Os fãs de Rita Lee conhecem o humor de sua estrela. Ao longo dos anos, se acostumaram com as histórias desbocadas e surpreendentes que Rita conta em sua página do Twitter. São narrativas cômicas, ternas, tristes, biográficas, melancólicas, críticas, ferrenhas, raivosas e doces, às vezes tudo isso numa mesma história – ou numa mesma frase. Já Laerte muitas vezes não precisa de frases. Seu estilo, tão icônico e marcante quanto uma canção de Rita, atravessou gerações se renovando com frescor e graça. Seja nas tiras, nas histórias longas ou nas ilustrações, os desenhos de Laerte carregam personalidade, humor, drama e política, com doses de filosofia e metafísica. A imaginação de Rita Lee. O traço de Laerte. Storynhas marca o encontro desses grandes artistas, numa obra inusitada e escandalosamente divertida. Criado a partir dessas mini-histórias, Storynhas é um divã aberto para o pensamento anárquico, filosófico e deslumbrante da cantora. Serviço Storynhas Rita Lee Compahia das Letras 96 páginas R$ 33 em média
Sejus substitui empresa acusada de fornecer comida estragada a presos
A Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) formalizou nessa sexta-feira (10) a contratação emergencial das empresas Alimentares Refeições Ltda e Sabor Original Alimentação e Serviços Ltda para o fornecimento de refeições em duas unidades prisionais que eram atendidas pela Viesa Alimentação. A medida atende a uma determinação da Justiça estadual, que suspendeu os contratos com a empresa acusada de fornecer refeições estragadas para os presos. Os novos contratos têm vigência de 180 dias, com custo estimado de R$ 2,08 milhões. Os avisos de dispensa de licitação foram assinados pelo ex-secretário da Justiça, Sérgio Alves Pereira, que deixou o cargo no mesmo dia (10). De acordo com as publicações, a empresa Alimentares Refeições será a nova fornecedora de alimentação aos internos do Centro de Triagem de Viana (CTV) ao custo de R$ 958 mil, enquanto a empresa Sabor Original vai prestar o mesmo serviço na Penitenciária Feminina de Cariacica (PFC) pelo valor de R$ 1,13 milhão. Os contratos já estão em vigor desde sábado (11). O ex-titular da Sejus ressaltou nos avisos que a contratação se deve à liminar concedida em uma ação civil pública movida pela Ordem dos Advogados do Brasil no Estado (OAB-ES) e pelo Ministério Público Estadual (MPES). No processo, as instituições apontam uma série de irregularidades no fornecimento das “quentinhas” pela Viesa às presas no Centro de Detenção Provisória Feminina de Viana (CDPFV). Segundo o relato das detentas, foram encontraram pedaços de plástico e de vidro, madeira, sacolas plásticas, e até insetos dentro das marmitas fornecidas pela empresa. Com base neste relatório, o MPES determinou que a vigilância sanitária fizesse uma inspeção nas instalações da Viesa, que resultou na emissão de autos de infração, apreensão e em interdição das câmaras de resfriamento, congelamento e do depósito de alimentos secos. Na dispensa de alimentos, foram encontradas fezes de ratos e embalagens plásticas com avarias provocadas pelos roedores, além de latas amassadas e oxidadas. Nas câmaras, havia produtos acondicionados sem informações quanto aos prazos de validade e de fabricação, além de danos físicos nos equipamentos. Na decisão liminar prolatada no último dia 12 de dezembro, a juíza da 2ª Vara da Fazenda Pública Estadual, Heloisa Cariello, confirmou a existência de irregularidades decorrentes da má prestação de serviço por parte da Viesa. “Como o fato do direito à alimentação ser fundamental para a vida do ser humano, tenho, em uma análise perfunctória (à primeira vista), que o pedido de suspensão da execução dos contratos firmados entre os requeridos deve ser deferido”, entendeu. A magistrada também determinou a escolha das empresas entre as cinco últimas vencedoras de licitações da Sejus. A decisão liminar também obriga a realização de nova licitação para o fornecimento de refeições para as duas unidades prisionais antes do término dos contratos emergenciais, que não poderão ultrapassar o prazo máximo de 180 dias.
