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Iases deve romper contrato com terceirizadas do sistema socioeducativo

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O Instituto de Atendimento Socioeducativo do Estado (Iases) publicou no Diário Oficial desta segunda-feira (9) o edital de convocação pública para qualificação de Organização Social (OS) que vai realizar a gestão do Centro Socioeducativo de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei (CSE), em Cariacica; das Unidades de Atendimento Socioeducativo da Região Norte, em Linhares; e Unidades de Atendimento Socioeducativo da Região Sul, em Cachoeiro de Itapemirim.    A gestão do CSE de Cariacica e das unidades do norte estava a cargo da Associação Capixaba de Desenvolvimento e Inclusão Social (Acadis) e a de Cachoeiro de Itapemirim sob responsabilidade do Instituto Capixaba de Integração Socioeconômica dos Cidadãos (Icisec).    A Acadis sofreu intervenção nos contratos depois de ser descoberto, em investigações da Polícia Civil que culminaram na Operação Pixote, um esquema de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, formação de quadrilha, dentre outros crimes. A operação, deflagrada em 17 de agosto de 2012 resultou na prisão da cúpula do Iases e da Acadis, o incluiu a então diretora-presidente da autarquia, Silvana Gallina e o diretor-executivo da Acadis, Gerardo Bohórquez Mondragón.    O Estado nomeou como interventor dos contratos da Acadis o defensor público Bruno Pereira do Nascimento, responsável por utilizar os créditos decorrentes dos contratos para a execução e continuidade do atendimento socioeducativo.   A publicação do edital para qualificação de OS significa o iminente rompimento dos contratos entre a Acadis e o Icisec e o Estado.    Uma auditoria realizada pela Secretaria de Estado de Controle e Transparência (Secont) constatou que a Acadis operava de maneira amadora.    A auditoria mostrou que pode ter havido premeditação de todo o esquema fraudulento nos contratos entre o Iases e a Acadis. O contrato 001/2008, referente à gestão do CSE Cariacica teve valor inicial de R$ 5.123.757,89 por período de 12 meses, além de aditivos de R$ 6.760.000 e R$ 8.626,525.    O contrato de gestão 002/2011, do CSE Linhares é de R$ 10.059.646, por 14 meses, sendo aditivado em 21 de março de 2012, com R$ 838.303,33; 21 de maio com R$ 844.006,66 e em 13 de setembro com mais R$ 1.900.155,64. Este último aditivo já foi concedido no período de intervenção nos contratos, o que mostra que não foram aplicados na Acadis os aditivos anteriores.    Em relação ao Icisec, o Iases verificou que, durante a execução do contrato de gestão, foi apontada deficiência na gestão financeira. Um relatório produzido pela Gerência de Controle, Monitoramento e Avaliação do Iases indicou a existência de déficit operacional da entidade.    Além disso, os relatórios técnicos produzidos pela autarquia também apontaram descumprimento da proposta pedagógica, o que representa risco à política de atendimento socioeducativo. Por isso, o contrato entre a autarquia e o Icisec também foi alvo de intervenção em fevereiro deste ano e posterior instauração de Procedimento Administrativo para apurar as causas determinantes da intervenção.       

09/09/2013 / 0 Comments
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Justiça absolve ex-deputados estaduais por suposto abuso em gastos com combustível

