O juiz da 1ª Vara Cível de Itapemirim (litoral sul do Estado), Marcelo Mattar Coutinho, julgou improcedente uma ação de improbidade contra o ex-prefeito do município Alcino Cardoso. Ele era acusado de irregularidades no controle de entrada e saída de bens e medicamentos do almoxarifado do município. Na decisão, o magistrado voltou atrás no entendimento utilizado em uma decisão anterior, anulada pelo Tribunal de Justiça do Estado (TJES). Desta vez, o juiz considerou que não houve a comprovação do dolo (culpa) do ex-prefeito com as falhas. A denúncia foi ajuizada pelo Ministério Público Estadual (MPES), que se baseou no relatório de auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE) na gestão de Alcino Cardoso, no ano de 2004. Entre as principais irregularidades apontadas, o órgão ministerial destacou a ausência de controle de entrada e saída em bens e medicamentos do almoxarifado da prefeitura. Na primeira decisão sobre o caso, em março de 2012, o juiz Marcelo Coutinho considerou que a inexistência de controle dos materiais demonstraria a “total falta de zelo com que o administrador tem com a coisa pública”. Naquela oportunidade, ele condenou o ex-prefeito à perda de eventual função pública, suspensão dos direitos políticos pelo prazo de quatro anos, além do pagamento de multa civil. Entretanto, a defesa conseguiu a anulação da sentença no tribunal, que considerou necessária a apuração da eventual culpa do ex-chefe do Executivo. Nesta nova análise, o juiz entendeu que os fatos e provas levantadas na denúncia não são suficientes para caracterizar a existência de má-fé ou dolo por parte do ex-prefeito. “Registro que, embora tenha proferido sentença (posteriormente anulada) acolhendo o pedido inicial, melhor analisando a questão, em observância, inclusive, ao acórdão da 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça, entendo que não é possível a condenação do requerido, por falta de comprovação do elemento subjetivo (dolo)”, afirmou. A decisão assinada no último dia 5 de fevereiro e publicada nessa sexta-feira (7) ainda cabe recurso por parte do Ministério Público. O processo tramita sob nº 0003142-23.2009.8.08.0026.
TJES vai concentrar trabalhos de Varas das Execuções Fiscais na Capital
O presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), desembargador Sérgio Bizzotto Pessoa de Mendonça, anunciou nessa sexta-feira (7) mudanças nas competências das duas Varas da Fazenda Pública Estadual, que são privativas dos casos de execução fiscal no juízo de Vitória. A partir da próxima semana, as unidades passam a ter competência para o cumprimento de atos relativos a execuções fiscais municipais de outras comarcas. De acordo com a Resolução nº 12/2013, publicada no Diário da Justiça, as cartas precatórias que estão em curso em outras unidades judiciárias serão redistribuídas de forma equivalente para as Varas da Fazenda Pública Estadual, Privativas das Execuções Fiscais Estaduais, da Comarca de Vitória, com exceção das que estiverem com audiências designadas. A medida deve colaborar para a melhoria na distribuição de processos e serviços entre as varas do Poder Judiciário estadual. A modificação também atende a uma recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que identificou a demora em ritos dos casos de execução durante inspeção realizada no tribunal, em 2009. A redução no quantitativo de casos de execuções fiscais em aberto faz parte das metas do órgão de controle para os tribunais de todo País. Atualmente, mais de 94% dos processos de execução estão atrasados, de acordo com dados do próprio TJES. Somente 11.347 ações do estoque de mais de 169 mil casos está em dia. Além das duas varas da Capital, as unidades com maior número de processos estão localizadas em Cachoeiro de Itapemirim (21.579 ações), Vila Velha (15.318) e Cariacica (13.903). Excluindo o juízo de Vitória (que registra 31.119 casos), as três varas são responsáveis por mais da metade dos processos em tramitação.
