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Século Diário

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Tabu é o novo filme do diretor português Miguel Gomes

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  Solitária e temperamental, Aurora (Laura Soveral) é uma idosa que vive sozinha em um apartamento em Lisboa, as únicas pessoas que ela mantém contato são sua empregada cabo-verdiana e uma vizinha. Entretanto, as duas não sabem nada sobre o seu passado e quando Aurora morre essas duas mulheres descobrem como foi a juventude dela.   Junto com elas mergulhamos na história de Aurora, que revela uma mulher independente (agora interpretada por Ana Moreira), que vive na África na época do império de Portugal no continente. Aurora é casada e gosta de passar o tempo alimentando um filhote de jacaré, que tem como bicho de estimação.   O filme se divide em dois capítulos. No primeiro chamado Paraíso Perdido conta-se os últimos dias de vida de Aurora e o segundo, Paraíso, é uma perigosa história de amor proibido que envolve um crime. No começo de Tabu, o roteiro é totalmente respeitado, mas na parte final, o diretor deixa os atores livres para improvisarem e quase não há diálogos, apenas um narrador.    Todo filmado em preto e branco, o drama tem um visual clássico que destoa de outras produções que tem a África como plano de fundo, que sempre representam o continente com muitas cores e exotismo.    Apesar do óbvio triângulo amoroso entre a mocinha, o marido e o amante –  o explorador Gian-Luca Ventura (Carloto Cotta) –, Miguel Gomes investe em situações realista e bem-humoradas sem cair no melodrama. Tabu é o terceiro filme dirigido pelo português, que também comandou A Cara que Mereces (2004) e Aquele Querido Mês de Agosto (2008).   Serviço Tabu (Tabu, Portugal, 2013, 110 minutos, 16 anos) Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 1. 19h

21/11/2013 / 0 Comments
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Para conquistar o PT, Ricardo Ferraço muda o tom com o governo federal

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Embora o PT capixaba tenha uma preferência nítida pela candidatura do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) para o governo do Estado, o senador Ricardo Ferraço ainda tenta conquistar a base petista para se viabilizar à vaga. O senador do PMDB, que desde que chegou ao Congresso vinha adotando um discurso bastante crítico em relação ao tratamento  dispensado pelo governo federal ao Espírito Santo, mudou o tom e passou a elogiar a presidente Dilma Rousseff e sua gestão.   A intenção seria a de conquistar a base petista, conseguindo assim viabilizar sua candidatura ao governo na eleição do próximo ano, já que a parceria com o PT parece ser iminente. O problema é que o veto ao nome de Ricardo Ferraço no PT capixaba está ligado a questões que vão além da postura do senador em relação ao governo petista.    A direção do PT nacional tem no mapa eleitoral para o próximo ano a intenção de fazer senadores em estados em que não disputará o governo e que tenham menor densidade eleitoral, como é o caso do Espírito Santo. Neste sentido, com Hartung na disputa ao governo, o PT tem condições de se articular sonhando com a vaga ao Senado.    Com Ricardo disputando o governo, a candidatura de senador fica aberta para que o ex-governador, restando ao PT a vaga de vice, mesma composição que assumiu em 2010. Com a presidência do partido nas mãos do ex-prefeito de Vitória João Coser, o partido tem condições de negociar com o PT nacional, reivindicando que Hartung e não Ricardo seja o candidato ao governo para dar as condições de a estadual negociar a vaga ao Senado.    Além disso, Hartung tem aparecido nas pesquisas recentes como nome com mais condições de enfrentar o governador Renato Casagrande, o que melhora o palanque para que o PT dispute o Senado com mais chances. Nesse sentido, além de convencer a base petista sobre seu novo discurso, Ferraço teria ainda que aumentar sua capacidade de votos para garantir o palanque do PT no Estado.    Até o fim deste mês, o PT vai decidir quem é o nome na disputa ao Senado. Embora a senadora Ana Rita Esgário, que assumiu a vaga na suplência do governador Renato Casagrande tenha prioridade na disputa à reeleição, Coser tem interesse na vaga e sua ascensão à presidência do partido e maioria no novo diretório podem garantir o espaço para que o ex-prefeito possa ser o escolhido. 