Grupo SOS Ambiental quer ampliar frentes de luta este ano
Após um 2013 de muita luta mas de pouco resultado pelo estabelecimento de uma legislação que regulamente a qualidade do ar na Capital, o Grupo SOS Espírito Santo Ambiental, que reúne entidades ambientalistas como a Federação da Associações de Moradores e Movimentos Populares do Espírito Santo (Famopes), o Conselho Popular de Vitória (CPV) e a Associação Nacional Dos Amigos do Meio Ambiente (Anama), pretende expandir as frentes de luta este ano. O grupo pretende se concentrar em questões como o avanço intenso de instalações portuárias no litoral capixaba e a dragagem do Canal dos Escravos. Esta última já gerou o abandono de membros do grupo a uma reunião, que aconteceu na última quinta-feira (9), que não possuía os documentos e registros necessários para uma avaliação coerente sobre a proposta de licença para a dragagem proposta pela Prefeitura de Vitória. Segundo os militantes, o grupo tem como uma de suas metas a elaboração de um padrão de emissões por meio do Grupo de Trabalho Interinstitucional (GTI) Respira Vitória, nova legislação já proposta e acordada entre os membros do GTI nas últimas reuniões do ano passado, antes que o decreto municipal da qualidade do ar fosse modificado pelo decreto estadual sobre o mesmo tema. Nessa última semana, o SOS Ambiental comunicou, em sua página no Facebook, que não enviará os DVDs mensais com imagens de emissões das empresas poluidoras da Ponta de Tubarão – Vale e ArcelorMittal – ao governo do Estado, à Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Seama) e ao Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema). O trabalho já era feito há anos. Os ambientalistas informam que as denúncias perderam sua função com a liberação do padrão de 14 g/m² por mês para as Partículas Sedimentáveis (ou o famoso pó preto), estabelecido no Decreto nº 3463-R de 16 de dezembro de 2013, o decreto estadual da qualidade do ar. Eles definiram que, com isso, estão “de mãos algemadas”. Este decreto deveria ter tido como base a elaboração do relatório final do GTI Respira Vitória. De fato, os números repetem a maioria dos estipulados durante as discussões na Capital, entretanto, não definem prazos para que sejam atingidos os padrões intermediários e finais. Muito menos estabelecem compromisso das responsáveis pela poluição do ar na Grande Vitória. Os padrões do GTI já não haviam sido satisfatórios. Após diversas propostas de redução de valores vindas da sociedade civil, estabeleceu-se que a primeira meta para as Partículas Sedimentáveis – o pó preto – ficaria nos 14 g/m² por mês, e que este valor seria revisado no prazo de um ano, com valores para cada estação de monitoramento da qualidade do ar da Capital. No decreto estadual, não há nem previsão para o estabelecimento dos novos padrões. O padrão de 14g/m² por mês é quase o dobro da média por metro quadrado mensais já registrada na estação de monitoramento da qualidade do ar da Ilha do Boi (Hotel Senac) nos últimos quatro anos de medições, e chega a ser 62% maior do que a atual média da estação do Centro de Vila Velha. Isso significa que a quantidade de pó preto nas residências da Capital, e não só, mas também de toda a Grande Vitória, pode praticamente dobrar, sem que haja qualquer tipo de punição, restrição ou compensação à população. Pelo contrário, o decreto representa a licença para que as empresas passem a poluir ainda mais. Entre os membros da Câmara Técnica de Políticas do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema), que aprovou a minuta do decreto, somente Eraylton Moreschi Junior, representante da Federação da Associações de Moradores e Movimentos Populares do Espírito Santo (Famopes) e membro do SOS Ambiental, votou contra a proposta. Entre a sociedade civil, representada nos trabalhos do GTI Respira Vitória pela Famopes e o grupo SOS Espírito Santo Ambiental, predominam críticas não só em relação ao decreto, que anulou questões estabelecidas consensualmente entre os movimentos sociais, empresas e poder público, em quase um ano e meio de debates do GTI, mas também sobre a omissão do secretário executivo do grupo, o vereador de Vitória, Serjão Magalhães (PSB). Embora tenha acompanhado as discussões com o governo do Estado e as promessas da secretária de Estado de Meio Ambiente, Diane Rangel, ele não questionou as mudanças. Para as entidades, deveria prevalecer o texto construído pelo GTI, que já não era o ideal. Posteriormente, os ambientalistas evidenciam em uma moção de repúdio que as metas e padrões do decreto “atendem aos interesses das poluidoras da Ponta de Tubarão – ArcelorMittal e Vale -, em afronta ao cidadão capixaba e à sociedade civil organizada, que vem “deixando bem claro ao governador de suas proposta e necessidades para garantia da saúde e qualidade de vida; propostas estas que foram aprovadas por unanimidade pelas instituições componentes do GTI Respira Vitória”.
