Mesmo com impedimento judicial, Peçanha se coloca como candidato e comemora entrada no “partido do governador” “Com muita alegria anuncio minha filiação ao PSB [Partido Socialista Brasileiro], partido do nosso querido governador Renato Casagrande, onde fui recebido com muito carinho e entusiasmo”, publicou em suas redes sociais, na noite dessa quinta-feira (7), Thiago Peçanha, ex-prefeito de Itapemirim, no litoral sul do Estado. Redes Sociais Peçanha foi cassado do cargo no Poder Executivo em 2022, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e declarado inelegível por oito anos, mas, ainda assim, tem sustentado a sua pretensão de voltar à Prefeitura de Itapemirim. Outro revés do ex-prefeito nos últimos dias foi a rejeição de suas contas relativas a 2018, no seu primeiro mandato, pela Câmara de Vereadores. Na fotografia de divulgação, Peçanha faz o sinal do “quatro” com a mão – em alusão ao número do partido, 40 – ao lado de figuras do PSB estadual, incluindo o presidente da sigla no Espírito Santo, Alberto Gavini, e o secretário do Movimento Popular Socialista (MPS), Mário Negão, figura atuante na política do sul do Estado. Ausente na foto, o presidente do diretório municipal do PSB de Itapemirim, Rodrigo Bolelli, tentou até o último minuto impedir a entrada do ex-prefeito na sigla, segundo informações de uma fonte próxima do PSB. Bolelli foi o autor da ação que resultou na cassação de Peçanha, mas agora, ironicamente, tende a perder espaço para o adversário em sua própria sigla. Além disso, Bolelli é aliado de Alex Wingler (Podemos), secretário de Saúde de Cachoeiro de Itapemirim, e também pré-candidato a prefeito. Até o início do ano, Wingler tentava se articular com PSB e Rede Sustentabilidade, mas agora vê as duas siglas tomadas pelo grupo de Peçanha. Apesar da novidade no PSB, a tendência é o governador Renato Casagrande apoiar a reeleição do atual prefeito, Doutor Antônio, que pretende sair do Progressistas (PP), mas ainda não sabe para onde vai – Wingler já “avisou” que no Podemos, principal alternativa de Antônio, ele não entra. Articulações eleitorais Outro pré-candidato a prefeito em Itapemirim é o dentista Geninho Bechara, que teve seu nome referendado em um evento do Partido Democrático Trabalhista (PDT) realizado no último dia 23 de janeiro. Novato na política, apesar de ser sobrinho do ex-prefeito Jorge Bechara, já falecido, Geninho filiou-se ao PDT em dezembro de 2023, ganhando de imediato o apoio do Solidariedade. Ele afirma que já visita comunidades e mantém contatos com outras lideranças, a fim de garantir apoios. Os vereadores João Bechara (PSB) e Paulinho da Graúna (a caminho do Republicanos) – esse último, presidente da Câmara de Itapemirim – também têm se colocado como pré-candidatos a prefeito, mas dialogam com Alex Wingler. Na esquerda, o Partido Socialismo e Liberdade (Psol) tem como pré-candidato a prefeito de Itapemirim Professor Jésus. Entretanto, as movimentações de Thiago Peçanha em direção à Rede, com quem o Psol está ligado por uma federação a nível nacional, preocupam os psolistas. Em 2022, o vice-prefeito da chapa cassada de Thiago Peçanha, Niltinho (PSDB), disputou as eleições suplementares, obtendo cerca de 460 votos. Concorreu ainda o então prefeito interino, Zé Lima (PDT), que ficou em segundo lugar na votação, com 48,11% dos votos (12.539). Em 2020, Zé Lima havia sido eleito vereador e presidente da Câmara de Itapemirim, mas, com a cassação do prefeito e do vice, assumiu as funções. Câmara de Itapemirim rejeita contas de 2018 do ex-prefeito Processo é relativo ao primeiro mandato de Thiago Peçanha e recebeu apenas um voto contrário https://www.seculodiario.com.br/politica/camara-de-itapemirim-rejeita-contas-de-2018-do-ex-prefeito ‘Não existe possibilidade de Doutor Antônio ir para o Podemos’ Pré-candidato em Itapemirim, Alex Wingler demarca território contra atual prefeito https://www.seculodiario.com.br/politica/nao-existe-possibilidade-de-doutor-antonio-ir-para-o-podemos Aliados de Thiago Peçanha ocupam a Rede em Itapemirim Mesmo tendo sido cassado em 2022, ex-prefeito tem colocado seu nome no mercado eleitoral https://www.seculodiario.com.br/politica/grupo-de-thiago-pecanha-ocupa-a-rede-sustentabilidade-em-itapemirim Psol de Itapemirim rejeita aproximação entre ex-prefeito e Rede Partidos formam federação a nível nacional; Thiago Peçanha foi cassado em 2022 https://www.seculodiario.com.br/politica/psol-de-itapemirim-rejeita-aproximacao-entre-ex-prefeito-e-rede-sustentabilidade
Secretário marca para o dia 14 reunião com motoristas de aplicativo
Eugênio Ricas e categoria debatem demandas de segurança, como a implantação do botão do pânico A reunião com o secretário estadual de Segurança Pública, Eugênio Ricas, solicitada pelo Sintappes, sindicato que representa os motoristas de aplicativo no Espírito Santo, está marcada para a manhã da próxima quinta-feira (14), na Secretaria Estadual de Segurança Pública e Defesa Social. Além da entidade, participarão representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Associação dos Motoristas de Aplicativo do Estado do Espírito Santo (Amapes). Um representante da Uber estará presente de maneira remota. O presidente do Sintappes, Gessé Gomes de Souza, considera importante a presença de um representante da Uber. No entanto, defende que deveria haver a presença de todas as plataformas. Durante a reunião, afirma, a categoria vai conhecer o projeto de implementação do botão do pânico para motoristas de aplicativo. “A proposta não foi discutida com a gente”, pontua. A