Luciano Rezende vai ficar neutro na disputa à Assembleia Legislativa
Para a disputa de deputado federal, a aposta do PPS e, consequentemente do prefeito de Vitória, Luciano Rezende, é o presidente da Câmara de Vitória, Fabrício Gandini, até pela proximidade partidária. Mas na disputa estadual, o prefeito não deve fazer campanha para um ou outro nome na Capital, mesmo tendo dois secretários na disputa: Max da Mata (Transportes) e Waguinho Ito (Assistência Social). O motivo é a Câmara de Vereadores. Isso porque, nada menos do que 11 legisladores vão disputar a eleição deste ano. Além de Gandini, os vereadores Rogerinho Pinheiro (PHS) e Devanir Ferreira (PRB) estão cotados para a disputa federal. Os demais vão disputar a eleição para a Assembleia. Em dezembro passado, o prefeito reuniu os vereadores para um almoço em que discutiu a disputa eleitoral. Como já foi vereador, tenta evitar conflitos com a Câmara. Por isso, deixará os vereadores livres para a disputa. Isso não evita os conflitos com a oposição, que na Casa é representada pelos vereadores Reinaldo Bolão (PT) e Luiz Emanuel (PSDB). No que diz respeito à eleição, o prefeito não vai entrar em rota de colisão com os vereadores. A princípio pensava-se que Luciano colocaria o peso do cargo em favor de seus secretários, sobretudo de Waguinho Ito, que é do mesmo partido do prefeito, o PPS. Mas a harmonia com o legislativo falou mais alto e ele prefere se afastar. Os próprios vereadores estão fazendo suas articulações com candidatos a deputado federal para garantir parceria nos principais colégios eleitorais de Vitória. Embora não seja uma unanimidade, Gandini conseguiu um acordo com parte dos vereadores-candidatos e vai caminhar com alguns deles na campanha. Rogerinho e Devanir fazem parte do bloco “Renova Espírito Santo” e tentam manter o equilíbrio da chapa para manter a competitividade dentro do grupo. Internamente, porém, rivalizam pela possibilidade de conseguir uma ou duas cadeiras na Câmara, dependendo da costura que buscam com o PV, do ex-prefeito de Vila Velha Neucimar Fraga.
SOS Ambiental pede explicações ao governo do Estado sobre análises da qualidade do ar
O Grupo SOS Espírito Santo Ambiental, que reúne diversas entidades ambientalistas do Estado, protocolou denúncia no Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) e no Palácio da Fonte Grande direcionada ao governador Renato Casagrande, pedindo explicações sobre a falta de divulgação dos resultados da medição de poeira desde março de 2013 e do funcionamento de algumas estações de medição da qualidade do ar desde agosto do mesmo ano, por falta de manutenção. Na denúncia protocolada sob o número nº. 004772/2014, o grupo questiona o modo como serão verificados os padrões de qualidade do ar estabelecidos pelo Decreto 3463-R, de 16 de dezembro de 2013, que estabeleceu os padrões de qualidade do ar em nível estadual. A impossibilidade de verificar se os valores da poluição atmosférica correspondem às prerrogativas estabelecidas em lei se deve, segundo a entidade, à falta de manutenção nas estações da qualidade do ar, situação em que se mantém desde agosto de 2013. O grupo questiona o motivo da falta de manutenção e cobra providências para o restabelecimento urgente das medições nas estações da qualidade do ar de Vitória, localizadas no Centro, na Enseada do Suá e em Jardim Camburi. Quando se consultava o resultado das análises nesses pontos no site do Iema, era exibida a mensagem “dados não encontrados”. Nessa sexta-feira (7), a mensagem continuava sendo exibida quando era solicitado o resultado