O Espírito Santo está entre os estados que mais compram produtos da agricultura familiar para serem usados na merenda escolar, ao lado do Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Paraná e Sergipe, segundo dados preliminares do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) publicados em janeiro deste ano. Segundo o coordenador de Comercialização da Secretaria da Agricultura Familiar do MDA, Pedro Bavaresco, a predominância desses estados no ranking é devido à maior organização dos agricultores, que conseguem mais estrutura para abastecer os municípios e pressionar as prefeituras no cumprimento a lei. O MDA também registrou que pelo menos R$ 360 milhões foram movimentados em 2012 pela compra de produtos da agricultura familiar para serem usados na merenda escolar. Pelo menos 80% dos municípios brasileiros adquiriram produtos da agricultura familiar para tal fim, dos quais metade cumpriu com a meta prevista na Lei n° 11.947/2009, que determina que aos pequenos produtores sejam repassados pelo menos 30% do montante repassado aos municípios pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para compra de merenda. O FNDE repassa anualmente recursos para compra de merenda escolar, proporcionalmente ao número de matrículas levantado pelo Censo Escolar do ano anterior, aos estados e municípios. As secretarias estaduais e municipais de educação devem fazer a destinação de pelo menos 30% para a compra de produtos vindos da agricultura familiar, sem a necessidade de licitação, por meio de chamadas públicas. Fornecedores do próprio município, assentados de reforma agrária, comunidades quilombolas e indígenas têm prioridade na escolha dos fornecedores, que devem encaminhar um projeto de venda, comunicando o interesse e explicando a periodicidade e a logística. Bavaresco ressaltou que, além do fato de que a verba destinada a esses produtores circular em âmbito local, os alimentos produzidos na agricultura familiar tendem a serem mais saudáveis por não sofrerem processamentos e não possuírem conservantes. Além disso, a agricultura familiar não faz uso de agrotóxicos e atua em consonância com o equilíbrio ambiental. Segundo o MDA, a principal dificuldade para que o fornecimento dos alimentos pelos agricultores familiares fosse ainda maior é de ordem jurídica. A Lei 8.666/1993, que rege as compras públicas por licitações, é tida como base dos responsáveis pela compra da merenda escola em vários municípios e, segundo Bavaresco, geralmente os agricultores familiares não têm “know-how” para esse tipo de concorrência, além do fato de que muitos gestores não sabem diferenciar a lei das licitações da lei que determina as compras da merenda escolar das mãos dos pequenos agricultores. Por isso, o MDA decidiu, no último dia 24, que será realizada uma série de reuniões com gestores municipais em 2014 para esclarecer a diferença entre as leis 8.666/2013 e 11.947/2009. O ministério também tem exigido que instituições contratadas para prestar assistência técnica nos municípios orientem os gestores sobre como implantar a lei. No Brasil, chega a 77% o percentual de empregos proporcionados por tal atividade agrícola. A agricultura familiar emprega muito mais pessoas do que o agronegócio, além de manter a saúde de seus trabalhadores, por não fazer uso de agrotóxicos; e de contribuir para a preservação ambiental sem deixar de produzir alimentos, já que opta por cultivos variados e métodos naturais para a manutenção da produção. Mesmo assim, os camponeses sentem falta de políticas de incentivo ao setor, o que é justamente o oposto do que se encontra no agronegócio. Apesar de a atividade ser focada nas exportações e ter como prioridade o lucro, e não a qualidade alimentar da população, os incentivos governamentais são muito maiores. João Paulo Rodrigues, coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), apontou que, apesar das conquistas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA); o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera); e o Programa Terra Forte, resultados da luta dos movimentos sociais do campo, os investimentos em agricultura familiar ainda são desproporcionais se comparados aos do agronegócio. Segundo o militante, o Plano Safra 2013/2014 da Agricultura Familiar representa pouco mais de 20% do que é destinado ao agronegócio. Durante a Jornada Nacional pela Soberania Alimentar, realizada em outubro pelo Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), a instância estadual deste movimento no Espírito Santo entregou ao secretário estadual de Agricultura, Ênio Bergoli, um documento com as reivindicações mais urgentes de camponeses de todo o Estado. Entre as reivindicações levantadas pelos pequenos agricultores estão a ampliação do crédito de recurso não retornável para implantação de agroindústrias, por meio do Infraestrutura Produtiva, para grupos de, pelo menos, cinco famílias camponesas, que se enquadrem nos requisitos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Dentro desse investimento, o MPA também reivindica que sejam conveniadas as cooperativas movidas pela agricultura familiar e que essas recebam valores de até R$ 1 milhão para aplicação nas agroindústrias.
