Numa votação apertada (9 votos a 8), durante a sessão ordinária desta terça-feira (24) na Assembleia, o parecer da Comissão de Justiça pela inconstitucionalidade da Proposta de Emenda Constitucional 11/2013, de autoria do deputado Rodrigo Coelho (PT), foi derrubado. Com a vitória parcial, a PEC que prevê eleição direta para diretores de instituições públicas estaduais de ensino fundamental, médio e superior segue tramitando na Casa. A proposta, que precisa ser aprovada em dois turnos de votação, permitirá que a própria comunidade escolha o diretor e o vice da escola. No entanto, se depender do deputado Elcio Alvares (DEM), que deu parecer pela inconstitucionalidade da matéria, a escolha dos diretores continuará sendo feita indiretamente. Atualmente, o nome do diretor sai de uma lista tríplice que é submetida à Superintendência de Educação, que indica o novo diretor. Não é de se estranhar que Elcio Alvares tenha se posicionado contrário a uma proposta que resgata a democracia. Não seria do seu feitio se ele votasse pela escolha direta. Pudera, o deputado teve uma formação política forjada no regime militar. Deputado federal (1970 – 1974) pela extinta Arena, Elcio foi empossado governador biônico do Espírito Santo (1975 – 1979) pelas mãos da ditadura militar – escolha mais indireta, impossível. Em vez de se reciclar e ouvir o clamor das ruas, que pede mais participação da sociedade no poder público, Elcio Alvares continuam legislando com a cabeça nos anos de chumbo. Por isso achou mais prudente dizer que a proposta é inconstitucional, para não dar margem ao contraditório e sepultar de vez a ideia. Desta vez não funcionou. Nos estados em que Elcios são minoria, os governos consideram a escolha de diretores e vices de escola como um rico exercício de democracia. No Rio Grande do Sul, só para citar um exemplo, os diretores e vices das 2,5 mil escolas estaduais são escolhidos de três em três anos por professores, funcionários, pais e alunos. Todo o processo de escolha é muito parecido com o processo eleitoral tradicional. Com direito a propaganda eleitoral para os candidatos apresentarem as propostas, debates de ideias e, se necessário, primeiro e segundo turnos. Como a escolha se dá pela via democrática, toda o processo de gestão, naturalmente, obedece ao mesmo princípio. A ideia é garantir a autonomia das escolas na gestão; transparência dos mecanismos administrativos, financeiros e pedagógicos e a descentralização do processo educacional, ou seja, são os eleitores que irão fiscalizar o mandato e fazer a gestão compartilhada da escola com o diretor eleito. Como já dissemos, um excelente exercício de democracia. Especialmente para os alunos, que são cidadãos em formação, nada mais adequado do que iniciar o aprendizado da democracia no ambiente escolar. Talvez Elcio Alvares tema que esse aprendizado possa, no futuro, gerar cidadãos mais críticos e conscientes, que na hora do voto se recusem a eleger políticos reversos à democracia.