CNJ rejeita mudança no edital do concurso público para cartórios no ES
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) rejeitou nessa sexta-feira (10) um pedido de mudanças no edital do concurso publico de ingresso nos cartórios do Tribunal de Justiça do Estado (TJES). Na ação, o candidato Mauro Pereira da Silva questionava o peso dos erros de português na aferição da nota final da prova escrita. No entanto, o conselheiro Saulo Casali Bahia, relator do processo, determinou o arquivamento imediato do caso sob alegação de que a pretensão era “nitidamente extemporânea e de caráter individual”. Na decisão, o conselheiro lembrou que o resultado da correção das provas foi divulgado no mês de julho do ano passado e a queixa só foi protocolada quase cinco meses depois, em dezembro último. Saulo Bahia citou uma decisão anterior do CNJ, que fixou o prazo de 15 dias para a impugnação dos editais de concursos. “Não se vislumbra, portanto, ilegalidade perpetrada pelo órgão executor do concurso, a ensejar a intervenção deste Conselho”, completou. Apesar de não haver necessidade do exame do mérito do caso, o relator indicou que o próprio órgão de controle já se manifestou favoravelmente à inclusão do domínio da Língua Portuguesa no novo concurso para cartórios do TJES. Na ação, o candidato entendia que a fórmula de cálculo da nota das provas escritas deveria ser alterada por conta da exigência se sobrepor à “demonstração de conhecimento técnico-jurídico”. Ele citou como exemplo a possibilidade de um candidato que tenha alcançado a nota máxima na parte técnica ter sua nota zerada por conta dos erros de português. Nos autos do processo, o candidato Mauro Pereira da Silva chegou a apresentar o pedido de suspensão liminar do concurso. Ele também sugeriu a aplicação de uma nova correção “com aplicação de um limite pré-fixado para erros de português”, pleito que também foi negada pelo relator do processo. A decisão monocrática do conselheiro não cabe recurso, de acordo com o Regimento Interno do CNJ. O número da ação é 0007603-03.2013.2.00.0000.
Governo regulamenta concessão de adicional por insalubridade a trabalhadores da saúde
O governo do Estado regulamentou concessão do adicional por insalubridade aos trabalhadores da área de saúde, que exerçam atividades diretamente na Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) ou em processo de municipalização, desde que vinculados à Sesa e remunerados por subsídio ou vencimento. Os trabalhadores chegaram a fazer uma greve em novembro de 2013 cobrando o pagamento do adicional. O Sindicato dos Trabalhadores da Saúde (Sindsaúde-ES) conseguiu, depois de negociar com o governo, que os trabalhadores recebam, ainda em janeiro deste ano, o pagamento da insalubridade com valor retroativo que não foi paga desde julho de 2012, em parcela única; que os trabalhadores do antigo Instituto Estadual de Saúde Pública (Iesp) não sejam excluídos da insalubridade, assim como os trabalhadores municipalizados; e que a insalubridade seja paga de acordo com a atividade do trabalhador e não de acordo com o cargo. Além de cobrar o pagamento da insalubridade, os servidores também reivindicavam correções na modalidade salarial do subsídio; melhores condições de trabalho; salários dignos; fim dos assédios moral e sexual; fim da política de privatização dos hospitais públicos. Considera-se insalubre o trabalho realizado em contato com portadores de moléstias infecto-contagiosas ou com substâncias tóxicas, poluentes e radioativas ou em atividades capazes de produzir sequelas. O adicional de insalubridade será concedido somente após realização de laudo técnico de insalubridade, que determinará o grau e o respectivo percentual a ser pago ao trabalhador.
Depois da chuva, é hora de arregaçar as mangas; mas onde está todo mundo?
