Século Diário errou ao se basear em notícia pubicada em O Globo sobre a decretaçãqo da prisão preventiva do ex-prefeito da Serra e atual secretário nacional de Políticas Públicas de Emprego, Sérgio Vidigal (PDT). Conforme noticiado pelo jornal carioca, a prisão preventiva do ex-prefeito teria sido decretada na Operação Esopo, deflagrada pela PF nessa segunda-feira (9). O jornal O Globo também informou que a sala do pedetista teria sido alvo do mandado de busca e apreensão de documentos. Informação que também foi ngada pela PF. Na sessão desta terça-feira (10) da Assembleia Legislativa, o depuutado Josias Da Vitória (PDT) afirmou que não havia mandado algum expedido contra Vidigal. O deputado também disse que os jornais também estavam retificando a informação (caso de Século Diário) erroneamente noticiada. De acordo com a mulher de Vidigal, a deputada federal Sueli Vidigal (PDT), o ex-prefeito estaria a serviço do MTE, em Bogotá, na Colômbia. Ela informou à reportagem do jornal A Gazeta que o casal não tinha conhecimento do mandado de prisão referente à operação policial. Na semana passada, o ex-prefeito já havia negado qualquer relação com fraudes descobertas no Ministério em outra ação deflagrada pela Polícia Federal. A operação Esopo foi deflagrada nessa segunda-feira em 11 estados e no Distrito Federal. Foram expedidos 49 mandados judiciais, incluindo de prisão, de busca e apreensão e de condução coercitiva. Segundo as investigações, o Instituto Mundial do Desenvolvimento e da Cidadania (IMDC), entidade com sede em Belo Horizonte, realizou convênios de fachada com o Ministério em 11 estados – Espírito Santo, Minas, Mato Grosso, Rio, Pernambuco, São Paulo, Ceará, Amapá, Paraná, Rondônia, Paraíba – e no Distrito Federal. Nos últimos cinco anos, segundo a PF, cerca de R$ 400 milhões saíram do ministério e foram parar nos cofres do IMDC. O valor do rombo não é conhecido, porém, alguns contratos analisados já revelaram um desvio de R$ 55 milhões no montante de R$ 79 milhões repassados pelo ministério. O empresário mineiro Deivson Oliveira Vidal, presidente do IMDC, é apontado como o líder da organização criminosa e principal operador financeiro do esquema de desvios. Entidade atuou na Serra e governo do Estado De acordo com levantamento em publicações no Diário Oficial, a IMDC firmou pelo menos três contratos no Espírito Santo – dois com o governo estadual e um com a prefeitura da Serra, durante a gestão de Vidigal. O primeiro acordo foi assinado no dia 06 de julho de 2012 pela então secretária municipal de Trabalho da Serra, a deputada estadual Janete de Sá (PMN), pelo valor de R$ 3,8 milhões. O acordo previa a execução do Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Projovem) no município. No caso dos dois acordos firmados entre o governo estadual e a entidade, ambos foram assinados no ano de 2013. Em abril, a Secretaria de Educação (Sedu) assinou um contrato de R$ 5,57 milhões para a prestação de serviço de formação inicial, distribuição de material didático e publicação dos resultados do Programa Brasil Alfabetizado. No último dia 12 de agosto, a Secretaria de Ciência e Tecnologia firmou acordo para a execução de ações de qualificação do Projovem em municípios capixabas, ao custo de R$ 5,41 milhões.
