O Ministério Público Especial de Contas (MPC) ajuizou, nessa terça-feira (10), uma representação no Tribunal de Contas do Estado (TCE) contra o ex-prefeito da Serra, Sérgio Vidigal (PDT), acusado de irregularidades contábeis, além de ter deixado dívidas milionárias para o seu sucessor, o prefeito Audifax Barcelos (PSB). Na ação, o procurador de Contas Heron Carlos Gomes de Oliveira pede a suspensão imediata dos pagamentos de uma dívida de R$ 51 milhões com a empresa responsável pelos serviços de limpeza pública no município, que foi reconhecida pelo pedetista apenas no último mês de gestão, em dezembro de 2012. O órgão ministerial apontou uma série de indicativos de irregularidades contábeis na gestão de Sérgio Vidigal entre os anos de 2009 a 2012. O procurador indicou que o ex-prefeito deixou um déficit financeiro de R$ 62,93 milhões nas contas da prefeitura. Além das despesas inscritas em restos a pagar (quando os débitos são repassados para o próximo exercício financeiro) O representante do MPC também listou valores destinados ao pagamento de precatórios junto ao Tribunal de Justiça do Estado (TJES), que não foram repassados por Vidigal. Além das grandes somas de dívidas herdadas pela atual administração, Heron de Oliveira destacou ainda a prorrogação do contrato com a empresa Engeurb, responsável pelo serviço de limpeza público, que previu o reconhecimento de uma dívida de R$ 51,38 milhões por supostas diferenças nos valores contratuais entre os anos de 2006 e 2012. Além da prorrogação do acordo por mais vinte anos, Vidigal também concordou com o parcelamento da dívida pelo mesmo período, atitude classificado pelo procurador como “nefasta”. “Deve-se destacar que os vultosos valores apurados no déficit financeiro evidenciam a nefasta prática de contrair despesas e não pagá-las, oportunamente. Por seu turno, valendo-se de um mecanismo para ‘maquiar’ o Balanço Anual de 2012, o então gestor municipal, simplesmente, promoveu o parcelamento da supracitada dívida de R$ 51.381.468,08, no último mês do último ano do seu mandato, ‘rolando’, para a gestão subsequente, um débito que teve origem em exercícios anteriores e que foi aumentando devido à flagrante falta de planejamento financeiro”, diz a ação. Na representação, o procurador pede a responsabilização do ex-prefeito pela autorização do pagamento, já que a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) proíbe que despesas “ultrapassem” o exercício financeiro, sem que haja valores reservados para o pagamento nos meses restantes: “Existem robustos indicativos de cometimento desta prática no caso […] Observou-se que das 96 parcelas desta dívida, apenas uma, com valor de R$ 535 mil, fora diligentemente empenhada, liquidada e paga ainda em dezembro de 2012. Quanto ao restante do débito [R$ 49.846.942,194], há indícios de que ele tenha sido ‘rolado’ para a gestão seguinte, sem a correspondente fonte de receita”. Também foram levantadas suspeitas de irregularidades em repasses para o Instituto de Previdência do Município, bem com o calote em mais de R$ 15 milhões em valores descontados na folha de pagamento de servidores (consignações), mas que não foram repassados aos destinatários legais, o que representa quase 70% do total. O representante do MPC também listou a assinatura de 128 contratos, a partir de maio do ano passado, quando é vedada a assunção de dívidas. A ação do Ministério Público também questionou a inauguração de obras inacabadas pelo ex-prefeito. De acordo com dados da prefeitura, o município tinha 43 obras inacabadas ou paralisadas, em janeiro deste ano – quando o prefeito Audifax Barcelos (PSB) assumiu o cargo. Foram citadas duas obras, de uma escola municipal e da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Serra Sede, que foram inauguradas sem a conclusão das obras. “Destarte, a conduta de um Gestor que, no último ano de seu mandato, inaugura, como acabadas, obras que, em verdade, se apresentam incompletas, denota improbidade, má-fé e ausência de senso moral com o mandato que lhe fora outorgado pela sociedade serrana”, avaliou o procurador. O representante do MPC também denunciou a “contratação informal” de uma empresa para o serviço de locação de painéis para exibição dos jogos da Copa do Mundo de Futebol de 2010, além da edição de “fictício crédito adicional suplementar” [de R$ 30 milhões], com o propósito de alterar a Lei Orçamentária Anual (LOA) para a realização de gastos que não estavam previstos inicialmente. Entre os pedidos da ação, o procurador Heron de Oliveira pediu a apuração rigorosa de todas as suspeitas de irregularidades listadas, assim como a abertura de uma auditoria nas contas do prefeito Sérgio Vidigal no exercício de 2012 e a investigação sobre todos os procedimentos da licitação que culminou com a contratação da empresa Engeurb. Os autos do processo (TC 9774/2013) ainda não foram distribuídos para o