantasticamente reais incorporam-se: a irmã morta, que era a mais viva entre todos; a avó, comedida em tudo, menos na imaginação; a família que precisou de uma perna fantasma para andar no novo mundo; as tias que viravam flores para não murchar. Como repórter e escritora, Eliane sempre questionou a forma como cada um inventa uma vida e cria sentido para seus dias. Em Meus Desacontecimentos, conta como ela mesma se arrancou do silêncio para virar narrativa. Neste itinerário de dentro para dentro, a autora percorre-se com delicadeza, mas sem pudor. Oferece-se ao leitor nua. Quase em sacrifício. Serviço Meus Desacontecimentos Eliane Brum Editora LEya 144 páginas R$ 25,90 em média
Secult lança 34 editais de incentivo à cultura nesta quarta (12)
O estimulo às atividades artístico-culturais por meio do acesso democrático aos recursos públicos é um dos principais objetivos dos editais da Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo (Secult). Neste ano, artistas, pesquisadores da área, produtores, grupos culturais e demais interessados poderão se inscrever em uma série de 34 editais divididos em sete áreas temáticas que totalizam um investimento de cerca de R$ 8,5 milhões. A solenidade do lançamento dos Editais Secult 2014 será no dia 12 de março, às 15 horas, no Palácio Anchieta e a solenidade será aberta ao público. Em seu sexto ano de existência, os editais da Secult são realizados com recursos do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo (Funcultura). Por meio desse mecanismo, a Secult possibilita que os artistas capixabas realizem projetos culturais de interesse público, além de estimular a experimentação, inovação e novas abordagens criativas de questões culturais contemporâneas. Para o secretário de Estado da Cultura do Espírito Santo, Maurício José da Silva, os editais de incentivo à cultura são um conjunto de ações com resultados concretos mais visíveis e significativos do governo. “A seleção dos projetos por meio de um processo de seleção transparente e idôneo garante a escolha de propostas com a qualidade técnico-artística diretamente vinculada à realidade capixaba”. Fique atento ao início das inscrições e confira todos os Editais na íntegra no Portal da Secult a partir do dia 14 de março. Serviço O lançamento dos editais da Secult será nesta quarta-feira (12), às 15 horas, no Palácio Anchieta. Centro, Vitória.
Foco da fúria da expansão imobiliária, Jardim Camburi repensa o próprio crescimento
O bairro mais populoso do Espírito Santo está repensando o próprio crescimento. Um dos principais focos da furiosa expansão imobiliária que varreu a Grande Vitória na última década, Jardim Camburi sente os efeitos, negativos, de um certo desenvolvimento: inchaço populacional, incremento da frota veicular, trânsito caótico. A qualidade de vida, claro, fica a perigo. Uma audiência pública na próxima quinta-feira (13), na EMEF Elzira Vivacqua, a partir das 19h, vai começar a debater a revisão do Plano Diretor Urbano (PDU) do bairro e, mais que isso, debater que Jardim Camburi os moradores querem para daqui a 20, 30, 40 anos. O principal ponto de pauta é a limitação da altura de novos empreendimentos em até oito andares. “Nós não somos contra o crescimento do bairro. Só que se não pensarmos em como deve ser dado esse crescimento, podemos ter problemas futuros. E nós já estamos tendo problemas no presente”, alerta o secretário da Associação de Moradores de Jardim Camburi (ACJAC), Evandro Figueiredo. E o principal “problema no presente” se manifesta nas ruas: o trânsito. Como se sabe, prédios trazem pessoas e carros. Não é gratuito o vínculo entre a explosão da frota veicular de Jardim Camburi e a expansão imobiliária recente. Nos horários de pico, os motoristas penam nas principais vias de saída, as ruas Carlos Martins (foto capa), Fortunato Abreu Gagno e José Celso