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Século Diário

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Justiça declara nulo decreto que permitia a contratação de temporários na educação

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O juiz da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual, Gustavo Marçal da Silva e Silva, declarou a nulidade do Decreto-Lei nº 7.018-E de 1997, que autorizava a contratação temporária de pessoal para apoio às escolas da rede estadual. A decisão é resultado de uma ação popular movida pelo sindicalista Levi Guilherme que tramitou por quase 16 anos até um pronunciamento da Justiça. Na decisão publicada nessa quinta-feira (24), o magistrado condenou a prática da contratação dos profissionais sem a realização de concurso público, porém, o mesmo expediente continua sendo adotado nas administrações estaduais seguintes, inclusive, na área da educação. Na sentença assinada nessa segunda-feira (21), o juiz reconheceu a ilegalidade da contratação de profissionais para os serviços de limpeza e secretaria escolar, que foram realizadas através do decreto no governo Vitor Buaiz – que também figurou no processo. Gustavo Marçal avaliou que as contratações não poderiam ter sido enquadradas nas exceções previstas na Constituição Federal, que determina a investidura em cargo ou emprego público mediante aprovação em concurso público. “No que interessa ao deslinde da presente demanda, [a Constituição] autorizou, em cunho excepcional, a possibilidade de contratação de servidores públicos, sem concurso, mediante o preenchimento de quatro pressupostos inafastáveis, que são: previsão em lei, contratação por tempo determinado, necessidade temporária e excepcional interesse público. […] Entretanto, analisando detidamente a contratação proveniente do decreto-lei, observa-se que o requisito não foi preenchido, na medida em que os cargos ocupados pelos contratados não são de natureza temporária, pelo contrário, estão no campo dos serviços permanentes”, diz a decisão. Na época, a administração alegou o rompimento do contrato com a antiga prestadora desses serviços. Contudo, o juiz avaliou que “não houve regular e prévia demonstração, em processo administrativo, do excepcional interesse público caracterizado pela necessidade de imediato atendimento das funções nas escolas da rede estadual, que estivesse a impossibilitar, ao menos, a formalização de um processo, ainda que simplificado, de seleção, em cunho a atender, minimamente, aos princípios da impessoalidade e do livre acesso aos cargos e funções públicas”. O juiz Gustavo Marçal também afastou a tese de excepcionalidade causado pelo rompimento do contrato com a antiga prestadora dos serviços. Para Gustavo Marçal, o governo estadual à época não tomou providências em relação à deflagração de um concurso público. Ele menciona o fato do quantitativo de contratações ter reforçado que o expediente não foi meramente pontual: “Na realidade, pelas tabelas do Anexo 01, denota-se que foram contratadas 3.706 pessoas, o que demonstra, ainda mais, a necessidade dos serviços”. Nos autos do processo, o sindicalista também pediu a condenação do ex-governador e do ex-secretário de Educação à época, Robson Neves, ao ressarcimento do suposto prejuízo ao erário com as contratações. Entretanto, o juiz rejeitou esse pedido sob alegação de que a medida seria inviável pela impossibilidade de medir a prestação dos serviços pelos contratos. “De sorte que eventual condenação nesses moldes poderia caracterizar enriquecimento ilícito pela Administração Pública Estadual”, considerou. Para o juiz, “tanto a ilegalidade quanto à lesividade encontram-se presentes, ainda que esta última de maneira presumida, haja vista haver o decreto afrontado as disposições constitucionais e também por causar prejuízos de ordem moral à administração pública estadual, que arcou, por tempos, indevidamente, com o pagamento de remunerações geradas pela contratação temporária irregular”. Na decisão, o ex-governador e o ex-secretário foram condenados ao pagamento das custas processuais remanescentes, de forma pro rata (rateada), assim como dos honorários advocatícios, que foram arbitrados em R$ 1 mil. A decisão ainda cabe recurso por parte dos réus. Um Estado de temporários O posicionamento da Justiça estadual sobre a contratação de profissionais temporárias na administração pública pode inaugurar um debate até hoje esquecido. O tema é alvo de críticas por sindicatos de classe e especialistas do setor. Da mesma forma do que ocorreu no governo Vitor Buaiz, os sucessores José Ignácio Ferreira, Paulo Hartung (PMDB) e o atual governador Renato Casagrande também fazem o uso dos chamados DTs. No entanto, o assunto não rendeu ações judiciais contra os ex-administradores estaduais. Pelo contrário, a utilização deste tipo de profissionais criou uma situação, onde quase metade do funcionalismo pública era formada por temporários. De acordo com dados da Secretaria estadual de Gestão e Recursos Humanos, divulgados em publicação do Sindicato dos Servidores Públicos Estaduais (Sindipúblicos), os servidores temporários e comissionados (de provimento em cargos de comissão, também sem a aprovação em concurso) respondiam por 42,6% do funcionalismo estadual, em novembro de 2010. Naquela oportunidade, no final do governo Paulo Hartung, dos 56.786 servidores ativos do Estado, os efetivos representavam um contingente de 28.267 pessoas, contra 20.792 temporários e 3.439 comissionados. O levantamento mostrou que apenas sete entre as 25 secretarias estaduais o número de efetivos superava o de comissionados e DTs. Na própria Secretaria de Educação (Sedu), o número de profissionais terceirizados era mais de 50% maior do que o número de efetivos – 14.825 DTs contra 9.447 servidores concursados. Esse patamar de servidores em designação temporária é quatro vezes maior do que aquele baseado no decreto-lei, considerado agora como ilegal pela Justiça estadual; A utilização dos servidores temporários não é exclusiva do governo passado, a atual administração também faz o uso dos DTs. Enquanto o ex-governador Paulo Hartung fechou os oito anos de governo com a presença de 20.335 DTs – de acordo com dados de dezembro de 2010 –, o governo Renato Casagrande empregava 20.557 servidores (dados de julho 2011) na mesma relação empregatícia com o Estado.

