Defesa do vereador afastado diz que o “processo não pode aguardar eternamente uma definição” Crise no campo da direita na Câmara de Vitória, com a renúncia do vereador Luiz Emanuel Zouain (Republicanos) do cargo que ocupa na Corregedoria-Geral, presidida por Leonardo Monjardim (Novo). “(…) Após muita reflexão e consideração, acredito que é o melhor curso de ação, dada a não observância do Regimento Interno e da Resolução 2.070/2023 nas conduções dos trabalhos”, alegou. A medida paralisa o processo de cassação do mandato do vereador afastado Armandinho Fontoura – do Podemos, mas prestes a se filiar ao PL -, que ficou preso por mais de um ano por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de integrar um grupo de milícia digital. Ele foi libertado em 19 de dezembro de 2023, mas não pôde retornar às funções na Câmara, porque responde a outro processo, por improbidade administrativa, por decisão da juíza Giselle Onigkeit, atendendo à ação movida pelo Ministério Público Estadual (MPES). A Resolução 2.070/2023 é favorável “à inadmissibilidade da representação pela abertura de procedimento por quebra de decoro parlamentar atribuída ao vereador Chico Hosken (Podemos), conforme o Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal de Vitória”. Hosken substituiu Armandinho na função de vereador e, após ser empossado, também foi alvo de processo de cassação. O advogado de defesa de Armandinho, Carlos Zaganelli, valeu-se da renúncia para acrescentar “nova irregularidade” no processo, considerando que a Corregedoria-Geral, segundo o “Art.16 do Código de Ética, estabelece a obrigatoriedade de cinco membros corregedores. Não havendo formação, não poderá funcionar”. Ele acrescenta que, “em paralelo, o processo não pode aguardar eternamente uma definição, em respeito aos princípios da celeridade e da razoável duração do processo, de modo a não penalizar o representado a responder por um período maior que o necessário. Já devendo ter sido extinto, pelo estouro do prazo”. Zaganelli provoca: “é preciso que o presidente da Câmara [Leandro Piquet, do PP] dê uma chacoalhada”. O advogado aponta ainda “ausência de instrução processual: não teve a realização da chamada fase de instrução, que é quando as provas são colhidas e apresentadas. Sequer o representado foi ouvido, muito menos suas testemunhas”. A defesa de Armandinho critica que o processo, relatado pela vereadora Karla Coser (PT), encontra-se “eivado de vícios formais e materiais” e destaca que “a relatora/instrutora, mesmo sendo formada em Direito, ultrapassou os prazos, “sem ter havido prorrogação autorizada ou requerida com fundamentação”. Para Luiz Emanuel, “a falta de aderência ao Regimento Interno e à Resolução 2.070/2023 está prejudicando a eficácia e a eficiência dos procedimentos da Câmara”. O vereador se coloca à disposição para “auxiliar durante o período de transição para garantir uma mudança suave”.
Petrobras multa duas empresas capixabas por fraude em licitação
Denúncia aponta que Cepemar e MessenOcean fazem parte do mesmo grupo, mas concorreram separadas O Comitê de Integridade (CI) da Petrobras aplicou penalidades às empresas capixabas Cepemar Soluções Ambientais e a MessenOcean Tecnologia em Meteoceanografia, no âmbito de um Processo Administrativo de Responsabilização por “suposta fraude ou frustração do caráter competitivo do processo licitatório”. Google Maps A licitação em questão (número 7002817487), realizada em 2019, se refere à contratação de serviços de monitoramento de condições meteoro-marinhas em áreas de portos e terminais operados pela petrolífera ao longo da costa brasileira. A empresa ganhadora foi a Hidromares, contratada nos dois lotes oferecidos pelo valor total de R$ 10,3 milhões – também alvo de denúncia por acumular contratos sem licitação com a Petrobras. A MessenOcean terá que pagar multa de R$ 185,7 mil, além de ficar, pelo prazo de 24 meses, suspensa de participar em licitação ou contratação com a Petrobras e suspensa e impedida de fazer inscrição cadastral. A Cepemar – nome conhecido por acumular licenciamentos ambientais das grandes poluidoras do Espírito Santo – recebeu multa de R$ 3,1 milhões e os mesmos tipos de suspensão e impedimentos da MessenOcean, mas por um prazo de 12 meses. