Foi infinito enquanto durou. A boa avaliação que no geral pode-se conferir à série de audiências públicas sobre o pó preto capitaneada pelo deputado estadual Cláudio Vereza (PT) não a livrou no entanto do veredicto: não vai adiantar nada. A ninguém surpreende o fato de que a longa jornada de discussões no plenário não vá redimir os pulmões capixabas das nuvens nocivas da Vale e da ArcelorMittal. Um paradoxo? Sim. Foi bom. Entidades civis de variegadas extrações expuseram seus motivos; governo e empresas, idem (aqui, empresas = Vale e ArcelorMittal). A sociedade civil transpareceu suas insatisfações, mas governo e empresas não pareceram dispostos a mitigá-las. Daí a gente evoca a desculpa basilar dessas audiências. A justificativa que o propositor Vereza ofereceu para realizar uma série de discussões no lugar de uma certamente constrangedora, para governo e empresas, Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), é que outras CPI’s para investigar a poluição do ar em Vitória foram instaladas e… “não deram em nada”, como o próprio deputado falou na primeira audiência da série. Mas fontes ouvidas pela reportagem não mostraram o mais vago e fugidio lume do entusiasmo quanto aos efeitos práticos da série de Cláudio Vereza. O sentimento é unânime: as discussões foram tão ricas quanto estéreis. A vã esperança do petista quanto à CPI é a mesma quanto a sua jornada de audiências. Que coisa. Uma CPI também seria recebida com descrença por setores da sociedade civil. No último encontro, realizado quarta-feira (13), um representante externou ao microfone um pessimismo indiferente com uma possível CPI. Complacente, disse que ela seria apenas palanque para os deputados que se reuniriam em torno. Uma fonte acha o mesmo: a CPI seria outra porta para o nada. Só que uma das últimas frases da última audiência pública saiu de Eraylton Moreschi Júnior, do grupo SOS Espírito Santo Ambiental. Moreschi concluiu suas considerações finais numa cobrança elegante ao deputado petista: “Talvez por acreditarmos em Papai Noel, insistimos na CPI”. Antes, Vereza associara fé em CPI à fé em Papai Noel. O lirismo nataliano de Moreschi fala por si: até o fim as entidades ambientais cobraram a instalação da CPI do Pó Preto. Na primeira, realizada dia 11 de setembro, a SOS Espírito Santo Ambiental exibiu um vídeo em que logo na abertura lia-se o questionamento: “Dessa vez, o vídeo começava com um questionamento: “CPI do pó preto… Por que não?”. O poder de polícia de uma CPI pode aprofundar inúmeras questões que permanecem nebulosas para os meros mortais da sociedade civil. O que explica a ausência de fiscalização por parte dos órgãos públicos ambientais (como o Instituto Estadual de Meio Ambiente – Iema)? Dissemos ausência: seríamos complacentes se falássemos em negligência. E que critérios norteiam o processo de emissão de licenças? Vereza manteve-se inflexível. “Quero ver falarem numa CPI igual falaram aqui”, defendeu-se na quarta-feira. A sociedade civil cumpriu seu papel, comparecendo e se manifestando, ao contrário da Assembleia Legislativa. Nem a bancada do partido do deputado prestigiou as audiências. Genivaldo Lievore e Lúcia Dornellas fizeram aparições breves. De novo, a Assembleia mostrou que não respira o mesmo ar que o resto da ilha de Vitória. Uma CPI, além de suas atribuições investigatórias, também pode indicar corpo técnico para realização de perícias, solicitar e reunir documentos, ouvir testemunhas junto às poluidoras e órgãos públicos e ainda, diferente do que argumentou o deputado, pode convocar representantes da sociedade como entidades ambientais e associações de moradores. Uma CPI também poderia exigir a presença do Ministério Público Estadual (MPES), cuja ausência sentiu-se ao longo da série de audiências. O órgão se fez presente à quarta audiência. De resto, figurou na primeira, por meio de representante na dramatização audiovisual da Vale. Se com as audiências Vereza esperava abrandar o calor da pressão pela CPI, conseguiu. Mas dissipá-la por completo, não. Ao longo da série ficou mais que claro que o dispositivo mais confiável para investigar a poluição do ar de Vitória causada pela Vale e ArcelorMittal é a comissão parlamentar de inquérito. Por cobranças das entidades, a única medida mais palpável que sairá das audiências é a produção de um relatório reunindo as principais propostas apresentadas para o combate à poluição. Por ora é apenas isso ao que parece. E quando ele ficar pronto, qual será o próximo passo? Ao longo dos cinco encontros, é redundante dizer que os principais alvos de quem zela pela própria saúde e bem-estar foram a Vale e a ArcelorMittal. As poluidoras não só sentiram a pressão da sociedade civil, como também o