O Ministério Público Federal (MPF) em São Mateus, no norte do Estado, enviou recomendação à Caixa Econômica Federal e à sua representante, a empresa Efetiva Serviços, para que ambas especifiquem os encargos cobrados nos financiamentos habitacionais, bem como a destinação dada a eles. A recomendação é baseada em inquérito civil público que comprovou o desrespeito ao Código de Defesa do Consumidor. A partir de uma denúncia, uma pessoa informou que foi até a credencial da Caixa Evidência – empresa credenciada pela Caixa para operar os financiamentos de imóveis do programa – e lá foi informada de que poderia financiar uma casa no valor de R$ 110 mil. Mas teria que pagar R$ 10 mil “por fora” para se enquadrar no programa Minha Casa, Minha Vida. Além disso, o denunciante também deveria desembolsar cerca de R$ 4 mil para pagar a documentação. O MPF/ES chegou a enviar ofício para a Caixa para esclarecimentos, já que esse tipo de conduta foi confirmada por outros beneficiários do programa em São Mateus. O banco, por sua vez, informou que há taxas que são devidas e que não fazem parte da composição do valor de aquisição do imóvel. Essas taxas são cobradas na data da assinatura do contrato de financiamento. Como considera esse fato um desrespeito ao direito à informação, o MPF expediu recomendação para que a Caixa e a Evidência Serviços Ldta. tornem as transações mais transparentes. Na recomendação assinada no dia 17 de setembro pelo procurador da República Leandro Mitidieri, e divulgada pelo órgão nesta terça-feira (1), o MPF/ES orienta que a Caixa e a Evidência emitam os comprovantes aos mutuários de todos os valores pagos, mesmo os que não fazem parte especificamente do imóvel adquirido. Quer, também, que seja descrito o motivo de cada cobrança. Além disso, o banco deverá afixar em murais ou lugares de fácil visualização as tabelas com os valores das taxas e encargos a serem pagos pelos clientes. De acordo com o MPF, além de direito do consumidor, as informações darão mais transparência ao processo. Além disso, o MPF/ES requisitou que tanto a Caixa quanto a Evidência comprovem o cumprimento da recomendação num prazo de 20 dias, a contar a partir do recebimento do documento.
PF deflagra operação para levantar empresas de fachada da Delta Construções
Depois de passar incólume nas investigações da CPI do Cachoeira no Congresso Nacional, o esquema de lavagem de dinheiro da Delta Construções por meio de empresas de fachada é alvo de uma operação da Polícia Federal. Na manhã desta terça-feira (1ª), os policiais deflagraram a Operação Saqueador, que cumpre mandados de busca e apreensão na sede e filiais da Delta em três estados, Rio de Janeiro, São Paulo e Goiás. Também estão sendo cumpridas diligências a contadores e ao controlador da empresa, Fernando Cavendish. Apesar de não terem sido cumpridos mandados no Espírito Santo, as investigações devem jogar luz sobre a Garra Transportadora, empresa de fachada registrada no município de Viana, que foi a terceira que mais recebeu dinheiro oriundo da empreiteira carioca. A Delta mantém contratos milionários com o governo do Estado desde a gestão Paulo Hartung (PMDB). De acordo com informações da Polícia Federal, o objetivo é aprofundar investigação que apura desvio de recursos públicos. “Foram verificados, até o momento, fortes indícios de transferências milionárias de recursos de referida empresa de engenharia para sociedades de fachada, possivelmente desviados de obras públicas. Para comprovação de tais desvios, está sendo realizada perícia contábil-financeira na sociedade investigada”, diz a nota da PF. A Operação Saqueador é um desdobramento da apuração iniciada com os documentos enviados pela CPI criada em abril do ano passado, que visava investigar a ligação entre a Delta e a classe política – em especial no estado de Goiás, com a participação do contraventor Carlinhos Cachoeira. “O material foi imprescindível para o início das investigações, na medida em que tais informações nominaram as empresas de fachada que