O Ministério Público Estadual (MPES) e o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) enviaram três equipes de trabalho para a região onde está sendo construído o Estaleiro Jurong de Aracruz (EJA). Os técnicos vão avaliar a rocha de calcário que será retirada do local onde está sendo construído o empreendimento. A decisão foi anunciada na reunião da última sexta-feira (31) entre MPES, Jurong, Associação dos Pescadores da Barra do Riacho e da Barra do Sahy e Iema. Desde janeiro de 2012, quando o empreendimento se instalou na localidade, os pescadores estão impedidos de realizar suas atividades. Os pescadores querem que a verba arrecadada com a venda do calcário que será extraído nas escavações do estaleiro seja integralmente revertida à comunidade pesqueira. Segundo Vicente Buteri, presidente da Associação de Pescadores, a própria Jurong estimou o valor da rocha em R$ 350 mil, verba que seria obtida pela associação e dividida entre os pescadores prejudicados pelo empreendimento. As famílias da região perderam toda a sua área de pesca com a instalação do estaleiro. A área, que antes tinha uma rica biodiversidade e ampla disponibilidade de lagostas, camarões e diversos outros animais marinhos, hoje se encontra completamente devastada. No Relatório de Impacto Ambiental (Rima), o estaleiro ainda reconhece que no Estado há uma das faunas de peixes mais ricas do país, com um total de 39 espécies, e detalha a atividade pesqueira mais expressiva nas comunidades da Barra do Sahy e Barra do Riacho, justamente a área de impacto do empreendimento. Mas afirma, “categoricamente, que haverá exclusão de área de pesca e que deve compensar os danos ambientais decorrentes de sua interferência na atividade pesqueira”. No entanto, nenhuma contraprestação foi apresentada pela empresa como forma de compensação aos prejuízos. Recurso A Jurong também recorreu da decisão da Justiça que determina que a empresa de Cingapura indenize, no valor de um salário mínimo (R$ 724), as 200 famílias prejudicadas pelos impactos da instalação do estaleiro. Enquanto o recurso não é julgado, afirma Butteri, a Jurong está depositando o valor total das indenizações em uma conta da Justiça Federal. O valor dessa indenização, segundo Buteri, é claramente insuficiente para indenizar os pescadores por tamanha perda. Além do pagamento que começou a partir da decisão judicial, em janeiro de 2014, os ribeirinhos querem indenização por todo o período de instalação do empreendimento, ou seja, querem que a decisão judicial seja revista e passe a ser retroativa, indenizando-os, também, pelo período em que foram impedidos de pescar, desde a implantação do EJA no local, em 2010. Favorecimentos O EJA é um empreendimento da Jurong do Brasil, empresa que recebeu apoio dos órgãos públicos para garantir sua participação no processo de licitação de empresas construtoras de sondas e navios de perfuração para a Petrobras. A Licença Prévia (LP) do empreendimento foi obtida com o apoio do Conselho Regional de Meio Ambiente (Conrema III), em uma análise recorde de seu Estudo de Impacto Ambiental (EIA) por parte do Iema, cuja diretoria foi acusada de ter revertido o indeferimento da LP, recomendado pelo corpo técnico responsável pela análise dos impactos que serão gerados pelo empreendimento na região. A Associação Capixaba de Proteção ao Meio Ambiente (Acapema) denunciou, em 2010, que o estaleiro não realizou Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) para o licenciamento do empreendimento, como determina a lei. O acordo para a implantação do estaleiro Jurong em Aracruz foi firmado em 2008 entre a Jurong do Brasil e o governo do Estado. A instalação é composta de plataformas de petróleo, de sondas e de reparo naval e atividades de intenso impacto ambiental, que podem provocar colapsos na biodiversidade local, uma vez que parte do terreno onde o estaleiro é instalado é Área de Preservação Permanente (APP) e próximo ao terminal da Portocel, que pertence à Aracruz Celulose (Fibria), e já gera inúmeros impactos à pesca local. Além de degradar a unidade de conservação, dos impactos socioambientais com a migração de trabalhadores e da restrição da área de pesca e navegação, o