Delegados iniciam negociações com o governo para melhoria salarial
Os delegados de Polícia Civil do Estado iniciam, na próxima semana, negociações com o governo no sentido de melhorar a remuneração da categoria. O salário inicial de um delegado no Estado é de R$ 8.402,29, o segundo mais baixo do País, só ficando acima do praticado na Paraíba, que é de R$ 7.132. A carreira de delegado foi reconhecida como carreira jurídica no Estado em 25 de setembro de 2013, a partir da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) n° 12/2013. No entanto, a remuneração da categoria está muito aquém da praticada pelo Judiciário e pelo Ministério Público e até mesmo de algumas carreiras dentro do Executivo. O reconhecimento da carreira jurídica para delegados foi considerado um avanço, já que a respeitabilidade proveniente do reconhecimento da atribui aos delegados condições melhores para o desempenho das atividades, o servidor se sente valorizado, fazendo com que se torne parceiro e não mero coadjuvante do sistema de Justiça Criminal. Além do Estado, carreira jurídica de delegados já foi reconhecida em Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e São Paulo, além de ter sido corroborada pela Lei Federal 12.830/2013. Na ocasião da sanção da Lei 12.830, que garante maior autonomia aos delegados, os profissionais consideraram a norma um avanço, já que consolida o delegado como profissional fundamental no sistema de justiça criminal. A lei garante que remoções de delegados de inquéritos só sejam feitas com causa, motivo e objeto, diferente do que acontece atualmente, quando delegados são removidos sem que sejam respeitados esses quesitos.
Tragédia da chuva inibe debate sobre emancipação de municípios
Um dos temas mais controversos do ano deve voltar à pauta do Congresso Nacional após o recesso: o veto presidencial sobre o projeto que libera a criação de novos municípios no Brasil. Mesmo que o Congresso derrube o veto, o debate no Estado sobre a criação de 11 novos municípios ganha outro foco depois da tragédia provocada pelas fortes chuvas do final de 2013. São 54 municípios em situação de emergência, inclusive em alguns deles havia discussão sobre emancipação e que agora precisam de união para reconstruir o que foi devastado pelas águas. Se antes o projeto dividia opiniões, já que repartia os recursos, causando ônus para o Estado e diminuindo o bolo nos municípios que não sofreram desmembramento, agora a ideia fica inoportuna. Vão dividir prejuízos? De acordo com o levantamento até aqui dos estragos causados pelas chuvas, o governado do Estado vai empregar R$ 540 milhões com a reconstrução da infraestrutura, recuperação do setor produtivo e o apoio às pessoas que sofreram com as enchentes em vários pontos do Estado. Entre as principais medidas está a construção de 1,5 mil casas populares, recuperação de 375 pontes e de mais 12 mil quilômetros de estradas vicinais no interior do Estado. Na Assembleia circulam 13 pedidos de emancipação política e praticamente todos os municípios em debate sobre desmembramento sofreram os impactos da chuva. São eles: Campo Grande, em Cariacica; Santa Cruz, em Aracruz; Pedra Azul, em Domingos Martins; Itaoca, em Cachoeiro de Itapemirim; Guriri e Nestor Gomes, em São Mateus; Braço do Rio, em Conceição da Barra; Bebedouro e Desengano, em Linhares; Piaçu, em Muniz Freire; Pequiá, em Iúna; Paulista, em Barra de São Francisco; Ibituba, em Baixo Guandu. Antes do veto presidencial, a Casa chegou a realizar uma audiência pública para debater o assunto. Na ocasião o secretário-chefe da Casa Civil, Tyago Hoffmann, pediu calma na discussão por causa das ameaças econômicas como o fim dos royalties do petróleo, a redução da alíquota do Fundap e reforma do ICMS. Naquele momento, ele lembrou que dos 78 municípios capixabas, 60 estavam com suas finanças comprometidas. Entre os defensores da emancipação a alegação é de que ao se desmembrar do município-sede, as novas cidades poderiam garantir o desenvolvimento, com a facilitação de acesso aos recursos.