Agentes socioeducativos fazem protesto em frente à Unai
Os agentes socioeducativos realizam um protesto nesta terça-feira (10) em frente à Unidade de Atendimento Inicial (Unai), em Maruípe, Vitória, pedindo providências sobre a superlotação na unidade. Nessa segunda-feira (9) os agentes suspenderam o recebimento de adolescentes na Unai até que seja solucionada a superlotação. A unidade é responsável pelo acolhimento de adolescentes apreendidos, que são encaminhados para a Unai e deveriam ser apresentados em juízo em até 72 horas. No entanto, por conta da superlotação em todo o sistema socioeducativo, os adolescentes permanecem na unidade mesmo após as audiências, superlotando a unidade. Na manhã desta terça, os agentes recusaram o recebimento de um adolescente de Boa Esperança, no noroeste do Estado, que teve de ser encaminhado de volta ao município de origem. Desde o início da suspensão este foi o primeiro adolescente encaminhado. A unidade, que tem capacidade para até 68 adolescentes, estava com mais de 180 na manhã desta terça-feira. A falta de espaço nas celas que com que os adolescentes tenham de dividir os colchões – em celas em que cabem até seis, mais de 20 adolescentes dividem o espaço. Aqueles que precisam ficar separados dos outros, passam o dia algemados no corredor da unidade. Os agentes socioeducativos da base do Sindicato dos Trabalhadores no Sistema Socioeducativo do Estado (Sinases) afirmam que não aceitam mais prazo da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) e esperam uma solução para o problema. A juíza Lúcia Nascimento Salcedo da Matta, da a 2ª Vara da Infância e Juventude de Vitória determinou, em 31 de julho, que Instituto de Atendimento Socioeducativo (Iases) transferisse os adolescentes da unidade em 15 dias e, em 60 dias, desativasse a Unai. Passado mais de um mês da decisão judicial, a situação permanece a mesma na unidade. No local estão, além dos adolescentes que aguardam a primeira audiência, aqueles que já têm medida de internação provisória decretada, os que têm aplicada medida de internação socioeducativa – ou seja, já passaram por, pelo menos, duas audiências – e até mesmo adolescentes com medida de semiliberdade. Na Unai não há qualquer atendimento pedagógico como nas outras unidades, os adolescentes não estudam e passam o dia ociosos.
Virada cultural encerra série solidária em torno da família Ortiz
Atualização: fomos informados nesta quinta-feira (12) que o serviço de entregas de marmitas orgânicas, que estava previsto para começar nessa quarta (11), teve seu início transferido para a próxima segunda-feira (16). Para usar um adjetivo comum ao vocabulário de Marco Ortiz, a maravilhosa série de ações solidárias em torno do Restaurante Sol da Terra, iniciada em 4 de maio com um almoço, chega ao termo nesta sexta-feira (13). A partir das 17h, Ortiz reúne algumas dezenas de amigos no Virada Sol da Terra, no Teatro Carlos Gomes. E, bela novidade, anuncia o início de um serviço de entrega de marmitas orgânicas. Junto com o Almoço Sol da Terra, o Solidariedade da Terra – Barracústico, o show de Geraldo Azevedo e o Jantar Beneficente, o Virada Sol da Terra encerra uma bela história de solidariedade à família que perdeu o restaurante na tragédia de 19 de março. E o que Marco Ortiz acha disso tudo? “Maravilhoso. Senão a gente não estaria sobrevivendo. A gente só está sobrevivendo por causa disso”, emociona-se. É quase um minifestival de cultura capixaba, com representantes das áreas de dança, teatro, música e literatura. E todos os convidados têm ligação com Marco Ortiz e todos de alguma forma são parte da história do restaurante. “Um evento que congrega esse naipe de estrelas é coisa rara. Vai ser histórico”, prevê. O poeta Marcos de Castro, por exemplo, conhece Ortiz há uns bons 20 anos. “Ele só não conseguiu me fazer