supostamente recebiam valores desviados da pessoa jurídica investigada no presente apuratório”, indica. Durante os trabalhos da CPI, encerrada de forma melancólica no final do ano passado, os parlamentares levantaram um total de R$ 173 milhões em transações feitas pela empresa carioca. Desse total, a empresa de fachada capixaba teria “lavado” R$ 23,5 milhões. A Garra Transportadora foi registrada no dia 25 de outubro de 2010 na Junta Comercial do Espírito Santo (Jucees). Consta no registro o endereço na rua Coronel Laurentino Pimentel, número 170, no centro de Viana (região metropolitana da Grande Vitória), local onde a empresa nunca fora sediada. O capital social de apenas R$ 10 mil está dividido no nome de dois laranjas: Eliandro Paula da Conceição, com R$ 9,9 mil das cotas sociais, enquanto Gláucio Barcelos fica com apenas R$ 100 do capital da Garra Transportadora. Os vizinhos do local da suposta sede da empresa não conhecem ou ouviram falar de nenhum dos “sócios”, que residiram de fato no subúrbio do Rio de Janeiro, conforme reportagem publicada pelo jornal Folha de S. Paulo. Em fevereiro deste ano, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) afirmou, em entrevista exclusiva ao Século Diário, que a CPI “ficou próxima” de elucidar as relações da empreiteira e agentes políticos no Espírito Santo. Segundo ele, a partir desse momento, os trabalhos começaram a sofrer a interferência do que chamou da “bancada da Delta”. Dois congressistas capixabas chegaram a participar da comissão, o deputado federal Paulo Foletto (PSB) e o senador Ricardo Ferraço (PMDB). A expectativa é de que a operação policial possa avançar do ponto onde as investigações na CPI pararam. Caso sejam confirmadas as suspeitas, os responsáveis poderão responder, de acordo com a PF, pelos crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, peculato, entre outros.
Com negativa do PR para disputa presidencial, Magno Malta tem nova realidade
Na última quinta-feira (26), o delegado Fabiano Contarato teve um encontro com o senador Magno Malta (PR), em um restaurante da Praia da Costa, em Vila Velha. Outros seis delegados participaram, mas ninguém fala sobre o assunto. Contarato também vem conversando com o governador Renato Casagrande. A posição colocada pelo delegado no jornal A tribuna desta terça-feira (1), mostra uma estratégia política muito cuidadosa, podendo colocá-lo tanto em um quanto em outro palanque. A negativa do PR nacional em dar aval à candidatura de Malta a presidente da República, como ele vinha alardeando no mercado político, foi um baque forte no projeto do senador. O partido ainda cercou o caminho dele, ameaçando cobrar seu mandato caso ele busque uma alternativa para viabilizar a candidatura, migrando para o PEN. Essa movimentação nacional do PR traz um novo cenário para a disputa de 2014. No Estado, o partido está desidratado com a saída de medalhões, justamente por conta da possibilidade de Malta se afastar da base do governador Renato Casagrande e lançar candidatura majoritária no ano que vem. Deixaram o partido dois nomes que vão disputar a eleição de deputado federal: Neucimar Fraga e Vandinho Leite. Nomes cotados para a Assembleia Legislativa, como os deputados Glauber Coelho e José Esmeraldo, e o vice-prefeito de Vitória, Waguinho Ito, também foram no mesmo barco. Com mais quatro anos de mandato no Senado, a Malta caberia ou disputar o governo do Estado ou apoiar a reeleição de Renato Casagrande, já que no palanque que o grupo de Paulo Hartung (PMDB) vem tentando construir não haveria lugar para o republicano e nem ele iria subir. Além de seu posicionamento na disputa do próximo ano, outra movimentação que deve ser estudada pelo senador é a acomodação da candidatura da mulher dele, a deputada federal Lauriete (PSC). Para garantir o segundo mandato, ela precisa de uma coligação forte, ainda mais em um cenário de redução de vagas. Embora tenha um capital de votos importante, as alianças serão fundamentais para garantir sua permanência na Câmara.