empreendimento poderá causar danos às populações indígenas e de pescadores, que já têm grande limitação de atuação na área, principalmente por conta dos intensivos plantios de eucalipto da Aracruz Celulose. Apesar dos danos que serão levados ao local pela empresa, a prefeitura do município fez a doação da área onde será instalado o estaleiro, que tem 825 mil m² e foi estimada em R$ 25 milhões. A doação aponta para a criação de uma lei municipal, que entrou em vigor simultaneamente aos interesses da construção do estaleiro, em 2009. Como tentativa de legitimar a doação de área pública ao empreendimento, o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) já havia decretado o estaleiro como de utilidade pública. Desde 2010, a região recebe trabalhadores de diversas partes do País, atraídos pelas falsas promessas de emprego oferecidas pela Jurong e pela Petrobras na região. Os que não foram contratados pela Petrobras ficaram, como uma população flutuante, aguardando os serviços da Jurong. Enquanto isso, após a fase de obras, esses trabalhadores não são absorvidos, o que gera um grande problema social. No mesmo ano, o Conrema III aprovou a supressão de vegetação de restinga para a construção do estaleiro. Anteriormente, a Jurong já havia sido multada por desmatar mais do que o autorizado na região e por manejar animais da fauna local sem autorização do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Em 2012, um documento da ONG Amigos de Barra do Riacho foi protocolado na empresa e no Iema solicitando a suspensão total do processo, que não prioriza as comunidades diretamente afetadas e vizinhas ao empreendimento. Nesse documento, era relatado que a empresa dava “preferência para apadrinhados políticos que nem de perto sofrerão os impactos diretos”. Em novembro, o EJA requereu ao Iema as licenças de Instalação (LI) e de Operação (LO) para dragagem de aprofundamento de calado na área onde será instalado o estaleiro. As autorizações foram requeridas ao mesmo
Ausência de ‘ilustres’ na sessão solene da Assembleia evidencia desprestígio da Casa
A sessão de instalação dos trabalhos deste ano na Assembleia Legislativa refletiu o desgaste da instituição nos meios políticos. Apesar dos representantes dos demais poderes terem sido convidados para a solenidade, apenas o presidente do Tribunal de Contas, Domingos Taufner, marcou presença na sessão solene desta segunda-feira que formalizava a retomadas das atividades da Casa. Um dos ausentes, o governador Renato Casagrande, enviou o secretário-chefe da Casa Civil, Tyago Hoffmann. O presidente do Tribunal de Justiça, Sérgio Bizzotto; do Tribunal Regional Eleitoral, Alvaro Bourguignon; e o procurador-geral de Justiça. Eder Pontes, não enviaram representantes. Em sua fala, o presidente do Tribunal de Contas alertou para a função do legislativo de fiscalizar o Executivo. Já Hoffmann destacou a importância da manutenção da harmonia entre os poderes. Já a fala dos deputados em nome das bancadas não acrescentou muito ao debate político. Alguns parlamentares ainda tentaram usar o discurso das chuvas no final do ano passado. O presidente da Assembleia, Theodorico Ferraço (DEM) lembrou a interrupção do recesso parlamentar para aprovação das medidas legadas ao Plano de Reconstrução do Estado. Ferraço mostrou uma certa irritação ao encerrar a sessão. Como tentativa de melhorar a imagem do legislativo anunciou que já determinou a concorrência para a retransmissão da sessão ordinária da Casa, processo que, segundo ele, não vai demandar gastos do orçamento deste ano, pois a Casa utilizaria sobras de recursos do ano passado. Ferraço fez questão de frisar que o dinheiro foi “economizado” pelos deputados em 2013. Para os meios políticos, uma forma de tentar responder às críticas de parte da imprensa com os gastos na Assembleia. O presidente da Casa convocou os parlamentares para uma reunião na sala da presidência na manhã desta terça-feira (4) para discutir assunto de interesse dos deputados da Grande Vitória e que será discutido com o governador Renato Casagrande posteriormente. A primeira sessão ordinária será nesta terça-feira (4), a partir das 16 horas, com veto encabeçando a pauta.