26/10/2013 / 0 Comments
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CNJ cobra remessa de informações sobre grampos no Espírito Santo

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A Corregedoria Nacional de Justiça, órgão ligado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), está cobrando dos juízes estaduais à remessa de informações sobre interceptações telefônicas realizadas no Espírito Santo. A medida foi comunicada pelo corregedor-geral de Justiça capixaba, desembargador Carlos Henrique Rios do Amaral, que reforçou a necessidade da remessa das informações sobre o número de procedimentos e os números dos telefones interceptados. De acordo com o ato publicado no Diário da Justiça, os dados vão abastecer o Sistema Nacional de Controle de Interceptações Telefônicas, criado pelo órgão de controle, com o objetivo de concentrar os dados estatísticos sobre os grampos legais. O sistema prevê que todos os pedidos recebidos e interceptações feitas com autorização judicial devem ser encaminhados ao Conselho para garantir a veracidade dos procedimentos. Em ofício enviado ao Tribunal de Justiça do Estado (TJES), o juiz auxiliar da Corregedoria Nacional, Erivaldo Ribeiro dos Santos, comunicou sobre a desnecessidade da inclusão de informações específicas, bem como as cópias das decisões proferidas que autorizaram os grampos legais. “Ratifique-se, contudo, a obrigatoriedade de as informações mensais gerais do juízo serem prestadas diretamente no Sistema”, diz o texto. Segundo o CNJ, o objetivo do sistema é possibilitar ao magistrado as condições de decidir com maior independência e segurança em relação aos pedidos de interceptação em investigações criminais: “As informações, sistematizadas pelo Conselho, permitem a coleta de dados estatísticos sobre o assunto, ao mesmo tempo o sistema delimita o parâmetros sobre o que é interceptação legal e os limites da ilegalidade”. Em setembro de 2008, o plenário do Conselho aprovou a Resolução Nº 59, que disciplinou e uniformizou as rotinas visando ao aperfeiçoamento do procedimento de interceptação de comunicações telefônicas e de sistemas de informática (computadores) e telemática (e-mails e outros tipos de comunicação eletrônica) nos órgãos do Poder Judiciário.