Nerter Samora e Renata Oliveira Após as tormentas de dezembro, muita gente quis aparecer na foto para mostrar que está “trabalhando” na reconstrução do Estado. Mas, na prática, há muita encenação e pouco trabalho. Papo de repórter analisa as movimentações políticas das lideranças que tentam capitalizar com a tragédia. Renata – No dia 27 de dezembro, em meio ao caos causado pela chuva, uma reunião no Palácio Anchieta colocou lado a lado os nomes cotados para a disputa ao governo do Estado este ano. Lá estavam, além do governador Renato Casagrande, o ex-governador Paulo Hartung e o senador Ricardo Ferraço, os dois nomes do PMDB que podem disputar com Casagrande ao lado do PT; e também o senador Magno Malta (PR), que pode se apresentar como o candidato de oposição. Passada a chuva e dado início ao Plano de Reconstrução do Estado, nem todo mundo tem aparecido na foto, não é? Nerter – O senador Ricardo Ferraço chegou a provocar polêmica na bancada, dizendo que os membros do grupo deveriam destinar todas as suas emendas para os estragos da chuva. Ele estava lá na reunião, mas no início da semana estava em Cingapura. A convite do governo de lá, foi conhecer os portos do país. Nada contra a viagem, mas foi um desfalque na comitiva do governador em Brasília para dividir a conta do prejuízo. O ex-governador Paulo Hartung andou dando entrevistas (Record News ES), falando em união, em momento difícil, mas e de prático? Se ele anda de amores com o governo federal, agora que é favorito do PT nacional para encabeçar chapa contra Casagrande, poderia fazer dar uma forcinha na negociação. Magno Malta, pelo menos, está aparecendo. Renata – Engraçado que quem está junto agora deve ficar separado na eleição, como é o caso do Malta e do Casagrande e quem está separado, quer recompor a unanimidade. Por falar em entrevistas de Hartung, ele continua fazendo aquilo no qual é mestre: postergar decisão para confundir o mercado político. Assim como o governador Renato Casagrande, Hartung diz que só vai falar em eleição em maio ou junho, quando começarem as convenções partidárias. Enquanto isso, a classe política vai tentar adivinhar qual caminho o ex-governador vai tomar para, dependendo da situação, pode se acomodar. Nerter – Se por um lado algumas figuras sumiram da foto, por outro, o que teve de gente querendo aparecer nessa história na Assembleia não está no gibi. As sessões extraordinárias de terça e quarta-feira foram palco de um festival de justificativas. Os deputados tentaram prestar contas de onde estavam na hora da chuva. A gente até entende que não dava para saber porque a Assembleia não estava funcionando e se eles fossem aparecer na hora da chuva, ao lado do governador, também ficaria parecendo oportunismo. Mas falar disso agora, também ficou parecendo, então é difícil saber o que eles deveriam fazer. O fato é que a crise de representatividade dos deputados estaduais é tão grande que independentemente da posição deles, ela é rejeitada pela população. Renata – É verdade. Isso cria situações complicadas na Casa. Por exemplo, no que diz respeito à oposição. O deputado Euclério Sampaio (PDT) pode até capitalizar com sua postura contra tudo e contra todos, mas não tem um discurso que abale o governo. Ao chegar na Assembleia em uma posição de fragilidade, o deputado Paulo Roberto (PMDB) vem ocupando aos poucos esse espaço. Digo de fragilidade porque além de suplente, ele está no gigantesco PMDB, então encontrar um espaço para disputar a eleição, ainda mais em São Mateus, onde o colega Freitas (PSB) tem o Palácio Anchieta do seu lado, vai ser muito difícil na base governista. Nerter – Sim. E não se pode dizer que Paulo Roberto faz uma oposição ruim. Começou a construir um discurso de fiscalizador de brechas em projetos do governo que incomoda. Sua identidade com o ex-governador Paulo Hartung, de quem foi líder do governo, facilita o encaixe de um discurso de oposição. Mesmo assim vai ter muita dificuldade na eleição deste ano, justamente por estar numa legenda muito pesada. Mas também na Assembleia a lotação não