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Represália: Sejus ratifica transferência de agentes penitenciários que participaram de manifesto

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Depois de a desembargadora substituta Maria do Céu Pitanga expedir liminar a pedido do Sindicato dos Agentes do Sistema Penitenciário do Estado (Sindaspes) suspendendo a transferência de agentes que participaram do manifesto da categoria, a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) publicou nesta quinta-feira (17), no Diário Oficial, a fundamentação para a transferência dos agentes.    Além disso, a Secretaria Justiça ratificou o ato, justificando que a transferência não implica na mudança de domicílio dos servidores, já que se deu dentro do próprio município de Viana.    A Sejus também considerou que irregularidades administrativas detectadas pela Diretoria de Segurança Penitenciária (DSP) teriam motivado as transferências e que, diante da gravidade do caso e da urgência de medidas foi necessária a remoção imediata e por ofício de 13 servidores.    A magistrada havia determinado que as transferências ficariam suspensas até que o Estado procedesse de acordo com o que estabelece a portaria que prevê normas e procedimentos para localização e movimentação interna de agentes penitenciários e agentes de escolta e vigilância penitenciária da Sejus.    O Sindaspes, no entanto, apontou que as transferências seriam uma forma de retaliação contra os agentes que participaram do manifesto da categoria, no início de setembro deste ano. Na ocasião, os agentes deixaram de receber presos nos Centros de Detenção Provisória (CDPs) que já operavam acima da capacidade.    Além das transferências também foram instaurados Procedimentos Administrativos Disciplinares (PADs) contra agentes penitenciários e a diretoria do Sindaspes. O presidente do Sindaspes, Antônio Carlos Vilela, foi alvo de PAD. Além dele também terão responsabilidade administrativa apurada o segundo secretário, Fabrício Moreira; o diretor jurídico, Paulo Fernando de Lima Filho; o segundo tesoureiro, Edison Guez Rodrigues; e o primeiro tesoureiro, Roberto Carlos Rodrigues dos Santos.    Depois da instauração de PAD e das transferências, aqueles que participaram de mobilização da categoria no início de setembro deste ano foram intimados a prestar depoimento na Divisão de Repressão aos Crimes contra o Patrimônio da Delegacia e Segurança Patrimonial.

17/10/2013 / 0 Comments
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Comissão da Verdade: Vitor Costa confirma ligações com Marighela e recorda perseguições