Ferroviários: 50 novos leitos serão criados com a reabertura do hospital
Depois de uma novela que se arrastou por um ano, o Hospital dos Ferroviários, em Vila Velha, desativado desde fevereiro do ano passado, será reaberto pelo governo do Estado. Na manhã desta segunda-feira (3), o governador Renato Casagrande assinou o decreto de requisição administrativa do hospital filantrópico. Serão disponibilizados até 95 novos leitos, sendo que 50 serão disponibilizados em até dois meses para o atendimento de casos graves de dengue e demais doenças decorrentes das chuvas de dezembro, como leptospirose, febre tifoide e hepatite A. De acordo com a previsão do governo, o hospital passará a realizar, de forma gradativa, cirurgias eletivas de média complexidade nas especialidades de urologia e otorrinolaringologia. O hospital vai passar a contar ainda com uma estrutura de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com dez leitos. O público-alvo do hospital são os pacientes da Região Metropolitana, especialmente os municípios de Vila Velha, Cariacica e Viana, além do interior do Estado. “Tomamos uma decisão sensata, de forma responsável, num procedimento novo para o Estado, mas que vai garantir mais leitos para a população capixaba. No final do primeiro semestre, quando o São Lucas for reaberto, serão quase 300 novas vagas para atender a quem mais necessita”, destacou o governador Renato Casagrande, durante a solenidade de assinatura do decreto. Esse tipo de requisição é prevista na Constituição Federal, que garante ao Estado assumir bens e serviços de terceiros nos casos de iminente perigo público. O secretário estadual de Saúde, Tadeu Marino, destacou o esforço do governo na ampliação do número de leitos do Sistema Único de Saúde (SUS). “Queremos tornar o hospital retaguarda para urgência e emergência, com atendimento assistencial clínico e cirúrgico de média complexidade. Nossa proposta possibilitará não somente aumentar o número de leitos, mas, principalmente, assegurar aos cidadãos, a proteção à saúde”, ressaltou. O Hospital dos Ferroviários foi fechado em fevereiro de 2013, depois que uma auditoria feita pela Secretaria encontrou inconformidades na aplicação das verbas, o que impediu a renovação do convênio do governo com a instituição. Fundado em 7 de outubro de 1918, a Associação Beneficente dos Ferroviários da Estrada de Ferro Vitória a Minas, popularmente conhecida como Hospital dos Ferroviários, era mantido por contribuições esporádicas da Vale e convênios com a Prefeitura de Vila Velha e governo estadual. Quando foi fechado, o hospital, que fica em São Torquato, atendia cerca de 400 pessoas por dia, recebia repasses de R$ 500 mil do governo federal e outros R$ 900 mil do Estado para manter os serviços. No hospital eram realizados, em média, seis mil consultas por mês e 40 cirurgias por dia. A instituição também era referência em cirurgia buco-maxilo-facial, no tratamento de pacientes crônicos, no setor de tratamento avançado de feridas e de diabéticos.