Teste
Essa história emplacada na mídia corporativa de que o presidente da Cesan, Neivaldo Bragato, entregou carta de exoneração do cargo não convence. Mais parece um teste ao governador Renato Casagrande, para ver se há clima de continuar no comando da pasta. Bragato, como se sabe, é considerado o segundo homem do ex-governador Paulo Hartung (PMDB). E com as movimentações do processo eleitoral de 2014, que ameaçam tornar o ex-governador e Casagrande fortes concorrentes na disputa, a relação entre os dois grupos ferveu. A área comandada por Bragato é uma das mais poderosas herdadas pelos remanescentes do governo Hartung e tem atuação isolada do governo. Não se integra, nem aceita comando. Tal estrutura conta ainda com o ex-secretário Anselmo Tozi, também no topo. Bragato deixaria mesmo um posto privilegiado e estratégico, por onde circulam fortes interesses, assim, sem mais nem menos? Ou está sob ameaça? Os meios políticos ficam com a segunda alternativa. Teste II Tem outros motivos de desgaste. Bragato e Tozi estão relacionados a casos de corrupção do governo Hartung e respondem a ações de improbidade. Além do mais, cai na conta do governo as constantes reclamações da população pelo péssimo serviço prestado pela Cesan, que já virou rotina. Teste III Quem não se lembra ainda da renovação do contrato com a Delta Construções, em meio ao escândalo envolvendo a empresa? O governo só tomou conhecimento depois e enviou o caso para o Tribunal de Contas, onde repousa em alguma gaveta escura junto com tantos outros processos que respingam em Hartung e sua trupe. TCE é área de confiança do ex-governador. Sinais A classe política que não durma no ponto. O senador Magno Malta (PR) parece cada vez mais distante de uma candidatura ao governo do Estado. À francesa Como ocorre vez ou outra em tempos de crise na Assembleia Legislativa, o presidente da Casa, Theodorico Ferraço (DEM), “bate em retirada”. Nesta segunda-feira (30), não presidiu a sessão. No momento, o abacaxi é com os servidores. Piada Que “fofa” a matéria em A Tribuna com a secretária de Estado de Meio Ambiente, Diane Rangel. “Protetora dos rios e da mata” desde quando? Ela sempre esteve do outro lado, das poluidoras. Nem ai Tanto é que, veja bem, para a audiência pública sobre os tanques que serão instalados em Paul,Vila Velha, a autarquia que controla, o Iema, não enviará representante. Quem fez a queixa foi o deputado estadual Roberto Carlos (PT), na sessão desta segunda-feira (30). Passe livre O tema que ganhou as ruas do Estado durante os protestos populares repercute no interior. Nesta terça-feira (1), o vereador de São Mateus Eneas Zanelato (PT) tenta aprovar seu projeto que prevê roleta livre para idosos e pessoas com deficiência no transporte público. Outro dia teve audiência pública sobre o assunto. Os demais vereadores não compareceram. Duas frentes Zanelato, aliás, costuma incomodar bastante o prefeito Amadeu Boroto (PSB), com críticas à gestão – de fato, não faltam motivos. Ele na Câmara e sua mulher, Jaciara Teixeira, na área sindical. Ela é presidente do Sindicado dos Servidores Públicos Municipais de São Mateus (Sindserv) e do diretório do PT e disputou contra Boroto na última eleição, como vice na chapa do deputado estadual Paulo Roberto (PMDB). 140 toques “Decretada a insustentabilidade ambiental e da qualidade de vida em Vila Velha. E a pá de cal vai ser jogada pelo superporto”. (Ex-vereador João Batista Babá – PT – no Twitter). PENSAMENTO: “Política virou sinônimo de interesse, de cada um se descolar mais do que o outro. O político deveria ser um missionário”. Rita Lee
Sentido contrário
