A possibilidade de o PSDB lançar uma candidatura ao Senado no Estado com o coronel Sérgio Aurich vem ganhando força dentro e fora do partido. O entendimento de algumas lideranças é de que apenas a candidatura ao governo com o ex-prefeito de Colatina, Guerino Balestrassi, não sustentaria o palanque do presidenciável tucano Aécio Neves no Espírito Santo. Com uma candidatura ao Senado, o senador mineiro teria uma janela para sua campanha no Estado. A discussão que se faz no ninho tucano agora é sobre até onde iria a influência do ex-governador Paulo Hartung no partido. A ida de Paulo Ruy Carnelli para o partido e posteriormente seu retorno à presidência da Cesan, encontraram resistências de parte da militância. Esse seria o primeiro indício da diminuição dessa interferência. O grupo do ex-governador ainda tentou barrar a candidatura de Aurich, primeiro tentado emplacar o nome do tucano Luiz Paulo Vellozo Lucas para a disputa e posteriormente cogitando lançar a ex-deputada federal Rita Camata para a empreitada. Mas nenhum dos dois parece disposto a enfrentar uma eleição tão complicada. Luiz Paulo parece determinado a disputar a vaga de deputado federal e Rita Camata atua na campanha de Aécio Neves e depois do desempenho de 2010, não estaria disposta a entrar na eleição. O entendimento no ninho tucano é de que o partido precisa se fortalecer na disputa proporcional para buscar sustentação da sigla no jogo político do Estado. Dentro desta estratégia de resgate do capital político, o nome de Aurich ganhou força porque representa uma novidade na disputa ao Senado, com legitimidade para encampar o discurso da segurança. Além disso, sua entrada no pleito cumpre o compromisso com a nacional de garantir o palanque de Aécio Neves com um peso que lhe dê sustentação, deixando as demais lideranças livres para a disputa proporcional.
TJES e Ministério Público vão custar quase R$ 4 milhões por dia aos cofres públicos em 2014
O Tribunal de Justiça do Estado (TJES) e o Ministério Público Estadual (MPES) devem custar cerca de R$ 4 milhões por dia aos cofres públicos estaduais em 2014. O levantamento é baseado na Lei Orçamentária Anual (LOA), que estima as receitas e gastos no exercício financeiro. A maior parte dos recursos (quase 75%) vai custear apenas o pagamento de pessoal – membros e servidores – das duas instituições, num total de R$ 2,77 milhões diários. Ao todo, os orçamentos do Judiciário e do MPES devem consumir cerca de R$ 1,36 bilhões em recursos públicos. Esses valores incluem os repasses do Tesouro Estadual e dos fundos especiais de cada órgão, cujas receitas são oriundas de uma parte do pagamento de custas processuais e emolumentos de cartórios. Para este ano, o Fundo Especial do Poder Judiciário (Funepj) deve arrecadar R$ 127,38 milhões, enquanto o Fundo Especial do Ministério Público (Funemp) deve ficar com R$ 16,81 milhões. Essa será a primeira vez que o fundo do órgão ministerial, criado em 2007, terá recursos próprios. Já o orçamento do Poder Judiciário estadual estima um gastos de R$ 882,15 milhões, sendo que a maior parte das despesas está relacionada ao pagamento de pessoal e encargos sociais (R$ 768,32 milhões). Deste total, cerca de R$ 606 milhões devem ser voltados para a remuneração do pessoal ativo. Serão destinados ainda R$ 26,9 milhões para a reestruturação de cargos e salários do TJES. O restante do orçamento (R$ 113,82 milhões) foi inserido dentro da rubrica de outras despesas correntes. O Funepj deve contribuir para as despesas com o reaparelhamento das unidades judiciárias e investimentos. O fundo prevê a destinação de recursos para a expansão e modernização