Manifestação na Assembleia também realizou distribuição de alimentos a ocupações urbanas de Vitória A Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra deste ano tem a reforma agrária e o combate aos monocultivos como pautas centrais no Espírito Santo. Nesta quinta-feira (7), uma manifestação na escadaria da Assembleia Legislativa reuniu 300 mulheres do MST sob o lema “Lutaremos! Por nossos corpos e territórios, nenhuma a menos”. Heron Neves/Comunicação MST Na atividade, as mulheres denunciam a falta de ações dos deputados em prol da reforma agrária e a aprovação de Projeto de Lei 166/2023, que retira direito de pessoas que estão em ocupações urbanas ou rurais. O PL foi aprovado com apenas dois votos contrários. “O PL é uma ação de criminalização dos movimentos sociais que lutam em defesa da terra e da moradia e altamente desumano e perverso, retirando direitos de pessoas que já vivem em situações vulneráveis”, afirmam as manifestantes. A mobilização também se levanta, em jornada nacional, “contra a crescente violência estrutural no campo, em que a falta agilidade no processo de reforma agrária agrava ainda mais a situação das mulheres”. Heron Neves/Comunicação MST Na manifestação capixaba, uma distribuição de duas toneladas de alimentos para membros da luta pela moradia na Grande Vitória, como a ocupação Chico Prego, no Centro da capital, marcou a aliança campo-cidade. “É uma ação de solidariedade com as companheiras da cidade. São alimentos vindos principalmente dos nossos acampamentos produtivos e por meio de produção agroecológica”, explica Eliandra Fernandes, da direção nacional do MST no Espírito Santo. “Também faremos uma entrega simbólica de alimentos aos trabalhadores da Assembleia”, acrescenta, elencando itens como mandioca, fruta, abóbora, mamão, cana, abacate, banana, batata, maxixe, quiabo, limão, laranja, banana-da-terra e maracujá. As ações, enfatiza, resumem a tríade que organiza a jornada deste ano: a defesa da reforma agrária popular, a promoção da agroecologia para produção de alimentos saudáveis e a construção do Feminismo Camponês Popular como estratégia de combate ao patriarcado e o racismo. Heron Neves/Comunicação MST “As mulheres sem-terra acumularam, nesses 40 anos, um entendimento próprio de feminismo. Bebemos em várias fontes, principalmente na corrente marxista, mas hoje temos um conceito próprio, dos povos do campo, das águas e das florestas, que continua em constante elaboração”, explica a dirigente nacional. É um conceito, sublinha, que extrapola o MST. “Para além do movimento sem terra, é uma luta de todas as mulheres do campo”, afirma. “O feminismo esteve sempre muito ligado à academia, às mulheres da cidade. Mas aquela mulher que está diretamente na lavoura, no trabalho braçal, na produção, na colheita…quando sofre violências, muitas vezes isso passa despercebido. E as políticas públicas de combate à violência têm dificuldade de chegar no campo. Na Conferência Estadual das Mulheres colocamos a importância dessas políticas chegarem no campo”, pontua. “A nossa luta primeira é pelo direito ao território, pelo direito de ser assentada e poder defender o seu território, a sua comunidade, contra as ações do grande capital e do agronegócio, que quer se apropriar de tudo. Então o feminismo camponês é a luta pela natureza, pelos bens naturais, que fazem parte do território. O direito à terra, à água e ao ar, que estão sendo contaminados e apropriados. É a luta pela defesa da agroecologia. É a luta pela reforma agrária, por uma educação diferenciada no campo e o pilar maior que une a luta das trabalhadoras e trabalhadores, que é a transformação da sociedade, através do socialismo. O feminismo camponês se coloca no processo de luta de classes e de luta pela terra”. Números crescentes Em âmbito nacional, as manifestações acontecem entre quarta e sexta-feira (6 e 8), ocupando todas as grandes regiões do país, entoando as mobilizações e atos no campo e cidade. Em foco, “a denúncia das violências estruturais do sistema capitalista que afetam diretamente a vida das mulheres, por meio da instituição do patriarcado, do racismo e LGBTQI+fobia, além de protestar contra uma série de outras violações, como as desigualdades sociais, a fome e a pobreza, criadas a partir da mercantilização da vida, dos bens comuns e da natureza”, informa o MST. Segundo o movimento, “a violência vem aumentando, mobilizada principalmente, a partir da atuação de grupos de milícias rurais organizadas pelo ‘Movimento Invasão Zero”. Com dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), o MST destaca que os conflitos no campo seguem se agravando. No primeiro semestre de 2023, a CPT registrou 973 conflitos, que são motivados principalmente pela terra (791), seguidos do trabalho escravo rural (102) e conflitos pela água (80). MST “No segundo semestre de 2023, a violência no campo permaneceu aterrorizando as famílias do campo, que lamentavelmente, resultou no assassinato de três Sem Terras no Nordeste. Em 2024, o recente assassinato da Pajé Pataxó Hã Hã Hãe, na Bahia evidencia a continuidade da violência que tem ceifado os corpos-território daqueles que lutam contra a concentração de terras e a sanha do capital. Neste cenário de terror, as mulheres são particularmente afetadas, tanto pela violência do capital quanto pelo patriarcado, sofrendo impactos cotidianos, em que a face mais cruel se concentra na violação e morte daquelas que ousam existir e resistir”, acrescenta. “A realização da reforma agrária e da demarcação dos territórios indígenas são apontadas como uma questão central para enfrentar a violência estrutural no campo. E para fazer este enfrentamento, é necessário construirmos uma mobilização permanente para tecer medidas urgentes, em diálogo com a sociedade e o governo”, argumenta. Violência contra a mulher “Existe uma interconexão entre violência contra as mulheres, patriarcado, racismo e capitalismo. E afirmamos que toda violência contra mulheres é política, enraizada em relações de poder naturalizadas e perpetuadas a partir de uma matriz ideológica machista, fascista e fundamentalista-religiosa, que precisa ser combatida com urgência e em estado permanente”, assevera o MST. Citando dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o movimento salienta que, no último ano, houve um crescimento dos casos de feminicídio e de estupro, com 1,9 mil mulheres assassinadas no Brasil no primeiro semestre de 2023, o que representa um aumento de 2,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Sem surpresas, Assembleia decide revogar prisão do Capitão Assumção
