Em 2014, como já era esperado, o Estado registrou um carnaval violento, com 31 homicídios e um latrocínio (roubo seguido de morte). No entanto, a justificativa da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) para o aumento em 10 casos entre 2013 e este ano mudou, já que não há possibilidade de associar o alto número de mortes violentas com o tráfico de drogas, desculpa que o ex-secretário de Segurança Rodney Miranda gostava muito de usar. Grande parte das mortes registradas durante os quatro dias de folia foram provocadas por motivos fúteis, como brigas e discussões decididas no “bico do revolver”. Por isso, o secretário de Estado de Segurança Pública, André Garcia, justificou que o alto número de armas ilegais em poder da população acaba por facilitar que haja mortes por qualquer motivo banal e alegou que é papel da Polícia Federal e do Exército monitorar regiões fronteiriças para que as armas não entrem em território nacional ou que não haja tráfico interestadual de armas. A justificativa inédita para o alto número de homicídios se soma a tantas outras dadas pelo atual secretário e por seus antecessores. O mês de janeiro deste ano foi mais violento que o mesmo período de 2013, contrariando a tese do governo que existe uma tendência de redução nos índices de homicídios. O primeiro mês do ano registrou 163 mortes, contra 140 em janeiro de 2014, um aumento de mais de 16%. Na época, Garcia minimizou a elevação, alegando que os índices são naturalmente mais altos no início do ano, período de verão. Considerando as 163 mortes violentas de janeiro e projetando a taxa para 2014, teremos uma média de 56 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes. Taxa que desconstrói o discurso do secretário, que tem garantido à sociedade que os índices estão em desaceleração desde 2009. Além disso, reduzindo dos 31 homicídios os seis que foram praticados em locais de folia, durante os festejos de carnaval, chega-se à média de pouco mais de seis homicídios por dia, nos quatro dias. Esse número é um ponto maior do que a média diária de homicídios, que gira em torno de cinco mortes violentas por dia. É esse número, que é muito alto, que joga para cima a taxa de homicídios do Estado, que sempre fica acima de 40 por 100 mil no Estado. A taxa média de homicídios em uma década, entre 2003 e 2013, é de 54,5 mortes por 100 mil. Mais do que buscar justificativas para o aumento das mortes – ou para a estagnação nos números – a Sesp precisa apresentar um planejamento em segurança pública que contemple, mais do que a repressão a grupos criminosos, a prevenção calcada da multidisciplinaridade, para que os reflexos da redução sejam, de fato, duradouros.
Justiça muda local de julgamento de ação contra nomeação de Sérgio Borges no TCE
A Justiça estadual acolheu o pedido do Ministério Público para mudar o local de julgamento da ação civil pública contra a nomeação do novo conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Sérgio Manoel Nader Borges. Na última sexta-feira (28), a juíza da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual, Telmelita Guimarães Alves, determinou a redistribuição do processo, que havia sido inicialmente encaminhado para a vara. O caso será distribuída para uma das outras duas varas da Fazenda estadual, fato que deve adiar o exame do pedido liminar pelo afastamento de Sérgio Borges. Na ação civil pública, integrantes do Ministério Público Estadual (MPES) e de Contas (MPC) questionam a eleição do ex-deputado estadual com base em dispositivos da Lei da Ficha Limpa. Eles sustentam que o novo conselheiro não atende aos requisitos de idoneidade moral e da conduta ilibada para ocupar o cargo. No despacho, a juíza Telmelita Alves entendeu que a resolução