26/10/2013 / 0 Comments
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Imóveis da prefeitura serão fiscalizados por Controladoria Geral do Município (CGM)

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Os imóveis da administração municipal passarão por vistoria para levantamento das adequações necessárias para emissão de alvará e outros documentos. O objetivo, segundo a Prefeitura de Vitória, é levantar a existência de documentos que garantam a regularização dos imóveis junto aos órgãos competentes.    O levantamento, que será feito pela Controladoria Geral do Município (CGM), deve ser finalizado em 15 dias. O diagnóstico será feito a partir de documentos como alvará do Corpo de Bombeiros, certificado de conclusão da obra e alvará de funcionamento. De acordo com a Controladoria, será elaborado um plano de ação, onde estarão sistematizadas todas as atividades para regularização dos imóveis.    No caso de imóveis em situação irregular, a administração informou que será definido um servidor responsável e um prazo limite para a regularização.    Participam da ação o Corpo de Bombeiros para levantamento das adequações necessárias nos imóveis para emissão do alvará. Outra atividade será baseada na instituição de uma força-tarefa composta por servidores para vistoriar todos os imóveis e identificar as pendências para emissão do alvará de funcionamento.   Os prédios mais utilizados pela prefeitura serão priorizados e um auditor da CGM acompanhará a execução do plano e apresentará um relatório mensal sobre a evolução dos trabalhos. A regularização ficará sob a responsabilidade da secretaria responsável pelo imóvel.

26/10/2013 / 0 Comments
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Audiência pede recursos para enfrentamento da violência contra a mulher em Vila Velha

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A audiência pública realizada na Câmara Municipal de Vila Velha (CMVV) que discutiu a violência contra a mulher no município, na última quarta-feira (23), apontou a necessidade de recursos para que políticas públicas de combate à violência contra a mulher sejam efetivadas. A audiência foi proposta pelo vereador Zé Nilton (PT), que também é presidente da Comissão de Defesa e Proteção dos Direitos da Mulher na Câmara Municipal.    Participaram da audiência a coordenadora de Políticas para as Mulheres de Vila Velha, Derlimar Avancini; a integrante do Fórum de Mulheres do Espírito Santo, Ana Lúcia Conceição; a presidente do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher de Vila Velha, Paula Murad; a presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Mulher do Estado, Edna Martins; e a representante da senadora Ana Rita (PT-ES), Tereza Roza.     Derlimar Avancini apontou que ainda não há um Plano de Políticas para as Mulheres estruturado no município e as políticas desenvolvidas até então são fragmentadas e pontuais. O Centro de Referência Especializado no Atendimento a Mulheres Vítimas de Violência Doméstica de Vila Velha (CRAM-Vive), por exemplo, existe desde 2006 apenas de maneira informal, não há legislação que regulamente o funcionamento.    Ela ressaltou que a prefeitura está elaborando o I Plano Municipal de Políticas para as Mulheres, baseada nas deliberações das conferências que deram origem ao Plano Nacional e à Política Nacional de Políticas para as Mulheres.   Ana Lúcia Conceição destacou a importância de garantir recursos para a efetivação das políticas públicas de combate à violência contra a mulher. “Vila Velha está discutindo o Plano Plurianual e é nele que precisamos garantir que as verbas sejam direcionadas para as secretarias que desenvolverão o Plano Municipal”, lembrou ela.   Edna Martins lembrou que a Delegacia da Mulher de Vila Velha teve o maior número de ocorrências da Grande Vitória no início de 2013. Ela também salientou que à medida que a violência atinge um número cada vez maior de mulheres, menos políticas públicas são efetivadas no município. Edna também classificou como inaceitável o fechamento do CRAM-Vive. “De maneira informal ou não, é preciso garantir que o equipamento mantenha o atendimento às mulheres e que vá melhorando a qualidade e a estrutura”, disse ela. 