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) no último dia 1º de março, mas tornou-se conhecida nos últimos dias, tendo em vista que as empresas tiveram que dar publicidade às suas condenações em seus sites oficiais. O texto do DOU não explicita a razão da decisão, mas, de acordo com um processo (016.770/2020-0) do Tribunal de Contas da União (TCU), a MessenOcean e a Cepemar fazem parte do mesmo grupo empresarial, o CP+ Soluções em Meio Ambiente, mas concorreram separadamente no processo licitatório. O relatório do TCU apontou que não há impedimento na legislação para que empresas com quadro societário idêntico, mesmo acionista ou identidade de Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), participem de um único processo licitatório. Também é ressaltado que a Messenocean e a Cepemar ficaram em segundo e quarto lugar no certame, respectivamente. Ainda assim, a Petrobras tomou providências internas para apurar a participação das duas empresas, levando em conta o seu “Guia de combate a cartéis”, que visa coibir irregularidades em seus certames e aplicar sanções quando necessário. Relações antigas Conhecida por dominar os licenciamentos dos grandes projetos poluidores do Espírito Santo, durante diferentes governos, e por sua influência no mercado econômico e político, a Cepemar foi tema da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Pó Preto da Assembleia Legislativa, realizada em 2015. Dois funcionários da empresa migraram para órgãos públicos durante as primeiras gestões do ex-governador Paulo Hartung (2003-2010): Maria da Glória Brito Abaurre, ex-secretária de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, que atuou durante 10 anos na diretoria da empresa, e Albertone Sant’Ana Pereira, ex-diretor técnico do Instituto Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema). Uma das revelações da CPI foi de que Decreto 3463-R, normativa sobre o pó preto em vigor no Estado, ajudou a Vale a instalar sua 8ª usina de pelotização, no Planalto de Carapina, contribuindo para o aumento estratosférico da poluição atmosférica na Grande Vitória. Entre os controladores da CP+ Soluções em Meio Ambiente está o Grupo Suzano, responsável pela exploração de celulose no norte do Estado. Nos sites da Cepemar e da MessenOcean não são divulgadas informações sobre possíveis relações entre as duas empresas. CP+ é Cepemar, a empresa dos licenciamentos das poluidoras no Estado – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/cp-e-cepemar-a-empresa-dos-licenciamentos-das-poluidoras-no-estado
Ex-vereador e procurador aposentado quer disputar na Serra pelo PSB
Bento Adeodato recebeu convite da secretária Nacional de Negritude para se filiar ao partido Apesar das articulações em torno da pré-candidatura a prefeito da Serra do ex-deputado estadual Bruno Lamas, secretário de Estado da Ciência e Tecnologia da gestão de Renato Casagrande, que detém o controle do PSB no Espírito Santo, o procurador federal aposentado e ex-vereador pelo PT Bento Adeodato articula para entrar na disputa ao mesmo cargo. Nesse final de semana, ele se reuniu com membros do partido, inclusive a secretária Nacional de Negritude, Valneide do Nascimento, que pretende filiá-lo. Bento afirma que sua articulação passa pela família Lamas, levando em conta que Márcia Lamas, mãe de Bruno, controla o partido na Serra, além de ser próxima ao governador. Nesta segunda-feira (1), ele tem agenda marcada com a direção estadual do PSB, a fim de garantir espaço, para reforçar o apoio de movimentos sociais do município e do público evangélico. O ex-vereador quer sensibilizar o alto escalão do partido por meio desse apoio e de um significativo volume de ações sociais no município e, ainda, a indefinição de nomes depois da desistência à reeleição do prefeito Sergio Vidigal (PDT), aliado do governador. “A Valneide vê com entusiasmo a pré-candidatura e reforçou o convite para construir esse projeto político no PSB”, diz Bento, mas reitera que “qualquer movimentação política no PSB da Serra, passa pela família Lamas”. Na última sexta-feira (29), Bento conversou com Gilmar Carlos, liderança social e política do bairro Central Carapina, pré-candidato a vereador pelo PT, e ouviu ponderações sobre a sua pré-candidatura e seu impacto nos projetos sociais no bairro. A movimentação de Bento pode mexer, inclusive, com o tabuleiro político em 2026, pois ele é suplente do senador Fabiano Contarato (PT), provável candidato à reeleição, que poderá disputar com Casagrande, já que o governador encerrará seu segundo mandato consecutivo e deve concorrer a um das duas vagas ao Senado, no mesmo campo progressista de Contarato. Também pode se credenciar a disputar uma vaga na Assembleia Legislativa ou na Câmara dos Deputados. Enquanto isso, a federação Rede/Psol, está prestes a perder o suplente de senador, porque Bento ainda está filiado à Rede, embora, desde o ano passado, tenha conversado com a presidente da legenda no Estado, Laís Garcia, sobre sua desfiliação. O procurador aposentado foi colega, como vereador, de Sergio Vidigal na Câmara de Vereadores em 1991 e 1992, assim como de Marcia Lamas, pois, naquela época, eram os três de oposição a Adalton Martinelli, então prefeito.