Matrículas de alunos para a rede pública estadual começa nesta segunda-feira
O processo da ‘Chamada Pública Escolar’ coordenado pela Secretaria de Estado da Educação (Sedu) abrirá o processo de efetivação de matrículas do ensino fundamental nesta segunda-feira (6). Os pais ou responsáveis devem comparecer à unidade de ensino para onde o aluno foi encaminhado e efetivar a matrícula. Caso isso não aconteça, o estudante que já estiver cadastrado, mas não efetuou a matrícula, ficará sujeito a ser alocado em outra unidade de ensino que houver vaga. “Durante a Chamada Pública Dia C, a Secretaria Municipal de Educação de Vitória (Seme) registrou 550 cadastros de estudantes do ensino fundamental (a partir de seis anos) da rede estadual com interesse em estudar na rede municipal de ensino de Vitória”, divulgou a Sedu. Grande parte dos cadastrados são crianças das séries iniciais, adolescentes do ensino regular e ainda munícipes com interesse em concluir os estudos por meio da modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA). Todos eles foram encaminhados para matrícula e o período de efetivação deste registro começa nesta segunda (6) e vai até o dia 17 de janeiro. Para a confirmação da matrícula, os pais ou responsáveis deverão ter em mãos documentos como certidão de nascimento ou casamento; histórico escolar ou declaração de conclusão de série/ano; comprovante de residência original (carnê de IPTU, conta de água, energia, telefone ou contrato de locação); título de eleitor e certificado de alistamento militar masculino para alunos de 18 anos e laudos médicos para alunos com deficiência. O processo da ‘Chamada Pública Escolar’ é coordenado pela Secretaria de Estado da Educação (Sedu) e tem como objetivo organizar o processo de matrículas dos alunos nas redes de ensino estadual e municipais. Além disso, o processo visa assegurar o acesso e a permanência dos alunos nas unidades públicas de ensino que oferecem o ensino fundamental e médio neste ano.
Selva de pedra
Pela condução que o prefeito de Vila Velha Rodney Miranda deu ao Plano Diretor Municipal (PDM), seria pelo menos ingênuo esperar alguma coisa neste sentido. Mas vamos lá: após as chuvas, mostra-se de uma imperiosa necessidade a revisão da lógica imobiliária de Vila Velha. Todos sabemos: o planejamento urbano canela-verde sempre ficou mais a cargo das imobiliárias que do poder público. Exemplo recentíssimo: o PDM sancionado pelo novo prefeito permite novas construções na área de amortecimento do Rio Jucu, o que pode agravar ainda mais uma situação já desesperadora, como se viu na região de Guaranhuns. Mas quem vai ter coragem de frear a barbárie do poder imobiliário em Vila Velha? Rodney que não será. Mania de grandeza No caso de Vila Velha, pouco adiantam super/hiper/mega estações de bombeamento se as raízes do problema continuam medrando nos subterrâneos de órgãos de licenciamento e fiscalização dessa inefável cidade, cujos ladrões, geniais ladrões, usam éguas para subtrair casas de ração. Os fins justificam os meios. Silêncio Também se espera de Rodney Miranda alguma palavra sobre o IPTU dos flagelados pelas chuvas no município. Até agora a única coisa apresentada foi o aumento do imposto. Que coisa. Como o diabo gosta A intenção é das mais elevadas, mas bem que a Ceturb-GV, que reforçou as linhas de praia do Transcol, poderia ter, assim, ponderado melhor antes de eleger o número da linha criada especialmente para atender Ponta da Fruta, em Vila Velha: 666. Respeite o ciclista Merece a devida atenção a ciclofaixa da Rodovia Serafim Derenzi, alvo de fiscalização da Prefeitura de Vitória devidos aos motoristas que insistem em sequestrá-la. Ali é altíssimo o índice de viagens de trabalho via duas rodas que depois se distribuem por Praia do Canto e Jardim da Penha, segundo estudo da Prefeitura de Vitória de 