parar de comer carne”, ri-se o poeta, descrevendo com bom humor a amizade iniciada no universo artístico e que o tempo levou para o campo afetivo. “Ele é uma pessoa maravilhosa, uma referência como artista e guerrilheiro cultural. E tem aquela coisa de deixar a gente muito à vontade”, diz. A ideia do Virada Sol da Terra partiu de Dayse Mara, Simone Devens e Rita Sarmento, funcionárias da Secretaria de Estado da Cultura (Secult). Marco Ortiz agradeceu a benevolência do secretário de Cultura Maurício Silva em acolher o projeto. Não foi tão difícil assim. O Virada Sol da Terra reafirma a importância de Marco Ortiz como empreendedor cultural, organizando festivais, reivindicando melhorias na área cultural ou, mais destacadamente, atuando no universo das artes cênicas. Ele sempre frisou: afora o objetivo de proporcionar uma boa alternativa de recarga das energias vitais, a ideia do Restaurante Sol da Terra sempre foi ser um pulsante centro cultural. E vem novidades por aí. Após o Virada Sol da Terra, Marco Ortiz vai divulgar a prestação de contas dos eventos Solidariedade da Terra e anunciar os rumos do restaurante. No entanto, a principal novidade é esta: a partir da próxima segunda-feira (16), a família Ortiz volta à ativa com um serviço de entrega de marmitas orgânicas. O delivery vai funcionar de segunda a sábado; os pedidos serão anotados entre 8h e 11h; as entregas acontecerão a partir das 11h. O preço está em fase de definição. A área da abrangência ficou definida entre o Parque Moscoso e a Mata da Praia, mas, dependendo da demanda, a cobertura se flexibiliza. O cardápio do prato executivo orgânico será disponibilizado no perfil do restaurante no Facebook ou poderá ser encaminhado via email para quem solicitar. E, claro, o telefone para contato: 3223-1205. Ligue já. PROGRAMAÇÃO VIRADA SOL DA TERRA Área externa | 17h Coletivo de Yoga na Praça Costa Pereira Área externa | 18h Interferências Grafite e Hip Hop: Ficore Kabelera & Cia Companhia Folgazões de Artes Dori Santana, Léo de Paula André Favila João Tavares Kakalo Jura Fernandes Nélio Torres Lanches Sol na Terra à venda Área interna | 19h30 Música Gean Pierre Cecitônio Coelho Fabiann Ifrikan Raga Grupo Mudando de Conversa Saulo Simonassi Marcelo Ribeiro Lion Jump Carlos Papel Alexandre Lima Sol na Garganta do Futuro Amaro Lima Cantoras do Maria Maria Big Bat Blues Band Tributo a Etta James Literatura/Performer Caê Guimarães Jace Theodoro Marcos de Castro Sueli Bispo Cia Fantasia de Artes Cênicas Roberto Claudino Marco Ortiz Serviço O Virada Sol da Terra acontece nesta sexta-feira (13), a partir das 19h30, no Teatro Carlos Gomes. Praça Costa Pereira, Centro, Vitória. Ingressos: R$ 30 (meia) e R$ 15 (meia). À venda na bilheteria do teatro ou no Ingresso.com.
Seca permanente ameaça Reservas Biológicas no extremo norte do Espírito Santo
Pesquisadores da Associação de Amigos do Museu de Biologia Mello Leitão (Sambio) constataram em estudo recente que a seca permanente no extremo norte capixaba ameaça a preservação da fauna e da flora nas Reservas Biológicas (Rebios) Córrego do Veado, em Pinheiros; Rebio Sooretama, que engloba áreas dos municípios de Linhares, Jaguaré, Sooretama e Vila Valério; e Córrego Grande, em Conceição da Barra. Os pesquisadores evidenciam que não se trata de uma seca periódica, mas sim definitiva, pois nem em casos de chuvas intensas a bacia terá condições de armazenar água, devido ao estágio avançado de degradação da área. Além disso, a sub-bacia do Córrego Santo Antônio, que alimenta a Rebio Córrego do Veado, foi classificada como em situação ‘trágica’. Segundo os pesquisadores, os pequenos rios que alimentam a sub-bacia estão tomados de espécies de taboas, plantas que funcionam como bioindicadores de águas poluídas. A pesquisa foi realizada pelo grupo de estudo de peixes do “Projeto