Relatório de comissão especial recebeu 24 votos favoráveis e apenas quatro contrários Lucas S. Costa/Alea O deputado estadual Capitão Assumção (PL) está livre da prisão determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, dependendo agora dos trâmites burocráticos para deixar o Quartel da Polícia Militar, em Maruípe, Vitória. A maioria dos seus colegas de plenário da Assembleia Legislativa aprovou nesta quarta-feira (6), sem surpresas, o relatório da comissão especial, que defendeu a revogação da prisão. O placar fechou em 24 votos favoráveis e apenas quatro contrários, com uma abstenção, do presidente Marcelo Santos (Podemos). O relator do documento, deputado Lucas Scaramussa (Podemos), embasou sua conclusão em questões como “importância do mandato e da representatividade”; “latente falta de contemporaneidade; “ausência de flagrante denúncia”; e “garantia de direitos fundamentais”. Também citou artigos das Constituições Federal e Estadual, destacando a “imunidade prisional” de deputados e senadores. Scaramussa considerou a prisão “uma medida extrema” e afirmou que, na Assembleia, o comportamento de Assumção, “desde o início do mandato, não parece desobedecer ao Supremo”. Para completar sua argumentação, utilizou jurisprudências do próprio órgão judicial e relatorias do ministro Alexandre de Moraes em defesa da imunidade parlamentar e de habeas corpus concedidos devido a “lapsos temporais”, “ausência de fatos novos” e “constrangimento ilegal”. O deputado pontuou, ainda, que a Procuradoria-geral da República opinou pelo indeferimento da prisão e, por diversas vezes, repetiu que a votação na Assembleia não era de mérito jurídico ou pessoal e partidário, mas sim voltada “estritamente para critérios políticos”. Antes de ser aprovado em plenário, o relatório passou por unanimidade na comissão especial criada em ato publicado nessa segunda-feira (2), com votos favoráveis, além do relator, de Mazinho dos Anjos e Vandinho Leite, do PSDB; Hudson Leal (Republicanos); Danilo Bahiense (PL); Coronel Weliton (PTB); e o líder do Governo, Dary Pagung (PSB). O advogado de Assumção, Fernando Dilen, também teve direito à defesa por 15 minutos, em que se reportou ao inquérito da fake news que culminou nas medidas cautelares obrigatórias, com uso de tornozeleira eletrônica. Ele citou postagens feitas por Assumção nas redes sociais e alegou que “não se referem ao inquérito, e sim a outros assuntos”, além de pontuar palavras como “censura”, “liberdade”, “imunidade parlamentar” e “prerrogativas”. Do ponto de vista jurídico, adentrou em pontos semelhantes aos relatos por Scaramussa. Dos quatro votos contrários, dos deputados do PT, João Coser e Iriny Lopes; de Camila Valadão (Psol) e do vice-líder do Governo, Tyago Hoffmann (PSB), apenas as deputadas garantiram o contraponto aos discursos efusivos – porém de uma minoria em plenário – em direção a Assumção e ao relator Scaramussa, acompanhados de uma plateia ativa que ocupou as galerias em defesa do deputado bolsonarista, junto com lideranças do PL, como o senador Magno Malta. Lucas S. Costa/Ales Iriny refutou a falta de contemporaneidade, ao apontar que Assumção seguiu descumprindo as medidas cautelares no último ano, inclusive no dia da prisão, na última quarta-feira (28), e destacou a “imensa responsabilidade” da Assembleia e o “sério momento para a democracia brasileira”. Camila Valadão fez eco e acrescentou que a “imunidade parlamentar não nos dá o direito de confrontar as instituições e as leis” e “não é um manto protetor de crimes”. Ela considerou a decisão da Assembleia “um retrocesso nos esforços nacionais de manutenção da democracia” e destacou a repercussão e impacto da decisão no País. Durante a votação, o plenário da Assembleia ficou restrito apenas aos deputados e servidores. A medida foi justificada pelo presidente da Casa como necessária para garantir aos deputados “a liberdade e a tranquilidade necessárias para expressar seu voto, sem enfrentar qualquer forma de pressão ou constrangimento”. Assumção precisava de no mínimo 16 votos a seu favor, o que obteve com folga, como já indicavam as manifestações e mobilizações protagonizadas por parlamentares nos últimos dias, inclusive de Marcelo Santos. A decisão, agora, será enviada ao Supremo Tribunal Federal, para adoção das medidas cabíveis. É preciso que o ministro Alexandre de Moraes determine o cumprimento da decisão e a soltura do deputado, ainda sem prazo definido. Os 24 votosAcataram a revogação da prisão de Assumção os deputados do PL, Lucas Polese, Bahiense, Callegari e Zé Preto; do Republicanos, Alcântaro Flho, Bispo Alves, Hudson Leal, Pablo Muribeca e Sergio Meneguelli; do Podemos, Alexandre Xambinho, Allan Ferreira e Lucas Scaramussa; do União, Denninho Silva e Bruno Resende; do PDT, Adilson Espíndula e José Esmeraldo; do PP, Theodorico Ferraço e Raquel Lessa; do PSDB, Vandinho Leite e Mazinho dos Anjos; do PSB, Dary Pagung e Janete de Sá; e Gandini (PSD) e Coronel Weliton (PRD).