MPF-ES denuncia ex-diretor por desvio de verbas no Ifes-São Mateus
O Ministério Público Federal no Estado (MPF-ES) denunciou, na última semana, o ex-diretor-geral do campus de São Mateus do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), Rubens Marques, e mais três pessoas pelo desvio de verbas federais destinadas à execução de obras na instituição. Na ação, a procuradoria sustenta que a empresa contratada, que abandonou as obras antes de seu término, teria recebido R$ 800 mil por serviços que não foram devidamente prestados. De acordo com informações do MPF-ES, as fraudes teriam sido facilitadas pelos engenheiros Gercyr Baptista Júnior e Wilson Obed Emmerich, então membros da comissão encarregada da fiscalização das obras juntamente com o ex-diretor-geral do campus. Além deles, o administrador da empresa mineira Construtora Ferreira & Braga, José Ricardo Ferreira, também foi denunciado pelo suposto prejuízo ao erário. Nos autos do processo, a procuradora da República, Walquíria Imamura Picoli, narra que a empresa foi contratada em agosto de 2009 para a construção da sede e do galpão do curso de Mecânica do campus do Ifes de São Mateus ao custo de R$ 3,89 milhões. Em setembro do ano seguinte, a construtora abandonou as obras sob alegação de problemas financeiros. Na ocasião, a empresa já havia recebido 93,25% do total estimado à obra. No entanto, uma sindicância aberta pelo instituto para apurar o fato teria constatado que apenas 80% da obra teriam sido concluídas. O MPF sustenta que o ex-diretor certificou falsamente o cumprimento integral de serviços não realizados pela construtora. Segundo a denúncia, a empresa elaborava medições indevidas de forma deliberada, com o fim de receber pagamento por serviços não prestados. O órgão ministerial pede a condenação de todos os acusados pela prática do crime de peculato (apropriação indevida de dinheiro público), com pena de prisão de dois a 12 anos, além do pagamento de multa. A procuradora entendeu ainda que os dois engenheiros foram negligentes ao se omitirem do dever de fiscalizar a execução das obra, o que pode enquadrá-los no crime de peculato culposo, cuja pena, de três meses a um ano de detenção. O caso tramita na 1ª Vara Federal Criminal de São Mateus, com o número é 0000324-38.2011.4.02.5003.
Prefeitura da Serra fixa aluguel social em R$ 357
A Prefeitura da Serra decidiu unificar o valor do aluguel social. A partir do dia 20 de fevereiro, os moradores inscritos no Programa receberão o valor mensal de R$ 357. De acordo com a prefeitura, antes da mudança, os moradores recebiam o beneficio com base na renda per capta. O valor variava de R$ 280 a 357, sendo que mais de 50% recebia abaixo do teto máximo. Segundo informações da Secretaria de Habitação, a alteração foi necessária porque os valores estavam sem reajuste desde 2010. Atualmente, há 472 famílias inseridas no Programa de Aluguel Social (PAS). Os beneficiários do programa são pessoas encaminhadas pelos Cras, no caso de vulnerabilidade social, ou pela Defesa Civil, no caso de morar em área de risco ou ainda pela Justiça. Segundo a Lei 3596/2010, programa proporciona acesso à moradia segura em caráter emergencial e temporário, mediante a concessão de benefício para custear, integral ou parcialmente, a locação de imóvel residencial. Famílias cujos imóveis foram atingidos pelas chuvas e que ainda não estão impedidas de retornar às duas casas recebem um valor diferenciado, graças aos recursos do Ministério da Integração. Nesses casos, o valor é de R$ 400 mensais. O benefício é mantido por três meses, podendo ser prorrogado, se necessário.
PSB-Rede lança diretrizes de governo para 2014
Depois de três meses de muita discussão interna, o PSB-Rede concluiu as diretrizes do seu projeto de governo. Suas estrelas para a disputa presidencial apresentam o projeto nesta terça-feira (4), em Brasília. O pré-candidato a presidente do grupo, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos e sua pré-candidata a vice, a ex-senadora Marina Silva farão a apresentação. Com as diretrizes para o programa de governo da aliança programática PSB-REDE em mãos, a ideia é intensificar as conversas com as lideranças nos estados, na busca de fortalecimento do palanque socialista na disputa presidencial. Neste sentido, o mercado político capixaba volta suas atenções para o Estado, já que o governador Renato Casagrande aposta na neutralidade na disputa nacional. Neste sábado, os remanescentes da Rede no Estado se reúnem na Câmara de Vitória para debater o cenário eleitoral. No Estado, assim como em nível nacional, a negativa do pedido de registro da Rede, no ano passado, levou os integrantes do novo partido a aderirem ao PSB. Mas internamente há problemas de acomodação dos partidários de Marina no ninho da pomba. A Rede que vinha se colocando de maneira crítica ao governo do Estado teve que se adequar à nova realidade com a união em nível nacional, o que gerou atritos internos. Sob a coordenação da Fundação João Mangabeira (FJM), por parte do PSB, as diretrizes foram elaboradas com a participação da sociedade, por meio da plataforma digital Mudando o Brasil, lançada em novembro de 2013. Os internautas puderam debater e fazer sugestões ao conteúdo programático construído em conjunto por dirigentes, políticos e militantes do PSB e da REDE desde 28 de outubro. Ao todo, foram mais de 1.700 contribuições.