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O juiz da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual, Gustavo Marçal da Silva e Silva, absolveu quatro ex-deputados estaduais – Délio Iglesias, Fátima Couzi, Marcos Gazzani e Geovani Silva – em uma ação de improbidade administrativa pelo suposto abuso nos gastos com abastecimento de veículos oficiais. Na decisão publicada nesta segunda-feira (9), o magistrado alegou que os parlamentares não extrapolaram a cota máxima de cada gabinete para gastos com combustível na época dos fatos, em 2006. A denúncia foi ajuizada pelo Ministério Público Estadual (MPE) há mais de quatro anos, em agosto de 2009. Na época, a promotoria indicou a possibilidade de existir irregularidades no uso do cartão de abastecimento durante o mês de julho de 2006, como a aquisição de gasolina acima do limite do tanque do veículo, registro de mais de um pagamento em mesmo dia ou abastecimento mediante recibo com a apresentação posterior do cartão. No entanto, o juiz enquadrou as condutas listadas pelo MPE após sindicância interna da Assembleia Legislativa como “meras irregularidades administrativas”, que não se enquadram dentro do conceito de improbidade. “Corroboram com esse entendimento os depoimentos das testemunhas, oportunidade na qual afirmam que o sistema de abastecimento dos cartões de combustíveis era instável, bem como havia falta de informação quanto ao próprio uso dos cartões EasyCard, já que se tratava de um sistema recentemente adotado pela Assembleia Legislativa”, diz a decisão. Durante a análise dos gastos com combustível, único ponto “passível” de improbidade, o juiz também rechaçou os termos da denúncia. Nos autos do processo, o Ministério Público alegava que os deputados teriam efetuado gastos acima do permitido. A ação se baseou em um ato da Mesa Diretora da Assembleia, do ano de 2004, que limitou o abastecimento dos veículos locados para atender aos gabinetes dos deputados em 400 litros mensais. No entanto, o juiz Gustavo Marçal entendeu que os efeitos daquela norma haviam sido revogados por novo ato da Mesa, publicado no ano seguinte. Pelo novo regulamento, a limitação mensal de litros acabou sendo revogada, passando a ser fixada uma cota mensal de R$ 8,8 mil para cada gabinete. Levando em conta esse limite máximo de gastos, o magistrado considerou que nenhum dos quatro denunciados teria extrapolado essa cota. A Justiça apurou que os ex-parlamentares teriam gastos entre R$ 3,18 mil a R$ 5,07 mil no período investigado, valor que seria compatível com o consumo dos veículos utilizados – em torno de cinco quilômetros por litro. “Não ficou comprovado o enriquecimento ilícito e o prejuízo à administração pública, como também violação aos princípios administrativos. Isto porque, conforme dito, os gastos com abastecimento respeitaram os atos normativos vigentes sobre o tema, não tendo ultrapassado a cota disponibilizada para cada gabinete, bem como porque as demais irregularidades apontadas não se enquadram dentro do conceito de improbidade, ficando apenas no campo da irregularidade, ante a ausência de má-fé”, afirmou o juiz Gustavo Marçal. A decisão ainda cabe recurso por parte do Ministério Público. Antes do arquivamento definitivo, o caso deve ser apreciado pelo Tribunal de Justiça, uma vez que a sentença está sujeita ao chamado duplo grau de jurisdição.

09/09/2013 / 0 Comments
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Cenário capixaba de 2014 não se enquadra no mapa do PT nacional

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A cúpula do PT Nacional definiu que o partido lançará candidaturas próprias em estados governados por socialistas para contrapor o provável palanque do governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, à presidência da República.    Uma movimentação que atingiria em cheio o Espírito Santo, não fosse um detalhe: o PT não tem condições de erguer um palanque próprio no Estado.    O jornal Valor Econômico desta segunda-feira (9) destaca o Espírito Santo e o Amapá como dois exemplos de estados governados por socialistas que contam com vices do PT. A jornal afirma que nos dois casos o partido pretende lançar candidatura própria caso os governadores Camilo Capiberibe, do Amapá e Renato Casagrande, do Espírito Santo, decidam apoiar a candidatura de Eduardo Campos.   Dentro do próprio PT capixaba há um entendimento de que o partido não criou condições para erguer um palanque próprio. O partido defende a permanência no palanque de reeleição de Renato Casagrande. O governador, por sua vez, tenta convencer o mercado político de sua atuação na disputa presidencial de forma neutra.    O PT nacional entende que Casagrande apoiaria a reeleição da presidente Dilma, mas o PSB nacional pressiona Casagrande a aderir ao projeto do partido para o próximo ano. A candidatura de Eduardo Campos já é colocada como irreversível e a identidade socialista pode pesar a partir do próximo ano para o governador, o que preocupa lideranças petistas.   O problema é que a direção petista no Estado vem adotando uma postura de ocupação de espaços políticos auxiliares. Neste sentido, não se construiu um nome que tenha condições de encabeçar um palanque ao governo do Estado.    No partido vem se discutindo a possibilidade de o partido vir a disputar uma vaga ao Senado, o que deve levar a uma disputa interna muito forte entre o ex-prefeito de Vitória João Coser e a senadora Ana Rita. Mas apesar de Coser demonstrar interesse na disputa, sua movimentação seria apenas para evitar a candidatura da senadora. 