Cláudio, que, por sua vez, desembocam no engarrafamento de todo dia no encontro das avenidas Dante Michelini e Norte-Sul. Entre 7h e 9h é ruim. Mas entre 17h e 19h é pior: o fluxo de entrada no bairro encontra o fim de turno na Vale e a saída de dezenas de ônibus. O volume extra de tráfego que corta o bairro pelas ruas acima em direção à Serra para evitar retenções de praxe na Norte-Sul também pressiona as vias. A Prefeitura de Vitória iniciou em junho passado a implantação do Sistema Binário, com alterações em 13 vias. Mas ante as taxas de crescimento populacional de Jardim Camburi – segundo Evandro, cerca de 8% ao ano, enquanto Vitória cresce a 1% – o instrumento não passará de um paliativo. Em 2000, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Jardim Camburi tinha 23.882 mil moradores; dez anos depois atingiu 39.157 mil. Hoje, destaca Evandro, são 43 mil. O atual panorama imobiliário da capital capixaba registra uma sensível escassez de terrenos, razão pela qual o empresariado olha gulosamente para Jardim Camburi: é um dos poucos bairros com generosos terrenos disponíveis para o mercado imobiliário e, ainda, com muitas casas residenciais com potencial para dar lugar a novos edifícios, o que já não ocorre tanto em Bento Ferreira, Praia do Canto ou Jardim da Penha. Como Vitória concentra 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo, a demanda por moradia na capital não deve arrefecer tão cedo. Ou seja, se deixar, o mercado engole Jardim Camburi. Os dados nos dão uma dimensão da expansão imobiliária na região. Segundo o mais recente Censo Imobiliário do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Espírito Santo (Sinduscon-ES), de novembro passado, o bairro registra 2.457 unidades em construção. É o triplo do registrado na Região 1 (Praia do Suá, Santa Lúcia e Bento Ferreira), que vêm logo atrás, com 799 unidades em construção. Um exemplo palpável da situação: um empreendimento residencial que está se erguendo nas imediações do Hotel Canto do Sol. São 18 andares, 396 apartamentos e 1.254 vagas de garagem. Se projetarmos uma média de quatro pessoas por unidade (o clássico pais e dois filhos) Jardim Camburi terá de acolher mais 1.200 pessoas. Hoje há quatro projetos desse calibre em andamento: dois já aprovados e dois em construção. Daí a demanda por restrição de oito andares em novos prédios. O índice é um ponto de equilíbrio entre a viabilidade econômica e a qualidade de vida. Hoje a construção é limitada em até 20 andares. A oferta de mais vagas de estacionamento nos novos prédios é outro assunto da audiência. Hoje há muitos moradores com mais carro que vaga de garagem – a maioria deles em prédios com apenas uma vaga. Resultado: carros estacionados na rua. A proposta é tornar obrigatório o aumento de vagas por unidade habitacional. Outro ponto da audiência é a reserva zonas do bairro para construção de empreendimentos comerciais e não exclusivamente residenciais. A medida reforçaria uma tendência já em andamento: a circulação interna. Hoje a oferta de serviços básicos em Jardim Camburi mantém os moradores no bairro. Em princípio, exemplo singelo, não há necessidade de sair para compras em supermercado. Não só o trânsito dá a medida do crescimento do bairro. Vide a batalha pela presença física das forças de segurança do estado, que redundou no triunfo da construção da Unidade Integrada de Polícia. Saúde: a única Unidade de Saúde (acima) foi inaugurada há 26 anos, quando Jardim Camburi contava 18 mil habitantes. A população mais que dobrou, mas a unidade continua a mesma. A vontade de enfrentar os dilemas de hoje em nome do sossego de amanhã é tanta que um abaixo-assinado pela restrição de altura em novos edifícios já roda por aí. Até agora foram colhidas três mil assinaturas. A intenção é chegar em 2015, ano de revisão do PDU de Vitória, com 20 mil.