Não pode passar em branco a entrada do governo do Estado, representado pelo procurador-geral do Estado, Rodrigo Marques de Abreu Júdice, na lide da ação de improbidade movida pelo Ministério Público Estadual (MPE) sobre as obras do posto fantasma em Mimoso do Sul. O Estado foi chamado a se manifestar, caso entendesse ser necessário, mas acabou indo além ao pedir a improcedência do processo, pelo qual estão sendo acusados o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) e seus auxiliares do primeiro escalão, Neivaldo Bragato, José Teófilo, Bruno Negris e Eduardo Mannato. Todos devidamente incriminados numa obra desnecessária, os postos fiscais, que depois da existência da informatização, tornaram-se instrumentos arcaicos de fiscalização. O que já era o bastante para o governo nem pensar em construí-lo, em 2005. Isto é, quase cinco anos após o início do estudo para a instalação deste tipo de posto na divisa da BR 101 Sul, onde seria construído o Posto Fiscal São José do Carmo. Mas o grosso do esquema, mais um escândalo de corrupção do governo passado, veio mesmo no período de sua construção, quando foram consumidos mais de R$ 25 milhões nas obras, que não saíram sequer da fase de terraplanagem. O representante do Ministério Público do Estado (MPES), o promotor de Justiça, Dilton Depes Tallon Neto, acusa o ex-governador e os seus auxiliares de “torrarem” – termo utilizado na peça – o dinheiro público em uma obra sem qualquer tipo de interesse público. Na denúncia, o promotor chama atenção sobre o volume de gastos na empreitada, investidos em recorte de morros – tendo em vista a região ser bastante acentuada –, retirada da terra e terraplanagem da área do futuro posto fiscal. Vale destacar que a área não teria sido “entregue” sequer como fora prometida, uma vez que ficou constatada a inexistência de pavimentação nas imediações do mal fadado posto. Mais um sintoma da existência de algo errado nas obras. No entanto, o chefe da Procuradoria Geral do Estado (PGE) ignora em sua manifestação qualquer tipo de questionamento sobre onde foi parar todo esse dinheiro. A intervenção é na direção de retirar o ex-governador da acusação, uma vez que o representante legal do Estado assegura a legalidade de todos os atos, como se fosse capaz de apagar neste primeiro momento tudo que consta na acusação. Mesmo sem abordar o possível prejuízo ao erário, o procurador diz que as chuvas forçaram a realização de novas obras no local, dando conotação de legalidade aos atos que foram responsáveis pela inclusão de Hartung na denúncia. Sem saber, Rodrigo Júdice acabou se saindo melhor do que encomenda para a defesa de Hartung, embora tenha feito questão de dizer que não estava se manifestando a favor ou contra qualquer denunciado. Os seus antecedentes, porém, o contradizem. Não é a primeira vez que a PGE adere a uma tônica geral que existe no Espírito Santo de que o governador é uma figura canônica, inalcançável, quem o acusa faz de forma diferente dos fatos. É só relembrar que a mesma Procuradoria também recorreu contra a decisão judicial que obrigou o Estado a dar fim na “caixa preta” dos incentivos fiscais da Era Hartung, bem como se manifestou a favor da manutenção dos benefícios ao setor atacadista. Essa ação contínua do procurador geral para livrar o ex-governador das mazelas de sua gestão não chegam nem perto da atitude que tomou diante de um escândalo tão grande, quanto o posto fiscal. Do qual vale citar, o governo já impediu a abertura de uma CPI na Assembleia Legislativa. Uma atitude que acaba sendo imperdoável para aqueles que cobram a apuração dos casos de corrupção, que nada diferem dos escândalos ocorridos há mais de uma década passada. As recentes manifestações populares, em junho deste ano, demonstraram que as ruas exigem das autoridades que zelem pela manutenção do interesse público, promovam boas gestões e combatam todo tipo de corrupção. Um caminho oposto ao tomado pelo procurador, que ainda tem tempo para acertar o seu curso. Lembrando: o débito do governador Renato Casagrande, por segurar as broncas de Hartung, já faz um estrago e tanto.