DiversidadES: efetividade de Unidades de Conservação no Estado do Espírito Santo para Proteção da Biodiversidade”, que atua com outros pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Um funcionário da Rebio Sooretama relatou aos pesquisadores que os córregos visitados por eles no ano passado estão quase secos. Outro funcionário, da Rebio Córrego do Veado, que trabalha há mais de 20 anos no local, estimou que, se nenhuma ação de recuperação da área for realizada, o Córrego estará seco em menos de 10 anos, dada a redução gradativa da vazão da água. Segundo o diretor técnico da Sambio, Ronaldo Pinheiro Martins, o desmatamento sem critério técnico aliado às represas construídas pelos latifundiários são os principais fatores que levaram a região à situação de seca. Ele também relatou que quase a totalidade dos córregos e nascentes não tem proteção de mata nativa, o que provoca enxurradas em casos de chuvas muito fortes e, posteriormente, o retorno da seca. A diretoria da Sambio enviou um e-mail à promotora de Justiça dirigente do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente (Caoa), Isabela de Deus Cordeiro, solicitando que seja aplicado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que vise ao cumprimento do Código Florestal no que se refere à preservação de Áreas de Proteção Permanente (APP). Ainda não foi obtida nenhuma resposta. Os pesquisadores também apontam que a maioria dos proprietários de terras na região se dedica à criação de gado, plantio de café e eucalipto. “A simples proteção por cercas dos rios nas distâncias estabelecidas no código, devido a estarem próximas a Unidades de Conservação (que são grande bancos de sementes) já permitirá que estas áreas se recuperem naturalmente”, pontuou a Sambio, no documento enviado à promotora. A entidade propõe um encontro para debater a questão no Museu de Biologia Mello Leitão, com representantes das Unidades de Conservação e dos Ministérios Públicos Estadual e Federal, do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) e Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf).
Falar é fácil
Desde que deixou o governo em 2010, Paulo Hartung vem querendo se firmar como um intelectual de vanguarda. Um homem que está preparado para enveredar por qualquer assunto: da educação à mobilidade urbana, da economia à violência. E por aí vai… Para alimentar sua verve intelectual, o ex-governador tem escrito livros, feito palestras dentro e fora do Estado e emplacado artigos em jornais e sites capixabas. Nesta segunda-feira (9), postou mais um no Folha Vitória para dar seus pitacos sobre os “Desafios das Cidades Brasileiras”. No artigo, o ex-governador destaca dois pontos: mobilidade urbana e violência. Se Hartung não tivesse governado o Estado durante oito anos (2003-2010), suas reflexões poderiam ser até relevadas, independente das posições defendidas. O problema é que o ex-governador abordar questões que foram negligenciadas no seu governo, como a violência urbana, por exemplo. Hartung, ao tocar no assunto, deveria corar de vergonha. Afinal, mais de 14.234 pessoas foram assassinadas durante seus dois mandatos, ou seja, uma média de 1.780 mortes por ano, quase cinco por dia. No seu governo praticamente não houve reposição dos efetivos das policiais Civil e Militar. O buraco deixado por Hartung começa, aos poucos, a ser coberto pelo governo Renato Casagrande. Ninguém é capaz de repor efetivos da noite pro dia. Esse hiato deixado pelo antecessor tem custado mais vidas todos os dias. Basta olhar para o índice de homicídios, que há mais de uma década é o segundo mais alto do país. É evidente que combate à violência não se faz somente com mais policiais nas ruas, mas é irrefutável também que não se reduz índices de criminalidade com um policial para cada mi habitantes (a Organização Mundial de Saúde