da análise da estação de Jardim Camburi, mas as outras duas apresentaram suas medições. Entretanto, a estação do Centro de Vila Velha passou a exibir tal mensagem. No documento enviado ao governador, o grupo lembra que o decreto assinado define padrões para Poeira Sedimentada (PS), o famoso pó preto, em até 14 g/m2 mês quando, segundo dados de pesquisa, padrões que chegam a 5 g/m2 mês são intolerados pela população; além de definir que os padrões iniciais (MI1) para os padrões de qualidade do ar seriam estabelecidos a partir da assinatura do decreto, sem definir prazos para o estabelecimento dos padrões intermediários e finais. Diante da falta de resultados de medição de poeira desde março de 2013 e da falta de informações sobre o funcionamento das estações, que carecem de manutenção, os integrantes do grupo afirmam que a gestão do então governador “está sucateando o Iema”, além de afirmarem que o diretor presidente do Iema, Tarcísio Foëger, é “com certeza o pior gestor da última década”. Os integrantes do grupo ainda afirmam que as poluidoras Vale e ArcellorMittal são as únicas favorecidas por tal situação. O documento é assinado por Eraylton Moreschi Junior, coordenador geral do grupo SOS Ambiental, Federação das Associações de Moradores e Movimentos Populares do Espírito Santo (Famopes), Conselho Popular de Vitória (CPV), Associação dos Amigos do Parque da Fonte Grande (AAPFG), Associação dos Amigos da Praia de Camburi (AAPC), Família de Assistência e Socorro ao Meio Ambiente (Fasma), Associação Capixaba de Proteção ao Meio Ambiente (Acapema), Instituto Portas Abertas (IPA) e Associação Nacional Dos Amigos do Meio Ambiente (Anama). Decreto Na época da assinatura do decreto, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Seama) e Iema garantiam que sua elaboração também foi de responsabilidade do Grupo de Trabalho Interinstitucional (GTI) Respira Vitória. Mas ao contrário do discutido na Câmara de Vereadores, não define prazos para que sejam atingidos os padrões intermediários e finais. Muito menos estabelece compromisso das empresas responsáveis pela poluição do ar na Grande Vitória. Enquanto o Respira Vitória consolidou três metas gradativas, com uma diferença de três anos para a aplicação de cada uma delas, totalizando nove para se chegar ao recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o decreto estadual, que se sobrepõe à legislação municipal, acaba com esses prazos. O padrão de 14g/m² por mês estabelecido para PS é quase o dobro da média por metro quadrado mensais já registrada na estação de monitoramento da qualidade do ar da Ilha do Boi (Hotel Senac) nos últimos quatro anos de medições, e chega a ser 62% maior do que a atual média da estação do Centro de Vila Velha. Isso significa que a quantidade de pó preto nas residências da Capital, e não só, mas também de toda a Grande Vitória, pode praticamente dobrar, sem que haja qualquer tipo de punição, restrição ou compensação à população. Pelo contrário, o decreto representa a licença para que as empresas passem a poluir ainda mais. O decreto também delimita um prazo de seis meses a partir de sua entrada em vigor para instalação do equipamento que irá monitorar as partículas inaláveis finas (PM 2,5), que ainda não possuem monitoramento na Rede Automática de Monitoramento da Qualidade do Ar (RAMQAr). Na nova legislação, as PM 2,5 não possuem meta inicial (MI 1) e têm outros padrões intermediários e final que “poderão sofrer ajustes após a análise da série histórica de medições, a partir da implantação dos monitores contínuos deste poluente”.