possibilidade de implementação do botão do pânico foi informada pelo gestor em uma reunião com o sindicato no mês passado, por ocasião do desaparecimento do motorista Jonata de Souza Oliveira, que dias depois foi encontrado morto. Alguns dos questionamentos que os motoristas querem fazer ao secretário é se a instalação será para todos trabalhadores, de todas plataformas. Outra resposta que eles querem é se a tecnologia será independente do aparelho celular. Gessé explica que se o botão do pânico estiver ligado a esse equipamento, a política de segurança não terá efeito, pois a primeira coisa que o criminoso rouba quando rende o motorista, é o celular. Durante a reunião, também vai ser apresentada à Sesp a proposta de instalação de câmeras nos veículos. A expectativa, afirma o dirigente sindical, é de que a proposta seja acolhida pela pasta. O Sintappes propõe que a instalação de câmeras nos veículos seja durante o período noturno e em tempo real. Segundo Gessé, as câmeras seriam uma ação de prevenção, enquanto o botão do pânico, embora considerem uma iniciativa importante, seria algo mais voltado para a necessidade de o motorista buscar ajuda ao sofrer a violência. As câmeras, sugere a entidade, seriam instaladas por meio de uma parceria entre o Governo do Estado, por meio da Sesp, com a disponibilização de 2 mil conexões simultâneas ao Centro Integrado Operacional de Defesa Social (Ciodes). Teriam prioridade motoristas mulheres, negros, com deficiência e da comunidade LGBTQIA+. Outros 20% para trabalhadores com menos de três meses de cadastro em plataformas de aplicativos e essa mesma porcentagem para os demais trabalhadores cadastrados. Também seriam destinados 10% para taxistas. Motoristas de aplicativo cobram botão do pânico e câmeras nos veículos Trabalhadores reivindicam reunião com secretário Eugênio Ricas para tratar do assunto https://www.seculodiario.com.br/seguranca/motoristas-de-aplicativo-cobram-botao-do-panico-e-cameras-nos-veiculos Espírito Santo estuda criação de botão do pânico para motoristas de aplicativo Afirmação foi feita pelo secretário Eugênio Ricas durante reunião com sindicato e familiares de motorista desaparecido https://www.seculodiario.com.br/seguranca/espirito-santo-estuda-criacao-de-botao-do-panico-para-motoristas-de-aplicativo
Ruínas de igreja histórica de Guarapari estão sob risco estrutural
Arquiteta que participou da elaboração do projeto de restauro denuncia abandono do patrimônio As ruínas da antiga Igreja de Nossa Senhora da Conceição, patrimônio histórico localizado em Guarapari, na região metropolitana do Estado, estão sob sério risco estrutural. O local também não conta com manutenção mínima, como ações de limpeza e capina. Viviane Pimentel A denúncia é da arquiteta Viviane Pimentel, que esteve no espaço nessa quarta-feira (6) junto de seus alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo. Viviane participou da elaboração de um projeto de restauro das ruínas há dez anos, que nunca foi implementado. A antiga Igreja de Nossa Senhora da Conceição fica no Centro de Guarapari, no Morro da Matriz. Ela foi erguida em 1677, por ordem do então donatário da capitania do que hoje é o Estado do Espírito Santo, Franciso Gil de Araújo. Naquela época, a outra Igreja de Nossa Senhora da Conceição, erguida pelos jesuítas em 1585, estava abandonada. Segundo Viviane, existem boatos de que a igreja nunca foi concluída devido a um incêndio. Mas, durante a pesquisa histórica do projeto de restauro, foi encontrado o relato de um bispo que esteve em Guarapari em 1821, no qual dizia não entender porque a construção estava sendo destelhada para que as telhas fossem colocadas na igreja jesuítica. Hoje, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição construída pelos jesuítas em 1585 está preservada, tendo sido tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Próximo a ela, as ruínas da igreja de 1677, da qual restaram algumas paredes e uma torre sineira, também foram tombadas pela resolução número 11/1989, do Conselho Estadual de Cultura (CEC). Em 2013, moradores das proximidades das ruínas acionaram o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), porque estavam preocupados de a torre cair em cima da calçada e ocorrer algum acidente. O MPES, então, exigiu da Prefeitura de Guarapari – naquele ano, o então prefeito Orly Gomes (DEM) iniciava seu mandato – a contratação de um projeto de restauro. Viviane Pimentel Após um processo licitatório, foi contratado o escritório Perini Muniz Arquitetura, e Viviane Pimentel entrou no trabalho de elaboração do projeto de restauro. A proposta final, encaminhada para a administração municipal entre 2014 e 2015, foi de consolidar as ruínas, mantendo o aspecto atual, porém sem o risco de mais perdas. O projeto prevê, também, a instalação de rampas para visitantes. “Em 2013, nós fomos até o local para medir e avaliar. Entre a nossa ida e o nosso retorno, um mês depois, uma parede da torre sineira ruiu, e permanece assim até hoje, porque existe uma árvore que cresce e desestabiliza a construção. E o que a ruína tem de mais íntegro é a torre sineira. Se cair essa torre, com a cúpula e alguns ornamentos que existem na parede, ficarão só as quatro paredes externas da igreja, porque o frontão também já ruiu”, alerta Viviane. Mesmo com o projeto pronto, ele nunca foi implementado, com a justificativa de falta de recursos. No início de 2023, já sob a gestão de Edson Magalhães (PSDB), a prefeitura pediu novamente o projeto ao escritório responsável pela elaboração, uma vez que a documentação