recomenda 1 para cada 250 habitantes), como é o caso de Serra – um dos municípios mais violentos do Estado e do Brasil. Além de policiais, é preciso que o poder público tenha um programa efetivo nas chamadas zonas de exclusão das cidades. São justamente os bairros pobres os mais vulneráveis à ação de organizações criminosas e consequentemente à violência. Nas periferias estão os principais autores e também as vítimas da violência: jovens pobres e negros. Alguém por acaso se lembra de um programa social do governo Hartung voltado para os segmentos mais vulneráveis da população? A sombra álgida dos números é a prova inconteste de que o governo Hartung teve um desempenho pífio na área de segurança. Embora ele trate a realidade, como no artigo, de maneira enviesada Hartung escreve que “nas últimas duas décadas a violência cresceu de forma dramática, deixando de ser, inclusive, privilégio dos grandes centros”. A percepção, mais eloquente que os números, transmite a sensação de que a violência é crescente. Mas os dados mostram que, na média, os índices nacionais de homicídios vêm caindo na maioria dos estados brasileiros. Basta olhar para os números, por exemplo, de São Paulo e Rio de Janeiro. Os dois Estados do Sudeste, diferentemente do Espírito Santo de Hartung, investiram pesado na segurança e viram as taxas de homicídios caírem ano a ano. “A violência é uma questão bastante objetiva em seus sintomas, mas que guarda raízes em vários campos, do social, passando pelo econômico, chegando ao cultural. Os esforços para criar uma cultura de paz e um cotidiano de tranquilidade e fraternidade devem ser feitos por todos: poderes públicos, sociedade civil, famílias, cidadãos”. Muito comovente, não fosse ele tão insensível a essa realidade quando esteve com a caneta na mão. Como no restante do texto, o ex-governador junta frases de efeito para tentar impressionar o leitor desavisado. As causas da violência, como disse Hartung, guardam raízes em vários campos. Faltou ele esclarecer que todos “esses campos” foram negligenciados pelo seu governo. Francamente, há certos assuntos que Hartung deveria se privar de comentar, segurança pública é um deles.
Caiu a máscara
O prefeito de Vila Velha, Rodney Miranda (DEM), nunca me enganou com essa história de envolver a sociedade nos debates sobre a área ambiental do município. Disfarçou, disfarçou, prometeu e aconteceu, mas não demorou nada e já imprime em sua gestão a mesma marca do antecessor Neucimar Fraga (PV). Ou até pior, pois faz tudo na “surdina”. Em nove meses de governo, enquanto posava de democrático, Rodney estudou como driblar a polêmica do Plano Diretor Municipal (PDM) suspenso pela Justiça, para fazer jus ao seu aliado de primeira ordem, o setor empresarial. E foi assim, em doses homeopáticas, que consolidou tudo o que precisava, contando com a ajuda mais do que especial de outra forte aliada, a Câmara de Vereadores. À frente, puxando o “bonde”, o presidente da Casa, Ivan Carlini, que não à toa o prefeito levou para o DEM. Lá atrás, logo que assumiu, até pelo histórico que Neucimar tinha na área, Rodney tratou de mostrar que com ele seria diferente. Chegou a se sentar à mesa com a população, discutiu intenções e até agendou outros encontros. Mas a história “desandou” bem rapidinho. Enquanto tentava demonstrar suas “boas intenções”, o prefeito assinava protocolo com a Associação dos Empresários de Vila Velha (Asevila), um “braço” da ES em Ação, e elaborava projetos de lei em separado que, pelas beiradas, resolveriam todos os problemas dos empresários. Até chegar ao último, criado e aprovado em apenas quatro dias, estabelecendo parâmetros urbanísticos e índices construtivos para obras e projetos no município. As regras agora já são lei e garantem a regularização de obras licenciadas antes da primeira suspensão do PDM, no