Fumus boni iuris, ou traduzindo do latim, “fumaça do bom direito”. A desembargadora Eliana Junqueira Munhoz Junqueira, na decisão que deu nesse domingo (19) em favor do relaxamento da prisão do advogado Gustavo Bassini, mostrou que a Justiça deve julgar sempre com a máxima isenção. A importância da decisão da desembargadora ter sido equilibrada e isenta deve ser destacada pelo fato de o caso em questão estar envolto em polêmicas — o advogado alega que está sendo perseguido por juízes, promotores, membros da Ordem dos Advogados no Espírito Santo e até um delegado de polícia (Danilo Bahiense). A desembargadora, no entanto, deixou as polêmicas de lado para tratar somente do pedido do habeas corpus em si, impetrado pelo próprio advogado, que usou uma folha de papel e uma caneta esferográfica para tentar convencer a desembargadora de que sua prisão era injusta. O advogado, que fora preso em outras duas ocasiões — uma no ano passado e outra há pouco mais de dez dias — estava encarcerado novamente em cela comum do Quartel da PM, em Maruípe, Vitória. Na prisão anterior, ele havia conseguido o benefício da prisão domiciliar, se valendo das prerrogativas previstas no Estatuto da Advocacia. Dias depois, porém, a prisão domiciliar foi revogada e o advogado foi novamente encaminhado para uma cela comum do Quartel da PM, junto com policiais condenados — mesmo a Justiça sabendo que o sistema prisional capixaba não possui Sala de Estado Maior. Na decisão, a desembargadora registrou que a lei que assegura a oferta de Sala de Estado Maior foi publicada há quase duas décadas, mas o poder público estadual ainda não criou o espaço. Ela lembrou que o advogado não poderia ser penalizado por causa de uma falha do Estado. A desembargadora, no entanto, não se apegou à questão da sala especial, mas discordou dos motivos alegados pelo juiz Eliazer Costa Vieira, da 3ª Vara Criminal de Vila Velha (que acatou o pedido de prisão preventiva de dois promotores do Ministério Público Estadual), para mandar o advogado para cadeia. Eliana Munhós desmontou o argumento dos promotores e “corrigiu” a lambança do juiz ao demonstrar que a prisão em si, independente do local que fosse cumprida, era ilegal. “Não é crível que o indivíduo presumido inocente, ressalvada hipóteses excepcionais, padeça situação mais grave do que a pessoa já condenada. Do contrário, estar-se-ia adotando tratamento não razoável, ao suprimir a liberdade de alguém a título de prisão cautelar se essa pessoa, ao fim do processo, não será encarcerada a título de prisão pena”. Em outras palavras, a desembargadora entendeu que o crime de injúria não justifica a pena de prisão. Ela quis dizer que mesmo ao final do processo, caso o advogado seja condenado, não será punido com o encarceramento. Então, qual seria a justificativa para prendê-lo cautelarmente? A decisão acaba reforçando a tese de que o advogado está sofrendo perseguição por parte de seus algozes. Se, como sustentou a desembargadora, a prisão foi ilegal, não é incabível supor que exista de fato um conluio do grupo denunciado por Bassini na Justiça para calá-lo, ou melhor, tirá-lo de circulação. Não se pode ignorar que o advogado, que disputou a presidência da Ordem, seção Vila Velha, na eleição de 2012, pôs em xeque o processo eleitoral, alegando irregularidades e ganhou com isso um sem número de inimigos. As denúncias do advogado acabaram sendo parcialmente acatadas pela Justiça Federal. No início de dezembro de 2013, a Justiça anulou o pleito que elegeu Ricardo Ferreira Holzmeister e convocou nova eleição na Ordem de Vila Velha, que deve ocorrer até março deste ano. Mais uma vez, o julgamento isento da Justiça, desta vez do juiz federal Roberto Gil Leal Faria, mostraria que, de fato, como denunciou o advogado, havia irregularidades no processo eleitoral. Ou seja, as denúncias não eram fruto da “imaginação” de Bassini. As duas decisões ratificam a mensagem subliminar que guarda a expressão fumus boni iuris. A expressão em latim vem do ditado popular que diz: onde há fumaça, há fogo.