Entidades denunciam lei que obriga exame toxicológico em alunos de Cariacica
O Fórum Estadual da Juventude Negra (Fejunes) e o Movimento Nacional dos Direitos Humanos no Estado (MNDH-ES) protocolaram uma representação no Ministério Público Estadual (MPES) contra a Lei municipal nº 5152/2014, que prevê a realização de exames toxicológicos em alunos da rede pública em Cariacica. No documento, as entidades denunciam que a medida viola a dignidade de crianças e adolescentes. Eles pedem que o órgão ministerial ingresse com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra a norma. Na representação, os dirigentes das entidades citam que o próprio autor da proposta, vereador Messias Donato (PTdoB), afirma na justificativa do projeto que o objeto da matéria seria “gerar constrangimento aos estudantes com intuito de evitar que eles possam vir a fazer uso de drogas”. As entidades defendem a tese de que a lei municipal viola a Constituição Federal, no que trata da obrigação do Estado de proteger crianças, adolescentes e jovens de qualquer forma de discriminação, violência e opressão. No texto, os representantes do Fejunes e a MNDH/ES solicitaram a abertura de um inquérito civil para apurar a existência, bem como a eficácia das políticas públicas voltadas aos jovens, sobretudo, aquelas relacionadas à prevenção do uso de drogas. Para as entidades, a Constituição obriga o poder público a garantir a proteção a este segmento por meio de programas de prevenção e atendimento especializado em caso de dependência química, o que seria diferente da realização dos exames toxicológicos pelas escolas. A lei municipal, sancionada no último dia 23, prevê a realização dos exames em alunos do 9º ano (cuja idade estimada é de 14 anos) ou classes menores, sempre com autorização dos pais ou responsáveis legais. Em entrevista ao jornal A Tribuna, o vereador explicou que, caso seja confirmado o uso de drogas, o estudante será encaminhado para o serviço de assistência social do município. A lei entra em vigor no ano letivo que se inicia nesta segunda-feira (3).
Fevereiro começa com partidos acelerando movimentações eleitorais
Fevereiro começou com os partidos acelerando suas movimentações sobre a disputa eleitoral deste ano. A preocupação com as acomodações proporcionais tem sido o principal motor desta antecipação do debate. No Estado, a maior pressão interna se concentra no PMDB. A bancada de sete deputados volta aos trabalhos na Assembleia pedindo encontro com a cúpula para definir o posicionamento do partido sobre a eleição 2014. Se em nível estadual a definição por parte da base é puxada pelos deputados estaduais, em nível nacional a deputada federal Rose de Freitas, de olho na disputa ao Senado, vai brigar pela antecipação d junho para abril da Convenção Nacional do partido. Com a definição nacional, será mais prático para que os peemedebistas no Estado possam se movimentar melhor. Rose quer disputar o Senado, mas a indefinição do ex-governador Paulo Hartung deixa em suspensão o debate interno. Além do Senado, o grupo do ex-governador também almeja a disputa ao governo e para isso, o senador Ricardo Ferraço já se colocou à disposição do partido, mas a base defende a permanência no palanque do governador Renato Casagrande. O que os deputados querem é a garantia da reeleição. Embora seja difícil encontrar uma coligação que permita a reeleição dos sete peemedebistas, no palanque palaciano, a acomodação é menos complicada. O PMDB não é o único que vive momentos de movimentações com os olhos nas eleições. O PSB do governador Renato Casagrande também vive cobranças dos aliados para oficializar sua situação. A principal preocupação está no posicionamento do governador sobre a eleição presidencial. Embora Casagrande já tenha anunciado o desejo pela neutralidade, há expectativa nos meios políticos de que o governador assuma a candidatura socialista do presidenciável Eduardo Campos. Os remanescentes da Rede Sustentabilidade no Estado, que em tese estão alinhados com Casagrande por causa da composição nacional entre Marina Silva e Eduardo Campos, se reúnem neste sábado (8) na Câmara de Vitória. Eles querem discutir a posição do grupo na eleição deste ano. Quem também vai discutir seu posicionamento é o bloco formado por PPS, PTB, PSD, PROS e Solidariedade. Mas a presença de aliados do Palácio Anchieta, como o PPS, do prefeito Luciano Rezende, e do Pros, do deputado federal Carlos Manato, que será apoiado por Audifax Barcelos, faz com que o mercado político acredite que o grupo deva consolidar seu apoio ao palanque de Casagrande.