dia 28 de maio de 2012. Ou seja, aqueles pontos debatidos e finalmente acordados com a população viraram pó. A mesma população só ficou sabendo do processo aos 45 minutos do segundo tempo. Levou uma rasteira de Rodney. E não teve Ministério Público Estadual que desse jeito. Embora com recomendação ao presidente da Câmara para suspensão da sessão, o golpe foi consolidado com pompa e circunstância. Carlini sequer comunicou aos demais vereadores da medida do MPES. A Casa virou uma festa. O projeto foi aprovado por um placar massacrante de 14 x 1 e, no mesmo dia, no mesmo local, Carlini foi recebido por Rodney com tapete vermelho no DEM. Diante dos atropelos, o MPES garante ajuizar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) para barrar a lei. Na época de Neucimar, a população saiu vitoriosa na Justiça. Mas foi necessário percorrer um longo caminho, de muito empenho dos movimentos sociais, principalmente o Fórum Popular em Defesa de Vila Velha. É o que precisa ser feito, mais uma vez. Caso contrário, é capaz de Rodney colocar Neucimar Fraga no chinelo. Lembre-se: é só o começo. Manaira Medeiros é mestre em Políticas Públicas e Desenvolvimento Local e especialista em Gestão e Educação Ambiental Fale com a autora: manaira@seculodiario.com
Atrás do prejuízo
Presidente da Frente Parlamentar Ambientalista, o deputado estadual Cláudio Vereza (PT) teve participação decisiva no episódio que impediu a criação da CPI do Pó Preto na Assembleia Legislativa. Na coordenação da bancada do partido na Casa, foi ele quem deu a direção à votação dos demais colegas contrária ao pedido e saiu com a imagem arranhada. Não por menos, pois traiu seu próprio histórico político e ainda as antigas bandeiras de luta do PT – estas, aliás, há muito foram abandonadas. Logo depois vieram as mobilizações populares e o tema continuou a assombrar Vereza e os demais deputados que barraram a investigação. Virou demanda das ruas. O deputado petista então esperou a “poeira baixar” e anunciou a realização de audiência pública, nesta quarta-feira (11), a primeira de uma série para discutir os impactos ambientais e à saúde dos capixabas provocados pelo pó preto. Uma clara tentativa de se reconciliar com a pauta dos protestos. Como quem diz: eu não assino CPI mas promovo debates, o caminho é este. Não mesmo. A diferença entre uma audiência pública e uma CPI é gritante. E quem domina o palco do show no primeiro caso, sem exceção, são o poder público e as poluidoras. Não vai dar em nada. Atrás do prejuízo II Essa corrida contra o tempo para tentar mostrar identidade com as ruas são apenas sintomas eleitorais. Nos últimos anos, quantas audiências públicas foram realizadas na Assembleia para discutir poluição do ar ou qualquer outra questão ambiental relevante? Nem mesmo discursos são feitos nessa direção. A relação é de gentileza e serventia. Atrás do prejuízo III Ah, Vale e ArcelorMittal estarão presentes. Na Assembleia, elas se sentem em casa. Atrás do prejuízo IV Já a secretária de Estado de Meio Ambiente, Diane Rangel, olhe só, vai palestrar com o tema: “Histórico dos 13 anos de Monitoramente e Plano Estratégico de Qualidade do Ar”. Papel do poder público em audiência pública deveria ser responder aos questionamentos e apresentar cronograma de ações. Ponto. Detalhe Na história do desmate ilegal sem exigência da reserva legal concedida pelo Idaf à empresa Marbrasa Mineração, do megaempresário Camilo Cola, vem à tona outra informação. O diretor técnico do órgão, Eduardo Chagas, é antigo militante do PMDB, partido do deputado federal. Peso Já circulam comentários em Colatina de uma candidatura a deputado estadual do Frei Honório, pelo PT, que incomoda os concorrentes pelo seguinte: será o nome do bispo do município Dom Décio Sossai Zandonadi. Por lá, apoio dele é considerado “meio caminho