Espertalhão
A segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), do governo federal, entregou nesta segunda (20), em Ecoporanga, motoniveladoras para 20 prefeituras de municípios com até 50 mil habitantes (uma para cada município). As máquinas irão ajudar na revitalização de estradas vicinais e no escoamento da produção. Mas adivinha quem foi tirar uma casquinha destas ações do governo federal? Sim, ele mesmo, Ricardo Ferraço (PMDB). O senador é um dos membros mais ativos da “bancada do chororô”, aquele o grupo de parlamentares que pisa e repisa o discurso preguicento de que o Espírito Santo é um pobre diabo discriminado pelo governo federal. Sem contar o canhestro episódio da saia-justa em que ele pôs a presidente Dilma Roussef com a fuga do senador boliviano (Roger Pinto, lembram?). Agora ele tira proveito como se fosse íntimo do Palácio Alvorada. Muito sabidinho. Reconstrução Foram publicados no Diário Oficial desta segunda (20) os nomes das seis empresas de consultoria contratadas Instituto de Obras Públicas do Espírito Santo (Iopes) para auxiliar os municípios nos projetos de reconstrução das áreas atingidas pelas chuvas. Dan Engenharia Projetos e Consultoria Ltda, Concremat Engenharia e Tecnologia S/A Engevix Engenharia S/A, Gepan Planejamentos, Projetos e Gerenciamento de Obras Ltda, Avantec Engenharia, Ltda Engesolo Engenharia Ltda. Cada uma está atuando em uma região do estado. Sem desculpas O Tribunal de Contas do Estado (TCES) promove nesta terça-feira (21) um encontro com prefeitos e equipes dos 54 municípios do Espírito Santo atingidos pelas chuvas de dezembro. A ideia é orientar as administrações sobre a conduta a tomar no processo de reconstrução. A iniciativa do tribunal é boa: depois, os prefeitos terão que ser muito imaginosos para explicar eventuais, digamos, deslizes. Filma eu O deputado estadual Roberto Carlos (PT) está se tornando especialista em atrair holofotes. Primeiro, sugeriu a realização de um seminário na Assembleia Legislativa para discutir as enchentes – a ideia nasceu apenas após o caos de dezembro. Agora o deputado promove uma reunião na Ales nesta terça-feira (21) para discutir… o rolezinho. Intrometido E o que o vereador de Vitória Rogerinho Pinheiro (PHS) foi arrumar, hein? Arrumou a ira de militantes do PSL, PTC, PRTB, PSDC, PRB, PTdoB e PP. Ficaram “pê da vida” com ele por causa do encontro de sexta (17) com o governador Renato Casagrande, em que foi declarado apoio à reeleição do governador. Ele quis aparecer demais, dando um tom coletivo a uma ação solitária. Ê, Rogerinho… Acabou o amor? Figura muito próxima ao ex-prefeito de Vitória João Coser (PT), de quem foi até secretário de Cultura, Alcione Pinheiro filiou-se ao PC do B. O que será que houve? Despensa cheia A Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia adquiriu R$ 10.680 mil em café. Haja cafezinho. Referência O governo Renato Casagrande não cita seu antecessor no plano de desenvolvimento do estado, o Espírito Santo 2030. Mas para quê? A gestão Casagrande não citou a gestão Paulo Hartung nem nos escândalos – como o esquema de corrupção no âmbito do Instituto de Atendimento Socioeducativo (Iases) apontado pela Operação Pixote, em 2012. Não têm por quê. Confere Morador de Praia de Santa Helena, por ali no entorno da Praça do Cauê, o prefeito de Vitória Luciano Rezende (PPS) desceu do apartamento para conferir de perto o trabalho de sua equipe na pracinha. Pôs foto no twitter e tudo. 140 toques “#PéNaEstrada: hoje visitarei 2 cidades do norte do Espírito Santo: Ecoporanga e Barra de São Francisco. Alguém desses municípios por aqui?”. O senador Ricardo Ferraço (PMDB) no twitter. Ai, ai, ai. Pensamento “Um homem de Estado não pode dizer tudo”. Fernando Henrique Cardoso
Conceitos