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Rubinho Gomes Especial para Século Diário O jornalista, advogado e ex-procurador do Estado, Vitor Costa, 80 anos, prestou depoimento à Comissão da Verdade no Sindicato dos Jornalistas do Espírito Santo no último mês de setembro, pouco depois de outro veterano jornalista aposentado, Adam Emil Czartorisky Gonçalves depor perante integrantes do grupo vinculado à Comissão da Verdade da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas e Comissão Nacional da Verdade. Vitor Costa foi o único jornalista capixaba cassado, na última lista de cassações editada pela ditadura militar em 1969. Outros jornalistas sofreram diferentes perseguições do regime militar. No depoimento gravado em vídeo que será enviado à Fenaj, Comissão Nacional e Comissão Estadual da Verdade, Vitor Costa recordou seu afastamento do comitê central do PCB do ES, por apoiar a dissidência aberta nacionalmente pelo líder comunista Carlos Marighela. Ele relatou prisões e depoimentos que prestou no Exército, ao lado de outras vítimas da ditadura no Estado, como o médico Aldemar Neves, o comerciante (depois professor e diretor de escola) Rubens Vervloet Gomes, o contabilista Hermógenes Lima Fonseca, dentre outros. Vitor Costa fez um longo relato de como ocorriam as relações políticas no Espírito Santo, com a disputa entre os liderados pelos ex-governadores Carlos Lindenberg e Francisco Lacerda de Aguiar, então donos de dois dos três jornais diários da época em Vitória, A Gazeta e O Diário, respectivamente. Vitor Costa recorda que chegou a ser afastado como colaborador da Folha Capixaba, ainda em 1963, por apoiar Marighela e sua postura em relação  ao Partidão (PCB). Nesta ocasião, Vitor se tornou redator da coluna Praça 8, de A Gazeta, com foco na cobertura da Assembleia e nas articulações políticas da época. Com o golpe, após providencial desaparecimento com apoio até de viaturas oficiais do Estado, Vitor Costa retornou à cena política a convite do primeiro governador eleito indiretamente pela ditadura, Cristiano Dias Lopes Filho, de quem era amigo pessoal. Em 1969, foi surpreendido pela cassação de seus direitos políticos. Adam Emil: “Viagem à Cortina de Ferro causou inúmeras perseguições” O depoimento de Adam Emil Czartorisky Gonçalves recordou a viagem que o jornalista descendente de poloneses que haviam emigrado para o Espírito Santo fugindo dos nazistas durante a 2ª Guerra Mundial, havia realizado com um grupo de amigos, no final dos anos 50, para países da chamada “Cortina de Ferro”, no tempo da “guerra fria” envolvendo o grupo de países liderado pelos Estados Unidos e pela extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Do grupo participaram outros jornalistas, médicos, advogados e dirigentes comunistas do PCB, como Plinio Marchini, Lycurgo Resende, Hermógenes Lima Fonseca, Aldemar de Oliveira Neves, dentre outros. “Quando retornamos, fiz um artigo em O Diário contando o que havíamos visto durante as semanas em que percorremos a Rússia, Tchecoeslováquia, Polonia, etc, e fui surpreendido com a acusação de ter me tornado comunista na viagem. Respondi com outro artigo em O Diário lembrando que o então governador Carlos Lindenberg havia acabado de  visitar o Leprosário de Itanhenga, em Cariacica, e nem por isso deveria ser chamado de leproso, assim como eu não me tornara comunista por visitar a URSS”, relembrou Adam. Ele relatou também perseguições ao jornalista Marien Calixte, por sua postura liberal e sua presença em reuniões com o então presidente João Goulart em suas visitas ao Estado, quando ficava hospedado com a família na residência oficial do governo do Estado na Praia da Costa, em Vila Velha. “Além disso, o Marien apoiava a luta do PCB pela encampação da Central do Brasil e pelo monopólio do petróleo”, citou o jornalista. Relatório Com a gravação em vídeo dos depoimentos de Vitor Costa e Adam Emil, a Comissão da Verdade do Sindijornalistas – integrada pelo relator Rubens Gomes, Rogério Medeiros, Chico Flores, Tinoco dos Anjos, Suzana Tatagiba e Glaucia Regina estão finalizando o relatório final que deverá ser enviado à Federação Nacional dor Jornalistas, Comissão Nacional da Verdade e Comissão Estadual da Verdade até o final de novembro. O relatório irá conter ainda informações sobre o depoimento do ex-delegado da Polícia Civil, Cláudio Guerra, que relatou como se deu o assassinado do proprietário do jornal O Povão e a explosão na sede do jornal na Ladeira Caramuru, na Cidade Alta, em Vitória, quando afirmou textualmente que o mandante teria sido o empresário e deputado federal pelo PMDB, Camilo Cola. Também serão incluídos os depoimentos do jornalista Francisco Flores Rodrigues sobre o fechamento, em abril de 1964, do jornal Folha Capixaba, órgão oficioso do PCB que teve as máquinas de escrever lançadas na rua por anticomunistas; depoimento do jornalista Claudio Lachini sobre as primeiras prisões nos dias que se seguiram ao golpe de 1964, em Vitória, quando ele e outras lideranças estaduais ficaram presos no quartel do Corpo de Bombeiros no Parque Moscoso, em Vitória; além de depoimento do jornalista Rubens Camara Gomes sobre a censura imposta pelos militares aos veículos de comunicação, sobretudo após a decretação do AI-5 e a repressão às passeatas contra o regime militar em Vitória. Outro depoimento é do jornalista e escritor José Caldas sobre a guerrilha do Caparaó, em 1965, primeira insurreição armada contra a ditadura militar no país, sobre a qual escreveu, após anos de pesquisa, o livro “Caparaó : a Primeira Guerrilha Contra a Ditadura”.

17/10/2013 / 0 Comments
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Nove são presos em operação contra fraudes na Câmara de Cachoeiro de Itapemirim

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O Ministério Público Estadual (MPE), por meio do Grupo de Atenção Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou, na manhã desta quinta-feira (17), a Operação Parlamento Rosa, com o objetivo de desarticular um esquema de desvio de dinheiro público na Câmara de Vereadores de Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado). Foram cumpridos mandados de prisão temporária contra nove pessoas – entre eles, servidores da Casa –, além de busca e apreensão de documentos contábeis. As informações preliminares dão conta do desvio de R$ 1,2 milhão. De acordo com informações do MPE, a organização criminosa seria responsável por fraudes no pagamento de dívidas de parcelamentos junto ao INSS e à Receita Federal. Esses valores seriam desviados pelo bando com o auxílio dos servidores, que estariam encarregados de adulterar documentos contábeis e cheques da Câmara. As investigações foram iniciadas após uma suspeita de movimentação financeira estranha, apontada pela Caixa Econômica Federal (CEF) e levada ao conhecimento do órgão ministerial, que passou a colher provas e indícios do esquema. Ao todo, foram expedidos dez mandados de busca e apreensão e dez de prisão temporária – nove deles já teriam sido cumpridos. Entre os presos está o contador da Câmara, Hélio Grecchi, que é apontado como o cabeça do esquema. Ele e outros cinco servidores já haviam sido afastados judicialmente dos cargos. Também foram cumpridas ordens judiciais de sequestro de bens e ativos visando à restituição dos valores subtraídos. Segundo o MPE, os representados responderão pelos crimes de formação de quadrilha, falsificação de documento público, falsidade ideológica, peculato, corrupção passiva, além de outros crimes correlatos. Esse mesmo esquema de fraudes também está na mira do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Na semana passada, equipes do tribunal foram ao prédio da Câmara para colher subsídios para a realização de uma auditoria extraordinária na contabilidade da Casa. A notícia da denúncia partiu do presidente da Câmara, Júlio Ferrari (PV), que solicitou a abertura das investigações. Além disso, uma sindicância interna foi aberta para apurar as responsabilidades administrativas dos servidores afastados, que não tiveram os nomes revelados.