do sistema de Tecnologia da Informação (R$ 24,54 milhões); manutenção e implementação de mecanismos de segurança (R$ 18,68 milhões); aquisição, construção, ampliação e reforma de imóveis (R$ 14,79 milhões); e até de ações na área de comunicação e estratégia institucional (R$ 4,6 milhões). No Ministério Público, a maior fatia do orçamento deste ano – estimado em R$ 333,69 milhões – também será destinado ao pagamento de pessoal (R$ 245,6 milhões), seguido de outras despesas correntes (R$ 75,01 milhões) e da reserva feita para investimentos (R$ 13,08 milhões). Entre as rubricas previstas estão gastos com a gestão de Tecnologia da Informação (R$ 14,1 milhões); construção, ampliação e reformas de promotorias e sedes administrativas (R$ 6,83 milhões); e a renovação e manutenção da frota de veículos (R$ 5,66 milhões). Enquanto isso, o fundo especial do MP vai suportar as principais despesas com investimentos com a previsão de R$ 16,44 milhões – responsável por quase 98% de toda arrecadação. Foram listados novos gastos com a aquisição, construção, ampliação de imóveis (R$ 9,63 milhões); implementação da tecnologia da informação (R$ 3,74 milhões); e o reaparelhamento e modernização do MPES (R$ 3,11 milhões). Já a interiorização da promotoria da mulher vai receber apenas R$ 187 mil do orçamento. Em todo o País, os gastos do órgão ligados a Justiça chamam atenção pelo custo elevado, sobretudo, nos gastos com pessoal. Segundo levantamento do site Contas Abertas, a estrutura do Judiciário nacional vai custar quase R$ 100 milhões por dia em 2014. Esse valor leva em consideração o orçamento dos tribunais superiores, Conselho Nacional de Justiça (CNJ), as justiças do Trabalho, Eleitoral, Federal e Militar da União, além dos gastos com os TJs estaduais e do Distrito Federal e Territórios.
PT mergulha para analisar melhor caminho eleitoral no Espírito Santo
As direções nacional e estadual do PT fizeram um acordo para estudar melhor o cenário eleitoral para o Espírito Santo. Até o fim deste mês, a nacional vai observar as movimentações dos presidenciáveis e dos palanques locais para depois decidir o caminho que o partido vai seguir no Estado. A decisão veio depois da manobra articulada entre os presidenciáveis Aécio Neves (PSDB-MG) e Eduardo Campos (PSB-PE). Essa movimentação acabou fortalecendo o governador Renato Casagrande, que ganha duas opções de palanque nacional no Estado. O governador vem mantendo a disposição de repetir a aliança PSB, PMDB e PT, mas, desta vez, com um palanque de neutralidade. O PT, porém, estuda a melhor opção para garantir a reeleição da presidente Dilma Rousseff, que ganhou um adversário no principal reduto do PT, o nordeste, que é o governador de Pernambuco Eduardo Campos. O PT vai ainda enfrentar o candidato do PSDB, partido que é opositor histórico do PT em nível nacional. Neste sentido, a movimentação nos colégios eleitorais menores, como o Espírito Santo, que tem 2,6 milhões de eleitores, passa a se tornar relevante para a disputa. O temor da nacional é que a manobra dos opositores leve a disputa presidencial para o segundo turno. O PT teria sondagens que apontam um capital eleitoral do ex-prefeito de Vitória e presidente regional do partido, João Coser, de 20% dos votos. O partido precisa que o ex-prefeito cresça mais dez pontos para se tornar viável. Caso consiga esse crescimento, o partido não descarta a possibilidade de lançar uma candidatura própria ao governo. Embora Coser demonstre interesse em manter o partido no palanque palaciano, a determinação da nacional será cumprida para que Dilma tenha o espaço necessário para sua campanha no Estado.