Este espaço já tratou do tema conceitos. Por exemplo, podemos dizer que muitas coisas que pareciam erradas, outrora, estão sendo praticadas agora como certas e até normais, pois foi aceito pela nova geração, que nasceu e cresceu no meio desse “erro”. Eles não têm a noção exata se está errado ou não. Alguns mais experientes podem dizer que cabe aos mais velhos pelo menos explicar como se fazia. Mas isso não ocorre. Pode-se listar uma série de coisas que podem vir estar erradas, mas que são aceitas “certas” nos novos conceitos. Ensinar a meia-boca e aprender mal nas faculdades de hoje. O aluno pode achar isso normal, pois quando começou sua vida acadêmica o grau do “achismo” estava em pleno vapor. Ver sua presidente propalando coisas incorretas ao seu cargo e achar isso normal, perder tempo com programas de televisão como BBB e pensar que estão vendo coisas importantes. O perigo maior é que essa juventude praticamente cresce sem personalidade forte de se impor pela sabedoria e inteligência. As redações nos vestibulares estão aí para provar. No caso, não é falta de conhecimento. Pior é eles pensarem que não saber fazer uma redação é normal. É um conceito. Quando vemos as guerras do oriente nos telejornais já achamos normal. Breve viver em guerra será normal em conceito novo. E isso acontece em qualquer residência – lar é outro conceito – e acontece na minha na sua e na do vizinho. Nossos filhos estão nascendo e crescendo sob novos conceitos, que para eles são corretos e para nós, de outra geração, errados. Será que é falta de entendimento e sabedoria não mostrar e deixar acontecer, num misto de aceitar o novo conceito e se achar incapaz de ensinar o certo? Enquanto tiver shows do Naldo ou da Anitta e os jovens tomarem todas as batidas para chegar ao evento “calibrados”, achando isso normal; enquanto a juventude achar o funk natural com aqueles palavrões, nós, os mais lúcidos, nos tornamos errados e ultrapassados para eles. Eles acham normal. Eles têm outro conceito e assim seguem andando a humanidade, com passos de formiga e sem vontade… PARABÓLICAS (Hoje notas da coluna de Pipico Peçanha, direto de Caxú) Repórter Arcobelli Cola está cobrindo o Castelo FC para o programa de Luiz Fumanchu na Rádio Cultura FM, do nosso dileto amigo Cézar Nemer. Pela Rádio Sim Cachoeiro – AM (1210), de segunda a sexta, você pode acompanhar um programa super informativo chamado “Manhã Total” com o competente comunicador Mauro Roger Agradecemos, sensibilizados, o registro feito pelo apresentador do programa “Itália Canta”, Adilson Lázaro, com respeito a este colunista. Fomos colegas de equipe esportiva “Sentinela” pela Rádio Cachoeiro – ZYL-9, na época comandada pelo saudoso Ito Coelho. Radialista “Biro Biro” (Carlos de Souza) mandando bem as notícias dos clubes do Rio para o programa do Luiz Fumanchu, pela Rádio Cultura FM de Castelo. MENSAGEM FINAL Vejo o cortador de pedras martelando a rocha talvez cem vezes sem que uma só rachadura apareça. Porém na centésima a pedra se abre em duas e sei que não foi aquela a que conseguiu, mas todas as que vieram antes. Jacob A. Riis
Casca de banana
No caminho da construção do palanque de reeleição do governador Renato Casagrande há umas cascas de banana que ele precisa ficar atento. Depois dos protestos de junho e julho do ano passado, o governador conseguiu, no segundo semestre, recuperar os 20 pontos perdidos naquele momento de convulsão popular. Casagrande montou uma estratégias de apoio político descentralizada, fortalecendo os prefeitos, encontrou uma marca para seu governo, de homem do interior, atraiu e manteve em seu palanque as lideranças políticas da maioria dos partidos do Estado e, para finalizar, driblou os temas que poderiam lhe trazer desgaste. Neste sentido, barrou o aumento da tarifa na Terceira Ponte e contornou o reajuste nas tarifas do Transcol, jogando a conta para o seletivo. Toda