preparo desta para debater o assunto. Mas Vale e ArcelorMittal reagiram de forma diferente à mobilização civil. A Vale comportou-se de forma completamente diferente da Arcelor. Esta expôs sua culpa e responsabilidade, embora não tenha apresentado alternativas e/ou medidas para se redimir. A Vale, por sua vez, em nenhum momento assumiu sua responsabilidade. Desde a primeira audiência, quando afrontou o plenário com um filme publicitário de nove minutos, a mineradora insistiu naquele discurso de sustentabilidade que já dá aquela bocejante preguiça. A estratégia bem pensada, o discurso bem amarrado e as palavras bem escolhidas já não surtem o mesmo efeito de mobilização de sentimentos em favor de um discurso específico de sustentabilidade, responsabilidade social e compromisso ambiental. Letras mortas, porém belas e airosas. Entre os dias 11 de setembro, data da primeira audiência, e 13 de novembro, quando se realizou a última, o nome da Hyundai Steel foi enunciado algumas vezes em função do enclausuramento total da cadeia de produção, método para controle de poluição aplicado pela siderúrgica sul-coreana. Mais de uma vez as entidades ambientais propuseram o enclausuramento total das operações na Ponta de Tubarão. Vale e Arcelor, claro, rejeitaram a proposta. E ficou por isso mesmo, o que corrobora a sensibilidade geral de que, um, a série de audiências não produzirão medidas concretas contra a poluição, e, dois, a série foi uma estratégia de Vereza, atento também às inflamações das Jornadas
Conselheiras do Cedimes vistoriam unidades femininas e flagram irregularidades
O Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Mulher (Cedimes) vem realizando inspeções nas em presídios femininos para verificar as condições das unidades e o atendimento às presas. As inspeções tiveram início depois da transferência das presas da Penitenciaria Feminina de Xuri, em Vila Velha, ocorrida em dezembro de 2012 para diversas outras unidades. Nas visitas, o Cedimes encontrou irregularidades. Em Viana, por exemplo, havia superlotação e a alimentação era de péssima qualidade. A unidade de Xuri, que funcionava com sobra de vagas, foi desativada para receber presos do regime fechado. As presas foram transferidas para unidades de Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Estado; Colatina, no noroeste; Bubu em Cariacica; para o Presídio de Segurança Média II (PSME II), em Viana. Por conta da falta de justificativas para as transferências, o Cedimes começou a analisar as condições em que as presas se encontravam nas novas unidades. A unidade de Xuri era uma das únicas que operava dentro da normalidade. O conselho, então decidiu pela inspeção, inicialmente em Viana e em Bubu. As visitas resultaram um relatório parcial detalhando os motivos das inspeções e o que as conselheiras encontraram na unidade. Em Viana, foram encontradas as piores condições, com comida de péssima qualidade e excesso de presas. Teve uma ala em que foi negado o acesso das conselheiras, apesar da boa vontade da direção da unidade. O Cedimes, conselho ligado à Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (Seadh) é responsavel por propor políticas públicas para mulheres, além de fiscalizar o cumprimento e aplicação delas. Os resultados das inspeções foram apresentados em reunião ao secretário de Estado de Justiça, Sérgio Alves Pereira. Após o encontro, a representante da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) no conselho teve uma reunião com o governo, que solicitou que as inspeções sejam feitas novamente, de forma monitorada. Em 29 de novembro o Cedimes se reúne mais uma vez para definir o roteiro das inspeções, assim como votar a criação de uma comissão permanente de inspeção para monitorar as condições em que as presas cumprem as penas.
Transgênicos contribuem para aumento do consumo de agrotóxicos no Brasil
O uso indiscriminado de agrotóxicos está diretamente associado ao aumento dos transgênicos no campo. A safra 2010/2011, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), teve um consumo somado de herbicidas, inseticidas e fungicidas, entre outros, de 936 mil toneladas, que movimentou 8,5 bilhões de dólares no país. Não à toa, o Brasil responde a 20% do consumo mundial total desses venenos. Ainda segundo a Anvisa, órgão responsável por liberar tais produtos no país, o mercado brasileiro de agrotóxicos cresceu 190% nos últimos 10 anos, um ritmo muito mais acentuado do que o do mercado mundial, que foi de 93% no mesmo período. A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), já liberou cinco tipos de soja, 18 de milho, 12 de algodão e uma de feijão que, com exceção da nacional Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), utilizam tecnologia