26/10/2013 / 0 Comments
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Cenário de Cariacica continua favorável a Helder em 2014

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Mesmo sem conseguir muita visibilidade na Secretaria estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, o ex-prefeito de Cariacica Helder Salomão (PT) continua muito bem cotado para a disputa de deputado federal no próximo ano, pelo menos no município de Cariacica.    Com um eleitorado de 200 mil votantes, o ex-prefeito continua sem adversários com peso político que possam fazer frente a seu favoritismo para a disputa proporcional. As dificuldades de Helder podem estar ligados à coligação à qual ele fizer parte.   O PT tem apenas uma das 10 vagas de deputado federal, e se repetir a coligação com PMDB e PSB terá dificuldade em ampliar esse quadro. Além de Helder, também disputam a Câmara pelo PT no próximo ano a deputada federal Iriny Lopes e o vice-governador Gilvaldo Vieira. O ex-prefeito João Coser é ainda é uma incógnita. Assim como a senadora Ana Rita, que disputa com o ex-prefeito a prerrogativa de disputar a vaga no senado. Os dois também disputam, junto com Perly Cipriano, a presidência regional do partido.   O prefeito atual, Geraldo Luzia, o Juninho (PPS), ainda não convenceu o eleitorado neste ano em que está à frente da municipalidade. Para contrapor à candidatura de Helder, o prefeito deve apostar em seu vice-prefeito Bruno Polez (PRB), no ex-deputado estadual Wolmar Campostrini (PSB) e no presidente da Câmara de Cariacica, Marcos Bruno (PRTB).   Mas para os meios políticos locais, essas candidaturas não seriam capazes de impedir a eleição de Helder, colocando-o, inclusive, em condições de disputa para a sucessão municipal, em 2016, quando Juninho vai buscar a reeleição para o cargo e deve enfrentar o antecessor.    Quem também pode entrar na disputa pelos votos de Cariacica é o deputado estadual Marcelo Santos (PMDB), mas ele ainda não decidiu se vai mesmo tentar uma cadeira na Câmara ou concorrer à reeleição à Assembleia.    Por falar em Assembleia Legislativa, a disputa ao Legislativo estadual promete ser bastante disputada no município. O deputado Gilsinho Lopes (PR) vem sendo assediado pelo partido para disputar uma vaga de federal, o que alivia o cenário. Mas também têm Cariacica como base Lucia Dornellas (PT), José Esmeraldo (PMDB) e Sandro Locutor (PPS).   Desses, a melhor situação a de Sandro Locutor. Ele que deixou o PV para migrar para o PPS, além dos votos no município deve ter o apoio do prefeito de Viana, Gilson Daniel (PV). Lúcia Dornellas tem como principal dificuldade o fato de não conseguir a transferência de votos de Helder para ela.    A deputada deve agir em parceria com o secretário de Turismo do Estado Alexandre Passos, mas ela leva mais votos para ele em Cariacica do que ele para ela em Vitória.   José Esmeraldo tem como principal dificuldade o fato de o PMDB ter uma chapa muito pesada, podendo ter os seus atuais sete deputados estaduais na próxima eleição. 

26/10/2013 / 0 Comments
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Iema Interdita usina de vidro que funcionava ao lado de escola em VV