não era mais encontrada internamente. Surgiu, naquele momento, a informação de que haveria uma verba do Departamento de Edificações e Rodovias do Espírito Santo (DER-ES) para, enfim, colocar a proposta em prática. Viviane Pimentel Viviane Pimentel relata ainda que, também no ano passado, o projeto foi apresentado em uma reunião do Conselho Municipal de Turismo de Guarapari. Entretanto, passados vários meses, não há novas notícias sobre o andamento dos processos. Durante a visita ao espaço nesta semana, a arquiteta verificou que as ruínas estão em estado de abandono. Ela relata que o local está cheio de mato, pessoas em situação de rua têm ocupado a edificação, e há fezes pelo entorno. Duas árvores cresceram novamente por cima de uma das paredes, e as raízes entram e desestabilizam totalmente a edificação. “Não sei em que pé está a execução do projeto. Sei que demora essa burocracia nos órgãos públicos, mas o projeto está todo pronto há muito tempo. E essa situação da igreja é muito delicada. Para além de não executar o projeto, ainda não dão manutenção nenhuma, a igreja está abandonada”, denuncia Viviane Pimentel. Projeto será devolvido O DER-ES informou, em nota, que “avaliou o documento e vai devolvê-lo para a Prefeitura de Guarapari sugerindo a contratação de um projeto de estabilização e restauro, por se tratar de uma edificação histórica. O órgão afirma que o Poder Executivo Municipal deve assumir os custos dessa obra, tendo em vista que ela necessita de especialistas em restauração de edificações e monumentos históricos”. Século Diário também procurou a Prefeitura de Guarapari para comentar o assunto, mas não recebeu retorno até o fechamento desta reportagem. ‘Política estadual de preservação do patrimônio é frágil’ Arquiteto Genildo Coelho fala sobre planos de novo instituto do patrimônio cultural no sul do Estado https://www.seculodiario.com.br/cultura/politica-estadual-de-preservacao-do-patrimonio-e-fragil
Partidos e movimentos sociais criam frente de lutas em Guarapari
Com o nome de “Guarapari que Queremos”, entidades constroem propostas e querem participar do debate eleitoral Uma novidade política que surge em ano eleitoral, a frente “Guarapari que Queremos” reúne partidos, movimentos sociais, ONGs e outras entidades e pessoas com o propósito de construir um programa com pautas que consideram importantes para o município do litoral capixaba. O Política ES recebe representantes de alguns dos movimentos que participam da frente: Emily Marques, do Coletivo Mulheres que Lutam; Juliana Souza, da Gaya Religare; e Clebio Marques Brambati, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Guarapari. Eles falam sobre a proposta de unidade; suas principais pautas; a situação atual da cidade; as últimas gestões do município; e possíveis posicionamentos diante das eleições para prefeito e vereadores em 2024. —- * Inscreva-se no canal do Século Diário no YouTube e ative o sininho para acompanhar as novidades. ** Se quiser ouvir este e outros programas em podcast, siga os canais do Século Diário no Spotify e Google Podcasts.
Passos adiante
Agora filiado ao PDT, ex-deputado Sergio Majeski é mais um nome a buscar uma terceira via em Vitória Divulgação O ex-deputado estadual Sergio Majeski está oficialmente no PDT. O ato de filiação, consolidado em evento na noite dessa quarta-feira (6), na Câmara de Vitória, marca a entrada de mais um nome na disputa à prefeitura da Capital e, também, a buscar uma terceira via, passando por fora do embate previsto entre o prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) e o deputado estadual João Coser (PT). Esse campo, hoje, é congestionado pelo ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) e os deputados estaduais Fabricio Gandini (PSD) e Tyago Hoffmann, todos orbitando em torno do governador Renato Casagrande (PSB), assim como o PDT de Majeski. A filiação é exaltada pelo partido comandado por Sergio Vidigal, prefeito da Serra, como um novo gás no projeto de fortalecimento e renovação em Vitória. As investidas, agora, serão na consolidação de alianças e na finalização da chapa de vereadores, além da construção de uma plataforma de governo. Majeski, como se sabe, há muitos anos tem a meta de tentar a prefeitura, mas sempre foi vetado por suas antigas legendas, apesar do indiscutível potencial eleitoral. Caso não ocorram mudanças até o registro de candidatura, vai para o jogo fora de mandato, o que será um novo teste, mas em condições de marcar posição e levantar debates relevantes para a cidade que é seu reduto eleitoral. Até que se prove o contrário, portanto, Majeski vem aí! AlcancesO ex-deputado, hoje à frente hoje da Escola do Legislativo na Assembleia Legislativa, tentou uma vaga na Câmara Federal em 2022, mas não entrou. Ele alcançou 40,1 mil votos. Em 2018, foi o mais votado à Assembleia Legislativa. Em todos os casos, sempre com bons índices em Vitória. Vale lembrar que Majeski chega ao PDT após deixar o PSDB, onde foi preterido do debate eleitoral em prol do projeto de Luiz Paulo. Na áreaO evento de filiação contou, além das principais lideranças do PDT, com as presenças do presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (Podemos); e do presidente do diretório municipal do PP, Marcos Delmaestro. O ex-vereador de Vitória Roberto Martins e o ex-deputado Torino Marques também passaram por lá. Sete chavesNo campo das proporcionais, o partido se esforça para consolidar os pré-candidatos e a atrair novos nomes com chances de ocupar uma cadeira na Câmara. Dentro dessa estratégia, mantém, por