relator designado, de acordo com informações do TCE. Ex-prefeito contesta números Procurado pela reportagem, o ex-prefeito Sérgio Vidigal disse que ainda não foi notificado da representação, mas que está tranquilo em relação às denúncias. O pedetista acredita que o Ministério Público cometeu um equívoco na análise dos documentos contábeis enviados pelo atual prefeito. Vidigal contestou ainda o valor da suposta dívida que, segundo ele, está bem abaixo do alegado por Audifax (R$ 230 milhões) e do próprio MPC. Ele alega que deixou a prefeitura com um saldo de R$ 60 milhões, número que não teria sido considerado na análise preliminar pelo órgão ministerial. Sobre o contrato com a Engeurb, Vidigal afirmou que a dívida foi reconhecida, inclusive, pelo sucessor. “Não é uma dívida da minha gestão, mas sim do município, após decisão judicial”, assegurou. Já a Prefeitura da Serra informou que ainda não foi notificada da representação e aguarda uma decisão do Tribunal de Contas.
Requerimento de vaga na rede estadual de ensino começa nesta quinta-feira
Os pais interessados em matricular seus filhos na rede pública de ensino devem se encaminhar a um dos 107 postos de atendimentos da Secretaria Estadual de Educação (Sedu) na Grande Vitória para se inscrever na “Chamada Pública Escolar 2014”. De acordo com a Sedu, os requerimentos podem ser feitos desta quinta (12) até sábado (14) em Cariacica, Guarapari, Vitória, Serra, Vila Velha, Viana e Fundão. Nas cidades localizadas no interior do Estado a chamada poderá ser requerida nas escolas públicas locais, dentro do horário de funcionamento de cada uma delas. Esta é a terceira etapa da chamada e atende aos alunos que estão fora da escola pública ou que pertencem ao sistema particular de ensino. Nesta fase, os pais ou responsáveis também precisam indicar três opções de unidades de ensino em que desejam matricular os filhos. A documentação necessária para realizar o procedimento é: certidão de nascimento ou outro documento que comprove identidade; comprovante de escolaridade (se já tiver frequentado escola anteriormente) por meio de histórico escolar ou de declaração (a partir da 2ª série do ensino fundamental de 8 anos e do 2º ano do ensino fundamental de 9 anos) e comprovante de residência original, preferencialmente a conta de energia elétrica. A divulgação do resultado das unidades onde os alunos serão matriculados vai estar disponível a partir do dia 30 de dezembro no site da Sedu, e no local onde foi realizado o cadastramento. Já o período de efetivação da matrícula nas escolas da rede pública estadual será de 06 a 17 de janeiro de 2014. O pai ou responsável que não comparecer à unidade de ensino para efetivar a matrícula não terá garantida a vaga pleiteada e ficará sujeito a ser alocado em outra unidade de ensino que houver vaga.
PT nacional aprova diretrizes para estados na eleição 2014
Em reunião nessa quarta-feira (11), em Brasília, o diretório nacional do PT aprovou uma resolução contendo as diretrizes a serem seguidas por suas estaduais na eleição de 2014. Um dos pontos que mais chama atenção é que os diretórios só poderão registrar a chapa depois de a coligação articulada nos estados for aprovado pela nacional. Isso impedirá que os diretórios estaduais façam alianças que vão de encontro com os interesses do partido em nível nacional. Segundo o documento, os diretórios estaduais serão orientados para que as coligações atendam às diretrizes sobre tática eleitoral e política de alianças a serem aprovadas para as eleições de 2014. A nacional chapa a atenção para a estratégia presidencial, para que as alianças levem em conta a melhor tática para garantir a reeleição da presidente Dilma Rousseff. Também é meta do partido ampliar a bancada no Senado Federal, na Câmara de Deputados e nas Assembleias Legislativas. Segundo interlocutores na cúpula petista, o objetivo no próximo ano é fechar alianças em que o PT comande chapas nos grandes colégios eleitorais. Nos colégios menores, como é o caso do Espírito Santo, o objetivo é eleger senador. No Estado, o partido trabalha com a possibilidade de eleger o ex-prefeito de Vitória, João Coser ao Senado e apoiar a candidatura do ex-governador Paulo Hartung ao governo. O partido deixa claro, porém, que acompanhará de perto as movimentações nos estados, evitando que os partidos fujam das diretrizes aprovadas em Brasília, nessa quarta. “Respeitada a autonomia e a disputa interna a respeito do processo de escolha das pré-candidaturas majoritárias e da discussão sobre alianças eleitorais estaduais, a chapa final com a definição sobre coligações, em cada Estado, somente poderá ser registrada perante a Justiça Eleitoral após a devida aprovação pela direção nacional”, diz o documento. Para acompanhar as movimentações nos estados adotará os procedimentos necessários que serão definidos no processo de preparação das eleições de 2014.