Sindelpo convoca assembleia geral dos delegados para terça-feira
O Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do Estado (Sindelpo) convocou assembleia geral extraordinária para esta terça-feira (11, no auditório da Chefatura de Polícia Civil. O objetivo é discutir temas relacionados ao pleito da categoria, que reivindica reajuste salarial. Os delegados vão discutir o andamento das negociações com o governo do Estado a respeito da questão e não descartam a possibilidade de deflagração de greve por tempo indeterminado. A categoria vem se manifestando pelo reajuste na remuneração, que é a segunda pior do País. Atualmente, o salário inicial do delegado é de R$ 8.402,29, só ficando acima do praticado na Paraíba, que é de R$ 7.132. O último protesto da categoria aconteceu no dia 24 de fevereiro, em forma de debate, com a presença de representantes da categoria de São Paulo e Minas Gerais. No mesmo dia, em sessão na Assembleia Legislativa, o deputado Gilsinho Lopes (PR) disse que as demandas da categoria já haviam sido levadas ao governador Renato Casagrande (PSB), que disse não poder conceder reajuste para este ano e sim em 2015. Na Casa, o diretor da Federação Nacional dos Delegados de Polícia Civil, George Melão, lembrou que os delegados capixabas não recebem reajuste desde 2006. “Dá uma tristeza muito grande saber que um profissional como esse, responsável em combater a violência e promover a paz em todo o Estado, está sendo tão desvalorizado”, disse o diretor na ocasião.
Reféns do eucalipto
Wendson Valentin, 13 anos; Jery Valentin, 18 anos; e Wando Valentim, 13 anos, tiveram o mesmo fim: morreram envenenados. “E minha irmã ficou cega”, conta Manoel Pedro Serafim. O quilombola de 62 anos, após casos recorrentes registrados na região norte do Espírito Santo, área dominada por extensos eucaliptais da Aracruz Celulose (Fibria), resolveu encarar a empresa. As doenças e mortes são o resultado da elevada quantidade de venenos que a Aracruz utiliza na conservação e replantio da monocultura do eucalipto. “É tanto veneno, que existem casos como de uma moça que atravessou os eucaliptos, vindo da cidade para sua casa, e ficou vários dias tremendo. Ela mora aqui na comunidade Nossa Senhora Aparecida. Se quiser ouvir dela o que estou lhe dizendo, levo você lá”, atestou Serafim. O quilombola Serafim é responsável pela criação da Associação dos Pequenos Agricultores Vizinhos dos Empreendimentos Industriais de Conceição da Barra e São Mateus, municípios situados no norte do Estado. Embora dono de 16 alqueires de terra, área relativamente expressiva para os padrões da região, Serafim não conseguiu proteger sua lavoura dos efeitos nocivos do vizinho indesejável. Como grande parte dos demais agricultores, o veneno tornou roça improdutiva. Uma riqueza, porém, Serafim conseguiu preservar: a água. Sua área ainda mantém uma densa cobertura de espécies nativas de Mata Atlântica, uma espécie de oásis em meio ao deserto verde de eucaliptos. O rico bioma protege um córrego que nasce nos seus domínios e deságua no rio Cricaré, em Conceição da Barra. Como previu anos atrás o professor de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), Aziz Ab Saber, as raízes pivotantes do eucalipto, para buscar água em grande profundidade, corrompem o lençol freático. Os reveses são percebidos quando um poço é aberto na região. São necessários mais de 100 metros de profundidade para alcançar a primeira lâmina de água. A sedenta monocultura do eucalipto já sugou uma centena de córregos na região e reduziu drasticamente o curso das águas de outra centena, além do assoreamento de rios importantes para a região norte, como o Itaúnas. “Se naquele tempo viver na região já estava acima da capacidade de um ser humano, agora, com mais essa calamidade do aumento do uso de veneno, o que será de nós se não reagirmos?”, indagou Serafim. Não há como não entender que a ação dos eucaliptos ultrapassa as previsões e as advertências que fez, em sua época de atuação no mundo científico, o naturalista capixaba Augusto Ruschi. Autor de uma expressão que