Espionagem e prostituição
As duas práticas citadas no título são talvez as atividades mais antigas do mundo. É o que diz um amigo de Ribeirão Preto. Ele se espantou não com os melindres da presidenta Dilma ao saber que a diplomacia americana a espiona, mas com a hipocrisia generalizada dos que se declaram indignados com o procedimento dos nossos amigos do Norte. A única novidade dessa história é a “via digital”. Ela nos assegura que estamos submetidos ao Big Brother de George Orwell, não o do programa da Globo. No mais, continuam os grampos telefônicos e outros métodos de investigação e espionagem. A prostituição entra na história para adicionar a pimenta da corrupção. É assim que, unidos, governos e corporações trabalham para jamais serem vencidos. Recordemos o que aconteceu em 1964. Foi não apenas com espionagem mas com conspiração pesada que os EUA ajudaram/estimularam empresários, políticos e militares brasileiros a derrubar o governo de João Goulart, vice-presidente eleito em 1960 junto com Jânio Quadros, que tomou um porre na solidão do Palácio do Planalto e renunciou ao maior cargo nacional. Desde a Segunda Guerra Mundial os americanos exerciam influência mais ou menos explícita no Brasil. Não custa lembrar que seu maior aliado brasileiro foi o major Golbery do Couto e Silva, depois general, que implantou o Serviço Nacional de Informações, mantido pelo Exército, que atuava numa linha semelhante à da CIA e do FBI. A doutrina do SNI foi criada e mantida pela Escola Superior de Guerra, fundada em 1949, com apoio dos EUA. Tudo indica que está viva até hoje. Desde essa época, há mais de 60 anos, o SNI e a CIA colaboravam entre si, trabalho que se intensificou a partir dos anos 1960. Era tal a dependência do Brasil aos EUA que em 1977, querendo mostrar independência, o general Geisel, presidente da República, assinou com a Alemanha um acordo de compra de tecnologia nuclear. Quatro décadas depois a Alemanha já fechou todas suas usinas nucleares enquanto o Brasil mantém operando a Usina Nuclear de Angra dos Reis, que representa menos de 2% da produção nacional de eletricidade. Já o risco de contaminação pela radiatividade é enorme. A revelação da espionagem americana no Brasil tem uma vantagem: pode nos ajudar a buscar maior independência do que já temos. A dependência começa na importação de produtos, de tecnologia e de capitais. Agrava-se por meio da sujeição diplomática, que traduz a inferioridade psicológica construída por décadas de submissão colonial. A proclamação da independência em 1822 levou o Brasil da dependência de Portugal para a sujeição à Inglaterra, depois aos EUA. A independência só pode ser conquistada por meio da elevação do padrão educacional da população. É algo que demora décadas. Séculos. Hoje somos pluridependentes (além da Alemanha, fazem parte dos nossos circulo mais estreito o Japão, a Espanha, a França, a Italia e a China), mas o peso dos EUA caiu no comércio brasileiro. Há dez anos, o comércio com os EUA representava 25% dos negócios do Brasil. Hoje, oscila entre 10 e 15%, graças aos governos petistas que intensificaram as relações com países das Américas, da África e da Ásia. Mas não nos iludamos com isso. Pode ser que a queda da participação direta dos EUA seja compensada por empresas americanas instaladas na China, no Japão, na Alemanha, na Inglaterra e em outros países. A globalização financeira e tecnológica transformou o capitalismo num bicho de sete cabeças – todas treinadas para falar o inglês de Nova York. LEMBRETE DE OCASIÃO Frango de granja não sabe ciscar
Fórmulas
Em meio ao processo de sabatina dos candidatos à vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE), os deputados que pleiteiam a cadeira protagonizam intensas movimentações de bastidores. Na linha de frente está o PT, valendo-se de todas as armas para tentar emplacar Claudio Vereza. Mas como a candidatura do petista não agrega dentro do Plenário, precisa de apoio fora da Casa. As articulações ocorrem, portanto, na direção do governador Renato Casagrande. E começou lá atrás, ainda no polêmico processo de criação da CPI do Pó Preto. Quando a bancada do PT recuou de assinar o requerimento, manifestou a Casagrande que, assim, livrava o governo de um incômodo e tanto. Ao mesmo tempo, faz pressão e envia sinais de ameaças constantes, para mostrar que tem instrumentos capazes de, a qualquer momento, validar ações semelhantes que podem surpreender Casagrande. E as movimentações petistas já não se restringem ao processo atual, têm alcance ainda maior, na vaga que será aberta em 2016, com a aposentadoria de Valci Ferreira. Se não for agora – Sérgio Borges (PMDB) ainda é o favorito – será no segundo movimento. Essa é a jogada. Perfil Já a candidatura de Dary Pagung (PRP), que nos últimos tempos tem aparecido com mais frequência, é uma iniciativa do deputado Elcio Alvares (DEM). Pagung aparece como solução para consolidar a forte influência