Teste de interlocução
Casagrande resolve outra questão ligada à Assembleia e anuncia Junior Abreu para a Casa Civil Hélio Filho/Secom As conversas de bastidores políticos logo encontraram uma resposta: o novo secretário-chefe da Casa Civil será Junior Abreu, até agora lotado em cargo na Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan). O anúncio foi feito pelo governador Renato Casagrande (PSB) nesta quarta-feira (6), nas redes sociais, um dia após a assinatura do ato de nomeação do ex-ocupante do cargo, Davi Diniz, como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCES). A escolha resolve outra questão ligada à Assembleia Legislativa nos últimos dias, junto com o “Caso Assumção”, que teve sua prisão revogada pelos colegas de plenário, em um nada surpreendente placar de 24 x 4. Como analisei na coluna passada, a definição de um substituto para executar a articulação entre o governo e o legislativo, na sequência da atuação de Davi Diniz, que tinha a simpatia e defesa tanto da base quanto da oposição, já colocava carga em cima do governador, sob risco de azedar uma relação consolidada. O teste de Junior Abreu, considerado um perfil semelhante ao do antecessor, começa nos próximos dias. Não demora, também, virá a repercussão. Ponto para Casagrande ou talvez? Segue…No seu anúncio, o governador destacou o “histórico de serviço prestado ao Estado” do novo secretário e disse ter “plena confiança em sua capacidade de contribuir com nossa gestão”. EstratégicaJunior Abreu chegou à gestão Casagrande em 2019, como secretário de Estado de Esportes. Antes, já tinha ocupado o cargo de diretor-presidente do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf), e também atuou em prefeituras, principalmente da Serra. É considerado, hoje, um quadro de confiança do governador, o que se evidencia nessa decisão de torná-lo responsável pela estratégica função exercida pela Casa Civil. Papel cumpridoAgora sobre Assumção…não há como negar que a escolha de Lucas Scaramussa (Podemos), um advogado criminalista, como relator da comissão especial que apresentou o parecer ao plenário, nesta quarta, foi uma boa sacada interna. Detalhista e com referências jurídicas e linguagem da área, forneceu, apesar das controvérsias do caso, o embasamento que os deputados queriam para tentar escapar de possíveis arranhões à imagem e do título de corporativistas. Eu disse tentar, viu?! Papel cumprido IIOs efeitos da decisão ainda são uma incógnita e, sim, os deputados sempre foram corporativistas, mas agora têm um relatório para decorar e fazer autodefesa do que investiram desde o início, que era tirar Assumção da prisão. Não à toa, o que mais se ouviu após a apresentação foram adjetivos como “brilhante” e “fantástico”. Sem choqueNa votação da comissão especial, que fechou placar unânime, imagem transmitida pela TV Ales mostrou a comemoração do deputado bolsonarista Callegari com o voto favorável do líder do Governo, Dary Pagung, do PSB de Casagrande. Só umAliás, o único voto destoante da bancada do PSB foi do deputado Tyago Hoffmman, que divide com Dary a função de defender o governo em plenário. Janete de Sá acompanhou Dary em favor de Assumção. AfagosEm processo de saída do PL alegando exclusão, Zé Preto fez questão de falar em plenário para exaltar Assumção e o presidente estadual do partido, senador Magno Malta, e criticar o STF. As divergências, que inclusive impediram o deputado de erguer o palanque à Prefeitura de Guarapari, por alguns minutos, ficaram bem longe, lá no passado! Dias longosJá Hudson Leal, depois da missão cumprida na Assembleia, jogou um balde de água fria, ao dizer que a decisão que será encaminhada ao Supremo pode “mofar” por lá. Citou um caso de vereador do interior que disputou eleição preso e disse que Assumção, candidato a prefeito em Vitória, pode passar pela mesma situação. Mas deixou claro que torce pelo contrário, hein?! Não resistiuPablo Muribeca (Republicanos) foi o único a destoar do assunto na sessão desta quarta. Falou de Assumção e logo iniciou mais um discurso contra o prefeito da Serra, Sergio Vidigal (PDT), novamente na área da Saúde. O vídeo da vez foi no Hospital Materno Infantil, denunciando mais de 10 horas de espera para atendimento e até um parto realizado pela própria avó. Muribeca pede intervenção no município. Nas redes“Gostaria de parabenizar Tyago Hoffmann pela coragem do seu voto em defesa da democracia, da responsabilidade e da ética. Quem descumpre decisão judicial comete crime e deve cumprir pena seja quem for, deputado não é melhor do que ninguém e jamais estará a cima da lei”. Fabricio Pancotto, presidente do PSB de Vitória. FALE COM A COLUNA: medeirosmanaira@gmail.com ‘Dia D’ – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/dia-d-1-1 Próximos capítulos Com a decisão nas mãos da Assembleia, qual a chance de Capitão Assumção não se livrar da prisão? https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/proximos-capitulos-1
‘Não existe possibilidade de Doutor Antônio ir para o Podemos’
Pré-candidato em Itapemirim, Alex Wingler demarca território contra atual prefeito O prefeito de Itapemirim, Doutor Antônio (PP), tem se articulado com figuras do Podemos a nível estadual e poderia migrar para a sigla para tentar a reeleição. Entretanto, outro pré-candidato do partido no município do litoral sul do Estado, Alex Wingler, rechaça a tentativa. “Não existe possibilidade de Antônio ir para o Podemos. Sou presidente municipal e Gilson Daniel, estadual. Não existe esse movimento. Na reunião do Podemos em Vitória, alguns dias atrás, com os pré-candidatos, nosso presidente apresentou nomes por município, e o nosso nome foi confirmado como pré-candidato em Itapemirim”, comenta Wingler, em resposta à matéria de Século Diário sobre os bastidores políticos na cidade litorânea. Alex Wingler e Doutor Antônio. Foto: Redes Sociais Uma eventual migração de Doutor Antônio para o Podemos está apenas no campo das possibilidades. Ele anunciou a pretensão de deixar o Progressistas, e tem se aproximado cada vez mais do deputado estadual Marcelo Santos (Podemos), presidente da Assembleia Legislativa. O prefeito também conta com o apoio, ainda que tímido, do governador Renato Casagrande (PSB). Mas Wingler, que é secretário municipal de Saúde em Cachoeiro de Itapemirim, também disputa o apoio de Casagrande. “Nós sempre estamos em conversa com o PSB [Partido Socialista Brasileiro] pela proximidade do Podemos, que está na base do governo Renato Casagrande, além da minha proximidade com Rodrigo Bolelli, presidente municipal do PSB em Itapemirim. Inclusive, eu sempre estive ao lado do governador por 20 anos em campanhas”, argumenta