Projeto traz cinema gratuito a nove municípios do Estado
O Espírito Santo foi o Estado escolhido como ponto de partida de mais uma edição do Cinemóvel – Mostra Itinerante de Filmes Nacionais John Deere. Aprovado pela Lei Rouanet de Incentivo à Cultura, o projeto vai levar cinema brasileiro a 33 cidades de três estados nos próximos seis meses. Em terras capixabas, as sessões estão programadas para ocorrer em nove municípios: Pedro Canário, Pinheiros, Ecoporanga, Colatina, João Neiva, Itarana, Venda Nova do Imigrante, Iúna e Guaçui. O calendário dos organizadores começa no dia 10 de março e as sessões são gratuitas. O objetivo é levar atrações culturais de qualidade a públicos, preferencialmente crianças, que normalmente tem dificuldade de acesso a esse tipo de lazer. No Cinemóvel John Deere, o cinema pega a estrada. As sessões ocorrem em uma sala escura especial – climatizada, com 30 confortáveis poltronas, espaço para cadeirantes, sistema de som e telão de 120 polegadas -, montada na carroceria de um caminhão que estaciona em praças, vizinhanças de escolas e outros espaços públicos de fácil acesso para a população. Assim, as crianças são maioria, mas a plateia do projeto inclui ainda clubes de terceira idade e APAES. O motorista Luiz Back participou do projeto em anos anteriores, quando a atração percorreu estados das regiões Norte, Centro Oeste, Nordeste, Sul e Sudeste. “Muitas vezes enfrentamos estradas esburacadas nos deslocamentos necessários para chegar a cidades de áreas mais afastadas. Mas dá grande satisfação oferecer essa opção de diversão em locais onde o cinema ainda é passatempo raro”. O produtor cultural Márcio Barcellos acompanha todas as sessões e concorda: “Em algumas sessões recebemos pessoas idosas que nunca tinham assistido a um filme na tela grande”. A viagem do Cinemóvel foi viabilizada pelo patrocínio da Fundação John Deere. Esse é o quinto ano do projeto. Em 2013 o caminhão percorreu 32 cidades e atendeu um público de 10.138 pessoas. Na edição 2014 estão programadas 350 sessões, com 10.500 lugares ofertados. A Mostra Itinerante de Filmes Nacionais John Deere faz parte do Projeto Gira Brasil que está em seu quinto ano de execução. Nesse período, o caminhão cinema visitou 312 cidades de todas as regiões do país, atendendo diretamente mais de 98 mil pessoas. A proponente do projeto é a Magma Cultura e a patrocinadora, a Fundação John Deere, através da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura. ROTEIRO DA MOSTRA ITINERANTE DE FILMES NACIONAIS JOHN DEERE no ESPÍRITO SANTO Pedro Canário ES – 10 a 14 de março Pinheiros ES – 17 e 18 de março Ecoporanga ES – 19 a 21 de março Colatina ES – 24 a 28 de março João Neiva ES – 31 de março a 02 de abril Itarana ES – 03 e 04 de abril Venda Nova do Imigrante ES – 07 e 08 de abril Iúna ES – 09 a 11 de abril Guaçui ES – 23 a 25 de abril
Reportagem EspecialReféns do eucalipto
Wendson Valentin, 13 anos; Jery Valentin, 18 anos; e Wando Valentim, 13 anos, tiveram o mesmo fim: morreram envenenados. “E minha irmã ficou cega”, conta Manoel Pedro Serafim. O quilombola de 62 anos, após casos recorrentes registrados na região norte do Espírito Santo, área dominada por extensos eucaliptais da Aracruz Celulose (Fibria), resolveu encarar a empresa. As doenças e mortes são o resultado da elevada quantidade de venenos que a Aracruz utiliza na conservação e replantio da monocultura do eucalipto. “É tanto veneno, que existem casos como de uma moça que atravessou os eucaliptos, vindo da cidade para sua casa, e ficou vários dias tremendo. Ela mora aqui na comunidade Nossa Senhora Aparecida. Se quiser ouvir dela o que estou lhe dizendo, levo você lá”, atestou Serafim, que é responsável pela criação da Associação dos Pequenos Agricultores Vizinhos dos Empreendimentos Industriais de Conceição da Barra e São Mateus, municípios situados no norte do Estado. Embora dono de 16 alqueires de terra, área relativamente expressiva para os padrões da região, Serafim não conseguiu proteger sua lavoura dos efeitos nocivos do vizinho indesejável. Como grande parte dos agricultores que insiste em permanecer na região, o veneno tornou sua roça improdutiva. Uma riqueza, porém, Serafim conseguiu preservar: a água. Sua propriedade ainda mantém uma densa cobertura de espécies nativas de Mata Atlântica, uma espécie de oásis em meio ao deserto verde de eucaliptos. O rico bioma mantido por Serafim protege um córrego que nasce em seus domínios e deságua no rio Cricaré, em Conceição da