A 3ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho do Espírito Santo (TRT-ES) condenou a Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan) e as empresas Delta Construções S/A e Empresa Brasileira de Saneamento Ltda (Embrasan) ao pagamento de um total de R$ 300 mil por dano moral coletivo, devido ao acidente que matou um trabalhador durante as escavações para a instalação de uma rede de abastecimento de água no bairro Novo Brasil, em Cariacica, em 2009. A condenação é resultado de uma ação civil pública (ACP) movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) no Estado. O relatório do acidente encaminhado ao MPT pela Superintendência Regional do Trabalho e emprego do Estado (SRTE/ES) indicou diversas irregularidades. Dentre elas, a ausência de estruturas que garantissem a estabilidade dos taludes instáveis que, de acordo com as normas de segurança, deveriam ter sido instalados, já que a escavação tinha profundidade superior a 1,2 m. No momento do acidente, Nilton e outros dois operários, que conseguiram escapar, trabalhavam a mais de três metros de profundidade. Além da multa, que será revertida ao Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT), as empresas terão que garantir o cumprimento de diversos itens previstos na Norma Regulamentadora do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) que trata das condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção, a NR-18. Entre as medidas a serem observadas pelas empresas estão a de instalar sinalização de advertência, inclusive noturna, e barreira de isolamento em todo o perímetro das escavações realizadas em vias públicas ou canteiros de obras e a de garantir a estabilidade das paredes por meio de estruturas próprias para esse fim.
Câmara do TJES nega pedido de imissão de posse de terrenos pelo Estado
A 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) manteve, nessa segunda-feira (25), a determinação da Vara da Fazenda Pública de Viana que indeferiu o pedido de liminar para a posse provisória ao governo do Estado de dois terrenos situados no limite entre os municípios de Viana e Cariacica. As áreas foram declaradas de utilidade pública, no último dia de 2010, para a realização do projeto de desassoreamento e recuperação do leito e das margens do Rio Formate. De acordo com informações do TJES, o relator do caso, desembargador José Paulo Calmon Nogueira da Gama, negou a concessão do pedido de urgência. Ele manteve o entendimento do juiz de 1º grau, que rejeitou a pretensão do Estado sob alegação de que o depósito judicial do valor avaliado pelo próprio governo não seria suficiente para o reconhecimento da imissão de posse (meio processual cabível para conferir posse a quem ainda não a tem). “Por outro lado, a motivação para o indeferimento da medida de urgência não se restringe à avaliação unilateral do expropriante ou o valor do depósito. Outras ocorrências no processo administrativo de desapropriação foram alvos da observação do magistrado, retirando-lhe o convencimento imediato da verossimilhança e, ao contrário do que alega o agravante, em se tratando da coisa pública, é dever nem só do juiz, mas de qualquer cidadão zelar pela licitude de uma operação de tal monta”, avaliou. Consta nos autos que a área de aproximadamente 60 mil metros quadrados na proximidade de Membeca, entre os municípios de Cariacica e Viana, foi declarada de utilidade pública, no dia 31 de dezembro de 2010 – último dia de gestão do governo Paulo Hartung (PMDB). O Decreto nº 1.738-S previa a desapropriação das áreas para a realização das obras de construção da Barragem Roda d’Água, que está prevista dentro do Projeto para o Desassoreamento e Regularização do Leito e Margens do Rio Formate. O desembargador José Paulo Nogueira da Gama ainda ponderou que o juiz Arion Mergár, que analisa o processo de desapropriação no 1º grau, agiu corretamente ao adotar uma avaliação prévia, independentemente do exame do pedido de imissão provisória na posse, para proferir sentença, após sanadas possíveis distorções como o valor do imóvel, benfeitorias e a real medida do terreno na formação do processo administrativo de desapropriação. Na decisão do último dia 4, o juiz determinou a remessa dos autos ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) para que se manifeste sobre a regularidade do processo de desapropriação. Arion Mergár também intimou a União para que se manifeste sobre eventual interesse na demanda.