do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), que determinou a criação e instalação da Vara Anticorrupção, estabeleceu como competência exclusiva o julgamento de ações populares e de improbidade administrativa, hipóteses que não teria relação com o processo contra a nomeação do conselheiro. “Nesse sentido, tendo em vista que os presentes autos não versam sobre as matérias elencadas, determino a redistribuição dos autos ao juízo competente”, afirmou. A decisão atende ao pedido feito pelo MPES logo após uma decisão da mesma juíza, que havia decidido ouvir o ex-deputado antes de examinar o pedido de afastamento. Na petição protocolada em novembro passado, a promotora de Justiça, Vanessa Monteiro, afirma que a ação civil pública não envolveria supostos atos de improbidade, o que afastaria a competência da 3ª Vara. Nos autos do processo (0043845-60.2013.8.08.0024), os representantes do MPE e do MPC pedem a nulidade do ato de nomeação de Sérgio Borges. Eles listam antigas acusações contra Borges para desqualificar a posse do novo conselheiro, como a condenação por órgão colegiado do TJES pelo recebimento indevido de diárias da Assembleia Legislativa. Atualmente, Sérgio Borges recorre da decisão nas instâncias superiores. O órgão ministerial sustenta que, além da ausência de conduta ilibada, a nomeação de Borges teria violado o Regimento Interno da corte. Os promotores alegam que a posse de novos conselheiros deve ser feita em sessão especial, convocada pelo presidente do tribunal. Eles alegam que o regimento prevê que as pautas das sessões devem ser publicadas no Diário Oficial com antecedência mínima de 48 horas, sob pena de nulidade. Em despacho assinado no dia 19 de novembro, a juíza Telmelita Alves postergou a análise do pedido de antecipação de tutela para após o recebimento da contestação dos réus do processo – além de Sérgio Borges, foram citados o Estado do Espírito Santo e o próprio Tribunal de Contas.
Manato e Gandini devem brigar por vaga de federal na coligação
A expectativa dos meios políticos é de que a coligação SDD, PPS, PSD, Pros e PTB briguem por uma vaga na Câmara dos Deputados. Dentro do grupo, a disputa mais acirrada é entre o deputado federal Carlos Manato (SDD) e o presidente da Câmara de Vitória, Fabrício Gandini (PPS). Ambos estão buscando estratégias para tentar captar votos em suas bases. Manato vem correndo o Estado em busca de ampliar suas bases. No Carnaval, ele esteve em várias festas cumprimentando eleitores. Também tenta recuperar sua antiga base, a Serra. Para isso, conta com o apoio do prefeito Audifax Barcelos (PSB). Manato, como a maioria dos candidatos, também tem votos em Vitória e ajuda a complicar o meio de campo na Capital. Já o presidente da Câmara de Vitória, Fabrício Gandini, tem como principal base a Capital. Em Jardim Camburi, mais precisamente, ele pode sair com uma votação expressiva, mas precisará da legenda para completar os votos necessários para garantir uma cadeira na Câmara. Gandini também deve fazer parcerias temáticas com candidatos a deputado estadual. Quando o tema for segurança, atuará em conjunto com o deputado José Esmeraldo (PMDB). Quando falar sobre mobilidade urbana, o parceiro será o secretário de Transportes de Vitória, Max da Mata (PSD), e nos debates sobre assistência social, a casadinha será com o vice-prefeito Waguinho Ito (PPS). Como Manato já se mostrou em outras eleições um candidato com desempenho imprevisível, a briga nesta coligação deve ser acirrada entre as duas lideranças. Mas para garantir essa vaga, o grupo depende também do desempenho das outras coligações. Isso porque, um grupo de grandes partidos com cabeças de chapa, sem nomes intermediários para a disputa, vem se formando e pode levar metade da bancada. O grupo tem PT, PMDB, PDT e PSB.