enquanto, as articulações mais nas internas, sem a divulgação da chapa. Um mobilizador dessas conversas e concorrente já reconhecido é Pedro Trés, que tentou o cargo no último pleito municipal. Enquanto isso……no bloco que reúne Luiz Paulo, Gandini e Hoffmann, as conversas seguem rolando, até que se defina o funil. Há poucos dias foi feita uma nova rodada, dessa vez com o tucano e Hoffmann e o também deputado Mazinho dos Anjos (PSDB), que tem participado das articulações. Alguém – ou mais – terá que sair de cena. Resta saber quem! Cadê?A propósito, entre os nomes citados que ocupam o mesmo espaço que o grupo de Casagrande, Gandini parece cada vez mais distante das movimentações eleitorais. Já seria o primeiro candidato ao funil? A conferir! Em abertoConsolidada a entrada de Majeski no PDT, permanece em compasso de espera a outra aposta de 2024, que é o ex-prefeito de Vila Velha Max Filho, também dissidente do PSDB. O projeto, porém, sofreu uma pausa longa, resultado de problemas de saúde do pai dele, o ex-governador Max Mauro. O futuro, por ora, é incerto. Guerra eleitoralNeste caso, a disputa, mais do que nunca, vai polarizar entre o prefeito Arnaldinho Borgo (Podemos) e o ex-secretário estadual de Segurança Pública, coronel Alexandre Ramalho, que, como já disse aqui na coluna, está com os dois pés no PL, deixando para trás a oferta feita pelo Republicanos. Área lucrativaArnaldinho, aliás, publicou fotos nesta quinta-feira (7) de culto na prefeitura, com lideranças da Convenção Evangélica dos Ministros das Assembleias de Deus no Espírito Santo (Cemades). A entidade, junto com a Cadeeso, é sempre cobiçada em ano eleitoral. E quem não quer esse eleitorado fiel e numeroso? Nas redes“Só quem já passou por isso sabe como é revoltante e desgastante. No momento em que o povo mais precisa de atenção e cuidado da prefeitura, recebe horas de espera e descaso. Muitos vão embora sem atendimento (…)”. Vereador de Vitória Vinícius Simões, do Cidadania, em fiscalização ao Pronto-Atendimento (PA) da Praia do Suá. FALE COM A COLUNA: medeirosmanaira@gmail.com Dissidentes do ninho Após ruídos e insatisfações, mercado se mantém de olho nas definições de Max Filho e Sergio Majeski para 2024 https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/dissidentes-do-ninho
Ministério Público é acionado por falta de professores em escola estadual
Centro Agessandro da Costa Pereira está sem professores de Filosofia, Sociologia, História e Biologia O Centro Estadual de Ensino Fundamental e Médio em Tempo Integral (CEEFMTI) Agessandro da Costa Pereira, no bairro Comdusa, em Vitória, está sem professores de Filosofia, Sociologia, História e Biologia. A situação foi denunciada ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES) pelo professor Bruno Fiorot Sagrilo, que leciona na unidade de ensino. Nessa segunda-feira (4), ele também formalizou denúncia à Corregedoria e à Ouvidoria do Estado. Google Maps O docente relata que o ano letivo começou sem professores de Sociologia e Filosofia, mas na semana passada, a situação se agravou, pois os professores de Biologia e História abriram mão da carga horária. De acordo com ele, as informações que circulam são de que isso não é exclusividade da escola Agessandro da Costa Pereira e ocorrendo em outras unidades da rede estadual. A ausência de profissionais nas áreas de Filosofia e Sociologia afeta os alunos do 1º ano do ensino médio, que têm essas disciplinas. Contudo, também é prejudicial para o segundo ano, que conta com o Percurso Filosófico Sobre a Evolução Humana, ministrado por professor de Filosofia, e para o terceiro ano, que tem também esse mesmo percurso, além do de Indivíduo, Natureza e Sociedade, ministrado por professor de Sociologia. A ausência de professor de Biologia e História atinge os alunos do segundo ano, que têm essas disciplinas. Os professores de História são responsáveis, ainda, por lecionar um percurso formativo para essa série: Trajetórias Humanas. Bruno aponta que, sem professores, os alunos estão com aulas vagas. “As consequências serão vistas no fim do ano. Imagina o impacto disso para o aluno que vai fazer Enem [Exame Nacional do Ensino Médio]?”, questiona. Ele afirma que o sentimento dos alunos é de decepção. “A gente percebe eles olhando um para o outro, como se estivessem se perguntando ‘o que a gente está fazendo aqui?’”, diz. Bruno aponta que o problema vem sendo tratado como algo “irrelevante”, já que, ao formalizar denúncia à Ouvidoria, a resposta que obteve foi de que o prazo para resposta da demanda é até 3 de abril. “Imagina ficar sem as disciplinas até abril?”, questiona. Procurada por Século Diário, a Secretaria Estadual de Educação (Sedu) afirmou que “reconhece a carência de professores nas disciplinas de Sociologia, Filosofia, Biologia e História no ensino médio da Escola Agessandro da Costa Pereira”. No entanto, diz que “está empenhada na busca por mais profissionais e já realizou um novo edital para educação profissional, contratando 1.209 professores, com diversos contratos já efetivados”. Informou, ainda, enfrentar “desafios logísticos, pois professores designados para disciplinas em outras unidades encontram dificuldades de translado para atender à chamada de estender a carga horária nesta escola específica”. Além disso, que, “para mitigar impactos aos alunos, convocamos professores e autorizamos uma grande chamada em 9 de março. A expectativa é suprir as carências e, à medida que todos os professores forem contratados, as aulas serão repostas em feiras de eletivas e projetos interdisciplinares”.