21/11/2013 / 0 Comments
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Surpresa de mau gosto

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De cada dez especialistas em mobilidade urbana, onze pedem para o cidadão deixar o carro na garagem e aderir ao transporte coletivo. As justificativas para essa recomendação são muitas. Se um maior número de pessoas passasse a usar o transporte público, a qualidade do serviço tenderia a melhorar; os projetos de mobilidade iriam pensar soluções viárias para o transporte coletivo em detrimento do individual — hoje acontece o inverso; com menos carros nas ruas, o tempo médio das viagens de ônibus diminuiria, e todo mundo empataria menos horas no trânsito; o meio ambiente também agradeceria com a diminuição das emissões de CO2; sem contar que o ex-usuário de carro economizaria uns bons trocados com combustível, manutenção e outras despesas.    Ninguém discorda que os argumentos são plausíveis. No fundo, no fundo, o cidadão que se acostumou a andar de carro resiste em abrir mão desse conforto. Mas não é essa justificativa que ele tem na ponta da língua quando questionado sobre o motivo de não trocar o transporte individual pelo coletivo.    Existe outra resposta mais convincente para justificar a predileção pelo transporte particular: a péssima qualidade do transporte público. Por mais que os urbanistas tenham bons argumentos para dissuadir o motorista sobre o uso do carro, a qualidade do transporte público é um ponto quase que indefensável, mesmo para os entusiastas da ideia.    A defesa dessa tese se torna ainda mais difícil quando acontecem paralisações surpresas, como as que vêm sendo articuladas pelo Sindicato dos Rodoviários durante esta semana na Grande Vitória.    Imagine a situação do trabalhador que usa o transporte público não por opção, mas por necessidade. O sujeito acorda cedo e vai para ponto como faz todos os dias. É neste momento que ele vai descobrir que a categoria decidiu fazer uma “surpresinha” para ele: deixá-lo a pé.   O presidente do sindicato, Edson Bastos, ainda tem a pachorra de se gabar da estratégia. “Se a gente avisar, vem uma liminar impedindo a gente de fazer paralisação”, declarou à imprensa. E disse mais: “Se não tiver o transtorno, o governo não se mexe, o empresário não se mexe”.    O transtorno maior, no caso, não é nem para o empresário, nem para o governo, mas para a população, sobretudo para os mais pobres. Na terça (19), a paralisação começou às 4 horas e se encerrou às 6 horas, justamente no horário em que os trabalhadores mais humildes utilizam o ônibus. São as pessoas que moram nos bairros mais periféricos e precisam sair com grande antecedência de suas casas para chegar a tempo nos locais de trabalho, que ficam geralmente em bairros mais centrais.    Para a categoria de Bastos ter êxito nas negociações é preciso que a população pague o pato. A surpresa preparada pelo grupo de Bastos é humilhante e desrespeitosa com a população, que se torna refém da manobra sindicalista. Ninguém sabe se amanhã haverá ônibus ou surpresa.    É por essas e outras que as iniciativas de conscientização para estimular o uso do transporte coletivo tendem a naufragar. De cada dez usuários que foram “pegos” pela surpresa do Sindicato dos Rodoviários, onze, se tivessem um carro na garagem, responderiam convictos que não o trocariam pelo ônibus de jeito nenhum. Afinal, ninguém quer fazer papel de palhaço. 