09/09/2013 / 0 Comments
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‘Renova ES’ quer quatro vagas na Assembleia e duas na Câmara

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Neste sábado (14), o bloco formado por PSL, PTdoB, PRB, PTC e PHS lança o projeto “Renova Espírito Santo”, com a assinatura de um protocolo de intenções, que visa a construir um palanque proporcional forte para a disputa do próximo ano. O evento será na Assembleia Legislativa, a partir das 9 horas.   Como destaca o próprio convite para o encontro, o projeto é ambicioso. Além de quatro cadeiras na Assembleia Legislativa, o grupo quer também duas vagas na Câmara dos Deputados. Para isso trabalham com uma estratégia que envolve muita matemática.   Os cinco partidos pretendem registrar 90 candidatos a deputado estadual, sendo que cada partido terá o limite de 18 nomes; e ainda 30 candidatos a deputado federal, limitando cada partido ao número de seis postulantes a uma vaga na bancada.   Ao estabelecer a meta de votos a cada partido que participa do projeto, o grupo entende que cada sigla conseguirá um mínimo de 12 mil votos na estadual e 20 mil na federal. Isso baseado na média de votos da eleição de 2010.    O que pode atrapalhar a estratégia do grupo são as mudanças previstas para a disputa do próximo ano. Isso porque uma Resolução do Tribunal Regional Eleitoral (TSE) de abril passado reduziu as vagas proporcionais do Espírito Santo. Com base em dados do último censo demográfico, houve mudança na composição das casas legislativas e o Estado terá 27 vagas em disputa para a Assembleia e nove para a Câmara dos Deputados.    O bloco foi formado no mês passado  quando os presidentes dos partidos se reuniram em Vitória para discutir a conjuntura para o próximo ano. A ideia é que fugindo das coligações com partidos com muitos candidatos fortes para a disputa, o bloco conquiste mais vagas na Câmara e Assembleia. 

09/09/2013 / 0 Comments
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Fábio Carvalho constroi retrato afetivo de Mestre Antônio Rosa

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Fábio Carvalho salienta: “Eu sou músico, não sou cineasta”. Mas a condição de “estranho” no universo audiovisual não o impediu de se lançar numa jornada honesta para reverenciar ao seu modo, num filme, um dos principais mestre de congo do Espírito Santo. E com quem, isso é importante, erigiu uma sólida e estreita relação, intelectual-afetiva-moral-cultural.    Não poderia deixar de ser esse seu grande trunfo no documentário O Congueiro do Santo Preto, que Carvalho lança nesta quinta-feira (12) no Cine Metropolis, na Ufes. Foram mais de 10 anos de convivência. Carvalho conheceu-o aos 18 e hoje tem 43; Antônio Rosa faleceu em 1999. “Mestre Antônio Rosa deu o pontapé inicial em minha vida”, diz.     Se houve alguém que zelasse com afinco pela Festa de São Benedito da Serra, indubitavelmente um desses “alguéns” chama-se Mestre Antônio Rosa. Nascido na Serra em 23 de janeiro de 1923, devotou-se a vida ao bom andamento daquela que é hoje a maior Festa de São Benedito do Espírito Santo e, no geral, à preservação do congo capixaba.    Morador da Serra desde os 11 anos, Fábio estava completando 18 quando conheceu esse fervoroso devoto de São Benedito. A prima lhe presenteara com um ícone do santo e ele foi à festa benzê-lo. Daí para frente estabeleceu-se uma convivência regular com seu grande mestre – embora Fábio considere igualmente os outros mestres de sua relação. “Por muito tempo ele encourou os tambores do Mahnimal”, recorda.   Fábio traz à tona uma frase fundamental que o mestre sempre lhe dizia, mesmo quando submetido a sessões de hemodiálise: “Fábio, os velhos estão morrendo e os novos não estão querendo participar da brincadeira”. Essa máxima orientou-o na criação em 1999 do vitorioso projeto Congo na Escola, em Vitória.   A ideia de O Congueiro do Santo Preto nasceu há 10 anos, mas só começou a ganhar contornos em 2006, quando o projeto passou na Lei Chico Prego, da Serra. As filmagens ocorreram entre 2007 e 2008. Mas tarde, porém, o recurso obtido se revelaria ainda insuficiente. O filme só seguiu em frente após o projeto passar também na Lei Rouanet. O teste no cinema foi realizado sexta-feira (6) e tudo correu bem.   Entremeado à trajetória da Festa de São Benedito serrana, Fábio construiu em 25 minutos um retrato em três perspectivas do mestre: o devoto, o festeiro e o homem. “É uma homenagem a Mestre Antônio Rosa”, define o diretor, para quem o Espírito Santo tem o problema de não reconhecer seus ícones.    A linha-mestra no entanto é a luta que durante muito tempo o mestre travou para a conservação das bandas de congo, se dedicando à manutenção dos instrumentos das bandas da Serra e de muitas do Espírito Santo, e da Festa de São Benedito da Serra. O documentário ampara-se em entrevistas: entre os entrevistados estão a viúva Dona Lolinha, a filha Terezinha Pimental e os netos Ramon e Rodolfo. Conta também imagens de arquivo, algumas extraídas do curta Maestro de Bino Santo, de 1971, dirigido por Ramon Alvarado (RJ).                    Mestre Antônio Rosa faleceu em 3 de agosto de 99. Além da luta para a conservação da festa e das bandas, ele foi fundamental na organização formal dos congueiros com a criação da Associação das Bandas de Congo da Serra (ABS), em 1986, a qual presidiu por muito tempo e que inaugura nova sede neste sábado (14).    A ABC deixa o abrigo provisório que lhe deu o espaço para exposição de objetos da identidade local e cujo nome é bem apropriado: Casa de Congo Mestre Antônio Rosa.   Serviço O Congueiro do Santo Preto será lançado nesta quinta-feira (12), às 20h, no Cine Metrópoles, na Ufes. Av. Fernando Ferrari, campus de Goiabeiras, Vitória. Haverá apresentação da Banda Congo Folclórico de São Benedito e das crianças do projeto Congo na Escola. Entrada franca.

