O deputado estadual Claudio Vereza (PT) não sabe perder. Não digeriu a derrota para Sérgio Borges (PMDB) no processo de escolha ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) e já demonstra que vai destilar sua raiva em cima do governo Renato Casagrande, de quem até outro dia era aliado de primeira hora. Nessa quarta-feira (14), saiu de casa disposto a entrar em rota de colisão. Logo cedo, soltou as cachorras na direção do procurador-geral do Estado, Rodrigo Júdice, na polêmica dos 11,98%. À noite, em meio à discussão sobre a poluição do ar, sob pressão de representantes da sociedade civil por conta da omissão na criação da CPI do Pó Preto, apelou. Para tentar justificar o injustificável, achou por bem aliviar sua culpa queimando o autor do requerimento da CPI, Gilsinho Lopes (PR), por ter votado em Borges ao TCE, “acusado de improbidade administrativa” – detalhe: outro assunto, nada a ver com nada! O problema é que o tempo de Vereza já passou e a cadeira de conselheiro seria o abrigo ideal, além de um garante e tanto. Mas, novamente, Vereza cobiçou a vaga, fez concessões, e não levou. Agora, não adianta querer atirar para tudo quanto é lado. É choro de perdedor. Fora A propósito, Vereza admitiu, na audiência dessa quarta-feira (14), que não será candidato em 2014. Tem outra… Certa hora, para reforçar sua crítica, o petista disse ainda que não votou na mesma pessoa que Gilsinho na escolha do conselheiro. Não mesmo, até porque Vereza, como candidato, não votou. Freio Acabou o samba feito pelo deputado estadual Da Vitória (PDT) em cima da criação de novos municípios no Estado. Veto integral da presidente Dilma Rousseff ao projeto é um balde de água fria nas pretensões do pedetista, que assumiu o tema como bandeira, embora com alegações fraquinhas, fraquinhas. Da Vitória estava é interessado nas possibilidades que poderiam surgir no norte e noroeste capixaba. Saiu de cena O prefeito de Vila Velha, Rodney Miranda (DEM), está pra lá de sumido. Sentiu o peso do abacaxi? Sem alarde Passou despercebido o ato de exoneração do ex-diretor-geral do Detran-ES Fábio Nielsen de outro cargo no governo do Estado. É que depois de ter sido convidado a se retirar do comando do Detran, por conta de irregularidades – escândalo das placas -, no início deste ano, Nielsen recebeu abrigo na Secretaria de Estado de Desenvolvimento (Sedes), em cargo de comissão de assessor especial nível IV. Entrou mudo e saiu calado. Mais um Conceição da Barra também já tem seu Fundo de Desenvolvimento Municipal, para receber dinheiro do “Fundo Cidades”, a cartada do governador Renato Casagrande para a disputa de 2014. Extras O procurador-geral de Justiça, Eder Pontes, arrumou umas diárias para seus servidores. Agora, quando houver deslocamento para Guarapari e Fundão, eles receberão aquele extra especial. Resolução sobre a questão foi alterada. Fora do recebimento permanecem Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica e Viana. Justo, justíssimo… Os jornalistas Roberto Kaz, José Casado e Glenn Greenwald conquistaram o Prêmio Esso de Reportagem, com o trabalho “Na mira dos EUA”, publicado no jornal O Globo, com base em documentos da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA), vazados pelo ex-agente Edward Snowden. Casado é capixaba e já integrou a equipe de Século Diário. 140 toques “O povo capixaba já sente a diferença do atendimento humanizado nos postos de saúde, isso mostra que o programa Mais Médicos tem efetividade”. (Deputada federal Iriny Lopes – PT – no Twitter). PENSAMENTO: “Política é como nuvem. Uma hora, você olha e ela está de um jeito. Depois, quando torna a olhar, está completamente diferente”. Magalhães Pinto
Dona conjuntura