o pré-candidato. O secretário de Saúde afirma ainda que tem dialogado com outros pré-candidatos, como Paulinho da Graúna, vereador e presidente da Câmara de Itapemirim (que está migrando do PSDB para o Republicanos) e João Bechara. Quanto à Rede Sustentabilidade, confirma que não há mais diálogos atualmente. A sigla foi ocupada, recentemente, por aliados do ex-prefeito Thiago Peçanha. Mesmo tendo sido cassado do cargo de prefeito de Itapemirim pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2022, ficando inelegível por oito anos, Peçanha pretende sustentar sua candidatura até o limite final, e também tem articulado uma possível filiação ao PSB. Esses movimentos de Peçanha tem incomodado o Partido Socialismo e Liberdade (Psol), que forma uma federação junto com a Rede. O Psol tem o Professor Jésus como pré-candidato em Itapemirim, e já externou publicamente o seu descontentamento com as estratégias adotadas pela Rede a nível municipal e estadual. Outro pré-candidato a prefeito em Itapemirim é o dentista Geninho Bechara, que teve seu nome referendado em um evento do Partido Democrático Trabalhista (PDT) realizado no último dia 23 de janeiro. Novato na política, apesar de ser sobrinho do ex-prefeito Jorge Bechara, já falecido, Geninho filiou-se ao PDT em dezembro de 2023, ganhando de imediato o apoio do Solidariedade. Ele afirma que já visita comunidades e mantém contatos com outras lideranças, a fim de garantir apoios. Em 2022, o vice-prefeito da chapa cassada de Thiago Peçanha, Niltinho (PSDB), disputou as eleições suplementares, obtendo cerca de 460 votos. Concorreu ainda o prefeito interino, Zé Lima (PDT), que ficou em segundo lugar na votação, com 48,11% dos votos (12.539). Em 2020, Zé Lima havia sido eleito vereador e presidente da Câmara de Itapemirim, mas com a cassação do prefeito e do vice, assumiu as funções. Aliados de Thiago Peçanha ocupam a Rede em Itapemirim Mesmo tendo sido cassado em 2022, ex-prefeito tem colocado seu nome no mercado eleitoral https://www.seculodiario.com.br/politica/grupo-de-thiago-pecanha-ocupa-a-rede-sustentabilidade-em-itapemirim Psol de Itapemirim rejeita aproximação entre ex-prefeito e Rede Partidos formam federação a nível nacional; Thiago Peçanha foi cassado em 2022 https://www.seculodiario.com.br/politica/psol-de-itapemirim-rejeita-aproximacao-entre-ex-prefeito-e-rede-sustentabilidade PDT lança pré-candidatura no sul e diz que ‘dialoga’ com Vidigal – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/politica/pdt-lanca-pre-candidatura-no-sul-e-diz-que-dialoga-com-vidigal Alex Wingler articula aliança eleitoral com Rede e PSB em Itapemirim Psol, com quem a Rede tem federação, discorda de apoio a pré-candidato a prefeito pelo Podemos https://www.seculodiario.com.br/politica/alex-wingler-articula-alianca-eleitoral-com-rede-e-psb-em-itapemirim Presidente da Câmara de Itapemirim se articula para disputar a prefeitura Paulinho da Graúna vai mudar de partido. Diálogo avança com o ex-prefeito cassado, Thiago Peçanha https://www.seculodiario.com.br/politica/presidente-da-camara-de-itapemirim-se-articula-para-disputar-a-prefeitura
Governador assina contrato para execução de obras do Centro da Perícia
Peritos acham importante a construção do prédio, mas defendem que deve vir acompanhada de valorização salarial Foi assinado nesta quarta-feira (6), pelo governador Renato Casagrande (PSB), o contrato para a realização dos projetos e execução das obras do Centro Integrado de Perícia Técnico-Científica (CIPTC), a ser construído no município de Cariacica. O prédio abrigará todas as atividades periciais: Institutos de Criminalística, de Identificação, de Laboratórios de Análises Forenses e Médico-Legal, além de Gabinetes e Área Administrativa (ADM) da Polícia Científica do Espírito Santo. A obra terá um investimento de R$ 88,4 milhões, com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e faz parte do Programa Estado Presente: Segurança Cidadã no Espírito Santo. O novo Centro de Perícias será implantado em uma área de mais de 8,5 mil m² doada pela Prefeitura de Cariacica, na Avenida Mário Gurgel, no bairro Alto Laje, às margens da BR-262. A contratação prevê que a empresa responsável desenvolva todos os projetos, do básico ao executivo, e, posteriormente, a execução da obra no prazo de 24 meses após a assinatura da Ordem de Serviço. Portanto, a previsão é que o prédio estará pronto no início de 2026. Estiveram presentes na assinatura do contrato, o governador; o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB); o secretário estadual de Segurança Pública, Eugênio Ricas; e o perito oficial geral, Carlos Alberto Dalcin. Hélio Filho/Secom “A construção do Centro Integrado é um marco importante para o Espírito Santo. Vamos dar à Polícia Científica condições para reduzir a criminalidade, mostrando para quem comete crimes que ele será alcançado. Gostaria de agradecer a Prefeitura de Cariacica pela doação do terreno para este que será mais um equipamento público a serviço da sociedade a ser instalado no município”, afirmou Casagrande. O presidente do Sindicato dos Peritos do Espírito Santo (Sindiperitos), Tadeu Nicoletti, defende que a construção do prédio é importante, mas tem que ter valorização salarial para a categoria. “Construir um prédio para tornar a Perícia capixaba referência nacional tem que vir acompanhado da valorização dos peritos, que estão com o pior salário do país. Não adianta uma sede com todo esse porte e os peritos recebendo um salário pífio em relação ao serviço que presta”, aponta. A desvalorização salarial é uma das maiores reclamações da categoria. Por isso, na primeira quinzena de fevereiro, o sindicato encaminhou ofício ao secretário estadual de Segurança solicitando uma reunião com o gestor para tratar do estatuto e da tabela de subsídios da categoria. A ideia é de que, após o diálogo, seja feita uma assembleia com os trabalhadores para socializar o que foi discutido e traçar deliberações, que, dependendo da situação, podem ser de realização de manifestações e paralisações. No entanto, o Sindiperitos ainda não obteve resposta. A construção do Centro Integrado da Perícia Técnica e Científica também é uma reivindicação antiga dos peritos. O edital para construção do prédio foi lançado em setembro, no Salão São Tiago, no Palácio Anchieta. Na ocasião, os peritos afirmaram que o lançamento significava um avanço para a independência da Polícia Científica, pois possibilitaria que ela saísse das dependências da Polícia Civil para ter um local próprio. Tadeu destacou, ainda, que a centralização dos departamentos em um único espaço facilitará o acesso do cidadão. Governo do Estado lança edital para construção da sede da Perícia Tadeu Nicoletti, do Sindiperitos, destaca que obra vai garantir mais autonomia para a categoria https://www.seculodiario.com.br/seguranca/governo-do-estado-lanca-edital-para-construcao-da-sede-da-pericia
