O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) manteve a absolvição do ex-prefeito de Vila Velha e Cariacica, Vasco Alves de Oliveira Junior, em uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF). O órgão ministerial acusava o ex-prefeito, que é procurador de carreira da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) no Estado, de ter recebido salário sem trabalhar, em 1997. No entanto, a denúncia foi considerada improcedente pelo fato de a autarquia federal ter encerrado as atividades extrajudiciais no Estado, deixando o ex-prefeito “sem função” na fundação. Durante o julgamento no tribunal, realizado no final de novembro, a juíza federal convocada Carmen Silvia Lima de Arruda, relatora do processo, considerou que o próprio MPF pediu a improcedência da ação civil pública após a coleta de prova documental e o depoimento das testemunhas. Para ela, Vasquinho comprovou que compareceu regularmente ao local de trabalho – após o fim do mandato de prefeito, entre os anos de 1993 e 1996 –, mas não pode exercer suas funções pelo fato da transferência da representação judicial para o estado do Rio de Janeiro. A relatora citou ainda que a própria direção da Funasa reconheceu a inexistência de prejuízo causado pelo ex-prefeito. Nos autos do processo, um ex-funcionário da procuradoria da Funasa no Rio de Janeiro à época afirmou que Vasquinho não poderia atuar em qualquer processo por determinação superior. Ele afirmou que o ex-prefeito que todos os processos foram transferidos para a unidade no outro estado. Essas explicações reforçaram o entendimento da juíza federal convocada pela confirmação da decisão de 1º grau, prolatada em maio deste ano pelo juiz Francisco de Assis Basílio de Moraes, da 4ª Vara Federal Cível da Capital. “Examinando a prova produzida nos autos e tudo mais que deles consta, não é possível concluir pela responsabilização do réu pelos supostos prejuízos sofridos pelo erário em razão de sua não autuação funcional, o que deságua na confirmação da sentença por seus próprios fundamentos”, avaliou. A decisão do tribunal, nos autos do processo (0013845-95.2007.4.02.5001), foi publicada no Diário da Justiça Federal desta terça-feira (3).
Júri popular condena último acusado pela morte da colunista Maria Nilce
Passadas mais de duas décadas da morte da colunista social Maria Nilce dos Santos Magalhães, assassinada em 1989, a Justiça estadual condenou o último acusado de participação no crime. Nessa segunda-feira (2), o Tribunal Popular do Júri de Vitória considerou o ex-policial civil Romualdo Eustáquio Luz Faria, o Japonês, como culpado pela contratação dos executores do assassinato. Ele foi condenado a mais de 15 anos de prisão, em regime fechado e sem direito à substituição da pena. Na sentença assinada pela juíza Gisele Souza de Oliveira, da 4ª Vara Criminal da Capital, que presidiu o júri, ficou consignado que o ex-policial concorreu para o acontecimento do crime no entendimento dos jurados. Eles entenderam que Japonês teria contratado os pistoleiros, que não deram chance de reação à vítima. Os jurados também reconheceram que o crime foi cometido por motivo fútil, o que ampliou as sanções contra o réu. Na fase de dosimetria da pena – quando é calculado o total da condenação –, a juíza fixou a pena de 17 anos de reclusão, porém, ela subtraiu os períodos em que o ex-policial ficou preso: durante 27 dias na época do crime, em 1989; e desde o último dia 1ª de junho de 2012, quando foi preso cautelarmente e permanece recluso até hoje. Com isso, a pena total foi de 15 anos, cinco meses e um dia de prisão, em regime inicial fechado. Gisele de Oliveira também não reconheceu o direito de Japonês aguardar o julgamento de eventual recurso em liberdade. Na sentença, ela avaliou que “a sua custódia como sendo necessária para garantir a futura aplicação da lei penal e a ordem pública, tendo em vista ser reincidente em crime cometido com violência ou grave ameaça à pessoa”. Devido à renúncia dos advogados constituídos por Japonês, o ex-policial civil foi defendido por uma “advogada dativa” nomeada pela juíza presidente do Tribunal do Júri, que condenou o Estado a pagar seus honorários advocatícios, fixados em R$ 1,2 mil. Crime A colunista Maria Nilce foi assassinada aos 48 anos, pela organização que ficou conhecida no Espírito Santo como “Sindicato do Crime”. Ela estava chegando à Academia Corpo e Movimento, na Rua Aleixo Neto, Praia do Canto, em Vitória, por volta das 7 horas, em companhia de sua filha, quando foi perseguida e baleada. A Polícia Federal, que atuou no processo, apontou como mandante o empresário José Alayr Andreatta, que já foi condenado pelo júri e está foragido da Justiça. Ele teria contratado Japonês, que, por sua vez, teria subcontratado os pistoleiros José Sasso e Cezar Narciso. O