Servidores do Ifes debatem deflagração de greve nesta quarta-feira
Aprovação do movimento é considerada certa, para início no próximo dia 8 Os técnico-administrativos e docentes do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) realizarão assembleia nesta quarta-feira (3), às 15h, para decidir se entrarão em greve a partir do próximo dia 8. A deflagração da greve foi aprovada na última quarta-feira (27), nacionalmente, na plenária do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), da qual participaram trabalhadores de todo o Brasil. A aprovação da greve, segundo o diretor do Sinasefe Ifes, Marcus Podestá, “está praticamente certa”. De acordo com ele, a realização da assembleia acaba sendo um protocolo, uma vez que, dos 220 representantes dos trabalhadores que participaram da plenária nacional, apenas 13 foram contrários ao movimento. Além disso, destaca, não houve mudança no cenário, que é de não atendimentos das reivindicações dos servidores por parte do Governo Federal. As reivindicações são recomposição salarial, reestruturação de carreira para os técnico-administrativos e recomposição orçamentária e de pessoal. Marcus informa que a defasagem dos técnicos é de 34% e a dos docentes, de 22%. Os servidores reivindicam reajuste salarial equivalente a essas porcentagens. Ele destaca que os trabalhadores estão abertos à negociação, mas não aceitam 0% de reajuste em 2024 e 2,5% em 2025 mais 2,5% em 2026, que é a proposta do Governo Federal. A reestruturação da carreira dos técnicos tem como um dos objetivos pôr fim a distorções e sugere a unificação dos níveis. Marcus exemplifica com os níveis B, referente aos servidores com ensino fundamental, e C, que abarca os de nível médio. Ele explica que as funções a serem exercidas são as mesmas, mas os salários, diferentes. Nesse caso, a sugestão é unificar os níveis e manter, para todos, o salário de nível médio. A recomposição orçamentária e de pessoal leva em consideração o lançamento do plano de expansão da Rede Federal de Educação, com a criação de 100 novos campi de Institutos Federais no Brasil, sendo um em Muniz Freire, sul do Espírito Santo, e outro em Laranja da Terra, no norte. Marcus destaca que, no plano, não há o número de vagas para técnico-administrativos a serem criadas. Ele afirma que a recomposição orçamentária também é importante para que a instituição de ensino tenha mais autonomia para a escolha do lugar onde irá construir novos campi, por exemplo. O dirigente sindical explica que os parlamentares federais têm que destinar uma parte de suas emendas parlamentares para a área da educação. Assim, muitos destinam para construção de um campus, mas não em um local onde de fato há necessidade, e sim, onde eles têm potencial eleitoral. A recomposição orçamentária, então, tornaria a instituição de ensino menos dependente das emendas para construção de novos campi, podendo ser feita escolha de locais nos quais existe uma demanda. Além disso, possibilitaria o investimento em políticas de permanência dos estudantes no Ifes, como alimentação. “Alimentação escolar é direito na educação básica. O aluno do ensino médio do Ifes, portanto, tem direito, mas esse tem sido violado”, diz, destacando que na instituição de ensino não há restaurante. Greve nacional da educação Os debates em torno da deflagração de greve no Ifes fazem parte das mobilizações para a realização da paralisação nacional da educação, envolvendo docentes e técnico-administrativos dos institutos e universidades federais de todo o Brasil. Na próxima terça-feira (9), os docentes da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) estarão em assembleia para discutir a possibilidade de deflagração de greve a partir do dia 15 de abril. Caso seja aprovada, os docentes se unirão aos técnico-administrativos, que já paralisaram suas atividades. Os professores da Ufes, em assembleia realizada no dia 21 deste mês, já haviam aprovado o indicativo de greve para abril. No entanto, a decisão da Ufes e de outras universidades federais tinha que ser apresentada na plenária do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), ocorrida em 22 de março, em Brasília. Como na plenária foi aprovado o indicativo de greve, agora, os sindicatos, em cada uma das universidades públicas federais, terão que consultar novamente suas bases. A reivindicação dos docentes é de 22,71% de reajuste salarial em três parcelas iguais de 7,06%, nos meses de maio de 2024, 2025 e 2026. Contudo, o Governo Federal sinalizou que não atenderá à pauta este ano. Outra reivindicação não atendida foi a realização do “revogaço” das medidas do Governo Bolsonaro, como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 32, que trata da reforma administrativa, que ainda tramita no Congresso Nacional. Os docentes também reivindicam a reestruturação de suas carreiras. Soma-se a esse cenário, segundo a Associação dos Docentes da Universidade Federal do Espírito Santo (Adufes), a precarização das condições de trabalho e o subfinanciamento das universidades federais, institutos federais e centros federais de educação tecnológica, já que estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que 100% das universidades federais receberam, entre 2010 e 2022, valores inferiores ao necessário para manter o patamar de despesas por matrículas. Assim como no Ifes, tudo indica que a deflagração da greve para o dia 15 de abril será aprovada. Outras pautas a serem debatidas na assembleia do dia 9 são a realização, nesta quarta-feira (3), do Dia Nacional de Paralisação e Mobilização, com foco em ações nos estados, em articulação com os demais servidores; a realização de uma audiência pública na Câmara Federal em 16 de abril; de uma caravana e marcha em dos servidores em Brasília no dia 17; e um ato no Ministério da Educação (Mec) no dia 18. Os técnico-administrativos da Ufes deflagraram greve no dia 13 de março para reivindicar reajuste salarial de 34,32%, divididos em cerca de 10% nos anos de 2024, 2025 e 2026. Contudo, o Governo Federal não sinalizou possibilidade de reajuste para o ano de 2024 e acenou para um reajuste de 4,5% nos anos de 2025 e 2026. Os servidores também reivindicam reestruturação da carreira, já que vários cargos foram extintos, o que impossibilita a realização de concurso público. Técnico-administrativos da Ufes iniciam greve nesta quarta-feira Comando de greve ainda vai discutir quais são as atividades essenciais da universidade federal https://www.seculodiario.com.br/educacao/tecnico-administrativos-da-ufes-iniciam-greve-nesta-quarta