Barra. Como previu anos atrás o professor de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), Aziz Ab Saber, as raízes pivotantes do eucalipto, que buscam água em grande profundidade, corrompem o lençol freático. Os reveses são percebidos quando um poço é aberto na região. São necessários mais de 100 metros de profundidade para alcançar a primeira lâmina de água. A sedenta monocultura do eucalipto já sugou uma centena de córregos na região e reduziu drasticamente o curso das águas de outra centena, além do assoreamento de rios importantes para a população do norte do Estado, como o Itaúnas. “Se naquele tempo viver na região já estava acima da capacidade do ser humano, agora, com mais essa calamidade do aumento do uso de veneno…O que será de nós se não reagirmos?”, indagou Serafim. Não há como não entender que a ação dos eucaliptos ultrapassa as previsões e as advertências que fez, em sua época de atuação no mundo científico, o naturalista capixaba Augusto Ruschi. Autor de uma expressão que bem resumiu toda a tragédia que o eucalipto carreou para o Espírito Santo: “deserto verde”. O naturalista dedicou-se ao exame e aos estudos dos efeitos do plantio do eucalipto no Espírito Santo, assegurando que ele promoveria um verdadeiro desastre ecológico. Como consequência, principalmente, da erradicação violente das florestas e do emprego farto de eucaliptos, convencido de que a cultura do eucalipto privilegiaria novas pragas. Os pássaros, que se alimentam de insetos, seriam uma das suas primeiras vítimas, previa Ruschi. Desapareceriam também os mamíferos que comem as aves e os peixes teriam o mesmo destino com o carreamento dos solo envenenado para o leito dos rios. Na época, Ruschi foi muito preciso quanto aos destinos dos rios e córregos: “Os córregos secarão. O lençol freático foge, tira-se de uma só vez uma imensidão de florestas para plantar eucaliptos. É a alta chuva quem alimenta o lençol freático, que depois vai soltando através dos córregos. Você tira a cobertura natural, entra com o eucalipto que se alimenta de água, cria o elemento primordial para destruição do lençol freático”, alertava o ambientalista. O que se passa hoje com as comunidades vizinhas dos eucaliptos é um autêntico duelo com a própria existência. Não bastassem terem passados por todos esses ciclos de destruição por causa do eucalipto, a sobrevivência destas comunidades ficou reduzida praticamente ao carvão, como assinala Serafim: “Nos restou ficar com a cara na boca de um forno destruindo a nossa saúde”. E emenda: “Não bastasse tanta desgraça, agora eles vêm com o veneno”. Veneno O uso do veneno nas plantações de eucalipto tem o propósito único de economizar mão de obra. Quando a Aracruz Celulose começou a operar na região, a partir de 1968, chegou a usar cerca de 20 mil homens para capinar a capoeira por entre os eucaliptos. Logo trocaria a mão de obra braçal pela capina mecânica e depois pela capina química, feita à base de veneno. Nesse processo, a empresa extinguiu mais de 19 mil postos de trabalho, passando a executar a tarefa com apenas 800 homens, numa atividade de alto risco à saúde, que deixa o trabalhador em estreito contato com o veneno, que carrega nas costas. O trabalho insalubre já provocou doenças graves, lesionou e inutilizou um número significativo de trabalhadores. Fora os registros de algumas mortes. “O veneno sempre esteve presente nos eucaliptais, só que nos últimos seis anos as quantidades vêm se multiplicando. O mais grave é que a empresa conta com total cobertura dos órgãos de controle ambiental, que vão do governo às prefeituras”, denunciou o quilombola. Entre as doenças provocadas em decorrência da exposição ao veneno, uma forte incidência de glaucoma foi registrada na população de quilombolas. Não há justificativa científica para tantos casos, já que o glaucoma não é uma doença transmissível. Os altos índices da doença surpreenderam os médicos. Após a análise de cientistas e ambientalistas, entre eles Augusto Ruschi, chegou-se à conclusão que o glaucoma fazia parte de doenças latentes advindas das mudanças climáticas, que formaram o ambiente propício para sua existência. Quanto à situação atual, Serafim, na condição de representante da Associação dos Pequenos Agricultores Vizinhos dos Empreendimentos Industriais de Conceição da Barra e São Mateus, tentou discutir o problema do veneno com a própria empresa. Ele chamou a atenção para a suspeita de envenenamento dos dois córregos que restam para as comunidades.
