A juíza Telmelita Guimarães Alves determinou nesta segunda-feira (24) a realização de uma inspeção em todos os processos que tramitam na 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual, responsável pelo julgamento de ações populares e de improbidade nos juízos da Grande Vitória. De acordo com a Portaria nº 001/2014, publicada no Diário da Justiça, a previsão é de que a fiscalização seja concluída até o dia 24 de abril, podendo o prazo ser prorrogado por mais 60 dias. Neste período, as atividades normais da vara não serão prejudicadas. Segundo a magistrada, todos os processos em tramitação – com exceção daqueles em grau de recursos – deverão ficar a disposição do juízo para o trabalho de fiscalização. Ela também determinou que todos os processos que se encontram fora do cartório deverão ser devolvidos. Durante o período de inspeção, o cartório deverá manter uma equipe de plantão para atender as eventuais instruções e pedidos feitos pela juíza, que responde pela vara e vai coordenar os trabalhos. A inspeção anual é prevista no artigo 48, inciso VI, do Código de Organização Judiciária (Lei Complementar nº 234/2002). Entre os pontos fiscalizados estão: a verificação da situação de livros; a organização e guarda dos autos de processos finalizados e em andamentos; existência de processos paralisados; conduta dos serventuários em relação à organização e higiene do espaço física da vara; cumprimento de provimentos e ordens; e também se ocorreu erros ou abusos que necessitem correção ou punição aos responsáveis. Ao final dos trabalhos, um relatório deve ser elaborado e remetido para o representante do Ministério Público Estadual (MPES) com atribuição na vara. Na portaria, a juíza determinou a remessa de cópia do ato para ciência do presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), desembargador Sérgio Bizzotto Pessoa de Mendonça; do corregedor-geral local, Carlos Roberto Mignone; e da seccional capixaba da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES). Apesar da realização de inspeções ser uma prática corriqueira, a medida assume outro contorno, quando se refere à Vara anticorrupção. Isso porque o juízo foi um dos mais prejudicados com os problemas na implantação do processo judicial eletrônico, o e-JUD2. Desde o final de novembro passado, a tramitação dos casos estava suspensa devido ao processo de digitalização dos autos. No início do mês, o presidente do TJES determinou o retorno dos processos ao sistema antigo de tramitação, através do meio físico (em papel). Aos poucos, os processos na vara estão sendo reclassificados e voltando a tramitar normalmente. Respondem a denúncias de improbidade na Vara, vários deputados estaduais, prefeitos, ex-prefeitos e até mesmo o ex-governador Paulo Hartung (PMDB), acusado de fraudes nas obras do “posto fantasma”. O mesmo juízo será responsável pela análise da legalidade dos incentivos fiscais concedidos pelo governo do Estado, a exemplo dos contratos de competitividade (Compete-ES) do setor atacadista.
Delegados buscam acordo com o governo, mas não descartam greve
Os delegados de Polícia do Espírito Santo fizeram protesto na manhã desta segunda-feira (24). O protesto aconteceu em forma de debate com a presença de representantes da categoria de São Paulo e Minas Gerais. Na pauta, a baixa renumeração (R$ 8.402,29) paga aos delegados capixabas, a segunda pior do País. À tarde os delegados se reuniram em assembleia para avaliar os rumos do movimento. Ficou decidido que a categoria irá se manter mobilizado até o início de março, quando acontece uma nova assembleia para reavaliar o movimento. O delegado Rodolfo Laterza, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Espírito Santo (Sindelpo), não descartou a paralisação da categoria, caso as negociações com o governo não avance até a assembleia. Na tarde desta segunda, o reajuste salarial e a valorização da categoria foram debatidos na Assembleia Legislativa. Segundo o diretor da Federação Nacional dos Delegados de Polícia Civil, George Melão, os delegados capixabas não recebem reajuste desde 2006. “Dá uma tristeza muito grande em saber que um profissional como esse, responsável em combater a violência e promover a paz em todo o Estado, está sendo tão desvalorizado”, disse o diretor. O presidente da Comissão de Segurança Pública da Ales, deputado Gilsinho Lopes (PR), diz que as demandas da categoria já foram levadas ao governador Renato Casagrande (PSB). Segundo o parlamentar, o governador disse que não poderá conceder reajuste para este ano. Ainda, segundo o deputado, Casagrande estaria estudando o reajuste para 2015. Gilsinho ressaltou ainda a importância de o governo enviar o projeto de aumento salarial para ser votado pelos deputados ainda este ano.