Câmara de Itapemirim rejeita contas de 2018 do ex-prefeito
Processo é relativo ao primeiro mandato de Thiago Peçanha e recebeu apenas um voto contrário A Câmara de Itapemirim, no litoral sul do Espírito Santo, aprovou, nessa quarta-feira (6), um decreto legislativo que determina a rejeição das contas do ex-prefeito Thiago Peçanha (PSD) relativas ao ano de 2018. A medida se baseia em um parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE-ES) apontando diversas irregularidades. Apenas o vereador Zé Lima (PDT), aliado do ex-prefeito, votou pela aprovação das contas. Votaram pela rejeição: Alcione de Amorim (PP), Carlinhos de Brício (Republicanos) João Bechara Neto (PSB), Lucimar Alves “Bibico” (Republicanos), Erasto (PDT), Cesinha de Bado (Repuplicanos), Renildo Nascimento Peçanha (Republicanos), Estevão Silva Machado (PSDB) e Lenildo Henriques (PDT). Paulinho da Graúna (a caminho do Republicanos) não votou por ser o presidente. O parecer do TCES aponta como irregularidades encontradas: abertura de créditos adicionais suplementares sem fonte de recurso; utilização de royalties de petróleo e gás natural em fim vedado por lei federal; déficit financeiro em diversas fontes de recursos; balanço patrimonial inconsistente em relação aos demais demonstrativos contábeis; e inscrição de restos a pagar não processados sem disponibilidade financeira. Durante a discussão da proposta, João Bechara, que é pré-candidato a prefeito, ressaltou que a verba de royalties de petróleo terá que ser recomposta, e que Thiago Peçanha também teve as contas rejeitadas em 2017 e, “provavelmente, o mesmo acontecerá nos outros anos em que esteve à frente da prefeitura, resultando em prejuízo milionário aos cofres públicos”. O vereador afirmou também que os gestores que assumiram depois de Thiago – incluindo Zé Lima, que assumiu quando seu aliado foi cassado, em 2022, e o atual prefeito, Doutor Antônio (PP) – seguiram cometendo os mesmos erros. “Quem passou depois meteu a mão na cumbuca, fez a mesma coisa”, disparou. Já os vereadores Renildo e Cesinha de Bado citaram o parentesco e a proximidade com o ex-prefeito, mas argumentaram que não poderiam “passar a mão na cabeça” de Thiago. Paulinho da Graúna, que também é pré-candidato a prefeito, argumentou, por sua vez, que Peçanha teve tempo suficiente para se defender. Único contrário ao decreto, Zé Lima argumentou que, apesar de haver um parecer do TCES, é prerrogativa da Câmara de Vereadores aprovar ou não as contas. Antes da votação, ele tentou tirar o decreto de pauta, sob argumento de ser necessário um outro parecer técnico, mas seu requerimento foi rejeitado. Lima também citou que “a Casa ficou num momento político”, em alusão ao clima pré-eleitoral. Blocos na rua A rejeição das contas de Thiago Peçanha ocorre no momento em que ele tenta firmar sua pré-candidatura para voltar ao cargo do qual foi cassado em 2022, apesar de a condenação tê-lo tornado inelegível por oito anos. Peçanha colocou aliados seus na Rede Sustentabilidade e também pretenderia migrar para o Partido Socialista Brasileiro (PSB), do governador Renato Casagrande. No diretório municipal do Partido Socialismo e Liberdade (Psol), que forma uma federação com a Rede, existe a preocupação de os movimentos de Peçanha prejudicarem a pré-candidatura de Professor Jésus a prefeito e outros postulantes à Câmara de Vereadores. O descontentamento do Psol de Itapemirim com a Rede foi externado publicamente. Já Doutor Antônio conta com o apoio tímido de Renato Casagrande à sua reeleição. Ele pretende deixar o Progressista (PP), e o Podemos seria uma opção. Entretanto, o presidente do diretório municipal da sigla (e também pré-candidato a prefeito), Alex Wingler, rejeita qualquer movimentação nesse sentido. Outro pré-candidato a prefeito em Itapemirim é o dentista Geninho Bechara, que teve seu nome referendado em um evento do Partido Democrático Trabalhista (PDT) realizado no último dia 23 de janeiro. Novato na política, apesar de ser sobrinho do ex-prefeito Jorge Bechara, já falecido, Geninho filiou-se ao PDT em dezembro de 2023, ganhando de imediato o apoio do Solidariedade. Ele afirma que já visita comunidades e mantém contatos com outras lideranças, a fim de garantir apoios. Em 2022, o vice-prefeito da chapa cassada de Thiago Peçanha, Niltinho (PSDB), disputou as eleições suplementares, obtendo cerca de 460 votos. Concorreu ainda o então prefeito interino, Zé Lima, que ficou em segundo lugar na votação, com 48,11% dos votos (12.539). Em 2020, Zé Lima havia sido eleito vereador e presidente da Câmara de Itapemirim, mas, com a cassação do prefeito e do vice, assumiu as funções. ‘Não existe possibilidade de Doutor Antônio ir para o Podemos’ Pré-candidato a prefeito de Itapemirim, Alex Wingler demarca território contra atual chefe do Executivo https://www.seculodiario.com.br/politica/nao-existe-possibilidade-de-doutor-antonio-ir-para-o-podemos Aliados de Thiago Peçanha ocupam a Rede em Itapemirim Mesmo tendo sido cassado em 2022, ex-prefeito tem colocado seu nome no mercado eleitoral https://www.seculodiario.com.br/politica/grupo-de-thiago-pecanha-ocupa-a-rede-sustentabilidade-em-itapemirim Psol de Itapemirim rejeita aproximação entre ex-prefeito e Rede Partidos formam federação a nível nacional; Thiago Peçanha foi cassado em 2022 https://www.seculodiario.com.br/politica/psol-de-itapemirim-rejeita-aproximacao-entre-ex-prefeito-e-rede-sustentabilidade Alex Wingler articula aliança eleitoral com Rede e PSB em Itapemirim Psol, com quem a Rede tem federação, discorda de apoio a pré-candidato a prefeito pelo Podemos https://www.seculodiario.com.br/politica/alex-wingler-articula-alianca-eleitoral-com-rede-e-psb-em-itapemirim
Programação do Dia Internacional da Mulher tem assembleia de servidores