transgênica e defensivos agrícolas produzidos pelas seis grandes empresas transnacionais que também lideram o setor em nível global: Monsanto (Estados Unidos), Syngenta (Suíça), Dupont (EUA), Basf (Alemanha), Bayer (Alemanha) e Dow (EUA). Relatório do Grupo ETC, organização socioambientalista internacional que atua no setor de biotecnologia e monitora o mercado de transgênicos, revelou em março deste ano que estas empresas, apelidadas de “Gene Giants” (Gigantes da Genética), controlam atualmente 59,8% do mercado mundial de sementes comerciais e 76,1% do mercado de agroquímicos, além de serem responsáveis por 76% de todo o investimento privado no setor. No Brasil, a soja concentra 40% do volume total de venenos agrícolas, seguida pelo milho (15%) e pelo algodão (10%). Entre os alimentos mais com taxas mais elevadas de veneno estão a cana de açúcar, o tomate, a uva, a alface e o pepino. Relatório do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para), da Anvisa, apontou índices elevados de agrotóxicos em seis alimentos no Espírito Santo: pepino, alface, arroz, tomate, uva e abacaxi, referentes aos anos de 2011 e 2012. Ao todo, no Estado, a Anvisa analisou 67 amostras de alimentos em 2011, das quais 22 foram consideradas insatisfatórias. Em 2012, foram 77 amostras coletadas de alimentos – diversos e não necessariamente os mesmos do ano anterior –, dos quais 18 amostras foram consideradas insatisfatórias. Em âmbito nacional, no mesmo relatório, foi registrado o uso de aldicarbe em uma amostra de arroz. O aldicarbe é o ingrediente ativo de maior toxicidade aguda dentre todos os agrotóxicos de uso agrícola e muito conhecido por ser usado como raticida ilegal, o popular “chumbinho”. Em amostras de uva, foram registrados os ingredientes ativos tebufempirade e azaconazol, que nunca foram registrados no país. Por isso, o seu uso sugeriu a ocorrência de contrabando. No ano de 2012, todos os resultados insatisfatórios das amostras de alimentos, caso da cenoura e do arroz, por exemplo, foram devido à presença de agrotóxicos não autorizados para estas culturas. Segundo a Anvisa, atualmente 130 empresas atuam no setor de agrotóxicos e, destas, 96 estão instaladas no país. Mas só as dez maiores empresas do setor foram responsáveis por 75% das vendas de agrotóxicos na última safra, dividindo o mercado brasileiro entre si conforme a demanda do produto. Monsanto Entre as razões que justificaram o “Ajuntamento Mundial Contra a Monsanto e em Favor das Sementes Desobedientes”, em outubro, estão as descobertas científicas recentes de que os Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) da Monsanto podem fazer com que os consumidores desenvolvam problemas graves de saúde, como tumores cancerígenos, infertilidade e anomalias congênitas, além de serem prejudiciais para o meio ambiente. Dossiê da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) relaciona os ingredientes ativos utilizados nos agrotóxicos no Brasil aos riscos à saúde humana e afirma que seu uso intensivo pode causar “doenças como cânceres, má-formação congênita, distúrbios endócrinos, neurológicos e mentais”. A Monsanto tem, em sua história, o marco da fabricação do agente laranja, poderoso veneno usado como desfolhante pelos militares americanos durante a Guerra do Vietnã. O herbicida causou anomalias genéticas, diversos tipos de cânceres, abortos e irritações cutâneas às pessoas que a ele foram expostas. Em 1997, a multinacional foi refundada como empresa agrícola, produtora de sementes – como as de milho e algodão supostamente resistentes a pragas lançadas nos anos 1990 – e demais produtos desse setor. Em todo o mundo, a versão de que as sementes geneticamente modificadas são realmente resistentes a pragas, e por isso não precisam de agrotóxicos, é amplamente contestada. Há relatos de que se precisa de cada vez mais herbicidas para manter as lavouras desses produtos. Os transgênicos da Monsanto são resistentes aos agrotóxicos da própria marca como, por exemplo, o Roundup, que mata todas as plantas do local onde é aplicado – exceto os transgênicos da Monsanto, preparados para serem especificamente resistentes a ele. A Monsanto também é acusada de biopirataria, de contrabando de sementes, de manipulação de dados científicos, além de ser responsável pelo suicídio de agricultores indianos, endividados devido aos altos custos das sementes transgênicas e dos insumos químicos necessários a essas plantações. A cada plantio, os agricultores têm que comprar mais sementes porque, devido à patente obtida pela multinacional, cada semente só pode ser usada em um plantio – o que os impede de guardar uma parte da colheita para o próximo ano, como é feito na agricultura tradicional.