17/10/2013 / 0 Comments
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Após terceira audiência pública, nada de medidas para minimizar a poluição na Grande Vitória

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O plenário da Assembleia Legislativa nem parecia o cenário das polêmicas audiências sobre o pó preto na noite desta quarta-feira (16), quando aconteceu a terceira da série de cinco reuniões sobre o assunto. O plenário, vazio, sequer foi recheado com o atraso de quase quarenta minutos do início da sessão. A sociedade civil já parecia cansada de sair dali sem decisões concretas. Outros pareciam em desespero, por não apresentarem soluções. Apesar do deputado Cláudio Vereza (PT), propositor dos debates, ter considerado que houve “grandes avanços” durante a audiência, não foi essa a visão que os representantes da sociedade tiveram. “A sociedade só perde”, descreveu Robinho da Ilha, do Conselho Popular de Vitória (CPV).   Tendo como tema central a ótica das empresas, os representantes das companhias Vale e ArcelorMittal, componentes na mesa da noite, sequer fizeram novas apresentações, consentindo com o que já haviam exposto anteriormente e, inclusive, criticado pelos militantes sociais. Entre eles, o grupo SOS Espírito Santo Ambiental, a Associação dos Amigos da Praia de Camburi (AAPC), a Associação dos Amigos do Parque da Fonte Grande (AAPFC) e o CPV. Das empresas, somente o representante da Federação das Indústrias do Estado (Findes), novato na mesa, expôs uma curta fala inicial, requerendo participação constante da entidade em decisões que envolvem o setor e demonstrando apoio a projetos do governo. Nada diferente do que se poderia imaginar para alguém que representa as poluidoras.   Vereza comunicou a justificativa do promotor Marcelo Lemos, do Ministério Público Estadual (MPES), alegando “impossibilidade” de participação na audiência. A ausência não deixou contentes os representantes da sociedade civil, os quais o MPES deveria representar.    Compuseram a mesa o presidente do Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema), Tarcísio Foëger; o gerente de Meio Ambiente da ArcelorMittal, Guilherme Correa Abreu; o vice-presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Manuel Pimenta; e o representante do grupo SOS Espírito Santo Ambiental, Eraylton Moreschi Junior.     Proposta   A novidade dessa edição ficou por conta de uma proposta apresentada pelo SOS Ambiental. Os ambientalistas querem que a Vale e a Arcelor reduzam conjuntamente as emissões de material particulado em 45% até 31 de agosto de 2018, se comparadas às taxas de 2013 e 2014. Os planos para as reduções deverão ser apresentados em exatos seis meses, até o dia 16 de abril de 2014. Ao mesmo tempo, deverão ser feitos o inventário das emissões e o levantamento das fontes emissoras do Estado.   O grupo estabeleceu que, nesse período, as ações de marketing das empresas deverão apresentar dados das reduções, não valores monetários, que é o que acontece na maioria de suas propagandas. Os ambientalistas entendem que o gasto financeiro pode não denunciar com precisão o esforço empregado para a contenção de poeira sedimentada e gases tóxicos. Ambas as empresas pediram tempo para analisar a proposta, definida como “muito possível” por Guilherme Correa, da Arcelor.   Além do documento contendo as exigências do grupo para o ano de 2018, foi entregue outra série de questionamentos pertinentes a ambas as empresas instaladas na Ponta de Tubarão, tratando de questões como as vistorias ambientais – e, logicamente, a negligência do Iema nesse ponto –, o uso das windfences, os levantamentos das fontes poluidoras e seu monitoramento, a poeira produzida no carregamento de soja e as penalidades pelo passivo ambiental da Praia de Camburi.     Disco arranhado   Fora a nova proposta do SOS Ambiental, o que se viu foi mais do mesmo: as poluidoras tentando convencer que o enclausuramento total, proposta novamente colocada pela sociedade civil, era “quase impossível” com uma usina em funcionamento, já que seria necessário interromper o seu funcionamento para a aplicação da nova tecnologia. Não convenceram. Tentaram usar outro argumento, de que a Hyundai Steel, siderúrgica coreana que usa essa tecnologia, foi projetada desde o início com esse intuito. Mas também não deu certo. “Então jogue tudo no chão”, clamou Paulo Pedrosa, da AAPC, se referindo à demolição que seria necessária para a implantação dessa tecnologia nos pátios de estocagem das empresas, que precisariam ser completamente reformulados. “A sociedade não merece respirar o ar da tecnologia de quinta categoria. Jogue tudo no chão, isso não é problema nosso”, completou.   A Vale também foi questionada por considerar inconclusos os estudos sobre a poeira sedimentada feitos pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), sendo que o Iema já os havia considerado conclusos. “Se olharmos pelas óticas das empresas, os estudos jamais serão conclusos”, expôs Moreschi, após ouvir das poluidoras que elas queriam saber qual parte do material era referente a qual empresa. “Para nós, sociedade civil, isso não é uma palavra transparente, de quem quer resolver o problema”, disse, completando que as tecnologias implantadas nas usinas e que prometiam a diminuição da poluição surtiram efeito contrário, com um aumento de 40% (de 5g/m²/mês para cerca de 7g/m²/mês) no material particulado que chega à Ilha do Boi.   A Vale sequer demonstrou conhecimento sobre essa pesquisa, já apresentada nas reuniões do Grupo de Trabalho Interinstitucional (GTI) Respira Vitória, onde a mineradora é suplente da Findes e pode ter acesso a todas as reuniões, apesar de não ter comparecido a nenhuma.    Mesmo com esse fato, comprovado por pesquisas da Ufes, a Vale continuou insistindo que havia reduzido suas emissões, até mesmo com o aumento da produção. A mineradora chegou, inclusive, a bater na tecla já furada das windfences. Sem convencer.   Novamente, as alergias e o estado de saúde da população foram expostos, abrindo a prerrogativa, também, ao estado de saúde dos próprios funcionários da Arcelor, questão levantada por João Neto, da Associação Intermunicipal Ambientalista em Defesa do Rio Formate e seus Afluentes (Asiarfa), que também pediu prazos à siderúrgica para a redução das emissões visíveis das chaminés. Como era de se esperar, a Arcelor garantiu fazer um acompanhamento constante da saúde dos funcionários e admitiu o incômodo do que sai das chaminés, uma fumaça que, segundo eles, não necessariamente polui. Realmente: muitos gases tóxicos são invisíveis e a população os respira sem sequer