bem resumiu toda a tragédia que o eucalipto carreou para o Espírito Santo: “deserto verde”. O naturalista dedicou-se ao exame e aos estudos dos efeitos do plantio do eucalipto no Espírito Santo, assegurando que ele promoveria um verdadeiro desastre ecológico. Como consequência, principalmente, da erradicação violente das florestas e do emprego farto de eucaliptos, convencido de que a cultura do eucalipto privilegiaria novas pragas. Os pássaros, que se alimentam de isentos, seriam uma das suas primeiras vítimas, previa Ruschi. Desapareceriam também os mamíferos que comem as aves e os peixes teriam o mesmo destino com o carreamento dos solo envenenado para o leito dos rios. Na época, Ruschi foi muito preciso quanto aos destinos dos rios e dos córregos: “Os córregos secarão. O lençol freático foge, tira-se de uma só vez uma imensidão de florestas para plantar eucaliptos. É a alta chuva quem alimenta o lençol freático, que depois vai soltando através dos córregos. Você tira a cobertura natural, entra com o eucalipto que se alimenta de água, cria o elemento primordial para destruição do lençol freático”, previa o ambientalista. O que se passa hoje com as comunidades vizinhas dos eucaliptos é um autêntico duelo com a própria existência. Não bastassem terem passados por todos esses ciclos de destruição por causa do eucalipto, a sobrevivência destas comunidades ficou reduzida, praticamente, ao carvão. Como assinala Serafim: “Nos restou ficar com a cara na boca de um forno destruindo a nossa saúde”. E emenda: “Não bastasse tanta desgraça, agora eles veem com o veneno”. Veneno O uso do veneno nas plantações de eucalipto tem o propósito único de economizar mão de obra. Quando a Aracruz Celulose começou a operar na região, a partir de 1968, chegou a usar cerca de 20 mil homens para capinar a capoeira por entre os eucaliptos. Logo trocaria a mão de obra braçal pela capina mecânica e depois pela capina química. Nesse processo, extinguiu mais de 19 mil postos de trabalho, passando a executar a tarefa com apenas 800 homens, numa atividade de alto risco à saúde, que deixa o trabalhador em estreito contato com o veneno, que carrega nas costas. O trabalho insalubre já provocou doenças graves, lesionou e inutilizou um número significativo de trabalhadores. Fora os registros de algumas mortes. “O veneno sempre esteve presente nos eucaliptais, só que nos últimos seis anos as quantidades vêm se multiplicando. O mais grave é que a empresa conta com total cobertura dos órgãos de controle ambiental, que vão do governo às prefeituras”, denunciou o quilombola. Entre as doenças provocadas em decorrência da exposição ao veneno, uma forte incidência de glaucoma foi registrada na população de quilombolas. Não há justificativa científica para tantos casos, já que o glaucoma não é uma doença transmissível. Os altos índices da doença surpreenderam os médicos. Após a análise de cientistas e ambientalistas, entre eles Augusto Ruschi, chegou-se à conclusão que o glaucoma fazia parte de doenças latentes advindas das mudanças climáticas, que formaram o ambiente propício para sua existência. Quanto à situação atual, Serafim, na condição de representante da Associação dos Pequenos Agricultores Vizinhos dos Empreendimentos Industriais de Conceição da Barra e São Mateus, tentou discutir o problema do veneno com a própria empresa. Ele chamou a atenção para a suspeita de envenenamento dos dois córregos que restavam para as comunidades. “Fui despachado na hora pelo indivíduo que a Aracruz mandou me receber. Ele
Ação de improbidade contra prefeita de Fundão vai ser analisada por juízo de 1º grau