Auxiliares de perícia médico-legal realizam protesto em Vitória
Categoria reivindica permanência na Polícia Civil em vez de transferência para a Polícia Científica Auxiliares de perícia médico-legal do Estado realizaram um protesto em Vitória na manhã desta segunda-feira (1). A reivindicação dos trabalhadores é para que permaneçam na Polícia Civil (PC), mesmo com a criação da Polícia Científica do Espírito Santo (PCIES) no fim do ano passado. Divulgação A manifestação começou em frente ao Departamento Médico Legal (DML), no bairro Barro Vermelho, e seguiu com um trio elétrico pela Avenida Reta da Penha, terminando na Chefatura da Polícia Civil da região. O trânsito foi impactado, mas a ocupação das vias públicas foi apenas parcial. A ação foi uma iniciativa da Associação dos Auxiliares de Perícia Médico-Legal, com o apoio do Sindicato dos Policiais Civis do Estado (Sindipol-ES). Outro protesto já havia sido realizado em dezembro de 2023. Naquele mesmo mês de dezembro, o Projeto de Lei Complementar (PLC) 57/2023, que trata da regulamentação da PCIES, foi sancionado pelo governador Renato Casagrande (PSB). A corporação foi criada após a aprovação, em outubro de 2022, da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 04/2020. Entretanto, os auxiliares de perícia ainda não tiveram uma posição sobre o seu enquadramento futuro. “Estamos há três anos sem saber o que vão fazer conosco. O governo empurra a questão com a barriga, a gente ouve só boatos. A gente vai até o governo, que ouve as nossas demandas, mas não dá resposta nenhuma”, relata Thiago Storck, presidente da Associação dos Auxiliares de Perícia Médico-Legal. De acordo com Storck, o pleito dos peritos pela criação da Polícia Científica é legítimo, mas os auxiliares têm uma formação na Polícia Civil, que inclusive deve ser aproveitada nas ações de segurança do Estado. “Temos casos de delegacias de Polícia Civil fechando no Estado por falta de efetivo. Nosso cargo tem natureza policial e a gente manifestou desejo de permanecer na PC, por conta da legalidade e para dar mais segurança aos trabalhadores. A Polícia Civil está consolidada, e a Polícia Científica é um órgão novo, a gente não sabe como vai funcionar”, defende. Para Storck, a legislação que cria a nova corporação é pensada e constituída para a figura do perito e do médico legista, não fazendo menção aos auxiliares. Outra queixa é que os peritos passarão a ter porte de arma, mas isso não será estendido aos auxiliares. Os trabalhadores também reclamam que a legislação prevê uma aposentadoria especial, mas sem deixar claro o modelo. Mudanças que podem acontecer nas esferas estadual e federal também preocupam os servidores. Uma delas é a possibilidade de o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), retomar a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC 32/2020), que trata da reforma administrativa. Thiago explica que a PEC não afetaria carreiras típicas de Estado, como as da Polícia Civil. Em nível estadual, o presidente da associação alerta para a intenção da gestão de Casagrande de, a médio prazo, terceirizar as atividades-meio nos cargos de nível médio. Entre esses cargos, destaca, está o dos auxiliares de perícia médico-legal. No caso da Polícia Científica, também está pendente a elaboração do Estatuto e da Tabela de Subsídios da corporação. O compromisso firmado por Casagrande com os peritos em dezembro último foi de que isso seria encaminhado para a Assembleia Legislativa em janeiro deste ano, após construção coletiva, envolvendo o poder público e os trabalhadores. Contudo, isso não aconteceu. ‘Ir para a Polícia Científica é um cenário de incertezas gigantescas’ – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/seguranca/ir-para-a-policia-cientifica-e-um-cenario-de-incertezas-gigantescas
Falta d’água no Território do Bem repete descaso do poder público
Moradores de Jaburu passaram o feriado sem água e a Cesan só apareceu após denúncia e repercussão nas redes sociais Os moradores da parte alta de Jaburu, no Território do Bem, em Vitória, ficaram sem água no feriadão da Semana Santa. A água acabou na última quinta-feira (28) e voltou somente nesse domingo (31), após repercussão da situação nas redes sociais, embora os moradores já tivessem contatado a Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) desde o início do problema. O ocorrido, para a Associação de Moradores do bairro Jaburu, mostra o descaso do poder público com a comunidade. O presidente da associação, Cosme Santos de Jesus, informa que, na quinta-feira, a Cesan informou que a falta d’água era geral, por problemas na adutora. O problema prosseguiu no dia seguinte e, apesar de a comunidade novamente ter contatado a empresa, foi informada que a água já tinha voltado. No domingo, após repercussão, a Cesan compareceu ao local e ajustou a bomba, que não estava bombeando a água. “Infelizmente, o poder público não olha para as comunidades carentes com o mesmo olhar que tem com áreas consideradas mais privilegiadas. Nós falamos que o abastecimento de água não estava normal e eles dizendo que estava. A gente, que mora no lugar, é que sabe”, diz Cosme, que afirma que a falta d’água é mais comum nas partes altas do Jaburu do que em outras do bairro, onde o abastecimento é normal. Uma das esperanças para que a parte alta também tenha seu direito à água garantido é a ligação de uma adutora de uma elevatória de Gurigica até um reservatório