17/10/2013 / 0 Comments
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Idaf desconhece ofício de ouvidor sobre disputa de terras em Regência

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O conflito entre a comunidade ribeirinha de Regência, em Linhares, e a empresa União Engenharia, Fabricação e Montagem tem mais uma peça que não se encaixa em seu quebra-cabeça. Em reunião nessa terça-feira (15) com lideranças do município e do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), os representantes do Instituto Estadual de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf) alegaram desconhecimento em relação ao ofício emitido pela Ouvidoria Nacional, para que o órgão realizasse uma perícia no local com objetivo de confirmar ou não se a área é de terras devolutas.   O ofício foi emitido pelo ouvidor agrário nacional, o desembargador Gercínio José da Silva Filho, no primeiro dia deste mês, determinando que o Idaf teria 90 dias para realizar a perícia. Enquanto isso, os militantes locais se revoltam contra o delegado responsável pelo caso, Fabrício Lucindo, que se recusa a registrar o Boletim de Ocorrência (BO) somente com os relatos das ofensivas promovidas pela União Engenharia, que presta serviços à Petrobras.   Nessa terça-feira, o deputado Genivaldo Lievore (PT) se inteirou sobre o assunto com os membros da coordenação regional de Linhares do MPA e prometeu buscar respostas para o desencontro de informações.   Os ribeirinhos relataram que a empresa já derrubou cinco casas do pequeno povoado, onde também foram soltas 370 cabeças de gado, que destruíram as pequenas lavouras mantidas no local. Segundo militantes da região, a União também implantou um infiltrado para desuni-los das comunidades mais próximas, que são as aldeias Areal e Comboios, e a comunidade Caboclo Bernardo. Também há denúncias de ameaças aos ribeirinhos por parte do assessor jurídico da União, Edval Santana.   Ao todo, vivem em Regência 25 famílias na comunidade localizada a dois quilômetros da foz do Rio Doce. Em agosto, os moradores afirmaram ter recebido um ultimado da empresa, que alegou ter adquirido a terra por meio de um leilão na Justiça do Trabalho, mas não apresentou nenhum documento que comprovasse essa posse efetivamente. Na mesma ocasião, houve uma reunião dos ribeirinhos com o assessor jurídico da União. Mas não houve acordo.   No começo de setembro, o Conselho Estadual de Segurança Alimentar (Consea) cobrou uma posição dos órgãos estaduais sobre o tema e a suspensão do processo de desapropriação em curso. O conselho justificou a suspensão do processo de desapropriação com a possibilidade da abertura do diálogo com as partes envolvidas e a retomada das atividades cotidianas das famílias que vivem na região que, segundo o próprio Consea, tiveram suas terras invadidas e foram vítimas de brutalidade, caracterizada pela destruição das casas.   O Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra) já reconheceu a presença das famílias nas terras devolutas e se comprometeu a enviar imagens da área para análise do Idaf. O presidente do órgão, João Cândido Rezende, afirmou na época que a área ocupada pelas famílias não pertence à empresa, indicando indícios de uma possível intenção de tomada das terras vizinhas pela União.