Venezuelanos da etnia Warao se abrigam na ocupação Chico Prego
Grupo chegou em Vitória nessa segunda e foi encaminhado para a ocupação pelo Movimento de Moradia A ocupação Chico Prego, no prédio da antiga escola São Vicente de Paula, no Centro de Vitória, agora não conta somente com 35 pessoas. A esse grupo se juntaram mais 24, que são os venezuelanos da etnia Warao, os mesmos que chegaram em Vitória no ano de 2022 e passaram cinco meses na Capital. Eles foram conduzidos para a ocupação pelo Movimento Nacional de Luta Pela Moradia (MNLM), nessa terça-feira (5). Elaine Dal Gobbo Contudo, ao contrário do que aconteceu naquela época, não foram colocados em um ônibus e deixados na Rodoviária de Vitória, pois vieram por conta própria, chegando a esse local na manhã dessa segunda-feira (4). Apesar disso, seu retorno é marcado, sim, por um histórico de negligência de diversas administrações por onde passaram. Quem relata é Ruben, uma das lideranças do grupo. Ao chegar à ocupação, Século Diário logo o avistou em meio ao grande grupo que ali estava e o reconheceu. Ao se aproximar dele, é perceptível que, apesar da trajetória de discriminação e exclusão vivida no Brasil, eles já assimilaram parte da nossa cultura. Aquele Ruben já não era mais o mesmo de 2022, cuja fala não era tão compreensível. O de agora fala um português claro, o que possibilitou sentar ao seu lado para uma breve e esclarecedora conversa. Elaine Dal Gobbo Ruben relatou que, ao partir de Vitória, seu grupo foi para Belo Horizonte, Minas Gerais. Lá, afirma, tem um abrigo que barca somente venezuelanos da etnia Warao, com, inclusive, alimentação adequada a essa cultura, mas não conseguiram vaga lá e em nenhum outro. A solução, relata, foi esmolar nas ruas para pagar aluguel em uma casa de cinco cômodos, onde as 24 pessoas de sua família moravam. Isso foi no ano de 2023. Contudo, não foi possível continuar pagando o aluguel com o dinheiro arrecadado. Por isso, resolveram voltar para Vitória. Assim que que chegaram na Capital, informa Ruben, a Assistência Social da prefeitura foi ao encontro deles na Rodoviária. O grupo foi levado para um abrigo ali perto. Entretanto, Ruben não sabe informar se de fato foi para um abrigo ou para o Centro Pop, que fica ali próximo e para onde foram levados quando chegaram em Vitória em 2022. Ao chegar ao local, foram informados de que ali seria algo temporário. Além disso, relata, foi dito que tomassem muito cuidado, pois o local é perigoso, principalmente para as crianças. Segundo Ruben, eles foram, inclusive, aconselhados a não deixá-las ir ao banheiro sozinhas. A fala da assistência social causou medo nos Warao, que resolveram voltar para a Rodoviária, de onde saíram para a ocupação Chico Prego. ‘São nossos companheiros de luta’ A iniciativa de levar o grupo para a ocupação foi do próprio MNLM. De acordo com uma das militantes do Movimento, Lorrana Bernardes Bastos, eles foram até a Rodoviária e fizeram a proposta para os Warao, que aceitaram e agora estão alojados na quadra da escola São Vicente de Paula. “A gente compreende que assim como estamos na luta pelo direito à moradia, essa é uma demanda que eles também têm. Os Warao também sofrem com o déficit habitacional, são nossos companheiros de luta”, diz. Elaine Dal Gobbo Moradia é exatamente uma das demandas do grupo, juntamente com matrícula para as crianças na escola e trabalho para os adultos. Ruben conta que, na Venezuela, se dedicavam à agricultura. As mulheres também fazem artesanato. Ele relata que saíram de seu país de origem por causa do alto custo de vida e que, com a morte do presidente Hugo Chavez e posse de Nícolas Maduro, o preço dos alimentos e dos materiais para o trabalho agrícola aumentou muito, tornando-se difícil comprar e vender alimentos. Quanto ao porquê de escolher Vitória como novo destino após não conseguirem acessar políticas públicas para refugiados em Belo Horizonte, Ruben afirma que a cidade tem aspectos semelhantes com a cultura dos Warao, como a utilização de frutos do mar na alimentação. “A cultura nossa, a comida nossa, aqui tem tudo, tem peixe, tem caranguejo”, destaca. Das 35 pessoas que havia na ocupação Chico Prego, 12 são crianças. Entre os 24 Warao, o número de crianças é 14. Portanto, hoje são 26 crianças e 33 adultos. A ocupação aceita doações de colchão, roupas de cama, roupas de banho e fraldas, que podem ser entregues no São Vicente de Paula. Histórico Os Warao que se encontram na ocupação chegaram pela primeira vez em Vitória em agosto de 2022, deixados na Rodoviária, trazidos por um ônibus da Prefeitura de Teixeira de Freitas, sul da Bahia. Inicialmente, foram levadas para o Centro Pop, mas depois, encaminhados para a Unidade de Inclusão Produtiva de São Pedro, conhecida popularmente como Casa Azul. Entretanto, o espaço não comportava adequadamente o grupo, que com a chegada de outro, também vindo de Teixeira de Freitas, aumentou. Além disso, com as fortes chuvas de novembro daquele ano, teve enchente no imóvel onde estavam. Por isso, eles resolveram sair de lá e ir para Belo Horizonte. Antes disso, a solução encontrada pela gestão de Lorenzo Pazolini (Republicanos) foi abrigá-los na extinta Escola Estadual de Ensino Fundamental (EEEF) Maria Ericina Santos, no bairro Santa Clara, em Vitória, embora isso não tenha sido informado aos Warao e à comunidade, que, na ocasião, afirmou não ter sido procurada para dialogar sobre a questão. Comunidade quer diálogo sobre transformação de escola em abrigo para venezuelanos Moradores do bairro Santa Clara afirmam que não foram procurados pelo poder público para tratar do assunto https://www.seculodiario.com.br/direitos/comunidade-quer-dialogo-sobre-transformacao-de-escola-em-abrigo-para-venezuelanos Gestão de Pazolini quer levar venezuelanos de volta para a Bahia, diz cacique Rubem informou que foi oferecido ônibus para levar a tribo para o sul da Bahia, onde se juntaria a uma etnia diferente https://www.seculodiario.com.br/direitos/gestao-de-lorenzo-pazolini-quer-levar-venezuelanos-de-volta-para-a-bahia-diz-cacique Venezuelanos que estavam em Vitória se mudam para Belo Horizonte Grupo com 21 pessoas tomou a decisão por vontade própria, pois achava abrigo disponibilizado pela prefeitura pequeno https://www.seculodiario.com.br/direitos/venezuelanos-que-estavam-em-vitoria-se-mudam-para-belo-horizonte
Como proteger a abelha nativa do ES e livrá-la do risco de extinção?