construído em Jaburu há mais de 10 anos. Contudo, as obras começaram somente este ano. Um outro reservatório também está sendo construído em São Benedito, que faz parte do Território do Bem. A precariedade da oferta de água tem sido uma reclamação recorrente na região. Em outubro último, moradores do Território do Bem ficaram quatro dias sem fornecimento de água potável. O problema se prolongou por mais tempo do que o informado pela Cesan. A empresa comunicou que realizaria manutenção no Sistema Jucu e, por conta disso, cerca de 600 mil pessoas de 259 bairros da Grande Vitória ficariam sem fornecimento durante o período de realização do trabalho, com retorno gradativo nas 24 horas seguintes. Como a água não voltava para a torneira, mesmo depois de finalizada a manutenção, moradores do Território do Bem acionaram a Cesan, que assim como aconteceu nesse final de semana, teria negado que houvesse falha no fornecimento e não enviou carro-pipa para abastecê-los. “Chegou ao ponto de não ter água para beber. Entramos em desespero”, relatou Jayme Gomes, morador do bairro Engenharia. Um carro-pipa chegou ao bairro somente após intercessão do vereador André Moreira (Psol), que citou o assunto em sessão da Câmara de Vitória. Também em 2023, no mês de maio, a Cesan se recusou a assinar o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) apresentado pela Defensoria Pública do Espírito Santo (DPES) em março do mesmo ano, indignando os moradores do Território do Bem. O TAC tinha como objetivo garantir o abastecimento de água na região. A empresa comunicou seu posicionamento alegando que havia cláusulas cuja concretização não era possível. Uma delas é a disponibilização de carro-pipa até o término das obras do reservatório de água. Outra cláusula questionada pela Cesan foi a realização de diagnóstico das áreas das comunidades em que há problema de abastecimento. Com o diagnóstico, a empresa deveria informar o número de residências e comércios da localidade, e quais deles enfrentam dificuldades de abastecimento e qual a natureza dessas dificuldades, a ser encaminhado para a DPES em até 30 dias após a assinatura do TAC. No referido relatório, deveria constar ainda o número de ligações regulares e quantas delas possuem tarifa social. Cesan se recusa a assinar TAC e revolta moradores do Território do Bem Termo foi apresentado pela Defensoria para garantir abastecimento de água na região, que engloba Itararé e bairros vizinhos https://www.seculodiario.com.br/justica/cesan-se-recusa-a-assinar-tac-e-revolta-moradores-do-territorio-do-bem Moradores do Território do Bem voltam a sofrer com falta de água e violência – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/cidades/moradores-do-territorio-do-bem-voltam-a-sofrer-com-falta-de-agua-e-violencia ‘Infelizmente, já nos acostumamos’, diz moradora sobre falta d’água – Século Diário Problema de abastecimento que atingiu mais de 200 bairros no Carnaval já é antigo na periferia https://www.seculodiario.com.br/cidades/infelizmente-ja-nos-acostumamos-diz-moradora-do-territorio-do-bem-sobre-falta-d-agua
Não saia de casa sem ele
Sina e síndrome de muitos autores é criar uma obra-prima que nunca mais acontece Ana e Aldo se conheceram em um baile no Clube Comercial, ao som do mais romântico de todos os boleros. No compasso do dois-pra-lá / dois-pra-cá, eles se apaixonaram. Ela usava um vestido azul, então chamado tomara-que-caia. Como o pai não aprovou a ousadia, Ana jogou por cima um bolero verde. Não combinava, mas era melhor do que perder o baile. Aldo usava um terno azul, completo com paletó e colete – a versão masculina do bolero. Não saia de casa sem ele. * O bolero se inspirou na elegante jaqueta curta essencial ao traje dos toureadores. Nada mais impróprio para enfrentar o touro e arriscar a vida. Não admira, então, que esse pequeno detalhe da vestimenta moderna seja originário da Espanha. O bom-gosto feminino o adotou – entra estação, muda estação, ele continua na moda, adaptado ao gosto e estilo do momento. Seja nas boutiques das grifes mais famosas, seja nos cabides da C&A, um bolero vai bem com tudo e agrada a todas – o bolero é, antes de tudo, um coringa. * Bolero, porém, vai mais adiante ou vem de mais longe, superando nossa vã filosofia. O gênero musical que chamamos bolero nasceu em Havana, Cuba, em 1883 – mais velho que nosso samba. O primeiro bolero se chamava Tristezas, talvez assim definindo o estilo – tal como o tango, o bolero é dramático, choroso, combinando bem com as dores do amor. O gênero depressa se espalhou pelo mundo e muitos deles se tornaram imortais. * O primeiro bolero a fazer sucesso internacional foi Aqueles Olhos Verdes. Cantado na voz impecável e harmoniosa de Nat King Cole, a música invadiu nossos lares e conquistou nossos corações. O bolero mais famoso, porém, é o mexicano Bésame mucho, composto em 1940 por Consuelo Velásquez, na época com 15 anos apenas. Ela disse: quando criei essa música, nunca tinha sido beijada. Mesmo assim, se saiu muito bem. Compositora e cantora, Consuelo nunca mais repetiu o sucesso de sua primeira criação. Aliás, essa é a sina e a síndrome de muitos autores: criar uma primeira obra-prima que nunca mais acontece. *A singela obra-prima de uma adolescente já foi interpretada pelos maiores cantores do mundo, como Os Beatles, Plácido Domingo, Frank Sinatra, João Gilberto e tantos outros. E continua na moda. Romântica na medida certa, essa é a música mais cantada e gravada da língua espanhola. Nos embalos do “que tengo miedo perderte”, nasceram muitas histórias de amor. Como a de Ana e Aldo – ele de terno e bolero, ela de vestido azul e bolero verde. “Talvez amanhã eu estarei longe, muito longe de ti”. Aldo partiu, foi dançar boleros em outras terras. Ana se casou, divorciou e embarcou em um cruzeiro pelo Mediterrâneo. Na boate do navio, Aldo cantava Besame Mucho para os casais românticos – ele de camisa branca e bolero verde, ela de vestido verde e bolero branco. Desta vez combinando.