20/11/2013 / 0 Comments
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Papo reto

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A possibilidade de uma candidatura ao Senado do coronel Luiz Sérgio Aurich, que causou rebuliço nos meios políticos do Estado nos últimos dias, ganhou um novo capítulo nesta semana, durante reunião da executiva estadual do PSDB. Perguntado por militantes do ninho tucano, Aurich foi direto e reto: “se for para compor com a estrutura de poder que hoje domina o Espírito Santo, estou fora. Mas, para defender a população capixaba e as bandeiras das ruas como saúde, segurança, ética, justiça e o combate à corrupção, é comigo mesmo”. Com esses termos, o coronel já emendou que tem interesse em participar da convenção do PSDB para definição do candidato à única vaga que será aberta na Casa no próximo ano. Disposição de encarar o pleito, além de possibilitar um amplo debate sobre um tema que Aurich conhece muito bem, a escalada da violência no Espírito Santo, coloca gás na candidatura ao governo de Guerino Balestrassi. Mas como nem tudo serão flores, a intenção do coronel causará transtornos no PSDB e até mesmo constrangimentos. Afinal, não são novas as desavenças entre ele e o ex-governador Paulo Hartung (PMDB), chegadíssimo do ninho tucano. Essa eu quero ver.   Papo reto II  Aliás, com Aurich no páreo, PSDB mata dos coelhos com uma cajadada só. O governador Renato Casagrande também vai virar alvo.   Superficial O Dia da Consciência Negra passou ao raso na Assembleia Legislativa na sessão desta quarta-feira (20). Os deputados não citaram um “a” sobre o absurdo das taxas de homicídios a jovens negros no Estado. Cotas raciais, “salve Zumbi”…é só o que têm a dizer?   Superficial II   Isso porque mais um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) foi publicado nessa terça, colocando o Estado em segundo lugar no País em homicídios de negros. Fora a marcha realizada na manhã desta quarta, alertando para a gravidade da questão.   Superficial III Claudio Vereza (PT) citou a marcha; Marcos Mansur (PSDB) citou a posição do Estado no ranking. Nada mais. Pedir providências ao governo, então, nem pensar!   Desconhecimento O historiador Maciel de Aguiar, que criou o Museu ÁfricaBrasil, em São Mateus, costuma dizer que nesses dias todo mundo quer homenagear Zumbi, a única liderança negra assimilada pelas elites brasileiras. Mas a história capixaba é cheia de lideranças importantes como Teodorico Trinca Ferro, Negro Rugério, Benedito Meia Légua, Zacimba Gaba, Clara Maria do Rosário e etc. Na própria Assembleia, o homenageado é Zumbi. Vai entender.   Concorrência Por falar em Mansur, é bom o deputado estadual Esmael Almeida (PMDB) ficar esperto. Daqui a pouco vai perder o título de “deputado dos evangélicos”. Mansur, que é pastor, está atrás da vaga.   Filho único O vereador de Vila Velha João Artem (PSB) mudou sua posição em relação à instalação do superporto no município. Na sessão dessa terça-feira (19), demonstrou preocupação em relação a “investimentos vultosos, que são pouco conhecidos e incertos” e defendeu projetos de infraestrutura e turismo, que “continuam na gaveta”. Luz no fim do túnel?   Nada atraente Entra presidente, sai presidente e o site da Câmara de Vitória continua fraquinho, fraquinho. Dinâmica zero, atualização idem.   140 toques “Vitória foi destaque na CNN International. Botão de Pânico (PMV/TJES) e combate à violência contra mulher”. (Prefeito Luciano Rezende – PPS – no Twitter).   PENSAMENTO: “Se um homem sabe até a medula o que é certo, e age de acordo com isso, evita a armadilha do compromisso – ele permanece incorruptível”. Leo Burnett

20/11/2013 / 0 Comments
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Amor Platônico