Convocação vai definir organização social que fará a gestão do São Lucas
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) publicou no Diário Oficial desta sexta-feira (3) edital de convocação pública para parceria com organização social de saúde para a gestão do Hospital São Lucas, em Vitória. A parceria entre Estado e organizações sociais para gestão de hospitais está se tornando cada vez mais comum no Estado. O Hospital Central, em Vitória, é gerenciado pela Pró-Saúde; e o hospital Jayme dos Santos Neves, inaugurado em fevereiro de 2013, está sob gestão da Associação Evangélica Beneficente Espírito-Santense, contratada por meio de edital. Fica a cargo da entidade que gerencia o hospital o conjunto de atendimentos oferecidos ao paciente desde a admissão até a alta hospitalar pela patologia atendida, o que inclui todos os atendimentos e procedimentos necessários para obter ou completar o diagnóstico e as terapêuticas necessárias para o tratamento no âmbito hospitalar. Como o São Lucas é um hospital de portas abertas, ou seja, atende a demanda que chega na porta, cabe à administradora dispor de atendimento a urgências e emergências, atendendo à demanda que lhe for encaminhada conforme o fluxo estabelecido pela Sesa, durante as 24 horas do dia, todos os dias do ano. Dentre as obrigações e responsabilidades da organização contratada está a manutenção, durante toda execução do contrato, das mesmas condições de habilitação exigidas quando do processo seletivo; o atendimento exclusivo e indiferenciado aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) na unidade hospitalar; e a responsabilização pela indenização de dano decorrente de ação ou omissão voluntária, ou de negligência, imperícia ou imprudência, que os agentes causarem a paciente, aos órgãos do SUS e a terceiros, bem como aos bens públicos móveis e imóveis, objetos de permissão de uso, assegurando-se o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa, sem prejuízo da aplicação das demais sanções cabíveis
Prefeitura de Vitória inicia fiscalização na ciclofaixa da Serafim Derenzi
Sessenta e dois carros foram flagrados estacionados na ciclofaixa da Rodovia Serafim Derenzi no primeiro dia de fiscalização pelos agentes de trânsito da Guarda Civil. Segundo a Prefeitura de Vitória, 12 veículos foram autuados. Outros 50 veículos foram retirados da ciclofaixa pelos proprietários durante a fiscalização. A autuação, iniciada nessa quinta-feira (2), passou a vigorar após intensa campanha de conscientização realizada pela Prefeitura de Vitória com comerciantes e moradores da região da Grande São Pedro. A proposta era conscientizar os motoristas a não usarem a ciclofaixa com estacionamento. Os motoristas que não respeitam a sinalização estão sendo multados. Mas a Prefeitura de Vitória alerta que a partir do dia 13 de janeiro, aqueles que insistirem em estacionar na ciclofaixa terão os veículos guinchados. De acordo com o secretário de Transportes, Trânsito e Infraestrutura Urbana de Vitória, Max da Mata, o trabalho vem sendo realizado dentro do conceito de gestão participativa, levando em consideração o fato de que esta área já é utilizada como estacionamento pelo comércio há quase uma década. “Combinamos com a comunidade as campanhas educativas, que ocorreram de novembro a dezembro de 2013, e agora estamos aplicando as penalidades de forma gradual. Este trabalho de fiscalização será frequente, bem como o incentivo ao uso da bicicleta”, ressaltou o secretário. Segundo Max da Mata, a partir do dia 13 de janeiro, os veículos passarão a ser guinchados, contudo, o procedimento de remoção do veículo é realizado somente quando o proprietário se recusa a retirar o veículo estacionado irregularmente, ou quando o mesmo não se encontra presente no momento da autuação. Ainda assim, se o proprietário aparecer no momento da ação do guincho, o carro pode ser devolvido ao local para que seja retirado pelo próprio motorista. Se o veículo já estiver sobre o caminhão, o proprietário poderá interromper o procedimento de remoção apenas no caso do guincho não ter iniciado nenhum tipo de deslocamento. Para o uso dos ciclistas, a ciclofaixa da rodovia Serafim Derenzi teve a pavimentação refeita, assim como sinalização horizontal e vertical instalada. Este ano, a rodovia Serafim Derenzi foi totalmente recuperada. Toda a pavimentação foi refeita, assim como a sinalização horizontal e vertical. A avenida recebeu Faixas da Vida – faixas de pedestres pintadas sobre pavimento vermelho, para chamar atenção dos motoristas -, quebra-molas e canalizações com taxões.
