Agora mesmo é que os petistas não vão querer abandonar sua aliança com Renato Casagrande, que deu uma subida e tanto na última pesquisa da CNI/Ibope. Enquanto ganha força essa jogada de sair do Casagrande para o ex-governador Paulo Hartung (PMDB), como deseja o ex-presidente Lula, visando à reeleição da presidente Dilma, começam já a aparecer as chamadas rotas de fuga. O PSDB, que em função da manobra Lula-PH, arcou com a destruição do seu candidato ao governo, Guerino Balestrassi, passou a estudar saídas: uma, acertar com Casagrande caso o PT migre para a candidatura a governador do PMDB (generalizei, porque além de PH há também o senador Ricardo Ferraço) ou ir com o senador Magno Malta (PR). Essa do Malta já está em pauta em áreas do partido e, por incrível que pareça, existe. Sobretudo, porque é uma possibilidade de assegurar uma boa votação para o presidenciável tucano Aécio Neves. Possível, desde que Magno abra mão do palanque da Dilma. Seria a novidade capaz de conter o favoritismo de Casagrande e levar perigo ainda para uma possível candidatura de Hartung ao Senado, ao lado de Casagrande para o governo. Jogo É de juntar os dois, de acordo com o tal projeto da unanimidade. Garantia de vitórias? Vejamos: Casagrande pegar o Magno pela frente não é recomendável. Pois vai ficar privado do eleitorado baixa renda, que ao longo do tempo vem garantindo as eleições do senador. Menos um Caso PH seja candidato ao Senado, a coisa também complica. Não por causa do ex-prefeito de Vitória João Coser (PT), que a princípio não disputaria eleição contra Paulo Hartung – não tem nem o que discutir, porque isso não aconteceria. O problema… Barreira É se os adversários forem o delegado Fabiano Contarato (PR) e o o coronel Luiz Sérgio Aurich (PSDB). São dois nomes limpinhos, limpinhos, enquanto Hartung não navega mais nesse campo. Barreira II Contarato é o candidato ao Senado que mais atrai a rede social, pelo belo desempenho na delegacia de Trânsito. Tem história e perfil para angariar esses votos. Já Aurich é um oficial da Policia Militar com história de êxito na área da Segurança, além de ter contas a ajustar com Hartung. Barreira III Se realmente esse quadro vingar, na dependência naturalmente de uma decisão do Magno, há sentimentos revanchistas em tucanos de penachos. Pois antes do processo eleitoral esquentar, foi PH quem idealizou a candidatura ao governo do Guerino Balestrassi, para dar suporte à candidatura de Aécio no Espírito Santo. Órfão Mas ele pulou fora, deixando a candidatura do Guerino sem pai nem mãe. Não foi a primeira vez e certamente também será a última. Na política, o ex-governador continuará fazendo suas vítimas. É da sua natureza. PENSAMENTO: “Minha benção aos amigos e meu perdão aos inimigos”. Nathaniel Hawthorne
Quem paga a banda…
O Supremo Tribunal Federal (STF) analisa um dos pontos nevrálgicos da disputa eleitoral: o financiamento de campanha. Nas mãos dos ministros está a possibilidade de mexer de forma profunda na discussão eleitoral, sem esperar pela tão sonhada reforma política. Nessa quarta-feira (11), os ministros começaram a julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4650, por meio da qual o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) questiona dispositivos da Lei das Eleições (Lei 9.504/1997) e da Lei dos Partidos Políticos (Lei 9.096/1995), que tratam de contribuições de pessoas jurídicas e físicas para campanhas eleitorais e partidos. Um dia depois o julgamento foi suspenso pelo pedido de vista do ministro Teori Zavascki. Antes da suspensão, os ministros Dias Toffoli e Roberto Barroso votaram pela procedência da ação, acompanhando o voto do relator do caso, ministro Luiz Fux, e do presidente da Corte, ministro Joaquim Barbosa. Só para se ter uma ideia do que isso pode significar, em 2010 a soma das doações dos 30 deputados estaduais do Espírito Santo, segundo o #rackdayes, no Facebook, foi de R$ 10, 3 milhões, a maioria proveniente de empresas e de investidores. Os maiores financiadores de campanhas do Estado, desconsiderando os comitês partidários, são: a Aracruz Celulose (Fibria); a Cisa Trading; Marina Park Empreendimentos; Vescovi & Bitti LTDA; Antônio Rubens Decottignies – criador da Construtora Decottignies; Cotia Vitoria Serviços e Comercio; Marlim Azul Comercio de Petróleo e Derivados; e a Verdi Construções. A decisão do Supremo pode evitar essa aberração. Como bem destacou o ministro Tóffoli, o que se está discutindo na Corte não é o financiamento de campanha, e sim o financiamento da democracia. Para Toffoli, permitir o financiamento de campanhas por pessoas jurídicas é conceder a quem não tem direito a voto uma forma alternativa e mais eficaz de participar do processo eleitoral. Mas não é só isso, a influência das empresas não termina com a eleição, muito pelo contrário, ela passa a ter voz dentro não só do parlamento, mas também do Executivo. No Espírito Santo, a situação chegou a um ponto tão grave nesta relação, que ONG empresarial (se é que isso existe) participa da elaboração do projeto de governo.