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Celina, de profissão lavadeira, lava a roupa de dona Dalva, de profissão dondoca. Toda segunda-feira Celina vai a pé buscar a roupa suja, volta de ônibus porque a trouxa é pesada, mesmo sem vale-transporte ou ajuda de custo. Mas para ter de volta a roupa lavada, Dona Dalva manda o chofer ir de carro buscar no barraco de Celina, porque não quer que a roupa bem passada amasse no trajeto do ônibus.   Sem falar que pode cair no chão e sujar de novo, ou ser levada por algum pivete, que hoje eles roubam é tudo, ou pegar micróbios no banco do ônibus, onde a pobreza senta.  O chofer é jovem e tem bigodes pretos, e diz Bom-dia quando chega; Celina responde com outro Bom-dia, mesmo se estiver chovendo e tenha caído uma barreira em seu quintal. Ele pega a trouxa de roupa lavada, cheirando a alfazema, e vai embora.   O carro faz um barulhinho engraçado quando sobe a ladeira, o vizinho grita que tá batendo pino, o chofer responde que a patroa é unha de fome e não manda o carro pro mecânico. Se parar no trânsito, ainda vai dizer que a culpa é dele. No fim do mês tem pagamento, e Celina reclama que tá indo pouco sabão e muita roupa, que precisa de aumento porque tudo sobe, embora não tenha inflação,  e tudo tá caro embora o povo continue sem dinheiro.    Dona Dalva, ainda de camisola e rolinhos no cabelo, reclama que a roupa está mal passada, que faltou uma fronha na outra semana, que a blusa azul de bolinhas soltou um botão e a toalha amarela desbotou. Celina diz que a fronha não foi, ela que procure melhor em casa; que o botão que soltou não foi culpa dela, e mandou de volta numa sacolinha. Enquanto toma o café requentado e o pão de ontem, Celina pensa que é melhor trabalhar de faxineira, que estão pagando mais e exigindo menos.   Dona Dalva pensa se não deve comprar a tal máquina que lava a roupa, mas não inventaram ainda a máquina de passar. Celina vai embora feliz porque conseguiu o aumento – menos do que pediu, mais do que dona Dalva pretendia dar. Ossos do ofício, que o aluguel do barraco também subiu. Na rua o chofer está encostado no carro preto, esperando pra levar Dona Dalva na academia pra fazer ginástica. Ela diz queimar calorias. Se é pra fazer exercício devia ir a pé, queimava mais e ainda  economizava na gasolina.   Quando Celina passa por ele, o chofer diz Bom-dia ou Boa-tarde, dependendo da hora, se é antes ou depois do almoço. Celina responde Bom-dia ou Boa-tarde, não importa se faz sol ou tá desabando o maior aguaceiro, e pensa que o bigode preto deve fazer cócegas na hora de beijar. O chofer muda discretamente de posição, pra ver melhor as pernas de Celina subindo no ônibus.

20/11/2013 / 0 Comments
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Tudo pelo social

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Uma das críticas à atuação do PT não só no Espírito Santo, mas no restante do País, é o seu claro afastamento dos movimentos sociais, de onde teve origem. Essa crítica, porém, pode se estender a outros partidos de cunho social, como o PSB, do governador Renato Casagrande.    O socialista, que tomou posse em 2011 prometendo fazer um governo de resposta rápida às demandas sociais da população, e tendo ao lado o vice do PT, Givaldo Vieira, não conseguiu, neste primeiro mandato, imprimir uma marca social em seu governo, muito pelo contrário.    A truculência com a qual o governo tratou ainda no primeiro ano o movimento estudantil e o movimento por moradia, em Barra do Riacho, Aracruz, As duas ações sob o comando do vice colocaram uma marca nada democrática ao governo. Com o passar do tempo e o foco do governador nos problemas externos, sobretudo, das perdas de recursos federais, afastaram o governo cada vez mais da agenda social.    As políticas públicas apresentadas por Casagrande indicavam de forma pontual a preocupação do governo com a segurança, com o programa Estado Presente e contratação de soldados; da saúde, com a inauguração de hospitais e na educação com o concurso para novos professores. Ações que sem uma visão mais ampla não trouxeram a resposta desejada para a criação de uma marca social no governo.    Hoje o Estado continua em uma posição muito ruim em relação aos índices de homicídios em geral e sobretudo à morte de jovens negros, segundo lugar no País. Uma marcha, em menção ao Dia Nacional da Consciência Negra,  na manhã desta quarta-feira (20), tenta mais uma vez chamar a atenção do Palácio Anchieta para a situação do negro no Estado.    A se confirmar o cenário atual, que aponta para a reeleição de Renato Casagrande, seria interessante em seu segundo mandato uma reforma social, um olhar do governo do Estado para uma discussão mais ampla e uma aproximação entre governo e sociedade. Afinal, os resultados nas áreas de segurança, saúde e educação só vão melhorar de forma efetiva se essa agenda for ampliada e a atuação acontecer em conjunto com a sociedade civil, de forma estrturante e democrática Fragmentos   1 – Curso técnico em Contabilidade feito no ensino médio há milhões de anos dá estofo para presidir a Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa?   2 – A bancada do PMDB começa a mostrar seus problemas internos. Também, com sete deputados estaduais, não dá para manter unidade por muito tempo. Pelo menos no que diz respeito à atividade legislativa. No campo político a necessidade mantém a união.    3 – Tyago Hoffmann tem uma vantagem em relação a seu antecessor na Casa Civil, Luiz Ciciliotti. Pelo menos tem feito visitas mais regulares à Assembleia. 