09/09/2013 / 0 Comments
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Reportagem especialO pescador de ilusões

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Texto: Henrique Alves Fotos: Arquivo Pessoal   Semana passada, neste jornal, ele apareceu com a história de um peixe banhado em óleo e pó de minério. Passou-se o seguinte:   O motor do barco ancorado no píer do Iate Clube do Espírito Santo é grande, razão pela qual reclama movimento. O ócio poderia azedar-lhe a operacionalidade. Assim que, unindo o útil ao agradável, Bebeto Ruschi e o dono do barco, seu filho Fábio, resolveram por pescarias em domingos alternados. Domingo sim, domingo não, dedicam-se os dois a uma horinha de suave errância pelo trecho de Oceano Atlântico que banha Vitória.         Três domingos atrás, era 7h30 quando saíram para o mar de Camburi.  O barco zarpou do Iate Clube, ladeou a Ilha da Galheta e deslizou rumo à ponta de Tubarão.    Há um ano e meio Bebeto não navegava aquelas paragens. Hoje diz, solene: “Se não é a vivência…”. Foi a larga vivência de mais de meio século singrando as águas capixabas que lhe acionou instantaneamente o instinto do perigo ao ver um pequeno inseto pousado no teto da cabine. “Tira a âncora, se abaixa e não se mexe”, advertiu ao filho. Um grosso enxame de abelhas africanas se instalou pouco depois sobre o teto da lancha.   O barco fundeara ao lado de um navio escuro; os dois usufruíram o mar numa calma pescaria. Em movimentos suaves, o filho de Bebeto pôs o barco a contravento e o enxame, ufa, se esvaiu no ar.    Um ano e meio depois voltaram e de lá trouxeram não uma história de pânico, mas quase uma lenda fantástica. Melhor: um realismo fantástico à capixaba. Quer coisa mais espírito-santense que um peixe empanado em pó de minério? Uma metáfora e tanto.   Bebeto estava de costas quando ouviu o filho chamar: “Pai, olha a vara”. O instrumento se mexia tanto que seu filho disse: “Pai, esse peixe é um peixe grande”. E era mesmo. A experiência de pescador mais uma vez o ajudou. Bebeto já estava com o martelo de borracha em mãos: jogou o peixe para dentro do barco e, pum!, mirou-lhe a cabeça. Bebeto diz que um espada atinge em média 70 centímetros. Aquele tinha 1,30.    “O bicho era quase do meu tamanho, cara”, espanta-se Bebeto, que tem 1,72 de altura. Um aborto, ele fala. Bebeto ficou irado com o filho, que chegando no Iate Clube, presenteou alguém com o peixe. Queria levar para casa e fotografá-lo. Ele acha que alguma coisa aconteceu para o espada ter alcançado aquele tamanho.   O flerte de Bebeto Ruschi com o mar de Vitória, que desabrocharia num relacionamento doce e duradouro, começa nos primeiros anos da década de 50. A Praia do Canto era um idílio; as águas do Oceano Atlântico vinham desmaiar à beira da Avenida Saturnino de Brito; a Praia Comprida não era memória.    Bebeto residiu em cinco casas diferentes nas imediações da avenida e da Rua Moacir Avidos e pescava com os pescadores portugueses de uma colônia instalada em frente à sua casa. O menino de 14, 15 anos chegava às duas da manhã e ficava sentado numa amurada de frente para a praia (na foto abaixo). Às vezes quem dava com ele era o pai do Loyola, o premiado jogador de vôlei de praia capixaba: “Ô, Beto já tá aí!”.    Com os portugueses, entrava mar adentro em direção à ponta de Tubarão, então área da fazenda do Coronel Manduca Nunes, cujos terrenos se estendiam até Nova Almeida (Serra). Enrico Ruschi, seu pai, era amigo do coronel. Ainda hoje Bebeto se lembra dos mergulhos que dava e dos badégios e lagostas que pegava onde hoje só se pega pó de minério.    Nos dias de luz e de festa do sol da juventude, Bebeto lembra as aventuras marinhas com Roberto Menescal, um dos ícones da Bossa Nova que se apresenta na terra natal justamente neste domingo (8), dentro das comemorações do aniversário de 462 anos de Vitória.    Quando do calçamento da Praia do Canto, os dois surrupiaram uma manilha lançá-la no mar, num ponto específico entre o Iate Clube e a Ilha do Frade. Já no fundo da água, eles colocavam a manilha de pé. Duas semanas depois, ela estava cheia de lagosta: bastava então cobrir a abertura com uma rede e revirar a manilha. Pronto. Também pegando lagosta, os dois já foram presos na Ilha do Boi, que era área militar.   A partir da construção do primeiro píer, o Píer I, do Porto de Tubarão ele percebeu uma mudança na vida marinha de Camburi. As obras fizeram com que a areia carregada pelo mar se concentrasse em recifes artificiais, aterrando a lama junto à praia, ou seja, o solo propício à vida de camarões e pequenos animais que são o alimento de peixes de profundidade.    A cadeia alimentar da região foi desestabilizada: sem lama, não há camarão; sem camarão, não há peixe. Pescado, Corvina, Pé de banco, Cabeça Dura, Pescadinha. Todos sumiram aos poucos.    Some-se ainda o minério depositado na região da Ponta de Tubarão nos anos 70. Bebeto conta que num ponto em que se contava 60 braças de profundidade (cerca de 132 metros), hoje conta-se oito metros, como o próprio Bebeto registra, ainda espantado. A medição foi efetuada com o barco do filho, que tem marcador de profundidade.    Aquela praia “de certa forma” mansa, em que as ondas rebentavam a 40 metros da orla, ficaria cada vez mais para trás. “Você tinha um lugar em que você jogava a isca na espuma e pegava robalo, pegava anchova… E não era robalinho, não”. Ganhou mais de 30 campeonatos com a equipe de pesca de que faz parte.   Bebeto ainda se lembra do dia em que um choroso Manduca achegou-se a seu pai, que, notando os olhos murchos do coronel, se mostrou preocupado: “O que foi?”. Manduca se abriu, num tom de desabafo: é que “uma tal de Vale do Rio Doce” chegou e desapropriou um terreno a

08/09/2013 / 0 Comments
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Ministério Público denuncia ex-secretário de Saúde por fraudes em convênios