Participantes de seminário que discutiu violência estatal lançam manifesto
O seminário Violência Estatal e Exclusão Social: o estado policial e a criminalização da miséria no Espírito Santo, realizado nesta quinta-feira (12) e sexta-feira (13), gerou o Manifesto contra a Violência Estatal com proposições, diante do cenário apresentado pelos palestrantes nos dois dias de encontro. Os participantes relataram inúmero casos de violac?o??es imotivadas e gratuitas. Os casos foram relatados como violência cotidiana, patrocinada pelo Estado, sob a forma de humilhac?a??o, vexame e constrangimento. Os palestrantes também mostraram que se encontra em curso no Estado o encarceramento e segregação seletiva e em massa da população pobre e, sobretudo, negra. Eles denunciaram que o Estado optou pela viole??ncia policial e pela criminalizac?a??o dos movimentos sociais como forma de controle social. O uso indiscriminado de spray de pimenta, gás lacrimogêneo e balas de borracha em presos do sistema penitenciário e em manifestantes também foi denunciado no seminário. Os participantes acreditam que essa é uma opc?a??o poli?tica e ideolo?gica do governo do Estado. O manifesto propõe a desmilitarização da Polícia Militar, que, apesar de não exaurir as causas da violência institucional e a criminalizac?a??o da populac?a??o pobre e dos movimentos sociais, essa medida é fundamental para a remoc?a??o de um dos u?ltimos entulhos da ditadura militar, consistente na submissa??o das poli?cias a??s Forc?as Armadas, como forc?a auxiliar. Pedem, ainda, a revisão dos critérios judiciais da política criminal, de maneira a minimizar a subjetividade na análise das condições pessoais, sociais e econômicas dos acusados. A implementação do monitoramento permanente pela sociedade civil organizada dos indicadores atinentes à violência institucional, com a adoção de instrumentos garantidores da publicidade e transparência desses indicadores; e a instalação de um Fórum Popular de Segurança e Cidadania, de caráter permanente, independente e plural, com vistas à discutir e implementar ações integradas da sociedade civil e dos ativistas autorais pelo aperfeiçoamento da política de segurança pública também foram pedidos do manifesto.