20/11/2013 / 0 Comments
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MPF ajuíza ações para agilizar titulação de terras quilombolas no ES

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No Dia da Consciência Negra, nesta quarta-feira (20), o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou sete ações civis públicas com o objetivo de agilizar o processo de regularização de territórios quilombolas no país. Duas delas são referentes a territórios do Espírito Santo, a primeira trata da demora na regularização da terra da comunidade de São Domingos, no município de São Mateus; e a outra de grilagem de terras públicas.   Para o MPF, o caso de São Domingos é um dos exemplos mais claros de descaso. Os promotores constataram uma série de medidas tomadas pelos órgãos competentes para praticamente paralisar o processo de reconhecimento das terras, com rotinas administrativas excessivas e tramitações em prazos dilatados, se comparados a anos anteriores. Sem andamento, o processo está na fase de análise técnica e jurídica e julgamento de recurso pelo Conselho Diretor, e está na sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) desde abril de 2011, sendo que pronto para julgamento desde janeiro de 2012. Esta é a última fase pela qual o processo passa antes da publicação da portaria que devolve as terras ao seus verdadeiros donos, no antigo território de Sapê do Norte, formado pelos municípios de São Mateus e Conceição da Barra.   Já em relação à grilagem de terra, o MPF quer a declaração de nulidade dos títulos de domínio de terras devolutas dados pelo Estado à Aracruz Celulose (Fibria) e a legitimação das terras em favor dos quilombolas, conforme o previsto em lei. A instituição afirma que o processo se deu de forma fraudulenta, como constatou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Aracruz, criada em 2002 pela Assembleia Legislativa. Além disso, foi comprovada a existência de uma “aliança” entre a empresa e alguns de seus funcionários, no final da década de 60 e início da de 70, para que estes requeressem a legitimação da posse de terras devolutas estaduais, como laranjas, para transferi-las em seguida à empresa.   O MPF ressalta determinação do artigo 68 dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias, da Constituição Federal: “aos remanescentes das comunidades de quilombos é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os respectivos títulos”. Segundo as ações, a Fundação Cultural Palmares certifica, atualmente, 2.007 comunidades quilombolas em todo país. Entretanto, apesar de mais da metade já terem processo aberto no Incra, apenas 139 títulos (cerca de 7%) de propriedade coletiva haviam sido emitidos até maio deste ano. Na prática, pontua o Ministério Público, essa demora se reflete no dia a dia das comunidades, que enfrentam dificuldade de subsistência e de acesso a serviços públicos, são vítimas de violência e sofrem preconceito. “Persistindo esse ritmo, as 2.007 comunidades já certificadas pela Fundação Palmares terão que aguardar aproximadamente 175 anos para que todos os processos a elas pertinentes estejam concluídos”, critica Deborah Duprat,  coordenadora da 6ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF. As demais ações civis públicas se referem a territórios em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Pará