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O Ministério Público Estadual (MPE) denunciou o ex-secretário estadual de Saúde e atual diretor da Cesan, Anselmo Tozi, e mais nove pessoas pelo suposto desvio de verbas públicas em convênios entre a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e a Fundação Manoel dos Passos Barros, entidade ligada à Igreja Cristã Maranata. A promotoria apontou desvio de finalidade nos repasses em até R$ 762 mil, entre os anos de 2004 e 2008. No período, o governo estadual repassou R$ 1,9 milhão à fundação por meio de emendas parlamentares. De acordo com a denúncia, ajuizada no final de julho deste ano, os recursos públicos seriam destinados a investimentos em projetos na área de saúde, mas acabaram sendo utilizados de forma irregular no pagamento de despesas regulares da entidade. A promotora de Justiça, Patrícia Calmon Rangel, que assina a ação, cita que as irregularidades foram detectadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), mas foram omitidas pela cúpula da Sesa durante a aprovação das prestações de contas dos convênios. Para a promotora, os ex-dirigentes da entidade – entre eles, pastores da igreja que também figuram na ação de improbidade – teriam utilizado as verbas também para “atender aos interesses políticos da fundação”. Entre as irregularidades estariam o pagamento de despesas de terceiros, aquisição de equipamentos subutilizados ou até mesmo não utilizados. Em valores atualizados, o rombo aos cofres públicos ultrapassa a casa de R$ 1 milhão. “Os fatos se tornam mais graves quando constatamos que a lesão ao erário teve por objeto recursos destinados à saúde – política pública tão precária e tão carente de verbas em nosso País. […] Ou seja, enquanto os cidadãos do Estado do Espírito Santo padeciam nos superlotados chãos dos corredores dos hospitais públicos pela ausência de leitos ou pela ausência de medicamentos, as autoridades públicas, em conluio com a direção da fundação, destinavam recursos públicos a fins que em nada ou quase nada beneficiaram à população”, narra a ação. Além do ex-secretário Anselmo Tozi e a pessoa jurídica da Fundação Manoel dos Passos Barros, foram denunciados ex-conselheiros da entidade (Marildo Pagotto Cozer, Gilberto Ribeiro dos Santos, Marco Antônio Lopes Olsen, Luiz Eugênio do Rosário Santos, Marcos Motta Ferreira, Antonio Tarcísio Corrêa de Mello e Renato Duguay Siqueira) e a ex-subsecretária de Saúde, Maria de Lourdes Soares – esta que teria sido responsável pela aprovação de uma das contas prestadas pela fundação. Entre os pedidos de ação, a representante do MPE pediu a condenação de todos os envolvidos ao ressarcimento do prejuízo aos cofres públicos. A promotora Patrícia Rangel também pediu a decretação de liminar para o bloqueio dos bens de todos os envolvidos. Entretanto, o juiz da 3ª Vara da Fazenda Pública Estadual, Gustavo Marçal da Silva e Silva, postergou o exame do pedido de liminar para após o recebimento da defesa prévia de todos os denunciados. O caso faz parte da série de escândalos recentes envolvendo a cúpula da Igreja Maranata, que chegou a ser alvo de uma intervenção judicial após denúncias da suspeita de desvio de dízimo. Em março deste ano, quatro integrantes da igreja, entre eles, o fundador, pastor Gedelti Gueiros, chegaram a ser presos pela suposta coação a testemunhas no inquérito que apurava os supostos crimes. Em junho, dez membros foram presos sob alegação de que continuariam participando da administração da igreja. No mês de maio, o Ministério Público formalizou a denúncia contra 19 membros da Igreja Cristã Maranata, incluindo pastores, pelos crimes de estelionato, formação de quadrilha e duplicata simulada. Eles teriam praticado desvio de dízimo da igreja, envolvendo uma movimentação financeira de R$ 24,8 milhões, segundo o próprio MPE.