Pesquisadores elaboram parecer independente sobre ‘Porto da Manabi’
Oceanógrafos, biólogos e diversos outros profissionais ligados à questão ambiental elaboraram um parecer técnico independente a respeito do Porto Norte Capixaba (PNC), mais conhecido como “Porto da Manabi”, que será protocolado nesta terça-feira (24) no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e na Procuradoria Geral da República (PGR). Os ambientalistas apontam diversos entraves na documentação para o licenciamento do empreendimento, previsto para ser instalado em Linhares (norte do Estado). Entre eles, o fato de a empresa minimizar os reais impactos do projeto, principalmente no que se refere à contaminação dos ecossistemas marinho e costeiro pelo minério de ferro; e de os órgãos públicos não terem feito uma avaliação criteriosa dos estudos para a implantação, que são criticados por conter erros, falhas e omissões. O parecer inicial do porto foi feito pelas empresas Ecology and Environment do Brasil e Econservation que, segundo os signatários, apresentaram impactos descritos como positivos ou negativos. “Todavia, é uma classificação arbitrária, que representa o ponto de vista do empreendedor, pois sequer referenciam trabalhos que se utilizaram de métodos científicos para tal”. Igualmente arbitrária, afirmam, foi a escolha de Povoação como local adequado para a instalação da empresa. “Nossa análise crítica dos documentos demonstra que não há respaldo técnico para as conclusões de viabilidade socioeconômica e ambiental de mais um empreendimento portuário destinado ao escoamento de minério de ferro no Estado”, reiteram os profissionais. Prova dessa arbitrariedade pode ser retratada pela presença da Unidade de Conservação no terreno norte, considerada somente um fator moderado e não negativo à instalação do empreendimento; e pela ausência da descrição de impactos na área sul do empreendimento, onde permanecerá uma vegetação preservada próxima à praia. Os profissionais também consideram a importância da avaliação dos órgãos ambientais como o Ibama, por sua competência interestadual, do mineroduto que corta 23 municípios, entre Minas Gerais e o Espírito Santo, e o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), que deveria fiscalizar corretamente o porto. Eles consideram que os relatórios técnicos elaborados pela Econservation não avaliaram adequadamente os impactos aos ecossistemas marinhos e costeiros, principalmente com relação à emissão de material tóxico (minério de ferro e compostos químicos relacionados). Para os signatários do documento, é amplamente subestimada a avaliação dos impactos sobre as comunidades marinhas, parte em que o texto é incoerente e não apresenta suporte técnico. Apontam ainda que tal atitude subjuga o conhecimento técnico de avaliadores dos órgãos ambientais. Segundo o relatório, não existem as três alternativas locacionais distintas exigidas por lei para a instalação de um empreendimento de tal porte, sendo que a única delas é área planejada para futura expansão do empreendimento. “É clara a arbitrariedade quanto ao balanço de impactos para a escolha da alternativa locacional, já que as áreas consideradas menos adequadas correspondem aos terrenos já adquiridos pela empresa Manabi”, completam. Além disso, os signatários apontam que, segundo a Câmara de Patrimônio Ecológico, Natural e Paisagístico, do Conselho Estadual de Cultura (CEC), o empreendimento se localiza dentro da poligonal de Tombamento da Mata Atlântica e Ecossistemas Associados e, por isso, seria obrigatória a anuência do CEC para concessão da licença ambiental, o que não aconteceu. Sobre a questão do derramamento de minério de ferro, afirmam que mesmo que haja “tratamento” na água utilizada no mineroduto que será despejada no mar, poderá haver contaminação do pescado consumido nas redondezas e um agravo na cadeia produtiva dos animais, o que provocará um impacto direto nas comunidades tradicionais dependentes deste recurso. Este impacto é comparado ao minério despejado na Praia de Camburi pela Vale na década de 1970, o que, segundo estudos, fez com que o corpo de sedimentos com minério de ferro apresente toxicidade elevada e iniba severamente o desenvolvimento do ciclo da base da cadeia alimentar marinha. Também não foram tratados nos Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) da empresa os impactos socioeconômicos que serão causados pela instalação do porto e que inviabilizam o projeto para a região. Entre os impactos diretos, estão a perda da biodiversidade promovida pela instalação e pelas atividades do porto, o que diminui automaticamente a quantidade e variedade de pescado