Afunilando
O momento para as lideranças políticas que querem disputar a eleição de 2014 está ficando crítico. Quem tem mandato quer preservá-lo, quem perdeu o espaço político em 2012 quer ganhar um na disputa proporcional, e quem já está há algum tem sem mandato também vai tentar voltar na próxima eleição. Isso sem falar nos novatos. Apesar do surgimento de mais duas legendas e a possibilidade de a terceira ser criada até o fim de semana, o espaço é pequeno. Isso porque não basta encontrar uma sigla para se filiar, fugir da infidelidade partidária e manter limpa a ficha, é preciso entrar em uma legenda que não seja nem pesada demais, nem muito esvaziada. Por isso os presidentes de partido, principalmente dos novos, estão com um olho nas fichas de filiação e outro na calculadora. É preciso evitar as candidaturas de muito peso para não sobrecarregar a chapa e espantar os aliados. Também é preciso ouvir a rua e abraçar lideranças que não tenham pendências judiciais. Algumas lideranças sobressaem a esses conceitos, como Edson Magalhães (DEM), que mesmo com uma ficha longa, tem prestígio político com os eleitores de Guarapari. Se conseguir liminar para disputar, é um sério concorrente a uma vaga na Asssembleia Legislativa. Então fica a dúvida para os candidatos. Ao entrar em um partido X vou conseguir uma legenda forte para disputar, mas se Fulano e Beltrano entrarem o grupo deve fazer duas vagas. Então, com os votos que o candidato tem, ele pode conseguir uma das duas vagas ou ajudar os figurões a se elegerem e ficar a ver navios. Por isso a situação é complicada. É preciso tomar uma decisão rápida, já que o prazo de filiações termina sábado (5) e a escolha tem de ser acertada, para não haver casamento na delegacia depois. Fragmentos: 1 – Com a entrada de Edson Magalhães no DEM, fica a expectativa para saber em qual direção vai o ex-candidato a prefeito nas eleições passadas Carlos Von, que deve disputar com ele o eleitorado guarapariense. 2 – Aliás, em vários municípios haverá disputas polarizadas para a proporcional. A disputa vai além do processo eleitoral de 2014 e contará como queda de braço entre forças políticas locais. 3 – Nesses lugares a eleição proporcional estadual serve de exercício para a disputa pela prefeitura dois anos depois. Visa a agrupar as lideranças e marcar os espaços políticos.
Sempre o rádio
A data do rádio passou, foi celebrada no dia 25 de setembro, e não fiz nenhuma homenagem. Devo estar cansado do rádio. O rádio que não cria mais nada. Mas vou fazer duas coisas, tentando recuperar a data e me redimir com os colegas. Primeiro, mostrar uma crônica, feita por Renato Rogensk, da Sulrádio, e ainda oferecer um link em que homenageio Helio Ribeiro o mago do rádio, professor que me inspirou e ensinou: http://www.youtube.com/watch?v=QeG5bitSZ_A 26 de setembro de 2013 Ontem (26) foi comemorado o Dia do Rádio no Brasil. A importante data marca o nascimento de Roquete Pinto, considerado o “pai do rádio brasileiro”, que em 1923 fundou a primeira emissora do país, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Desde então muitas ondas já rolaram, desde a longínqua discussão do fim do rádio com a criação da televisão, até a mais recente convergência com as novas mídias. O Adnews ouviu alguns profissionais, que diretamente ou indiretamente acompanham e trabalham com o meio todos os dias. Confira: O fim não está próximo Uma das questões mais inquietantemente discutidas sobre o rádio é justamente a sua longevidade. Muitos apostaram alto que o veículo morreria com a popularização da televisão, o que não esteve nem próximo de acontecer. Logo depois veio a internet, o suposto novo vilão que poria fim à velha mídia de radiodifusão. “Embora as previsões datassem a morte do rádio, ele é o único meio de massa capaz de penetrar em todas as camadas de forma instantânea. A capilaridade, a penetração e cobertura do rádio fazem deste, ainda, o meio mais abrangente nos dias de hoje”, justifica Márcio Canzian, Chief Media Officer da Dim&Canzian. Toninho Rosa, presidente da Dainet, conselheiro editorial do Adnews e sócio da produtora Infiniti fala sobre alguns desafios no caminho de uma sobrevivência saudável para a “velha mídia”. “Poucas pessoas acompanham a evolução do meio. Mesmo os empresários e executivos do rádio nem sabem que hoje ele é o meio mais consumido pela população. Mais até do que a TV. Realmente parece impossível. Esse é o problema do rádio. A falta da união das empresas fragiliza um processo de marketing e comunicação”, opina. As principais mudanças nos últimos anos O rádio tem muitas