Duas novas reservas particulares naturais são criadas em solo capixaba
O Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recurso Hídricos (Iema) criou duas novas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs). As RPPNs Palmares, que tem 17 hectares e fica localizada no município de Santa Maria de Jetibá, na região serrana do Estado; e a Beija-Flor, que tem 33,34 hectares e fica localizada em Santa Teresa, na mesma região. O Iema já havia formalizado a criação das duas novas reservas, mas faltava a averbação em cartório, ato que torna a criação oficial. Em 2013, foram publicadas em portarias do Iema no Diário Oficial a criação de outras três RPPNs, que ainda aguardam averbação em cartório. São elas: RPPN Dom Pedro, com 3,31 hectares (33.100 m²); RPPN Linda Sofia, com 3,76 hectares (37.600 m²) e RPPN Olivio Daleprane, com 3,86 hectares (38.600 m²), todas localizadas no município de Santa Teresa. Enquanto a averbação em cartório não é feita, os proprietários das regiões que virarão uma Unidade de Conservação (UC) ainda podem voltar atrás na decisão, o que não é permitido após a averbação, que dura em média 60 dias após a publicação da portaria de criação. A RPPN Meu Cantinho, com 2,72 hectares (27.200 m²), localizada em Santa Teresa, que estava no mesmo processo, foi reconhecida pelo Iema e averbada em cartório no final do ano de 2013, totalizando o número de 39 RPPNs em solo capixaba. Com a averbação das RPPNs Beija-Flor e Palmares, o número sobe para 41 reservas. Destas, 10 têm reconhecimento federal e 31 estadual, sendo que 27 são reconhecidas pelo Iema e três pelo Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf). O jornal Folha de S. Paulo publicou, em sua edição online, que o número de RPPNs em área de mata atlântica no Brasil aumentou 80% nos últimos dez anos, segundo levantamentos de ONGs ambientalistas. A matéria ainda aponta que a área somada dessas unidades ainda é menor que o município de São Paulo. No Espírito Santo, quatro RPPNs foram criadas de 1998 a 2004. De 2004 a 2013, foram criadas as outras 35 RPPNs. Essas reservas ocupam uma área de aproximadamente 4.300 hectares. A maior parte delas foi reconhecida nos anos de 2010 e 2011, sendo 11 RPPNs criadas em cada ano. Apenas duas reservas foram entre 2012 e 2013, uma em cada ano. As Reservas Particulares do Patrimônio Natural são um instrumento de preservação ambiental estabelecido em áreas privadas a partir da iniciativa do próprio produtor rural. A criação da RPPN não pode ser revertida. O Iema comunicou que entre 2010 e 2011, problemas referentes ao material cartográfico apresentado por alguns proprietários rurais começaram a ser solucionados com auxílio técnico do instituto, e por isso houve esse aumento. O Iema também informou que publicará em breve uma Instrução Normativa que irá melhor orientar os produtores rurais que ainda têm dificuldades sobre a criação de reservas, como, por exemplo, a elaboração do material cartográfico. O Instituto considera que a RPPN é um instrumento de extrema importância para a conservação de locais estratégicos como ecossistemas ameaçados, zonas de amortecimento de Unidades de Conservação e/ou mosaicos. Essas reservas colaboram também para a constituição de Corredores Ecológicos, com o aumento da conectividade da paisagem e proteção da fauna e flora, como retrata a analista ambiental Silvia Sardemberg. Ela é responsável pelos processos de RPPNs no Iema e explica que no Estado há uma situação única, das RPPNs Águas do Caparaó e Cachoeira Alta, que são localizadas na área de amortecimento do Parque Nacional do Caparaó e contribuem para a preservação do bioma local. Atualmente, o município que mais concentra reservas particulares é Afonso Claudio, na região serrana do Estado, que possui um total de oito RPPNs, seguido por Santa Teresa, que passa aa ter cinco, com as duas novas reconhecidas.