Ticumbi: uma apresentação carregada de emoção
Como era esperado, a apresentação do Ticumbi neste primeiro de janeiro, mesmo com todo o festejo dos 60 anos de regência do mestre Terto, não contou com a presença de nenhuma autoridade da área cultural do Estado, muito menos da prefeitura de Conceição da Barra, de onde o grupo é originário. Mas, como vem ocorrendo há mais um século, lá esteve a sociedade negra da região juntando-se à louvação ao seu santo padroeiro, objeto da existência do Ticumbi. Só que dessa vez houve um motivo especial que foi a comemoração dos 60 anos do mestre Terto à frente do grupo. Mais uma vez, ele ouviu, para o seu orgulho, uma espécie de grito de desafio, que ocorre sempre ao encerramento de sua apresentação: “Viva a Nossa Bela Sociedade,” pronunciada, como de tradição, pelo o seu rei de Congo. Um pouco antes dessa apresentação, mestres de outros grupos folclóricos e líderes de comunidades quilombolas manifestaram seus aplausos à trajetória do mestre Terto no comando do Ticumbi. Eles aproveitaram para fazer severas críticas ao tratamento que recebem de órgãos governamentais incumbidos da preservação cultural do Estado. Numa clara alusão à destinação da quase totalidade dos recursos às elites culturais. Desabafos à parte, porque o que vale nessa hora é registrar a atmosfera de emoção que cercou essa última apresentação do Ticumbi com Terto à frente do grupo. Senhoras negras, em seus impecáveis vestidos, homens negros, nas suas melhores roupas, como de tradição, estiveram, dessa vez, de olhos grudados no santo padroeiro e também no mestre Terto. Como se fosse um pleito, como mais tarde veio a dizer um deles ao repórter, em rever o mestre Terto nos futuros primeiro de janeiro para louvarem juntos São Benedito. Acostumado a acompanhar o Ticumbi há mais de 50 anos, o repórter tinha exata noção desse clima de emoção. A esposa do mestre, Bárbara Balbino, que sempre comparece com descrição, geralmente na companhia de outras mulheres, sentou-se, com indisfarçável emoção, num banco que a deixou bem próximo do marido e ao lado do estandarte de São Benedito. Dona Barbara não é simplesmente mulher de mestre Terto e mãe do rei de Congo, foi também irmã de outro expressivo integrante, já falecido, que durante, um bom tempo ocupou a posição de rei de Bamba. Bárbara faz parte de uma sociedade negra voltada para a preservação do maior símbolo de sua raça, que é esse Ticumbi. Assim como à família de Bárbara, outras também deram sua contribuição à existências dele. Entre elas, encontram-se também a do falecido secretário do rei de Congo, Acendino, que entrou jovem e dele saiu velho. Dos seus atuais integrantes(17), sete pertencem a família dele: Dois filhos (secretario do rei de Congo e rei de Bamba), um neto (secretário do rei de Bamba), três netos integrantes das alas dos pandeiros, e dois bisnetos, com oito e cinco anos, que encerraram as fileiras dos pandeiros. Sobre essas duas crianças que figuraram nas alas dos pandeiros, houve a intenção clara dos sucessores de Acendino em demonstrar o compromisso com o preparo de futuros quadros, como tradição nas demais famílias. A sucessão familiar é uma rotina e uma garantia de sua existência. Pois quando se olha os atuais integrantes, com exceção de três deles, todos os demais descendem de famílias que estão no Ticumbi há mais de um século. Além dos sete descendentes do secretário do rei de Congo, Acendino e da família do próprio mestre Terto, há a do secretário do rei de Bamba, que atendia pelo apelido de Coxi. Está presente no grupo o seu filho Berto Florentino. Mas também passaram por ele outros três irmãos do Coxi. Este ano também retornou um membro da família do companheiro do mestre Terto na fila dos pandeiros. Ele era o Julinho. Durante um bom tempo participaram mais dois de seus irmãos. A família voltou a ser representado com a entrada na ala dos pandeiros de um filho do finado Julinho, que foi outro ícone do Ticumbi.