do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) no TCE. É novo e teria muito tempo para permanecer no órgão. Mas tal condição não atinge Borges e estaria distante, exatamente por aumentar o poder de Hartung. Filho único Dos candidatos de fora da Assembleia, quem tem ingresso em um grupo de deputados e deve receber votos é o procurador federal Ivan de Almeida Ferreira Júnior. José Esmeraldo (PMDB) é outro que poderá se “render” à escolha. Ai! A propósito, as sabatinas dos candidatos ao Tribunal de Contas não deixam dúvidas: o respeito à língua portuguesa não é uma das qualificações exigidas para assumir a vaga. Tem cada uma de doer. Oi? É isso mesmo, a advogada Tania Pires não compareceu novamente à sabatina? Tanto barulho… Moderninho O candidato Carlos Alberto Bianchi na sabatina desta terça-feira chamou atenção. Abriu o colarinho, soltou a gravata, no estilo despojado. Mas, assim, não ficou muito bom. Faltou uma consultoria. Disputado O delegado “sucesso de mídia” Fabiano Contarato participou de encontro discretíssimo com o governador Renato Casagrande. Conversas são para lançá-lo candidato a deputado federal. Outra delegada, Fabiana Maioral, também terá o mesmo destino, pelo DEM. Quem vai? Passada a polêmica do entra e sai do deputado federal Carlos Manato, o PP realiza reunião neste sábado (28), em Vitória, com lideranças de todo o Estado para discussões sobre composição de chapa para a eleição de 2014. O presidente estadual do PP, Marcus Vicente, espera listar os nomes pré-candidatos à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa. Junto Não tem muito tempo, Vicente já havia fechado questão em relação à disputa ao governo do Estado: o partido vai apoiar a reeleição de Renato Casagrande. O PPS, do prefeito de Vitória Luciano Rezende, já fez o mesmo e, sempre que pode, reitera. Páreo Tem capixaba na disputa à vaga reservada à OAB, o chamado quinto constitucional, no Tribunal Regional Federal 2ª Região – Rio de Janeiro e Espírito Santo. Trata-se de Luiz Henrique Antunes Alochio, professor universitário, procurador concursado da Prefeitura de Vitória e autor de livros. Ela foi o segundo mais votado na lista tríplice enviada à presidente Dilma Rousseff. A primeira, quem foi? Letícia de Santis Mendes de Farias Mello, filha do ministro do STF, Marco Aurélio Mello. Com pouca experiência na área –atuou em apenas cinco processos e não tem cursos de pós-graduação -, a indicação da advogada rendeu repercussão na imprensa nacional. Outra que tenta virar desembargadora, no Tribunal de Justiça do Rio, é Mariana Fux – atuou em seis processos -, filha do ministro Luiz Fux. Também gerou polêmica. Nas redes “Nosso sistema penitenciário é ineficaz, incapaz de introduzir o indivíduo novamente na sociedade, funciona como um curso intensivo e integral de marginalidade. Quem se lembra do caso das Masmorras Capixabas? A vergonha do Hartung, que tem a cara-de-pau de achar que esquecemos e querer voltar a se candidatar”. (Não é por 20 centavos, é por direitos – no Facebook). PENSAMENTO: “Se o povo soubesse como são feitas as leis e as salsichas não dormiria tranqüilo”. Otto Von Bismark
E o socialismo?
O movimento sindical tem uma importância fundamental na transformação social. Estrategicamente, se os sindicatos instruem os trabalhadores no padrão cultural, na política, ele capacita a população para essa transformação. Foi com esse pensamento que as centrais foram criadas. Mas há muito tempo o movimento sindical deixou de cumprir esse papel. A medida em que foi excluído dos processos de elaboração das políticas sindicais, passando a ter apenas um papel homologatório das decisões da cúpula do sindicato, o trabalhador se alienou desse processo. Ao se apoderar das Sipas e das comissões de negociação salarial, as discussões deixaram de ser coletivas e passaram a ser restritas entre direção sindical e empresariado. Ao trabalhador só é levada a decisão já tomada. A consequência de o movimento sindical não investir nessa formação da base tem reflexos na queda de qualidade do trabalho desenvolvido pelo Partido dos Trabalhadores e no esvaziamento não só das centrais, como do próprio sindicato. Sem a mobilização do trabalhador, não há envolvimento político e o sindicato cai em descrédito. O movimento surgiu com a ideia de disseminar na classe trabalhadora a ideia da luta de classe e a difusão do socialismo. Mas com a luta de poder interna nos sindicatos e a adesão às propostas do patrão o que o sindicato vem fazendo é contribuir cada vez mais para a mais-valia. E faz um capitalismo pequeno, mesquinho em que quem sempre sai perdendo é o trabalhador. Quando o Partido dos Trabalhadores chega ao ponto máximo da política institucional no Brasil e está nele há mais de uma década, o que se vê é o movimento sindical perder essa chance de fazer cumprir as propostas sindicais-partidárias e ir na contramão da história. A solução é a formação do trabalhador e é agora ou nunca!