2006. Triste Foi lamentável constatar a ausência de qualquer autoridade cultural ou política na apresentação do Ticumbi que celebrou os 60 anos de regência do mestre Terto, em Conceição da Barra. Nem a prefeitura municipal se sensibilizou. Que coisa. É de rachar a cara de vergonha. É lei Foi publicada no Diário Oficial dessa sexta-feira (3) lei que proíbe a cobrança de valores adicionais para matrícula ou mensalidade de estudantes portadores de necessidades especiais e dá outras providências. O objetivo é a garantir o ingresso e a permanência do estudante na instituição de ensino. Belas artes A Prainha, em Vila Velha, recebe no próximo domingo (12) um evento bem legal: o Pinta Prainha, concurso de pintura de observação ao ar livre cuja é o bucólico bairro canela-verde. O evento será dividido nas categorias profissional e amador, com prêmios entre R$ 3 mil e R$ 300. 140 toques “CIDADANIA: Prefeitura faz sábado ação em Guaranhuns para atender famílias atingidas pelas chuvas”. A Prefeitura de Vila Velha (PMVV) no twitter. Nem precisa comentar. Pensamento “A tarefa do revolucionário é fazer uma revolução”. Fidel Castro
Na reconstrução, agendas capixabas
Com rapidez, pulso forte e senso de prioridades, o governador Renato Casagrande liderou a reação às calamidades climáticas que se abateram, de forma inédita, sobre o estado do Espírito Santo em dezembro de 2013. Liderou a reação, teve resposta do governo federal e de prefeitos como Luciano Rezende e Audifax Barcelos, e agora, no limiar de 2014, lançou um conjunto de ações de reconstrução do estado. Os detalhes deste conjunto de ações já foram descritos exaustivamente pela mídia regional e já são do conhecimento de todos: medidas que totalizam aproximadamente R$ 890 milhões , dos quais a expectativa do governo estadual é de que o governo federal seja responsável por pelo menos metade dos investimentos. Para isto, o governador já iniciou interlocuções com os ministros da Integração, Francisco Teixeira, e das Cidades, Aguinaldo Ribeiro. Também aqui o governador foi correto na decisão: ação sem “chororô” em relação ao governo federal. Isto posto, agora é continuar de mangas arregaçadas para comandar ações que cheguem logo “na ponta” para minimizar os dramas sociais e mitigar as perdas econômicas. No diapasão e ritmo da reconstrução, o pacote de medidas vai, por si só, movimentar a economia regional pela via da cadeia produtiva da indústria da construção e pela injeção na economia de fluxos financeiros em forma de doações, subsídios, transferências federais, desonerações e empréstimos bancários. Ao mesmo tempo, o diapasão da reconstrução, em clima de crise, uniu e está unindo as elites políticas na direção de respostas e soluções, ainda que esta união seja, provavelmente, temporária. É assim mesmo. Nas crises, como nas guerras, mesmo os contrários se unem para enfrentar outro “inimigo comum”, no caso enfrentar os efeitos perversos das calamidades climáticas – frutos das mudanças climáticas e das reações da natureza às imprevidências acumuladas pelas ações de nós, os Humanos, incluindo-se aí as imprevidências e/ou omissões governamentais nos três níveis de governo. Este clima de crise, união e reconstrução poderá estender-se até à chegada das águas de março. O governador Renato Casagrande poderia, então, usar a sua liderança, ampliada na reação à crise, para articular ações estruturais que se agregariam às ações conjunturais já deslanchadas. Articular uma reformulação e ajuste na Agenda de Estado de longo prazo para o estado do Espírito Santo, para além da agenda de governo na crise. Agora e depois das águas de março, esta reformulação e ajuste na Agenda de Estado poderia pautar a temporada político-eleitoral de 2014, aproveitando-se da mobilização da cidadania em torno dos debates eleitorais para reconstruir narrativas e