Audiência pública discutirá obra do superporto em Vila Velha
As movimentações para instalação do Porto de Águas Profundas (superporto) na Ponta da Fruta, em Vila Velha, serão temas de debate na próxima quarta-feira (12) na Assembleia Legislativa, a partir das 19 horas. A iniciativa é da Frente Parlamentar Ambientalista, presidida pelo deputado Claudio Vereza (PT), após proposta demandada pelo Fórum Popular em Defesa de Vila Velha (FPDVV). Morador da Barra do Jucu, Vereza já manifestou que considera uma “aberração” a instalação do superporto no município. Irene Léia Bossois, economista e representante do Fórum, explica que o objetivo é apresentar as especificidades ambientais e sociais da região para a qual o empreendimento está sendo projetado, bem como os impactos que serão gerados, não somente no local no qual será instalado, como também em todo o entorno. A entidade também espera que o debate consiga atingir e sensibilizar a parcela da população que ainda está alheia à questão, bem como informá-los sobre os riscos da instalação do superporto na região. Diversos outros debates já foram promovidos pelo Fórum em Vila Velha para debater os impactos irreversíveis que o superporto causará se instalado na Ponta da Fruta. Em um seminário-debate no mês de novembro do ano passado, o Fórum apontou a falta de dados técnicos como um empecilho a avaliações mais precisas sobre o empreendimento. Na ocasião, especialistas foram unânimes em considerar que a região passará por grandes transtornos caso o empreendimento realmente se instale na Ponta da Fruta. Para o Fórum, a região deixa de ter um perfil local e pacato, passando à condição de portuária, amplamente impactada. Desde o primeiro debate, o Sindicato Unificado da Orla Portuária do Espírito Santo (Suport-ES) explica que reivindica há anos a construção de um superporto no Estado. Entretanto, a proposta dos trabalhadores é bem diferente da que foi apresentada para implantação na Ponta da Fruta. A começar porque a preferência da instalação era em uma área já impactada por portos, como Praia Mole, e não em uma área ambientalmente sensível; além da proposta sugerir o aumento gradual de sua capacidade, conforme a demanda, e não que o porto já fosse construído com uma pretensão de cargas futuras, já que não há garantia de tal movimentação. A capacidade excessiva para o padrão atual que será atribuída ao superporto também foi questionada pelo cientista político Roberto Garcia Simões em seminário. Na ocasião, os pesquisadores Eric Mazzei e João Batista Teixeira apresentaram uma previsão de que até os peixes e outros animais marinhos apreciados na culinária capixaba poderão desaparecer devido à instalação do terminal portuário. Segundo eles, atualmente, a região que poderá ser extinta com o projeto é repleta de alagados e abriga remanescentes de Mata Atlântica e de restinga, praias com arrecifes e rica biodiversidade. Eles alertam que o superporto também pode pôr fim à atividade pesqueira tradicional. Em fevereiro deste ano, os deputados Roberto Carlos (PT), Luzia Toledo (PMDB), Theodorico Ferraço (DEM), Janete de Sá (PMN), Nilton Baiano (PP), Hércules Silveira (PMDB), Atayde Armani (DEM), Elcio Alvares (DEM) e Aparecida Denadai (PDT), além do prefeito Rodney Miranda (DEM), entregaram um manifesto ao governador Renato Casagrande com o objetivo de garantir a construção do superporto em Vila Velha. Os deputados sugeriram que fosse feito um decreto de desapropriação da área em Ponta da Fruta como reserva técnica, o que impediria a instalação de outros empreendimentos no local. O pedido foi acatado pelo governador. No dia 18 do mesmo mês, o vereador Duda da Barra (PP), que defende a instalação do empreendimento desde a legislatura passada, quando ainda era suplente, sugeriu que o poder público exija da empresa que deverá operar o porto uma contrapartida à altura para beneficiar a cidade como, por exemplo, a construção de cinco estações de bombeamento com comportas inteligentes, para resolver os problemas dos alagamentos no município em épocas de chuva. Para o Fórum, não faz sentido usar a questão do bombeamento da água, uma obra fundamental para o local, como instrumento de compensação pelos inúmeros danos que poderão ser causados pelo superporto. Os vereadores Valter Rocon (PDT) e Marcos Rodrigues (PP) também se mostraram favoráveis ao projeto. Na próxima quarta, comporão a mesa de debates, além de Irene Léia, Luiz Fernando Barbosa Santos, engenheiro civil e advogado da Comissão de Excelência da Orla Portuária; Cláudia Solaris, socióloga que participou da elaboração do Plano de Manejo da Bacia de Inundação do Rio Jucu e adjacentes; e Petrus Lopes, do Instituto Jacarenema de Pesquisa Ambiental (INJAPA). A Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa) foi convidada a participar, mas ainda não confirmou presença.