pistoleiro José Sasso morreu envenenado na prisão. Outro acusado no caso Maria Nilce foi o piloto Marcos Egydio Costa, que deu fuga em seu avião aos pistoleiros. Ele ia também a julgamento, mas foi assassinado no dia 27 de janeiro do ano passado, em Jacaraípe, na Serra, dentro de seu estabelecimento comercial. Também chegou a ser acusado de participação no crime o policial civil Charles Roberto Lisboa, mas, em sentença assinada no dia 17 de maio de 2011, a Justiça considerou improcedente a acusação feita contra Charles. No dia 10 de julho de 2012, ocorreu o julgamento do ex-policial militar Cezar Narciso da Silva, que foi condenado a 19 anos de prisão, em sessão do Tribunal Popular do Júri presidida pelo juiz Marcelo Soares Cunha.
Reunião define a realização do Grande Baile Funk nas imediações do Shopping Vitória
Uma reunião realizada na noite desta terça-feira (3) vai definir a organização de um evento, que está sendo chamado de Grande Baile Funk no Shopping Vitória, em resposta ao episódio ocorrido no último sábado (30) no estabelecimento, quando dezenas de jovens se abrigaram no shopping depois de um baile ao ar livre nas proximidades ter sido encerrado pela Polícia Militar. Após o fato, movimentos sociais se mobilizaram e propuseram a realização do baile. A abordagem policial truculenta foi denunciada por pessoas que presenciaram a ação. Durante o tumulto, nenhum tiro foi disparado, nada foi roubado e não houve depredação das lojas, ou um suposto arrastão, como a polícia classificara a entrada dos jovens no shopping. As pessoas que eram julgadas suspeitas – a maioria negros – foram perfiladas, sem camisa, na Praça de Alimentação do shopping e depois conduzidas em fila indiana para fora do estabelecimento. Após a chegada à delegacia, todos foram liberados, já que não havia nenhuma evidência que apontasse a prática de crime. Durante a entrega do Prêmio Estadual de Direitos Humanos, o homenageado, o ativista Rafael Nascimento Miranda, o Feijão, que conduzia um jogral, lembrou do episódio. “Lembremos aqui, também, o ocorrido no dia 30 de novembro, último dia do Mês da Consciência Negra, quando jovens, a maioria negros da periferia, foram tratados como bandidos, convocados a se retirar em fila indiana – prática muito conhecida nos presídios deste Estado – foram humilhados dentro do maior shopping deste Estado, ferindo um dos maiores princípios dos direitos humanos que é a dignidade. Pedimos às entidades que não deixem este caso em vão, que o Ministério Público denuncie este governo e que o Estado Presente não defenda os patrimônios, mas sim a vida humana”.
Servidores do Iema marcam nova assembleia para deliberar sobre greve
Os servidores do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) deliberarão sobre uma possível greve em uma assembleia a ser realizada nesta quarta-feira (4), pela manhã. Esta reunião havia sido marcada para a semana passada, mas não aconteceu, devido às fortes chuvas. Os servidores do Iema, reunidos na Associação dos Servidores do Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Assiema), querem o alinhamento salarial ao Plano de Cargos e Salários aprovado no ano passado para o Instituto de Obras Públicas (Iopes) e para o Departamento de Estradas de Rodagem do Estado (DER-ES). Havia sido marcada uma reunião para discutir exclusivamente sobre o pleito da categoria entre a secretária de Meio Ambiente, Diane Rangel; o diretor-presidente do Iema, Tarcísio José Föeger, e os secretários de governo e da Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (Seger), mas esta foi cancelada. Os servidores do Iema se dizem totalmente insatisfeitos com a demora do retorno do governo sobre suas reivindicações. O Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Pú blicos do Estado (Sindipúblicos) lembra que a greve dos servidores do Iema paralisa várias obras públicas do governo. Em abril deste ano, servidores do Iema e do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper-ES) já haviam manifestado a insatisfação em relação ao plano de carreira dos funcionários, com protesto no Centro de Vitória, em frente ao prédio da Seger. Pelo mesmo motivo, foi deflagrada greve da categoria no ano passado, com duração de quase dois meses. Também em 2012, um relatório divulgado pela Assiema, feito a partir de uma pesquisa interna no órgão, comprovou, dentre vários pontos alarmantes, a ineficácia e desestímulo dos funcionários do órgão na aplicação de multas a infrações ambientais e casos frequentes de carência de capacitação, falta de rigor em aplicação de penalidades e assédio moral por parte das empresas fiscalizadas. A competência do Iema para a fiscalização e controle de empreendimentos ambientalmente nocivos, principalmente os grandes projetos poluidores do Estado, sempre foi questionada por ambientalistas.