Milho crioulo tem o melhor desempenho da safra 2024 em Muqui
Variedade criada em assentamento resistiu melhor à seca e a altas temperaturas do que as transgênicas e híbridas José Arcanjo Nunes O milho crioulo foi quem teve o melhor desempenho na safra colhida neste mês de março em Muqui, do que as variedades híbridas e transgênicas, mostrando-se mais resistente à seca e às altas temperaturas que marcaram o final do ano de 2023 na região. A constatação é do engenheiro agrônomo, doutor em Produção Vegetal pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e consultor em Desenvolvimento Rural, José Arcanjo Nunes. “Não temos o dado cientifico, mas a palavra dos operadores das máquinas da prefeitura que fazem o beneficiamento do milho. O que eles relatam é que o milho beneficiado no município é o milho crioulo. Os outros milhos – transgênicos e híbridos – tiveram uma produção baixíssima, uma perda ainda maior”, afirma. O conjunto das três variedades crioulas cultivadas no município – sem agrotóxicos e, em muitos casos, de forma orgânica, como convém a todo plantio crioulo – também teve uma perda grande, de 60% a 70%, decorrente das condições climáticas adversas, principalmente no mês de novembro. Mas, nas plantações de transgênicos e híbridos, que demandam doses robustas de pesticidas e outros insumos químicos, os resultados foram bem piores. Atualmente, Acanjo presta consultoria para a Prefeitura de Muqui, município onde, há trinta anos, iniciou as pesquisas para o resgate das sementes crioulas locais, junto com os agricultores familiares da região de Fortaleza. O trabalho é referência na América Latina e voltou a ter apoio municipal sob a gestão do atual prefeito, Helio Carlos Ribeiro Cândido, o Cacalo (PSB). “A prefeitura comprou no ano passado 1,6 tonelada de sementes crioulas, de três agricultores e duas agricultoras. Dos cinco, quatro são assentados da reforma agrária. E distribuímos para assentamentos e outras comunidades. Quem conseguiu produzir está batendo o milho agora e depois vai fazer a devolução para a prefeitura, através de fubá para escolas e instituições sociais”, descreve Arcanjo, sobre um modelo de parceria que já foi implementado em anos anteriores com muito sucesso. Das três variedades crioulas cultivadas hoje, a Aliança 01 teve um desempenho ainda melhor. Ela e a Aliança 02 foram criadas em 2001 por um casal de agricultores, Patrícia Mendes de Oliveira Viana e Valter Viana, então moradores do Assentamento 17 de Abril. Nesse e demais assentamentos do município, o cultivo é feito de forma orgânica, assim como em muitas propriedades rurais de agricultura familiar, afirma. Há casos em que não segue à risca a cartilha orgânica, mas em todas, o uso de agrotóxicos é totalmente descartado. Valter Viana, coautor do processo de criação da variedade do Aliança 01. Foto: José Arcanjo Nunes “O Aliança 01 foi desenvolvido a partir de duas variedades de milho, a Sol da Manhã e a Emcapa 201. O casal plantou 5 kg de cada uma em 2001 e, a partir daí, fizeram vários ciclos de seleção, pelo menos dez ciclos, chegando até a variedade Aliança 01”, explica o cientista. O Sol da Manhã, por sua vez, foi desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), por assentados do Assentamento Sol da Manhã, em Seropédica/RJ, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), a partir da seleção de plantas que apresentaram melhor resistência à seca. “A Embrapa descobriu que o milho Sol da Manhã é a variedade mais tolerante à seca, pois possui um gene latente que paralisa as atividades metabólicas quando a planta tem estresse hídrico e volta a funcionar quando ela tem água de novo, seja por irrigação ou pela chuva”, conta. Daí, o casal do Assentamento 17 de Abril pegou esse milho com gene latente para estresse hídrico e misturou com o Emcapa-201, uma variedade muito produtiva, desenvolvida pela então Empresa Capixaba de Pesquisa Agropecuária (Emcapa), atual Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). Os registros científicos, relata, apontam uma produtividade de 9,8 toneladas de grãos por hectares para a Emcapa-201 e de 7,5 toneladas/ha para a Sol da Manhã. Tudo isso em um sistema orgânico de produção. Da junção das duas, o casal criou uma variedade nova, a Aliança 01, que é muito resistente à seca e também muito produtiva. “Eu acompanhei a roça do Jussimar Pereira de Almeida e uma coisa que me chamou atenção foi que ele foi plantado em consórcio com a lavoura de café, o que aumentou a competição por água naquele contexto de estresse hídrico elevado. E, ainda, assim, ele conseguiu 4 mil kg por hectare, bem mais do que as variedades não crioulas da região”, ressalta. Jussimar venceu a estiagem e as altas temperaturas com o Aliança 01. Foto: José Arcanjo Nunes “O nutriente que a planta mais necessita para o desenvolvimento é o nitrogênio. Mas se faltar água, falta nitrogênio. Já vi plantas com estresse hídrico definharem e chegarem mesmo em ponto de morte completa”. Mas o gene latente da Solda Manhã, que também está no Aliança 01, prossegue, conseguiu fazer as plantas venceram a crise hídrica de novembro, quando