17/10/2013 / 0 Comments
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Entre o risco e o vexatório

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Há cerca de três anos, o governo federal vem distribuindo scanners corporais para os Estados usarem nas unidades prisionais. O body scan, que funciona como um raio-X, também foi instalado em alguns aeroportos brasileiros. A máquina já é usada nos aeroportos norte-americanos e europeus há alguns anos, por ser considerada uma eficiente ferramenta contra o terrorismo.    Inicialmente, os aparelhos foram instalados em duas unidades prisionais capixabas: Penitenciária Estadual de Vila Velha I (PEVV I) e no Centro de Detenção Provisória II de Viana (CDPV II). Logo que as máquinas entraram em operação, no primeiro semestre deste ano, funcionários e usuários comemoraram o avanço, já que o body scan evitaria a constrangedora revista íntima.    No lugar de se despir na frente de agentes penitenciários estranhos, ficar de cócoras, dar pulinhos e outras tantas acrobacias constrangedoras e bizarras, os familiares precisariam apenas se expor a um aparelho por alguns segundos e pronto. Tudo muito rápido, seguro e sem constrangimentos.    Mas o que parecia pôr fim ao périplo das revistas se tornou um preocupante problema de saúde para servidores, familiares e presos — grupos que mais se expõem ao scanner corporal.    Tão logo os aparelhos passaram a funcionar, o Conselho Regional de Técnicos em Radiologia do Espírito Santo, ainda em junho deste ano, alertou que os scanners emitiam uma perigosa radiação ionizante para os seres humanos.    Após vistoriar os equipamentos, o Conselho pediu a imediata suspensão do seu uso. A instituição alertou ainda que o aparelho deveria ser operado por técnico especializado em radiologia, e não por agentes leigos, o que poderia pôr em risco a vida do próprio operador e das pessoas submetidas ao scanner. O Conselho também advertiu sobre os riscos que as mulheres grávidas expostas ao aparelho estavam correndo: aborto e má formação do feto estavam entre as consequências.    Num primeiro momento, a Secretaria de Justiça considerou as ponderações do Conselho de Radiologia e suspendeu o uso dos scanners corporais. Mas logo depois, a Sejus voltou a utilizá-los. A diretoria da unidade de Vila Velha, inclusive, emitiu ordem de serviço estabelecendo que “todo preso antes de sair para escolta e chegar de transferência deverá ser conduzido imediatamente ao body scan”. Além disso, a ordem de serviço também estabelece que “toda gestante ou menor que vier visitar seus familiares, deverá passar pelo body scan”.   Preocupa neste caso que o risco à saúde é real. Não fosse, a União Européia não teria proibido a instalação de novas máquinas nos aeroportos até que as autoridades de saúde garantam que o body scan não é cancerígeno.    Uma pesquisa estima que até 100 passageiros das companhias aéreas dos Estados Unidos, no período de um ano, estão sujeitos a ter câncer causado pelos scanners. O governo americano ignora os dados é prefere manter com rigor a política anti-terror.    Um aprofundado estudo da Universidade de Columbia (EUA), coordenado pelo médico David Brenner, adverte que as crianças e pessoas com mutações genéticas, cujos corpos são menos capazes de reparar danos causados ao seu DNA, estão mais vulneráveis aos efeitos do body scan.    As pesquisas de Brenner mostram que os scanners contribuem para um aumento de câncer da pele chamado de carcinoma basocelular, que afeta principalmente a cabeça e pescoço.   Seria prudente que a Sejus considerasse todas essas informações antes de continuar operando indiscriminadamente as máquinas. Os males causados pela exposição à radiação ionizante são muitas vezes demorados e silenciosos, mas não menos ameaçadores.