DER-ES visita sistema de radares no Sul antes da assinatura de novo contrato
O Departamento de Estradas de Rodagem do Estado (DER-ES) anunciou, esta semana, os locais em que serão realizadas as visitas técnicas obrigatórias dentro da licitação para a contratação dos serviços de fiscalização eletrônica em vias estaduais. O consórcio paranaense Velsis x Suprema, vencedor de um dos dois lotes em disputa, agendou a realização de três visitas na sede das empresas, no estado do Paraná, e ao serviço de radares, em funcionamento no município de Balneário Camboriú, em Santa Catarina. De acordo com o aviso publicado no Diário Oficial do Estado, a presidente da comissão licitante, Fernanda Leal Reis, comunicou que as visitas devem ocorrer na próxima quinta-feira (19) e sexta-feira (20). A inspeção é um dos últimos requisitos previstos antes da assinatura do contrato. Todas as empresas interessadas poderão participar da visita, que deve confirmar ou não os termos da proposta apresentada. Caso a licitante não atenda à convocação, não realize a demonstração ou não fique ainda comprovado o atendimento das características dos equipamentos/sistemas ofertados, o edital prevê que a empresa será automaticamente desclassificada. Esse mesmo procedimento deverá ser adotado no lote 1, vencido pela empresa paulista Splice Indústria, Comércio e Serviços Ltda, cujo resultado está sendo impugnado por dois concorrentes. No entanto, a empresa será convocada somente após o resultado do recurso, caso seja mantida como a vencedora. A licitação para a contratação dos serviços de radares no Espírito Santo foi dividida em dois lotes: o primeiro tem como objeto a fiscalização eletrônica em trechos nos corredores metropolitanos da Grande Vitória, enquanto o segundo prevê a operação dos radares em rodovias estaduais. No lote 1, a melhor proposta econômica foi de R$ 12,13 milhões. Já no lote 2, o consórcio paranaense apresentou o valor de R$ 9,17 milhões. Ao todo, o edital estipula a instalação de até 449 equipamentos de fiscalização – 225 no lote 1 e 224 no outro –, de vários tipos, desde os radares fixos (pardais), controladores de velocidade (postes) e até equipamentos estáticos (que podem ser deslocados de um trecho para outro na via). A licitação foi aberta em julho deste ano e chegou a ser suspensa pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) após suspeitas de irregularidades.
Pesquisa CNI/Ibope força ‘mergulho profundo’ de Paulo Hartung sobre 2014
A pesquisa da Confederação Nacional das Indústrias (CNI)/Ibope divulgada nessa sexta-feira (13), mostrando um crescimento de 20 pontos percentuais na aprovação do governo Renato Casagrande, deve trazer mudanças para o cenário eleitoral do Estado em 2014. Isso porque a aprovação de Casagrande, que chega a 49%, acende um alerta no grupo do ex-governador Paulo Hartung e no PMDB capixaba. O peemedebista, que vem mantendo segredo sobre sua pretensão de disputar o governo em 2014, depois desse resultado, deve mergulhar ainda mais sobre o tema. O perfil político de Hartung não é o de assumir riscos eleitorais e o cenário é o mais arriscado das últimas eleições no Estado. Além do crescimento de Casagrande, o palanque da presidente Dilma Rousseff mostra fragilidade no Espírito Santo. Isso coloca Hartung contra a parede. O ex-governador vem sendo pressionado pelo PT nacional e pelo ex-presidente Lula a assumir a vaga de candidato ao governo pelo palanque de Dilma Rousseff, mas com a baixa aprovação de Dilma no Estado – é o terceiro menor do País – e o crescimento de Casagrande, o cenário fica adverso para a disputa do ex-governador. Hartung teria que, além de superar Casagrande nas urnas, puxar o palanque de Dilma. Ainda mais porque os votos necessários para fortalecer a campanha de Dilma no Estado estariam em um eleitorado que não é o de Hartung, e sim do senador Magno Malta (PR), que também oferece o palanque para a campanha presidencial petista. Magno, no entanto, não confirma sua candidatura. Por outro lado, Renato Casagrande já criou condições alternativas para ancorar seu palanque. Caso PMDB e PT realmente deixem seu grupo, o governador já tem pavimentado um caminho para seu próprio presidenciável, Eduardo Campos (PSB-PE), que como não é conhecido, ainda tem chance de crescer na disputa.
???A grande verdade é que precisamos repensar o nosso modelo de Judiciário???