Audiência pública discute Fundo Municipal de Cultura de Vila Velha
O Fundo de Cultura do Município de Vila Velha (FUNVIVE) foi o tema da última Audiência Pública convocada pela Secretária Municipal de Cultura e Turismo (Semcult). Estavam presentes a secretária Simone Modolo, o subsecretário de Cultura José Roberto Santos Neves, o coordenador de Projetos de Lei Vila Velha Cultura e Arte, Alvarito Mendes, além de representantes dos membros do Conselho Municipal de Cultura e a artistas em geral. O Funvive vai contemplar projetos de teatro, ópera e humor; dança e circo; artes visuais; audiovisual; artesanato e folclore; patrimônio histórico e cultural; saberes e fazeres artísticos e culturais; capoeira e carnaval; música; literatura. Representantes da Casa da Memória de Vila Velha sugeriram que a restauração, a preservação e o acesso a acervos culturais, como fotografias, quadros, documentos, também sejam incluídos no Fundo. Alguns membros do conselho criticaram a burocracia excessiva para pleitear um projeto. Alvarito Mendes, que mediava a audiência, disse que isso será revisto. Também foi questionado se além do Funvive os projetos aprovados poderão ter apoio financeiros paralelos, o que foi confirmado pela Semcult. Apesar da segunda-feira (25) chuvosa , muitos compareceram à audiência e participaram ativamente do debate. Outro ponto levantado foi a capacitação, tanto para a elaboração de projetos quanto para a comissão julgadora. Alvarito explicou que a comissão julgadora ainda não foi formada, mas irá contar com pessoas que têm saber e experiência nas áreas avaliadas. Foi sugerido também que haja uma defesa oral dos projetos já que às vezes a parte escrita pode ser a mais complicada e ficar incompleta. A Secretaria de Cultura acatou a sugestão e disse que haverá uma assessoria ou cursos para orientar a elaboração dos projetos de acordo com a norma exigida. A prestação de contas também foi pauta na audiência. Alvarito Mendes explicou que ela não será rígida e baseada nas notas fiscais, mas sim focada no produto que foi proposto pelo projeto aprovado. Haverá também uma prestação de conta parcial, antes do final do projeto, para garantir a conclusão da atividade e também para que a prefeitura colabore com a divulgação. Ele ressaltou que a fiscalização não será burocrática, mas é importante que ocorra para evitar atrasos na conclusão do projeto. O orçamento do projeto também será avaliado, que deve estar dentro do valor de mercado para evitar superfaturamentos. Nesse ponto, muitos dos que estavam presentes criticaram alguns casos que costumavam acontecer com a Lei Vila Velha Cultura Arte, na qual os orçamentos eram cortados até pela metade depois de aprovados. José Roberto garantiu que isso não vai acontecer com o Funvive e que a Lei Vila Velha Cultura e Arte está sendo reformulada para atender melhor à classe artística. O subsecretário também convidou a todos a participarem das reuniões do Conselho Municipal de Cultura, que está trabalhando justamente nessa lei e em breve vai realizar outra audiência pública para tratar exclusivamente dela. As reuniões acontecem sempre nas últimas segundas-feiras do mês, na Academia de Letras Humberto de Campos, em Vila Velha. Alvarito Mendes também explicou que a lei de fomento e o Fundo de Cultura têm propósitos diferentes. O Funvive é mais rígido e funciona por meio de editais, no qual já estão estipulados o orçamento total e a quantidade de projetos que serão aprovados. Já a lei de fomento é o artista que apresenta o projeto e o orçamento cabe à Secretaria de Cultura que irá avaliar se tem condições de realizá-lo.