décadas de estrada, mas algumas das mudanças mais significativas de sua história aconteceram nos últimos anos, sobretudo com a sua entrada em novos dispositivos tecnológicos e a convergência com as novas mídias. “Diria que a principal mudança foi a integração com os demais meios, como por exemplo, a internet, que não só fez do rádio um multiplicador de conceitos como ampliou sua característica e diferencial de chegar a muitos lugares com uma atualização quase real time de dados e notícias”, defende Kito Siqueira, presidente Aprosom. Silvio Soledade também lembra que muitos programas de rádio se pautam pelas discussões que seus ouvintes travam nas redes sociais. O que significa a chegada das webrádios? Nos últimos anos a qualidade da internet evoluiu e o mercado viu crescer uma série de webrádios, que inclusive já conquistaram o seu espaço não apenas com volume de audiência, mas até mesmo ocupando posição em premiações de mídia e jornalismo. “A internet facilitou a propagação do rádio e fez com que sua voz fosse levada ao mundo. Eu, por exemplo, a cada semana, faço um comentário de rádio que é levado em média para 300 rádios brasileiras através da Rádioweb, uma agência de notícias que distribui matérias para pequenas rádios de todo o país”, comenta José Maurício. Para Márcio Canzian, já é possível acessar na web um conteúdo bem alinhado com o discurso do rádio, mas ainda assim há espaço para tornar ambas as plataformas mais interativas. Perspectivas para o futuro O assunto rádio percorre um longo caminho, mas sempre dá vazão a mesma pergunta. Qual será o seu futuro? Silvio Soledade acredita que coisas boas virão pela frente. “As rádiowebs já são uma realidade. Em breve teremos as rádios digitais, com maior interatividade. E as rádios de periferia, que antes eram comunitárias, atualmente são oficiais e chegam onde outros veículos não conseguem chegar, em termos de proximidade com o ouvinte e com a comunidade. Com o advento da internet, os rádios se modernizaram em termos de geração de conteúdo, mas continuarão desfrutando da credibilidade que sempre tiveram”. Por Renato Rogenski PARABÓLICAS Toninho ProEdit, depois do rádio, passou a gostar de política, mas sem perder a sensibilidade. Ideraldo Gomes continua com o programa Rio Branco Rádio Clube na SimAMVilaVelha. A torcida apoia. Eduardo Lima deverá coordenar um pool de igrejas evangélicas numa das emissoras da Capital. Vitor Rangel é um dos finalistas do Prêmio Capixaba de Jornalismo, categoria cinegrafista (RecordNews). MENSAGEM FINAL “Eu nunca morreria pelas minhas crenças, porque eu poderia estar errado”. Bertrand Russell
Loteado
A retirada da urgência constitucional para a tramitação do projeto que estabelece o novo Código da Mineração pela presidente Dilma Rousseff apenas adia, mesmo assim por pouco tempo, a consolidação das negociações realizadas há quatro anos com as grandes empresas do setor. Embora os movimentos sociais alertem para os impactos da atividade e os retrocessos da proposta, não há a mínima possibilidade de o governo federal apertar o freio na concessão dos privilégios. “Está tudo dominado”. A trégua vai somente até no máximo 20 de outubro próximo. Mesmo assim porque, com a urgência, a proposta trancava a pauta da Câmara dos Deputados. Depois restará sacramentar o que fora acordado com o único participante não governamental das discussões: os principais grupos econômicos da mineração. Pois saiba o leitor, que uma medida de tamanha importância, não foi aberta para debates com a sociedade civil organizada, nem com as pequenas empresas, muito menos com os atingidos pela mineração espalhados pelo país. Medidas de contenção dos impactos socioambientais, então, nem pensar. Passaram batidas pelo texto. E não foi por falta de empenho. Alijadas do processo, 50 entidades se articularam para constituir o Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração, mas sequer conseguiram ter acesso ao conteúdo do texto do novo Código antes de ser apresentado ao Congresso Nacional. O que está por trás dessas negociatas para facilitar – e bem – a vida dos grandes grupos não é diferente do que estamos acostumados a ver em outras áreas. O já conhecido lobby e o sistema de financiamentos de campanha, em que prevalece a máxima “Eu te ajudo hoje, você me paga amanhã”. Com duas empresas mais conhecidas ainda dos capixabas na lista das “dez maiores da mineração brasileira” e principais beneficiadas com o novo marco regulatório, que vem a ser também aquelas que lideram a lista de doações de campanha a políticos do Estado. Nomes: Vale e Votorantim – que