No filme O Capital, do grego Costa-Gavras, em cartaz nas salas de cinema do Brasil, o executivo de banco que faz o papel central admite, no final, em conversa com a esposa, que sua vida depende de D. Conjuntura, “uma senhora gorda que comanda tudo”, na economia e até na política. Ele não disse, mas digo: D. Conjuntura é filha natural de Don Mercado, o supremo comandante dessa barca impune. D. Conjuntura é a suprema ironia de um filme que gasta quase duas horas tentando retratar o jogo pesado das altas finanças internacionais. Digo tentando porque no final fica um gostinho de fraude. No fundo, Gravas faz uma comédia dramática com bons momentos. Por exemplo, diante da necessidade de demitir 10% do pessoal do banco, a esposa do executivo o aconselha a “fazer como Mao Tse Tung na revolução cultural da China: use os jovens para derrubar os velhos”. Perto do final, depois de explorar a fundo os sórdidos bastidores do mundo financeiro – chantagem, desperdício, espionagem, lavagem de dinheiro, luxo e alta tecnologia de comunicação, demissões em massa, traições em cadeia, assédio moral e sexual –, o executivo que virou presidente do banco sugere que vai saltar da barca. Porém, diante do aplauso dos representantes do Mercado, decide permanecer no poder. É um fraco! Ou é um forte? Para encerrar, se vira para o espectador perplexo e comenta: “São crianças que ficarão aplaudindo até que tudo exploda.” A mensagem final é essa: a coisa vai acabar mal. Será mesmo? A História mostra que o capitalismo se reinventa a cada crise (a propósito, o banco do filme O Capital chama-se Phoenix, nome da ave mitológica que renasce das cinzas). Portanto, é de duvidar que se confirme a previsão do personagem de Costa-Gravas. Sem querer ser cineasta nem nada, gostaria de acrescentar apenas que na vida real D. Conjuntura é mãe solteira de um casal de gêmeos, internacionalmente conhecidos como Mr. Crédito e Mme Dívida. São siameses. Alimentam–se de juros. Preferencialmente de juros de dois dígitos, como se tornou notório no Brasil neoliberal e privatista. São amparados por dois lemas inculcados a ferro e fogo no inconsciente coletivo da população: 1 – Devo, logo existo 2 – Se me dão crédito, é sinal de que estou vivo LEMBRETE DE OCASIÃO “Quando o governo está com os trabalhadores, fala em defesa da agricultura familiar. Mas na prática faz diferente. Na prática, o que nós vemos, é um apoio total e irrestrito ao agronegócio” Valmir Noventa, líder da agricultura familiar no Espírito Santo
Nova crise
Os meios políticos já perderam as contas de quantas crises já se estabeleceram entre o Executivo e o Legislativo desde o início do governo Renato Casagrande, em 2011. Em particular, a queda de braço entre o governador e o presidente da Assembleia, Theodorico Ferraço (DEM), é o que vem dando o tom ao impasse. Casagrande não queria Ferraço na presidência, mas o demista bateu mais forte na mesa e conseguiu o cargo. Casagrande apertou o cerco, sobretudo na promessa de campanha de Ferraço em resolver, de uma vez por todas o imbróglio, das dívidas com os servidores e reformar o prédio que está caindo aos pedaços. Ferraço contra-ataca incitando alguns deputados nos bastidores a se insurgirem contra o governo. E assim a disputa ente os dois vai ganhando contornos cada vez mais acirrados. Evidentemente que o Legislativo é o elo mais fraco dessa corrente, até porque não conseguiu entender o momento de tomar para si o poder que efetivamente o legislativo tem. Com imagem desgastada e com muitos interesses individuais a administrar, não consegue pressionar Casagrande. No sistema político brasileiro, o Poder Legislativo tem condições de superar o Executivo no embate de forças, como acontece no âmbito federal. Mas no Estado, a política de alianças diminuiu o poder da Assembleia, que dado as suas próprias movimentações equivocadas caiu em descrédito com a sociedade, facilitando ainda mais a supremacia do poder Executivo. Basta ver a dinâmica da Casa. Os projetos do governo são aprovados a toque de caixa, com pedidos de urgência sempre aprovados sem pestanejar, com pareceres oferecidos oralmente durante as sessões. Os vetos são invariavelmente mantidos, sem qualquer tipo de movimentação dos deputados para tentar brigar por seus projetos, sobretudo depois da instituição do voto aberto para todas as discussões. A casa não tem conseguido traçar uma estratégia de fortalecimento do poder como um todo. O presidente da Casa havia se comprometido com essa bandeira também, mas não parece estar