disponível; e a restrição da área de pesca no entorno, fator que inviabiliza a circulação das pequenas embarcações na região. Além disso, haverá um decréscimo no turismo da região, que atualmente usa de artifícios como a biodiversidade e a paisagem para gerar renda e trabalho. A mão de obra que será deslocada de outras regiões do país para os povoados em Linhares é similar ou mesmo maior do que todas as populações das vilas da região (Regência, Povoação e Degredo). Dessa forma, retratam que a estrutura pública (saneamento básico, saúde e educação) existente não atenderá a este aumento demográfico repentino. Assim, os balneários sofrerão intenso impacto social, principalmente com aumento do consumo de drogas e a violência relacionada à prostituição infantil, fatores que já foram constatados por moradores de Degredo durante a instalação do último empreendimento, o Terminal da Transpetro de Cacimbas. O parecer alternativo é assinado por Alessandro M. Bayer, conselheiro de Patrimônio Ecológico, Natural e Paisagístico do Conselho Estadual de Cultura; Amanda Di Giacomo, bióloga marinha; Eric F. Mazzei, oceanógrafo; Dulce Mendonça de Castro Neves, oceanógrafa; Heloisa Dias, coordenadora do Colegiado Mar da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica e do Grupo Conexão Abrolhos – Trindade; João Batista Teixeira, oceanógrafo; Jonathas Barreto, biólogo marinho; Leonardo Bueno, biólogo; Lucas Bermudes de Castro, oceanógrafo; Luiz Cláudio Ribeiro, professor doutor do Departamento de História da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes); Maik dos Santos Cividanes da Hora, oceanógrafo; Gilson Mesquita, conselheiro do Conselho Municipal de Meio Ambiente de Vitória (Comdema); Renato Morais Araujo, biólogo; Robson Guimarães dos Santos, biólogo; Renata Costa Carvalho, bióloga; e Vitor Leonardo Amaral Rodrigues, oceanógrafo.
TJ vai examinar emenda que mudou foro de julgamento de prefeitos e deputados
O Pleno do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) deve iniciar, na sessão da próxima quinta-feira (27), o julgamento da legalidade da Emenda Constitucional 85, que mudou o foro de julgamento de ações de improbidade contra prefeitos e deputados estaduais. O Ministério Público Estadual (MPES) questiona a validade da norma que transferiu a competência dos casos para a segunda instância. Será a primeira vez que a corte máxima do Judiciário capixaba vai se manifestar sobre a questão. O incidente de inconstitucionalidade (0015593-28.2009.8.08.0011) foi lançado em uma ação de improbidade contra o atual presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço (DEM). Coincidentemente, o demista foi o principal articulador para a aprovação da emenda. Ferraço responde a processos de improbidade da época em que era prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, na região sul do Estado. Desde a promulgação da norma, em julho de 2012, o questionamento a respeito de sua legalidade já provocou a suspensão da tramitação de ações de improbidade contra prefeitos. Apesar de vários juízes de 1º grau terem declarado a inconstitucionalidade da norma, a decisão final recairá sobre os desembargadores do TJES. A Emenda 85 chegou a ser declarada inconstitucional em colegiados do tribunal, porém, é o Tribunal Pleno que tem a prerrogativa de anular os efeitos da norma. Além do exame pela Justiça estadual, a emenda também é alvo de questionamentos no Supremo Tribunal Federal (STF). Nos autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4870), a Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp) pede a suspensão dos efeitos da norma com base em três argumentos principais: privativa da União para legislar sobre o tema; a natureza reconhecidamente cível das ações de improbidade administrativa, e a existência de restrições na concessão de prerrogativa de foro nas Constituições Estaduais. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, recomendou a suspensão imediata da norma sob alegação de que a “prerrogativa de foro deve ser entendida como exceção”. Atualmente, a legislação garante o chamado foro especial aos prefeitos somente em processos criminais. Já a Advocacia-Geral da União (AGU) se manifestou pela manutenção da Emenda 85. O presidente da Assembleia também defendeu a norma. Para Ferraço, a norma não constitui um benefício, mas sim uma “prerrogativa de somente serem condenados à perda do mandato eletivo pelo Tribunal de Justiça”. De acordo com informações do STF, os autos do processo estão conclusos com o relator, ministro Dias Toffoli, desde setembro do ano passado. Ele determinou a adoção do rito de urgência na apreciação do pedido de liminar.