Devido às chuvas, reunião que deliberaria sobre greve no Iema foi cancelada
A assembleia que aconteceria nesta terça-feira (26) entre os servidores do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) para deliberar sobre uma possível greve foi cancelada devido às fortes chuvas que acometeram a Grande Vitória. O local onde seria feita a reunião foi alagado. A previsão é de que a reunião seja remarcada para a próxima semana. O objetivo é abrir uma mesa de negociação com a secretária de Meio Ambiente, Diane Rangel, e a Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (Seger), garantindo a aprovação da equiparação salarial. Os servidores do Iema estão em campanha pelo alinhamento salarial ao Plano de Cargos e Salários aprovado no ano passado para o Instituto de Obras Públicas (Iopes) e para o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-ES) do Estado. Se aprovada, a greve terá início em meados do mês de dezembro. Nessa segunda-feira (25), aconteceria uma reunião entre a secretária, o diretor-presidente do Iema, Tarcísio José Föeger, e os secretários de governo e da Seger para discutir exclusivamente sobre o pleito da categoria, mas essa reunião foi cancelada. Já nessa sexta-feira (22), em reunião entre a comissão de negociação dos servidores do Iema, a Assiema e o Sindipúblicos, os membros da Assiema demonstraram total insatisfação com a demora do retorno do governo sobre suas reivindicações. O Sindipúblicos lembra que a greve dos servidores do Iema paralisa várias obras públicas do governo. Em abril deste ano, servidores do Iema e do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper-ES) já haviam manifestado a insatisfação em relação ao plano de carreira dos funcionários, com protesto no Centro de Vitória, em frente ao prédio da Seger. Pelo mesmo motivo, foi deflagrada greve da categoria no ano passado, com duração de quase dois meses. Também em 2012, um relatório divulgado pela Assiema, feito a partir de uma pesquisa interna no órgão, comprovou, dentre vários pontos alarmantes, a ineficácia e desestímulo dos funcionários do órgão na aplicação de multas a infrações ambientais e casos frequentes de carência de capacitação, falta de rigor em aplicação de penalidades e assédio moral por parte das empresas fiscalizadas. A competência do Iema para a fiscalização e controle de empreendimentos ambientalmente nocivos sempre foi questionada por ambientalistas.
Câmara dos Deputados debate projeto de terceirização do trabalho
A Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados realiza nesta terça-feira (26) um seminário sobre a precarização das relações de trabalho. O Projeto de Lei (PL) 4.330/04, que está em análise na Câmara, amplia o conceito de terceirização dos serviços. Não é só a contratação de uma empresa para prestar serviços para outra empresa; mas também a transformação de empregados em pessoas jurídicas e em outras espécies de colaboradores e parceiros com o objetivo de reduzir custos. A juíza do Trabalho Noêmia Porto participou do seminário na manhã desta quarta-feira e demonstrou preocupação com a ampliação do conceito de terceirização previsto no projeto de lei. Ela disse que estão sendo disseminados conceitos como contratos temporários, remuneração por produtividade e parceria de trabalho que, segundo ela, sugerem um trabalhador mais livre; mas apenas estariam mostrando que ele está perdendo os direitos. Além da juíza, o procurador do Trabalho, Januário Ferreira também demonstrou preocupação com o PL. O PL vem sendo combatido por entidades sindicais do Estado, já que permite a terceirização em todos os setores de empresas. Pelo projeto de lei, podem ser terceirizadas todas as atividades de uma empresa. Atualmente só as atividades-meio podem ser contratadas. Ainda assim, esta subcontratação acaba por tirar direitos dos trabalhadores, que não têm os mesmos benefícios dos das tomadoras de serviço.
Governo anuncia edital para obras no Contorno do Mestre Álvaro
O governo do Estado anunciou a abertura do edital da implantação da Rodovia ES 120, mais conhecida como Contorno do Mestre Álvaro. A previsão é que a abertura da licitação seja realizada no final de fevereiro de 2014. A obra é parte integrante do Programa de Mobilidade Metropolitana (PMM) e do Programa de Desenvolvimento Sustentável (Proedes) e prevê a realização de serviços de drenagem, terraplenagem e pavimentação da nova rodovia, contemplando a implantação de pistas duplas, canteiro central e acostamentos. O governador Renato Casagrande prometeu que serão implantadas faixas multiuso em toda a sua extensão, para oferecer segurança aos ciclistas e pedestres que acessarem o Contorno. Segundo o anúncio, a ES 120 vai garantir a melhora na fluidez e na segurança no trânsito da área urbana de Carapina, Laranjeiras e Serra Sede, em razão da diminuição de tráfego pesado pelas vias que atravessam o perímetro urbano; a qualificação do espaço urbano, com valorização imobiliária; a diminuição do tempo de viagem para os motoristas que desejam atravessar a Serra, com destino aos municípios ao Norte do Estado; a dinamização direta do desenvolvimento industrial da Serra, bem como vai dinamizar indiretamente toda a região. A nova rodovia terá início no entroncamento com a BR 101, próximo ao Condomínio Alphaville, e se estenderá por aproximadamente 18 quilômetros, chegando novamente à BR 101, próximo ao Posto Estrela, após o Posto da Polícia Rodoviária Federal. As obras contemplam a construção de sete viadutos, sendo dois deles localizados nas interseções com a BR 101 (início e final do Contorno), um sobre a linha férrea, um no acesso ao Centro de Detenção Provisória, um no acesso à Estrada Muribeca, além de dois para a realização de retorno.