Ex-prefeito de Baixo Guandu é condenado por irregularidades com diárias
O juiz Roney Duque Guerra, da 1ª Vara de Baixo Guandu (região noroeste do Estado), condenou o ex-prefeito do município, Lastênio Cardoso, e mais três pessoas em uma ação de improbidade administrativa. Na sentença publicada nesta segunda-feira (3), o magistrado julgou o ex-chefe do Executivo como culpado pela concessão irregular de diárias e da falta de controle no pagamento de ajudas de custo. Além da suspensão dos direitos políticos pelo prazo de cinco, os réus foram condenados ao ressarcimento integral do dano ao erário, estimado em R$ 36 mil. Na sentença assinada no dia 22 de fevereiro do ano passado – publicada quase um ano depois –, o juiz acolheu os argumentos da denúncia ajuizada pelo Ministério Público Estadual (MPES). A promotoria acusou o ex-prefeito e os três servidores (José Elias Prudêncio, então secretário de Administração; Alan Johanson, contador do município; e João Carlos Costa Maranduba, que teria se beneficiado da maior parte dos pagamentos) de atuarem no esquema da concessão de diárias e benefícios sem a necessidade de prestação de contas das despesas. Nos autos do processo, a promotoria sustenta que a administração de Lastênio Cardoso não estabeleceu qualquer forma de controle das finanças públicas. O Ministério Público também levantou a possibilidade dos servidores não terem sequer viajado, devido ao curto espaço de tempo entre a concessão de diversas diárias. Somente entre fevereiro e novembro de 2006, o órgão ministerial listou a realização de 24 viagens, que teriam causado um prejuízo de até R$ 77 mil. Entretanto,o juiz concluiu que o dano devidamente comprovado ao longo do processo foi de pouco mais de R$ 36 mil, sendo que R$ 23,5 mil teriam sido pagos em diárias irregulares e R$ 12,5 mil em ajudas de custo indevidas. Esses valores deverão ser ressarcidos, de forma solidária, pelos condenados. Além disso, o ex-prefeito Lastênio Cardoso e os três ex-servidores foram proibidos de contratar com o poder público pelo prazo de cinco anos, a contar do trânsito em julgado da sentença. O juiz Roney Guerra julgou improcedente a denúncia contra a ex-tesoureira do município, Marlene Precioso Meneguce, que não teria participação no esquema. Durante a instrução do processo, a servidora informou que já havia comunicado o então prefeito e os demais réus sobre o problema com a ausência da prestação de conta de diárias e ajudas de custo. Esse aviso foi entendido pelo juízo como a prova de que ela não teria relação com as irregularidades. A sentença ainda cabe recurso por parte dos réus e do Ministério Público.