Em obras
É preciso reconhecer que o governador Renato Casagrande tem se saído muito bem no comando das ações emergenciais de combate à tragédia causada pelas chuvas. Uma parcela de críticos vai dizer que é preciso desenvolver projetos preventivos para solucionar o problema de vez e evitar que a tragédia se repita todos os anos ou um ano sim outro não. Estão cobertos de razão. Os fatos mostram que os governantes, de maneira geral, adiam enfrentar um problema de configuração tão complexa, tanto no sentido social como financeiro. Mas o caos instalado se tornaria ainda mais agudo se o governo não agisse com a celeridade que a crise pede. Afinal, a catástrofe devastou 54 dos 78 municípios capixabas, deixando um rastro de mortes e destruição. Desde que a chuva virou tragédia, o governador arregaçou as mangas e, sem titubear, meteu a mão na massa sem medo. O próprio chefe do Executivo estadual tem anunciando, nas últimas semanas, as medidas de mitigação dos prejuízos causados pelas chuvas. Já tinha sido assim durante as chuvas que castigaram o Estado entre 2010 e 2011. Antes mesmo assumir o mandato, em janeiro de 2011, Casagrande começou a acompanhar os estragos da chuva, mostrando que é um governante sensível ao sofrimento da população. Nesta quinta-feira (2), primeiro dia útil de 2014, Casagrande não perdeu tempo e anunciou o plano de reconstrução do Espírito Santo. Ele confirmou o investimento de mais de meio bilhão de reais nas obras de reconstrução do Estado. Boa parte desse recurso será destinada a gastos com infraestrutura: 375 pontes e 12 mil quilômetros de estrada vicinais. Casagrande anunciou, entre os principais investimentos, a construção de 1,5 mil casas populares. Ele ainda confirmou que o governo irá destinar R$ 2,5 mil para as famílias vitimadas. Esse dinheiro poderá ser usado para compra de móveis, eletrodomésticos e materiais de construção. O dinheiro que irá circular também ajudará a dar um sopro no comércio, que também contabiliza os prejuízos da chuva. As medidas são acertadas e vão, na medida do possível, confortar um pouco o sofrimento das famílias que tiveram prejuízos materiais e precisam de um “empurrão” para reconstruir suas vidas. A resposta do governo está sendo dada com a rapidez que a população precisa. Casagrande não ficou perdendo tempo fazendo chororo e passando o pires em Brasília para conseguir recursos. Todas as medidas anunciadas estão sendo fiadas a partir de recursos do próprio governo. Se mais tarde o governo federal resolver abrir o caixa e mandar dinheiro para o Estado, ótimo, será bem-vindo. Mas é importante neste momento mais vulnerável da população atingida pela tragédia, que o governo estadual tenha autonomia para socorrer às vítimas sem precisar depender de ninguém. Muitos observadores políticos diziam que Casagrande, depois de completar mais de dois terços do mandato, ainda não tinha uma marca. Por capricho da natureza, Casagrande será reconhecido com a marca do governador que reconstruiu o Espírito Santo. Obviamente que o socialista preferiria estar investindo em novas obras, e não reconstruindo o que foi devastado pelas chuvas. Mas, de qualquer maneira, é um trabalho que, neste momento, passa a ser imprescindível para as pessoas que buscam um alento para recomeçar.