08/09/2013 / 0 Comments
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Rede capixaba ainda não conseguiu registro da Justiça Eleitoral

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Apesar de ter cumprido a meta de colher 30 mil assinaturas com folga, o Espírito Santo ainda não faz parte dos 11 estados que conseguiram registro na Justiça Eleitoral para consolidar a Rede Solidadriedade como partido político. Faltando menos de um mês para o prazo final para obter o registro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Rede ainda precisa certificar 147 mil assinaturas, mas já tem dois estados a mais que o mínimo necessário (nove). No Espírito Santo, o partido começa a se organizar tentando driblar as divergências internas para se preparar visando à eleição de 2014. Essa semana, o ex-candidato à prefeito de Vitória, Gustavo De Biase, pediu exoneração da Prefeitura de Vitória para se dedicar exclusivamente à Rede. Apesar de ainda não conseguir o registro no Espírito Santo, a viabilização da Rede em outros estados vem animando os entusiastas do partido, embora não tenha conseguido ainda ampliar seu quadro de filiados com nomes que possam ser puxadores de palanque. Em todo Brasil, as dificuldades para obtenção do registro não impediram que cerca de três mil pessoas se filiassem ao partido. Essa realidade capixaba aumenta a tendência de que o partido aposte mesmo nas figuras novas na política do Estado, seja para majoritária ou proporcional. A Rede já conseguiu se registrar em Mato Grosso, São Paulo, Acre, Amapá, Goiás, Mato Grosso do Sul, Piauí, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina e Tocantins.  O partido precisa recolher assinaturas de apoio de 0,1% do eleitorado de cada Estado, em pelo menos nove estados. Também é preciso 0,5% dos votos registrados na última eleição para a Câmara dos Deputados, excluindo os votos em branco e nulos, o equivalente a 492 mil assinaturas. Se conseguir o registro, o partido apostará na candidatura a presidente de Marina Silva. Em 2010, Marina venceu a disputa no primeiro turno em Vitória e Vila Velha, o que vem aguçando a curiosidade da classe política. Diante da reação das ruas à política tradicional, a imagem de Marina pode garantir uma alternativa para a disputa, mas os problemas internos do partido podem afastar os interessados. Após a saída de Guerino Balestrassi da Rede, migrando para o ninho tucano, os remanescentes de seu grupo são acusados de tentar desestruturar a sigla no Estado. Já os aliados de Guerino acusam o grupo de Gustavo de Biase de tentar radicalizar a linha do partido. Há ainda pessoas ligadas a nenhum dos grupos, como professores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) que veem risco na disputa interna. Eles temem que o partido não consega se viabilizar internamente para a disputa de 2014, principalmente porque precisará estruturar um palanque para Marina no Estado.  