Alunos capixabas têm melhor desempenho em ciências do País, aponta estudo
O Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) 2012, divulgado nesta terça-feira (3), apontou o Espírito Santo como o melhor Estado brasileiro em desempenho em Ciências nas escolas. De acordo com o Estudo, por uma margem apertada, o Estado venceu o Distrito Federal, classificado-se nas primeiras posições em ciências, matemática e leitura. Divulgado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Pisa aplica provas em alunos na faixa dos 15 anos – idade em que se pressupõe o término da escolaridade básica obrigatória (ensino fundamental) na maioria dos países. O estudo apontou que o Estado ficou apenas cinco pontos acima do Distrito Federal que ocupa o segundo lugar no ranking do desempenho em ciência. Em Matemática o Espírito Santo obteve a terceira colocação, somando 414 pontos, atrás de Santa Catarina com 415 pontos e Distrito Federal com 416 pontos. Em leitura, o Distrito Federal ficou em primeiro lugar com 433 pontos; Santa Catarina em segundo lugar, com 428 pontos; seguido pelo Espírito Santo, com 428 pontos, empatado com Santa Catarina. Ainda que ocupe a lista dos primeiros do ranking do Pisa no País, o resultado não significa grande avanço para a educação capixaba. Segundo a OCDE, o desempenho dos estados brasileiros ainda é baixo se comparado aos resultados internacionais. Em Shangai, na China, o estudo em matemática alcançou 613 pontos. Em leitura, o Japão chegou a 538 pontos, superando os 433 pontuados pelos alunos do Distrito Federal, no Brasil. Segundo o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), o Brasil alcançou 410 pontos em leitura – a média geral é de 496. Já em ciência a pontuação foi de 405, frente à média de 501. Em matemática a média ficou em 391 pontos. Ao todo, estudantes de 18 estados brasileiros tiveram nota abaixo da média nacional – o pior deles foi Alagoas (342). O documento apontou fatores positivos apontados pelo Pisa, como o aumento do número de jovens de 15 anos matriculados na educação básica – de 65% naquele ano para 78% em 2012. Esse crescimento representa um aumento de 420 mil estudantes, segundo o Ministério da Educação. Em 2012, o Pisa foi realizado por 510 mil estudantes de 65 países. entre 2003 e 2012. No Brasil, 18.589 estudantes fizeram a avaliação – eles estão matriculados em 767 escolas, públicas e privadas. Pisa O Programme for International Student Assessment (Pisa) – Programa Internacional de Avaliação de Estudantes – é uma iniciativa internacional de avaliação comparada, aplicada a estudantes na faixa dos 15 anos. O objetivo do Pisa é produzir indicadores que contribuam para a discussão da qualidade da educação nos países participantes, de modo a subsidiar políticas de melhoria do ensino básico. A avaliação procura verificar até que ponto as escolas de cada país participante estão preparando seus jovens para exercer o papel de cidadãos na sociedade contemporânea. As avaliações do Pisa acontecem a cada três anos e abrangem três áreas do conhecimento – Leitura, Matemática e Ciências – havendo, a cada edição do programa, maior ênfase em cada uma dessas áreas.