A prefeita de Fundão, Maria Dulce Rudio Soares (PMDB), vai ser julgada por improbidade administrativa na comarca do município. A decisão é da juíza da comarca, Glícia Mônica Dornela Alves Ribeiro, que declarou a inconstitucionalidade da Emenda nº 85/2012. A norma deslocou o foro de julgamento de ações deste tipo contra prefeitos e deputados estaduais para o Tribunal de Justiça do Estado (TJES). Neste caso, a peemedebista é acusada de irregularidades na locação de veículos e caminhões pela municipalidade. Na decisão publicada nesta sexta-feira (7), a magistrada considerou que a emenda promulgada pela Assembleia Legislativa não tem respaldo legal. Glícia Ribeiro afirma que o Supremo Tribunal Federal (STF) admitiu somente a extensão do foro privilegiado concedidos aos prefeitos em ações penais: “Em nenhum momento restou autorizado o alargamento ou equiparação do foro privilegiado para matérias ou ações de natureza cível [caso das ações de improbidade] que não encontram sequer similitude no modelo constitucional federal”. A juíza também criticou o fato da emenda ter representado uma intromissão indevida na esfera de competência do Poder Judiciário, “uma vez que o inchaço descabido e irrazoável das funções nitidamente excepcionais comprometeriam a normalidade de sua atuação, traduzindo-se em afronta ao princípio da separação dos poderes”. Com a decisão, a ação de improbidade contra Maria Dulce vai continuar a tramitar na comarca do município. Na denúncia original, o Ministério Público Estadual (MPES) acusa a prefeita de ter cometido irregularidades na locação de veículos e caminhões para atender a diversas secretarias do município, em agosto de 2007. A promotoria questiona o fato do município não ter realizado uma vistoria prévia ou cobrado a apólice de seguro para cobertura de acidentes pessoais de passageiros antes da execução dos serviços. O MPES denuncia ainda falta de controle na execução das despesas do contrato. Além da prefeita, foram denunciadas outras nove pessoas: Evandro Agostini Rodrigues, Gracildo Milka, Rafael Louterio Rodrigues, Tertuliano Tauribio dos Santos Neto, Maria da Penha dos Santos, Manoel Rodrigues Gasparini, Tiago Dalapicola, Robson Serrano Alvarenga e Nicácio Neto Nascimento Fraga.
Adolescentes que cumprem medida de internação poderão votar no dia 5 de outubro
A Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), o Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases) e o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) assinaram nesta sexta-feira (07) um convênio de cooperação técnica e parceria para a criação de seções eleitorais especiais em unidades prisionais e em cinco unidades de internação de adolescentes. Dessa forma, a Sejus vai garantir o direito ao voto nas eleições de 5 de outubro aos internos que cumprem pena em regime provisório, bem como aos adolescentes que cumprem medida socioeducativa de privação de liberdade. As sessões eleitorais serão instaladas em unidades de Aracruz, Cariacica, Linhares, Vila Velha, Guarapari, Cachoeiro de Itapemirim, Marataízes, Serra, Viana, São Domingos do Norte, Colatina e São Mateus. Os presos já puderam votar em 2006, 2010 e 2012. Este ano, porém, haverá acompanhamento jurídico online feito pelo sistema de gerenciamento da população carcerária, o Infopen-ES. O programa permitirá um controle preciso da situação jurídica dos internos que votarão durante as eleições. Caso um interno consiga um alvará de soltura no dia da votação, ele poderá votar na unidade em que estiver ou poderá se dirigir à zona eleitoral. Representantes do TRE e da Sejus já visitaram todas as 15 unidades prisionais que receberão as seções eleitorais para a verificar a possibilidade de instalação das urnas eletrônicas. Também foi verificado o número de internos aptos a votar em cada unidade. O Iases, por sua vez, deverá garantir as condições para a criação das seções, indicar os locais adequados para as instalações de urnas, tomar todas as providências que proporcionem a segurança dos espaços e garantir que os servidores indicados para a função de mesário compareçam aos treinamentos da Justiça Eleitoral. Terão seções eleitorais o Complexo de Cariacica – que abrange as Unidades de Internação Socioeducativa (Unis) e Feminina de Internação, as Unidades de Internação Provisórias (Unips I e II), a Unidade de Internação Regional Metropolitana (Unimetro), em Vila Velha, o Centro Socioeducativo de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei (CSE), e as unidades de internação provisória norte e sul.