Cenário com Hartung no Senado e Coser na suplência não convence PT nacional
Começou a ganhar fôlego nos últimos dia nos meios políticos a ideia de que o presidente do PT estadual, João Coser, poderia compor uma chapa como suplente do ex-governador Paulo Hartung (PMDB), que estaria mais inclinado a disputar o Senado que o governo do Estado em 2014. Mas no PT nacional, essa ideia não está sendo cogitada. A aliança entre PT e PMDB só se sustenta se o ex-governador for candidato ao governo do Estado. A movimentação orquestrada pelo ex-presidente Lula tem o objetivo de isolar o governador Renato Casagrande, para enfraquecer o palanque do PSB, que tem candidato a presidente da República com o governador de Pernambuco Eduardo Campos. Lula já disse que quer também reforçar a bancada petista no Senado, e o nome para a disputa seria o de João Coser. Sem Hartung na cabeça de chapa, o PT não vai compor com o PMDB. A alternativa do partido, o senador Ricardo Ferraço, não seria uma opção para o ex-presidente Lula e a cúpula do PT nacional. Além de ter menor densidade eleitoral, Ferraço é tido como opositor ao governo federal, logo, sem condições de sustentar o palanque da presidente Dilma Rousseff no Estado. Se o ex-governador Paulo Hartung não disputar o Palácio Anchieta, a nacional vai forçar o PT a caminhar sozinho no Estado. Isso significa forçar João Coser a se candidatar ao governo do Estado para dar a sustentação exigida pela nacional ao palanque presidencial. O ex-governador continua evitando falar abertamente sobre a disputa do próximo ano, aumentando as especulações sobre seu papel na eleição. Além do Senado e do governo, também se cogita a possibilidade de Hartung retomar conversas com Casagrande. Já Coser, embora tenha lealdade ao grupo do ex-governador Paulo Hartung, será forçado pela nacional a desempenhar o papel necessário para atender a prioridade da reeleição presidencial. A preocupação da cúpula petista é garantir o espaço para Dilma no Estado. Em 2010, a presidente perdeu a eleição no Espírito Santo. Naquele momento, porém, o pequeno eleitorado do Estado não era tão importante para a eleição presidencial como será no próximo ano. Os adversários do presidente Eduardo Campos e o senador Aécio Neves (PSDB-MG) tornam a eleição mais acirrada, e cada estado terá peso na disputa. Como o Espírito Santo é governado por um socialista, o Estado entra no mapa de colégios eleitorais que receberão atenção redobrada em 2014.