Agendas. Que Agenda de Estado é ou seria esta? Não me refiro ao Plano de Governo articulado na Era Hartung e atualizado já na gestão Casagrande, divulgado recentemente para apontar intenções de caminhar para um denominado Quarto Ciclo de Desenvolvimento, centrado na busca da inovação, competitividade e premissas da Sociedade do Conhecimento. São intenções válidas e relevantes. Entretanto, as intenções precisam do respaldo da construção política para articular vontades, forjar consensos e direcionar a ação. Refiro-me a esta construção política. Penso que o momento histórico de crise-reconstrução pode gerar uma janela histórica para forjar consensos que resultem no ajuste da Agenda de Estado capixaba. Isto porque alguns já falam em Terceiro e Quarto Ciclo de Desenvolvimento, mas na verdade o estado ainda não “concluiu” a Agenda de Estado do então chamado Segundo Ciclo. Por isto, a agenda do Segundo Ciclo está , digamos, retardando a Agenda do Terceiro Ciclo e dificultando a abertura de possibilidades para um eventual Quarto Ciclo. Explico-me. No Segundo Ciclo, cuja agenda consolidou-se aproximadamente no governo Albuíno Azeredo e estendeu-se pelo governo Vitor Buaiz, a Agenda compreendia: a realização de investimentos em infra-estrutura para preencher os chamados “elos faltantes” no desenvolvimento; a atração de investimentos produtivos com capacidade de agregação de valor e criação de riqueza social; e a construção de clima institucional propício à governança, governabilidade e estabilidade política para atração de investimentos e geração de desenvolvimento. Com esta agenda, esperava-se (e espera-se ainda) “ultrapassar” o caráter de plataforma de produção e exportação de commodities que (ainda) é predominante no processo de desenvolvimento regional. Esperava-se (e espera-se ainda) adensar os efeitos para-trás-e-para-frente das cadeias produtivas locais/regionais/nacionais/internacionais para aumentar a agregação de valor “regional”. E esperava-se (e espera-se ainda) que a construção de um novo clima institucional pudesse contribuir para a rearticulação da correlação de poder “regional”, mitigando a tendência estrutural do estado do Espírito Santo viver sob permanente “ameaça” de tornar-se um misto de Colônia Estrangeira e Território Federal – o que, de minha parte, designei nos idos de 1976/1977 como processo de “desautonomia relativa” do Espírito Santo. Pois bem. Passaram-se os anos, mas a agenda do Segundo Ciclo ainda está em aberto. Ou não está? Como vamos entrar mais vigorosamente no Terceiro Ciclo – o do “boom” da cadeia produtiva do petróleo e gás – e vislumbrar o Quarto Ciclo – o da inovação e da sustentabilidade – se ainda estamos na Agenda de Estado do Segundo Ciclo? É claro que os “ciclos” são também categorias de análise e que podem e devem ter caráter de imbricação. Mas esta imbricação só vai gerar sinergias se houver retroalimentação sistêmica e transversalidade entre componentes essenciais de cada “ciclo”. O que não parece ser ainda o caso. De maneira perspicaz, o professor Arlindo Villaschi chamou a atenção para o problema do processo de “descolamentos” vivenciado pelo Espírito Santo pelo menos na última década: (1) perda da capacidade do governo estadual de liderar a função de planejar os rumos do estado, transferindo esta capacidade para uma organização não governamental de representação de interesses de algumas poucas empresas; e (2) transferência dos centros decisórios dos chamados “grande projetos” ( CST/Arcelor ; Aracruz/Fibria; Vale do Rio Doce/VALE ; Petrobras/Petrobras ) para fora do Espírito Santo. No dizer de Villaschi, “restringir o pensar e o agir político no Espírito Santo aos interesses majoritários dessas e outras poucas empresas…fez com que o estado se descolasse de qualquer movimento contemporâneo da chamada era do conhecimento
Tem visita?