O que parece o fim pode ser o começo
A vergonha, o medo, a insegurança. As noites mal dormidas, fruto da tensão e da pressão que ficam cada dia mais constantes. A incapacidade de compartilhar os problemas com a família, e maior ainda, de pedir ajuda pelo medo de receber não, geram desespero e afunilam mais e mais as “saídas” para pessoas com dificuldades financeiras. Enroscados nessa teia que parece dia após dia ir sufocando, retirando a luz e aproximando o final do túnel, os endividados vão se isolando socialmente, se distanciando da vida, cortando suas raízes, e com isso adoecendo psicológica e fisicamente, além de financeiramente. A depressão passa a fazer companhia diária. Do estresse vêm à alteração na pressão arterial, as dores de cabeça, a síndrome do pânico, os transtornos alimentares. Por outro lado, chegam também os conflitos familiares, o humor deprimido, a queda na concentração e na produtividade no trabalho, ameaçando a empregabilidade e aumentando ainda mais a depressão, a tensão, a pressão e o medo. Para os autônomos, uma dívida pode representar a inviabilidade do negócio, a incapacidade de sanar, levando ameaça também ao seio familiar. Nos últimos dias, a imprensa escrita e televisiva vem noticiando casos de assassinatos e suicídios cujo pano de fundo é o endividamento. No Estado “dívida pode ter sido motivo de assassinato de taxista”; outro caso: “O crime teria como motivo uma dívida por tráfico de drogas”. Em São Paulo: “Uma família inteira envenenada”. O motivo foi escrito na parede: “Não fui capaz de cuidar da minha família”. Dívidas momentâneas, ceifando a vida de pessoas, abrupta e desnecessariamente. Tudo é uma questão de tempo, empenho, abdicações, mas acima de tudo de união para promoverem juntos, não só a reversão da situação, como também a possibilidade de aprenderem a lidar com os recursos financeiros. Ah, esse aprendizado motivado pela dor é o que efetivamente faz a diferença. Ouvem, aumentam e fazem críticas a políticos, aos alcoolistas, a pessoas que se “enrolam” financeiramente, mas quando passam de críticos a alvos das críticas, nem sempre aceitam e suportam. Então que “não atire a primeira pedra, lembrando que todos os telhados são de vidro”. O endividamento não deve e não pode ameaçar a vida de pessoas e famílias. Em qualquer guerra, primeiro tem que ser traçada a estratégia, segundo, formar o seu exército, escolher as armas, depois adotar o planejado e lutar. Lutar o tempo que for necessário para vencer cada batalha. Nos casos de reversão do endividamento excessivo não é diferente. A guerra é contra as dívidas, o exército é formado pela família, as armas são o orçamento familiar, o levantamento de dívidas, o corte nos gastos, a adoção de novas fontes de renda e a concentração de esforços na luta, dure o tempo que for necessário. Sim, a família é o elo fundamental entre o problema e a solução deste, não devendo ser poupada em qualquer hipótese. O que falta é crença, empenho, intenção de mudar hábitos, de reduzir o padrão de vida e de socializar a situação à família. É possível reverter situações de endividamento, mesmo nos casos excessivos, de mudar comportamentos e assim virar o jogo, passando a jogar de forma diferente. Afirmação que descarta a necessidade de adotar atitudes impulsivas e extremistas. É preciso