e São Paulo. No Estado, explora o território quilombola principalmente a Aracruz Celulose, desde a ditadura militar, mas também empresas de álcool e cana-de-açúcar e grandes fazendeiros. No Sapê do Norte, as famílias quilombolas enfrentam fome e miséria, sem possibilidades de produzir alimentos para subsistência e sequer manter sua cultura tradicional. Ilhados pelos eucaliptais, sofrem os impactos sociais e ambientais gerados por esta monocultora, que exige intenso uso de agrotóxicos.    O caso de São Domingos não é o único que enfrenta demora em seu andamentos, atendendo a interesses da Aracruz Celulose e de fazendeiros reunidos no Movimento Paz no Campo (MPC). O mesmo ocorre com a comunidade de Linharinho, em Conceição da Barra, que tem 85% dos seus 9,5 mil hectares ocupados pela Aracruz. A portaria de reconhecimento do território foi publicada em 2007, mas foi questionada pela empresa, que obteve vitória na Justiça, gerando a anulação. Em outubro do ano passado, foi aberto um novo processo, que pode levar de dois a três anos para ser concluído. De acordo com o Incra, Linharinho aguarda a finalização do Levantamento Fundiário, a elaboração da planta georreferenciada e o cadastro das famílias.   Em situação semelhante estão as três comunidades de Roda d'Água (Roda d'água e Morro da Onça; Córrego do Alexandre e Porto Grande) e as quatro comunidades da Bacia do Rio Angelim (Angelim 1, Angelim 2, Angelim 3 e Angelim Disa), das quais o Relatórios Técnicos de Identificação e Delimitação (RTID), tapa inicial do processo de titulação, ainda estão sendo elaborados.   A comunidade de Monte Alegre, em Cachoeiro de Itapemirim, teve seu RTID publicado. O Incra aguarda finalização do prazo dos trâmites para que seja encaminhada a publicação da Portaria de Reconhecimento do Território.   No ano passado, para a regularização fundiária, também foram publicadas as portarias das comunidades de São Jorge e Serraria/São Cristóvão, no norte do Estado; de Retiro, em Santa Leopoldina, e São Pedro, em Ibiraçu, também no norte. Ações de desapropriação para áreas da comunidade do Retiro já foram ajuizadas e, com isso, há a possibilidade da titulação das terras atualmente ocupadas pelos quilombolas. A comunidade de Serraria/São Cristóvão espera o ajuizamento das ações de desapropriação; e São Pedro aguarda a desapropriação dos imóveis sobre as terras ajuizadas neste ano. O Incra não informou sobre o processo da comunidade São Jorge, que estava parado devido a uma decisão judicial.   Levantamento da Comissão Pró-Índio, entidade que também atua em favor da luta quilombola no Brasil, alerta que, no ano passado, apenas uma terra quilombola recebeu título de posse definitiva do Incra em todo o Brasil. O território titulado foi o Quilombo Chácara de Buriti, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, compreendendo ao todo 12 hectares. A área total que pertence à comunidade, no entanto, é de 44 hectares. Até 2012, somente 193 comunidades quilombolas tiveram suas terras tituladas e 87% dos processos em curso no Incra ainda não contam com o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação.

20/11/2013 / 0 Comments
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Governo recebe investidores e sinaliza apoio à instalação de porto em Presidente Kennedy