trabalhando para isso. Está mais preocupado em criar polêmicas pontuais, visando os próprios projetos de 2014. E aí é que está o grande problema da crise. Como as forças políticas do Estado não estão sabendo lidar com o fim da unanimidade e a vitrine da Assembleia não tem oferecido o alicerce necessário para a consolidação dos palanques proporcionais. Muita gente que hoje reclama no plenário pode ter de chorar na cama, que é lugar quente, no próximo ano. Ou o discurso ganha unidade e efetividade, ou vão continuar os deputados servido de massa de manobra da briga particular ente Casagrande e Ferraço. Fragmentos: 1 – PMDB vem investindo no discurso da economia e desenvolvimento, mostrando a manutenção do acordo com as elites capixabas de privilégio de uma classe acima do interesse da população. 2 – É difícil falar em interatividade dos candidatos e dos partidos no Estado quando se visita os sites partidos. Falta atualização de notícias, informações básicas sobre diretórios municipais e quadros e interatividade. 3 – Um grupo tucano tenta inflar Luiz Paulo Vellozo Lucas para o Senado, mas esbarra na dificuldade financeira. O ex-prefeito de Vitória já teria problemas para disputar a vaga na Câmara dos Deputados, imagine a disputa ao Senado.
Delegados se recusam a cumprir portaria que os impede de apurar crimes contra PMs
Ao publicar a Portaria 64-R, o secretário de Segurança Pública André Garcia pode ter desencadeado uma crise nas polícias Civil e Militar. Com a portaria publicada no Diário Oficial dessa quarta-feira (13), os delegados ficam impedidos de fazer a apreensão de armas de fogo de policiais militares envolvidos em crimes. Eles também não poderão investigar esses crimes, passando a prerrogativa para a Corregedoria da PM. Os delegados reagiram mal à portaria e a consideraram inconstitucional. O site do Sindicato dos Delegados de Polícia do Espírito Santo (Sindelpo), que já havia repudiado a medida nessa quarta-feira, enviou uma diretriz complementar aos delegados para sustentar o não cumprimento da portaria da Sesp. A recomendação é que os delegados sigam a Resolução nº 08 de 21 de dezembro de 2012, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República, que tem validade em todo território nacional. “Sugerimos a todos delegados de polícia que em seus despachos fundamentados nos casos relacionados a ocorrências de lesão corporal decorrente de intervenção policial’ ou homicídio decorrente de intervenção policial envolvendo militares que façam referência ao artigo 2º da Resolução nº 08 de 21 de dezembro de 2012 da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República”. O Sindelpo ressalta que a resolução deixa claro que compete às polícias Civil e Federal a apuração de crimes dolosos contra a vida praticados por militar contra civil. A resolução federal, reforça o sindicato, foi editada a partir de ampla discussão pública e participação de integrantes da sociedade civil, representantes do Ministério Público Federal e dos Estados, representante dos Conselhos dos Procuradores Gerais de Justiça dos Estados, acadêmicos, representantes do Ministério das Relações Exteriores. O sindicato destaca ainda que Resolução nº 08/2012, editada pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, se fundamenta em documentos de validade nacional, tais como o Decreto nº 7.037, de 21 de dezembro de 2009, que aprova o Programa Nacional de Direitos Humanos e o Relatório 141/11, de 31 de outubro de 2011, da Comissão Interamericana de Direitos Humanos/OEA para o Estado Brasileiro. A orientação do Sindelpo assegura que a Polícia Civil está amparada pela resolução. Os delegados não devem, portanto, se preocupar com responsabilidades administrativas ou penais referentes ao não atendimento à Portaria nº 64-R. No caso de recusa pelo policial civil ou militar envolvido em ação letal contra civil de entregar sua arma para realização de exames periciais necessários à formação da instrução penal preliminar, o sindicato alerta que o PM poderá incorrer em crimes de prevaricação e de fraude processual, podendo portanto ser autuado em flagrante delito.