Novo Código da Mineração deve ser votado em dezembro por comissão especial
A apresentação e votação do relatório final da comissão especial do Novo Código da Mineração deve acontecer em dezembro, segundo o relator da matéria na Câmara dos Deputados, Leonardo Quintão (PMDB-MG). Ele disse que, nesta semana, se dedicará às “negociações finais”, sobretudo com o governo federal, que já manifestou sua vontade de que a matéria seja aprovada, ao menos na Câmara, até o final do ano. Quintão ainda disse que, nesse processo, será aberto um “espaço democrático” de negociação com o governo. Em resposta à “preocupação” da ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, com relação ao pagamento de participação especial para alguns minerais mais valorizados, como é feito com o petróleo, Quintão disse que não trata disso no relatório, apenas da Compensação Financeira pela Exploração Mineral, a CFEM, paga a título de royalties à União, estados e municípios mineradores ou impactados pela atividade. O relator disse que aumentou a CFEM em até cinco vezes em alguns casos e que a participação especial cabe aos parlamentares. O aumento da alíquota do Cfem é uma das propostas do novo Código. A compensação é paga pelas empresas que atuam no setor a título de royalties pela exploração dos recursos. A alíquota máxima passará de 2% para 4%, incidindo sobre a renda bruta das empresas e não mais sobre o faturamento líquido. A distribuição dos recursos da Cfem continuam as mesmas (12% para a União, 23% para os estados e 65% para os municípios onde ocorre a lavra). O projeto também dispensa licitação para exploração de minérios destinados à construção civil (argilas para fabricação de tijolos, telhas, rochas ornamentais, água mineral) e minérios empregados como corretivos de solo na agricultura – nesse caso a autorização valerá por 10 anos, podendo ser estendida pelo mesmo período. No novo código, as concessões de pesquisa e lavra terão um prazo de 40 anos que poderá ser renovado a cada 20 anos. Para cada renovação, o detentor da concessão deverá provar um ritmo mínimo de exploração, o que significa ainda mais degradações ambientais. O Projeto de Lei (PL) 5807/2013 será modificado por substitutivos, além de já ter recebido outras seis propostas (entre elas, o PL 37/2011). Os substitutivos são resultado das quase 40 audiências públicas promovidas pela comissão especial do Novo Código na Câmara e em todas as regiões do país. As comunidades afetadas pela mineração não foram ouvidas na elaboração da legislação, somente as empresas beneficiadas. Entre elas, a Vale e a Aracruz Celulose (Fibria), que causam inúmeros impactos econômico, social e ambiental ao Espírito Santo. O foco “economicista” da atual legislação, que não inclui questões ambientais, é a principal crítica de agricultores familiares, quilombolas, indígenas, ribeirinhos e atingidos por barragem. Para eles, há um desproporcional privilégio ao aspecto econômico no projeto. Três propostas concretas foram apresentadas pelo Comitê Nacional em Defesa dos Territórios frente à Mineração para garantir uma “pegada socioambiental” ao novo Código, mas não foram acatadas. Movimentos sociais apontam a necessidade de se estabelecer um zoneamento mineral para que tal atividade não aconteça em corredores ecológicos, mananciais e territórios de populações tradicionais; o licenciamento ambiental deve ser antecipado para antes do processo de licitação das lavras; e ampliado o conceito de “impactados pela atividade mineral”. O Comitê também apontou, em nota divulgada no começo deste mês, que Quintão foi um dos que mais recebeu recursos de empresas de mineração na sua campanha política. Na mesma nota, a entidade qualificou a proposta como um “ataque frontal aos interesses da sociedade civil”, já que não apresenta uma estratégia de reconhecimento dos direitos sociais e ambientais e trata territórios como “áreas livres” para os interesses das mineradoras.