Agentes da Polícia Federal vão usar ‘mulas’ em protesto por melhores salários
Os agentes federais do Espírito Santo que aderiram à greve nacional da categoria e promovem nesta terça-feira (25) e quarta-feira (26) protestos inusitados em frente à Superintendia da PF no Estado, em Torquato, Vila Velha. Nesta terça, agentes federais vão colocar “mulas” em frente às unidades da PF em todo o País. Eles também planejam “enxugar gelo”. No Espírito Santo, a concentração será às 08h30 e os atos públicos acontecem às 10 horas. Os agentes reclamam que nos últimos anos, com o sucateamento do órgão, a maioria dos presos são “mulas”, uma gíria para pequenos traficantes. Quanto ao gelo, é para mostrar que os agentes se esforçam em vão devido à falta de estrutura de trabalho. No protesto da semana passada, os agentes também foram criativos. Eles penduraram as algemas na frente dos prédios do órgão nos Estados. A federação nacional e seus 27 sindicatos possuem 13.300 policiais federais filiados. Segundo o comando de greve, os serviços essenciais serão mantidos, pois o objetivo é conscientizar a população e não prejudicá-la. Os protestos criativos têm o objetivo de chamar a atenção da sociedade para o sucateamento da PF, visível na mudança do perfil de atuação da instituição, e agora comprovada com dados estatísticos produzidos pelo próprio órgão. Durante o ato público, os dirigentes sindicais vão repassar para a imprensa dados estatísticos inéditos que comprovam a queda de produtividade da Polícia Federal nacionalmente e regionalmente. Em frente de cada unidade da PF, dirigentes poderão ser entrevistados. A Superintendência da Polícia Federal no Espírito Santo teve o pior desempenho do país no ano de 2013. O resultado faz parte do Índice de Produtividade Operacional (IPO), elaborado pela direção-geral da PF e divulgado no jornal O Globo na última sexta-feira (21). Em relação às atividades operacionais e fatores geográficos, a atuação da PF no Estado ficou à frente somente da superintendência fluminense. Pelo índice, a nota da PF no Estado foi de 1,527, quase três vezes menor do líder do ranking. Os policiais reclamam de uma espécie de boicote do governo Dilma à Polícia Federal, e dizem que estão sendo punidos pelas operações anticorrupção que atingiram lideranças políticas ligados ao PT. Segundo os grevistas, o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo precisa ser avisado com antecedência sobre as investigações que atingem políticos, ocorreu uma queda absurda nos investimentos do órgão, e o mesmo ministro tem militarizado a segurança pública brasileira, enquanto competências da PF são entregues à Força Nacional e ao Exército. Os agentes federais reclamam ainda que são a única carreira federal que amarga um congelamento salarial que completa sete anos. Durante a última década, o salário desses policiais federais foi reduzido à metade das demais carreiras federais. Como consequência, a cada ano mais de 250 agentes federais abandonam a PF. Segundo o comando de greve, são servidores capacitados e experientes, com as mais diversas formações acadêmicas exigidas para o cargo. Metade se aposenta precocemente, assim que completa as condições, e a outra metade migra para outras carreiras públicas prestigiadas pelo governo, com o dobro de salário e sem o risco de vida inerente à função policial.