Partidos se movimentam com a missão de construir palanques para presidenciáveis
As movimentações dos partidos no Estado têm como prioridade para 2014 a montagem dos palanques dos presidenciáveis na disputa. Mas não é tão simples a missão das estaduais. Para criar os espaços para seus candidatos ao Palácio do Planalto terão de vencer as barreiras econômicas e políticas, passando, em alguns casos pelos interesses pessoas de seus caciques. A presidente Dilma Rousseff parece ser a mais confortável na construção de seu palanque no Espírito Santo, mas ainda é preciso aparar arestas. A cúpula petista rejeita a proposta do governador Renato Casagrande (PSB) de neutralidade no processo eleitoral. O ex-presidente Lula, que articula a campanha de reeleição de Dilma, diz não acreditar no propósito do governador, mas na verdade o objetivo é reagir à candidatura do correligionário de Casagrande, o governador de Pernambuco e presidenciável Eduardo Campos. Neste sentido, a ideia é isolar Casagrande. Embora o governador capixaba ainda acredite na recomposição do palanque da unanimidade, tendo ao seu lado na disputa o PT e o PMDB, a tendência da nacional é deixar o PSB de fora desse acordo. Dilma tem como opção, portanto, a aliança que se tenta construir entre PMDB e PT, mas esbarra no fato de o senador Ricardo Ferraço ser considerado um opositor ao governo federal. O partido quer apostar na candidatura do ex-governador Paulo Hartung ao governo, mas há dúvidas sobre sua disposição em disputar. De qualquer forma, a eleição de João Coser para a presidência do partido facilita a construção dessa aliança, com a possibilidade de Coser ser o candidato ao Senado, o que garantiria o palanque de Dilma no Estado. Ela ainda conversa com o senador Magno Malta (PR), que também oferece um palanque para a presidente no Estado. Mas as declarações de Coser, mostram que a possibilidade de uma aliança do PT, agora sob seu controle, com o republicano são pequenas. A menos que haja uma determinação da nacional. Essa semana, Dilma conversou longamente com Malta. Ela também já esteve reunida com Hartung e Ricardo Ferraço. O governador Renato Casagrande ainda mantém a postura de neutralidade na disputa do próximo ano, mas se o PT e o PMDB resolverem realmente deixar o palanque do socialista, a tendência é de que ele venha a apoiar a candidatura do presidenciável pernambucano. Com o apoio de Marina Silva, que foi a mais votada na disputa presidencial no primeiro turno, em 2010, em Vitória e Vila Velha, o governador pode acabar capitalizando com a adesão ao palanque do PSB. O ninho tucano já apresentou em Brasília a candidatura do ex-prefeito de Colatina, Guerino Balestrassi ao governo do Estado, justamente com o objetivo de alicerçar o palanque do presidenciável do PSDB, senador Aécio Neves (MG). A candidatura dele ainda não ganhou musculatura para ser competitiva e também não tem atraído alianças que deem sustentação de uma coligação forte. O partido estuda agora a possibilidade de lançar uma candidatura ao Senado que funcionaria como um plano B para garantir espaço para Aécio no Espírito Santo.
Deputado vai se reunir com lideranças de Paul para discutir sobre tanques da Liquiport
O deputado Roberto Carlos (PT) vai se reunir com lideranças comunitárias e moradores da Grande Paul e do Morro do Atalaia para discutir o problema dos tanques de combustíveis da empresa Liquiport, que se tronaram uma ameaça aos moradores região. O encontro acontece no próximo dia 19, no gabinete do deputado na Assembleia Legislativa. Segundo o deputado, a reunião servirá para repassar aos moradores da região todas as informações sobre os tanques e conversar com responsabilidade sobre as informações que vêm sendo denunciadas na Assembleia. Um dos assuntos que o deputado deve tratar com os moradores diz respeito ao pronunciamento do deputado Euclério Sampaio (PDT), feito na sessão da Assembleia do último dia 1. O pedetista denunciou que há um acordo entre governo do Estado e a empresa para garantir a permanência dos tanques no local. Na ocasião, o deputado Roberto Carlos garantiu que o caso vem sendo analisado pelo o promotor de Justiça Cível da Comarca de Vila Velha, Gustavo Senna Miranda, mas não comentou a denúncia do colega. Segundo o petista, tudo será conversado na reunião do próximo dia 19 com lideranças e moradores da região da Grande Paul. Embora alguns deputados afirmem que são a favor da retirada dos tanques, os moradores desconfiam da “boa intenção” dos parlamentares. De acordo com moradores, além do suposto acordo entre governo do Estado e Liquiport para manter e construir novos tanques na região, há rumores de que a empresa já teria alugado um prédio no bairro para capacitar mão de obra para a construção de novos tanques.. Os moradores também se queixam que, embora as comissões de Meio Ambiente e de Infraestrutura da Assembleia estejam acompanhando o caso, nenhuma medida concreta foi tomada para impedir a construção de novos tanques e retirada dos já existentes. A expectativa agora, dizem os moradores, é aguardar pela reunião com o deputado Roberto Carlos. Eles ressaltaram que os tanques foram construídos sem qualquer anuência dos moradores e sob denúncias contra a empresa por dificultar o debate com as lideranças comunitárias em busca de um entendimento. Além disso, a comunidade denuncia que a Liquiport não apresentou Estudo de Impacto Ambiental (EIA) nem Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) para licenciar o empreendimento. Ao todo, os tanques impactam a região da Grande Paul, que inclui os bairros de Argolas, Morro do Atalaia e comunidades vizinhas.
O que o PT ganha com a eleição de João Coser na presidência do partido?