diagnosticar e socializar a situação, estabelecer tratamento médico, medicamentoso, psicoterápico, individual e familiar e mudar os hábitos e atitudes em relação ao uso dos recursos financeiros, através da terapia financeira. E monitorar sempre. O que parece ser o fim pode ser o (re) começo. Ivana Medeiros Zon é assistente social, especialista em Saúde Pública e em Estratégia Saúde da Família. Autora do Projeto Saúde Financeira na família: uma abordagem social, com foco em educação financeira. Fale com a autora, mande suas dúvidas para ivana_zon@seculodiario.com
Muitas dúvidas
Seguindo a reportagem da Folha de S. Paulo, os jornais capixabas desta terça-feira (24) trazem a fala do ex-prefeito de Vitória João Coser, de que aceita o desafio de disputar o governo do Estado. Mas até que se baixe a poeira nacional a situação no Espírito Santo segue muito indefinida. Uma definição que poderá clarear as ideias por aqui é sobre a Rede Sustentabilidade. Marina Silva, que segue em segundo na corrida presidencial, descarta um plano B para disputar a eleição. Se ela não entrar, o foco fica sobre o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). Ele está bem atrás na disputa, mas sua situação é melhor que a do tucano Aécio Neves. Eduardo Campos pode se apresentar como novidade no pleito, além de ser uma figura leve e com ficha limpa. Isso traz uma reflexão para a classe política do Estado. O governador Renato Casagrande é partidário, mas prefere a neutralidade e defende a permanência do PT em seu grupo político. Neste sentido, Dilma teria três opções no Estado. Além do palanque neutro de Casagrande, o PT vem sendo assediado pelo grupo do ex-governador Paulo Hartung, uma movimentação que não é vista com tanto entusiasmo pela cúpula petista, mas tem o apoio do vice-presidente Michel Temer. Até onde isso influencia, não se sabe muito bem ainda. Agora aparece a possibilidade de o partido lançar candidatura própria com Coser. O que talvez não seja uma ideia nada boa para o PT nacional. O PT não se preparou para disputar o governo e terá muita dificuldade em reunir aliados para construir um palanque no Estado. Outro fator que mexe com o mercado político do Estado é a frase da deputada federal Lauriete (PSC), mulher do senador Magno Malta (PR). Ela declarou em recente evento do PSC que quer ser a primeira-dama do Brasil. A deputada pode estar indicando que Malta talvez não entre na disputa estadual, como estava sendo cogitado. Todas essas variáveis deixam a situação eleitoral do próximo ano ainda muito indefinidas. De certo, existe a candidatura do governador Renato Casagrande à reeleição com a disposição de manter ao seu lado o grupo que o elegeu em 2010. Fragmentos: 1 – Na sabatina dos candidatos a conselheiro do Tribunal de Contas na manhã desta terça-feira (24), chamou a atenção a presença do ex-governador Max Mauro (PTB) no plenário da Assembleia. 2 – Max foi o autor da ação popular que questionou na Justiça a presença de Elcy de Souza no colegiado. O ex-governador alegou que a vaga ocupada por Elcy pertencia ao Ministério Público e o conselheiro nunca teve acento no MPES. 3 – Depois de uma batalha judicial longa, o ex-governador conseguiu que a nomeação de Elcy fosse anulada. Sua presença na sabatina desta terça, deve ter feito tremer os candidatos.