Debate da campanha salarial, que reivindica revisão de 14,38%, será pouco antes da marcha em Vitória O Sindicato dos Servidores Públicos do Estado (Sindipúblicos) realizará, nesta sexta-feira (8), uma Assembleia Geral Unificada. A reunião ocorrerá na Praça Manoel Silvino Monjardim, em frente à Casa Porto, no Centro de Vitória, a partir das 9h, onde também haverá a concentração para a Marcha das Mulheres, em alusão ao Dia Internacional da Mulher. Durante a assembleia, serão debatidos os pontos da Campanha Salarial 2024 do sindicato. Uma das principais pautas deste ano é a revisão geral de, pelo menos, 14,38% na remuneração do funcionalismo, de forma a recuperar perdas dos últimos anos. Divulgação/Sindipúblicos Também estão em pauta a recomposição inflacionária do auxílio-alimentação e do valor das diárias; o pagamento dos precatórios da trimestralidade; a realização de concurso público e o fim da terceirização; e a revisão das carreiras, em especial as extintas ou em vacância. Após deliberar sobre as estratégias de mobilização e demais ações de luta, os servidores deverão se juntar à Marcha. O evento é organizado pelo Fórum de Mulheres do Espírito Santo (Fomes), e as participantes seguirão em direção ao Palácio Anchieta, sede do governo do Estado. “Fazer a assembleia no mesmo dia da Marcha das Mulheres é emblemático! As mulheres são a maioria dos servidores públicos, mas ganham os menores salários, não ocupam as posições de decisão e ainda sofrem com o machismo estrutural que existe em nossa sociedade capitalista”, avalia Silvia Sardenberg, secretária-geral do Sindipúblicos. “Debater as pautas da campanha dessa forma servirá para dar mais visibilidade para a luta das mulheres servidoras. E, como a luta por condições dignas de trabalho atravessa a todos, independente do gênero, esperamos a participação de toda a base. Vamos juntes construir um serviço público com mais qualidade, tanto para a sociedade quanto para os servidores”, completa Silvia. De acordo com os cálculos do sindicato, de janeiro de 2019 a janeiro de 2024 – ou seja, no Governo Casagrande -, as perdas acumuladas somam 21,85%. Esse percentual deve ultrapassar 22%, com a previsão do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) chegar a 0,78% em fevereiro. Precatórios da trimestralidade Nesta quinta-feira (7), o Sindipúblicos também realizou uma live nas redes sociais para tirar dúvidas a respeito dos precatórios da trimestralidade, um processo que se arrasta há mais de 30 anos. Isso se refere aos pagamentos relativos à chamada “Lei da Trimestralidade” (Lei Estadual nº 3.935/87), que instituiu o reajuste trimestral dos vencimentos dos servidores públicos estaduais, vinculado à variação mínima de 60% do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do trimestre. Como não foram implementados os pagamentos previstos, as diversas categorias estaduais ingressaram na Justiça com mandados de segurança, o primeiro deles em 1990. Após o julgamento e execução, surgiram esses precatórios – ou seja, valores devidos após condenação judicial definitiva. Em 2018, o desembargador do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) Pedro Valls Feu Rosa determinou a recontagem dos valores, apesar de uma vitória definitiva na justiça em 2015. Após uma reunião no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no início deste ano, o ministro Luis Felipe Salomão deu 120 dias para que o Estado e o sindicato apresentem cálculos atualizados e tentem uma nova conciliação Reunião na Casa Civil No último dia 27 de fevereiro, os servidores participaram de uma reunião na Secretaria da Casa Civil, em Vitória, com o subsecretário de relações institucionais, Sandro Heleno. Na ocasião, houve a entrega de um documento analítico, no qual o Sindipúblicos, junto a outras entidades representativas de trabalhadores, defende que o governo do Estado está em um momento estável para repor as perdas do funcionalismo, com R$ 1,88 bilhão de caixa líquido, além da “nota A” nas contas, atribuída pelo Tesouro Nacional desde 2012. “A reunião não foi para discutir as pautas do sindicato especificamente, e sim a pauta de todas as categorias de servidores estaduais. As entidades colocaram a necessidade da revisão geral, diante do cenário econômico favorável”, relata Iran Caetano, presidente do Sindipúblicos. “Agora, a gente espera o retorno sobre uma agenda com o governador Renato Casagrande (PSB) para discutir esse ponto. As demais pautas inerentes ao Sindipúblicos a gente ainda não obteve um retorno do governo”, comenta Iran. Saldo de 2023 Em 2023, o Sindipúblicos conseguiu estabelecer uma mesa de negociação permanente com o governo do Estado. Apesar de ainda aquém do desejado, foram efetivados um reajuste de 5% no salário e de 100% no tíquete-alimentação. Outro ponto positivo no ano foi o valor das diárias de servidores públicos do Estado em viagens a trabalho, que foi elevado de R$ 112 para R$ 220, um aumento de 96%. O valor estava estagnado há dez anos. Também se conquistou a nomeação dos agentes de Suporte Educacional (ASE’s) e dos analistas do Executivo; revisão geral anual; aposentadoria dos atingidos pela declaração de inconstitucionalidade da Lei 187/2000 (sobre o regime jurídico dos servidores), abrangidos pela modulação do Supremo Tribunal Federal (STF); além de temas específicos, como melhoria e qualidade dos locais de trabalho. Apesar das conquistas, 2023 terminou com ruído na relação do sindicato com o governo estadual por conta do valor do abono concedido aos servidores. O Poder Executivo encaminhou, e a Assembleia Legislativa aprovou, em dezembro, o pagamento de abonos para servidores efetivos, comissionados, inativos e pensionistas do Executivo, no valor de R$ 1 mil – menos do que no ano passado – R$ 1,5 mil. Também foi aprovado o abono para servidores em exercício na Secretaria Estadual de Educação (Sedu). Para esses, o pagamento foi de R$ 1,5 mil, apesar de o Sindipúblicos e o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes) terem reivindicado a revisão do valor, em reunião com o secretário estadual de Educação, Vitor de Angelo, realizada em novembro. Na ocasião, os sindicatos recordaram que o valor pago em 2022 foi de R$ 7,2 mil e reforçaram que o índice de 70% de investimento do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), origem do recurso, é
Fufuquismo e janonismo