Nerter Samora e Renata Oliveira Passada a eleição interna do PT e confirmada a vitória do ex-prefeito de Vitória, João Coser, Papo de Repórter analisa o que isso significa para o partido e para o cenário eleitoral de 2014 no Espírito Santo Nerter – A eleição do PT confirmou aquilo que se esperava, com a vitória do ex-prefeito João Coser para a presidência e com maioria no diretório e na Executiva estadual do partido. Isso coloca o botão, como se diz no pôquer, nas mãos dele para o jogo eleitoral de 2014. Também dá a sustentação que ele precisa para garantir a articulação ao lado do PMDB e o afastamento necessário do grupo do governador Renato Casagrande. No contexto que se desenha para o próximo ano, Coser é a figura no PT com capacidade para sentar à mesa de negociação. Não acha? Renata – Do ponto de vista pragmático, sim. Coser conseguiu fazer o processo interno do PT jogar a seu favor. No PED ganha quem tem a maioria dos votos e isso consiste em conseguir o apoio do maior número de filiados possível. Diante de convencer a juventude e os chamados históricos, o ex-prefeito traçou uma estratégia vitoriosa. Investiu na filiação em massa no final do ano passado, ajudou na quitação das dividas dos filiados para que se tornassem aptos a votar, apoiou, ainda, com a máquina da prefeitura de Vitória nas mãos, candidaturas em vários municípios e, nos últimos dias antes da votação, partiu para uma ação intensiva para garantir a vitória nos principais diretórios municipais. Ganhou numericamente, mas sua eleição traz contestações ideológicas. Nerter – Isso ficou refletido no comparecimento dos filiados. Menos da metade foi votar. Mostra a mudança de perfil do PT no Estado. De partido ideológico, criado no início da década de 1980, para ser representante da classe trabalhadora na política institucional, o PT se transformou, sobretudo a partir do início da década passada – com a chegada de Lula à presidência – num partido de disputa de poder. No Espírito Santo, evidenciou-se as características de partido de reduto, movido pela barganha de cargos. O partido cresceu, claro, e hoje ocupa muitos espaços políticos, mas essa representação é questionada dentro do próprio partido. Renata – Com a eleição de 2004, quando o PT chegou à frente de duas grandes prefeituras da Grande Vitória: a da capital e a de Cariacica; e em 2008, com as vitórias em Cachoeiro de Itapemirim e Colatina, o partido passou a governar um grande número de pessoas, o PT nunca esteve tão grande no Espírito Santo, exceto pelo período em que esteve à frente do governo. Mas a retração em 2012, mostra que o partido perdeu seu capital na mesa de negociação que harmonicamente compartilhava o poder no Estado. Nerter – Você se refere àquela mesa que garantia assentos para PT, PMDB, PSB, PDT e PR. Realmente, por muitos anos houve um equilíbrio de forças, com as siglas se revezando na Grande Vitória, principalmente, com os cargos de prefeito, vice-prefeito, equipe de governo, presidência de Câmara. Mas isso começou a desandar no momento em que o PMDB pegou o lugar do PSB na vaga de vice da reeleição de Coser, na articulação das eleições 2008 em Vitória. O caldo entornou mesmo quando Renato Casagrande, em 2010, devido a uma manobra nacional, furou a fila para chegar ao Palácio Anchieta. No projeto dos cabeças desses partidos – Paulo Hartung (PMDB), Renato Casagrande (PSB), Sérgio Vidigal (PDT), Neucimar Fraga (PR) e João Coser (PT), isso na época –, o sucessor de Hartung seria Ricardo Ferraço, que se comprometera a governar por quatro anos, abrindo mão do governo, agora em 2014 para João Coser. Entendia-se que Casagrande já havia sido contemplado com o Senado, Vidigal tinha seu reduto, a Serra, e Neucimar a reeleição em Vila Velha. Mas, ao furar a fila, Casagrande acabou com esse “acordo de cavalheiros”. Renata – Por isso é incoerente ele tentar agora recompor o projeto de unanimidade. Há um novo projeto em curso e Casagrande não faz parte dele. Ao vencer a disputa interna no PT, Coser fica apto a construir esse novo projeto ao lado de Hartung e Ricardo Ferraço. Neucimar não é mais o presidente do PR e não há acordo com Magno Malta, porque não há como controlá-lo. A dúvida nesse jogo fica com o PDT. Vidigal também perdeu muito nesse processo. No palanque de Renato Casagrande terá de conviver com seu desafeto, Audifax Barcelos. Já no palanque PMDB-PT pode ficar sem espaço. Nesse grupo, existe a possibilidade de Hartung disputar o governo ao lado de Coser, que buscaria o Senado. Há ainda a possibilidade de construir uma composição com Ferraço para o governo, Hartung ao Senado e Coser na vice-governadoria. Uma saída mais fácil para Vidigal seria justificar, pela amizade, seu apoio ao palanque do senador Magno Malta, mas há dúvidas sobre a entrada do senador na disputa ao governo, portanto, Vidigal é uma noiva cobiçada, mas precisa de tempo para escolher o parceiro. Nerter – Voltando ao PT, a eleição de Coser atende à movimentação da nacional. O ex-presidente Lula e o presidente reeleito do partido, Rui Falcão, têm trabalhado pelo isolamento do PSB nos estados governados pelos socialistas, como no caso do Espírito Santo. E a vitória de Coser, evidentemente, representa um avanço na costura do PT com o PMDB. Apesar do jogo de cena do presidente do partido no Estado, José Roberto Dudé, do grupo de Coser, dizendo que o PT privilegia a permanência no grupo de Casagrande. A cúpula petista hoje, quer continuar ao lado de Hartung, pois faz parte do grupo dele. E aos poucos isso vai sendo assimilado pelos demais membros do partido. A bancada na Assembleia já entendeu. Renata – Entendeu rapidinho. Até o deputado Roberto Carlos (PT), que era o mais governista deu uma diminuída no ritmo. A movimentação de Rodrigo Coelho na comissão do ICMS coloca os prefeitos em rota de colisão com