Encontro na Câmara de Vitória debate direitos da população LGBT
A Câmara de Vitoria (CMV) vai realizar nesta quarta-feira (12) um debate sobre as lutas e direitos da população LGBT, como parte das comemorações em torno do Dia contra a Homofobia, instituído pela prefeitura do município em novembro de 2013 e celebrado em 12 de março. Instituições como a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Espírito Santo (OAB-ES), Ministério Público Estadual (MPES) e Conselho Regional de Psicologia da 16ª Região (CRP-16) já confirmaram presença no encontro, proposto pelo vereador Marcelão Freitas (PT). A sanção da lei que criou o Dia contra a Homofobia precedeu a realização da Semana de Cidadania LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transsexuais) de Vitória. O dia 12 de março para a celebração da data foi escolhido em alusão à fundação da entidade Triangulo Rosa, criada em 1990 e com atuação na luta contra a discriminação LGBT. Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o preconceito em relação à orientação sexual ainda é grande no País. A pesquisa revela que em alunos de ensino fundamental e médio, 39,4% dos entrevistados do sexo masculino e 16,5% do feminino não gostariam de ter homossexuais como colegas de classe, enquanto entre os pais dos estudantes, verificou-se que 41,5% dos homens declararam que não que não gostariam que pessoas não heterossexuais estudassem com seus filhos.
PDT é bem-vindo na federal, mas sonda a coligação estadual
Na disputa por uma das 10 cadeiras na Câmara dos Deputados, o PDT é um dos partidos integrantes da chapa chamada “cabeça sem corpo”, ou seja, que tem grandes puxadores de votos, mas não tem candidatos intermediários para sobra de legenda. Na disputa federal, o partido tem como candidato o ex-prefeito da Serra Sergio Vidigal. O pedetista é muito bem-vindo em uma composição com o PMDB, o PSB e o PT. Mas quando o assunto é estadual, a situação é diferente. O tamanho das bancadas é um complicador para a entrada do PDT, que não deixaria sobra de legendas para garantir a reeleição dos demais membros da chapa. O PMDB tem sete deputados na Assembleia, o PT é a segunda maior bancada, com cinco deputados. O PDT vem logo em seguida, com quatro, e o PSB tem dois parlamentares. O PMDB tem um puxador de votos, o ex-prefeito de Linhares, Guerino Zanon. Já o PDT tem o deputado Josias Da Vitória. PT e PSB não têm nomes com a mesma capacidade de votos. Neste contexto, o PDT pode garantir pelo menos três das quatro cadeiras que ocupa hoje, mas não deixaria nenhuma sobra para os outros partidos. Por isso, há uma resistência no grupo em costurar uma aliança com o partido de Vidigal. Para que o PDT possa continuar no grupo será necessário uma divisão nas pernas, buscando algum partido para se alinhar com a sigla sem que seja um desses partidos grandes. Para complicar ainda mais a matemática para a estadual, os deputados contabilizam que a disputa por estes partidos deve se restringir a pouco mais de um terço das vagas. Isso porque os partidos pequenos fizeram coligações bem equilibradas que podem abocanhar seis a sete cadeiras na Casa.