GTI Respira Vitória não entra em acordo e decisão sobre partículas sedimentáveis irá à plenária
A decisão sobre os padrões para as Partículas Sedimentáveis (PS) no ar da cidade de Vitória ficou para a próxima reunião do Grupo de Trabalho Interinstitucional (GTI) Respira Vitória, já que o índice não foi consenso entre os integrantes da comissão destinada a discutir tal assunto, que se reuniu nesta quinta-feira (14). Os padrões estabelecidos pelo grupo se transformarão em uma minuta de um projeto de lei municipal que, segundo expectativas do vereador Serjão Magalhães (PSB), presidente do GTI, deve ser votada pela Câmara Municipal ainda neste ano. A plenária do GTI que decidirá sobre os valores das PS ainda não tem data para acontecer, mas a Federação das Associações de Moradores e Movimentos Populares do Espírito Santo (Famopes), representada por Eraylton Moreschi Junior, já se comprometeu a apresentar uma proposta para tal questão. Na reunião dessa terça-feira (12), em que todos os padrões para a qualidade do ar foram estabelecidos – com exceção da PS –, a Famopes apresentou suas proposições para que fosse estabelecido um acordo entre as entidades presentes, são elas: Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmam), além da própria Famopes. Na proposta da sociedade civil, os poluentes que tinham regulamentação internacional pela Organização Mundial de Saúde (OMS) foram padronizados de acordo com essas normas. A proposta para PS, poluente que não é regulamentado pela OMS, foi de que a primeira meta, para a aplicação imediata após a entrada em vigor da lei, fosse de 7 g/m², chegando a 4 g/m² ao final dos nove anos de adequação. A proposta da Famopes para as PS era de que esse padrão deveria valer apenas para as estações de coleta de dados da Ilha do Boi e do Hotel Senac porque, entre 50 e 80% do material ali coletado provém das empresas atuantes na Ponta de Tubarão, Vale e ArcelorMittal. Assim, esse padrão força as poluidoras a se adequarem. Entretanto, essa restrição incomodou à Semsa, segundo a qual os padrões de PS também devem ser reduzidos nas outras estações, localizadas em outros bairros. Padrões Os poluentes que deverão estar dentro dos padrões internacionais para a qualidade do ar, assim que a lei entrar em vigor, são o monóxido de carbono (CO), que deverá ser de nove Partículas Por Milhão (ppm), num período de oito horas; dióxido de nitrogênio (NO2), que deverá ser de 200 microgramas por metro cúbico, em uma hora e de 40 microgramas por metro cúbico anual; e ozônio (O3), que deverá ser de 100 microgramas por metro cúbico, a cada oito horas. Já os outros terão metas progressivas para, em nove anos, ser alcançado o estabelecido na OMS. O dióxido de enxofre (SO2), gás muito emitido pela ArcelorMittal, que causa doenças se associado à hemoglobina e no qual Vitória é campeã em concentração, não terá metas anuais, porque essas não são estabelecidas pela OMS. Assim, as metas para 24 horas começam aos 60 microgramas por metro cúbico e terminam no padrão internacional, de 20 microgramas por metro cúbico. Para as PM 10, o material particulado inalável, as metas anuais começarão em 35 microgramas por metro cúbico, seguidas de 27 microgramas por metro cúbico, e chegando ao padrão da OMS, de 20 microgramas por metro cúbico. A média dessas partículas nos 13 anos de análises em Vitória foi de 27 microgramas por metro cúbico, a máxima foi em 2010, com 32 microgramas por metro cúbico, e a mínima em 2005, com 23 microgramas por metro cúbico. Já as metas das medições a cada 24 horas do mesmo material começam em 110 microgramas por metro cúbico e terminam no padrão OMS de 50 microgramas por metro cúbico. As Partículas Totais em Suspensão (PTS), compostas pelo pó de minério da Vale, pelo carvão da Arcelor e pelas emissões veiculares, terão uma margem de 20% a mais do que a média atual para o padrão diário, considerando que a frota veicular deve aumentar na Capital. O limite estabelecido foi de 150 microgramas por metro cúbico. A proposição da Famopes para a meta anual era de uma margem 10% superior à média, de 34 microgramas por metro cúbico, que seria de 50 microgramas por metro cúbico. Entretanto, o valor foi questionado pela Findes, que propôs 60 microgramas por metro cúbico, valor que, ressaltou Moreschi, é quase 50% da média atual. Então, ficou acordado que a média anual para PTS será de um valor intermediário às duas propostas, 55 microgramas por metro cúbico, já que esse poluente também não é regulamentado pela OMS. Para as PM 2,5, partículas respiráveis, foi estabelecido que após três anos da entrada em vigor da lei os padrões deverão ser de 50 microgramas por metro cúbico em 24 horas e de 17 microgramas por metro cúbico anuais. Alexsander Silveira, do Iema, garantiu que as medições de PM 2,5 começarão em seis meses.