Cientistas e meliponicultores se unem para criar metodologia de reintrodução da Melipona capixaba na natureza Divulgação Cientistas, meliponicultores e servidores de instituições públicas do Espírito Santo e Minas Gerais estão unidas em um projeto de pesquisa científica para estudar a área de ocorrência, variabilidade genética, saúde, alimentação e impactos da poluição ambiental que incidem sobre a Uruçu capixaba (Melipona capixaba), para criar uma metodologia que permita reintroduzi-la na natureza e afastá-la do risco de extinção que está submetida atualmente. O projeto “Uruçu Capixaba: uma estratégia multidisciplinar para conservar a abelha do Espírito Santo” foi selecionado pelo Fundo Nacional de Biodiversidade (Funbio). O objetivo central é “entender a atual distribuição geográfica e a variabilidade genética da Melipona capixaba, considerando a região afetada pelos rejeitos de lama na Bacia do Rio Doce, a fim de desenvolver ações para a preservação da espécie”. Serão três anos de atuação, nos seguintes municípios: Afonso Cláudio, Águia Branca, Alegre, Brejetuba, Castelo, Colatina, Domingos Martins, Ibitirama, Itaguaçu, Itarana, Pancas, Santa Maria de Jetibá, Santa Teresa, Vargem Alta e Venda Nova do Imigrante. As atividades são organizadas a partir de seis objetivos específicos: reavaliar a área de distribuição da espécie no Estado; revisar as principais coleções científicas do Brasil quanto a presença de registros da uruçu capixaba; avaliar os efeitos de poluentes sobre a biologia da espécie e sobre os produtos de seus ninhos (mel, pólen, geopropolis); avaliar a estrutura genética das populações amostradas; criar um programa de reintrodução da espécie em áreas protegidas localizadas em sua área de ocorrência natural; e desenvolver ações de educação ambiental de apoio à conservação da espécie. A coordenação no Espírito Santo está a cargo do professor da Universidade Federal do Estado (Ufes) de São Mateus Vander Calmon Tosta e a coordenação mineira, com o professor Gustavo Martins, da UFV. O coordenador capixaba ressalta que o intuito é criar uma rede colaborativa entre as diversas entidades científicas tecnológicas capixabas e mineiras, que possa continuar promovendo a conservação da Melipona capixaba e avaliar os efeitos dos rejeitos contidos na lama que atingiu a bacia do Rio Doce sobre a espécie, em decorrência do crime da Samarco/Vale-BHP. A reintrodução da abelha nativa capixaba na natureza, ampliando sua área de ocorrência atual, está prevista para acontecer no terceiro e último ano do projeto. “O professor Gustavo Martins tem ressaltado que essa é uma iniciativa pioneira no mundo: fazer a reintrodução de abelhas em áreas de preservação da natureza. Para isso, vamos conversar com gestores dos parques, como Pedra Azul, Forno Grande, Mata das Flores, Goiapaba-açú e Reserva Augusto Ruschi”, explana Vander. O objetivo é selecionar duas unidades de conservação para fazer a reintrodução. Tudo isso com a participação essencial dos meliponicultores. A iniciativa precisa acontecer ao final do projeto, pois dependerá das ações e dados levantados nas fases anteriores. “Além da identificação de ninhos, pretendemos realizar análises sobre as características ambientais que são importantes para o estabelecimento e manutenção da espécie em determinada área geográfica e como o rompimento da barragem interferiu sobre essas características. Como as abelhas sem ferrão utilizam recursos hídricos para a manutenção das colônias, a presença e quantidade dos rejeitos liberados podem ter afetado direta ou indiretamente suas populações”, enfatiza. Vander acrescenta que, neste contexto, a expectativa é avaliar os impactos causados pelos poluentes da barragem no desenvolvimento, morfologia externa, microbiota intestinal e comportamento da espécie. “Analisar os efeitos destes resíduos sobre a biologia das colônias de Melipona capixaba é importante na tomada de decisões sobre a conservação e recuperação de suas populações”, explicam os pesquisadores, no material institucional do projeto. “Pretendemos avaliar também os impactos destes resíduos nos produtos obtidos de ninhos (geoprópolis, cera, mel e pólen) localizados em regiões atingidas e não atingidas pelos rejeitos de lama. As abelhas podem entrar em contato com poluentes ao coletarem recursos na natureza, como pólen, néctar e matéria-prima para a construção dos ninhos. Neste sentido, larvas podem ser intoxicadas ao ingerirem pólen e néctar contaminados ou terem contato físico com partes do ninho contaminado. Estas vias de contaminação por xenobióticos são uma das responsáveis pelo declínio de abelhas nas últimas décadas”, pontuam. O projeto é gerido pela Fundação Espírito-Santense de Tecnologia (Fest) da Ufes, com apoio da Universidade Federal de Viçosa (UFV); do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes); de autarquias estaduais, como os instituto estaduais de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) e de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper); de órgãos federais, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa); e entidades da sociedade civil, como a Associação de Meliponicultores do Espírito Santo (AME-ES) e o Instituto Abelhas Nativas (IAN). União dos setores O trabalho em conjunto de meliponicultores, servidores públicos, pesquisadores e cientistas é um caminho promissor para proteger as abelhas nativas sem ferrão do Espírito Santo, no Brasil e no mundo, como bem destacou o doutor Carlos Gustavo Nunes da Silva, cientista e consultor do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), integrante da