Ministério Público analisa se vai recorrer da decisão que inocenta Hartung no escândalo do posto fiscal
O Ministério Público Estadual (MPES) deve iniciar, na próxima semana, o exame da decisão pelo arquivamento da ação de improbidade contra o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) e mais sete pessoas por supostas irregularidades nas obras do Posto Fiscal São José do Carmo, em Mimoso do Sul. Os autos do processo foram encaminhados para o órgão ministerial nessa quinta-feira (6). O promotor de Justiça, Dilton Depes Tallon Netto, autor da ação, tem até 15 dias para decidir se vai recorrer ou não da sentença. Independente do posicionamento do promotor, o arquivamento do caso deverá antes ser submetido ao Tribunal de Justiça do Estado (TJES). Isso porque neste tipo de ação, a lei prevê o chamado duplo grau de jurisdição, em alusão ao dispositivo presente na Lei das Ações Populares, que obriga o reexame da decisão pela rejeição ou pelo julgamento improcedente da denúncia. Mas caso o promotor decida pelo recurso, o juízo da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual deverá se manifestar antes da subida do processo ao tribunal. A reportagem tentou localizar o promotor Dilton Depes, mas recebeu a informação de que ele estaria em audiência durante a tarde desta sexta-feira (7). A estimativa na promotoria é de que o caso seja analisado somente a partir da próxima semana, devido à sobrecarga de casos remetidos ao promotor. Nos meios jurídicos, a expectativa é de que o promotor entre com recurso contra a decisão da juíza Telmelita Guimarães Alves. Durante toda instrução do processo, ajuizado no dia 8 de março do ano passado, Dilton Depes defendeu a celeridade na tramitação do caso, que sofreu uma série de atrasos devido ao “sumiço” de alguns réus. Em duas ocasiões, o promotor se manifestou de forma contundente a favor da denúncia. No mês de abril, o representante do MPES solicitou ao juízo que proibisse a realização de qualquer intervenção no local, logo após a notícia de que a área do posto teria sofrido uma tentativa de “maquiagem” com a colocação de pó de brita para dar aspecto de pavimentação. Mais recentemente, em setembro, o promotor criticou a demora na análise do pedido de liminar pelo bloqueio dos bens dos denunciados. Naquela oportunidade, haviam se passado mais de seis meses sem que a Justiça conseguisse localizar quatro dos oito réus no processo. Em relação à rejeição da denúncia, fontes de bastidores comentam que a juíza suprimiu a fase de instrução do processo, quando todos os réus e testemunhas de acusação e de defesa são ouvidas em juízo. Nesta fase, a Justiça também pode determinar a realização de perícias no local, bem como a coleta de novas provas. No entanto, a absolvição de Hartung e demais envolvidos acarreta o encerramento do processo ainda no nascedouro. Na decisão, a juíza alegou que os denunciados “não praticaram qualquer comportamento que gerou prejuízo ao Estado, ao contrário, empenharam esforços no sentido de tutelar o patrimônio público”, que seria a infraestrutura construída até a decisão de extinguir do posto. Ela também rejeitou a hipótese de condenação dos envolvidos por suposto dano moral coletivo ao Estado, uma vez que não teria ocorrido qualquer “violação à honra objetiva do Estado” sob alegação de que o fato não teria repercutido em “organismos nacionais ou internacionais, mesmo porque não se verifica ato de improbidade”. Já o promotor defende na denúncia que o ex-governador e mais sete pessoas de seu governo “torraram cerca de R$ 25 milhões” nas obras do posto. Ele se refere às obras como “desperdício do dinheiro público” com o projeto, que não saiu da fase da terraplanagem e não tem hoje qualquer previsão de utilização pela atual administração. No entanto, a juíza considerou que o governo Hartung acertou ao iniciar a construção e depois de desativar o posto.