Tribunal de Justiça quer zerar pauta de processo do Pleno até o final do ano
O Tribunal de Justiça do Estado (TJES) pretende “zerar” a pauta de processos do Pleno até o final do ano. A medida foi anunciada nesta quinta-feira (14), na ocasião em que o número de casos pendentes de julgamento chegou a oito, menor patamar da história, de acordo com o tribunal. A expectativa é de que a próxima gestão, que vai tomar posse no próximo dia 19 de dezembro, encontre a “pauta limpa” para a análise de novos casos em 2014. De acordo com informações da assessoria de imprensa do tribunal, foram julgados 330 processos, sendo 258 em decisões do colegiado e 72 decisões monocráticas, durante o ano de 2013. No período, foram distribuídos 314 novos casos. Os números estão abaixo do patamar obtido no ano passado, quando o Pleno do TJES teve 321 processos distribuídos e 525 julgados, entre recursos, julgamentos do colegiado e decisões monocráticas. O atual presidente do TJES, desembargador Pedro Valls Feu Rosa, destacou o fato do Pleno, principal instância do Judiciário local, ter alcançado o menor número de casos pendentes de julgamento de sua história. Segundo o tribunal, a medida contribuiu para que a tramitação dos processos fosse acelerada e a segurança jurídica das decisões aumentada, já que os recursos de questões parecidas passaram a ser julgados no mesmo dia. Um dos efeitos foi a redução também nos itens em pauta nas sessões – realizadas uma vez por semana –, que caiu de mais de 150 para menos de 30 processos por sessão.
Câmara de VV derruba veto de Rodney e define critérios para vagas em creches
Os vereadores de Vila Velha rejeitaram na sessão dessa quarta-feira (13) um veto do prefeito Rodney Miranda (DEM) que dispunha sobre a definição de critérios legais para o preenchimento de vagas nas creches municipais. De acordo com a Procuradoria-Geral do município, o veto ocorreu porque a medida fixa atribuições inerentes ao Poder Executivo, tornando-o inconstitucional. “Nessa hipótese, compete somente ao Chefe do Executivo legislar sobre o assunto, uma vez tratar-se de matéria relativa à estruturação, à atribuição, à organização e ao funcionamento da administração pública municipal, mais especificamente quanto às vagas disponibilizadas nas creches públicas do município de Vila Velha”, destaca o argumento que instrui o parecer do prefeito Rodney Miranda (DEM). Porém, na ausência de uma iniciativa do Executivo, justificam os vereadores, é preciso determinar regras urgentes para o acesso às vagas nas creches de Vila Velha. Ao todo, ressaltou o propositor da medida, vereador João Artem (PSB), há 600 crianças aguardando vaga em creches do município. Para o vereador, independente de quem seja a prerrogativa de legislar sobre o tema, é mais importante para a cidade que existam critérios legais e transparentes para a escolha dos alunos que terão acesso às vagas nas creches. “Isso acabará com possíveis favorecimentos e com o famoso 'jeitinho brasileiro'. Há mães que precisam trabalhar, mas não podem, porque não têm com quem deixar os filhos”, assinalou. A falta de critérios para definir quais alunos terão acesso às vagas disponibilizadas pelas creches municipais levou o Ministério Público Estadual a solicitar à Secretaria Municipal de Educação uma cópia da lista completa das crianças matriculadas em todas as creches de Vila Velha e a sugerir que a seleção seja feita por ordem de inscrição. “O MPE fez essa interferência justamente porque não existem critérios oficiais definidos por lei para a distribuição dessas vagas”. A proposição agora será automaticamente promulgada pela Câmara, tornando-se lei. Desta forma, descreveu, as vagas deverão ser ocupadas de acordo com a maior proximidade com as residências familiares. A prioridade deverá ser dada às crianças cujas mães trabalham fora do lar e que possuem maior número de pessoas da família em mesma residência. Para o acesso à vaga deverá ser observado também a prioridade superior para crianças portadoras de necessidades especiais ou em situação de vulnerabilidade social.