Fator Magno Malta é mais uma variável na matemática eleitoral 2014
Nerter Samora e Renata Oliveira Os movimentos do senador Magno Malta (PR) em nível nacional não convencem a classe política capixaba de que sua estratégia é para fora. Enquanto isso, Casagrande e Hartung articulam para evitar um palanque de oposição inflado pela visibilidade nacional do republicano. Nerter – Enquanto todo mundo pulava o Carnaval, o senador Magno Malta (PR) foi no jornal Globo e deu uma declaração surpreendente, disse que já tinha fumado maconha na adolescência, para legitimar a estratégia política do discurso que adotará na eleição deste ano. Justifica seu discurso antidrogas com uma experiência de cadeira, dizendo que já esteve “do outro lado do balcão”. Ou seja, sem conseguir emplacar a CPI dos planos de saúde, que lhe renderiam uma penetração na classe média muito forte, ele apela para outro discurso que atinge diretamente também essa classe. O combate à criminalidade por si só, pressupõe um discurso para a classe mais baixa e a pedofilia já é uma roupa usada. Mas cruzada contra as drogas, dentro de seu conceito de proteção à família, é ainda mais abrangente. Renata – Com certeza. Mas a dúvida da classe política é se esse discurso de Magno Malta é uma estratégia para a candidatura a presidente da República ou para a eleição ao governo do Estado. Ora, se ele diz que não abre mão de que o delegado Fabiano Contatato (PR) dispute o Senado e partindo do princípio de que o PR não tem outro nome senão ele próprio para a disputa no Estado, a impressão é de que esse discurso, que está muito forte no Espírito Santo devido ao alto índice de criminalidade, seja o foco que ele usará para a disputa estadual. Mas, para confundir o mercado ainda mais, ele vem pressionando o PR de fora para dentro como quem busca de fato a viabilização de sua candidatura presidencial. Nerter – Bom, uma coisa parece certa, o PR não vai deixar o governo Dilma Rousseff para embarcar na aventura de Malta. Ao menos que seja realmente uma estratégia casada com o palanque de Dilma, para facilitar o acesso da presidente ao público evangélico. Mas não dá para acreditar em Magno Malta no papel de laranja da Dilma. Isso não tem nada a ver com o perfil do senador. Ele está correndo o País, buscando apoio, tentando ampliar sua imagem com as lideranças políticas, já tem até artista encampando seu slogan e empregar artistas em sua campanha sempre foi uma prática que dá certo. Líderes religiosos também entram nessa estratégia. Enfim, ele tem feito um movimento para fora. Renata – E isso é que deve dar um nó ainda maior na cabeça da classe política capixaba. Embora se tente diminuir o potencial político do senador republicano, com evasivas – afinal, enfrentar seu discurso conservador é perder voto, porque o eleitorado é tão conservador quanto ele –, os líderes políticos do Estado sabem muito bem o quanto é arriscado ter um palanque de oposição com Magno Malta à frente. Agora potencialize isso com a visibilidade nacional que ele pode conseguir até junho com essa história de candidatura a presidente. Nerter – Se ele não conseguir emplacar o projeto nacional, não será por sua desistência e sim pela negativa de legenda. Então ele desce para a disputa estadual. E aí tem um discurso pronto para enfrentar quantos palanques estiverem montados. Veja bem, não estou dizendo que ele ganha a eleição. Mas vai colocar fim a essa coisa repetitiva de disputa do governo do Estado sem debate, sem pega pra capar. O palanque palaciano continua em vantagem, mas vai ter que limpar sua vitrine depois que o senador acionar sua metralhadora giratória. Renata – É claro que ele não estará lidando com um bando de meninos, não é? O governador Renato Casagrande continua à frente do processo eleitoral. Ele controla a classe política e trabalha firme para ter além dos 22 partidos em seu palanque o PMDB e, por que não, o PR também. Quer unanimidade e, por