essa estratégia garantiria um caminho eleitoral sem problemas. Mas Casagrande ainda tem umas cascas de banana para evitar. Na semana que passou, uma delas foi jogada no chão escorregadio do Palácio Anchieta. As mexidas do secretário de Segurança, André Garcia, no Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas (Nurocc) criou uma sensação de inquietude no governo e deve ter acendido o sinal de alerta no gabinete do governador. Talvez o secretário não acreditasse na reação dos delegados e não adianta esconder, uma crise se instalou na área da Segurança. Tudo que o governador não precisava neste momento é justamente de uma crise. Ainda mais quando há afirmação de que as mudanças acontecem às vésperas do desbaratamento de um novo escândalo no setor mais complexo do governo do Estado. Garcia, ao lado de Tyago Hoffmann (Gabinete de Governo) e Fábio Damasceno (Transportes) são considerados nos meios políticos os supersecretários. Estariam ali para conter crises e não para criá-las. Enquanto evita as pedras no caminho de sua reeleição no campo político, o governador continua pisando em pedra pontuda, dentro de casa. Fragmentos: 1 – O Sindicato dos Servidores da Assembleia (Sindilegis) entrega nova pauta de reivindicação ao presidente da Casa, Theodorico Ferraço (DEM), ainda sem solução para o maior impasse da categoria, os 11.98%. Será que em 2014 isso se resolve? 2 – O PMDB diz que não teme o isolamento. Aposta no tamanho para se manter. Mas será que essa coragem toda é porque quer levar à frente um projeto próprio ou porque ficou sem espaço no palanque palaciano? 3 – Critico voraz do recesso parlamentar, o presidente da Comissão de Saúde da Assembleia, Hércules Silveira (PMDB) aproveitou o período para fazer fiscalizações no Hospital dos Ferroviários em Vila Velha e o Hospital Infantil Nossa Senhora da Glória, em Vitória.
Desembargadora manda soltar advogado preso por postagens no Facebook
A desembargadora Eliana Junqueira Munhós Ferreira, do plantão judicial do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), determinou a libertação do advogado Gustavo Bassini Schwartz, que estava recolhido desde a última segunda-feira (13) no Quartel da Polícia Militar, em Maruípe, Vitória. Na decisão, a magistrada apontou ilegalidades na ordem de prisão do causídico, já que mesmo que ele fosse condenado pelas supostas ofensas contra juízes estaduais em função de postagens nas redes sociais, não teria de cumprir pena em regime fechado. “Parece-me que a mantença [manutenção] da prisão cautelar de um advogado militante, por quase uma semana, em estabelecimento inadequado e por crimes que, em possível sucesso da persecução penal, não imporão o acometimento de regime fechado, estiola [murcha] os princípios da homogeneidade das prisões cautelares e da proporcionalidade”, declarou a magistrada na decisão prolatada às 18h16 desse domingo (19). Com a decisão, o advogado deixou as instalações do quartel por volta das 6h30 desta segunda-feira (20). No pedido de habeas corpus, redigido, à mão, pelo próprio advogado e protocolado por uma pessoa que o visitou na prisão, Gustavo Bassini pedia, inicialmente, a sua libertação ou a concessão do direito do benefício da prisão domiciliar pela falta da Sala de Estado Maior no sistema prisional capixaba. Entretanto, a desembargadora Eliana Ferreira considerou que a prisão do advogado era ilegal. “Analisando o caso além da simplória petição elaborada a próprio punho pelo impetrante/paciente [Gustavo Bassini], entendo que a mera concessão de prisão domiciliar não se revelaria suficiente para espicaçar (combater) a ilegalidade contra a qual aquele se insurge. Isso porque, é de meu conhecimento que a ação penal em trâmite teve por pano de fundo publicações injuriosas na internet, supostamente veiculadas pelo advogado, em desfavor de