Defensoria Pública ingressa com ação contra o Estado por agressões no CDP de Colatina
A Defensoria Pública do Estado ingressou com ação civil pública na Vara de Fazenda Pública de Colatina, no noroeste do Estado, contra o Estado por conta da ocorrência de práticas que podem ser consideradas tortura infringidas a presos do Centro de Detenção Provisória de Colatina (DCPCol). De acordo com a ação, assinada pelos defensores públicos Pedro Pessoa Temer, Ronan Ferreira Figueiredo e Raphael Maia Rangel há registros da prática de torções nos braços e mãos dos presos desde 2011, e ainda do uso indiscriminado de spray de pimenta e de gás ACS (com efeito lacrimogêneo). Em 25 de fevereiro deste ano, o ouvidor geral da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), João Gabriel Corrêa da Cunha, enviou ao defensor público-geral do Estado, Gilmar Alves Batista, uma denúncia registrada pelo Disque Direitos Humanos (Disque 100) da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH) em que se apontou a existência de agressões sofridas por internos do CDP. Consta na denúncia que “nas agressões físicas, os suspeitos proferem a palavra “alvorada” e nesse momento colocam um saco de lixo com spray de pimenta na cabeça dos reeducandos e torcem os braços e mãos das vítimas, não ocasionando hematomas. Acrescenta-se que um dos detentos está com o dedo da mão quebrado em razão das agressões físicas”. Por conta da denúncia, foi deflagrado um procedimento que culminou com a oitiva de dez presos, escolhidos de maneira aleatória. Em seguida, os defensores solicitaram que a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) prestasse informações sobre a instauração de procedimentos de sindicância ou processo administrativo sobre os fatos. A secretaria informou, na ocasião, que havia três processos envolvendo os fatos em andamento. Após as solicitações foram realizadas diversas oitivas de presos em 10 de julho deste ano. Nos depoimentos, os internos confirmaram que se mantém a prática de torções, uso de gás CS e de spray de pimenta na unidade. A denúncia mais antiga é de 28 de novembro de 2011, formulada pelo Núcleo de Prática de Fundação Castelo Branco ao juízo da Vara de Execuções Penais de Colatina. Nela consta que é comum ouvir relatos de prática de tortura por meio de torção e spray de pimenta, usados para perpetrar sofrimento sem deixar vestígios, preservando o agressor de um possível processo de apuração do crime praticado. Já em 30 de agosto de 2012, outros oito presos prestaram declarações, seguidos por outros cinco, ouvidos em 5 de dezembro do mesmo ano. O ponto comum nas declarações dos 13 internos, que prestaram depoimento na 2ª Vara Criminal de Colatina era o uso das torções, spray de pimenta e gás CS, além de submissão a choques em um local chamado “barbearia”, sem câmera de vigilância dentro da unidade. O segundo procedimento da Defensoria Pública foi iniciado em 19 de dezembro de 2012, através de comunicação enviada ao Tribunal de Justiça do Estado (TJES) que relata que agentes penitenciários “obrigam os detentos a saírem das celas e aglomeram no corredor para receberem gás de pimenta no rosto”. A ação da Defensoria ressalta que todas as solicitações de envio de imagens obtidas pelo sistema de videomonitoramento feitas pela Corregedoria da Sejus foram infrutíferas, já que o CDP de Colatina informou não ser possível o envio de tais imagens. Neste ano, em 17 de outubro o Centro de Defesa de Direitos Humanos de Linhares, no norte do Estado protocolou denúncia atestando que um detento do CDP de Colatina havia perdido a visão de um olho depois de receber spray de pimenta, em procedimentos denominados “revistas de castigo”, em que os agentes adentram em celas e aspergem spray de pimenta nos presos. O detento só recebeu assistência oftalmológica um mês depois do ocorrido e ficou sabendo que a perda de visão era irreversível. Na última segunda-feira (11) aconteceu a última oitiva de detentos da unidade, com depoimentos de 16 internos que relataram que as práticas continuam, mas agora vários agentes, por uso desproporcional de força, estão quebrando os dedos e braços de alguns detentos. De acordo com a ação “os autos transbordam evidencias de que os presos do CDPCol são alvos constantes