Ex-chefe do Ministério Público vai responder pela corregedoria da instituição
O Colégio de Procuradores do Ministério Público Estadual (MPES) realizou nesta segunda-feira (24) as eleições para os cargos de corregedor e ouvidor-geral da instituição. Foram eleitos os procuradores José Maria Rodrigues de Oliveira Filho e Sérgio Dário Machado, respectivamente, para o biênio 2014/2016. Na única disputa direta no pleito, o corregedor eleito teve 19 votos contra 12 votos do ex-procurador-geral Fernando Zardini Antonio. Nos meios jurídicos, o resultado da votação foi considerado um golpe contra a política de unanimidade, iniciada pelo atual procurador-geral Eder Pontes da Silva – que deverá ser reeleito para o próximo biênio em disputa sem concorrentes. Chama atenção que inicialmente não havia sequer inscritos para o cargo de corregedor-geral, que é responsável pela fiscalização das atividades funcionais e da conduta profissionais dos membros do MPES. A vitória do procurador José Maria Rodrigues, que chefiou a instituição entre os anos de 2000 e 2004, também atinge o grupo de situação. Apesar do prestígio na atual administração onde ocupa o cargo de procurador de Justiça especial, Zardini acabou sendo preterido pelos colegas. O Colégio de Procuradores é composto pelos 32 procuradores de Justiça, além do procurador-geral, Eder Pontes da Silva, que é promotor de Justiça de origem. Do total de membros, apenas um membro não votou por conta do afastamento por licença médica. Para a vaga de ouvidor-geral, o procurador Sérgio Dário Machado era candidato único. Ele foi nomeado por aclamação pela categoria. De acordo com informações do MPES, a posse administrativa do ouvidor está agendada para 25 de março, enquanto José Maria Rodrigues toma posse no dia 28 do mesmo mês.
Nova regra para emancipação atingiria um terço dos municípios capixabas
Se o Congresso Nacional derrubar o veto ao projeto que disciplina a criação de novos municípios, o País poderá ganhar até 800 novos municípios, segundo o cálculo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Mas se a regra já estivesse valendo no passado, um terço dos municípios do Estado continuaria na condição de distrito. Dos 78 municípios atuais, 26 têm menos de 12 mil habitantes. Pela regra da nova lei, este é o número mínimo de moradores para a emancipação política de alguma localidade. Este número pode ainda ser maior se o governo federal conseguir um acordo com os congressistas. O governo quer aumentar o número mínimo de moradores por região. Desses pequenos municípios, 12 têm menos de 10 mil habitantes. O menor deles é Divino de São Lourenço, com seus 4.516 habitantes. Em segundo, vem Mucurici (5.655). Os demais são: Dores do Rio Preto (6.397), Ponto Belo (6.979), Alto Rio Novo (7.317), Apiacá (7.512), São Domingos do Norte (8.001), Vila Pavão (8.672), Ibitirama (8.957), Bom Jesus do Norte (9.476), Águia Branca (9.519) e Atilio Vivacqua (9.850). Até Presidente Kennedy, no sul do Estado, que tem o maior PIB per capta do Estado, graças à arrecadação de royalties do petróleo, não poderia, pela nova regra, existir. Desmembrado de Itapemirim, em 1963, a cidade tem 10.314 habitantes e um nível de desigualdade social inversamente proporcional à riqueza arrecadada. Para o Estado, municípios com menos