Nerter Samora/José Rabelo/Rogério Medeiros Fotos: Apoena/Porã Após dois anos de gestão à frente do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), o desembargador Pedro Valls Feu Rosa, que deixa o cargo na próxima quinta-feira (19), marcou uma nova relação do Poder Judiciário com a voz das ruas. Apesar da instituição de medidas consideradas inovadoras, como a criação do Botão do Pânico, iniciativa premiada no combate à violência contra a mulher; do painel Torturômetro e da instalação da Vara Anticorrupção, o chefe do TJ capixaba avalia que fracassou em outras áreas. Em entrevista concedida a Século Diário, Pedro Valls fez um diagnóstico do que viu durante seu mandato e atribuiu a ele uma parcela de culpa pela falta de reconhecimento popular ao próprio Poder Judiciário: “Seria muito fácil ir perante a população e dizer que é só nomear magistrados e servidores, mas iria contra os meus princípios, porque essa não é a verdade. A grande verdade é que precisamos repensar o nosso modelo de Judiciário, o nosso modelo de legislação”. Pedro Valls cita problemas culturais em várias áreas, que prejudicam uma mudança de patamar do Espírito Santo, do Brasil e da própria Justiça, e defende uma nova reflexão da sociedade em relação ao tratamento dado aos presos e parentes de detentos do sistema prisional. Ele refuta a ideia de que os militantes dos direitos humanos sejam “defensores de bandidos”, assim como o pensamento de que “vale tudo, até mesmo contra os parentes de presos”. Em relação ao sistema prisional, o presidente do TJES afirmou que se chocou com a prática rotineira de tortura a detentos no Estado. Ele citou o episódio de violações aos direitos humanos, que rendeu a alcunha de “masmorras” para as unidades prisionais capixabas. Pedro Valls também abordou as questões relacionadas ao combate à corrupção e à improbidade, assim como as dificuldades enfrentadas para a isonomia de tratamento entre miseráveis e os poderosos. – Século Diário: Presidente, valeu a pena? Pedro Valls Feu Rosa – Valeu, sem dúvida alguma. Foi um pequeno passo na busca de uma mudança de cultura, o Espírito Santo precisa mudar. Não depende de uma pessoa, nem de uma instituição. Mas há uma cultura que precisa mudar, se o Estado pretende se consolidar como aquele que atrai investimentos, diminui o desemprego e gera riqueza para todos. – Quando senhor assumiu, dos desafios que o senhor vislumbrou, quais avaliou como complicados e acabaram te surpreendendo? – Eu colocaria dois assuntos que pareciam complicados e, que, na prática, se mostraram mais complicados do que a expectativa. O primeiro deles é a questão da tortura. Eu não fazia ideia do grau, da rotina que a tortura desfrutava no Espírito Santo, isso me chocou. Quando nós implantamos o Torturômetro, os primeiros dias ele era “zerado” de manhã, de tarde e de noite. Isso mostrou uma prática inserida dentro de um contexto cultural. Veja que o nosso recorde foi de 46 dias. Nós vivemos num país em que a presidente da República [Dilma Rousseff] já foi torturada. Mas que após tanta esforço, reportagens da imprensa, tantas denúncias, visitas às cadeias, o nosso recorde ter sido de 46 dias é algo que provoca uma reflexão. Evidentemente, mudar isso é algo que demanda tempo. Mas alguns poucos passos foram dados para que esse tema seja discutido. – E o segundo assunto… – O segundo problema que não imaginava ser tão grave é aquele relativo a questões de improbidade e corrupção. Vejo hoje que há uma necessidade no Espírito Santo, que a gente se conscientize de que a lei deve ser igual para todos. Há a necessidade das pessoas perceberam que só os miseráveis estão nas prisões. E dessa discussão sairá, sem dúvida alguma, um ambiente judiciário mais sereno, mais produtivo e mais justo. – Em relação às torturas, lembro que em seu discurso de posse, o senhor reservou essa