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A empresa de reciclagem de vidro VS Reciclagem Ltda foi interditada pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) na última terça-feira (22), no auto de interdição n° 7823, de 22/10/2013. Além de realizar a trituração do vidro em local aberto, sem contensão do material particulado emitido, e carregar tratores e caminhões no local, essa poeira atingia a Escola de Ensino Fundamental Luiz Malizeck, no bairro Divino Espírito Santo, em Vila Velha. A denúncia foi feita pelo vereador de Vitória, Serjão Magalhães (PSB), que visitou a escola anteriormente e recebeu a denúncia dos moradores.   Segundo a direção da escola, o incômodo era muito grande por conta do barulho e, principalmente, do pó, que atingia os aparelhos condicionadores de ar que funcionavam nas paredes da escola viradas para o lado da usina, tornando necessárias as limpezas constantes. A principal preocupação era com a inalação do material pelas crianças (há alunos a partir dos três anos de idade) e pelos prejuízos à saúde que as emissões poderiam causar futuramente aos alunos.   As emissões surgiam principalmente no carregamento dos caminhões e na operação dos tratores. A direção ainda afirmou que o pó era bem transparente, o que dificulta a avaliação do aumento ou diminuição das emissões, mesmo após a instalação de chuveiros que, supostamente, deveriam conter as partículas.   Uma manifestação já havia sido feita pelos alunos, professores e moradores da região contra a usina e uma segunda estava programada para a próxima semana, mas não acontecerá devido à interdição. A empresa deve transferir-se para outro local.

26/10/2013 / 0 Comments
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Essa pressa em torno do pré-sal

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Toda essa pressa em torno da exploração do pré-sal é o repeteco de um jogo realizado nas últimas décadas no Equador, no México e na Venezuela, os países sulamericanos mais ricos em petróleo. Eles se apressaram em explorar suas recém-descobertas jazidas e caíram no conto da Arábia Saudita, onde vige a lógica do deserto. Não ficaram mais ricos. Afundaram mais na desigualdade. Aprimoraram seus extremos de luxo e miséria.   Daqui a 50/100 anos será preciso conferir onde terá chegado o Brasil com toda essa pressa na exploração do pré-sal, à revelia das mudanças climáticas forçadas pelo efeito-estufa na superfície terrestre.   Certamente seria melhor começar a investir em fontes energéticas renováveis, mas cadê coragem para sair do caminho trilhado pela maioria global tangida pela lógica do consumo exacerbado?      Por pressão da mídia (que reflete os interesses dos proprietários/posseiros da Terra), todo mundo é praticamente obrigado a achar que o petróleo é o combustível da civilização moderna e o pré-sal, o irresistível suprassumo da modernidade.   “O petróleo é um  mal necessário”, disse a ex-senadora Marina Silva no último programa Roda Viva, das TVEs. Sim, o petróleo é também um indicador perverso. Ele distorce tudo, deixando boa parte das coisas fora do lugar. Torna anacrônicos os pedestres, os ciclistas, os passageiros de trem, os cavaleiros, os carroceiros etc.   O que fazer se é praticamente impossível resistir ao mal? Quem for contra o petróleo será obrigado a andar na contramão da História. Mas por que não investir num modelo alternativo? A longo prazo, é o que acabará vingando.   Devagar com o andor que o santo é de sal.   Ainda não faz sete anos que o governo Lula anunciou a descoberta de petróleo em camadas profundas da plataforma continental brasileira e já estamos no limiar da fase de exploração dos diversos campos delimitados do norte do Espírito Santo à bacia de Pelotas. Em rodas técnicas, políticas e econômicas rola ainda uma discussão sobre quem devia explorar tamanha riqueza, popularmente conhecida como pré-sal.    1 – Só a Petrobras?   2 – A Petrobras associada a outras petroleiras internacionais?   3 – Todas as petroleiras globais, unidas ou não, pagando royalties ao governo?   O campo de Libra, o primeiro campo petrolífero do pré-sal, com 8/12 bilhões de barris de petróleo, foi a leilão e prevaleceu a opção 2: a Petrobras lidera um consórcio com a holandesa Shell, a francesa Total e duas empresas chinesas mais ou menos estatais. O petróleo dali extraído vai render mais de R$ 1 trilhão em 35 anos. Veremos?     Pode ser que seja verdade, mas antes que o petróleo comece a jorrar será preciso investir por seis anos. Quem se lembra? É o que tempo que levou a Petrobras para começar a tirar óleo das fabulosas jazidas da plataforma continental de Campos, descobertas em 1974. Graças a elas o Brasil se tornou praticamente autossuficiente em petróleo. Agora, tenta-se nos fazer acreditar que o pré-sal vai transformar o país em exportador de boa parte do que sairá de Libra e, depois, de outros poços profundos.  Veremos?     Dizem que haverá dinheiro pra caramba, mas na verdade é menos do que a dívida do Tesouro Nacional.   Dos royalties advindos do pré-sal, o Congresso mandou aplicar 75% em educação e 25% em saúde. Veremos?   Especialistas no assunto dizem que os recursos do pré-sal carreados para a educação representarão 0,25% do PIB no máximo, o que não vai alterar o panorama geral, pois o governo investe hoje na melhor das hipóteses 4% do PIB no setor educacional.   Para fazer diferença, o governo deveria investir no mínimo 10% por três décadas. Feito isso, terá sido implantado um sistema educacional decente cujo manutenção poderia ser feita com  7-8% do PIB, o dobro do que se investe hoje e a média investida em educação pelos países mais adiantados.   Esse argumento é da Associação dos Docentes da USP, uma das entidades mais críticas do governo. Mas o pior, segundo o professor de geologia Ciro Correa, presidente da Adusp, é que “o pré-sal vincula um direito social a um mecanismo privatista anti-social”. Com isso legitima o segundo, sem resolver o primeiro, e empurra para daqui a 20-30 anos a real discussão do problema.   Coincidência, a ideia de investir pesado em educação durante 30 anos, só para começar a por a casa em ordem, fazia parte do raciocínio central do líder empresarial Antonio Ermírio de Moraes, conforme expresso no lembrete abaixo.    LEMBRETE DE OCASIÃO   “O Brasil precisa investir seriamente tudo o que tiver durante 30/40 anos em educação.   É a condição inicial para superar o nosso atraso cultural e tecnológico”     Engenheiro Antonio Ermírio de Moraes, superintendente do grupo Votorantim, em entrevista à revista Exame, em 1980