comprou a Aracruz Celulose e rebatizou de Fibria, para tentar se desvincular de mais de 40 anos de violações no norte do Espírito Santo. Além dos movimentos sociais, que realizaram até protesto em Brasília alertando sobre o foco economicista do Código, que só trata de atrair mais investimentos às grandes empresas, o Ministério Público Federal criou um grupo de trabalho para debater a questão e alertou sobre o fato de o texto não tratar de questões ambientais e dos direitos humanos. Várias sugestões de alteração da proposta foram apresentadas pelo MPF e por entidades ambientalistas, porém, em vão. Significa que o novo marco da mineração não tem sequer uma linha que garanta a preservação de recursos hídricos, de unidades de conservação e dos territórios de comunidades tradicionais. Olha o tamanho do problema: mesmo sem autorização legal, empresas de mineração já apresentaram mais de cinco mil pedidos de lavra em terras indígenas ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). Levantamento da Rede Brasileira de Justiça Ambiental é claro: em alguns casos, até 90% do território hoje protegido como terra indígena estaria em risco de exploração mineral. Repito o que li em manifestações públicas: o novo marco legal é um cheque em branco para as mineradoras. Conseguiu sair pior do que o Código da Mineração de 1967, formulado em plena ditadura militar. Retrocesso? Não, imagina… Manaira Medeiros é mestre em Políticas Públicas e Desenvolvimento Local e especialista em Gestão e Educação Ambiental Fale com a autora: manaira@seculodiario.com
OAB-ES solicita providências a órgãos ambientais sobre aterro em Linhares
A seccional capixaba da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES) solicitou providências e especial atenção aos órgãos ligados ao meio ambiente, sobretudo à Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Seama), ao Instituto Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), ao Ministério Público Estadual, ao Ministério Público Federal e ao Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema), sobre o licenciamento, implantação e operação da Central de Gestão Ambiental (CGA) em Linhares. A solicitação foi feita por intermédio da Comissão de Meio Ambiente, atendendo a um pedido do Comitê em Defesa da Sustentabilidade Socioambiental da Região de Poção, localidade de Bebedouro, onde estará localizado o aterro. A área de implantação do empreendimento é de intensa produção agropecuária e grande expansão urbana. A obra é de responsabilidade da Vital Engenharia Ambiental, empresa do Grupo Queiroz Galvão. No local do aterro serão realizados o manejo, o acondicionamento, o tratamento e a destinação final dos resíduos de classe I – Perigosos (segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos, aqueles que, em razão de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade, patogenicidade, carcinogenicidade, teratogenicidade e mutagenicidade, apresentam significativo risco à saúde pública ou à qualidade ambiental, de acordo com lei, regulamento ou norma técnica) e classes IIA e IIB – Não Perigosos (segundo a mesma lei, os que não se enquadram como perigosos), de origem urbana ou industrial, gerados na região norte. A diretora tesoureira e presidente da Comissão de Meio Ambiente da OAB-ES, Maria Madalena Selvatici Baltazer, enfatizou que a intenção não é dificultar a implantação da empresa, mas é necessário que o meio ambiente e o ser humano sejam respeitados. O aterro será instalado em uma área a dois quilômetros de distância do Rio Doce, a seis quilômetros da comunidade de Bebedouro e a quatro quilômetros de Rio Quartel – comunidades banhadas pelo Rio e que, juntas, somam cerca de 10 mil habitantes. A curta distância entre a área de povoamento e a construção do aterro podem provocar contato indevido com o material contaminado em caso de transbordamento, além de a contaminação da água ser um risco iminente em uma área que, segundo os agricultores locais, tem um lençol freático denso a três metros de profundidade. Segundo os produtores rurais locais, haverá prejuízo na qualidade dos produtos cultivados e problemas para a exportação. Há cerca de um mês, moradores e proprietários organizaram um abaixo-assinado que recolheu quase duas mil assinaturas pela suspensão do projeto do aterro e pela realização de uma audiência para que sejam discutidas as soluções para o caso. O documento foi entregue ao Ministério Público do Estado, ao MPF, ao Iema e ao (Ibama), além da Frente Parlamentar Ambientalista da Assembleia Legislativa, Prefeitura e Câmara de Vereadores de Linhares e OAB-ES.