juízes de Vila Velha”, observou. E prossegue: “Ora, ancorando-me nos princípios da homogeneidade das prisões cautelares e da proporcionalidade, entendo que somente deve ser mantido ou decretado o encarceramento preventivo se estiver em pé de igualdade com possível prisão a ser levada a efeito ao final do processo. Não é crível que o indivíduo presumido inocente, ressalvada hipóteses excepcionais, padeça situação mais grave do que a pessoa já condenada. Do contrário, estar-se-ia adotando tratamento não razoável, ao suprimir a liberdade de alguém a título de prisão cautelar se essa pessoa, ao fim do processo, não será encarcerada a título de prisão pena”. O advogado Gustavo Bassini havia sido preso no último dia 9 por ordem do juiz Eliazer Costa Vieira, da 3ª Vara Criminal de Vila Velha, pelo suposto descumprimento de medidas cautelares impostas pela Justiça em uma ação penal, na qual o advogado é acusado da adulteração da placa do seu veículo e a posse ilegal de arma de fogo. Na decisão, o juiz acolheu o pedido de prisão preventiva formulado por dois promotores do Ministério Público Estadual (MPES), que citaram trechos de postagens do advogado em redes sociais para justificar a expedição da nova ordem de prisão. Na ocasião, o juiz citou trechos de postagens do advogado em redes sociais (Facebook) para justificar a expedição do novo mandado de prisão. Gustavo Bassini também teria realizado uma viagem para fora do Estado, e até mesmo se envolvido em confusões em um bar, localizado na Mata da Praia, em Vitória, depois sas 22 horas, o que seria vedado pelas medidas cautelares expedidas pelo juízo, que obrigavam Bassini a não sair dos limites da Grande Vitória e circular nas ruas depois das 22 horas. No dia seguinte à prisão, o desembargador convocado Luiz Guilherme Risso, que estava de plantão do TJES, determinou a transferência do advogado para a prisão domiciliar por conta da falta da Sala de Estado Maior, como determina o Estatuto da Advocacia. Na última segunda-feira, o magistrado revogou a decisão anterior e determinou o novo encarceramento do advogado no quartel após o recebimento de informações do juiz Carlos Magno Moulin Lima, que figura como parte em processos movidos contra e pelo advogado. Nas peças de informação, o juiz Carlos Magno Moulin informou ao desembargador sobre “manifestações em redes sociais denegrindo a sua imagem e a do Poder Judiciário”. Mesmo sem relação com os autos do processo que culminou com a prisão, ele citou uma postagem de um instituto, que teria sido constituído pelo advogado, que se referia a uma “banda podre da Justiça a tentar escravizar nossas liberdades”. Por esse motivo, o desembargador plantonista entendeu que “a prisão domiciliar deu solução a um problema [a falta da Sala de Estado Maior], mas originou outro”. Na nova decisão, a desembargadora Eliana Ferreira reconheceu, além da ilegalidade da prisão, de que as instalações do quartel estão longe daquelas previstas na lei. “Entendo que o local em que se encontra recolhido o impetrante/paciente, por força da ordem de prisão cautelar, não cumpre a função de Sala de Estado Maior, notadamente se considerarmos tratar-se de cela engradada, na qual também se encontram recolhidos militares, que cumprem pena por crimes nos quais foram condenados. Tal situação, por si só, seria suficiente para a concessão da ordem em favor do impetrante/paciente, na medida em que não é razoável que seja ele penalizado pela ineficiência do poder público em não disponibilizar salas de Estado Maior, mesmo após passadas quase duas décadas da publicação da lei”, afirmou. A desembargadora Eliana Ferreira determinou ainda a intimação do juízo da 3ª Vara Criminal de Vila Velha para que preste informações sobre o caso, assim como os representantes do Ministério Público. Leia aqui a íntegra da decisão.