Articulação estadual não atende aos interesses da nacional do PT
A acomodação do PT na chapa do governador Renato Casagrande tem causado muita discussão nos últimos dias, devido à antecipação do vice-presidente do partido, José Carlos Nunes, de que a sigla aceitaria compor a vice na chapa do governador Renato Casagrande (PSB). Nunes, porém, não teria autoridade para falar em nome do partido. A discussão realmente chegou a ser comentada, mas não fechada, já que esbarra na intenção da nacional do PT em aumentar sua bancada de senadores para garantir a governabilidade de Dilma no segundo mandato, caso ela vença a eleição. Dentro do partido esta questão será discutida intensamente, já que o PT tem dois nomes colocados para a disputa ao Senado: o ex-prefeito João Coser e a senadora Ana Rita, que já assinaram o livro de pré-candidatura. No próximo sábado (15), os delegados do partido se reúnem para definir a questão. A tendência é de que o partido confirme o nome de Coser, já que ele tem maioria no partido. Para os meios políticos, a solução para esse imbróglio seria conceder a vice para o PMDB, o que garantiria a manutenção da aliança entre os três partidos e atenderia também ao interesse do ex-governador Paulo Hartung, que estaria de olho na disputa ao governo em 2018. A movimentação também é benéfica ao senador Ricardo Ferraço, que estará na disputa à reeleição em 2018, ou mesmo pode disputar o governo caso Hartung não queira disputar. A dúvida é se o ex-governador estaria disposto a permanecer na planície até lá. Outra dificuldade é encontrar um nome, seja no PT, ou no PMDB que possa compor como vice de Casagrande. Segundo interlocutores palacianos, o governador não abre mão de fazer a escolha. Não vai aceitar indicações. Isso porque terá de se desincompatibilizar do cargo em 2018, caso decida se candidatar ao Senado. Para isso precisa de um vice em quem confie para sucedê-lo por cerca de oito meses, no período eleitoral. Independentemente da posição no bloco, a classe política do Estado acredita que haverá uma composição entre os três partidos para a disputa deste ano. Mesmo com os problemas de acomodação em nível nacional entre PMDB e PT, as movimentações locais avançam no sentido da reconstrução da unanimidade.
Operários de terceirizada da Samarco fazem greve em busca de melhores condições de trabalho
Os trabalhadores da empresa Veyance Technologies Services, que atuam na área da mineradora Samarco, em Anchieta, no sul do Estado, deflagraram greve nessa quinta-feira (6) por melhores condições de trabalho. A paralisação de aproximadamente 95% dos trabalhadores prossegue nesta sexta-feira (7), com protestos em frente à mineradora. Os operários pretendem permanecer em greve até que a empresa se posicione sobre as demandas da categoria. Os empregados denunciam que não estão recebendo uniformes novos, o que leva os operários a trabalharem com blusas e calças rasgadas, botinas furadas e descoladas. Além disso, eles também reclamam que não há quantidade de equipamentos de proteção individual (EPIs) suficiente para todos os trabalhadores e que os poucos que restam estão sucateados. O assédio moral também foi relatado pelos trabalhadores ao Sindicato dos Metalúrgicos do Estado (Sindimetal-ES), que reclamaram que um encarregado teria insultado um técnico em segurança que o havia advertido por não estar usando EPI. Eles acrescentaram que este mesmo encarregado vem ameaçando os trabalhadores de demissão desde a última semana, quando iniciaram os protestos. Os operários também cobram melhorias nos banheiros que quando chove ficam cheios de goteiras. Eles também querem um banheiro específico para uso feminino, já que hoje as mulheres precisam usar os banheiros de outras empresas.