25/10/2013 / 0 Comments
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Dois pesos,duas medidas

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A espionagem ao governo brasileiro e da Vale a funcionários, jornalistas e movimentos sociais dos estados onde atua, inclusive o Espírito Santo, tem o mesmo modus operandis. Só muda o espião e o alvo. Mas, no primeiro caso, todo mundo que mostrar serviço. O assunto rende mídia e holofotes que é uma beleza. Com a Vale, ao contrário, ninguém quer mexer. A diferença de tratamento da classe política e do próprio governo Dilma Rousseff aos dois casos, como não poderia deixar de ser, foi motivo de cobranças na audiência pública realizada pela Comissão de Direitos Humanos do Senado, nessa quinta-feira (24). Bem pertinho do senador Ricardo Ferraço (PMDB), que nunca manifestou um “a” sobre as graves denúncias que pesam contra a mineradora. Em compensação, da espionagem dos EUA, ele não perde uma oportunidade. É até relator da CPI criada para investigá-la e vive por ai manifestando indignação. Mais do que qualquer outro parlamentar da bancada capixaba, Ferraço tinha obrigação de, ao menos, demonstrar interesse no assunto. E, principalmente, como sugeriu representantes de entidades presentes ao encontro, usar a mesma indignação para incluir o caso da Vale nos trabalhos da CPI. Mas sabe quando isso vai acontecer? Se depender de Ferraço, nunquinha.      Encarou A propósito, no geral, pouquíssimos parlamentares passaram pela audiência pública da espionagem da Vale. Do Espírito Santo, a não ser a senadora Ana Rita (PT), presidente da Comissão e, portanto, a propositora do debate, ninguém. A petista foi corajosa, típico dos petistas de antigamente. Todo mundo sabe bem da pressão que a mineradora exerce no Congresso e na classe política.    Perda E mesmo assumindo bandeiras importantes como essa, o grupo do ex-prefeito João Coser quer “engolir’ Ana Rita, em nome de projetos pessoais. Vai entender…   Registro Ricardo Ferraço fez questão de registrar, na manhã desta sexta-feira (25), no Twitter, a vinda dele ao Estado, acompanhado do vice-presidente, Michel Temer, e do presidente regional do PMDB, Lelo Coimbra. Diz o senador que “para conversar sobre a conjuntura brasileira”.   Por falar nisso… O ex-governador Paulo Hartung (PMDB) foi novamente desmentido. Ele vende o que quer, a imprensa corporativa compra de imediato – e com gosto – e depois sempre tem um para estragar a festa. Desta vez, foi o próprio Temer. Não tem preferência pelo cabeça de chapa do partido no Estado.   Outro dia… O mesmo aconteceu em relação à candidatura ao Senado. Teoricamente, a cúpula do PMDB queria porque queria Hartung como candidato. A deputada federal Rose de Freitas berrou e veio a confirmação: a história era pra lá de diferente.   ‘Coincidência’ Foi só o delegado de Trânsito Fabiano Contarato entrar no PR, que “foi abduzido” da imprensa corporativa. Antes, a mídia espontânea destinada a ele era de causar inveja a qualquer mortal. Pra você ver como são as coisas.    Antes e depois Em Cariacica, os meios políticos já comentam: o prefeito Juninho (PPS) saiu das ruas e foi parar nas colunas sociais.   Sintonia total Ao receber a comenda Domingos Martins, maior honraria da Assembleia Legislativa, o procurador-geral de Justiça, Eder Pontes, ressaltou o alinhamento entre os poderes. De fato, são muito alinhados. Até demais.   