questão como um dos desafio da futura gestão. O desembargador utilizou uma expressão de que “precisávamos virar essa página”. Nós conseguimos? – Nós não conseguimos e estamos ainda longe de virar essa página, e isso me surpreendeu. Ver que toda uma cultura considera aceitável o que se faz de tudo contra certo tipo de gente… – O senhor quer dizer que a população aceita isso passivamente? – Isso me chocou! Veja, por exemplo, aquele episodio dos 52 presos que foram sentados sob o cimento quente, alguns dos quais chegaram a ter a carne derretida até chegar o osso. Chocou-me tanto o episódio em si, como o fato de ele ter ficado oculto, escondido, durante vários dias. Só nos descobrimos após uma visita do Bruno [Toledo, chefe de Gabinete do presidente do TJES e militante dos direitos humanos] a uma unidade prisional. Isso choca. Mostra uma questão cultural. – Na nossa cobertura também nos deparamos com comentários, como, por exemplo, “está com pena [dos presos], leva para a casa”. As pessoas acham que estamos defendendo os direitos dos presos, que não tem de defender… – Vamos tirar o aspecto espiritual e humanitário? Vamos ficar com os dados concretos. No Brasil, não há prisão perpétua. Essas pessoas, esses torturados, daqui a pouco vão estar na rua, do meu lado, do nosso lado, do lado de nossos familiares. Então é uma questão de inteligência. Não é toa que o índice de reincidência no país chega a 80%. Será que as autoridades não perceberam que estamos enxugando gelo? Isso está errado. Vamos tirar o aspecto cristão, vamos pela lógica, está errado. Confesso que foi uma experiência aterradora constatar o grau. – Desembargador, podemos considerar que a adoção desse padrão americano nos novos presídios desde o governo anterior, é apenas uma mudança na forma, mas a cultura permanece a mesma. O senhor até relata um flagrante que temos novas denúncias de tortura, a mudança interna ainda não ocorreu? Percebemos que há certa resistência da Secretaria de Justiça (Sejus) e dos órgãos de fiscalização… – Da própria população, e valho-me do seu testemunho de que se “está defendendo bandido”. Essa é uma questão que exige uma mudança de
Programa de Incentivo à regularização fiscal é instituído em Vitória
Foi publicada nessa sexta-feira (13), a Lei 8.592 que institui o Programa de Incentivo à Regularização Fiscal com a Fazenda Pública de Vitória – Refis Vitória. A medida, segundo a Prefeitura, dará chance à população de parcelar débitos de Impostos Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), Taxas de Coleta de Resíduos Sólidos (TCRS) e Iluminação Pública (Cosip). Segundo a administração, o Refis Vitória tem como objetivos facilitar a quitação para quem tem dívida de impostos com o município, diminuir a inadimplência dos tributos e proporcionar condições para reduzir o passivo tributário, especialmente a dívida ativa, que atualmente é de R$ 1,7 bilhão. De acordo com o programa, a partir do Refis, o contribuinte poderá parcelar o débito com a Prefeitura. No caso de pessoa física, a parcela não poderá ser menor que R$ 50. Já para as empresas, o pagamento mensal terá que ser de, pelo menos, R$ 200. Para pagamento à vista, a redução no valor da multa e dos juros de mora será de 100%. Com o programa, a Secretaria Municipal de Fazenda (Semfa) espera ampliar a arrecadação, sem aumentar os impostos. “Esta será a única janela de oportunidade para o contribuinte se regularizar na Prefeitura de Vitória. O programa vai durar 90 dias e não haverá outra chance para essa renegociação”, explicou o secretário municipal de Fazenda, Alberto Borges. A maior parte dos débitos é de valor igual ou menor que R$ 3 mil, o que não valeria a pena recorrer à Justiça. Grande parte dos débitos já está em discussão judicial, ou seja, todas as medidas administrativas para a cobrança já foram adotadas, porém sem êxito.