Futura ignora requerimento de senadora que contesta pesquisa eleitoral
Os requerimentos que a senadora Ana Rita Esgário (PT) enviou aos institutos de pesquisa Enquet e Futura sobre a ausência de seu nome nos levantamentos para a disputa ao Senado não foram respondidos a contento. A informação no escritório da senadora é de que a Enquet respondeu verbalmente que fora contratada para pesquisar sobre determinadas pessoas. Já o Instituto Futura simplesmente não respondeu ao questionamento, feito há cerca de 20 dias. Em correspondência enviada aos dois institutos de pesquisa, a senadora do PT questiona quais foram os critérios adotados na construção dos cenários. “Qual a justificativa para que em nenhum deles a minha candidatura seja considerada?”, questionou no ofício, solicitando resposta. A pesquisa feita pelo Instituto Futura, publicada na edição dominical (3) do jornal A Gazeta, avaliou o cenário estadual e nacional para as eleições de 2014 sem o nome da senadora, que é declaradamente candidata à reeleição. Já o levantamento feito pela Enquet, em parceria com o jornal A Tribuna, e que fez a mesma avaliação, foi divulgada no dia 28 de outubro. No documento, Ana Rita destacou que vem reiterado sistematicamente para todos os meios de comunicação, e em atividades públicas, sobre sua intenção em disputar à reeleição ao Senado. A disparidade no tratamento foi mostrado pela senadora, na correspondência enviada aos institutos, na medida em que foram apresentados dois cenários diferentes, com dois potenciais candidatos distintos representando o PMDB, e o mesmo critério não foi considerado com o PT. Ter ficado de fora da pesquisa prejudica a senadora na discussão interna do PT. Ela quer manter o direito à disputar a reeleição, mas terá de enfrentar internamente o ex-prefeito de Vitória, João Coser, que agora, como presidente do partido e com maioria no diretório não deve ter dificuldades em superar Ana Rita na disputa interna. Se não conseguir se viabilizar no partido, Ana Rita deve disputar uma vaga na Assembleia Legislativa, já que uma candidatura a deputada federal traria conflito com a busca de reeleição da deputada Iriny Lopes, que é da mesma corrente petista que a senadora, a Articulação de Esquerda.
Marataízes: juíza suspende aumento de salários de prefeito, vice e secretários
A juíza da Vara da Fazenda Pública de Marataízes (litoral sul do Estado), Cláudia Cesana Sangali de Mello Miguel, suspendeu, nessa segunda-feira (25), os efeitos da Lei Municipal nº 1.536/2012, que reajustou os salários do prefeito, vice-prefeito e secretários municipais. Na decisão liminar, a magistrada considerou que a medida “ofendeu os princípios da moralidade e da imparcialidade” por ter sido aprovada pelos vereadores logo após a reeleição do prefeito Jander Nunes Vidal (PSDB), que está hoje afastado judicialmente do cargo. Nos autos do processo (0004371-44.2013.8.08.0069), o advogado Leandro Bastos Pinheiro, autor da ação popular, narra que o projeto de Lei nº 099/2012, que previa o aumento dos subsídios, foi deflagrado pela Câmara de Vereadores no dia 9 de outubro de 2012 – dois dias após a confirmação da vitória de Doutor Jander. Consta que a matéria foi aprovada no dia 18 de outubro e publicada no dia 23 de dezembro, véspera das festas de fim de ano, para produzir seus efeitos a partir do início de 2013. Segundo ele, a legislação proíbe este tipo de reajuste após as eleições. Com a aprovação da lei municipal, o salário do prefeito de Marataízes passou de pouco mais de R$ 10 mil pra R$ 18 mil mensais, enquanto os vencimentos do vice-prefeito subiram à mesma proporção, de pouco mais de R$ 5 mil para R$ 9 mil. Já o subsídio dos secretários municipais foi para R$ 4,8 mil mensais. A legislação previa que esses valores seriam válidos durante entre os anos de 2013 e 2016, porém, a decisão liminar afasta a realização de “gastos sem sustentação legal hígida aos cofres públicos”, de acordo com a juíza. Na decisão, a magistrada afirmou que a tendenciosidade da lei em análise seria cristalina. Cláudia Cesana entendeu que o prefeito afastado teria “movimentado a máquina para satisfazer a interesses próprios”. “Considerando que os agentes políticos já sabiam quem iria ocupar os respectivos cargos nos próximos quatro anos, inexistem dúvidas de que a edição da lei não ostentou uma finalidade republicana”, avaliou. A juíza fixou ainda multa de R$ 10 mil para cada remuneração repassada em desconformidade com a ordem judicial. Além do prefeito afastado Doutor Jander, figuram como réus no processo, o interino Robertino Batista da Silva (PT) e o município de Marataízes. Eles têm o prazo de 20 dias para contestar a ação.