16/10/2013 / 0 Comments
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A dama do crime

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Agatha Christie vendeu – e continua nas bancas – mais de quatro bilhões de livros no mundo todo, traduzidos para 103 idiomas, sendo a autora mais publicada de todos os tempos, superada apenas pela Bíblia e Shakespeare. Portanto, entretanto, apesar das magias, dos códigos secretos e dos vampiros bonitinhos, a velha dama ainda põe no chinelo os ‘monstros’ modernos.   Seu primeiro livro, “O Misterioso Caso de Styles”, foi rejeitado por seis editoras e levou quatro anos para ser publicado, vendendo apenas 2 mil exemplares. Mais um consolo para os potenciais escritores em lista de espera –  muitos são os candidatos, poucos são aceitos. E menos ainda tiveram seus trabalhos reconhecidos na primeira investida.    Agatha deixou um acervo de 86 livros e 12 peças de teatro, que resultaram em muitos outros livros, filmes e peças teatrais. A peça “A Ratoeira”, estreou no Teatro Ambassador, em Londres, em 1952, e continua em cartaz até hoje, com mais de 16 mil apresentações. Seu livro de maior sucesso, “O caso dos dez negrinhos”, tem 100 milhões de cópias, sendo o livro de suspense mais vendido de todos os tempos, e um dos mais vendidos em qualquer gênero.   Como todos sabem, a dama do mistério soube explorar o gosto do público pelo suspense. O que pouca gente sabe é que existe um mistério também em sua vida, que bem daria um livro, ou um filme. Em três de dezembro de 1926, o marido de Agatha lhe diz que está apaixonado por Nancy Neele, pede o divórcio e vai passar o fim de semana com a amante. Nessa noite Agatha deixa sua casa em Styles levando uma pequena mala, e desaparece.   Seu carro foi encontrado às margens do lago Silent Pool, com os faróis acesos. Dentro tinha um casaco de peles, a mala e uma carteira de motorista vencida. A polícia oferece 100 libras a quem der informações sobre seu paradeiro, e 15 mil voluntários vão ajudar nas buscas. Mergulhadores, barcos, escoteiros e, pela primeira vez, usam aviões para procurar uma pessoa.   Dezesseis dias depois a polícia recebe a informação de que Agatha está hospedada em um hotel, onde se registrou com o nome de Teresa Neele. Foi vista dançando, jogando bridge, fazendo palavras cruzadas. O músico Bob Sanders Tappin a reconheceu e abocanhou a recompensa.  Bob se dirigiu a ela e a chamou de Mrs. Christie, e ela respondeu, mas disse estar sofrendo de amnésia.   Muita gente acha que Agatha tramou o suspense para promover  a venda de seu novo livro, O Assassinato de Roger Ackroyd, um golpe publicitário bem de acordo com a natureza de seus textos. Mas o livro já estava nas listas de mais-vendidos por várias semanas. Agatha depois se casou com um arqueologista, mas manteve o nome Christie do marido traidor.   Ela disse, “Um arqueologista é o melhor marido que uma mulher pode ter. Quanto mais velha ela fica, mais interesse ele tem nela”. Falou com conhecimento de causa, porque viveram juntos até sua morte, aos 81 anos. Outras frases de Agatha, “Bons conselhos são, com certeza, ignorados, mas isso não é desculpa para não dá-los”. “É  ridículo criar uma história de detetives em Nova Iorque, porque Nova Iorque é uma história de detetives”.

16/10/2013 / 0 Comments
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Mesmo percurso