equipe do projeto Global bee. “A meliponicultura faz a reposição das espécies na natureza e promove o intercâmbio genéticos entre os grupos e espécies, todo um trabalho de diversificação do plantel de abelhas entre as espécies do mesmo bioma. As abelhas entre Domingos Martins e Alegre, por exemplo, na região das montanhas capixabas. Se as matas estivessem interligadas, um dia, naturalmente, elas se encontrariam e se beneficiariam dessa biodiversidade de uma e outa. Hoje a degradação ambiental não permite. Os meliponicultores é que fazem esse trabalho (…) Concordo muito com a ciência feita com o produtor. Com a ciência e os produtores unidos, todos saem ganhando”, expôs, em dezembro passado, ao divulgar os dados já levantados pelo projeto e as parcerias estabelecidas no Espírito Santo. Meliponicultura tem salvado espécies do risco de extinção, observa cientista Carlos Gustavo visitou criadores no ES para estudo internacional, com base na Suíça, sobre microbiota intestinal https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/meliponicultura-tem-salvado-especies-do-risco-de-extincao-observa-cientista Entidades alertam sobre riscos da mercantilização da meliponicultura Normas federal e capixaba ameaçam espécies nativas e práticas seculares de povos tradicionais, explica petição https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/coligacao-nacional-alerta-sobre-riscos-da-mercantilizacao-da-meliponicultura
Jornalista e escritora reflete sobre universo feminino em ‘Agridoce’
Elaine Dal Gobbo lançará livro de crônicas em Vitória, no Dia Internacional da Mulher Divulgação “O patriarcado, a divisão sexual do trabalho, nos tiram muita coisa, principalmente das mulheres periféricas. Aquelas mulheres, ao se dirigirem diretamente à seção de livros infantis, inclusive buscando exemplares com mais ou menos ilustrações ou textos para adequar ao grau de formação de seus pequenos, pois alguns, de tão pequenos, ainda nem frequentavam a escola, mostraram ali que queriam construir uma trajetória diferente, um futuro diferente para suas crianças, diferente do delas.” Esse é um trecho da crônica Livros e marmitas”, de Elaine Dal Gobbo. O texto surgiu de reflexões após uma experiência na Cozinha Solidária do bairro Itararé, em Vitória, em 2021, numa ação para distribuição de marmitas e livros a pessoas em situação de vulnerabilidade social. Percebendo que as mulheres privilegiavam a seção infantojuvenil, Elaine se aproximou, e elas contaram que estavam escolhendo obras para seus filhos e netos, sendo que algumas relataram que eram analfabetas. A crônica está entre os 22 textos inéditos presentes no livro Agridoce, que Elaine Dal Gobbo lançará, pela Editora Maré, nesta sexta-feira (8), no Dia Internacional da Mulher, no Espaço Cultural Thelema, no Centro de Vitória, a partir das 19h30. Na ocasião, além da comercialização da obra, haverá um bate-papo com a autora e uma apresentação musical da sambista Elaine Augusta. Em Agridoce, Elaine, que é repórter de Século Diário, centra seu foco no universo feminino. A autora aborda temas duros, como violência doméstica, gordofobia, desvalorização do trabalho feminino e os papéis impostos às mulheres na sociedade patriarcal. Entretanto, nem tudo é aspereza. A sororidade – ou seja, a cooperação, o acolhimento entre as mulheres – também está nas páginas do livro, no qual a autora homenageia algumas figuras femininas que marcaram a sua vida, como professoras, avós e amigas. Por isso o livro se chama Agridoce, pois aborda não somente as opressões vividas pelas mulheres na sociedade patriarcal, mas também como elas se fortalecem juntas, possibilitando umas às outras boas lembranças e aprendizados. A tendência é que a obra gere mais identificação no público feminino, mas a intenção é também alcançar os homens, que têm seu lugar na desconstrução do machismo. Divulgação “Eu escrevo normalmente quando algo fica ali, por muito tempo, ocupando meus pensamentos. Aí, escrevo para botar para fora. Desde bem pequena, me via cercada de vários pensamentos, reflexões e críticas sobre como é ser mulher na sociedade tão machista em que a gente vive”, afirma Elaine. “Diante de tantas inquietações, era natural que surgissem vários textos. Quando me dei conta, vi que tinha um número considerável para publicar em um livro com a temática feminista. Mas tenho ainda muitos questionamentos nesse sentido que não foram colocados no papel”, completa a autora. Antes de Agridoce, Elaine já havia lançado Trânsitos de Alma, livro de crônicas de viagem divulgado na época da ação na Cozinha Solidária de Itararé. Junto a outros autores, ela também contribuiu com a organização de Sobre jovens e adultos, com textos de uma oficina para uma turma de jovens e adultos de Cariacica; Debaixo do pé de manga, com escritos de usuários do Centro POP de Cariacica; e Um lugar de (e que) fala, fruto de uma oficina com mulheres do sistema prisional. Para elaboração de Agridoce, contemplado em edital da Secretaria de Estado da Cultura (Secult-ES), Elaine contou com um time de colaboradoras totalmente feminino. A ilustração da capa é de Laissa Gamaro, e o livro tem prefácio da atriz e poeta Suely Bispo. O evento de lançamento, além da apresentação musical de Elaine Augusta, contará com produção de Thalia Peçanha. Serviço: Lançamento do livro Agridoce, de Elaine Dal Gobbo Quando: sexta-feira (8), 19h30 Onde: Espaço Cultural Thelema (Rua Graciano Neves, 90 – Centro, Vitória) Entrada: gratuita Valor do livro: R$ 30 Comercialização da obra no lançamento, por telefone (27 99977-4521) ou e e-mail (elaine.jornalista@yahoo.com.br).