Câmara de Vila Velha aprova reajuste de 8% para o magistério
A Câmara de Vila Velha (CMVV) aprovou na sessão dessa quinta-feira (6) o reajuste de 8% aos profissionais do magistério do município. O reajuste foi concedido após diversas manifestações dos profissionais, que não tiveram reajuste em 2013, o que foi inédito no magistério de Vila Velha. O acordo entre o magistério – representado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado (Sindiupes) – e a prefeitura foi anunciado em 12 de fevereiro. O reajuste amenizou o clima de tensão entre a categoria e o prefeito Rodney Miranda (DEM). A rede municipal de ensino canela-verde tem cerca de quatro mil servidores, entre professores, coordenadores e pedagogos, que representam mais de 50% dos funcionários do município. A categoria ficou pela primeira vez sem o reajuste anual em 2013, o que levou os professores a paralisar as atividades por mais de dois meses. A prefeitura apresentou uma proposta de abono salarial pago em quatro parcelas. Durante a campanha que elegeu Rodney, o magistério, ao lado dos profissionais da Saúde, foi uma das primeiras categorias a manifestar apoio à candidatura do prefeito do DEM. A primeira reunião do ano entre prefeitura e sindicato aconteceu no dia 30 de janeiro, quando o sindicato cobrou o reajuste, abono, gestão democrática, equiparação salarial para funcionários da educação e a definição de uma data-base para o dissídio da categoria. A proposta inicial de reajuste da prefeitura foi de 6%, que acabou subindo dois pontos e chegando a 8%. O reajuste salarial sairá na folha de pagamento do mês de março, incluindo os aposentados. Outra conquista assegurada foram seis dias de abono em 2014 para os professores e, a partir de março, eleição para conselho de escola. Sobre a eleição para diretor de escola, ficou definido que a administração municipal e o sindicato formarão uma comissão para definir o critério da escolha, a partir do segundo semestre deste ano.
Prazo de filiação para militares e magistrados termina em abril
Para concorrer às eleições gerais de 2014, entre outras exigências, o candidato deve ter sido escolhido em convenção partidária e estar filiado a um partido político pelo menos um ano antes do pleito. Ou seja, este prazo expirou em 5 de outubro do ano passado. Mas, para ocupantes de determinados cargos públicos que não estão submetidos a esse prazo de filiação partidária, como os magistrados, integrantes de tribunais de contas, membros do Ministério Público e militares, a data é diferente. Os magistrados, membros de tribunal de contas ou Ministério Público que quiserem concorrer à eleição devem se filiar a um partido até seis meses antes do pleito, no caso, até 5 de abril deste ano, devendo se desligar em definitivo (pedir exoneração) do seu cargo na Justiça ou na corte de contas, em igual prazo. Por sua vez, o militar da ativa com mais de 10 anos de serviço, não detentor de cargo no alto comando da corporação, para disputar uma eleição deve, primeiramente, ser escolhido em convenção partidária. A partir dessa data, é considerado filiado ao partido, devendo comunicar à autoridade militar para passar à condição de agregado. No Estado, vários militares estão cotados para a disputa eleitoral deste ano. Muitos deles aguardam se beneficiam da possibilidade de poder se filiar depois das demais lideranças, aguardando a acomodação dos candidatos e a formação das coligações, para escolher o melhor caminho eleitoral. Se eleito, será transferido para a inatividade. Se contar com menos de 10 anos de serviço, após escolhido em convenção, também será transferido para a inatividade. Em ambas as situações o militar não precisa, assim, respeitar a regra geral de um ano de filiado a uma legenda antes do pleito. As vedações à atividade político-partidária e à própria filiação às agremiações por parte de magistrados, integrantes de tribunais de contas, do Ministério Público e militares estão contidas na Constituição Federal. O artigo 20 da Lei dos Partidos Políticos faculta ao partido político estipular, em seu estatuto, prazos de filiação partidária superiores ao de um ano antes da eleição com vistas à candidatura. Esses prazos de filiação, fixados no estatuto da agremiação, não podem ser alterados no ano da eleição.