Assembleia retorna ao trabalho com disputas regionais entre deputados
A Assembleia Legislativa retorna aos trabalhos nesta segunda-feira (3) com a expectativa de um ano de muita disputa entre os deputados, devido à tensão do mercado político com as acomodações proporcionais no ano eleitoral. Neste sentido, a tendência é de as disputas sejam mais duras entre os parlamentares que disputam as mesmas bases eleitorais. O cenário promete disputas em praticamente todas as regiões do Estado. No sul, os cenário pode ter duas configurações. Se Theodorico Ferraço (DEM) disputar a reeleição para deputado estadual, o cenário muda completamente. O antigo aliado, o deputado Glauber Coelho (PSB), já se afastou do presidente da Casa, o que mostra que a disputa entre eles pode endurecer. Quem nunca se afinou nem com Ferraço, nem com Glauber é o petista Rodrigo Coelho, que vai disputar a reeleição com a ajuda do prefeito Carlos Casteglione (PT). O PSDB aposta suas fichas no deputado Marcus Mansur, que vem tentando ampliar sua base no sul do Estado para fugir do estigma de vereador. No noroeste do Estado, a briga fica polarizada em Colatina, com o embate entre Josias da Vitória (PDT) e Genivaldo Lievori (PT), que repetem uma já tradicional disputa entre o grupo do ex-prefeito Guerino Balestrassi (PSDB) e do deputado federal Paulo Foletto (PSB). O primeiro deve apoiar Lievori, já o segundo, deve manter a parceria com Da Vitória. Nesta disputa polarizada, a expectativa do mercado político em Colatina fica em torno da entrada do radialita Cirilo de Tarso (PSD), ex-vice-prefeito, que tem grande popularidade e pode mexer no cenário da disputa, dividindo os votos. Ainda no noroeste, mas em Baixo Guandu, Dary Pagung tem como arma a boa coligação do PRP, que sempre surpreende na disputa proporcional. No extremo norte, Freitas (PSB) contará com o palanque palaciano para enfrentar Paulo Roberto (PMDB). Para os observadores, a situação de Freitas é bastante confortável, com o apoio do governo do Estado ele sai fortalecido contra o peemedebista, que saiu derrotado do pleito municipal em 2012. Gildevan Fernandes (PV) é outro que vai tentar reverter a derrota na eleição municipal, em Pinheiros. Em Linhares, o cenário político muda se o deputado José Carlos Elias (PTB) disputar a eleição para federal. Luiz Durão (PDT) pode sofrer os desgastes da gestão atrapalhada do prefeito Nozinho Correia (PDT). Atayde Armani (DEM), embora hoje esteja baseado em Santa Maria de Jetibá, ainda mantém um bom lote de votos no município. Mas a grande ameaça dos deputados da região é a candidatura do ex-prefeito Guerino Zanon (PMDB), considerado favorito. Metade do plenário da Assembleia tem como reduto eleitoral a Grande Vitória e mesmo com 60% do eleitorado residindo na região, a profusão de deputados-candidatos e de lideranças de fora da Casa ajudam a pulverizar os votos, tornando a eleição mais disputada. Da Capital são os deputados José Esmeraldo (PMDB), que também tem votos em Cariacica; Esmael Almeida (PMDB), Nilton Baiano (PP) e Luzia Toledo (PMDB), que na verdade circula o Estado todo. A Serra é o maior colégio eleitoral do Estado e tem como representantes na Casa Roberto Carlos (PT) e Jamir Malini (PTN). Este último é uma das apostas do prefeito Audifax Barcelos (PSB). O secretário de Esportes do Estado, Vandinho Leite (PSB), que tem como principal base o município, retorna à Casa em abril, mas como vai disputar a Câmara dos Deputados, alivia a pressão na estadual. De Cariacica são os deputados Aparecida Denadai (PDT), Janete de Sá (PMN), Lúcia Dornellas (PT) e Marcelo Santos (PMDB), que está cotado para a federal. Sandro Locutor (PV), divide seu reduto entre Cariacica e Viana. A deputada Solange Lube (PMDB), que é ex-prefeita de Viana, vai apostar na oposição municipal para tentar garantir o segundo mandato na Assembleia.