Dorival Caymmi é o tema do espetáculo Maria Maria 2014
Marina, Gabriela, Dora, Tereza, foram muitas as mulheres que Dorival Caymmi cantou. Inspirado por esse repertório feminino e sensual, o Projeto Maria Maria elaborou o conceito para o espetáculo de 2014. Com o tema Tempo de Caymmi, a apresentação contará com as vozes de sete cantoras de diferentes gerações para celebrar o Dia Internacional da Mulher. “O tema foi sugestão de um amigo, que me falou que o universo de Caymmi é muito ligado a temas praianos, a religiosidade, a Bahia e a sensualidade feminina”, conta Simône Devens, diretora geral do espetáculo. Para ela, a sugestão do amigo foi perfeita, principalmente porque Caymmi tem muitas músicas com nomes de mulheres. “Caymmi tem a sensualidade como uma de suas fontes de inspiração e toda a mulher tem uma sensualidade própria, por isso o tema tem tudo a ver com o conceito do espetáculo que é retratar o universo feminino”, diz. O projeto já está na sua 5ª edição e este ano além de homenagear as mulheres, também homenageará o centenário do compositor baiano. As apresentações acontecem no Theatro Carlos Gomes no sábado (8) e no domingo (9). Os ingressos estão no valor de R$20 (inteira), R$10 (meia) e já estão disponíveis para venda na bilheteria teatro. E no sábado, dia internacional da mulher, as mulheres pagam meia. Simone conta que junto com o maestro do espetáculo Paulo Sodré, que compôs todos os arranjos, ela fez uma intensa pesquisa acerca do patrimônio caymmiano. O repertório do Maria Maria vai contemplar todas as fases do compositor e trará 7 músicas com nomes de mulheres e mais alguns outros sucessos românticos de Caymmi. No elenco de vozes dessa edição, há cantoras que atuam em diversos gêneros musicais. São elas: Cris Monteiro, Fran Germana, Gardênia Marques, Priscila Millanez, Simône Devens, Tereza Cristina e Zizinha Huguenin. A escolha do grupo que se apresenta a cada edição é sempre um desafio para Simone, que conta que é abordada durante todo o ano por artistas que querem participar do espetáculo. “Junto com o Paulo procuro assistir a shows de diversas artistas que mandam trabalhos para mim ou que são indicadas por amigos É sempre muito difícil montar esse grupo, mas procuro manter a diversidade e colocar no mesmo palco cantoras experientes com iniciantes”, diz Simone. Outro momento delicado é quando uma das Marias precisa abandonar o grupo para dar lugar a uma nova voz, “são muitos ensaios, acabamos formando uma família, mas uma vez Maria sempre Maria”, ri. O diferencial do espetáculo é que cada cantora tem a sua identidade e deixa transparecer toda a sua personalidade no palco, fazendo do Maria Maria uma apresentação muito diversificada. As apresentações desta edição ainda contam com a performance teatral de Elaine Vieira e com a criação literária da poetisa Suely Bispo. Completam a cena o casal de dançarinos Nadia Amorim e Nil Schaefer. “Nosso objetivo é também incentivar as mulheres a trabalharem seu lado artístico e promover o protagonismo feminino na cena cultural”, diz Simone, que também revela que o diretor cênico Edson Nascimento preparou muitas novidades para o espetáculo. Serviço Espetáculo Maria Maria Tempo de Caymmi será neste sábado (8) e domingo (9), às 19 horas, no Theatro Carlos Gomes. Ingressos: R$20 (inteira), R$10 (meia). Ingressos já estão disponível para venda na bilheteria do Theatro Carlos Gomes e no no site www.ingresso.com. No sábado (8), as mulheres pagam meia.