A bola não é mais aquela – II
Quando estudou sociologia em São Paulo, nos anos 1960, o jornalista Renato Pompeu, autor de 22 livros, alguns deles sobre futebol, costumava questionar os colegas sobre o desprezo que as ciências sociais dedicavam ao futebol. Para ele, uma ciência social de verdade não podia ser tão omissa. Os colegas diziam que o futebol era uma mera alienação popular, mas até hoje Pompeu não deu o braço a torcer. Continua achando que o futebol merecia estudos profundos: “Por que as grandes massas escolheram o futebol, e não outra coisa qualquer, para se alienarem?”, pergunta o jornalista, torcedor confesso da Ponte Preta, a simpática Macaca, de Campinas. “E não poderíamos considerar também a literatura, a música, as artes plásticas e o cinema como outras tantas ‘alienações’ das pessoas intelectualizadas?”, prossegue o jornalista. Aos que reclamam dos altos ganhos dos atletas mais famosos, ele argumenta com os astros do cinema e da música: “Eles também têm altos ganhos e ninguém reclama”. Tudo isso e mais a iminência da Copa do Mundo de 2014 no Brasil nos levam a pensar no peso que o futebol adquiriu não só como forma de engajamento social em clubes e torcidas organizadas, mas no uso dos atletas como protagonistas de um dos maiores espetáculos de massa da civilização moderna, em que partidas de futebol de times da segunda divisão são transmitidas ao vivo por satélite em horários definidos a partir de conveniências dos canais especializados em transmissões esportivas. Grandes marcas de cervejas, bancos, automóveis, telefonia são associadas a clubes e atletas. Esporte? Espetáculo? Negócio? Dias atrás o jornalista Jamil Chade, correspondente europeu do jornal O Estado de S. Paulo, revelou que mais de 1,1 mil jogadores na Europa são propriedade de grupos financeiros que mantêm aplicados mais de US$ 1,2 bilhões em atletas transformados em “commodities”. Mas pode ser que esse valor seja apenas a parte visível de um iceberg imensurável. Esse fenômeno global tem uma de suas bases no Brasil, que exporta atletas jovens e promissores (como Neymar, Oscar e Lucas) e recambia jogadores cansados ou “queimados” em suas passagens por clubes do Primeiro Mundo. Os reimportados voltam donos de seus próprios passes, não custam nada aos endividados clubes brasileiros mas só fecham contratos se ganharem “salários europeus”. Tem algo de podre no reino do futebol, mas ainda não chegamos ao ponto de abrir a tampa do esgoto. Em grande parte porque revelar podres não interessa aos envolvidos no esporte espetacular e milionário. “Temos de ser realistas, o clube é a fábrica e nós somos um produto”, disse Eliaquim Mangala, do Porto de Portugal, país em que um terço dos jogadores da primeira divisão é mantido por investidores. Algo semelhante, mas em menor escala, ocorre em outros países, enquanto alguns resistem – ou fingem fazê-lo. Na França, o sistema “empresarial” é proibido. Na Inglaterra, a transferência de Carlos Tevez do Corinthians para o West Ham, em 2006, fez os cartolas britânicos aprovarem uma lei impedindo a participação de investidores no passe de um jogador. Que o futebol virou uma prática esquisita se pode ver pelo comportamento de muitos atletas. Há jogadores que gastam mais tempo na gravação de comerciais ou participando de eventos dos seus patrocinadores do que em treinamentos ou jogos. A maioria desses astros não sabe onde aplicar o que ganha. Gasta em tatuagens, arranjos de cabelos, carros, joias e casamentos de conveniência. Em seu romance “A saída do primeiro tempo”, lançado em 1978, Renato Pompeu defende a tese de que o futebol não é um esporte, mas um espetáculo dramático, que se distingue por duas razões dos demais espetáculos dramáticos, como o teatro e o cinema. Em primeiro lugar, o futebol não retrata um conflito entre personalidades, mas entre duas instituições sociais, que são, em primeiro plano, os dois times em disputa. Em segundo lugar, no futebol, não há um roteiro pré-definido, já que os próprios atores, os jogadores, não sabem de antemão