de 20 mil habitantes trazem problemas já que se tornam completamente dependentes dos recursos oriundo dos governos federal e estadual. Quase metade dos municípios capixabas está nesta faixa. São 42 cidades, segundo o censo de 2010. Pelas regras aprovadas em outubro do ano passado pelo Congresso, com a aprovação do Projeto de Lei Complementar 98/2002, os distritos que irão se emancipar precisarão ter no mínimo 12 mil habitantes nas regiões Sul e Sudeste; seis mil nas regiões Centro-Oeste e Norte e 8,5 mil na Região Nordeste. A lei exige que a realização de plebiscito sobre a criação de municípios seja antecedida pela elaboração de estudos de viabilidade, incluindo análise da viabilidade econômico-financeira, político-administrativa e socioambiental e urbana, tanto dos município que seriam criados quanto daqueles afetados pela mudança pretendida. Entre outros pré-requisitos, o projeto estabelece que o processo só pode ter início mediante requerimento enviado à Assembleia Legislativa, com a assinatura de no mínimo 20% dos “eleitores residentes na área geográfica diretamente afetada”. A presidente Dilma vetou totalmente a proposta sob alegação de que a emancipação geraria mais gastos aos cofres públicos. Se o Congresso mantiver a tendência de derrubada do veto, o Estado tem 13 pedidos de emancipação política engatilhados na Assembleia Legislativa. Mas apenas três destas localidades atendem ao critério demográfico. Campo Grande, em Cariacica, tem 12.897 pessoas; Santa Cruz, em Aracruz, tem 15.314 e Guriri, em São Mateus, tem 12 mil.
Ministério da Integração aprova plano de trabalho e libera recursos para Rio Bananal
O Instituto de Obras Públicas do Espírito Santo (Iopes) comemorou a aprovação, pelo Ministério da Integração Nacional, do plano de trabalho para reconstrução de Rio Bananal, um dos municípios atingidos pelas fortes chuvas que castigaram o Estado no final de 2013. O plano de Rio Bananal (foto acima) é um dos 33 do primeiro lote encaminhado pelo Iopes ao Ministério da Integração. O lote tem o valor aproximado de R$ 223 milhões. Para Maretto, a aprovação total do primeiro plano de trabalho gera uma expectativa muito positiva em relação aos demais. “Os planos estão sendo elaborados dentro de rigorosos critérios de engenharia e conforme a orientação da Defesa Civil Nacional. Por isso, acreditamos que os demais planos também serão aprovados”, afirmou. Nesta semana, o diretor geral e o diretor de Planejamento e Articulação Setorial do Iopes, Renato Lorencini, que está coordenando a elaboração dos planos de trabalho, irá ao Ministério da Integração Nacional, em Brasília, para entregar o restante dos planos e acompanhar a avaliação. “O governo do Estado está se empenhando para que os municípios capixabas castigados pelo desastre no final do ano passado consigam se reerguer o mais rápido possível”, frisou Lorencini. Os planos de trabalho estão sendo elaborados por seis empresas que foram contratadas pelo Iopes, em janeiro deste ano e que também vão auxiliar com serviços de topografia, sondagem, além da elaboração de projetos necessários a reconstrução de pavimentação de vias urbanas, praças e pontes nos municípios afetados. Já a execução das obras será contratada pelas prefeituras, à medida que os recursos federais forem liberados.