Judiciário capixaba vai realizar 42 julgamentos na Semana Nacional do Júri
O Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) anunciou, nesta quinta-feira (26), a realização de 42 sessões de julgamentos durante a Semana Nacional do Júri, que será realizada entre os dias 17 e 21 deste mês. O evento é nacional e faz parte de uma iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para contribuir para o cumprimento das metas da Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública (Enasp). A maioria dos júris populares (30) será realizada nos juízos da Grande Vitória. De acordo com informações do TJES, os juízes de 1º grau informaram a realização de sete julgamentos na Serra e em Vila Velha, seis nos juízos de Cariacica e Vitória e mais quatro em Viana. No interior do Estado, as varas contempladas foram de Linhares (cinco júris), Conceição da Barra, Mantenópolis (três em cada) e Vargem Alta, onde será realizado o julgamento de uma ação penal. Na última semana, a cúpula do tribunal havia recomendado aos juízes com atribuições em varas criminais, com competência do Tribunal do Júri, para que adotassem todas as providências necessárias de forma a possibilitar a realização do maior número possível de sessões de júri durante a Semana Nacional do Júri. O ato recomendou o auxílio de membros do Ministério Público, da Defensoria Pública, de serventuários, advogados e partes nos processos. Segundo o juiz assessor da presidência do TJES, Ewerton Schwab Pinto Júnior, a meta do Tribunal é realizar o máximo possível de júris. “Os juízes irão verificar que processos estão em condições de ir a julgamento durante a Semana Nacional do Júri. A meta é julgar o máximo possível não só durante a semana, mas até outubro. Haverá um esforço em todas as comarcas para que seja cumprida a meta do CNJ”, declarou em nota reproduzida no site do tribunal. Entre as metas está a limpeza da pauta de júris em aberto até o mês de outubro. De acordo com o órgão de controle, a ideia é realizar sessões plenárias do Tribunal do Júri em todas as unidades judiciárias do Estado. As varas que se destacarem no mutirão vão receber o Selo Enasp, criado para premiar os magistrados e servidores envolvidos no cumprimento da meta. Criada em 2010, a Enasp é uma parceria dos órgãos de controle com o Ministério da Justiça para integrar os órgãos responsáveis pela segurança pública no combate à violência. O órgão de controle indicou a escolha de uma “Comarca Enasp”, que concentrará o esforço para a realização dos júris populares em processos de homicídios dolosos que estão pendentes de julgamento. No Espírito Santo, a vara escolhida foi a privativa do júri em Cariacica, que aparece entre os municípios mais violentos do Estado. Mesmo com o esforço para a realização de júris, iniciado na gestão passada do tribunal, quando foram julgados 1.993 processos entre 2012 e 2013, sendo 232 casos em Cariacica, o número de ações penais em aberto ainda é preocupante. Segundo o CNJ, até o momento, os tribunais de Justiça do Brasil julgaram 11,3% dos processos em tramitação incluídos, o equivalente a apenas 6,5 mil das quase 57 mil ações em curso enquadradas pela meta.
Espírito Santo: carnaval 2014 foi o mais violento dos últimos três anos
A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) divulgou, na tarde desta quinta-feira (6) o balanço dos homicídios que ocorreram no período de carnaval, entre o último sábado (1) e esta terça-feira (4). O número é ainda mais surpreendente do que os meios de comunicação noticiaram extraoficialmente durante o feriadão. Foram 31 mortes nos quatro dias de folia, contra 21 no carnaval de 2013; e 27 da folia de 2012. O elevado número de mortes violentas registradas no Estado mostra que não existe tendência de queda nos homicídios, assim como se confirma que a cultura da violência instaurada no Estado contribui para o aumento no número de mortes. Além do índice alto de homicídios, se observou durante o carnaval que algumas das mortes ocorridas tiveram como motivo conflitos banais que foram resolvidos com armas de fogo. A tendência de aumento nos casos de homicídios também já foi apontada no início deste ano, quando houve aumento de 25% nas mortes em janeiro em comparação ao mesmo período de 2014. O registro de mais mortes neste ano confirma que não há tendência de queda quando os números flutuam anualmente. Incidentes O balneário de Iriri, no município de Anchieta, no sul do Estado, registrou três homicídios durante o carnaval, o que é incomum à localidade, antes tida como tranquila, mesmo com toda a agitação e com o grande volume de pessoas que se deslocam para lá neste período. Além dos assassinatos, outros nove pessoas foram baleadas. Uma dessas mortes, a de Renan Travaglia, filho do ex-prefeito de Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado), Atílio Travaglia, se deu aparentemente por motivo fútil, após uma briga com outro homem, ainda não identificado. No norte do Estado, em Linhares, o alto número de mortes também surpreendeu os moradores que aproveitavam o carnaval no município.