Nessa sexta-feira (3), o jornal A Gazeta reproduziu uma matéria da Agência Estado revelando que o Sudeste foi o destino preferido dos presidenciáveis em 2013. Mas quando se diz Sudeste, é preciso abrir um parêntese, pois isso não inclui o Espírito Santo. Essa realidade, porém, deve mudar este ano justamente pelo cenário de disputa que se desenha para a eleição presidencial. A presidente Dilma Rousseff vem recebendo críticas da imprensa capixaba desde que tomou posse por não ter visitado o Estado. De fato, a primeira vinda de Dilma ao Estado foi na véspera do Natal, por causa da tragédia das chuvas. Mas há que se entender. Foi prometido um palanque a ela, puxado pelo então governador Paulo Hartung e no segundo turno, pelo já governador eleito Renato Casagrande. Nenhum dos dois cumpriu a promessa. As perdas de recursos federais, promovida por ações no Congresso e as irregularidades em obras da União aumentaram o volume das críticas à presidente. Mas se Dilma não veio, um desfile de ministros aconteceu no Estado. Então não há que se falar em prejuízo institucional. Mas se Dilma não é uma frequentadora do Estado, seus adversários também não elegeram o Espírito Santo como principal destino em 2013. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) veio no ano passado para um encontro regional do partido, mas isso custou muito suor do ninho tucano capixaba. Quem também apareceu aqui foi a ex-senadora Marina Silva, que ainda tentava criar seu partido, a Rede Sustentabilidade. Eduardo Campos (PSB-PE) veio em fevereiro para prestigiar o Carnaval de Vitória ao lado do correligionário Renato Casagrande. O senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP) também esteve no Estado e até fez uma visita à redação de Século Diário. Todos os candidatos e apoiadores, porém, preferem São Paulo, afinal estamos falando do maior colégio eleitoral do País. Mas em 2014, as visitas podem ser mais frequentes. Uma vez posta em prática a manobra de Aécio e Campos de compartilhar palanques para forçar o segundo turno contra Dilma Rousseff, o tímido eleitorado de 2,6 milhões capixabas vai ganhar uma importância enorme. Ainda mais pela peculiaridade de que em 2010, Dilma perdeu no Estado e Marina Silva venceu em Vitória e Vila Velha. É só aguardar que as visitas vão chegar.
Três pontos das praias de Vitória continuam impróprios para banho
Quinze pontos nas praias de Vitória já estão próprios para banho, como foi divulgado pela Prefeitura de Vitória nesta sexta-feira (3). O número contrasta com os dados divulgados no começo desta semana, que registraram que apenas dois pontos, de um total de 24 analisados semanalmente pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Vitória (Semmam), estavam próprios para banho. Segundo o mapa da balneabilidade da Semmam, divulgado pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) no começo desta semana, os locais próprios para banho restringiam-se apenas à Praia da Castanheira, na Ilha do Frade, e na Praia de Santa Helena, a 200 metros das barracas da Curva da Jurema. Segundo a prefeitura, a melhora ocorreu devido ao fim das fortes chuvas, que trouxeram uma quantidade de barro e sedimentos. O Iema informou que os banhistas devem evitar as áreas impróprias, sobretudo as que ficam próximas às desembocaduras de rios, pois com as chuvas a tendência é de que estas regiões recebam uma carga de sedimentos superior à que receberiam em períodos secos. Os três pontos apontados como impróprios para banho são: na Av Dante Michelini, em frente ao Campo de Futebol Zé da Bola, na altura do bairro Jardim Camburi; e no bairro Praia do Suá, nas proximidades da Praça do Papa e embaixo da Terceira Ponte. Continuam interditados os pontos ao lado do Píer de Iemanjá, na Praia de Camburi; os dois pontos da Praia do Canto, localizados 80 metros à direita do Iate Clubee 80 metros à esquerda da Ponte da Ilha do Frade; na Praia de Santa Helena, 100 metros à direita da Ponte da Ilha do Frade, na altura da Praça dos Desejos; da Praia de Santo Antônio, na altura da Praça Dom João Batista; do Canal da Passagem, na altura da Ponte da Passagem; e no bairro Jesus de Nazaré, na Praia das Castanheiras. De acordo com o Iema, as amostragens continuaram sendo feitas semanalmente como vinha ocorrendo desde novembro, quando foram intensificadas as coletas em todo o Estado em função do verão e do maior número de banhistas nas praias.