A versão bananeira que conspurca a Nova República O fufuquismo é um derivado político do atual ministro dos Esportes e deputado federal licenciado, André Fufuca. Por sua vez, o janonismo, que também foi chamado de janonismo cultural, vem da atuação do atual deputado federal André Janones. Para explicar melhor, o fufuquismo é uma das versões fisiológicas e clientelistas da política tradicional. O janonismo cultural, por sua vez, virou um flanco de combate contra a extrema direita, desde que Janones abdicou de sua candidatura à presidência da República em 2022 e passou a apoiar a candidatura de Lula, indo para a área de comunicação da campanha, com adoção de métodos heterodoxos de enfrentamento, muitas vezes fazendo com que o bolsonarismo e a campanha de Bolsonaro à Presidência da República provasse do próprio veneno, com fake news polêmicas plantadas nas redes sociais e viralizando. O grande feito do fufuquismo foi empurrar para fora do Ministério dos Esportes a ex-jogadora de vôlei Ana Moser, que até então ia bem na função, já tecendo projetos, mas que se deparou com um dos arranjos mais postiços e forçados dos últimos tempos, meio que numa pressão do Centrão, para colocar André Fufuca como novo ministro dos Esportes. Nunca se viu um clientelismo e um fisiologismo tão mal ajambrado, chegou a ser constrangedor, parecendo mais um arranjo de casta que joga pela janela amores autênticos, uma pagaiada e a foto de aperto de mãos etc. André Fufuca foi o deputado estadual mais jovem a ser eleito. O fufuquismo pode se estender como expressão para arranjos políticos forçados e de fancaria. Tudo ali é postiço, a vermelhidão das bochechas remete a um ventriloquismo em que o jogo do poder passa por cima de disposições verdadeiras e autênticas e, da noite para o dia, temos ministérios republicanos sendo tomados por uma clientela que vive dessa dança das cadeiras interminável, movida a pressões chantagistas e regateios superficiais, eis a essência do que podemos batizar como fufuquismo. Por outro lado, as rachadinhas do janonismo cultural, por seu turno, revelam o mesmo arranjo esquemático de sempre, mas com um verniz midiático e polemista que, se convenceu alguém um dia, hoje não passa da produção barulhenta com métodos colhidos da baixa política, de um bullying até bem direcionado contra figuras como chupetinha e quetais, mas que se limita a esta característica histriônica, tão séria como um sketche para parvos. O janonismo cultural patina na falta de uma seriedade maior e tropeça nas próprias pernas com denúncias recentes de rachadinhas no gabinete do deputado federal André Janones, este que faz muito barulho desde a fatídica greve de caminhoneiros. Esta pretensa pecha de cultura não sobrevive a uma primeira ventania, pois o caráter do janonismo está mais para uma comicidade de gosto duvidoso do que algo que possa ser chamado, até numa conversa de botequim, como cultura ou “cultural”. O que se vê é que tanto o fufuquismo como o janonismo jamais serão contribuições sérias e sólidas para o espírito republicano que deveria inspirar nosso parlamento, pois é mais do mesmo, reflexo de uma turba fisiológica e que também arrisca uma versão midiática, polemista e, no frigir dos ovos, ambos sucumbindo a um superficialismo que vai de um arranjo de casta forçado e uma grita de fake news tão escancarada como de seus alvos preferenciais. O fufuquismo e o janonismo padecem de um mesmo mal essencial anti-republicano, ceifando horizontes do que deveria evoluir para um Estadismo de fato, com uma política democrática para o bem comum e não para produzir ministros de fancaria e figuras histriônicas que se limitam ao bullying de uma quinta série engraçadinha, e que logo em seguida passa por denúncias de facilidades e práticas que se repetem ad nauseam de rachadinhas, ambos reforçando a versão bananeira que conspurca a Nova República. O fufuquismo, por sua vez, também não poderia ser diferente, e também teve denúncias de corrupção, desde um apoiador de Fufuca, anos antes dele virar ministro dos Esportes, ter negociado um par de chuteiras em troca de voto, até pelo fato de seu desempenho nas eleições para deputado federal no Maranhão ter sido produzido por compra de votos. Ou seja, o fufuquismo e o janonismo vivem de uma mesma mediocridade essencial, razão de ser, e se instalam na República através de apadrinhamentos, no caso do fufuquismo, e de polêmicas midiáticas, no caso do janonismo, e de sua versão cultural, o que é bem contestável, uma vez que o janonismo como cultura não passa de uma expressão para o histrionismo do dito deputado federal do que qualquer outra coisa. Espero que a Nova República, depois de ter se livrado da versão bolsonarista no Poder Executivo, possa também se ver livre destes pastiches de ocasião como o fufuquismo e o janonismo, pois temos que estar atentos. “O preço da liberdade é a eterna vigilância”, como disse o orador irlandês John Philpot Curran, que viveu de 1750 até 1817. Ou seja, o espírito republicano não pode tolerar mais apadrinhamentos de ocasião como o do fufuquismo ou uma imaturidade histriônica que busca a polêmica, que é o pretenso janonismo cultural, uma infantilização política que já teve que aguentar personagens como Tiririca, por exemplo. Que o Brasil, sua democracia e sua República possam ter um espírito estadista pelo bem comum, se livrando do pastiche e do fisiologismo. Gustavo Bastos, filósofo e escritor.Blog: http://poesiaeconhecimento.blogspot.com
Manifesto do 8 de Março denuncia violência contra a mulher no Espírito Santo