andado”. Haja igreja! O vereador de Vitória Davi Esmael (PSB) realiza mais uma sessão solene para homenagear os evangélicos. Desta vez, os 30 anos do novo templo da Igreja Assembleia de Deus Memorial. Mesmo caminho do pai, o ex-vereador Esmael Almeida (PMDB). Área é a melhor de votos. Repressão O BME mais uma vez “reinou” nos protestos. No sábado, Dia da Independência, pois os carros à frente dos bois e iniciou o conflito. Teve de tudo: bombas de efeito moral lançadas dentro da Ufes, balas de borracha, atropelamento e – dizem – até tiro com arma letal. Os manifestantes não conseguiram chegar nem ali. Força um tanto desproporcional. O grupo era pequeno. 8º ato Nas redes sociais, o movimento “Não é por 20 centavos, é por direitos” convida para a próxima mobilização, nesta quarta-feira (11): “a Gazeta atenta contra a verdade todos os dias (…), diga não à mídia corporativa”. Movimento está afinado com o resto do País, que protesta contra a Rede Globo. Nas redes “ E ai? Polícia para quê?”. (Não é por 20 centavos, é por direitos – no Facebook). PENSAMENTO: “Uma reunião onde há mais de duas pessoas vira comício”. Golbery do Couto e Silva
Hora da escolha
Está chegando a hora de a classe política fazer uma escolha que pode definir o processo eleitoral do próximo ano. De um lado o governador Renato Casagrande tenta recompor a unanimidade que garantiu sua eleição em 2010. Do outro, o ex-governador Paulo Hartung tenta embolar de vez o cenário político fragmentando a disputa. A possibilidade de ele migrar para o PDT coloca mais um partido em seu arco político. Sua movimentação dá sentido completo às investidas do senador Ricardo Ferraço (PMDB) criando fatos nacionais para aumentar sua visibilidade no Estado e a candidatura de Guerino Balestrassi (PSDB) ao governo, colocando-se como oposição ao governador. Ambos ligados ao ex-governador contribuem para um quadro de pressão sobre Casagrande. Mas ao mesmo tempo em que sugerem uma fragmentação do cenário eleitoral de 2014, com o surgimento de pelo menos três candidaturas, jogando a disputa para o segundo turno, essas movimentações podem contribuir para uma aliança, em que a candidatura ao Senado de Hartung seja garantida sem embates. Mas, para alguns observadores, a vaga ao Senado parece pouco para as pretensões do ex-governador. A intenção seria manter o controle não só de todo o processo, mas também do pós-eleição, garantindo o comando do Palácio Anchieta, ainda que nos bastidores. Resta, então, um problema chamado Magno Malta (PR). Mesmo isolado, o senador é um perigo eleitoral para a manutenção tanto do sistema de Hartung quanto para a reeleição de Renato Casagrande. A impressão é de que Hartung não entraria num páreo com o republicano. Portanto, a manobra seria a de conseguir o controle do processo sem se expor contra Malta. Se quiser jogar da mesma forma que Hartung, caberia ao senador também agir de forma indireta, apoiando a candidatura à reeleição de Casagrande. Mas se o governador oferecer a vaga ao Senado ao ex-governador, neste caso, a melhor disputa para Malta é contra Ricardo Ferraço. Fragmentos: 1 – Na corrida de ex-prefeitos a uma vaga na Câmara dos Deputados em 2014, dois teriam vantagem na disputa: Sérgio Vidigal (PDT) e Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB). 2 – Já o ex-prefeito de Cariacica, Helder Salomão, que hoje é secretário de Assistência Social e Direitos Humanos, tem condição eleitoral em seu município-base, mas tem um campo congestionado no PT, que também terá as candidaturas da deputada federal Iriny Lopes e do vice-governador Givaldo Vieira. 3 – No PSDB, a ideia seria de com três candidaturas fortes conseguirem duas vagas, mas os meios políticos duvidam que seja possível. Se conseguirem, quem fica com a vaga: o deputado federal Cesar Colnago ou o ex-prefeito de Vila Velha, Max Filho?