Reserva Particular do Patrimônio Natural Meu Cantinho foi a última a ser criada
Em 2013, a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Meu Cantinho, com 2,72 hectares (27.200 m²), localizada em Santa Teresa, na região serrana do Estado, foi reconhecida pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) e averbada em cartório, totalizando o número de 39 RPPNs em solo capixaba. Em 2013, foram publicadas em portarias do Iema no Diário Oficial a criação de outras cinco RPPNs que ainda aguardam averbação em cartório, são elas: RPPN Beija-Flor, com 33,34 hectares (333.400 m²); RPPN Dom Pedro, com 3,31 hectares (33.100 m²); RPPN Linda Sofia, com 3,76 hectares (37.600 m²); ; RPPN Olivio Daleprane, com 3,86 hectares (38.600 m²), e RPPN Palmares, com 17 hectares (17 mil m²). Dessas, apenas a RPPN Palmares, em Santa Maria de Jetibá, também na região serrana, não está localizada no município de Santa Teresa. A averbação em cartório dura, em média, 60 dias após a publicação da portaria. Devido a essa demora no processo, essas cinco reservas ainda não foram efetivamente criadas – o que quer dizer que os proprietários das terras ainda podem voltar atrás na decisão. Atualmente existem 39 RPPNs no Estado. Destas, 10 têm reconhecimento federal e 29 estadual, sendo que 25 são reconhecidas pelo Iema e três pelo Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf). O jornal Folha de S. Paulo publicou, em sua edição online, que o número de RPPNs em área de mata atlântica no Brasil aumentou 80% nos últimos dez anos, segundo levantamentos de ONGs ambientalistas. A matéria ainda aponta que a área somada dessas unidades ainda é menor que o município de São Paulo. No Espírito Santo, quatro RPPNs foram criadas de 1998 a 2004. De 2004 a 2013, foram criadas as outras 35 RPPNs, que completam o quadro. Essas reservas ocupam uma área de aproximadamente 4.300 hectares. A maior parte delas foi reconhecida nos anos de 2010 e 2011, sendo 11 RPPNs criadas em cada ano. Apenas duas reservas foram entre 2012 e 2013, uma em cada ano. As Reservas Particulares do Patrimônio Natural são um instrumento de preservação ambiental estabelecido em áreas privadas a partir da iniciativa do próprio produtor rural. A criação da RPPN não pode ser revertida. O Iema comunicou que, entre 2010 e 2011, problemas referentes ao material cartográfico apresentado por alguns proprietários rurais começaram a ser solucionados com auxílio técnico do instituto, e por isso houve esse aumento. O Iema também informou que publicará em breve uma Instrução Normativa que irá melhor orientar os produtores rurais, que ainda têm dificuldades com essa questão, com relação à elaboração do material cartográfico. Atualmente, o município que mais concentra reservas particulares é Afonso Claudio, na região serrana do Estado, que possui um total de oito RPPNs. Os municípios de Santa Teresa, Iúna e Santa Leopoldina possuem, respectivamente, três RPPNs. Segundo a analista ambiental Silvia Sardemberg, responsável pelos processos de RPPNs no Iema, há uma situação única no Estado, que é a das RPPNs Águas do Caparaó e Cachoeira Alta, que são localizadas na área de amortecimento do Parque Nacional do Caparaó e contribuem para a preservação do bioma local.