Liminar garante inscrição de candidatos sub judice em concurso para juiz do TJES
A desembargadora federal Maria Helena Cisne, do Tribunal Regional Federal da 2º Região (TRF-2), garantiu a inscrição de dois candidatos sub judice no concurso para juiz substituto do Tribunal de Justiça do Estado (TJES). O edital de convocação dos concorrentes foi publicado no Diário da Justiça desta quinta-feira (12), em atendimento à decisão liminar. A inclusão dos novos candidatos não deve adiar a continuidade do processo seletivo, que deve se encerrar no primeiro trimestre de 2014. De acordo com o presidente da comissão organizadora do concurso, desembargador Fábio Clem de Oliveira, os dois candidatos beneficiados pela liminar (Graciela de Rezende Henriquez e João Carlos Lopes Monteiro Lobato Fraga) vão participar da terceira e quinta etapas do concurso, que consistem no requerimento de inscrição definitiva, sindicância da vida pregressa, entrega de títulos e realização de exames médicos. Os procedimentos estão marcados para esta sexta-feira (13), enquanto a divulgação dos resultados e análise de eventuais recursos acontece na próxima semana. No cronograma inicial do concurso, os 118 candidatos regulares já haviam sido submetidos a essas fases no final do mês passado. Apesar disso, a inclusão dos novos concorrentes não deve adiar o processo de seleção, que está em vias da divulgação do resultado definitivo da terceira fase – marcada para a próxima quarta-feira (18). O concurso público para juiz substituto teve início em 2006, mas foi alvo de vários adiamentos por conta das suspeitas de fraudes, após a deflagração da Operação Naufrágio, no fim de 2008. A expectativa da banca do concurso é de que o resultado final seja anunciado até o final de janeiro de 2014. O presidente eleito do TJES, desembargador Sérgio Bizzotto Pessoa de Mendonça, que toma posse nesta segunda-feira (16), anunciou que deve promover a nomeação dos 20 novos juízes até março próximo. Segundo o atual presidente do Tribunal, desembargador Pedro Valls Feu Rosa, o déficit de magistrados passa de 120 juízes em todo Estado. Esse mesmo problema foi eleito pelo sucessor como um dos principais desafios de sua gestão.
Rodoviários planejam novos protestos para esta sexta-feira 13
Não bastasse o nó que as festas de fim de ano comumente causam no trânsito, a quinta-feira (12) do capixaba ficou ainda mais complicada por causa de duas agravantes: a chuva e os protestos de motoristas e cobradores, que começaram pela manhã e só terminaram por volta das 19 horas. No final da tarde desta quinta, como haviam prometido, os trabalhadores se concentraram nas escadarias do Palácio Anchieta. Eles queriam ser recebidos por um represente do governo, que ignorou solenemente o protesto e não enviou nenhum interlocutor para negociar com os trabalhadores. Debaixo de chuva e cansados de esperar, motoristas e cobradores, de guarda-chuvas em punho, suspenderam os protestos por hoje, mas prometem retomar nesta sexta-feira (13). O Sindirodoviários já avisou que os protestos vão continuar até segunda-feira (16). Se não houver avanços nas negociações, a categoria não descarta uma greve geral. Catraca livre Durante todo o dia muitos ônibus do sistema circularam sem cobradores e os usuários não pagaram passagem. A orientação da Companhia de Transportes Urbanos da Grande Vitória (Ceturb), é que os ônibus devem continuar circulando mesmo sem cobradores para minimizar os transtornos à população Durante a manhã desta quinta, o Sindirodoviários também realizou protesto em frente ao Palácio Anchieta. Por volta do meio dia, os rodoviários deixaram a escadaria do palácio e retornaram ao sindicato, e retornaram novamente às 18 horas, desta vez “escoltados” por uma carreata de ônibus. Negociações O Sindirodoviários já passaram por quatro rodadas de negociação com os sindicatos patronais – Sindicato das Empresas de Transporte Metropolitano da Grande Vitória (GVBus) e Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado (Setpes) – mas não chegaram a um consenso sobre o reajuste e os benefícios para a categoria. A proposta das empresas contemplava reajuste de 7,5% e aumento de R$ 1,5 sobre o valor de cada tíquete alimentação. Já os trabalhadores pleiteiam reajuste salarial de 20% e aumento de R$ 4 nos tíquetes. Os trabalhadores também reivindicam o pagamento integral do plano de saúde pelas empresas. A mudança do plano da operadora Samp Assistência Médica para a Unimed pode acarretar em acréscimo de pagamento para o trabalhador. Para a diretoria, a remuneração de R$ 1,5 mil para motoristas e de R$ 700 para cobradores não atente os trabalhadores.