de torções, uso abusivo de gás CS e de gás de pimenta como forma de castigo e punição (caracterizando a tortura) deixando indene de dúvidas que não se trata de um fato isolado e único, mas de uma prática constante e impune de diversas autoridades que ali representam o Estado”. Na ação, os defensores requerem, dentre outros pleitos, que o Estado, através da Sejus, instale circuito interno de monitoramento por filmagem – que permita a gravação de vídeo 24 horas por dia e com proibição de desligamento – em todas as áreas do presídio, inclusive direcionadas para dentro das celas (desde que não instaladas no interior delas), alocando as câmeras em posição que não permita nenhum “ponto cego” ou área na qual elas não consigam filmar. Além disso, também solicitam que não mais se utilize de qualquer forma de agressão física aos presos do CDPCol, devendo o diretor enviar ao Ministério Público, à Defensoria e ao poder judiciário toda e qualquer informação sobre agressão de preso ocorrida dentro da unidade; não utilize mais gás CS, spray de pimenta, armas letais ou não letais para agredir presos; que na hipótese de ocorrer agressão a preso, ele seja encaminhado em, no máximo, 12 horas para hospital e delegacia para realização de exames de lesão corporal.
Deputados reforçam cobrança de compensação de incentivos fiscais a municípios
A comissão especial da Assembleia Legislativa, que debate a distribuição do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), deve reforçar a cobrança pela compensação dos incentivos fiscais concedidos pelo Estado aos municípios. A previsão é do deputado Marcelo Santos (PMDB), que iniciou a preparação do relatório final dos trabalhos que será entregue ao governo até o início de dezembro. O peemedebista afirmou que a comissão fará sugestões para a melhoria das receitas dos municípios capixabas com queda na arrecadação. De acordo com o parlamentar, a situação financeira de pelo menos 32 dos 78 municípios do Espírito Santo pode ser considerada como muito grave. Ele citou que alguns prefeitos já estão demitindo servidores públicos, reduzindo a prestação de serviços e até recusando obras e recursos do governo estadual, como, por exemplo, a construção de postos de saúde e o repasse de veículos. “Todos esses repasses implicam no aumento dos gastos com custeio dos municípios. Um novo posto de saúde demanda a contratação de novos profissionais, um novo veículo implica na contratação de motorista. A situação é muito grave”, explica. Marcelo Santos atribui como principal problema a queda na Receita Corrente Líquida (RCL), que leva em consideração o total de tributos arrecadados pelo município sem contar o repasse e transferências do Estado e da União. Esse índice da RCL serve como referência para os limites previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). As recentes desonerações do governo federal – como é o caso da política de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em vários setores – e a queda na atividade econômica estão afetando esse quadro. Uma das soluções encontradas no debate com os prefeitos, segundo Santos, é a cobrança do repasse da compensação dos incentivos fiscais. Baseado em recentes decisões do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) ministro Joaquim Barbosa, que reconheceu o direito ao repasse da cota-parte do ICMS de dois municípios goianos, os prefeitos capixabas cobram uma dívida estimada em R$ 615 milhões. “Os deputados não são contra os incentivos, mas os municípios precisam de ajuda”, avaliou o relator da comissão. Marcelo Santos antecipou que deve apresentar, pelo menos, três sugestões ao governo para mitigar o efeito da crise financeira nos municípios: a ampliação do percentual do Fundo de Redução das Desigualdades Regionais (que divide os royalties de petróleo com os municípios mais pobres) de 30% para 40%; a distribuição de um “fundo de emergência” para as prefeituras em situação de risco no final do ano; além da compensação dos incentivos, que deve girar entre R$ 100 e 200 milhões. Entre os anos de 2004 e 2010, o governo Hartung concedeu cerca de R$ 20 bilhões em incentivos à empresa somente dentro do Programa de Incentivo ao Investimento no Estado (Invest-ES). Em nenhuma oportunidade, os municípios