foi esgotada. Alguns deputados não apareceram para votar os projetos de reconstrução do Estado, enviados pelo governador, que foi pessoalmente à Casa detalhar o projeto para a mesa diretora. Renata – Aliás, o que Casagrande mais fez esta semana foi explicar o plano de reconstrução. Se reuniu com a imprensa, com os deputados estaduais, com os prefeitos e ministros, em Brasília. Ligou para a bancada federal para buscar apoio na pressão. O governador não parou esta semana. E mostrou que está ficando esperto. Além de tratar de dar respostas rápidas sobre a questão da chuva, ainda apagou dois princípios de incêndio. O primeiro em relação à tarifa da Terceira Ponte, que ele fez questão de abafar ainda na segunda-feira. E no meio da semana, minou o movimento que tomava corpo nas redes sociais, com a possibilidade de reajuste da tarifa do Transcol. Anunciou o congelamento até a licitação do novo contrato. Nerter – Tudo que Casagrande não precisava neste momento era de uma nova manifestação. Depois de recuperar os 20 pontos percentuais de aprovação perdidos nos meses de junho e julho, o governador vem construindo a imagem de homem do interior. Imagem construída socorrendo os prefeitos que, se antes estavam em crise, hoje estão em desespero. Esse é o ponto que vai definir a eleição deste ano: a capacidade do governo do Estado em recuperar o que foi arrasado pela chuva. Isso também deve definir o número de palanques eleitorais que teremos na eleição. Eu entendo essa distância segura que o ex-governador vem mantendo do processo. Se Casagrande se queimar ele não estará tão perto para sair chamuscado se ele for bem, Hartung poderá avaliar se vale a pena enfrentá-lo ou se será melhor se unir ao governador para compartilhar do momento positivo. Renata – Com certeza a evolução do problema vai definir a eleição. Casagrande se antecipou,
Ex-prefeitos tucanos devem disputar a Câmara dos Deputados
Duas estrelas tucanas de primeira grandeza que vão disputar a eleição deste ano são os ex-prefeitos de Vitória, Luiz Paulo Vellozo Lucas, e de Vila Velha, Max Filho. Apesar dos conselhos de lideranças políticas de que o melhor caminho para ficarem mais próximos de seus eleitores seria a disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa, a tendência é de que os dois disputem a Câmara dos Deputados. Os tucanos acreditam que terão legenda suficiente para garantir duas cadeiras na Câmara dos Deputados. Mas para os meios políticos a manobra é arriscada. A chapa além dos dois prefeitos tem ainda o atual deputado federal Cesar Colnago e caso, a candidatura ao governo do Estado do ex-prefeito de Colatina Gueirno Balestrassi não vingue, ele também pode se apresentar para disputar a proporcional. Para os meios políticos, Max Filho pode ser beneficiado para a disputa de 2016 no município de Vila Velha, se o atual prefeito Rodney Miranda (DEM) continuar tomando decisões que o tem levado a desgastes políticos constantes. Por isso, ele vem sendo aconselhado por aliados disputar eleição para a Assembleia Legislativa, já que estaria assim mais próximo de seu eleitorado e com a tribuna da Casa à disposição para disparar contra os adversários. Já o ex-prefeito de Vitória é assediado em dois sentidos. De um lado, estão os que entendem que ele teria também que seguir o caminho da estadual, pelos mesmos motivos de Max Filho. Mas há também o grupo que quer convencer o tucano a se candidatar ao Senado. Esse grupo, que é ligado ao ex-governador Paulo Hartung (PMDB), quer evitar que o PSDB lance a candidatura do coronel Sérgio Aurich, desafeto do ex-governador, que mantém influência sobre o partido tucano. Luiz Paulo, porém, não vai em nenhum dos dois lados. Já está convencido da candidatura de Aurich e também não quer disputar uma cadeira na Assembleia. Mas a disputa à Câmara dos Deputados será uma empreitada difícil para o ninho tucano. O partido perdeu um de seus principais aliados, o PPS e está na iminência de perder o DEM. Por isso, vai precisar de uma votação muito vigorosa para conseguir atingir seus objetivos.
Vale quanto custa?