Justiça do Rio afasta Antônio Oliveira Santos da presidência da CNC
Depois de permanecer por mais de 30 anos à frente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), o capixaba Antônio José Domingues de Oliveira Santos foi afastado do cargo por determinação judicial. Na decisão, o juiz Josimar de Miranda Andrade, da 20ª Vara Cível do Rio de Janeiro, julgou procedente uma ação contra a permanência do dirigente após ter as contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por irregularidades em contratações. Ele ainda pode recorrer da decisão. O magistrado avaliou como incompatível a manutenção de Oliveira Santos na presidência do Sistema S (Sesc/Senac), após a condenação pela corte de Contas. A defesa do dirigente tentou classificar como pouco significativa as acusações contra Andrade. O juiz Josimar Andrade destacou que a Constituição Federal confere poder de fiscalização ao TCU e o próprio regimento interno do CNJ veda a permanência de dirigentes com condenação por órgãos de fiscalização. “Quando chamado à lide, [a defesa] faz referência ao fato de que os valores irregularmente apontados para contratação de serviços e bens, na época quase R$ 1 milhão, representava apenas 0,49% do orçamento anual da confederação. Ora, ainda que fosse 0,1%, o que se questiona não é o valor em si contratado irregularmente. O órgão competente para fiscalizar as contas do Sistema S foi brilhante ao reconhecer que a contratação dispensou concorrência, que não podia, e sob esse aspecto, as contas do primeiro réu foram rejeitadas e foi aplicado uma sanção, que o mesmo insiste em dizer que foi insignificante”, diz a decisão. O juiz fluminense chama atenção de que havia atentado para a situação, quando havia determinado o afastamento liminar de Oliveira Santos na mesma ação, em janeiro deste ano. No entanto, o dirigente – que teve origem no sindicalismo no Espírito Santo – acabou sendo mantido no cargo por efeito de uma liminar concedida pelo desembargador Fernando Cerqueira Chagas, da 15ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ). “Na antecipação de tutela conferida, já fazíamos referência a situação desagradável atinente a moralidade que afetava o País naquela época e que são hoje evidentemente demonstradas em desrespeito total ao princípio da moralidade”, afirma o magistrado, em alusão aos protestos populares contra a corrupção, desencadeados a partir de junho último. A decisão faz parte de uma disputa judicial, iniciado no ano passado, entre dirigentes da Confederação, especificamente, entre o atual presidente e o vice-presidente da instituição, Orlando dos Santos Diniz – representante da Federação do Comércio do Rio (Fecomercio-RJ). Em janeiro deste ano, o TJ-RJ chegou a suspender uma reunião convocada às pressas pelo Conselho da CNJ para cassar o mandato de Orlando Diniz, medida vista como uma retaliação ao posicionamento do dirigente. Os lances da disputa entre o dirigente carioca e Oliveira Santos remetem a reportagens produzidas pelo jornal Século Diário ao longo dos últimos anos. Os métodos utilizados pelo dirigente capixaba guardam relação com o expediente sofrido por jornalistas de Século Diário que foram alvo de ações judiciais após a divulgação de denúncias em relação à falta de transparência na gestão do Sistema S no Espírito Santo, que se estendia ao sistema nacional em função da permanência de Oliveira Santos no comando da CMC. No ano de 2003, o presidente do CNC teve as contas reprovadas pelo TCU por irregularidades fiscais no exercício de 2000 à frente da presidência do Conselho do Sesc e do Serviço Nacional do Comércio (Senac). Por conta dessa condenação, a Fecomercio-RJ entendia que Oliveira Santos não estaria habilitado para o exercício de qualquer função de administrador no âmbito do Sistema S. A defesa de Oliveira Santos anunciou à revista eletrônica Consultor Jurídico que novamente vai recorrer da decisão. O advogado da CNC,Paulo César Pinheiro Carneiro, alegou à publicação que as contas não teriam sido reprovadas pelo TCU, mas foram emitidas algumas recomendações para futuras compras. O advogado apregoa que não houve qualquer indicação pelo TCU de má-fé ou superfaturamento no processo de compra – sem licitação – de materiais odontológicos para o projeto Odonto Sesc, avaliado em torno de R$ 720 mil.