qual o desenlace de suas ações. Além disso, no plano simbólico, cada time em disputa no plano real pode representar um grupo social extracampo. Desse modo, o Corinthians representa o “povão”, o Celtics de Glasgow representa os “católicos” e o Barcelona representa os “habitantes de Barcelona” e, por extensão, os “catalães”. Assim a torcida acaba participando do espetáculo e o futebol ensina a seus torcedores, desde a infância – o futebol, segundo a tese, “é muito importante na socialização da criança” –, que a vida é feita de vitórias e de derrotas, mas que a instituição a que pertencemos sobrevive a tudo isso. Com isso, o público, as torcidas, acabam também fazendo parte do espetáculo e desempenhando papéis dramáticos. Mas em todas essas situações o futebol ainda não se distingue dos demais esportes com bola, como o basquete, o rugby, o futebol americano e o beisebol, entre outros. A grande especificidade do futebol é a prioridade dada aos pés, enquanto todos os demais esportes priorizam as mãos. E aí vem o lado mais pitoresco da tese de Pompeu: “Na passagem do século 18 para o século 19”, argumenta ele, “o futebol tal como o conhecemos surgiu em paralelo com a Revolução Industrial. A partir desta, pela primeira vez na história, a massa dos seres humanos passou a trabalhar ou de pé parado diante de uma máquina, ou sentado parado a uma mesa. Durante toda a história anterior quem trabalhava se movimentava bastante, seja como lavrador, seja como criador de gado, seja como coletor de impostos in-natura. Aqueles trabalhadores de pés imobilizados iriam ser justamente atraídos por uma atividade que movimentasse os pés – então as classes trabalhadoras passaram, segundo minha tese, a se reconhecer no futebol como classes trabalhadoras fora do local e das condições de trabalho. Por isso o futebol ‘deu certo’ na Europa e na América do Sul, onde as classes trabalhadoras aspiraram a um maior poder político, social e cultural, e ‘não deu certo’ nos Estados Unidos, onde as classes trabalhadoras não existem
Feliz 2014
Um tantinho antes das águas chegarem e assolarem Vila Velha (e o resto do Espírito Santo), o prefeito Rodney Miranda (DEM) anunciou o aumento do IPTU. Enquanto a chuva fez estragos, Rodney fez as malas. A água baixou e as prefeitura de Vitória e Serr agiram rápido: convocaram seus vereadores, em pleno recesso, para votar a isenção de IPTU para as vítimas das chuvas. Rodney ainda nem piscou sobre o assunto. Mais: reunidos na manhã desta quinta-feira (2), os guardas de trânsito de Vila Velha ameaçam deflagar greve, logo os guardas, uma das categorias mais afagadas pelo então candidato demista e uma das primeiras a abraçar a candidatura. O mesmo aconteceu com os professores da rede municipal; o amor do início da gestão, adubado com as promessas do candidato, se deteriorou em greve (em julho) e acabou em descrença. E ainda mal concluímos o primeiro ano de mandato. Os trapalhões A coluna até ia tirar um sarro do prefeito Cariacica, Juninho (PPS), que fechou seu primeiro ano com uma perda de 10 secretários. Mas deixa pra lá. A piada é tão pronta que até perde a graça. Recordar é viver A coluna tem boa memória e lembra que foram justamente Rodney e Juninho os prefeitos que começaram 2013 dando show. Rodney exonerou mais de mil comissionados numa canetada, enquanto Juninho começou o ano visitando PA e distribuindo sorrisos, mas, como hoje, sem ter apresentando nada de palpável. Demos tempo ao tempo e o que ele nos disse? Melhor não alimentar esperanças com certas coisas. Cenas impróprias Tocante o artigo do vereador Serjão Magalhães (PSB) publicado nesta quinta-feira (2) em A Gazeta. Num momento em que o governador Renato Casagrande dá indicações que restabelecer uma certa unidade política no estado, ele exalta a união de forças. Como secretário executivo do GTI Respira Vitória, o vereador mostrou que entende do assunto. Cenas impróprias II Após meses de discussão, o Serjão simplesmente as ignorou, em benefício de um decreto estadual sobre a qualidade do ar que não pressiona