Mantida decisão que obrigou governo a investir mais de R$ 66 milhões em educação
O juiz da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual, Gustavo Marçal da Silva e Silva, manteve, nessa sexta-feira (27), os efeitos da decisão que obriga o governo do Estado a investir cerca de R$ 66 milhões na educação pública. O valor se refere ao déficit na aplicação mínima de recursos nos anos de 1999, 2000 e 2001, que foi alvo de questionamento em uma ação popular movida pelo ex-governador Max Mauro (PTB), julgada procedente. O magistrado afastou a alegação do Estado de que existiria contradição ou omissão na sentença prolatada em julho último. Na decisão, o juiz negou os embargos de declaração interpostos pela Procuradoria Geral do Estado (PGE), em que pedia a mudança da decisão pelo fato de a própria sentença ter reconhecido a aprovação das contas do governo nos três exercícios pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). A defesa do Estado também sustentava uma eventual omissão da sentença quanto à aplicação do artigo 71 da Constituição Federal, que definiu a competência do tribunal e da Assembleia Legislativa na apreciação das contas do Poder Executivo estadual. Para o magistrado, os embargos de declaração não servem para a rediscussão do mérito da sentença do juiz Manoel Cruz Doval, que ocupava a Vara na época, que teria sido clara o suficiente nos fundamentos para a condenação do Estado. “Pela simples leitura das irresignações (discordâncias) no presente recurso, restou claro que as argumentações são tão somente relativas ao inconformismo com a decisão proferida por este juízo, devendo, obviamente, ser expostas na instância recursal adequada, caso entenda que tenha havido algum prejuízo ou necessidade de reforma quanto ao mérito”, avaliou. Desta forma, o Estado deverá cumprir os dispositivos da sentença que obriga o governo a promover três suplementações (ampliação) das verbas destinadas à manutenção e desenvolvimento do ensino nos próximos três orçamentos financeiros com o objetivo de cobrir esse déficit em valores corrigidos. Esse prazo deve ser contado seis meses a partir do trânsito em julgado da sentença. Na primeira decisão, o juiz Manoel Doval havia considerado que a aprovação das contas pelo tribunal não afastariam o descumprimento ao artigo 212, da Constituição Federal, que estipula o percentual mínimo de 25% da arrecadação de tributos em investimentos na educação. “Em que pese à aprovação das contas pelo TCE, é relevante ressaltar a existência de votos contrários dos conselheiros, que, inclusive, acompanharam o parecer da Procuradoria de Contas pela rejeição das contas”, entendeu o juiz. De acordo com o parecer da área técnica do TCE, o Estado deixou de investir cerca de R$ 66,24 milhões durante os três exercícios financeiros. Em 1999 e 2000, o déficit teria ficado em torno de R$ 13 milhões anuais, valor que teria deixado de ser transferido para a conta bancária do Ensino Fundamental. No ano de 2001, o governo estadual teria deixado de investir quase R$ 40 milhões na soma dos valores necessários manutenção e desenvolvimento do ensino. “Assim, em que pese à aprovação das Contas por maioria de votos dos Conselheiros, restou indubitável a existência de irregularidades nos investimentos destinados à educação. Considerando não ter havido desvio de verbas e, sim incorreta aplicação dos recursos, entendo que o valor deverá ser compensado nos próximos exercícios financeiros, a fim de suprir as omissões dos repasses ocorridas nos anos de 1999, 2000 e 2001”, considerou Manoel Doval, que citou um precedente em ação semelhante no estado de São Paulo. Na ação popular, o ex-governador Max Mauro também pedia a responsabilização do então chefe do Executivo, José Ignácio Ferreira. No entanto, o juiz considerou que o governador de Estado não pode ser responsabilizado pelos atos inerentes ao cargo: “Observo que o comando judicial pretendido pelo autor – mesmo que acolhido –, em nada se comunica com a composição do polo passivo pela pessoa física do governador do Estado, na medida em que se busca tão somente a implementação pelo Estado do repasse das verbas da educação”.