Campanha ‘Respeito todos na via’ é criticada pelos Ciclistas Urbanos Capixabas
Segundo o movimento Ciclistas Urbanos Capixabas (CUC), a Prefeitura de Vitória errou na mão ao lançar a campanha “Respeito todos na via”. Com o objetivo de promover um convívio respeitoso entre ciclistas, pedestres e motoristas nas ruas da Capital, a campanha deixou de lado os 1,5 metros de distância que deve ser respeitado pelos motorista e aconselha o ciclista a pedalar próximo ao meio fio, colocando o ciclista em risco. A entidade publicou nesta terça-feira (24) uma nota em sua página no Facebook. No texto eles declaram que a Federação Espírito-Santense de Ciclismo (Fesc), entidade voltada para o esporte de competição e que apoia a campanha, não representa os desejos e as propostas do ciclismo urbano defendidas pelo CUC. “Observamos que a Fesc, por ter seu presidente ocupando cargo de confiança comissionado na Prefeitura de Vitória – PMV, não tem autonomia nem independência para se posicionar com opiniões críticas sobre a campanha publicitária de mobilidade urbana que está sendo divulgada pela PMV nessa semana com logomarca da Fesc junto à logomarca da atual administração municipal. Entendemos que qualquer apoio daquela federação às ações municipais será tendenciosa à política da gestão municipal”, declarou o movimento em sua página no Facebook. A campanha, segundo o CUC, não agrada sobretudo, por orientar mal o ciclista capixaba e ignorar as reuniões feitas entre as partes para definir as prioridades do segmento. O resultado, afirmou a cicloativista Detinha Son, do CUC, é uma campanha que ao invés de focar no motorista, principal responsável pelos acidentes registrados, foca muito nos deveres do ciclistas. “Não entenda mal, o ciclista tem deveres e direitos que também devem ser ressaltados, porém, a maioria dos acidentes ocorre porque os veículos não respeitam os 1,5 metros previstos no Código Nacional de Transito. Isso ficou fora da campanha”, advertiu. Outro ponto criticado, diz respeito à orientação de onde o ciclista deve pedalar. Em São Paulo, defende Detinha Son, onde o trânsito de ciclista é considerado o 18º melhor do mundo, a orientação é que o ciclista ocupe o meio da faixa de trânsito e não as margens do meio fio. Quanto ao questionamento sobre o uso das bordas das pistas, a PMV informou que obedece ao Código de Trânsito, Art. 58: “Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores”. Os ciclistas rebatem. “O problema de ocupar a rua próximo ao meio fio, como recomenda o vídeo [da campanha], é o alto índice de buraco e bueiros. Além disso, a medida induz a uma falsa oportunidade de espaço para que o carro ultrapasse sem manter os 1,5 metros de distância previstos na lei, portanto, nunca ande próximo ao meio fio como é recomendado”, disse um dos ciclistas urbanos na página do CUC. Para os ciclistas, o Código de Transito não é claro quando afirma que os ciclistas têm que pedalar na borda das vias públicas, e por isso, faltou bom-senso na hora de elaborar a campanha, sobretudo, baseado na experiência relatadas pelos ciclistas durante as reuniões. A campanha, também vai contra as recomendações do site Vá de Bike, referência de ciclistas urbanos iniciantes há mais de 10 anos. No site, os ciclistas são orientados a ocupar uma faixa maior da faixa de trânsito (um terço) para garantir a sua segurança no trânsito. Apesar do “instinto de sobrevivência levar o ciclista a pedalar mais à direita da via, isso pode acabar levando ao resultado oposto, ou seja, dando espaço para que os carros pressionem os ciclistas”, orienta o site Vá de Bike. Outra vantagem de se ocupar melhor a pista é a de não andar rente aos carros estacionados e, portanto, não correr o risco de levar portadas de carros parados. Desta forma, defendem os ciclistas capixabas e paulistas, é possível evitar o “dá pra passar” dos motoristas, evitando as colisões entre as partes. A ocupação maior do espaço da faixa, defendem os ciclistas, não vai contra o Código de Trânsito Brasileiro, visto que o mesmo não estipula qual é o espaço da “margem da pista” recomendado para a pedalada e garante maior segurança para o ciclista. Segundo a Prefeitura de Vitória, a campanha que será veiculada durante 10 dias obedece às leis de trânsito e deverá reforçar atitudes e comportamentos simples e necessários nas vias públicas. “As ações contemplam a lei municipal nº 7787, que estabelece no calendário oficial de Vitória a Semana Municipal do Ciclista, com o objetivo de mobilizar e sensibilizar a sociedade civil, através de políticas públicas que promovam o uso da bicicleta na capital”, divulgou. De acordo com a prefeitura, ao longo da campanha todos os usuários de vias públicas terão seus deveres e direitos ressaltados.