A casa engraçada
A casa muito engraçada do Vinícius – que as musas o tenham – não tinha teto não tinha nada. Essa casa engraçada tem tudo, menos janelas. O motivo da inexistência desses elementos obrigatórios em qualquer arquitetura é um mistério. Talvez o dono seja muito ciumento, ou a dona não goste de correntes de ar. Pode ser que os pilotis muito altos sejam um perigo para as crianças. Uma ou duas, ou talvez as seis, podem despencar da janela e quebrar um braço. Tais situações de risco são inerentes a qualquer casa, sem a necessidade de eliminar as janelas, que, convenhamos, toda casa precisa ter para que se possa ver a paisagem ou as janelas alheias, e usufruir o ar fresco ou a poluição. Os transtornos podem ser eliminados ou minimizados com o uso de trancas, grades, redes e cadeados, guardando as chaves aquele ou aquela que tem fobias aos pecados do mundo que nos cerca. Talvez o dono não tivesse dinheiro para comprar janelas, que com o acréscimo do vidro para permitir a passagem da luz gratuita fornecida pelo sol, custam uma nota. Eliminando as janelas elimina-se causa e efeito de uma só vez, com grande economia no valor da construção. Ou, muito pelo contrário, o dono teria dinheiro demais, e não importa em qual fortaleza se tranque, hoje em dia o chamado elemento suspeito sempre acha um jeito de arrombar uma janela. Mas a casa sem janelas não é nenhuma novidade, visto que as casas foram inventadas muito antes das janelas. Os gregos conseguiam captar a luminosidade natural com todos os cômodos saindo para um pátio central. Os ricos tinham jardins. Os assírios e os egípcios foram os primeiros a abrir janelas para ver e serem vistos. Assim nasceu a fofoca. Os romanos foram os primeiros a usar vidro nas janelas, o que permitiu aquecer os banheiros com a luz solar. Tentando dar à coluna o status de utilidade pública, digito a palavra windows (janela para os não iniciados), e o Google me brinda com 600 milhões de sites sobre o Windows da Microsoft, e um bilhão e 600 sites sobre os games Windows. Digitando janela, apenas, tenho 3 bilhões e 700 mil resultados, indicando que nem tudo está perdido – nos preocupamos mais com o lar-doce-lar do que com os apetrechos tecnológicos que nos isolam do convívio familiar. Amontoados nesses três bilhões estão os fabricantes, os consertadores, e os limpadores de janelas. A Gang das Janelas, por exemplo, garante um serviço excepcional nas janelas residenciais e comerciais. Uma equipe de técnicos especializados valoriza cada cliente, sem os quais, eles admitem, a Gang das Janelas seria apenas um sonho. Há muito estou fora do Brasil, e aqui só os muito ricos limpam janelas, mas fico imaginando se nossas janeleiras semanais oferecem tanto apreço e eficiência. E como nem só de madeira e alumínio se faz uma janela, tem também o Doutor das Vidraças, sejam elas de imóveis ou móveis, quer dizer, casa ou carro. Essa grande oferta de serviços faz suspeitar de uma grande demanda, comprovando o óbvio – instalar e manter janelas custa caro. E assim solucionamos o mistério da casa engraçada… a não ser, claro, que os donos sejam gregos.
Manifesto LGBT de Serra
Os manifestos LGBTs são uma maneira de expor para a sociedade os anseios e as reivindicações de toda uma diversidade sexual – entenda aí por diversidade sexual, o comportamento sensual que foge dos padrões estipulados como normais, porém dentro da legalidade. Volta assim o debate, o que é normal nesse sentido? Homem e mulher na cama, como papai e mamãe? Ou mesmo num relacionamento hétero, existem tantas formas variáveis que facilmente podemos enquadrá-las também no rol das diversidades? Conceitos assim são abstratos, são tantas as variedades que diverso passa a ser normal. O que é aceito por duas ou mais pessoas adultas no jogo sexual, jamais deverá ser entendido simplesmente como normal ou anormal. Faz parte do ser humano experimentar, querer ir mais além, descobrir caminhos e finalmente, para uns se revelar para o sentimento da afetividade, e para outros se deixarem levar pelo turbilhão dos parceiros e acontecimentos. Quando conclamamos a toda sociedade participar dos manifestos LGBTs, estamos propondo para se posicionarem contra o preconceito e a discriminação. Para rechaçarmos a hipocrisia e a falsa moral conservadora/fundamentalista,trabalhando para uma sociedade mais inclusiva e igualitária. Os manifestos são uma festa sim, com alegria, shows e momento de descontração raro, quando muitos