Iriny reafirma disputa à reeleição e manda recado para o mercado
A deputada federal Iriny Lopes utilizou as redes sociais para mandar um recado para os meios políticos sobre a eleição deste ano. A petista reafirmou que vai disputar a reeleição `Câmara em outubro próximo e deixou transparecer que há forças atuando para que ela não dispute. “Apesar de muitos quererem resolver por mim. Afirmo que continuo na luta e firme para me manter em Brasília em 2014”, disse a deputada no Twitter e no Facebook. A mensagem enigmática provocou leituras diferentes nos meios políticos. Para algumas lideranças, o recado foi para dentro do próprio partido. Com uma chapa pesada para a disputa proporcional, haveria interesse de que a deputada desistisse da disputa para aliviar a tensão entre os colegas que também almejam uma cadeira na Câmara. Além de Iriny, estão cotados para concorrer a uma vaga na Câmara, o vice-governador Givaldo Vieira e o secretário de Assistência Social e Direitos Humanos Hélder Salomão. O PT nas últimas eleições tem conseguido uma vaga no plenário, justamente a que deputada Iriny Lopes. Além dos outros nomes do PT na disputa, há o interesse dos partidos aliados. A disputa para a Câmara promete ser bastante acirrada e não haveria espaço para todos, por isso a pressão. Neste sentido, o problema de saúde da deputada, que recentemente fez operação nos olhos, vem sendo usado como um subterfúgio para lançar no mercado político a incerteza sobre sua participação no pleito. Internamente, a intenção parece ser a de tirar do pleito os integrantes da corrente Articulação de Esquerda. Isso porque, além do cerco à reeleição de Iriny Lopes, a senadora Ana Rita Esgário também não terá direito à reeleição. Como o presidente do partido João Coser tem interesse na vaga, a parlamentar terá que escolher outro espaço. Para garantir a participação de Iriny na disputa federal, Ana Rita pretende disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. Outro integrante da Articulação que vem sendo colocado fora do pleito é o deputado Claudio Vereza. O parlamentar já vem falando em talvez não disputar a reeleição para o sétimo mandato na Assembleia, mas ainda não há definição sobre seu futuro político.
Obras de drenagem pretendem diminuir alagamentos em Goiabeiras
A Prefeitura de Vitória iniciou uma obra para trocar a rede de drenagem no bairro Goiabeiras. Com a intervenção a prefeitura pretende diminuir a ocorrência de alagamentos na região e facilitar o escoamento da água das chuvas. A rede de drenagem de 120 metros está sendo ampliada de 200 para 400 milímetros de diâmetro. A Secretaria Municipal de Obras (Semob) executará os trabalhos na rua Desembargador Cassiano Castelo até o final deste mês. As obras estão dentro do prazo estipulado e ocorrem entre as ruas Jerônimo Vervolet e Arnaldo Moreira de Oliveira, em Goiabeiras. A Prefeitura de Vitória está fazendo a troca de manilhas estragadas que sofreram danos em consequência das intensas chuvas do final de dezembro. Os motoristas devem ficar atentos às alterações no trânsito enquanto durarem as obras.
Peritos papiloscópicos realizam manifestação nesta terça-feira
Os peritos papiloscópicos do Estado iniciam nesta terça-feira (21) uma série de manifestações semanais cobrando melhorias para a categoria, como realização de concurso público e autonomia da Superintendência de Polícia Técnico-Científica (SPTC). A realização das manifestações foi deliberada em assembleia dos peritos, convocada pela Associação dos Peritos Papiloscópicos do Estado (Appes), realizada na sexta-feira (17). Durante as manifestações, os peritos vão se concentrar na porta do Departamento de Identificação, das 8 às 18 horas, que funciona na Chefatura de Polícia. Os profissionais vão definir, a cada mobilização, em qual seção do Departamento de Identificação será realizada a operação “cumpra-se a lei”, que consiste em, durante uma semana corrida, cumprir estritamente o que determina a legislação. A defasagem do cargo é tão grande que essas seções não terão condições de funcionar se a lei for cumprida integralmente pela categoria. Os peritos reivindicam a realização imediata de concurso público para o cargo. A defasagem de profissionais pode fazer com que o departamento entre em colapso. Além disso, pedem que o cargo seja incluído isonomicamente na lei estadual 756 – que dispões sobre as circunscrições da Polícia Civil – e no projeto de lei sobre a autonomia da SPTC. A categoria também decidiu que será realizada uma campanha nos meios de comunicação com o mesmo mote da do governo do Estado, que promove o programa Estado Presente, mostrando o que deve ser feito em prol do cargo para que o programa seja bem sucedido, e não apenas uma propaganda que em nada contribui para diminuir a violência. Segundo a Appes, os peritos papiloscópicos querem que o diálogo prevaleça para resolver os problemas, mas vão lutar firmemente contra o tratamento desigual que tem sido imposto à categoria.