Novo ciclo O capixaba Sylvio Costa, um dos fundadores do Congresso em Foco, que se tornou referência para a classe política, comunica seu desligamento das atividades diárias do site. Sylvio vai reassumir seu cargo de servidor público concursado no Senado. Mas continua sócio e colaborador.   140 toques “PCdoB condena proibição à livre manifestação popular em campanhas eleitorais”. (Vereador de Vitória Namy Chequer – PCdoB – no Twitter).   PENSAMENTO: “A verdade que não dá lucro a ninguém, nem prazer, é bem-vinda por todos os homens”. Thomas Hobbes

25/10/2013 / 0 Comments
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Nem duplo, nem neutro

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O governador Renato Casagrande está numa saia justa muito grande em relação à disputa presidencial. Quer emplacar no Estado um palanque neutro em relação à disputa nacional, diante da decisão do PSB em lançar o nome do governador de Pernambuco Eduardo Campos como candidato para concorrer com a presidente Dilma Rousseff.    Casagrande quer manter a aliança como PMDB e PT, mas pela afinidade partidária não quer romper com o pernambucano. Sua solução foi tentar implantar um palanque neutro, no qual não subiria nem Campos, nem Dilma. O governador do Estado não é o único no Brasil que tenta se equilibrar em cima do muro.    No Rio de Janeiro, por exemplo, a candidatura de Lindbergh Faria (PT) ao governo pode ter o deputado federal socialista Romário como vice. Neste caso, o petista defende palanque duplo, que abrigaria Dilma e Campos. Por lá também as costuras encontram muita dificuldade para se consolidar.   Campos está focado neste momento em construir um programa de governo em conjunto com a ex-senadora Marina Silva e a conversa sobre o posicionamento dos governadores vai ficar para o próximo ano. O problema é que enquanto essas questões não são resolvidas, as brechas são abertas.    Aí entra em cena a força oportunista do PMDB. O partido não tem um projeto de poder para chamar de seu, mas está sempre ao lado dele. E quando uma oportunidade aparece, eles não perdem. Isso vem acontecendo no Espírito Santo e no Rio de Janeiro.    Aqui, mesmo com o governador Renato Casagrande relutando em assumir uma posição, os peemedebistas já correram para o vice-presidente Michel Temer dizer que Casagrande estava abraçado com Campos, para justificar sua candidatura própria. No Rio, o governador Sérgio Cabral, aproveita as inconsistências no palanque petista para atropelar as conversas com a candidatura do vice-governador Luiz Fernando Pezão.    As pesquisas eleitorais, que apontam a vitória da presidente Dilma Rousseff no primeiro turno, podem mudar essa história e ajudar na definição dos palanques estaduais.    Fragmentos:   1 – O senador João Capiberibe (PSB-AP) lança nesta sexta-feira (25) lança em Vitória o livro, “Florestas do meu exílio”. A noite de autógrafos será a partir das 18 horas, na Logos Livraria, no Shopping Norte-Sul, em Jardim Camburi.   2 – Na próxima quarta-feira (30) o delegado de Delitos no Trânsito  Fabiano Contarato, cotado para disputa ao Senado em 2014 pelo PR, vai a Brasília conhecer a Executiva Nacional do partido.   3 – Pelo jeito quem mais quer a candidatura do ex-governador Paulo Hartung ao governo do Estado em 2014 é Paulo Hartung.