Sem drenagem, chuvas transformam ruas de Vila Velha em ‘rios’
Depois de mais de 12 horas de chuva intensa o município de Vila Velha já contabiliza cinco pessoas desalojadas, nove desabrigaqdos e diversos pontos de alagamento. Em praticamente todos os bairros do município é possível encontrar ruas sumersas. Para os moradores, apesar de o problema ser considerado genérico devido ao grande número de valões e pela cidade estar abaixo do nível do mar – e nesta terça a maré estava alta pela manhã -, o problema é agravado a cada ano devido à pavimentação inadequada de ruas. “Este ano vimos muitas ruas sendo asfaltadas ao invés de calçadas [com bloquetes de concreto que drenam com mais eficiência a água]. Ruas que não alagavam há um ano e meio, nesta terça-feira estão submersas após 12 horas de chuva. É claro que a população fica feliz quando asfalta uma rua que sempre foi de terra. É o fim da poeira, porém, gera um problema ainda mais grave. Isso precisa ser repensado”, disse Mac Scárdua, do Fórum Popular em Defesa de Vila Velha. Segundo ele, nos bairros de Cobilândia, Araçás e Guaranhuns, Itapuã e Jóquei, Coqueiral de Itaparica, entre outros da região, o problema sempre existiu em algumas ruas, mas após o asfaltamento, até as ruas que não alagavam estão debaixo d'água. “A Defesa Civil disse que a maré já está baixando, mas e quando encher de novo? Estamos à mercê da tábua da maré. Isso é um absurdo. Hoje nem ônibus está passando nas ruas recentemente asfaltadas de Araças, por exemplo. Em Guaranhuns as ruas que não alagavam também foram asfaltadas e é só ir lá pra ver o caos que está”, denunciou Scárdua. Além disso, ressaltou, recentemente o município vem aprovado diversas obras em áreas de alagado, próximo a lagoas e córregos, extinguindo as áreas de drenagem da água da chuva. Como as fortes chuvas estão ocorrendo em toda Grande Vitória, alagamentos também foram registrados na Capital, em Cariacica, Serra e Viana. De acordo com as informações repassadas pelo Ciodes e pelas defesas civis municipais, até o momento há registro de ocorrências relacionadas principalmente à presença de alagamentos. A Defesa Civil divulgou que há 32 desalojados no município de Domingos Martins e 2 desalojados em Cariacica. De acordo com o Incaper, até o momento choveu um total de 147mm nas últimas 24 horas na Grande Vitória. O órgão soltou um comunicado de alerta de risco para municípios da Grande Vitória e também para o município de Bom Jesus do Norte, Santa Maria de Jetibá, Santa Leopoldina, Fundão, Domingos Martins, Marechal Floriano, Guarapari e Anchieta. Os avisos de alerta foram repassados para as coordenadorias municipais de Defesa Civil, que estão monitorando as áreas de risco. Segundo a Defesa Civil do Estado, para evitar acidentes, é preciso que os moradores das áreas chuvosas prestem atenção nas movimentações de terra; trincas no chão; inclinação de cercas, postes e árvores. Segundo o órgão, alterações podem indicar início de deslizamento. Neste caso, a população deve deixar o imóvel imediatamente. “Se houver muita infiltração na casa e acontecer rachaduras nas paredes ou escutar algum barulho estranho, abandone sua residência e evite as áreas alagadas, terrenos acidentados, buracos e bueiros abertos, assim como fiação elétrica exposta, podem causar acidentes graves”, orienta a Defesa Civil. De acordo com o Incaper, a região metropolitana de Vitória foi a que registrou o maior valor de chuva da madrugada de ontem para as 16:10h desta terça (26), com altura acumulada de 170 mm. Este valor representa um pouco mais de 70% da altura de chuva esperada para um mês de novembro típico na cidade.