Gilsinho Lopes critica adiamento de votação de projeto na Assembleia
Os clima ficou pesado na sessão desta terça-feira (3) com uma polêmica criada com a discussão de um projeto de resolução que modifica a formação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) na Casa. O autor na matéria, deputado Gilsinho Lopes (PR), não gostou do pedido de prazo regimental por parte do relator da matéria na Mesa Diretora, deputado Roberto Carlos (PT). Gilsinho deu a entender que a Mesa estaria tentando manobrar para evitar a aprovação do projeto. O parecer da Comissão de Justiça foi pela constitucionalidade e legalidade da matéria. Segundo o projeto, o artigo 23 do regimento interno da Assembleia passaria a ter a seguinte redação: “§ 6: o presidente da Assembleia Legislativa poderá valer-se do prazo de uma sessão para exame da matéria, antes de deferir o requerimento”. O projeto acrescenta ainda o § 13º ao art. 89 da Resolução 2.700, de 15 de julho de 2009, evitando que após a conquista de um terço dos integrantes do parlamento para o protocolo da CPI, a desistência manifesta de qualquer subscritor não impediria o tramite de criação da comissão. Essa medida evitaria o ocorrido com a CPI do Pó Preto, quando vários deputados que haviam subscrito a criação da CPI voltaram atrás da decisão, fazendo com que a CPI não vingasse na Casa. A saia justa com o projeto de Gilsinho ficou evidente no plenário. O deputado deixou subtendido que a desistência teria ocorrido após a visita de representantes da Vale aos gabinetes de alguns parlamentares, naquele momento. Gildevan Fernandes (PV), que presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia, foi ao microfone para dizer que os deputados recebem quem eles bem entenderem em seus gabinetes, mesmo diante da situação colocada naquele momento.
MP de Contas pede abertura de investigação de obras do posto fantasma no TCE
O Ministério Público Especial de Contas (MPC) ajuizou, nessa segunda-feira (2), uma representação no Tribunal de Contas do Estado (TCE), pedindo a apuração dos gastos feitos nas obras do Posto Fiscal São José do Carmo, em Mimoso do Sul. No documento, o procurador de Contas, Luciano Vieira, lista uma série de irregularidade durante as fases de licitação e de obras, que acabaram não saindo da fase de terraplanagem. Ele pediu a apuração rigorosa dos fatos e a responsabilização dos envolvidos no caso. Clique aqui para ler a íntegra da representação. Na representação (Processo TC 9577/2013), o representante do MPC apontou a existência de graves ilegalidades nos procedimentos licitatórios e contratações das obras do posto fantasma, realizadas durante o governo Paulo Hartung (PMDB). Vieira classificou os gastos na ordem de R$ 25,12 milhões como antieconômicos. Deste total, ele sustenta que pelo menos R$ 2,90 milhões foram ilegais, pelo fato de o posto fiscal já ter sido extinto pelo então governador. “As graves ilegalidades perpetradas são suficientes para caracterizar ato de gestão antieconômica que ofende os princípios constitucionais da moralidade, da eficiência e supremacia do interesse público; ressaltando a configuração, também, de ato de gestão ilegítima, em afronta ao princípio da legalidade, as condutas praticadas após a extinção do Posto Fiscal”, afirma. Entre os problemas apontados nas obras, o procurador de Contas narrou indícios de fraudes na licitação para a escolha das empresas responsáveis para a elaboração do projeto e execução das obras. Vieira afirma que as empresas Transmar Consultoria, responsável pelo projeto que teve de ser adequado, e a Construtora Araribóia, que atuou nas obras, deveriam ser inabilitadas nos certames, mas acabaram declaradas vencedoras. Em ambos os certames, o representante do MPC considerou que a direção do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-ES) teria feito exigências que restringiram a participação de concorrentes, fato que é considerado uma tentativa de burlar ou fraudar o caráter competitivo da licitação: “Por fim, cabe destacar que o ato praticado constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública, por violar os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade e lealdade às instituições”. Para Vieira, as obras não se reverteram em “qualquer proveito para a sociedade” ante a constatação de sua inutilidade. “Observa-se que as condutas ora analisadas excedem a mera falha administrativa, tratando-se de hipótese clara de ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário, decorrente de ato ilegítimo e antieconômico, ensejando em perda patrimonial significativa, em vista de aplicação de recursos públicos em obra inútil”, avaliou o procurador, que tomou com base a ação movida pelo Ministério Público Estadual (MPES) contra o ex-governador Paulo Hartung e mais sete pessoas pelo mesmo caso. Apesar de não citar os alvos da possível investigação, os principais nomes envolvidos são do ex-governador, dos ex-secretários da Fazenda José Teófilo de Oliveira e Bruno Pessanha Negris, e do ex-diretor-geral do DER-ES Eduardo Antônio Mannato Gimenes. Todos eles foram denunciados na ação de improbidade movida pelo MPES, que tramita na 3ª Vara da Fazenda Pública Estadual. O juízo deve decidir nas próximas semanas sobre o pedido de bloqueio dos bens de todos os envolvidos no escândalo. Na representação, o procurador de Contas pede a abertura de investigações na corte de Contas sobre os episódios envolvendo as obras do posto fantasma. Vieira pediu a “apuração dos fatos de forma exaustiva, bem como a quantificação e atualização do dano causado, imputando-se, ao fim, débito aos responsáveis, sem prejuízo de aplicação das demais penalidades previstas em lei”. O representante do MPC solicitou ainda cópias do processo de desapropriação das três áreas utilizadas para a construção do posto, fato que não chegou a ser levantado na ação judicial.