estavam em plena fase de crescimento, e apresentarem esses ótimos resultados, agora em março. “Isso é resultado do melhoramento genético feito pelos agricultores, usando o que a natureza tem de melhor para a gente”, comemora o doutor em Produção Vegetal. Ao longo desses trinta anos, Arcanjo continuou acompanhando o trabalho dos agricultores, seja como secretário municipal, como consultor ou como cientista interessado na continuidade do sucesso da experiência. “Todo ano tem que fazer seleção das sementes”, conta. A cada colheita, os agricultores sabem que precisam observar as lavouras mais produtivas e resistentes e, nelas, escolher as espigas mais bonitas e saudáveis: que não tenha sofrido ataque de doenças nem de insetos, as mais firmes, com as carreiras mais bem fechadas, com bom empalhamento, que “dobraram” quando secaram no pé, entre outras características. “É um trabalho artesanal e altamente cientifico. O que é feito nos melhores centros de pesquisa do mundo, os agricultores fazem aqui em campo”, atesta. Ao completar 30 anos, milho crioulo volta a ser política pública em Muqui Prefeitura voltou a comprar sementes da comunidade de Fortaleza e garantir o fubá crioulo orgânico nas escolas
Caravana do Estado participa da Marcha para a Democracia do dia 1º de abril
Grupo sairá do Centro Cultural Triplex da Resistência, na noite deste domingo, para Juiz de Fora (MG) Uma caravana de ativistas políticos do Espírito Santo vai participar da Marcha da Democracia em memória dos 60 anos do golpe de 1964 que instalou a ditadura militar no Brasil, neste 1º de abril, em ato no qual está previsto o encontro de participantes com a família do ex-presidente João Goulart e com a de outros personagens da época. A manifestação, que pede a punição dos envolvidos, sem anistia, é organizada por representantes da sociedade civil com a participação de vários estados. Um ônibus com mais de 40 pessoas sai de Vitória, em frente ao Centro Cultural Triplex da Resistência, na noite deste domingo (31), para a cidade mineira de Juiz de Fora, de onde, há 60 anos, saíram as tropas comandadas pelo general Mourão Filho em direção ao Rio de Janeiro, então capital da República, instalando a ditadura, que durou 21 anos, com vários mortos e desaparecidos. A marcha é organizada por entidades como Coalizão Brasil por Memória, Verdade, Justiça, Reparação e Democracia; Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra ( MST); Associação Brasileira de Imprensa (ABI); centrais sindicais; e os partidos PT, PCdoB, PSB, PV, Unidade Popular, PCB, Psol e Rede Sustentabilidade. Caravanas partirão de várias cidades para o ato, como parte da marcha reversa à realizada pelo general Mourão, que, em 1964, cercou o Palácio do Catete, então sede do governo, com tropas e tanques, ganhando a adesão da maioria das Forças Armadas, das classes dominantes e de sistemas religiosos. Era o início de uma das fases mais cruéis vividas no Brasil, com assassinatos, censura à imprensa, tortura e corrupção. No ato está prevista a entrega do título de doutor “honoris causa” póstumo ao ex-presidente João Goulart pela Universidade Federal de Juiz de Fora. A Marcha da Democracia fará duas paradas para atos simbólicos em memória dos perseguidos políticos na ditadura. A primeira será em frente ao palácio Quitandinha, na entrada de Petrópolis, no Rio de Janeiro, cidade onde está localizada a Casa da Morte, um dos principais centros de tortura na ditadura. A segunda será sobre a ponte do Rio Paraibuna, na antiga divisa do Rio de Janeiro com Minas Gerais. Em abril de 1964, as estruturas da ponte foram preenchidas com dinamites pelas tropas do general Mourão Filho para inibir qualquer reação ao golpe. Em Vitória, além da marcha, tem sido realizada uma série de eventos relacionados à ditadura militar, cobrando a punição dos envolvidos. No Triplex da Resistência, na última quinta-feira (28) foi realizado um ato pelos mortos e desaparecidos na ditadura, seis do Espírito Santo. “Para lembrar e refletir sobre os 60 anos do golpe militar de 64, exibimos o filme O que é isso, companheiro?, a história real de um grupo de jovens que ousou enfrentar a ditadura”, diz Perly Cipriano. Nesta quinta-feira (4), também haverá, no local, o lançamento do livro 60 anos do golpe – Gerações em luta, organizado pelo ativista e ex-preso político Francisco Celso Calmon. A obra terá o lançamento oficial nesta segunda (1º), em várias capitais, sendo em Vitória às 10 horas, na Associação dos Docentes da Ufes e às 19 horas na Biblioteca Pública do Estado. Reúne textos de 60 sobreviventes da ditadura, que deixa um saldo de mortos e desaparecidos de mais de 434 militantes, de acordo com dados oficiais. “A eles devem se somar pelo menos 8.350 indígenas e 1.196 camponeses assassinados, de acordo com levantamentos das próprias comissões e posteriores estudos acadêmicos”, lembra a jornalista Mariluce Moura, que assina um texto no livro. Lançamentos simultâneos estão confirmados no Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Distrito Federal, Goiânia, Aracaju, Curitiba, Florianópolis e Passo Fundo, no Rio Grande do Sul.