Gastar todo mundo gasta, ou já morreu. Uns mais outros menos, que as variações em qualidade e quantidade são infinitas. E porque no Brasil de repente os preços subiram a níveis de primeiro mundo, os aviões voam superlotados para Miami, onde tudo é baratim, baratim. Nos shoppings e restaurantes da moda, a língua mais ouvida é nosso familiar português, pois os residentes andam apertando o cinto. Mesmo assim, não frequentam a Ross, paraíso da brasileirada alvissareira. Mas temos mesmo os preços mais altos do planeta? Os economistas que se debruçam sobre as variações mundiais de preços usam Nova York como base para o cálculo internacional, com o valor 100. Seguindo esse parâmetro, Zurique com 137 é hoje a cidade mais cara do mundo, desbancando Tóquio, que sempre foi a campeã e caiu para o segundo lugar, com 135. Entre as dez primeiras temos surpresas como Luanda e Caracas. Para consolo da plebe, pegamos o 258 ? lugar na listagem dos países mais caros, e São Paulo tem o honroso 31? lugar entre as cidades com custo de vida mais alto. Como vão as coisas mundo afora? Uma calça Lee custa 350,00 em Basel, na Suíça; 320,00 em Punta del Este; 310,00 em Caracas; 75,00 em Miami. O preço médio de um autêntico Nike em Zurique é 350,00; em Caracas, 300,00; em Florianópolis, 200,00; em Miami, 80,00. Naturalmente, os preços dependem de onde você faz suas compras. Se você está usando as academias de rua (mesmo não sendo terceira idade) porque a mensalidade dos templos da boa forma subiu demais, console-se – em Lausane, Suiça, você pagaria 250,00; em Paris, 210,00; em Caracas, 200,00; em Dubai, 95,00; em Miami, 70,00. Indo ao cinema para ver o mesmo filme, você paga 220,00 em Riyad, na Arábia Saudita; 40,00 em Genebra; 33,00 em Londres e Tóquio; 25,00 em Nova York; 23,00 em Beijing. O salário médio em Berna, Suíça, é 12.500,00; em Nova York, 7.500,00; em Paris, 6.200,00; em Miami, 3.000,00. E o nosso? As variações salariais são pequenas nos países do primeiro mundo e absurdamente injustas no Brasil – se a média salarial entre o Dr. Político e o Zé Professor é de 120.000,00/mês, não quer dizer que o Zé não está passando fome. E tem a conta do celular nosso de toda hora – o minuto custa 2,10 em Bilbao, Espanha; 1,80 em Sydney; 0,15 em Miami. A taxa de consumo dos Estados Unidos é 31% mais alta que a do Brasil e o aluguel é 74% mais caro, mas o poder aquisitivo do americano é 208% maior que o do brasileiro. Comparando: o aluguel de um apartamento dois quartos custa 4.000,00 em Genebra; 5.000,00 em Nova York; 4.500,00 em Hong Kong; 3.000,00 em Caracas. Com toda essa diferença de preços, por que os aviões que chegam a Miami vindos de Tóquio, Moscou, Londres ou Zurique não estão sempre superlotados de ávidos compradores?
Até quando?
A primeira semana de 2014 evidenciou um quadro sério de restrição orçamentária e administrativa em grande parte dos municípios engolidos pelas chuvas. Como mostrou o Blog Estadão Dados, no Espírito Santo, apenas seis municípios arrecadam mais que gastam; as demais contas estão todas no vermelho. Se não há recurso próprio para se recompor da destruição das águas, também não há pessoal qualificado para elaborar projetos para liberação de recursos, o que levou os governos do estado e federal a ceder técnicos para auxiliar as prefeituras nessa missão. A questão que fica é: até quando as prefeituras aceitarão essa dependência? Inteligência A Escola de Serviço Público do Espírito Santo (Esesp) vai pagar R$ 390 mil à Universidade de Vila Velha (UVV) para realizar um curso de mestrado profissional em segurança pública com duração de dois anos. Se o curso servir para, por exemplo, abrandar a violência com que a Segurança Estadual de Segurança Pública (Sesp) reprimiu os protestos do ano passado em Vitória, está tudo ok. Vitrine Não tem escapatória: o gracejo da semana foi, sem dúvida, o seminário para debater prevenções de enchentes que a Assembleia Legislativa se propôs a realizar. Em pleno ano eleitoral, como muitos parlamentares de olho na reeleição, vai ou não vai ser um auê? Enigma Há um mistério em torno dos próximos passos do deputado estadual Cláudio Vereza (PT), que pode não se candidatar às eleições deste ano, após seis