Ministério das Cidades: lei que altera PDM atende a grupos imobiliários
A sanção da Lei Municipal 5.441/2013, que altera o Plano Diretor Municipal (PDM) de Vila Velha, contraria os princípios da função social e gestão democrática da cidade e pode, ainda, representar a outorga de benefícios a alguns grupos minoritários com interesses imobiliários especulativos no município. A constatação é do Ministério das Cidades e consta em nota técnica enviada ao Fórum Popular em Defesa de Vila Velha (FPDVV), como resposta a uma denúncia feita pela própria entidade ao órgão. A lei em questão, proposta pelo prefeito Rodney Miranda (DEM) e aprovada pela Câmara dos Vereadores, estabelece parâmetros urbanísticos para Vila Velha, repetindo artigos que já haviam sido declarados inconstitucionais pela Justiça, em ação civil pública que contestou a legislação anterior, da gestão Neucimar Fraga (PV). Diante da denúncia e dos documentos enviados pelo Fórum, o Ministério também concluiu que a aprovação lei foi “realizada em caráter de urgência e sem a garantia dos devidos espaços de participação e gestão democrática previstos em lei federal” e que função social e gestão democrática da cidade “deve ser garantido no Plano Diretor e em leis relacionadas a ele”. O Fórum pretende encaminhar uma cópia desta resposta ao Ministério Público Estadual (MPES), onde já existe uma ação civil pública nesse sentido e tramita uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) pela suspensão da Lei 5.441. A entidade que anexar o documento ao processo. A ação civil pública existente no MPES foi ajuizada pela Promotoria de Justiça Cível contra o município, em decorrência da sanção da lei. O processo, segundo o Ministério Público, foi conduzido de forma ilegítima e sem o devido debate com a população, como determina a legislação. Na ocasião, o MPES tratou a nova lei como “encomenda e mais uma maquiagem”. O Fórum já havia comunicado anteriormente que o PDM seria refeito após a sanção de leis que repetiam o mesmo erro apontado na gestão Neucimar: a exclusão da sociedade civil organizada do processo. Outro projeto aprovado na Câmara de Vila Velha, de acordo com o Fórum sem qualquer debate com os movimentos sociais, foi o que define as Zonas de Especial Interesse Social (ZEIS), importante conceito para a elaboração do PDM. A entidade também relatou que a intenção de promover debates sobre o Plano Diretor anunciada pelo município, na prática, não funciona. O executivo e o legislativo municipais organizam manobras para que o setor empresarial seja beneficiado na nova legislação. Em setembro, o MPES já havia instaurado inquérito civil para apurar ato de improbidade administrativa do presidente da Câmara de Vila Velha, Ivan Carlini (DEM). Ele ignorou recomendação da Promotoria para garantir a participação popular no processo antes de colocar em votação o Projeto de Lei nº035/13, que gerou a lei regulamentando obras e projetos arquitetônicos com base em dispositivos do antigo Plano Diretor Municipal. Informações de bastidores apontam que Carlini até convocou uma reunião com os vereadores antes da votação, quando defendeu o projeto, mas sequer teria informado aos colegas de plenário da nota recomendatória. No mesmo dia, Rodney Miranda, presidente regional do DEM, esteve na Casa para a festa de filiação do vereador ao partido.