podem andar de mãos dadas e manifestar seu carinho em público. Justamente por isso é um ato político, uma confraternização aberta onde todos são bem vindos. O preconceito criado em torno da sexualidade é um grilhão pesado, que arrasta uma grande quantidade de hostilidades e intolerâncias, gerando relacionamentos de ódio e dominação. Barreiras intransponíveis e que sempre promovem a violência e o crime. Os manifestos ou, Paradas gays, surgem justamente para falar da igualdade e o direito ao todo social. De uma época, não muito distante, em que os LGBTs viviam a margem, expostos ao ridículo, em armários e empurrados para guetos, ainda existe no bairro Greenwich Village, em Nova York, um pequeno bar gay chamado Stone Wall. Lá, cansados das constantes, violentas e desrespeitosas abordagens policiais; os frequentadores reagiram, e com o apoio de simpatizantes vizinhos, expulsaram os policiais agressores. Passaram então a comemorar o acontecimento todos os anos na mesma data – o dia do orgulho gay. O movimento se espalhou pelo mundo e, temos aí as mais variadas manifestações da “Parada do orgulho Gay”. Nesse domingo o município de Serra estará realizando o seu manifesto LGBT, considerado um dos mais, senão o mais, importante manifesto do Espírito Santo. A Serra ganha todo esse destaque na sua manifestação pela diversidade sexual, justamente pelo caráter de seriedade e politização como é organizado. Já há quatro anos é o fechamento de uma semana rica em atividades e envolvimento educativo em prol da igualdade social. Não importa se você é gay, lésbica, travesti, bissexual ou transexual. O importante é que você é inteligente e aposta contra a discriminação, trabalha para uma sociedade mais justa e inclusiva e acredita num futuro melhor sem homofobia. Venha esse domingo para Jacaraípe. Nosso encontro está marcado às 14 horas, em frente ao hotel Praia Linda. Todos te esperamos de braços abertos. Luiz Felipe Rocha da Palma (Phil Palma) é publicitário. Nas “horas vagas” (às quartas) comanda o programa “Praia do Phil” pela Rádio Universitária FM, onde defende os LGBTs e denuncia a homofobia. Fale com o autor: philpublicitario@gmail.com
Paulo Hartung na estrada
As movimentações mais recentes do ex-governador Paulo Hartung (PMDB), mais com gestos do que com palavras, indicam que ele está na estrada. Indicam que ele teria decidido ser candidato. Candidato ao Senado da República. Bom estrategista, que entende a importância do gestual na política, e pratica bem a política do gestual, Hartung também deixa entreaberta a porta da expectativa para tornar-se eventualmente candidato a governador. Por enquanto, portanto, ocupa o vácuo da estrada por onde ele costuma caminhar. Pelo menos até que o senador Ricardo Ferraço (PMDB), que já se declarou pré-candidato a governador pelo PMDB, coloque o pé na porta. Ou não. Ao longo de sua já longa trajetória política, Paulo Hartung mostrou sempre tirocínio para compreender as circunstâncias e adequar-se a elas com habilidade e senso estratégico. E agora as circunstâncias o “empurram” para uma candidatura, a não ser que ele queira, aos 56 anos, encerrar a sua carreira política e optar pelas consultorias e palestras. Na tradição política brasileira, os políticos sem mandato sofrem uma desidratação natural e gradual. Com exceções que confirmam a regra. Hartung já sofreu uma acentuada desidratação e, para piorar, viu-se diante de uma saraivada de balas em forma de Processos e denúncias de improbidade envolvendo ele mesmo e alguns dos integrantes do seu grupo político. E ele sempre foi um político de grupo. Agora, então, é preciso disputar um mandato para defender e preservar a biografia, que lhe é cara, ao mesmo tempo em que reinsere o seu grupo na ribalta. Sim, a sua biografia. Hartung filiou-se ao PMDB em 1982 e elegeu-se deputado estadual com apenas 25 anos, oriundo do Movimento Estudantil da UFES. Reelegeu-se em 1986. Em 1990, elegeu-se deputado federal, agora pelo PSDB, tendo sido vice-líder de José Serra (PSDB) na Câmara Federal. No meio do mandato, em 1992, diante de circunstâncias favoráveis, disputou e ganhou as eleições para prefeito de Vitória. Sem mandato em 1997, tornou-se diretor do BNDES no governo Fernando Henrique Cardoso. Em 1998, tentou uma candidatura a governadoria do Espírito Santo, mas foi derrotado na Convenção do PSDB pelo então senador José Ignácio Ferreira. Recuperou rapidamente o tirocínio e obteve a vaga de candidato ao Senado. Foi eleito com a maior votação, então, que um político já tinha recebido no Espírito Santo: 780 mil votos. Em 2002, agora filiado ao PSB, e desta vez com a maioria dos convencionais do partido, candidatou-se a governador e obteve outra vez expressiva votação : 820 mil votos. Reelegeu-se em 2006 com a maior votação percentual do país para o cargo: 77,27% dos votos válidos, com 1.326.175 votos. Na sua octaetéride , Paulo Hartung soube transformar este capital eleitoral em capital político, com mão de ferro e senso estratégico. No final do seu mandato, outra vez com tirocínio, conseguiu inserir-se na articulação política nacional e regional que resultou na candidatura de Renato