mandatos na Assembleia Legislativa. Mas na última audiência da série que ele promoveu para debater o pó preto, o deputado disse em alto e bom som, nos microfones do plenário, que não iria se candidatar. Vai ou não vai? Alma elevada A ONG empresarial Espírito Santo em Ação tem um coração do tamanho do mundo, como se vê na nota que publicou em jornais impressos dessa sexta-feira (10), ressaltando a nobreza de seus associados na ajuda às vítimas das chuvas no Estado. Quem vê, até pensa. Céus! Vila Velha não vive exatamente um marasmo cultural. Foram realizadas ações aqui e ali, como o Noites Capixabas, o Terça Cultural, o Lazer na Orla, entre outros. Mas é para lá de questionável o valor de R$ 250 mil que a Prefeitura de Vila Velha injetou no Jesus Vida Verão, que começou quarta (8) e termina neste sábado (11). Quando vemos a situação do teatro municipal, hoje uma edificação em frangalhos, essa grana fica ainda mais questionável. Terceira Ponte A Rodosol avisa que, a partir desta segunda-feira, (13), será dado prosseguimento ao plano de manutenção preventiva programada na Terceira Ponte. Uma intervenção parcial, para instalação da nova chapa de transição da ponte, será realizada das 22h às 6h. Durante os serviços, a pista de rolamento será parcialmente interditada. A previsão inicial é de que o serviço seja executado em cinco dias. Retorno O primeiro dia de funcionamento integral do restaurante natural Sol da Terra, nessa sexta-feira (10), foi corridíssmo. A direção do restaurante confirmou uma expectativa: serão precisos mais funcionários para atender à demanda. O Sol da Terra agora funciona no Hortomercado (Enseada do Suá, Vitória), de segunda a segunda, para almoço e janta. 140 toques “Em Ecoporanga, no norte, agora. Tudo é festa ao lado de @eniobergoli e @EvairdeMelo. Mais desenvolvimento rural para Córrego da Laje”. O deputado estadual Josias da Vitória (PDT) cometendo gafes no twitter. Alto lá, excelência. Nem tudo é festa em Ecoporanga. Ou o senhor esqueceu que Ecoporanga foi um dos municípios mais atingidos pelas chuvas, decretando até situação de emergência, reconhecida pelo governo federal? Pensamento “Só se guarda segredo daquilo que não se sabe”. Tancredo Neves
No vermelho
Desde que os prefeitos eleitos em 2012 tomaram posse em janeiro de 2013, a maioria vem repetindo em coro o mantra da crise. Durante todo o ano, o governo e a população ouviram a mesma ladainha da falta de recursos em caixa, da perda dos recursos federais, das dívidas deixadas pelas administrações passadas. Mas o mapa do endividamento dos municípios, mostrados pelo blog Estadão Dados, esclarece em números o tamanho da crise. Com apenas seis municípios gerando mais receitas em impostos do que gastos, o Estado passa por uma situação delicada. Rombo para uns, oportunidade para outros. Muito espertamente o governador Renato Casagrande entendeu que este poderia ser o caminho mais simples para construir uma marca para seu governo, pavimentando assim sua campanha de reeleição. Como o problema dos prefeitos era dinheiro, ele montou um colchão confortável de investimento e ajuda de custeio para socorrer os prefeitos em crise. O endividamento é um tema recorrente na Associação dos Municípios do Estado (Amunes) e revela o grau de dependência em relação aos governos federal e estadual. Essa dependência cria uma relação que não é saudável nem para o Estado, nem para os municípios. A autonomia das cidades parece ser um sonho distante no Espírito Santo. Mais do que ficar enchendo os pires dos prefeitos, o governo precisa acelerar o processo de descentralização do desenvolvimento, incentivando a atração de investimentos para além da Grande Vitória. Mas isso não deve ser entendido também como uma licença para fazer o que quiser. São justamente o crescimento desordenado, as concessões de terrenos em áreas de proteção ambiental e a poluição que contribuem para desastres como o que aconteceu com as chuvas fortes do fim de 2013. Responsabilidade fiscal, sustentabilidade ambiental e autonomia financeira são os caminhos que devem ser trilhados para que os prefeitos que assumiram os mandatos em 2013 possam ter algo de seu para apresentar à população quando 2016 chegar.