Documento que antecede atos desta sexta-feira também aponta omissão do Estado e reivindica políticas públicas Jacilene Braz Mota, Íris Rocha, Marileide de Jesus da Silva e Joilza Santos da Silva são algumas das mulheres vitimadas fatalmente no ano de 2024 no Estado. Seus nomes constam no manifesto do 8 de Março, divulgado nessa quarta-feira (6) pelo Fórum de Mulheres do Espírito Santo (Fomes), no qual reivindica-se investimentos em políticas públicas, cumprimento das legislações, e acolhimento e atendimento de qualidade para todas as mulheres. O texto é assinado por 79 organizações, como sindicatos, coletivos, centrais sindicais, movimentos sociais e associações. Jacilene foi morta a facadas pelo marido em Guarapari. Morta a tiros na cidade de Alfredo Chaves, Íris estava grávida de oito meses. Marileide foi encontrada morta estrangulada em sua casa, no município de Cariacica. A facadas, Joilza foi assassinada pelo marido em Serra Sede. O manifesto traz dados do Observatório de Segurança Pública e da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), que apontam que, em 2023, ocorreram no Estado 84 homicídios de mulheres, sendo 34 classificados como feminicídios. Muito provavelmente os altos índices permanecerão em 2024, vide a quantidade de mulheres já assassinadas. Diante disso, o Fórum traz como uma de suas reivindicações o cumprimento da Lei 14.541/2023, que prevê o funcionamento 24 horas por dia, incluindo domingos e feriados, das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams). “Queremos a efetivação dos mecanismos previstos e construídos na Lei Maria da Penha para cessar as diversas violências contra as mulheres, não queremos substituição das DEAMs por salas rosas/Maria da Penha, mecanismos ineficientes de proteção à mulher”, critica o manifesto. O documento também defende que as equipes sejam fixas na Delegacia, de maioria feminina, e que passe por treinamentos constantes sobre a Lei Maria da Penha, “para assegurar atendimentos sólidos às mulheres em situação de violência”. Por meio do manifesto, é reivindicado ainda o cumprimento e atualização do Pacto Estadual Pelo Enfrentamento à Violência Contra As Mulheres, que não foi assinado por todos municípios capixabas. O Pacto foi institucionalizado em 2020, com o objetivo de prevenir, combater e enfrentar todas as formas de violência contra as mulheres, construindo uma rede de atendimento articulada. O Fórum denuncia que tanto a gestão de Renato Casagrande (PSB) quanto as municipais não ofertam os serviços de saúde pública necessários, principalmente os de saúde mental. As mulheres tecem críticas ao fato de o Governo do Estado usar verba pública para financiar a Rede Abraço, rede manicomial que, conforme consta no documento, tem “viés religioso e origem ao caráter eleitoreiro”. “Este serviço faz alianças com comunidades terapêuticas e se apropria de discursos da política de saúde mental antimanicomial, mas os serviços ofertados são paralelos a RAPS e não compõem com a Reforma Psiquiátrica. Além disso, financiar a Rede Abraço impede que a verba pública realmente vá para o cuidado em liberdade. Queremos uma RAPS [Rede de Atendimento Psicossocial] com o financiamento público para os serviços de saúde mental para as mulheres serem acolhidas com dignidade e cuidado. Queremos o fim da Rede Abraço! Queremos o fim das comunidades terapêuticas, que são espaços de violências e de violações de direitos humanos. Queremos mulheres com suas dores sendo acolhidas nos CAPS [Centro de Atendimento Psicossocial], nas Unidades de Saúde, nos Centro de Convivência e de Cultura”, defende o manifesto. Entre os muitos direitos das mulheres destacados no manifesto, também está o reprodutivo. “Inclusive, pelo direito à maternidade, considerando que várias mulheres têm esse direito retirado, seja pelo genocídio da juventude negra, seja pela falta de condições de cuidar de sua prole em virtude da ausência de políticas públicas como saúde integral, educação, alimentação, habitação e demais direitos humanos”, diz o manifesto. O Fórum de Mulheres também recorda quando, em 2020, uma menina de apenas 10 anos, em São Mateus, norte do Estado, engravidou ao ser vítima de estupro e teve seu direito ao aborto recusado no Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes (Hucam). A criança, então, teve que se deslocar para Recife, em Pernambuco, para fazer o procedimento. “Infelizmente, esse não é um caso isolado. Exigimos que os serviços de abortamento legal funcionem no Espírito Santo, garantindo os direitos das mulheres e crianças vítimas de violência”, cobra o manifesto. Soma-se a isso, a reivindicação pela descriminalização total e legalização do aborto no Brasil; por políticas de atenção integral à saúde sexual e reprodutiva; pela efetivação da educação sexual e reprodutiva e formação para igualdade de gênero e raça para adolescentes e jovens nas escolas; pela universalização da cobertura da rede de atenção básica de saúde na qual estão inscritos tanto o pré-natal quanto o planejamento reprodutivo; pelo fortalecimento da rede de apoio com o aprimoramento dos fluxos e protocolos; bem como serviços públicos regionalizados, para o abortamento legal no Espírito Santo. O manifesto também pede justiça para as vítimas do massacre de Aracruz, norte do Estado, em novembro de 2022, quando um adolescente de 16 anos invadiu duas escolas, fazendo vítimas fatais e deixando várias pessoas feridas. “Queremos respostas sobre as investigações do ataque e cobrar medidas e políticas que possam atender as demandas das famílias, estudantes e profissionais da educação”, enfatiza. O texto traz, ainda, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2023 que mostram que mais de 2,5 milhões de mulheres não trabalham formalmente no Brasil para poder cuidar de parentes ou executar tarefas domésticas. “Isso significa que as políticas de saúde, educação, lazer, esporte e cultura estão em déficit com as necessidades da população, em especial de mulheres e, mais ainda, mulheres negras periféricas”, destaca. Para o Fórum, não basta emprego para as mulheres, pois a defesa é pela garantia de “dignidade, condições adequadas de trabalho e salários que correspondam às necessidades reais e concretas das mulheres da classe trabalhadora”. As mulheres do campo, das águas e das florestas não são esquecidas. As entidades recordam que, no final de 2023, o Senado aprovou e o presidente Lula (PT) sancionou o Projeto de Lei (PL) 1459/2022, o chamado Pacote do Veneno, com apoio da bancada ruralista. “Defender a existência é defender a natureza, o sociometabolismo entre seres sociais e seres naturais, os