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Os movimentos políticos do grupo de Paulo Hartung (PMDB) e do governador Renato Casagrande deixam claro que está em curso um processo de demarcação de território para a disputa de 2014. De um lado, o senador Ricardo Ferraço (PMDB) posa de candidato ao governo. Do outro, Renato Casagrande prepara a máquina – e como! – para a eleição. Se há uma ação aqui, vem logo uma resposta acolá. E vice-versa. É o momento de ocupar os espaços disponíveis e fechar adesões. Mas, nas “internas”, o que está claro para o mercado político é o interesse, tanto de Hartung como de Casagrande, de manter o modelo de unanimidade, com Casagrande ao governo e Hartung ao Senado. Enquanto a aliança não “vinga”, Ferraço e o PMDB – de Hartung e Cia, pois as demais lideranças do partido defendem permanecer com Casagrande – colocam “lenha na fogueira” para abrir mais adiante a negociação. Essa seria a estratégia de Hartung, que já tem manifestado a atores políticos sua intenção de buscar a única cadeira que será aberta no Senado. Não à toa, Casagrande abriu mão de ter um nome das redes sociais no mesmo páreo, o delegado Fabiano Cantarato. No final das contas, é arriscado acabar tudo no mesmo lugar: os dois juntos e misturados. Se não rolar, ai sim entrará em cena o “plano B”. Nesse caso, seria o atalho, não o percurso principal.   Xeque-mate Por falar nisso, depois do “Fundo Cidades” para investimento nos municípios, Casagrande lança o Fundo de Redução das Desigualdades Regionais, agora para custeio. Tapa os buracos da falta de recursos nos municípios e garante o apoio dos prefeitos no ano que vem. Um peso danado.   Xeque-mate II Aliás, Casagrande sabe muito bem fazer uso desse tipo de instrumento político. Ao contrário de Hartung, que atua na base da imposição. Primeiro resolve no gabinete, depois determina o “cumpra-se”.   Piada Incrível – no mau sentido – a tentativa dos deputados Eustáquio de Freitas (PSB) e Paulo Roberto (PMDB), na sessão da Assembleia nessa terça-feira (15), de capitalizar com o episódio envolvendo os camponeses e o petista Roberto Carlos. Os dois pediram falas e se dirigiram ao militante Donizete, para destacar uma espécie de “parceria” com o MPA e MST. Como é que é?   Piada II Embora da região norte do Estado, Freitas e Paulo Roberto nunca advogaram em nome dos interesses dos pequenos agricultores. Aliás, muito pelo contrário. Sempre defenderam os “grandes”, inclusive o Movimento Paz no Campo (MPC), que tem aliança com a Aracruz Celulose (Fibria). Para completar o time, só faltou mesmo Atayde Armani (DEM). Mas ele se conteve.    Bola da vez A diretora-geral do Departamento de Estradas de Rodagem no Estado (DER-ES), Tereza Casotti, é o novo alvo do governo que está na mira dos deputados estaduais. De tempos em tempos, muda.    À vontade Tem mais show na noite desta quarta-feira (16) na Assembleia Legislativa. E, certamente, o maior da série criada pelo deputado estadual Claudio Vereza (PT) para “discutir” a poluição do ar na Grande Vitória. Pois nesta audiência pública, a terceira da rodada, será toda dedicada às poluidoras. Faço ideia…   Cuidados A deputada federal Iriny Lopes (PT) descobriu que está com uma ruptura no globo ocular esquerdo nessa terça-feira (15) e, devido à urgência do caso, já opera nesta quarta-feira (16), no Hospital Santa Rita, em Vitória. A coluna deseja uma rápida recuperação.     Em campo Ainda na seara petista, o presidente Lula entrou nas redes sociais. Anuncia que usará as ferramentas disponíveis na internet para mostrar os resultados de seus mandatos e rebater “acusações falsas” que têm surgido na rede. Reforço para a candidatura à reeleição da presidente Dilma Rousseff.    Baixa A empresa Inovar, citada nas denúncias contra a prefeita de Anchieta, Dalva da Matta (PDT), não compareceu à sessão da CPI criada na Câmara de Vereadores para investigar o caso. Como a coluna já disse, assim deverá ser com os demais convocados, principalmente, a própria Dalva. Nesta quinta-feira (17), mais um “chá de sumiço”.    Nas redes “Dois manifestantes foram detidos hoje [terça-feira, 15], após a homenagem aos professores na Assembleia Legislativa […] e foram liberados, sem maiores informações”. (Ninja ES – no Facebook).   PENSAMENTO: “Quando não se pode derrotar, fica-se sócio”. Ulysses Guimarães

16/10/2013 / 0 Comments
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Ferraço candidato