08/09/2013 / 0 Comments
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Ex-candidato a prefeito em Guarapari é ‘cereja do bolo’ para 2014

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Uma das grandes expectativas do mercado político para a disputa proporcional no próximo ano é o caminho partidário que seguirá o ex-candidato a prefeito de Guarapari Carlos Von. Ele vem estudando o melhor partido para se filiar para com vistas à disputa a uma cadeira na Assembleia Legislativa em 2014.    Von já esteve prestes a assinar ficha de filiação no PV e PPS, mas recuou. Ele parece estar fazendo as contas para tentar vislumbrar as chances de se eleger em um cenário com três vagas a menos na Assembleia.    Mas Von não conta apenas com a matemática ao seu favor. Ele se encaixa no perfil político que vem sendo aceito pelo eleitor, por isso, se tornou a figura política mais cobiçada pelos partidos para a composição das chapas proporcionais. Apesar de ter uma imagem jovem, que vem de encontro ao sentimento de mudança na política que ecoa nas ruas, Von tem história política que vem do avô Carlos Alberto Lindenberg Von Schilgen, prefeito de Vitória entre os anos de 1979 e 1981.     Mas o que vem chamando a atenção do mercado político é o desempenho que Von teve na eleição extemporânea de Guarpari, no início do ano. Elei ficou em segundo lugar na disputa, com 1.690 votos a menos que prefeito Orly Gomes (DEM).    A questão é que Orly foi o candidato apoiado pelo ex-prefeito Edson Magalhães, que apesar de impugnado, venceu a eleição com uma vantagem muito grande dos demais candidatos. Por isso, Von vem sendo considerado um puxador de votos em uma região próspera. Isso porque o nome que poderia puxar votos no município para a Assembleia seria Rodrigo Chamoun, que foi para o Tribunal de Contas do Estado, deixando livre um campo eleitoral para ser explorado pelos adversários. 

08/09/2013 / 0 Comments
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Casagrande e Hartung antecipam nos bastidores a disputa de 2014