Iema: prática do ciclismo provoca degradação de áreas de conservação
O Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) recebeu várias denúncias nos últimos meses sobre a prática de ciclismo em unidades de conservação da Grande Vitória. Os locais mais atingidos são o Parque Paulo César Vinha, em Guarapari e, principalmente, a Reserva Biológica (Rebio) de Duas Bocas, em Cariacica. Recentemente, a ação desses grupos foi vista até mesmo no Parque da Fonte Grande, em Vitória. A conduta não é recente e, segundo o Iema, os praticantes registram seus passeios em vídeos e fotos que podem rapidamente ser encontrados nas redes sociais e no site YouTube. Joseany Trarbach, coordenadora de Áreas Protegidas do Iema, explica que o órgão não é contra a prática do ciclismo, entretanto, o esporte deve ser praticado em locais que suportam a estrutura dos passeios de bicicleta, e não em Rebios, como é um dos casos, que devem permanecer sem interferência, já que são importantes locais de preservação biológica e, especificamente no caso de Duas Bocas, uma importante reserva de água para a região da Grande Vitória. O Movimento Ciclistas Urbanos Capixaba (CUC) reforça que é favorável ao esporte, mas que este deve ser praticado em locais planejados e autorizados para tal fim. O grupo que pratica as atividades nas reservas não tem relação com o CUC. A coordenadora considerou que os danos causados pelas bicicletas, em alguns casos, podem ser semelhantes aos danos causados por motocicletas, podendo atingir espécies animais e vegetais que ainda não são catalogadas e de forma que não seja possível registrar o dano. O Iema solicita que estes ciclistas respeitem a sinalização que proíbe o uso de bicicletas principalmente nas reservas biológicas, já que as áreas são de proteção permanente e a persistência nessa prática pode resultar em crime ambiental. Segundo Joseany, os gestores da Rebio Duas Bocas já orientaram os ciclistas sobre o impedimento da realização do esporte no local. Mas a atividade é reincidente e, inclusive, foram detectados desmatamentos para a abertura de trilhas entre a mata, feitos pelos próprios praticantes da atividade. A coordenadora informou que o Iema já tomou as providências necessárias e convocou a Polícia Civil para uma investigação. Com os resultados em mãos, o instituto poderá exercer seu poder de polícia para punir os responsáveis.
A cultura da tortura
Em entrevista a Século Diário, publicada neste sábado (14), o presidente do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), desembargador Pedro Valls Feu Rosa, lamentou que não tenha conseguido dobrar página das violações no sistema prisional capixaba. Há dois anos, quando assumiu a corte estadual, Pedro Valls prometeu que não mediria esforços para mudar essa realidade funesta. E de fato não mediu. O desembargador constituiu a Comissão de Prevenção e Enfrentamento à Tortura, que deu vazão às denúncias que estavam represadas até então. Paralelamente à comissão, Pedro Valls criou o Torturômetro. O “contador de tortura”, considerado pelos críticos como ferramenta midiática, surgiu com o intuito de expor à sociedade a gravidade de um problema que sempre foi tratado veladamente. “Eu não fazia ideia do grau, da rotina que a tortura desfrutava no Espírito Santo. Isso me chocou. Quando nós implantamos o Torturômetro, os primeiros dias ele era ‘zerado’ de manhã, de tarde e de noite. Isso mostrou uma prática inserida dentro de um contexto cultural. Veja que o nosso recorde foi de 46 dias. Nós vivemos num país em que a presidente da República [Dilma Rousseff] já foi torturada. ” A constatação do presidente do tribunal, além de chocante, é muito lúcida, pois ele tem plena dimensão do enraizamento da cultura da tortura no Estado. Nessa sexta-feira (13), durante o seminário “Violência Estatal e Exclusão Social: o estado policial e a criminalização da miséria no Espírito Santo”, o defensor público Bruno Pereira do Nascimento ratificou a análise do desembargador sobre a cultura da tortura ao fazer uma grave denúncia. O defensor público apresentou dados alarmantes sobre as violações no sistema penitenciário capixaba que, como alertou o desembargador, não cessaram. Ele disse que o sistema segue a lógica perversa do aparato punitivo. Nascimento explicou que durante o governo Paulo Hartung predominou a lógica de dominação do corpo do detento, com mortes, esquartejamentos e mutilações. Depois de todo o processo de reformulação do sistema, a perversidade foi refinada, já que a massa de exclusão social foi retirada das “masmorras” e colocada em unidades novas. O defensor advertiu que o próprio Estado legitima as violações. “Estamos