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Mesmo com as polêmicas em torno da aquisição das áreas previstas no projeto do Porto Central, no município de Presidente Kennedy (litoral sul do Estado), o governo do Estado formalizou a parceria com os investidores holandeses, que devem ser responsáveis pela gestão do terminal. Na manhã desta quarta-feira (20), o governador Renato Casagrande recebeu uma comitiva do Porto de Roterdã, que oficializou o interesse na instalação do porto. Também participaram do encontro, os representantes da TPK Logística, empresa responsável pelo projeto e está no centro do imbróglio jurídico em torno do empreendimento. Atualmente, as ações judiciais relacionadas à propriedade das áreas do novo porto já chegaram ao Tribunal de Justiça do Estado (TJES). A empresa mineira Predial Itabirana, dona do loteamento Cidade Balneária Solimar – que detém a maior parte da área sinalizada para a instalação do porto -, tenta impedir a divulgação de novas informações sobre o empreendimento até a efetiva conclusão da operação de compra e venda das áreas. O governo do Estado já adiantou que vai promover as desapropriações necessárias para a construção do novo terminal portuário. De acordo com fontes ligadas à empresa, os advogados da Predial Itabirana vão pedir ao juiz de Presidente Kennedy que reconsidere uma decisão sobre o pedido de antecipação de tutela em ação ordinária movida contra a TPK e o Estado do Espírito Santo. Eles alegam que, na época da primeira decisão, o juiz negou o pedido ao não vislumbrar qualquer tipo de relação entre as áreas da Predial e o projeto do porto, cenário que teria sido alterado com a publicação do decreto de desapropriação das áreas no final de agosto e, agora, com a audiência dos investidores com o governador. No encontro desta quarta-feira, o investidor holandês Allard Castelein, CEO do Porto de Roterdã, anunciou que será criada, no próximo mês, uma “joint venture” (parceria) entre a empresa holandesa e a TPK – que é ancorada pelo grupo Polimix, do empresário Ronaldo Moreira Vieira. Segundo informações divulgadas pelo governo do Estado, o empreendimento deve demandar investimentos na ordem de R$ 1,5 bilhão na sua primeira fase. A expectativa é de que as obras comecem no segundo semestre de 2014 – no início das discussões, o empreendimento chegou a ser estimado para o próximo ano. Essa não é a primeira vez que um projeto para o município de Presidente Kennedy é anunciado com pompa no palácio Anchieta. Em 2008, os executivos da mineradora Ferrous Resources se reuniram com o então governador Paulo Hartung (PMDB) para anunciar um projeto siderúrgico e portuário para a região. Na época, um protocolo de intenções chegou a ser assinado. Coincidentemente, os personagens envolvidos no projeto eram os mesmo que estão atuando no Porto Central, como o diretor-presidente da TPK, José Maria Novaes, que é sócio da ZMM Empreendimentos que atuou junto com pessoas ligadas ao ex-governador na compra e venda de áreas para a Ferrous. Apesar do projeto da mineradora não ter saído do papel, José Maria e seus parceiros – entre eles, o ex-secretário da Fazenda, José Teófilo de Oliveira, atual sócio de Hartung em um escritório de consultoria – auferiram um lucro extraordinário no espaço de poucos meses. Em 90 dias, foram negociados 379,44 alqueires de terra em Kennedy, totalizando uma movimentação de R$ 121,16 milhões. Os terrenos foram adquiridos pela ZMM e repassados à mineradora por até três mil vezes o valor pago, sendo que o empreendimento recebeu todos os incentivos fiscais do governo estadual como contrapartida. Existem diferenças claras entre os dois empreendimentos, sobretudo, pelo envolvimento de recursos públicos na compra dos terrenos para o Porto Central. Entretanto, os moradores da região continuam desconfiados sobre a efetiva instalação do terminal portuário. Essa questão foi levantada durante a audiência pública sobre a concessão das licenças ambientais para o empreendimento, realizada na semana passada em Kennedy. Um dos moradores que participou da reunião afirmou que “a Ferrous fez a mesma coisa”, há três anos, quando reunindo os moradores para discutir os impactos do projeto no mesmo espaço, o Ginásio do município. “Mas nada saiu do papel e não sabemos se vai acontecer o mesmo com o porto”, declarou à reportagem, sem querer se identificar. Além dos questionamentos sobre a implantação do projeto, uma outra preocupação dos moradores da região é com a manutenção da atividade pesqueira no entorno do porto, que deve ser instalado nas proximidades da Praia das Neves. A preocupação é tamanha que uma nova audiência pública deverá ser marcada, desta vez, no município fluminense de São Francisco de Itabapoana. 