25/10/2013 / 0 Comments
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Travestidos de Deus

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Temas como a homofobia estão cada vez mais presentes em debates que promovem os direitos humanos. Sua criminalização mostra o amadurecimento social e moral de uma população. Reflete o nível de educação e cidadania. Porém, o Brasil está hoje no mesmo patamar dos países mais homofóbicos. Isso reflete a falta de apoio do governo em medidas educativas e de prevenção ao crime sexista.   “Out There” é o nome do programa documentário feito pelo comediante e apresentador de TV britânico, Stephen Fry. No Programa são levantados dados estatísticos e casos de homofobia pelo mundo. É apresentado pela BBC de Londres, e recentemente contou com a participação do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), numa entrevista contundente e bizarra. A repercussão foi imediata, telespectadores de todo o Reino Unido manifestaram seu repúdio ao deputado brasileiro.   Personagens como Jair Bolsonaro mostram bem o desrespeito político para com as minorias. Desrespeito esse, cada vez mais incentivado pelo fundamentalismo religioso que promove a desigualdade e se alimenta da ignorância.   Fica evidente a desinformação e o fanatismo religioso quando se fala em direitos iguais, quando se defende o estado laico, ou mesmo quando se busca forças para combater a selvageria da elite heteronormativa conservadora, que para justificar seu desrespeito social se baseia em ultrapassadas doutrinas bíblicas, criando estigmas e toda a forma de preconceito. A trama da direita fascista e religiosa brasileira não esconde mais seus interesses monetários na exploração financeira em seus templos, verdadeiros cultos de charlatanismo, que se aproveita do despreparo intelectual de seus frequentadores.   Como ervas daninha, políticos fundamentalistas infestam as casas legislativas. Se revestem com o direito de ditarem as leis e imporem sua falsa moral. São aplaudidos por ingênuos, religiosos, que os apoiam e votam neles, sem perceberem que também estão sendo invadidos e dominados, transformados em massa de manobra eleitoreira. Pobres iludidos da fé! São os primeiros a serem usados por esses velhacos espertalhões, que já falam em governar estados ou mesmo o País.   O tempo urge! Chega de lobos disfarçados de pastores. Chega de usar a palavra amor para promover o ódio. Chega de iludir mentes fracas com promessas de prosperidade e roubar-lhes o pouco que têm. Isso é um crime isento de impostos e apoiado pelo poder público, que deixa mais indefesas as menores fatias do bolo social.   Muito cuidado com seu voto, ele é uma arma que pode disparar contra você mesmo. Seu escudo protetor se chama informação. Não se deixe enganar pela política da falsa religião, que fala de Deus, mas serve ao Diabo.   Luiz Felipe Rocha da Palma (Phil Palma) é publicitário. Nas “horas vagas” (às quartas) comanda o programa “Praia do Phil” pela Rádio Universitária FM, onde defende os LGBTs e denuncia a homofobia. Fale com o autor: philpublicitario@gmail.com

25/10/2013 / 0 Comments
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