Um toque de pecado é a estreia do Cine Jardins
O novo filme do diretor japonês Jia Zhang Ke entrelaça quatro histórias em quatro regiões bem distintas da China. Além disso, os protagonistas também são bem diferentes entre si: um mineiro que se revolta contra a corrupção dos chefes; um homem que regressa a casa e descobre uma arma de fogo; uma recepcionista que é assediada por um cliente rico; e um jovem trabalhador fabril que luta por uma vida melhor. Um Toque de Pecado passeia desde a movimentada metrópole de Guangzhou até as cidades mais rurais na província de Shanxi. O longa é descrito pelo diretor como um road movie com cenas de ação. As quatro histórias se assemelham pela violência e corrupção que elas retratam. O filme é uma crítica à China, que apesar de ser um país comunista, o diretor mostra personagens totalmente obcecados pelo dinheiro. Um Toque de Pecado é sobre as contradições da China, mas que estão presentes em todo o mundo e são detalhadas e escancaradas neste drama. Um Toque de Pecado foi selecionado na competição oficial do festival de Cannes em 2013. Antes dele, fazia três anos que nenhum título chinês concorria à Palma de Ouro. O longa conquistou o Prêmio de Melhor Argumento. Serviço Um Toque de Pecado (Tian Zhu Ding, China/Japão, 2013, 70 minutos, 16 anos) Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 2. 21h Exceto terça-feira
Com três histórias fortes, Raça fala das questões étnico-raciais no Brasil
Os diretores Joel Zito Araújo e Megan Mylan seguem três personagens bem diferentes, mas envolvidos em situações semelhantes. O documentário Raça retrata uma batalha contemporânea pela igualdade no Brasil, um país que se orgulha pela multiplicidade, mas que ainda não conquistou uma democracia racial. A primeira história é sobre um famoso cantor negro que está sendo lançado em uma emissora de TV, a segunda acompanha um senador negro que luta pelo Estatuto da Igualdade Racial. E a terceira, uma neta de africanos escravizados que defende os direitos de sua terra ancestral. Apesar de levantar a bandeira da igualdade racial, o foco do filme é no comportamento dessas pessoas e no entorno que envolvem essas histórias. Uma delas é a história da quilombola Elda Maria dos Santos, Dona Miúda, da comunidade de Linharinho, no Espírito Santo. Ela representa toda a resistência e luta dos descendentes africanos, constantemente oprimidos pelos interesses econômicos que cada vez mais rodeiam as terras que são suas por direitos. Joel Zito trabalha junto com a premiada cineasta norte-americana Megan Mylan, juntos eles fazem um retrato sutil dos três personagens que escolheram, apesar de tratarem de problemas ainda muito complicados. Raça completa a trajetória cinematográfica de Joel Zito, que dirigiu os filme A Negação do Brasil (2001), Filhas do Vento (2004) e Cinderelas, Lobos e um Príncipe Encantado (2009). Serviço Raça ( Brasil/EUA, 2012, 106 minutos, 12 anos) Cine Metrópolis: 16h30 e 20h. Exceto Sábado, Segunda e Quinta-feira.
Isabella Mariano lança livro de poemas na Ufes
A poesia de Isabella Mariano é feita de sutilezas, são pequenas doses de sentimento que precisam ser bebidas num gole só. A escritora que já teve alguns poemas publicados na Revista Graciano lança agora o seu primeiro livro, Gotas, dividido em três capítulos: Conta-gotas, Goteira e Chuva, que reúne textos escritos entre 2008 e 2013. O evento de lançamento será nesta sexta-feira (13), no Cemuni I, prédio da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), com música ao vivo e sarau com microfone aberto para todos participarem. O Cemuni I era o local onde aconteciam as reuniões do projeto de extensão Cronópio, um grupo de discussão e produção literária da universidade do qual Isabella também fazia parte. Apesar de os poemas terem sido escritos em épocas diferentes, o conjunto presente em Gotas é bastante coeso. “Essa coesão, de certa forma, já existia nos poemas. Percebi uma tendência minha, por isso não foi difícil fechar o conceito do livro”, explica Isabella. A obra foi toda financiada por um edital da Secretaria de Cultura do Estado e a escritora preferiu publicá-lo de forma independente, sem editora. “Eu fui minha própria editora, ilustradora, diagramadora e assessora. Fiz boa parte sozinha, tentando entender como funciona esse mundo da publicação de livros. Fui aprendendo, sem medo de perguntar e parecer boba. Aprendi muita coisa e espero poder passar por isso outras vezes”, diz Isabella. Nessa jornada, a escritora também contou com a ajuda de muitos amigos, a começar pelo orientador o professor Erly Vieira Jr e os colegas Anna Catharina Izoton e Gabriel Ramos, que assina o prefácio. “Gabriel conhece meus poemas há um bom tempo e sempre me incentivou a escrever. Não consegui pensar em outra pessoa para escrever o prefácio. Ele, lá da Irlanda, escreveu o texto e me enviou. Achei lindo”, conta Isabella. Gabriel Ramos também é poeta e ano passado lançou seu primeiro livro, longevo quando. Os poemas de Gotas misturam uma certa tristeza, com ironia e humor, Isabela diz que ao mesmo tempo que existe prisão também existe libertação e que tentou seguir o caminho da sua vida no livro. “Mas espero que as pessoas não leiam a minha vida, mas sim as suas próprias”. Serviço O livro Gotas será lançado nesta sexta-feira (13), às 19h, no Cemuni I, na Ufes. O livro será vendido a um preço simbólico de R$ 5