nem do governo, nem as poluidoras Vale e ArcelorMittal. Isso sim é união de forças. Não à toa, Serjão pondera no texto: “Relembro, ainda, a unidade política que foi construída em nosso Estado, e que tanta contribuição deu e tem dado para o nosso desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida dos capixabas”. Em que planeta vive o vereador? Corporativismo? Mal se iniciaram as investigações sobre a qüiproquó com tiros e feridos numa festa de Réveillon no Píer de Iemanjá, em Vitória, que envolveu um soldado da Polícia Militar. Mas para Flávio Gava, presidente da Associação dos Cabos e Soldados do Espírito Santo, o policial em questão agiu em legítima defesa. A declaração de Gava é no mínimo infeliz. Continua… Infeliz porque a eficiência da polícia militar capixaba foi posta mais uma vez sob suspeição após o assassinato de Hearle Nunes Araújo, 19 anos, na segunda-feira (30), em Jardim Carapina, Serra, com nove tiros disparados por policiais militares. Os dois casos pintam a imagem da truculência sobre a PM capixaba. Apenas curiosidade O bem-bom do Instituto Sincades vai continuar em 2014? Bons votos “Feliz 2014. Que este seja mais um ano unindo sonhos”. Eis a mensagem que os letreiros da Terceira Ponte deixaram aos motoristas no primeiro dia do novo ano. Mas em 2013 o que não faltou foi sonhos se unindo sobre a ponte, o que provocou uma queda de tarifa histórica, como se fosse do vão central. Para a Rodosol, foi um pesadelo. 140 toques “O Corpo de Bombeiros continuará trabalhando por toda a noite, porque a camisa vermelha é nossa segunda pele”. O Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo no twitter. Pensamento “O que mantém a humanidade unida hoje é a negação do que a raça humana tem em comum”. Eric Hobsbawm
Os pássaros
Em Pernambuco, principal base do presidenciável Eduardo Campos (PSB), e em Minas Gerais, estado do senador tucano Aécio Neves, as costuras para que os dois candidatos possam compartilhar os palanques já estão em adiantado estágio de negociação. A parceria deve se repetir em vários lugares e a intenção e alavancar os dois nomes para forçar um segundo turno com a presidente Dilma Rousseff na eleição deste ano. No Espírito Santo, porém, as conversas nesse sentido vêm sendo evitadas. O governador socialista Renato Casagrande disputa a reeleição e o PSDB vem tentando convencer os próprios militantes de que terá candidato próprio ao governo, com o ex-presidente do Bandes e ex-prefeito de Colatina, Guerino Balestrassi. Seguindo a lógica estabelecida entre os presidenciáveis, governador receberia o apoio do PSDB e abriria seu palanque tanto para a campanha de Eduardo Campos quanto para a de Aécio Neves, garantindo assim o espaço para os presidenciáveis no Estado. Mas há problemas para acertar essa negociação. O governador Renato Casagrande insiste em manter a unanimidade com preferência para a recomposição da aliança entre PT-PMDB e PSB, o que excluiria a conversa com os tucanos. Outra dificuldade foi a forma como Balestrassi deixou o governo Casagrande, batendo a porta. O ex-prefeito de Colatina é um dos principais defensores no ninho tucano do afastamento do palanque socialista. Por ele, tucanos e pombas vão voar separados na eleição deste ano. Mas o Estado está no mapa desenhado por Campos e Aécio e aí vai prevalecer a definição das nacionais. Fragmentos 1 – O secretário de Ação Social e Direitos Humanos Helder Salomão (PT) ganhou destaque na imprensa por causa das medidas do governo para mitigar os prejuízos da população em função das fortes chuvas que atingiram o Estado. 2 – Helder tem uma atuação bastante modesta no governo. Até porque esta pasta tem orçamento pequeno e pouca visibilidade. Desde que assumiu o cargo no início do ano, o ex-prefeito de Cariacica passava despercebido da imprensa. 3 – O secretário, que deve disputar a eleição para deputado federal este ano e mesmo sem a visibilidade esperada, pode se beneficiar por causa do fraco desempenho de Geraldo Luzia, o Juninho (PPS), à frente da prefeitura cariaciquense.