Sem vontade de escrever
Ponho-me no lugar das pessoas que não querem se expressar, que tem preguiça de escrever, criticar e protestar. Muitos passam indiferentes aos momentos atuais. Talvez por ignorância, mas muitos porque estão cansados dos acintes, da cara-de-pau dos políticos, ou da arrogância dos administradores de alguma coisa importante. Imaginemos o que eles poderiam falar se pudessem opinar. Uns iriam querer falar das manifestações populares, outros do momento político, da carestia dos preços, e mais, do seu time em reta de desclassificação, daquele vizinho chato e da revolta em geral, das filas dos bancos, dos doentes nos corredores dos hospitais, da falta de competência policial… Se todos tivessem a facilidade de se expressar sem ser em redes sociais, veríamos muita coisa interessante, mesmo que fosse de protesto, ou até mesmo de elogio. Afinal, há coisas que precisam ser louvadas e com o reconhecimento de muitos e há muitas que precisam ser repudiadas. Garanto que poderíamos ver ou ouvir muita gente opinando da intenção de Dilma reclamar de uma suposta espionagem dos Estados Unidos, das eleições do ano que vem, muitos chiando da má fase do Flamengo, outros dos supermercados fechados aos domingos e feriados. Mas também teríamos pessoas elogiando Felipão na Seleção ou mesmo o preço baixo do tomate. Pois é, já era hora de ter o veículo do povo, livre, mas livre de tudo, de esquemas comerciais e acima de tudo, de censura. Já pensou quanta coisa interessante passaríamos a saber? Não é utopia. Uma ONG de comunicação pura e simples. Prático e inteligente. Será que um dia vai existir? PARABÓLICAS Leo Duarte é a voz da Rede Sim, sistema de rádios. Tem produção em São Mateus e utilizada em todas emissoras da Sim Uma boa disputa ao Palácio Anchieta: Magno Malta, Ricardo Ferraço e Renato Casagrande. Qual deles ganharia a corrida? Ferreira Neto, Jorge Buery e Jorge Felix deveriam ganhar uma placa de reconhecimento pelos anos e anos que servem ao combalido esporte capixaba. Servio Basto continua entrincheirado no seu bem montado escritório de advocacia – aliás, uma banca – e dando seus palpites de ex-repórter no Facebook MENSAGEM FINAL Na prosperidade, modera-te; na adversidade, resigna-te e sê sempre prudente. Benjamin Franklin
Supremo mantém publicidade na divulgação de sindicâncias contra magistrados
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o arquivamento de um mandado de Segurança (MS 28390), impetrado pela Associação Nacional dos Magistrados Estaduais (Anamages), contra a divulgação de informações sobre magistrados submetidos a procedimentos administrativos. Na decisão divulgada nesta segunda-feira (9), o magistrado reafirmou a competência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em divulgar informações pessoais de juízes e desembargadores sob investigação, bem como a realização de audiências públicas nos casos. Nos autos do processo, a Anamages narrou que o Conselho não estaria observando o dever de sigilo nos procedimentos de sindicância e administrativo-disciplinares (PADs) contra magistrados. A entidade alegou que a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) exigiria que as providências iniciais fossem tomadas em sessão secreta com o objetivo de “resguardar à dignidade e à independência do magistrado”. Entre os pedidos, a associação queria a declaração de ilegalidade dos atos de divulgação dos processos de sindicância e de caráter administrativo-disciplinar no CNJ, além do impedimento da divulgação dos nomes dos envolvidos no órgão de imprensa do Conselho. A entidade de magistrados pleiteava ainda que o órgão de controle passasse a observar o dever de sigilo em futuras audiências. Entretanto, o ministro Dias Toffoli considerou que o Supremo já havia negado um pedido liminar, no qual a entidade solicitava a retirada do site do CNJ das notícias relativas a procedimentos disciplinares instaurados contra magistrados e a proibia a divulgação do nome dos investigados. Para ele, a Constituição Federal inaugurou uma nova era do tratamento de publicidade dos atos administrativos e judiciais. “A regra é a publicidade dos atos, tanto para a Administração Pública quanto para o Poder Judiciário, incluindo-se os julgamentos de processos administrativos que envolvam seus membros”, lembrou o ministro, que citou ainda uma resolução aprovada pelo próprio Conselho em 2011, tornando obrigatório o julgamentos PADs em sessões pública. “O Supremo Tribunal Federal tem posição sedimentada acerca da prevalência dos princípios constitucionais frente às prerrogativas defendidas pela Loman. Situações de excepcionalidade, que requeiram a classificação de processos como sigilosos, devem ser analisadas em cada caso concreto”, fundamentou o ministro Dias Toffoli.