Obras no Sítio Histórico da Prainha preocupam arquitetos e moradores
Imóvel em Vila Velha tem início irregular de obras; pescadores também reclamam de restrições O Parque da Prainha, em Vila Velha, foi reaberto após passar por obras de revitalização. Entretanto, as intervenções na região têm caudado preocupação em quem se ocupa da defesa do Sítio Histórico da Prainha e na comunidade. O Departamento do Espírito Santo do Instituto de Arquitetos do Brasil (Iabes) denunciou, em suas redes sociais, a possível destruição de um imóvel histórico. Já a Colônica de Pescadores Z2 tem reclamado da limitação de acesso à praia, prejudicando suas atividades. Foto Leitor O imóvel histórico fica na Rua Antônio Ataíde, antes da antiga Câmara de Vila Velha. A vice-presidente do Iabes, Luciene Pessotti, conta que foi acionada durante a semana por moradores, alarmados com as obras no imóvel, contrariando determinação do Conselho Municipal de Cultura. Na última quinta-feira (28), véspera da reabertura, Luciene recebeu a informação da comunidade de que a obra havia sido embargada e foram colocados tapumes de proteção. “Existe um movimento muito forte, principalmente dos moradores, de preservar o sítio histórico. Só que a gente não têm nenhum acolhimento, nenhuma escuta por parte do poder público”, reclama Luciene, que também é professora do departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e coordena o grupo de pesquisa Andança, que tem realizado ações relacionadas à Prainha. De acordo com Luciene, a gestão do prefeito Arnaldinho Borgo (Podemos) também não escutou a comunidade na elaboração do próprio projeto de revitalização do Parque da Prainha. As obras chegaram a ser embargadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), pelo fato de a administração municipal não ter apresentado projeto ao órgão antes do início das intervenções. A associação de moradores local também conseguiu estabelecer, junto ao Ministério Público do Estado (MPES), a obrigatoriedade, por parte da prefeitura, de escuta prévia antes de se autorizar a realização de qualquer show ou evento na Prainha. A Colônia de Pescadores Z2, por sua vez, tem se queixado do fato de o cercamento do parque ter limitado a locomoção dos pescadores artesanais da região. “A situação está muito difícil. As promessas que foram feitas não foram cumpridas. Muitas vezes a prefeitura marca uma reunião, mas não aparece”, afirma Nivaldo Deré, representante dos pescadores da região. Sítio Histórico O Sítio Histórico da Prainha de Vila Velha remonta ao início da colonização do território capixaba. Ele foi criado por meio da Lei Municipal 5.657, 9 de outubro de 2015, visando a preservação do patrimônio cultural, histórico, religioso e paisagístico da região. Sua poligonal abrange 17 pontos da região, que fica no Centro do município. Além da poligonal, o sítio abrange ainda: Morro do Convento de Nossa Senhora da Penha; Escola de Aprendiz de Marinheiro do Espírito Santo (Eames); 38º Batalhão de Infantaria; Parque da Prainha; Praia de Piratininga; Praia de Inhoá; Fonte de Inhoá; Morro da Ocharia; Gruta Frei Pedro Palácios; Ilha da Forca; Casa Amarela da Família Shalders ; Morro da Caixa D água da Prainha e adjacências; Morro do Cruzeiro da Prainha; e Ruína da Fábrica de Sabão. Em junho de 2023, o Conselho de Cultura de Vila Velha aprovou o pedido de tombamento do Forte de São Francisco Xavier da Barra, também na Prainha. Na época, o pedido foi uma reação ao projeto “Casa Cor 2022 – Vista do Forte”, que previa modificações na edificação. Também foram feitos pedidos de tombamento a nível estadual e federal, analisados, respectivamente, pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult-ES) e pelo Iphan. Além disso, foi movida uma ação judicial que solicita a reparação dos danos causados. “As reuniões do Conselho Municipal de Cultural são sempre muito tensas. Existe um grande número de funcionários da gestão municipal no conselho. Infelizmente, o que poderia ser dialogado acaba sendo uma guerra”, lamenta Luciene Pessotti. Também no ano passado, alunos de Arquitetura e Urbanismo da Ufes elaboraram um Plano de Revitalização do Sítio Histórico da Prainha, em diálogo com a comunidade, havendo, ainda, ações de educação patrimonial. Foram identificados mais de 50 imóveis que precisam de proteção arquitetônica. A revitalização do Parque da Prainha, por sua vez, foi realizada com um investimento de R$ 12,7 milhões, a partir de convênio entre a prefeitura e o governo estadual. As intervenções incluíram construção de espaço para eventos, banheiros, área gastronômica, parquinho infantil e espaços para a prática de esportes. ‘Transtorno’ Procurada por Século Diário, a Prefeitura de Vila velha enviou resposta apenas sobre a situação dos pescadores. Segundo a Secretaria Municipal de Obras e Projetos Estruturantes, “as obras no Parque da Prainha estão em fase final de acabamento. Isso pode causar um transtorno momentâneo aos pescadores. Ressalta ainda que foi construído um local para garantir o acesso dos pescadores, fruto de diálogo da prefeitura com os representantes da Colônia de Pescadores Z 2, além do Ministério Público capixaba”. A nota destaca ainda, que “o Parque da Prainha é um dos palcos da tradicional Festa da Penha, que começa no dia 31 de março, e é a maior celebração religiosa do Espírito Santo e a terceira maior festividade Mariana do país”. Sobre a questão das intervenções no imóvel histórico da Rua Antônio Ataíde, a assessoria de imprensa da prefeitura informou que estava apurando os fatos, mas não deu resposta até o fechamento desta matéria. Conselho de Cultura de Vila Velha aprova pedido de tombamento do Forte – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/cultura/conselho-municipal-de-cultura-de-vila-velha-aprova-pedido-de-tombamento-de-forte ‘Projeto da Casa Cor causará danos ao patrimônio cultural’, diz Instituto de Arquitetos – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/cidades/projeto-da-casa-cor-causara-danos-ao-patrimonio-cultural-diz-instituto