Senador espera o momento certo de se colocar na eleição ao governo do Estado
Nem mesmo a participação na eleição do próximo ano do ex-governador Paulo Hartung (PMDB), que sempre usou o subterfúgio da protelação, tem causado tanta incerteza nos meios políticos quanto o papel do senador Magno Malta (PR). As dúvidas seriam sobre a disposição do senador em entrar no cenário eleitoral, diante da possibilidade de o palanque presidencial caminhar para a aliança entre PMDB e PT, tendo Hartung como candidato ao governo. Mas segundo interlocutores do senador, ele estaria esperando o momento certo para apresentar seu nome. Embora atue de forma discreta neste momento, Malta já teve encontros com a cúpula do PT e com a presidente Dilma Rousseff para discutir o palanque do próximo ano. O senador pode ser um palanque alternativo para a reeleição da presidente Dilma Rousseff. No cenário atual, o governador Renato Casagrande vai disputar a reeleição contra um palanque do PMDB com o PT, que teria Hartung como candidato ao governo e o ex-prefeito de Vitória João Coser como candidato ao Senado. Já o republicano traçaria um projeto eleitoral de embate tanto a Casagrande, quanto a Hartung, sendo que a disputa teria viés diferenciado entre um e outro. Contra Casagrande, Malta é crítico; já com relação a Hartung, o senador entraria em um confronto mais duro.
Pesquisa traça perfil de familiares de dependentes químicos em 23 capitais
A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) lançou, nesta terça-feira (3), o Levantamento Nacional das Famílias dos Dependentes Químicos (Lenad Família), realizado com familiares de dependentes químicos de 23 capitais brasileiras. A pesquisa foi feita por amostragem, com 3.142 familiares de pacientes em tratamento ambulatorial ou internação, por meio de entrevistas presenciais. De acordo com o levantamento, as mães representam a maior parcela das pessoas que responderam à pesquisa. A maioria dos entrevistados atribui às más companhias o motivo que levou o familiar a usar drogas. A pesquisa aponta, ainda, que as drogas de uso regular dos pacientes é a maconha (68,3%), seguida do álcool (62%), da cocaína (60,7%) e, por último, do crack (42,5%). O registro do crack em último lugar na pesquisa não surpreendeu a psicóloga Andrea Romanholi. Ela alerta que diversas outras pesquisas mostram que menos de 2% da população adulta usa crack, que não representa, nem de perto, aquela que tem o álcool como droga preferencial. Esta é, justamente, uma das críticas do Movimento Cidadão em Defesa dos Direitos Humanos e das Políticas Sociais, do qual a psicóloga faz parte, à distorção que o poder público tem feito a respeito do crack enquanto a droga que concentra os principais pontos de combate do poder público. Ela lembra que o crack é uma droga séria e que demanda comprometimento do poder público, mas o que se tem visto é a tentativa de retirar os dependentes de crack das vias públicas, o que denota uma política higienista, já que a maioria dos dependentes também já tem histórico de vulnerabilidade, alguns já em situação de rua. A psicóloga ressalta que drogas lícitas, aceitas, e até certo ponto incentivadas, como o álcool, mais prejuízos à sociedade e ao dependente quanto o crack. A dependência do álcool pode acarretar, diretamente no usuário, problemas no pâncreas e fígado, além de provocar também, em muitos casos, violência familiar e acidentes de trânsito. A participação da família na recuperação do dependente químico também é abordada no Lenad. De acordo com a pesquisa, em 58% dos casos a família paga os tratamentos, e em 45,4% o tratamento afetou muito as finanças da família. Andréia ressalta que a família tem extrema importância para o sucesso do tratamento dos pacientes. Ela explica que quando um dependente passa por um tratamento, a família também participa dele, já que qualquer tipo de tratamento implica em recaída, por isso, o dependente precisa estar bem amparado para que retome a vida e prossiga se tratando. Os familiares são orientados a lidar com o dependente, apontando meios para ele se manter produtivo e não ter dificuldades.