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A um ano da eleição estadual, o senador Ricardo Ferraço (PMDB) se coloca como pretenso candidato ao governo do Estado. Uma estratégia que foge do perfil do grupo dele, comandado pelo ex-governador Paulo Hartung de sempre postergar uma posição, para trabalhar os bastidores eleitorais longe dos holofotes.   Essa movimentação, para os meios políticos, serve mais como uma ação para dentro do partido. Com uma bancada revolta, disposta a não aceitar mais decisões de gabinete, Ferraço se coloca como candidato e deve partir para a busca de composição de alianças para erguer um palanque e convencer os peemedebistas de que conseguirá ter uma candidatura própria ao governo.   Outra leitura nos meios políticos é de que a antecipação da candidatura de Ricardo tem um objetivo diferente. Além de colocar-se como alternativa ao palanque de Dilma Rousseff, desestimulando a candidatura do senador Magno Malta (PR), aumenta seu capital para a permanência no grupo de Casagrande, com uma composição forte capaz de garantir a candidatura de Paulo Hartung ao Senado em um palanque de unanimidade.   Ao mesmo tempo, o presidente do PMDB capixaba, deputado federal Lelo Coimbra, protela a saída do partido do governo Casagrande. Mas o que significa exatamente essa saída? Entregar o cargo de Fábio Damasceno da pasta dos Transportes e Obras públicas?   Isso não significa necessariamente que o grupo do ex-governador Paulo Hartung deixará de compartilhar o atual governo, já que seus aliados vão continuar na estrutura, como Anselmo Tozi, Neivaldo Bragato, Robinho Leite, André Garcia, Ângela Silvares, Guilherme Dias, Bruno Negris, entre outros.   Logo, a saída de um cargo com carimbo do PMDB passa uma impressão de rompimento, como aconteceu com a saída abrupta de Guerino Baletrassi, outro aliado do ex-governador, ao se filiar ao PSDB e se colocar como possível candidato ao governo em 2014.   Essa é uma estratégia para a disputa eleitoral, mas que não tira o grupo do ex-governador do compartilhamento do atual governo. Há interesses na manutenção do projeto ES 2030 que transcendem a questão eleitoral.   Fragmentos:   1 – Começou a história de a Assembleia jogar para a plateia com as audiências sobre o Orçamento do próximo ano. Só para lembrar, o projeto geralmente é mexido. Então, as audiências dificilmente vão influir em mudanças nas rubricas.   2 – Diante do congestionamento de nomes cotados na disputa proporcional do próximo ano, muita gente está apostando na ideia de “perder para cima”, ou seja, disputar a Câmara dos Deputados, que garantirá mais visibilidade do que entrar em uma disputa tão concorrida à Assembleia correndo o risco de ficar pelo caminho e com menos espaço.   3 – O deputado estadual Theodorico Ferraço (PMDB) reapareceu à frente das sessões da Assembleia Legislativa. Ele andou se afastando do comando da Mesa. Está animado, como sempre.

16/10/2013 / 0 Comments
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Negado trancamento de ação penal de ???Esquema das Associações??? na Assembleia

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A 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) negou, nesta quarta-feira (16), o pedido de habeas corpus impetrado pela ex-deputada estadual Fátima Couzi, que pleiteava o trancamento da ação penal por suposta participação no desvio de dinheiro público no chamado “Esquema das Associações”. A defesa da ex-parlamentar levantou a tese de prescrição da denúncia ajuizada pelo Ministério Público Estadual (MPE). No entanto, o colegiado entendeu que o pleito deveria ser feito no 1º grau, bem como não foi vislumbrado qualquer deficiência na acusação do crime de lavagem de dinheiro no episódio. Durante o julgamento, o relator do habeas corpus (0016153-61.2013.8.08.0000), desembargador Adalto Dias Tristão, considerou que o pedido de prescrição – quando a punibilidade dos acusados é declarada extinta – não foi feito ao juízo da 8ª Vara Criminal, onde tramita o processo original (0011690-09.2010.8.08.0024). Citando precedentes do tribunal, o magistrado afirmou que o pleito deverá ser feito no primeiro grau de jurisdição, sob pena de supressão de instância (quando uma decisão passa por cima de outro juízo hierarquicamente inferior). Apesar da orientação, Adalto Tristão fez a ressalva de que a extinção da punibilidade de um crime não impossibilita o eventual recebimento de partes da denúncia. “Cabe registrar que se houver inépcia parcial da denúncia quanto a um delito e prescrição no tocante a outro crime, a ação penal ainda assim deverá prosseguir, porquanto a paciente [deputada] está também denunciada pelo crime de peculato desvio, como se extrai do processo”, ponderou. No pedido de habeas corpus, a defesa da ex-deputada Fátima Couzi também alegou que a acusação do MPE seria omissa e deficiente em relação ao crime de lavagem de dinheiro, uma vez que teria descrito outro tipo de crime. Sobre este ponto, Adalto Tristão avaliou que o tema já foi enfrentado pelo juiz de 1º grau no recebimento do fato, além do próprio desembargador entender que a denúncia “teria demonstrado, em tese, todas as práticas delituosa atribuídas aos réus”. Na denúncia ajuizada em agosto de 2008, a promotoria denunciou a ex-parlamentares e mais quinze pessoas pela suposta participação no esquema de desvio de recursos destinados a associações, centros comunitários, escolas, prefeituras e hospitais. O escândalo teria ocorrido entre os anos de 1999 e 2002, quando as verbas destinadas a essas entidades seriam desviadas para contas de particulares e dos próprios deputados. Figuram ainda na ação penal, os ex-deputados estaduais José Carlos Gratz – presidente da Assembleia Legislativa na época –; Wilson Luiz Venturim, o Japonês; Juca Alves; Nasser Youssef; e Luiz Pereira, bem como o ex-diretor da Casa, André Luiz Cruz Nogueira.

16/10/2013 / 0 Comments
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