Greve dos bancários: número de agências fechadas aumenta diariamente
O número de agências bancárias fechadas nesta terça-feira (24), quarto dia de greve dos bancários, chegou a 242 em todo o Estado, sendo 150 da Grande Vitória e 92 no interior. Três prédios administrativos também estão aderiram à paralisação, o Pio XII, do Banco do Brasil, o Bandes e o Centro de Processamento de Dados do Banestes, todos em Vitória. Na região metropolitana o número de agências fechadas da Caixa Econômica Federal se manteve em 34, o que representa 97,14% das unidades da região. Também permanecem fechados sete dos 11 departamentos do banco. Já no interior o número subiu de 29 para 30 agências paradas. No Banestes a adesão aumentou de 53 para 54 unidades – 46 na Grande Vitória e oito no interior. Já no Banco do Brasil, neste mesmo período, o número de agências paradas passou de 69 para 73, das quais 37 estão localizadas no interior e 36 na região metropolitana. Ainda em relação aos bancos públicos, também entraram em greve os bancários das agências do Banco do Nordeste de Colatina e Nova Venécia, no noroeste do Estado; Linhares, São Mateus, na região norte. Dentre os bancos privados, o número de agências paradas passou de 39 para 47, um aumento de aproximadamente 20%, se à segunda-feira (23). Desse total, 11 agências são do Santander, 13 do Bradesco, 15 do Itaú, seis do HSBC, uma do Safra e uma do Mercantil do Brasil. Em todo o País são mais de 9.015 agências e centros administrativos parados, entre bancos públicos e privados. Os banqueiros ainda não se manifestaram em relação à greve da categoria, portanto, não há perspectiva de nova negociação. Diante do silêncio da Fenaban, o Comando Nacional dos Bancários se reúne nesta quinta-feira (26) às 14 horas, em São Paulo, para fazer uma avaliação da primeira semana da greve.
Sindicato denuncia retaliação a agentes penitenciários que participaram de manifesto
Quase um mês após a suspensão do manifesto dos agentes penitenciários do Estado, os trabalhadores que participaram do protesto estão sendo alvo de Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD), transferidos e até mesmo exonerados de funções gratificadas. Antes da suspensão do movimento, houve uma reunião entre a diretoria do Sindicato dos Agentes do Sistema Penitenciário do Estado (Sindaspes); o secretário de Estado de Justiça, Sérgio Alves Pereira; o subsecretário para Assuntos do Sistema Penal, Eugênio Coutinho Ricas; o deputado estadual Gilsinho Lopes (PR); e o corregedor da Secretaria de Estado da Justiça, Emerson Gonçalves da Rocha. No encontro, o presidente do Sindaspes, Antônio Carlos Vilela, salientou que o canal de negociação estava aberto e que o movimento seria suspenso, sem retaliações nem demissões de agentes. O secretário, na ocasião, concordou com a diretoria da entidade. No entanto, menos de um mês depois do movimento agentes que participaram da greve – incluindo diretores sindicais – passaram a sofre o que o sindicato da categoria considera retaliação. No dia 5 de setembro, seis dias após o fim da greve, Paulo César Buzzetti, suplente de diretoria do Sindaspes, foi exonerado. Já nesta terça-feira (24) foi publicada no Diário Oficial do Estado a abertura de procedimento administrativo disciplinar (PAD) para investigar a conduta de diversos dirigentes sindicais. O presidente do Sindaspes, que está afastado das funções, à disposição do sindicato, é um dos alvos da investigação. Além dele também terão responsabilidade administrativa apurada o segundo secretário, Fabrício Moreira; o diretor jurídico, Paulo Fernando de Lima Filho; o segundo tesoureiro, Edison Guez Rodrigues; e o primeiro tesoureiro, Roberto Carlos Rodrigues dos Santos. Também foram transferidos de unidade diversos agentes que participaram do movimento de greve. Para o presidente da entidade, as transferências deixam claro que está havendo retaliação por parte da Sejus. O diretor jurídico Paulo Fernando explica que existe uma portaria da Sejus que veda a transferência de dirigentes sindicais e que ela não foi observada, caracterizando a retaliação.