isso, vem tentando adiar a definição o máximo que puder. Nerter – Aliás, já reparou que tá rolando um jogo de “deixa que eu deixo”? Renata – Sim. Todo mundo só quer falar em eleição em caráter definitivo em maio, ou melhor, em junho. Mas por motivos diferentes. Casagrande atrasa o processo porque o controla. Espera a definição do PMDB e do PR, mas esses dois dependem de uma definição nacional para saber como irão proceder no Estado. Já o ex-governador Paulo Hartung, que sempre fez questão de adiar o máximo suas decisões, desta fez o faz porque está acuado, sem espaço político. Não quer entrar em bola dividida, quer um mandato garantido e para ele o melhor caminho é disputar o senado no palanque palaciano, mas para isso, é preciso que Casagrande e João Coser preparem esse caminho, sobretudo acalmando os ânimos no PT. Nerter – Sim, então esta entrada de Hartung no palanque de Casagrande deve acontecer às vésperas do processo. Como todo mundo desconfia dessa manobra de Hartung, não desceu ninguém do palanque do socialista. O problema vai ser se depois de tudo fechadinho, o governador definir seu apoio ao presidenciável do partido, o governador de Pernambuco Eduardo Campos. Aí quero ver como os petistas vão lidar com isso. Se bem que não acredito que ele fará isso. Já designou o prefeito de Vitória, Luciano Rezende, para em nome do PPS fazer as honras da casa para o pernambucano. Mas e o senador Ricardo Ferraço, como fica nesta história? Renata – Pois é. To sentido que em ano de Copa do Mundo, Ricardo vai ficar no banco outra vez. Está cada vez mais difícil para o senador se viabilizar como candidato a governador. E se o PT for acomodado na vice de Casagrande, isso significa que a sucessão do socialista está costurada com o PT em 2018 e não com Ricardo Ferraço. Isso torna sua vida difícil para a
Regional da Nair estreia bloco só para crianças
Depois de arrastar uma multidão pelo Centro de Vitória no domingo de Carnaval, o bloco Regional da Nair está preparando agora atividades especiais para os pequenos foliões. O Regionalzinho da Nair vai se apresentar este domingo (9), a partir das 13h, no Parque Moscoso e além de muita música, o bloquinho também vai contar com a colaboração da A Mala Produções para animar a festa. “O Regionalzinho da Nair é filho da Regional da Nair, nossa roda de samba e bloco de Carnaval. O Regionalzinho surge da vontade de oferecer mais atividades culturais gratuitas para as crianças”, explica Vitor Lopes, um dos membros do grupo. Ele conta que devido a essa carência de atividades ao ar livre, as crianças acabam ficando limitadas a áreas privadas como casas de diversão, shoppings, casas de festas e condomínios. Essa é a primeira edição oficial do Regionalzinho da Nair, o bloquinho já participou de uma atividade em dezembro do ano passado durante o Casa.Lab Infinitas, mas desta vez o evento será voltado para o carnaval. Além da bandinha musical haverá brincadeiras, pipoca, algodão doce, pintura de rosto e uma apresentação teatral da A Mala Produções Artísticas. Toda a programação é gratuita. A peça Estação Sambalelê será encenada por Gab kruger e Shita Yamashita e conta a história do samba. “Esse espetáculo é uma contrafábula de Cinderela e se passa em uma estação de trem da década de 40. Sambas clássicos são o pano de fundo dessa história”, conta Gab. Depois da apresentação haverá oficina de confecção de máscaras, camarim com maquiagem de teatro, show de malabares com Shita Yamashita e Natam Diias, pernas de pau, bailinho e depois a fanfarra do regional animará o bloco pelo Parque Moscoso. “Temos o desejo de fazer com que as crianças nos ajudem a ocupar ainda mais a cidade de Vitória, com atividades lúdicas em espaços públicos. Queremos mostrar que a nossa cidade é incrível e que podemos ocupar as ruas”, afirma Vitor Lopes. Serviço O bloco infantil Regionalzinho da Nair sairá neste domingo (9), às 13h, no Parque Moscoso. Entrada Livre.