Aumento do preço da passagem de ônibus na pauta de entidade de prefeitos
Passados quase seis meses após as manifestações populares que tomaram as ruas das principais cidades do País por melhorias no transporte público, a discussão sobre o preço das tarifas de ônibus voltou à baila. Após o recuo no aumento das passagens anunciadas no ano passado, a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) defende abertamente um reajuste imediato no valor das tarifas. A entidade pede a ampliação dos subsídios governamentais às empresas do setor como uma forma de financiar a manutenção dos serviços, mesma fórmula adotada para “congelar” as tarifas do Transcol. Em reportagem publicada no jornal Valor Econômico, o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, avaliou que as “cidades não têm dinheiro e as empresas já tiveram arcar com a redução” em 2013. “Ou o governo federal dá subsídio, ou os prefeitos não vão ter como fugir do aumento”, afirmou o dirigente municipalista, que pede a ampliação das desonerações ao setor de transporte coletivo. No informativo distribuído este mês, a Frente Nacional de Prefeitos (FNP) diz que o aumento das passagens é uma necessidade. “Não há dúvidas de que a situação da mobilidade urbana no país precisa ser tratada por todas as esferas de governo e não apenas pelos municípios, como se o problema fosse apenas local”, diz o texto. Entretanto, o governo Federal não pretende ampliar a ajuda aos municípios. No ano passado, a presidente Dilma Rousseff zerou a cobrança de PIS e Cofins sobre o faturamento do setor, medida que permitiu uma pequena redução nas tarifas. Na época, a medida garantiu um alívio para os agentes políticos diante dos protestos de junho. No Estado, a tarifa do Transcol caiu de R$ 2,55 para R$ 2,50, enquanto o valor das linhas municipais de Vitória caiu de R$ 2,50 para R$ 2,45. A FNP defende a aprovação do Regime Especial de Incentivos para o Transporte Coletivo Urbano e Metropolitano de Passageiros (Reitup) pelo Congresso Nacional. O pacote garante novas desonerações ao setor e chegou a ser defendido pelo governo, que depois retirou o seu apoio. De acordo com o Valor, a discussão sobre o assunto deve movimentar a pauta das eleições nacionais e estaduais. A reportagem citou a decisão do governo paulista, que congelou a tarifa de metrô e trem até dezembro, segundo fontes. No Espírito Santo, o assunto também permeia a classe política local. Neste mês, o governador Renato Casagrande anunciou a manutenção dos valores do pedágio da Terceira Ponte, outro alvo dos protestos, e das tarifas do Sistema Transcol. Apesar de negar qualquer relação entre a decisão ter sido tomado durante o ano eleitoral, o socialista – que deve ser candidato à reeleição – deve evitar maiores desgastes com as redes sociais, na avaliação dos bastidores. Antes do anúncio do congelamento das tarifas, os principais grupos envolvidos nos protestos já articulavam a realização de novos atos. A questão não é exclusiva aos municípios da Grande Vitória. Nos municípios-polo do interior do Estado, como Colatina (região norte) e Cachoeiro de Itapemirim (região sul capixaba), o aumento no valor das tarifas também repercute entre a população. Em Guarapari, a discussão gira em torno da cobrança na outra praça de pedágio da Rodovia do Sol (ES-060), que ficou de fora dos limites da decisão judicial que decidiu pela redução da cobrança do pedágio na ponte. Os dois trechos são administrados pela mesma concessionária.