vivenciando um exponencial crescimento do uso de munição não letal dentro das unidades prisionais”. Nascimento exibiu ao público um vídeo que mostra um agente penitenciário colocando um preso no “procedimento” na cela, que consiste em sentar no chão, com as mãos entrelaçadas atrás da cabeça para revista. Com a negativa do preso em atender a ordem, o agente atira uma bomba de gás lacrimogêneo na cela e o preso, já sentado e com as mãos entrelaçadas, desmaia. O preso teve de ser arrastado para fora da cela e não recobrou a consciência até o fim do vídeo, que tem cerca de quatro minutos de duração. A cena, para muitos, pode ser corriqueira e não tão grave, se levarmos em conta que até outro dia os presos eram trucidados nas unidades. Mas do que o flagrante de violação, o que mais choca é o fato de o vídeo ter sido feito pelos próprios agentes. Eles interpretaram o vídeo como um procedimento bem-sucedido dos agentes para impor disciplina aos presos. Talvez tenha até finalidade didática para treinar agentes novatos. O episódio reforça a análise de Pedro Valls, que faz um alerta para os que acham que prisão é lugar de sofrimento, suplício, tortura e outras formas de violações. Vale a reflexão a seguir do presidente do tribunal para todos aqueles que criticam os militantes de direitos, os julgando, pejorativamente, como “defensores dos direitos dos manos”. “No Brasil, não há prisão perpétua. Essas pessoas, esses torturados, daqui a pouco vão estar na rua, do meu lado, do nosso lado, do lado de nossos familiares. Então é uma questão de inteligência. Não é à toa que o índice de reincidência [nos presídios brasileiros] chega a 80%. Será que as autoridades não perceberam que estamos enxugando gelo? Isso está errado. Vamos tirar o aspecto cristão, vamos pela lógica, está errado. Confesso que foi uma experiência aterradora constatar o grau da tortura”.
A luz no fim do túnel.
Com um histórico de lutas pela melhoria na saúde, educação e do esporte, já que foi jogador de basquete, inclusive fazendo parte da seleção brasileira sub 20, o vereador Marcelão (PT) vem batalhando em defesa dos direitos humanos na Câmara de vereadores de Vitória. Com 50 anos de idade, na política desde os 19, já foi diretor da APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) e fundador do Vitória Down. Sempre presente nos centros de convivência da terceira idade compartilhando anseios e reivindicações para melhoria de vida dos que já passaram dos 60 anos. Marcelão vem buscando trabalhar em defesa de minorias socialmente frágeis e vitimas da intolerância e preconceito, da desinformação e de grupos e políticos fundamentalistas. No mês de outubro passado, após fortes debates e argumentos contrários mascarados pela demagogia política, Marcelão conseguiu aprovar o dia municipal de combate a homofobia, a ser comemorado todo dia 12 de março, exatamente o dia da criação do Grupo Triangulo Rosa, que foi o primeiro grupo organizado de defesa dos LGBTs no Espírito Santo. O dia 12 de março passa a constar no calendário oficial da Prefeitura de Vitória como uma data voltada para o debate e para a avaliação de políticas públicas e privadas em defesa da integridade física e dos direitos civis de Lésbicas, gays, Bissexuais, travestis e transexuais. Um marco de grande importância para a sociedade, já que o Espírito Santo é destaque nacional pela segregação e desrespeito a segurança e ao bem-estar da diversidade sexual. Isso acende uma luz no fim do túnel, uma esperança em que novos projetos venham se juntar a esse na reparação do dano social que vem sofrendo os LGBTs, desde o bullying nas escolas, o que provoca evasão das salas de aulas, sofrimento físico e psíquico chegando mesmo a culminar com o suicídio de crianças e adolescentes. Não dá para esquecer o caso do menino Holiver. – ao assédio moral com profissionais em empresas, até mesmo a agressões sociais em bares, boates, clubes, igrejas e no dia a dia das ruas quando são desrespeitados em seu direito de ser quem são e amar quem amam. Claro que um dia de combate a homofobia é apenas uma data simbólica de luta, como disse o próprio Marcelão: “Meu objetivo é contribuir para um momento de reflexão contra esse crime que é a homofobia”. Certamente isso fortalece e muito a militância e inspira novas ações em prol de uma sociedade mais inclusiva. Precisamos de mais atitudes assim. Mais uma vez, pense nisso quando for votar ano que vem. Luiz Felipe Rocha da Palma (Phil Palma) é publicitário. Nas “horas vagas” (às quartas) comanda o programa “Praia do Phil” pela Rádio Universitária FM, onde defende os LGBTs e denuncia a homofobia. Fale com o autor: philpublicitario@gmail.com