Projeto que dá autonomia ao MP de Contas está parado há seis meses na Assembleia
Depois de causar polêmicas antes mesmo de começar a tramitar, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC 006/2013), que garante a autonomia administrativa e orçamentária para o Ministério Público Especial de Contas (MPC), permanece parada há mais de seis meses na Assembleia Legislativa. Desde o final de junho, a matéria aguarda o exame da Comissão de Justiça sobre a legalidade da proposta. A Procuradoria da Casa já deu sinal verde para a tramitação do texto, que foi apresentada em maio do ano passado. Na época do protocolo, a proposta é de autoria do deputado José Carlos Elias (PTB) causou divergências entre deputados e conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE), órgão no qual o MPC está atualmente vinculado. A PEC 006/2013 prevê a alteração do artigo 121, da Constituição Estadual, para garantir que o órgão ministerial possa ter autonomia sobre a sua administração e a utilização de recursos financeiros – hoje repassadas pelo comando do TCE. Na justificativa da proposta, Elias argumentou que o órgão ministerial não poderia depender da boa vontade do Tribunal de Contas. Apesar da sintonia entre a corte e o MPC durante a última gestão do conselheiro Sebastião Carlos Ranna, encerrada no final de dezembro, fontes dos meios jurídicos avaliam a possibilidade de um eventual retrocesso na relação futuramente. Uma vez que o órgão ministerial foi responsável, por exemplo, pela ação que pediu a saída do conselheiro Umberto Messias (já aposentado) e, mais recentemente, da ação civil pública contra a nomeação do ex-deputado Sérgio Manoel Nader Borges no cargo de conselheiro. Hoje, a expectativa de que a relação entre os órgãos seja harmônico em função do novo presidente do TCE, Domingos Augusto Taufner, ex-procurador de Contas, ter sido eleito na vaga destinada ao MPC no plenário. A campanha pela autonomia do MPC no Espírito Santo não é um caso isolado. Em todo País, os representantes dos órgãos de contas lutam por melhoria de condições de trabalho. No Estado, a principal demanda está relacionada à infraestrutura do Ministério Público, que só foi criado em 2010. Hoje o órgão conta apenas um conjunto de salas na sede do tribunal. Além dessa questões, a reportagem de Século Diário levantou algumas situações, como o número de assessores inferior aos disponíveis para conselheiros do TCE. Entretanto, a carga de processos distribuídos aos três procuradores de Contas é superior àquela destinada aos conselheiros. De acordo com informações da Assembleia, a proposta passou no início de junho pela fase de discussão especial, quando foi incluído na ordem do dia de três sessões para ser debatida pelos deputados. Em seguida, o texto foi encaminhado para a Comissão de Justiça, que deveria examinar a admissibilidade do texto. No entanto, a matéria aguarda a emissão do parecer desde o dia 26 de junho. Não há sequer menção ao membro da comissão designado para relatar a PEC. Segundo o Regimento Interno da Casa, o texto deve ser discutido em seu mérito pela Comissão de Finanças, caso seja admitido pela comissão anterior. Somente depois desses passos, o texto é encaminhado para votação no plenário, onde deverá ser aprovada em dois turnos por pelo menos três quintos dos deputados (18 votos).
Projeto de lei cria certidão negativa de utilização ilegal de trabalho infantil
O deputado federal Jorge Silva (PROS-ES) é autor do Projeto de Lei n° 5.829/13 que institui a Certidão Negativa de Utilização Ilegal do Trabalho da Criança e do Adolescente (CNTCA). O documento comprovará que empresas não expõem menores de 18 anos a trabalhos insalubres, perigosos ou noturnos. A matéria tramita na Câmara Federal de forma conclusiva, e será analisada pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Trabalho, de Administração e Serviço Público; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. A certidão também atestará que a empresa não permite qualquer forma de trabalho de adolescentes menores de 16 anos, exceto jovens aprendizes, a partir dos 14. O poder executivo será o responsável por estabelecer o procedimento para a expedição da CNTCA. O documento será requisito para a obtenção de empréstimos e financiamentos nas instituições financeiras públicas federais; de isenções, subsídios, auxílios ou outros benefícios concedidos pela Administração Pública, direta ou indireta, da União; e, também, para modificações ou anulações que modifiquem a estrutura jurídica de um empregador. O projeto altera ainda a Lei das Licitações (Lei 8.666/93) exigindo que, para a habilitação de licitações, os interessados devem apresentar a Certidão Negativa de Utilização Ilegal do Trabalho da Criança e do Adolescente, para comprovar que a empresa não explora mão de obra de crianças e adolescentes