Estabilidade de Dilma nas pesquisas pode facilitar movimentações política no ES
No balanço das variações das pesquisas divulgadas nesse fim de semana – Ibope, Datafolha e Vox Populi – há uma estabilidade na aprovação da presidente Dilma Rousseff e a confirmação de uma vantagem da petista na corrida presidencial. Essa avaliação, para os meios políticos, dá mais tranquilidade ao PT capixaba para articular suas movimentações para a eleição em nível estadual, sem a pressão da nacional. Lideranças do partido se reuniram na última sexta-feira (21) com o governador Renato Casagrande para debater a aliança com o palanque socialista e saíram do encontro com o reforço na aproximação entre os dois partidos. Embora não tenha fechado a porta para as demais siglas, o PT capixaba definiu, em resolução no encontro do diretório do último dia 15, a aliança prioritária com o PSB. Mesmo não tendo descartado a possibilidade de caminhar com o PMDB em uma candidatura própria, puxada pelos peemedebistas, a indefinição do ex-governador Paulo Hartung e do senador Ricardo Ferraço diminui o poder de influencia do grupo e aumenta a aproximação entre PT e PSB. Com a vantagem de Dilma, a tendência é de que a Nacional do PT alivie a pressão sobre as lideranças do Estado. Isso porque a cúpula petista, sobretudo o ex-presidente Lula, mira o isolamento do palanque socialista nos estados para enfraquecer a candidatura de Eduardo Campos à Presidência da República. Como o Espírito Santo é o único estado fora do Nordeste governado pelo PSB, havia desconfiança na promessa de Casagrande sobre a neutralidade na disputa presidencial. A demora do PMDB em se definir sobre a disputa, porém, favoreceu o fortalecimento das conversas entre PT e PSB. Hoje, a separação dos partidos para a eleição deste ano é considerada muito difícil. Para manter o espaço de Dilma no palanque de Casagrande, o partido deve conseguir a vaga de candidato ao Senado com o apoio do governador. Outra proposta que estaria sendo avaliada também é a possibilidade de o PT assumir a vice, visando uma aproximação com o retorno ao poder em 2018. A ideia é de que Casagrande se desincompatibilize do cargo para disputar o Senado na próxima eleição, deixando assim o vice assumir por cerca de seis meses o governo, concorrendo na eleição ao cargo. Seria um mandato de quatro anos, já uma vez assumido o governo o vice concorre à reeleição, mas uma forma mais simples de o PT voltar a disputar o Palácio Anchieta. A estabilidade na aprovação de Dilma também facilita a movimentação do partido em sua principal meta para este ano no Estado, que é conseguir aumentar a votação da presidente, que tem desempenho abaixo dos demais estados no Espírito Santo. Mas um detalhe das pesquisas deve ter chamado a atenção dos petistas, a estratégia montada na oposição parece estar surtindo efeito, com transferência de votos, em um eventual segundo turno entre os presidenciáveis Eduardo Campos e Aécio Neves (PSDB-MG). O PT como um todo deve se debruçar nesta aresta e também o PT capixaba, para evitar outro retrospecto abaixo do esperado no Estado, pelo PT nacional.
MinC amplia vagas para participação de empreendedores criativos no I MICSUL
Em apenas 10 dias dos 45 previstos, mais de 140 empreendedores brasileiros já se inscreveram para participar do 1º Mercado de Indústrias Culturais do Sul (Micsul). Devido a grande procura, o Ministério da Cultura ampliou de 52 para 100 o número de participantes brasileiros no evento. O edital, aberto até 12 de março, selecionará mais 48 empreendedores acima da nota de corte para participação de maneira autônoma, sem apoio financeiro direto. Permanecem garantidos aos participantes autônomos a inscrição gratuita no evento, o curso de capacitação para atuação em rodadas de negócios internacionais e o transporte terrestre da cidade de Buenos Aires para a cidade de Mar Del Plata, Argentina, onde será realizado o evento. Podem se inscrever empreendimentos dos seguintes segmentos: jogos digitais, aplicativos, artes cênicas (dança, circo e teatro), audiovisual, design gráfico, de objetos, moda, artesanato, literatura e música. 1º Mercado de Indústrias Culturais do Sul (MICSUL) Realizado pela Secretaria da Cultura da Argentina, o 1º Mercado de Indústrias Culturais do Sul (MICSUL) é uma iniciativa dos Ministérios de Cultura de países da América do Sul (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela). O objetivo é estimular os negócios entre empreendedores, empresas de setores criativos, produtores e artistas e promover o intercâmbio de conhecimento, bens e serviços entre os países da América do Sul. O evento será uma excelente plataforma para empresas de pequeno e médio porte do setor criativo, e será realizado em Mar Del Plata (Argentina) de 15 a 18 de maio deste ano. Serviço 1º Mercado de Indústrias Culturais do Sul (MICSUL) acontede de 15 a 18 de maio de 2014, no Mar Del Plata, na Argentina. Inscrições: 27 de janeiro a 12 de março 2014 – sistemas.cultura.gov.br/propostaweb. Mais Informações: editalmicsul2014@cultura.gov.br