20/11/2013 / 0 Comments
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Em novo romance, Fernando Paiva discorre sobre os limites da mentira

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Quando tinha apenas cinco anos, Mario Lucachesi viu o pai embarcar em mais uma de suas viagens misteriosas, mas desta vez não mais para trazer os tão ansiados chocolates belgas – para nunca mais voltar. A foto da lápide e as lágrimas da mãe atestavam a morte do patriarca, mas Mario nunca se convenceu. O menino cresce e se torna estudante de história, guia turístico premium, filho modelo e um legítimo membro do Clube dos Mentirosos; e como tal, mestre na arte de vender ilusões, criando histórias tão sofisticadamente ilusórias que soam mais verossímeis que a pobre realidade, tão nua e crua. Mentir é diferente de inventar uma verdade – diz um personagem – o rei sempre está nu, diz outro.   Os fatos e relatos se confundem a cada reviravolta desta narrativa na qual todos parecem esconder algum segredo. Como o poeta fingidor, nosso jovem herói desenha heterônimos tão intensamente vivos que não há como decifrar quais deles (e se eles) são apenas fruto da sua mente alucinada. Com um perfeito domínio da arte de narrar, aliado a uma inventividade admirável, Fernando Paiva constrói um labirinto ficcional de complexa arquitetura, na qual o leitor se perde com prazer, questionando a cadapágina as fronteiras do real. O que é mentira, o que é realidade, quem será o grande mentiroso nessa história? Ao se enredar na imbrincada teia imaginativa de Mario Lucachesi (ou Fernando Paiva?), o leitor embarca num jogo que reflete sobre o papel da literatura – e da leitura – como ato de criação e invenção do mundo e de todos nós.   Serviço Somente a Verdade Fernado Paiva Editora 7 letras 160 páginas R$ 34 em média

20/11/2013 / 0 Comments
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Trabalhadores da saúde decidem pela manutenção da greve

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Os trabalhadores da saúde, em greve desde 11 de novembro, realizaram assembleia na tarde desta quarta-feira (20) e votaram por continuar com o movimento. A categoria, associada ao Sindicato dos Trabalhadores da Saúde do Estado (Sindsaúde-ES), avaliou que a proposta do governo do Estado não atende aos trabalhadores, principalmente na questão da insalubridade.    Segundo a presidente do Sindsaúde, Luceni Novaes, a adesão ao projeto governamental pode prejudicar muitos trabalhadores. Ainda assim, a entidade espera que o Estado volte à negociação para que trabalhadores e governo cheguem a um entendimento.    A próxima assembleia para avaliação do movimento vai ser realizada na próxima quarta-feira (27). Durante a semana, deve ser definido se vai haver atos públicos dos trabalhadores da saúde no período.    A principal reivindicação dos trabalhadores é o pagamento da insalubridade. Os servidores também reivindicam a solução dos problemas com o subsídio; melhores condições de trabalho; que o Estado pare de entregar os hospitais públicos para organizações privadas; valorização dos trabalhadores com remuneração digna; e o fim do assédio moral.    A categoria luta ainda para que o governo estenda o pagamento do benefício da insalubridade a todos os trabalhadores da saúde, já que de acordo com o projeto do governo, a maioria dos trabalhadores ficaria sem direito ao ressarcimento por atuar em ambientes insalubres.      Para o sindicato, o projeto de lei apresentado pelo governo é desumano, pois retira o benefício de grande parte dos trabalhadores da área, uma vez que prevê que apenas terá direito à insalubridade quem tem contato direto com pacientes e agentes químicos de risco.   Os trabalhadores, porém, querem receber o benefício por trabalharem em ambientes insalubres, já que, dessa forma, eles já se expõem a riscos e prejuízos à saúde. Além disso, existe a falta de condições de trabalho dos hospitais, o que só torna os ambientes ainda mais insalubres e mais propícios à disseminação de doenças.

20/11/2013 / 0 Comments
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