O que as mulheres capixabas preparam para o 8 de março
Hellen Guimarães, Leilany Moreira e Edna Calabrez falam das lutas e conquistas e das atuais políticas públicas no Estado Na semana do Dia Internacional da Mulher, a Entrevista do Século recebe três convidadas para falar sobre a luta das mulheres capixabas ao longo das últimas décadas e dos preparativos para a organização do 8 de março em Vitória e no interior do Estado. As convidadas são Edna Calabrez Martins, do Fórum de Mulheres do Espírito Santo; Hellen Guimarães, do Movimento de Mulheres Olga Benario; e Leilany Moreira, do Coletivo Dona Astrogilda de Aracruz, do Círculo Palmarino e da Frente pela Legalização do Aborto. Elas falam sobre a trajetória do fórum capixaba; do posicionamento conservador de parte das mulheres; das diferenças dentro do feminismo e da concepção do feminismo popular; das pautas levadas às ruas neste ano no 8M; e de como andam as políticas públicas para as mulheres no Espírito Santo. —- * Inscreva-se no canal do Século Diário no YouTube e ative o sininho para acompanhar as novidades. ** Se quiser ouvir este e outros programas em podcast, siga os canais do Século Diário no Spotify e Google Podcasts.
‘Dia D’
Ales tem sessão “vapt-vupt” em semana decisiva para Assumção e Esmeraldo levanta outro tema: quem será o novo secretário-articulador? Leonardo Sá Vinte minutos. Foi o tempo que durou a sessão da Assembleia Legislativa nesta terça-feira (5), em meio à semana programada para definir o destino do deputado estadual Capitão Assumção (PL), preso desde a última quarta-feira (28), por descumprir medidas cautelares impostas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, no inquérito das fake news. Como os colegas de plenário têm pressa, e o presidente da Casa, Marcelo Santos (Podemos), também, todos se debruçam sobre o relatório da comissão especial que será submetido à votação. Lembrete: a última sessão ordinária é nesta quarta-feira (6), pela manhã, e não será híbrida desta vez, como já anunciado. Tudo indica, portanto, que será o “Dia D” para Assumção. Promete, hein?! Próxima questão Outro assunto dos bastidores também já foi levantado, ainda nessa segunda-feira (4), por José Esmeraldo (PDT), logo após a confirmação do secretário-chefe da Casa Civil, Davi Diniz, como o novo conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCES). Quem será o substituto na função responsável pela articulação com a Assembleia Legislativa? Próxima questão IIAo exaltar Davi, o deputado disse que Casagrande vai ter que pensar muito em relação ao substituto, para não colocar um secretário faz de conta, como tem em setores do Governo do Estado”. Nem tantoDavi Diniz, como se sabe, transitava bem entre os parlamentares, inclusive de oposição. Desta forma, sempre fugiu das pesadas críticas que por vezes eram direcionadas ao secretariado de Renato Casagrande (PSB) em plenário. O governador tem um quadro com o mesmo perfil? A escolha pode ser simples, mas nem tanto! OficialCasagrande, aliás, já assinou, na tarde desta terça, a nomeação do novo conselheiro, em encontro que contou com a presença do presidente da Corte de Contas, Domingos Taufner, e Marcelo Santos. “Expresso minha gratidão pelo tempo dedicado à Secretaria da Casa Civil. Desejo-lhe todo sucesso em sua nova jornada!”, exaltou nas redes sociais. Cartadas Até que o caso Assumção se desenrole, os bolsonaristas seguem mobilizados em reuniões e nas redes sociais, em protesto contra a “prisão arbitrária”, como têm propagado. Tem camisa pronta; e vídeos de visitas ao Quartel da Polícia Militar, onde o deputado está, de ato no gabinete com orações e de movimento de direita, de conversa com Marcelo Santos, e por aí vai… Cartadas IIQuem também entrou em cena foi o ex-secretário de Segurança Pública, coronel Alexandre Ramalho, que articula sua candidatura à Prefeitura de Vila Velha, e passou a divulgar posição mais incisiva na direção do ex-presidente Jair Bolsonaro e do PL. Na publicação, ele marcou o deputado Gilvan da Federal e prestou “solidariedade pela injusta prisão”. Ainda emendou: “Esse país com tantos criminosos soltos e nós temos que presenciar o cercamento da liberdade de um Parlamentar. Força e Honra!”. AcenosA trinca em torno do seu nome, vale lembrar, tem o Republicanos, o PL e o PP. O Republicanos aparecia como a legenda mais cotada para receber a filiação de Ramalho, que deixou o Podemos. A contar pelos últimos dias, porém, o coronel está mais para PL do que qualquer outra coisa. MetasO ex-deputado Sergio Majeski se filia ao PDT nesta quarta-feira, em evento na Câmara de Vitória, para erguer o tão esperado palanque à prefeitura. Estarão por lá lideranças e os pré-candidatos da chapa de vereadores. O partido pretende fazer duas cadeiras no legislativo, na meta de se fortalecer e garantir renovação na Capital. Veremos! Nas redes“Recebi hoje [terça, 5] com emoção a notícia de que o ex-vereador de Vitória finalmente virou réu em denúncia ofertada pelo Ministério Público Estadual por violência política de gênero e injúria racial (…) Foram dois anos de agressões cotidianas no exercício das minhas atividades parlamentares, na Câmara Municipal de Vitória, por esse sujeito (…)”. Camila Valadão, deputada estadual pelo Psol, em referência a Gilvan da Federal. FALE COM A COLUNA: medeirosmanaira@gmail.com Próximos capítulos Com a decisão nas mãos da Assembleia, qual a chance de Capitão Assumção não se livrar da prisão? https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/proximos-capitulos-1