viram sequer um centavo do que seria de sua cota-parte, estimada em torno de R$ 5 bilhões. Pelo contrário, esses valores não levam em consideração as renúncias fiscais causadas pelos incentivos dentro dos chamados Contratos de Competitividade (Compete-ES), que estão sendo alvo de contestação na Justiça capixaba e até mesmo no Supremo. Apesar da expectativa de que o governo “encampe” às sugestões da comissão, o peemedebista ressalta que os municípios precisam fazer a sua parte: “Essa é um tema delicado, não quer dizer que vai ser resolvido imediatamente. Há uma possibilidade de encontrarmos uma saída, mas as cidades precisam se adequar. Os prefeitos têm que fazer a lição de casa, tem que se ajustar, por exemplo, reduzindo gastos, acabando com jornadas gratificadas”. Secretário destaca repasses Em audiência pública da comissão realizada nessa quarta-feira (13), o secretário de Estado da Fazenda, Maurício Duque, afirmou que o governo tem se preocupado com os municípios e realizado ações para minimizar a crise. “Uma das primeiras ações do atual governo foi repassar o ICMS diariamente para os municípios. Em seguida, criamos alguns fundos para ajudar os municípios, a exemplo do Fundo Cidades e do Fundo das Desigualdades Regionais”, destaca. Durante o encontro, o presidente da comissão, deputado Rodrigo Coelho (PT), reiterou que os municípios deixarão de receber, no próximo ano, quase R$ 220 milhões, referentes aos 25% do ICMS arrecadado pelo Estado. “É importante considerar os dados e ver as possibilidades do que podem ser feitas. Para isso estamos aqui trabalhando, ouvindo todas as partes”. A comissão também é composta ainda pelo deputado Marcos Mansur (PSDB), que é vice-presidente.
Delegado aposentado é condenado por episódio de corrupção ocorrido há 17 anos
A 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) reformou, nessa quarta-feira (13), a decisão de 1º grau para condenar o delegado da Polícia Civil aposentado, Aristides Ferreira Lima Filho, pelo crime de corrupção passiva. Ele foi condenado a uma pena de cinco anos e quatro meses de reclusão, em regime semiaberto, mais o pagamento de 80 dias-multa. Contudo, a demora na conclusão do julgamento – a denúncia original foi apresentada no final de 1997 – deve provocar a prescrição da pena, ou seja, o acusado sequer precisaria cumprir a condenação. O ex-delegado foi denunciado pelo Ministério Público Estadual (MPE) pelo recebimento de dinheiro de sócios de um bingo para a liberação de máquinas de caça-níquel, apreendidas em setembro de 1996. Na primeira instância, o ex-delegado foi absolvido pela não comprovação do pagamento de propina, no valor de R$ 1.405,00. Na decisão prolatada no final de 2010, o juízo da 7ª Vara Criminal de Vitória entendeu que o cheque emitido pela empresa foi um empréstimo, que foi devidamente quitado. Durante o julgamento do recurso de apelação do Ministério Público, o relator do caso, desembargador substituto Fábio Brasil Nery, considerou que houve a prática de corrupção passiva no episódio. O revisor do processo, desembargador substituto Getúlio Marcos Pereira Neves, afastou a tese de que o empréstimo teria sido pago. “Ademais, é reprovável a atitude de um delegado que toma dinheiro, mesmo que emprestado, de pessoas investigadas por sua delegacia”, comentou o revisor. Segundo informações do TJES, além da pena restritiva de liberdade, o delegado Aristides Ferreira Lima, que na época era o titular da Delegacia de Costumes e Diversões, teve decretada a perda do cargo de delegado, mas o voto do relator não menciona a perda da função pública, mas diz que, pelo mesmo caso, o ex-policial já foi condenado à perda do cargo em ação por atos de improbidade administrativa. Também figuravam na mesma ação, os sócios do empreendimento, o empresário Franklin Plácido Campozana que havia sido condenado no juízo de 1º grau à pena de seis anos e oito meses de reclusão, também em regime semiaberto, e ao pagamento de 100 dias-multa, mas teve a condenação extinta por conta da prescrição, hipótese que deve ocorrer com o delegado aposentado. Um outro denunciado foi o ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Carlos Gratz, que seria sócio de Campozana. No entanto, o ex-deputado foi absolvido de todas as acusações.