Sem processo não há crime
Um relatório do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), de 2009, apontava que somente no ano de 2006 pelo menos dez presos foram esquartejados na Casa de Custódia de Viana (Cascuvi). O presidente do CNPCP, Sérgio Salomão Schecaira, autor do relatório, ficou embasbacado com o que viu não só em Viana, mas em todo o sistema prisional capixaba. Após a inspeção, Shecaira pediu a intervenção federal no Espírito Santo. Em vão. Na época, Ângelo Roncalli, então secretário de Justiça do governador Paulo Hartung, ficou revoltado com o pedido de intervenção. Ele alegava que a situação era grave em todos os presídios brasileiros, tentando justificar uma situação caótica a partir de outras. Roncalli, na ocasião, rebateu com escárnio os números de Shecaira e de outras organizações de direitos humanos que confirmavam 10 esquartejamentos somente em 2006 na Cascuvi. O secretário admitia outras mortes de presos, mas apenas dois esquartejamentos. Os anos se passaram Roncalli acabou deixando o governo Renato Casagrande em setembro de 2012 — isso mesmo, pasmem, o “zelador” das masmorras de Hartung ainda foi aproveitado pelo sucessor socialista. Roncalli só saiu quando sua permanência na Secretaria se tornou insustentável com a eclosão da Operação Pixote — escândalo de corrupção na autarquia (Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo – Iases) controlada pela Sejus. Roncalli, inclusive, foi denunciado pelo Ministério Público Estadual (MPES) nesse caso. Sete anos depois, os assassinos dos presos que estavam sob custódia do Estado continuam impunes. Roncalli, sempre que era questionado sobre as mortes dos presos — independente da modalidade do crime: enforcamento, espancamento, facadas, esquartejamento — apressava-se em justificar, até com certo orgulho, que o Estado iria indenizar as famílias desses presos, como se isso compensasse as perdas humanas. “O Estado tem responsabilidade de indenizar as famílias e já há ação neste sentido”, disse Roncalli, em 2009, ao portal de notícias UOL. De fato, algumas indenizações, aos poucos, estão sendo pagas aos familiares dos presos brutalmente assassinados. Uma decisão de maio deste ano determina que o Estado pague R$ 40 mil de indenização a cada um dos três filhos de um detento que foi torturado e esquartejado na Cascuvi em 2008. Curioso é que há um processo indenizatório correndo na Câmara Cível, mas não há absolutamente nada na Criminal. Agora dá para entender melhor porque Roncalli sempre tratou as mortes sob o ponto de vista das indenizações, talvez ele já soubesse que os assassinatos não resultariam em processos criminais. “Indenizamos as famílias e fica tudo por isso mesmo. Afinal, pessoas pobres com R$ 40 ou 50 mil nas mãos podem se resignar mais facilmente”. Devia ser mais ou menos essa a tese. E parece que a tese faz todo o sentido. O próprio presidente do Tribunal de Justiça do Estado, desembargador Pedro Valls Feu Rosa, afirmou textualmente a este jornal que não há um único processo criminal sobre os assassinatos ocorridos na Cascuvi durante a gestão da dupla Hartung-Roncalli. A questão é inquietante. No caso do exemplo, a própria Justiça reconhece que a vítima, um detento da Cascuvi, foi torturado e esquartejado dentro da unidade. A Justiça também entendeu que o Estado, em última instância, era o responsável pela custódia do preso, logo, foi condenado a indenizar os familiares. Percebam o disparate. De um lado a Justiça reconhece que houve um crime brutal e responsabiliza o Estado a indenizar os familiares. Mas quem responde pela responsabilidade criminal dos crimes? Talvez os filhos do detento assassinato, não estejam tão resignados assim com os R$ 40 mil de indenização. Talvez eles queiram saber quem são os culpados pela morte do pai. Afinal, os assassinos desse crime bárbaro continuam impunes. A má notícia para os familiares é que os assassinos continuarão impunes. Não se sabe por que motivo, mas não há um único processo criminal tramitando na Justiça para apurar as mortes dos presos esquartejados na Cascuvi. Logo, sem processo não há crime.