Casagrande (PSB) a governador em 2010. E, portanto, não só teve participação fundamental para eleger o seu sucessor, como também indicou membros importantes do seu grupo político para o governo Casagrande. Entretanto, a evolução de denúncias e ações e processos que surgiram na justiça contra ele e membros do seu grupo atingiram a sua imagem. Ao mesmo tempo, a divulgação crescente na mídia regional e nacional dos problemas acumulados nas áreas de segurança, saúde e educação, chamaram a atenção da sociedade e da opinião pública para o legado do governo Hartung na área social. Aí, a desidratação política foi uma consequência imediata. Ele perdeu capital político. E, para piorar, em seguida ele perdeu, e está perdendo, capital simbólico (prestígio) e capital social (relacionamentos e raízes na sociedade). Esta perda de capital simbólico e capital social é visível, por exemplo, nas redes sociais e na internet em geral. Acentuaram-se depois das Manifestações de junho e de julho. E agora começam a aparecer no bojo dos cruzamentos das pesquisas de opinião. Nos estratos mais jovens da população, por exemplo, há uma deterioração da imagem e do capital simbólico de Hartung. Soma-se a isto a mudança de panorama geral na política capixaba. O tempo da unanimidade política acabou. Novas lideranças locais e regionais disputam espaços na arena política. O xadrez político ficou mais complexo e mais competitivo. A política da aliança e da coalizão é hoje um imperativo na política capixaba. O que significa dialogar, compartilhar, abrir espaços para novos aliados, chegar ao poder por estratégias de coalizão, e não por domínio. É claro que Paulo Hartung observou e compreendeu esta mudança de circunstâncias. E é por isto que ele entrou na estrada e começou a percorrer os caminhos. Afastou-se gradualmente do governo Casagrande. Compreendeu que, outra vez, o Espírito Santo deverá ser moeda de troca no arranjo nacional, agora do PT com o PMDB. Para navegar neste arranjo, esteve com Lula e com Dilma. Deixa no ar a “especulação” de que poderá ser ele o candidato a governador. Cria fatos e factoides. Dialoga “em off” com formadores locais de opinião e exalta a alta rejeição de Dilma no Espírito Santo, para matreiramente deixar no ar que ela precisaria mais dele do que ele dela. E assim por diante. Está ou não está na estrada? Mas os caminhos políticos disponíveis para a passagem de uma candidatura de Paulo Hartung, ao senado ou ao governo, desta vez são mais difíceis. Optando pelo Senado, ele terá pela frente a possível pré-candidatura ao Senado de Rose de Freitas (PMDB), e poderá ter que disputar a vaga com ela na Convenção do PMDB. Sendo ele o candidato ao Senado, terá pela frente um fato novo, que é a provável candidatura do delegado Fabiano Contarato pelo PR, com o apoio das redes sociais e do senador Magno Malta, sem falar numa provável candidatura do PT. Se optar por construir uma candidatura ao governo do estado, Hartung deverá ter que disputar as eleições com o governador Renato Casagrande (PSB), agora com mais capital político e capital social, e com o senador Magno Malta (PR), com
Forças auxiliares
Enquanto, PT, PMDB e PSB se digladiam internamente pelos controles partidários e o PR oscila ente candidatura majoritária ou não, as chamadas forças aliadas aguardam a definição do cenário para iniciar a movimentação. Sem candidaturas ao governo ou ao Senado, alguns partidos se transformaram em verdadeiras noivas a serem cortejadas para a eleição do próximo ano. O PDT é uma delas. O partido é o segundo em número de filiados no Espírito Santo. O partido tem oito prefeitos, uma deputada federal, quatro deputados estaduais e um presidente forte, que têm condições de ajudar um candidato ao governo, sem falar que o ex-prefeito Sérgio Vidigal pode ser um grande puxador de votos para proporcional, segurar uma vaga de Senado ou compor em uma vaga de vice. Outro partido que também tem história no papel de força auxiliar de peso é o PP. O partido também tem um bom número de filiados e candidaturas proporcionais que equilibram chapas. Será interessante para a composição em qualquer um dos palanques que forem erguidos no Estado. O PPS é outro partido que vai atuar de forma decisiva como força auxiliar. O prefeito de Vitória, Luciano Rezende, conseguiu através de sua eleição dar ao partido um capital político capaz de dar sustentação ao palanque estadual. Neste caso, ele já fez sua escolha, vai ficar ao lado de quem o ajudou em 2012, o governador Renato Casagrande. Aliás, boa parte das forças auxiliares quer permanecer no palanque do socialista, há dificuldade em entender que o processo de unanimidade que vigia no Estado acabou. Em 2010, Casagrande foi eleito com o apoio de 16 partido e antes de o PMDB ter azedado a conversa, tinha conseguido a adesão de partidos que nem estavam com ele naquela disputa, como o DEM e o PPS. Além disso, as lideranças trabalham com o movimento da caneta e não da mão que a conduz. Enquanto houver governo, os partidos vão tentar orbitar em torno do Palácio Anchieta e quem tem mais chances de conquistá-lo e hoje essa pessoa é Renato Casagrande.