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Nerter Samora e Renata Oliveira     O governador Renato Casagrande e o ex-governador Paulo Hartung têm travado uma queda de braços nos bastidores. Enquanto isso,+ a classe política fica perdida sem a definição do cenário eleitoral de 2014       Nerter – Tem uma série de informações circulando nos bastidores sobre as movimentações da classe política, mas parece ser tudo fumaça, não há nada palpável para 2014. Essas conversas, evidentemente, envolvem as quatro grandes lideranças do Estado: Renato Casagrande (PSB), o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) e os senadores Magno Malta (PR) e Ricardo Ferraço (PMDB). O questionamento é sobre suas posições na eleição do ano que vem. De certo mesmo temos a candidatura à reeleição do governador Renato Casagrande. Agora, contra quem? O senador Magno Malta realizou um evento no último sábado para dar boas-vindas aos novos filiados do PR e voltou a afirmar que pode ser candidato, mas também pode não ser. Então, fica dúvida. O fato é que ele está isolado. Além dele, os movimentos de Ricardo Ferraço (PMDB) sugerem que ele partiu para uma manobra arriscada em busca de visibilidade, mas se isso se sustenta para uma eleição, também não sabemos.    Renata – Há umas informações que são difíceis de analisar. Há quem diga que Ricardo quer se afastar de Paulo Hartung, inclusive dentro do PMDB e conquistar o partido para ser o candidato ao governo. Eu, sinceramente, tenho dificuldade em ver uma ação do senador distanciada do ex-governador. Embora, se ele é o candidato do grupo de Hartung, essa movimentação tão distante do pleito não condiz com o perfil do ex-governador. São manobras arriscadas demais para o grupo.      Nerter – É verdade, mas Ricardo aproveitou a onda, não é? Houve uma sucessão de fatos envolvendo questões internacionais. Ele está em uma comissão no Senado que trata do tema. Politicamente, ele tem boa circulação no mercado político e  o apoio do empresariado. O problema que atua mesmo só na Grande Vitória. Precisa expandir sua imagem. Assim como fez Renato Casagrande, quando era senador, ele buscou visibilidade nacional para tentar ampliar sua imagem no Estado. Teve que aproveitar o momento.    Renata – Sim, mas as estratégias são muito arriscadas e a visibilidade que hoje é boa, pode não se manter assim ou pior se reverter em desgaste. Dentro do PMDB, o grupo de Paulo não é tão forte mais. Lelo Coimbra estaria isolado no comando da sigla. Mas daí a Ferraço conquistar o PMDB são outros quinhentos. A forma como ele entrou no partido, empurrado por Lelo e Hartung e já com um papel pré-definido de disputar o governo, irritou os chamados históricos, já que isso não foi discutido em nenhum momento com o partido, foi empurrado goela abaixo. O senador não pode mudar de partido para tentar a eleição por outra sigla, portanto restaria conquistar os históricos e isso não é tão fácil.   Nerter – Além dos movimentos do senador Ricardo Ferraço, há uma atividade intensa de bastidores do ex-governador Paulo Hartung. Essa história de que Casagrande tem a maioria da Assembleia é controversa. Há um grupo que teria sido cooptado na Casa para intensificar a oposição a Casagrande para desestabilizá-lo…   Renata – Por falar em oposição, você reparou na nova roupagem de Euclério Sampaio? Não estou falando do visual e sim do discurso lido, da oposição cirúrgica?    Nerter – Sim.    Renata – Então tá. Mas, continue.   Nerter – O Casagrande já tem um problema grande na Casa chamando Theodorico Ferraço (DEM). Tem gente que diz que o demista faz movimento em favor do filho, possível candidato. Tem gente que acha que é pela mágoa daquele “abril sangrento”. E há ainda quem defenda que se trata tão somente de disputa de espaço político mesmo. O fato é que Casagrande teria intervindo para “salvar” Ferraço da [Operação] Derrama e agora deve estar muito arrependido. Da mesma forma que deve se arrepender de ter assumido todas as contas deixadas pelo governo anterior, como os aliados na equipe, o caos na segurança e outras áreas sociais desassistidas, as renúncias fiscais, enfim, todas as broncas do Paulo.    Renata – Enquanto Casagrande acumula desgastes, Paulo Hartung aproveitou os tempos de planície para construir Estado afora uma imagem homem de gestão. Com as palestras sempre comentadas pela mídia, o ex-governador lustra a vitrine, passando uma imagem de excelência no serviço público. Ao mesmo tempo em que sua imagem segue blindada e polida, a de Renato, até pelas trapalhadas na gestão e as constantes crises, só se complicou. Hoje já se fala na possibilidade de Hartung disputar a eleição com Casagrande e o socialista sair derrotado na disputa. Mas é preciso muita calma nessa hora, porque só isso não vai garantir a vitória de Hartung, não é?   Nerter – Olha, apesar de ter uma série de irregularidades em seu governo, Paulo Hartung está saindo incólume das pendengas, até porque os resquícios do arranjo institucional ainda existem. Mas há dois fatores a se considerar na hora de pensar uma candidatura de Hartung ao governo. O primeiro é que se Hartung entrar, o senador Magno Malta também entra. E Hartung não vai querer enfrentar Magno Malta em campanha, mesmo com possibilidade de vencer. Malta tem voto e sabe como desconstruir essa imagem de Hartung. E o ex-governador sabe e teme isso. Outra questão é o próprio Casagrande. Hartung vai vir com esse discurso de que seu sucessor foi pior que ele. Aliás, já vem disseminando essa ideia nos bastidores. Mas Casagrande tem uma carta na manga que nenhum outro candidato tem: a máquina, diga-se de passagem, bem azeitada.   Renata – Com certeza. Por que você acha que houve tanta movimentação para tentar barrar o Fundo de Desenvolvimento dos Municípios? Com os prefeitos das cidades com menos de 20 mil habitantes – e no Estado isso é mais da metade dos municípios – com a corda no pescoço, o Fundo vai servir como tábua de salvação desses prefeitos. Casagrande não imprimiu uma marca

08/09/2013 / 0 Comments
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